Com muito atraso, comento aqui "Encanto", o último desenho animado da Disney. O filme, que se passa na Colômbia, tem como personagens os membros da família Madrigal, formada por pessoas com poderes/ talentos mágicos que os destacam do restante da cidade. Só que isso tudo anda ameaçado e a pessoa que decide ir em busca de uma solução é a única Madrigal sem um talento mágico, Maribel.
O que a história de "Encanto" vai nos mostrando, aos poucos, é que manter uma identidade, viver em cima de uma característica, da utilidade que essa pode ter, tem um custo pessoal grande. E não é o que fazemos pela vida? Nos apegamos às identidades profissionais e às relacionais, de tal modo que, para muitas pessoas, sem aquele emprego, relação, status ou habilidade, não se é ninguém. Só que manter essas identidades exige um controle, que por sua vez demanda muita energia, ou seja, nos aprisiona. Ao começar a perder a força extraordinária, Luiza, prima de Maribel, começa a entrar em crise. No fundo, a família Madrigal tem medo mesmo é de deixar de ser querida se não for útil, se não der aos outros o que eles esperam (e o final do filme traz uma bela resposta a essa insegurança). Assim também é na vida da gente. Alimentamos as crenças de que se não formos o que os outros esperam de nós, se não oferecermos algo que lhes interesse, não seremos amados. Pare e pense em quantas coisas a gente faz não exatamente porque são importantes pra gente, mas por querer a atenção dos outros. Sempre tem. Neste ponto, é interessante a história de Bruno, cuja habilidade era a de prever o futuro, que nem sempre correspondia às idealizações dos outros, e por isso foi banido.
De tanto controle, os Madrigal perderam o controle. Por fim, Maribel salva a casita usando o único "dom" que ela tinha: o grande amor pela sua família. E do que mais alguém precisa?
Nenhum comentário:
Postar um comentário