sábado, 30 de julho de 2011

Quem não tem Porto da Barra caça com "Seine" mesmo...



Bienvenue au "Paris Plage"! Até 21 de agosto vai ser isso aí: a galera esparramada em cadeirinhas, chuveiros e água potável de graça, barraquinhas de sorvete e até serviço de massagem. Como o frio aqui é uma constante, o espaço, a qualquer sol que abre em Paris, fica lo-ta-dooo!

Nos arredores de Notre-Dame

Um pouco depois da imponente Notre-Dame existe uma livraria bem simpática, especializada em literatura inglesa, a "Shakespeare and Company". No início do século passado, ela servia de abrigo para aspirantes a escritores oriundos de países de língua inglesa. A coisa funcionava assim: o futuro escritor ganhava hospedagem grátis por 3 meses (tempo de escrever sua obra) e em troca tinha que trabalhar um pouco na livraria e ler um livro por dia. Hemingway foi um desses caras.


Essa é a igreja de Julien dos Pobres. Ela é um pouco mais antiga que Notre-Dame. Dizem que sua acústica é infinitamente superior a da catedral do Corcunda, e por isso vários concertos de música clássica são realizados por lá.
 Essa é a Ponte das Artes. Aqui, vários artistas de rua se apresentam. Uma atração à parte são os cadeados depositados na ponte por casais, de modo a eternizar o amor que os une (Ohhhh!...). Mas a prefeitura não anda muito apaixonada pela ideia, segundo fiquei sabendo.

"FELIPECIDADE"

Ontem fiquei sabendo que o meu tão esperado sobrinho é realmente um sobrinho. "Felipecidade" geral na família em receber seu primeiro menino. Que fevereiro chegue logo!

A Ponte de Mirabeau

A construção em si não tem nada de especial. Minto: a construção é bem bonita, mas fica no meio do nada. Gostei muito de ver os versos do poema na lateral da ponte. Que lindo!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ô!...




Acho que a brincadeira do FB traduz o sentimento de muita gente.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ele x Ela: o princípio.

Outro dia estava no metrô, quando entraram uma mulher e duas crianças de aproximadamente oito anos - um menino e uma menina. Enquanto a acompanhante distraia-se pensando provavelmente na morte da bezerra, os dois pequenos seguravam-se em um dos mastros de ferro do vagão. Começaram a conversar - em inglês, ao que tudo indica, o primeiro idioma deles. O clima esquentou e o ruivinho, tentando pôr fim, na marra, à queda de braço na qual nitidamente levava desvantagem, tentou dar uma cabeçada na face da garota. 
Ela, sem titubear, começou a fungar, como quem está por cair no choro, chamou a adulta, e para garantir que seria entendida, fez a queixa em francês, contando como havia se desenrolado a tentativa de agressão física. Puro charme daquela mocinha de cabelos castanhos e olhos azuis, a adulta deve ter suposto, assim como era evidente pra mim. Se soubesse falar francês fluentemente, teria tomado a liberdade de brincar com a pequena: "Ora, vamos, ele nem acertou direito o alvo, deixe de manha, vá, que eu vi que não doeu!". Mas, com ou sem presepada, o caso é que ela ficou uma graça de queixosa - e parecia saber perfeitamente disso. "Une femme est une femme".
O ruivinho, aparentemente sem fluência no francês e envergonhado pela denúncia pública da companheirinha, ficou cabisbaixo. Após alguns segundos, sem levantar a cabeça ainda, inclinou a franja alaranjada pra frente, de modo a fazer carinho com os cabelos na testa da amiguinha, como quem diz: "Era isso que eu queria fazer naquela hora; não quis te machucar. Me perdoa."
Nosso vagão começou a apresentar problemas, os quais ele nem parecia notar enquanto ela parecia excitadíssima com toda aquela indefinição do nosso destino. Nós saímos dele, por fim. Durante o tempo em que olhei para o lado esperando avistar o próximo vagão, ouvi a voz (aborrecida) da acompanhante adulta. Virei na direção dela e a moreninha, com cara de zangada, havia ido se sentar. Sorri ao pensar que cada sexo, desde o início, já mostra as suas habilidades inatas: enquanto eles se calam e preferem a ação (ainda que imprudente), elas dançam com as emoções e as palavras (ainda que inventadas).

