Quando eu era pequena havia os discos com historinhas, contos de fada. Eu tinha vários, mas o que mais me marcou foi o disquinho do Aladin, um azul, que eu tocava, tocava e tocava. Morria de medo da parte em que ele ficava preso na caverna. Até aí normal, o maior medo de toda criança é ficar sozinha.
Mas eis que cresci e comecei a estudar a teoria junguiana, com seus mitos e arquetipos. Ouvindo uma palestra da professora Lúcia Helena Galvão, descobri porque essa história sempre me marcou tanto: porque fala da minha relação sempre difícil com Deus. Explico: sempre achei que Deus fazia-se de surdo pros meus desejos, que eu nunca era atendida. Já pensei muito, durante a vida, em como acessar esse poder espiritual. Aladin faz desejos a um gênio (Deus) preso numa lâmpada. Ao final, ele para de querer desejos realizados e liberta o gênio do confinamento. Neste momento, o gênio/Deus está em todo lugar e ele não precisa mais desejar nada.

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