Hoje uma amiga da pós fez um texto bem autobiográfico falando da dor. Fiquei tocada, pois me pareceu um desabafo mesmo, um ato de vomitar uma emoção forte.
Concordo com ela que essa parece ser uma característica da vida; ao que tudo indica, vira e mexe vamos sentir dor. Nem todos vão conhecer o amor, mas a dor... Ô!... Em uma determinada hora a gente percebe que não é culpa de ninguém e que não há o que possa ser feito para exterminar - às vezes só para atenuar e olhe lá. Acho que a grande contribuição que a gente pode fazer para amenizar a dor do outro é não chutar cachorro morto, é não piorar mais. Por isso eu até concordo que se há alguém que pode fazer algo, é o dono da dor, mas às vezes é só Deus mesmo na causa. Nem todos são sortudos ou fortes ou espertos. É cruel culpar a pessoa pela própria dor. A gente erra por ignorância, não por vontade. De dor, ninguém gosta, mas alguns não conhecem outra coisa na vida.
Sei lá, me soa a uma economia neoliberalista da vida, é a mesma lógica de que todos precisamos criar nossos próprios empregos e sermos empreendedores só que aplicada à subjetividade. Empreender pode ser uma saída em situações de emergência, mas não é futuro de nenhuma coletividade, pelo contrário. Todos temos essa aptidão? Vá ver o ranking dos países mais empreendedores. Só tem países subdesenvolvidos. O que chamam de empreendedorismo é o antigo "vire-se". A esmagadora maioria dos empreendedores vão ter a subsistência, quase ninguém realmente criará um negócio. Do mesmo jeito nas coisas sentimentais: nascemos em circunstâncias que não escolhemos, enfrentamos circunstâncias que não controlamos e temos que ser responsáveis absolutos pelo que nos acontece, sendo que as nossas opções não são irrestritas assim: eu escolho entre as opções que me são apresentadas e não necessariamente há alguma boa; às vezes é o caso de escolher entre o menos pior.
Então, acho cruel esse negócio de apontar o dedo pra pessoa, como se circunstância e sorte não fizessem parte da equação. Recebemos as coisas da vida na caixa dos peitos e fazemos o melhor que podemos - alguns com mais ou menos boa vontade, com mais ou menos sabedoria -, quase sempre com pouca ajuda, já que tá todo mundo tentando resolver as próprias questões. Somos os únicos "obreiros" dessa empreitada, mas discordo completamente que somos os únicos responsáveis.
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