The Gift

Se tem uma coisa que me dá barato é poder presentear. Tenho um espírito meio de apresentador de auditório, acho impagável o sorriso e a satisfação de alguém que recebe um presente. Até algum tempo atrás, a satisfação tinha que ser mútua (traduzindo, eu costumava dar presentes que eu pudesse pedir emprestado depois. rs). "Evoluí", e hoje o meu barato é procurar algo que seja muito parecido com a pessoa que vai receber o presente. Às vezes o processo é árduo, mas sempre vale a pena. É muito ruim presentear por presentear; quase sempre, melhor não dar nada. Poucas coisas afirmam mais a indiferença alheia que isso. O bacana do presente, muitas vezes, é saber que alguém pensou em você ao comprar o objeto ofertado.
Meu ascendente em câncer também fala alto nesse aspecto: ao dar algo a alguém, posso me infiltrar no ambiente mais íntimo dele e, mesmo que os anos passem, um dia, ainda que distraidamente, aquele objeto vai evocar a minha lembrança (por isso é bacana dar livros, pois esses abrem brecha para cartinhas-dedicatórias).

domingo, 29 de maio de 2011

Para posteridade

Eu não sou muito de fotografar. Em meio a correria, nunca me liguei em tirar foto no A Tarde.
A única que tenho - que Aguirre não me leia!hahaha - é by Kin Kin, tirada durante a Festa dos Jornalistas do Grupo JCPM, em dezembro do ano passado. 
Mirem bem este "rezistro". É aquela coisa: quem nasceu pra se lascar, não tem pra onde correr. O tema de 2010 foi "circo" (por isso estamos segurando algodão doce). O de Donaldson quase não aparece. Ari recebeu uma mega ajuda do selo do site, que praticamente "abafou o caso". Vanessa Alonso, como jornalista que se dá ao respeito (não à toa, foi premiada pelo Sebrae essa semana), não segura nada. Pra quem sobrou? Adivinha!... E, pra piorar, ainda tô quase check-to-check com o velhinho do Grupo Paes Mendonça. Tsc, tsc, tsc... (Não preciso de ninguém para queimar o meu filme. Neste quesito, sou self-made. hahaha...)


terça-feira, 24 de maio de 2011

Seul

Agora caiu a minha ficha: vou viajar sozinha. Xiiii!...
Mas nem tudo está perdido. Há a esperança de arranjar companheiros de passeio no curso de francês.

domingo, 22 de maio de 2011

O lado de cá, o lado de lá


Daqui a oito dias, embarco rumo a Paris. É engraçado que quando comento o fato com alguém, já vem logo a "praga": "Olha, tomara que você arranje um francês lá, viu?". 
Pelo amor de Deus, né! Casar com estrangeiro não deve ser o auge da vida da mulher brasileira. Ai, ai...
No fundo, me dizem isso porque tá todo mundo desiludido com esse país, que nos estressa muito e nos oferece pouca perspectiva. Sim, confesso que tenho medo da volta. Mas vou voltar, sem dúvida. Já foi a época em que acreditava que minha vida seria lá fora. Coisa de menina, hoje eu sei. Coisa de intuição que meu destino é aqui no Brasil, mas não na Bahia (sinto que, não demora muito, vamos nos separar, após quase 20 anos juntas).
Minha intuição não apita nada sobre essa viagem ainda. Isso me angustia, pois geralmente ela canta algumas pedras pra mim. No entanto, do jeito que as coisas estão conspirando para que minha ida à Europa aconteça, começo a acreditar que algo importante deve me ocorrer por lá.
Enquanto isso, fico aqui às voltas com os últimos preparativos. E também com um livro de expressões para viagem que comprei. Tento decorar algumas frases em francês, sem muito sucesso. Ao final de cada tentativa com o livrinho, me bate a dúvida se vou conseguir aprender algo em francês. Vai ser fracasso geral voltar sem ao menos conseguir articular uma conversação. Já pensou? hahaha...Mas, de verdade? Eu só quero ser feliz enquanto estiver por lá. Torçam por mim. ;)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Shakira em Paris: Eu vou!!!!!!!!!!!

