Escolha mais que acertada ter visto este filme hoje, primeiro dia do ano. Leve, mas profundo, a depender do que você conseguir extrair dele. Se bem que eu acho que no final a diretora deixa a intenção dela ficar mais explícita pro espectador, que vai ser direcionado pra algo além de uma memória sobre as férias de um pai e de uma filha.
Enfim, fiquei pensando neste filme o dia inteiro.
Aftersun é sobre o relacionamento de Sophie e de seu pai, Calum. O filme não entrega muitos detalhes sobre a relação deles, mas, se eu entendi bem, apesar deles morarem em cidades diferentes, na infância dela, são ligados e costumam passar alguns dias de férias no ano. Apesar de Calum não ter recebido muito afeto dos pais e dele mesmo estar passando por uma crise (que não sabemos se é apenas emocional, ou se está doente, até porque não sabemos se ele morre por volta da época em que Sophie adulta acessa essas memórias ou se morreu pouco tempo depois daquelas férias), ele se esforça para dar as melhores férias para a filha. Ela é uma criança que está na beirada da adolescência, com 11 anos recém completados. Ele é um sujeito de quase 31 anos que, portanto, foi pai quase menino. Por isso é fácil pra eles se conectarem e, apesar disso, a paternidade é uma das pontas da vida adulta que, de um modo geral, não está sendo fácil pra Calum atravessar. Pra quem é, pelo amor de Deus?!
Sophie sonha com o pai dançando com ela quando se torna mãe e revira o baú da memória mais especial que tem dele, as tais férias na Turquia. Ela remonta este pai agora de uma perspectiva adulta e materna. A criança não via a complexidade do que ele estava vivendo. A filha não sabia o quanto custa estar no lugar de pai ou mãe quando você nem sabe direito o que fazer consigo mesmo. A filha adulta agora percebe aquele pai que a inocência da infancia não deixou ver e teve empatia.
Por fim, o botão mais foda que este filme aperta é o da saudade de quem é parte constitutiva da gente, da nossa história. Há pessoas que são impossíveis de serem deixadas pra trás, e com algumas a gente não quer mesmo que isso aconteça.
Chorei, não vou mentir!






