É gravação de DVD, pai! Uhuuuuuuuuuu!...

sábado, 14 de maio de 2011

Infeliz por quê?

Mais uma vez, o noticiário me gerou uma reflexão. Estava ontem vendo uma reportagem dessas sobre drogas, em que uma mãe lamentava a morte do filho de 18 anos, viciado, dizia que tinha feito tudo ao seu alcance para tira-lo disso, e já "se preparava" - se é que isso é possível - para o mesmo destino do seu caçula, de apenas 13 anos. Não aguentei, e questionei a minha mãe: "Qual o motivo de tamanha infelicidade?" Sim, pois quem tá feliz não se afunda em drogas. Agora, venha cá, me diga uma coisa, há realmente tanta gente infeliz assim? A vida de todas elas é realmente tão miserável para fazerem coisas absurdas, destrutivas?
Esse rapaz mesmo da reportagem tinha saúde (física, ao menos), mãe (tanta gente por aí nem tem ideia de quem o gerou...), irmã e juventude. O que faz uma pessoa com essas configurações querer morrer? Carambola, a vida nem começou e o sujeito já se julga tão derrotado a ponto de se afundar nas drogas para se matar (sim, porque é isso que deseja - inconscientemente, ao menos)!? Pense direito: isso faz sentido?

Alguns podem dizer que tal fenômeno é sinal da falta de Deus, de fé no coração. Crenças à parte, digo que isso é, sobretudo, falta de sensibilidade. Estamos todos visivelmente orientados para o que ainda falta. Ninguém se ocupa nem por um segundo do que já foi conquistado. Ninguém tem a sensibilidade de imaginar que teve sorte, uma vez que aquilo que parece ser uma conquista banal poderia não rolar mais ou simplesmente nunca ter rolado.
Aposto que o seu Luiz Alberto, um senhor conhecido meu recém-transplantado, adoraria ter 30% da saúde desses jovens que se drogam por aí. Entrar e sair de UTI, oscilando entre vida e morte, isso sim é sofrimento. E mesmo assim esse sujeito que vem passando um pedaço tem muito o que agradecer: de sangue raro, conseguiu, relativamente rápido, um doador compatível. Muitos queriam ao menos ter a chance de estar passando os mesmos perrengues, na tentativa de prolongar a vida.
A vida é difícil e milagrosa, ao mesmo tempo, para todo mundo. O que faz a diferença é a criatividade de cada um, pois, sim, viver bem é, acima de tudo, um desafio à criatividade. Isso é óbvio, é próprio do fato de estar vivo, neste mundo. Enigmático é estar faltando sensibilidade quase que generalizada para ver isso. Há definitivamente uma epidemia de "cegueira" na população mundial (quando ricos e pobres querem se matar em proporção quase igual, o problema não é mais social). E suponho que talvez o problema seja justamente o contrário do que se supõe: a vida desse povo anda muito boa. Se realmente tivessem um problema, não teriam espaço, na vida, pra pensar besteira. 
De uma coisa tenho certeza: a infelicidade humana anda super cotada.Não há por que ser tão miserável assim.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Irreflexão

"O que estão fazendo às crianças do nosso Brasil?", perguntou a loira que apresenta um programa matutino, recém-avó, a sua rede de milhões de telespectadores espalhados pelo País.
O apelo de Ana Maria Braga poderia ser tachado de sensacionalismo televisivo. Mas não era. Infelizmente, é impossível negar que, ultimamente, maus tratos infantis têm rendido mais noticiário do que gostaríamos. Não lembro de ter ouvido tantas histórias sobre bebês jogados no lixo como atualmente. É estranho perceber, de repente, que, no grosso, o nosso saber não serve para nos melhorar de jeito algum.
Na mesma semana, Drauzio Varella tocou no tema "aborto" em entrevista ao "Roda Viva".
De um certo modo, ambos os temas entrelaçam-se. Quando vemos bebês jogados no lixo, logo pensamos: "Por que deixa vir ao mundo, se é pra fazer isso?". Quando sabemos de alguém que fez aborto nos perguntamos:  "O que custava ter deixado nascer?".
Por trás de todas essas situações percebo irreflexão. As pessoas esqueceram que os atos têm desdobramentos.  O desespero total conduz a cenas bizarras que não tinham razão de ser.
No mesmo dia em que a loira se perguntava sobre a situação esquisita das crianças do Brasil, muito indignada, mandou o recado para as "loucas da lixeira":
- Olha, não querer ficar com o filho não é crime, não; não precisa largar em lixeira, com medo de ser pego. Para isso existe a adoção.
Pois é. Óbvio, não?
Contra o aborto, existe, além da adoção, a pílula, o planejamento familiar.

Qual é a dificuldade em poupar sofrimento para si mesmo e para os outros?
Não entendo...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Do the evolution, babies!

Aviso aos navegantes: o tema é pop, o post é frívolo.

Por esses dias, saiu o novo clipe de Britney Spears, "Hold it Against Me", do álbum "Femme Fatale". Apesar do título, o repertório continua o mesmo de quando ela cantava pendurada num balanço de uma árvore. Uma fêmea fatal não perguntaria "Você usaria isso contra mim?". Muito beicinho, muito menininha ainda pra assinar um álbum com esse título. Eu gosto de Britney, mas ela não age com sinceridade nessa carreira há tempos. Faz o que sabe que dá certo desde que surgiu no show business. Por essas e outras que Madonna continua Madonna. Com exceção de uma breve fase garota, sempre se posicionou como mulher, sempre procurou não se repetir. Discípula dela, só Lady Gaga, realmente.
Um pouco mais ousada porém tão estagnada musicalmente quanto é Sandy. Teve peito pra ir para a carreira solo, ok, mas continua cantando letras adolescentes. Ela é ainda muito verde compondo. Nessas horas, é preciso ter humildade e praticidade. Sandy deveria desistir, por enquanto, de compor todo o material e priorizar a gravação de letras de outros compositores. Luiza Possi faz muito isso, e dá supercerto.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Animal

Por estes dias, Delfim Neto atiçou a turma do politicamente correto dizendo que o animal empregada doméstica estava entrando em extinção (não lembro exatamente a frase, mas era algo neste sentido). A turma se revoltou com o uso do termo "animal". Não acho que o politicamente correto seja histeria vazia. É patrulha com função. Mas às vezes, na ânsia de não deixar nada passar, acaba minando a credibilidade daquilo que defende. Este caso nem foi gritante. Mas, hipocrisia à parte, como é mesmo tratada essa classe no Brasil, hein? Animal de estimação se dá melhor com a patroa que muita trabalhadora doméstica. São exploradas, sim, tratadas como animais de carga. Por que o choque com a expressão utilizada pelo Delfim?!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Direito de Escolha

Ontem assisti a um filme que há muito já tinha curiosidade de ver: My sister´s keeper, que em português ganhou o péssimo título Uma prova de amor (se eu dependesse só dessa informação teria desistido do filme pensando ser uma pieguice só, e ele está longe disso).
A sinopse é a seguinte:
"Concebida por meio de fertilização in vitro, Anna (Abigail Breslin, a menininha de Pequena Miss Sunshine) foi trazida ao mundo para ser uma combinação genética para a sua irmã mais velha, Kate (Sofia Vassilieva), que sofre de leucemia promielocítica aguda. Quando Kate faz 15 anos, ela passa a sofrer de insuficiência renal. Sabendo-se que ela terá que doar um de seus rins para sua irmã, Anna processa os pais para a emancipação médica e os direitos sobre seu próprio corpo."
Se Anna se recusar a doar o rim, Kate não vai ter nenhuma chance de sobreviver, mas se ela doar, nada garante que a irmã irá se salvar. E mais: Anna terá restrições para o resto da vida por conta da doação do órgão. 
O pai das meninas, a partir do processo jurídico, começa a refletir se a filha de 11 anos foi negligenciada durante todos esses anos. A mãe fica furiosa com a recusa da caçula (na verdade, ela está quase enlouquecendo de desespero ao perceber que são poucas as chances de salvar Kate) e tenta conseguir a autorização para o transplante na justiça.
Difícil, não é? Até porque as duas irmãs não são rivais. Pelo contrário, se amam, e muito.
Gosto de filmes polêmicos. A deste filme é das boas. Mesmo sendo por um motivo muito nobre, é justo sacrificar tanto o corpo de alguém que tem uma saudade perfeita? E se essa pessoa não quiser se submeter a isso, ela está errada, ela não tem o direito de zelar pela sua integridade? Mas, por outro lado, tá valendo uma outra vida essa escolha pessoal...
De quebra, "Uma prova de amor" nos oferece uma reflexão sobre vida e morte (mas não vou me estender muito a respeito, pois teria que contar cenas do filme).
Enfim, assistam o filme. Garanto que não vão se arrepender (só não esqueçam o pacote de lenços).


domingo, 27 de março de 2011

É Fantástico!

Frase da Semana

By Martha Medeiros!

Você será o que sempre foi – e isso já é muito bom, pois presumo que você não seja nenhum contraventor, apenas não consegue dar conta de todos os seus bons propósitos, quem consegue? Às vezes não dá. Vá no seu ritmo, siga sendo quem é, não espere entrar numa cabine e sair de lá vestido de super-homem ou de supermulher. Deixe de fantasias. Deixe-se em paz.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Surfistinha

Estreou mês passado o filme da Bruna Surfistinha. Pensei em ver, mas como li uma crítica ruim e ouvi um comentário negativo de uma amiga minha, desisti. É o tipo de história que periga, e muito, cair em uma abordagem medíocre. Não fiquei surpresa com o resultado decepcionante.
Tenho mania de pensar sobre as motivações alheias, e um caso como o da ex-prostituta de classe média é - vamos admitir - intrigante. Eu poderia dizer que ser prostituta é uma vocação, como ser freira (não acredito que alguém permaneça nessa atividade contra a vontade, à exceção, claro, dos casos em que há tráfico de mulheres). A pessoa simplesmente é "inclinada a", e ponto. Mas o que faz um ser humano tolerar oito, às vezes 10 pessoas desconhecidas, por dia, fazendo sexo com ela? Não é algo usual na "fauna humana".
Fui, então, pro primeiro livro da Surfistinha, "O Doce Veneno do Escorpião". Muito melhor investigar lá do que no filme (fora que ninguém merece mais uma performance canastrona de La Secco, né?). Penso que poderia, com o perdão do trocadilho, ter sido um puta relato. Poxa, com tantos programas na lista, Bruna poderia ter explorado melhor as histórias dos clientes, ter contado mais sobre quem frequenta esse universo (não diz que quer ser psicóloga? Então!...). Ela basicamente conta a história dela  resumidamente e faz comentários sexuais sobre meia dúzia de programas.  
O que ficou latente foi uma vontade de chocar/agredir, derivada de uma carência afetiva profunda. A prostituição foi, também, uma vingança do meio social do qual, originalmente, ela não faz parte por ter sido abandonada pelos pais biológicos ("Se eu, que estou nesse meio degradante, vim da mesma classe média que você, então não dá para você se achar tão superior assim, afinal, como aconteceu comigo hoje, amanhã pode ser com você, sua irmã, ou sua filha"). Das vezes em que teve como clientes ex-colegas de colégio, fez questão de dizer quem era.
A prostituição também foi um canal de satisfação da vaidade. Se por um lado a atividade é degradante, na medida em que a mulher tem que ir com qualquer um e fazer qualquer coisa que esse lhe pedir (se bem que, a depender da competência da "prost", ela detém o comando da situação), por outro lado é lisonjeiro para a mulher, que tem na sua frente um homem que está  precisando dela, que está pagando para transar com ela (não deixa de ser uma forma de humilhar o sexo oposto, o que pode fazer bem ao ego de algumas mulheres nesta posição. Em algumas passagens, Bruna deixa claro que é importante para ela ser escolhida pelo cliente). Ela fala o tempo todo em busca pela liberdade, mas interpretei essa escolha dela como uma busca por poder.
Como típica escorpiana, Bruna gosta de testar os limites - os dela e os das pessoas, para ver se aquilo é de verdade mesmo ou conversa fiada -, afinal "o que não mata, fortalece". Ela aprontou loucuras com a família adotiva (apesar de ter entendido o ponto de vista dela, de qualquer modo, creio que foi ingrata com os pais). E com ela mesma. A sorte é que teve força de vontade. Bruna poderia ter assinado o seu atestado de óbito, por exemplo, ao se envolver com droga, que é um troço difícil de largar.
 E por falar em difícil, descobri, ou melhor confirmei, que não dá mesmo para confiar na higiene desse povo do ramo sexual: Surfistinha confessou que usava o mesmo lençol em dois programas. Não deve ser muito diferente nos motéis (pensando bem, até nos hotéis. Arrrrgh!...). Melhor nem pensar nessas coisas. hehe...



quarta-feira, 9 de março de 2011

"Ê, São Paulo, ê, São Paulo..."

Finalmente, neste Carnaval, pisei em solo paulistano, após muito ouvir falar dessa cidade. Quase sempre mal, diga-se de passagem. Cheguei com o pé atrás. Saí com uma impressão muito melhor do que a que tinha até então. Quero voltar a São Paulo. Um bom motivo? Bem, como costuma dizer Cláudio, trata-se de uma cidade diversa. A reunião de várias tribos e etnias, as opções de atividades que oferece enchem os olhos, sim. Na Paulicéia Desvairada, as pessoas são educadas e eficientes e tudo é imenso e, principalmente, rápido. Dá vertigem. Mas, apesar de reclamar o tempo todo da lerdeza dos "salvadorenhos", no fundo, como dizia Nelson Rodrigues, "ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca". Não conseguiria morar lá. 

Por exemplo, ao vivenciar cinco dias de "gincana" na estação de metrô, percebi o quanto o nosso transporte poderia ser melhor mas também o quão fundamental foi, nos meus tempos de estudante, não tê-lo como opção. No metrô, perderia dois dos meus maiores prazeres (e consolos diante do estresse dessa rotina): dormir no buzão e ver a paisagem (risos).
O visual da metrópole, aliás, é um caso à parte. Muito concreto, muito cinza, marginais feiosas... "Então", à primeira vista me pareceu uma cidade "encardida". Apesar da imponência de seus prédios, falta natureza, falta, enfim, beleza a São Paulo. E vendo isso, foi que percebi mesmo que essa tal de Salvador, que eu amo, é realmente "bonitinha mas ordinária" (tão charmosa!... que custava ser mais bem-cuidada, hein?). 

Bem, seguem algumas fotos e mais detalhes sobre a viagem. 
Sampa Crew: Luize Meirelles, Ingrid Campos y yo! "Agradecimento" especial à tradicional garoa paulistana, que nos acompanhou do começo ao fim.

Estação Pinacoteca, Memorial da Resistência. Nossa presidente Dilma ficou presa nesta cela. Amigas que lá estiveram depois dela escreveram seu nome na parede (atrás da toalha branca) em homenagem.

Museu da Língua Portuguesa, um dos meus preferidos nesta viagem (outro maravilhoso é o Masp. Aliás, a Av. Paulista é toda massa!). Esse vulto sou eu! hehe...
Wall Street, Vila Olímpia. A ideia do bar é bem legal: conforme os clientes vão fazendo os seus pedidos, a cotação dos itens do cardápio sobe ou desce. Na foto, os primos de Ingrid.
OBS.: Perceberam uma luz esquisita no rosto de Luize e do rapaz? Pois é, "efeitos especiais" nos acompanharam durante a (as fotos) viagem. Essa luz será Jesus ou um flash muito do vagabundo?! Hummm...



Programa tipicamente paulistano: boate no sábado à noite. Não é muito a minha praia, mas gostei!

Museu do Ipiranga: acervo "meeiro" e um jardim belíssimo. Pense em 3 pessoas que andaram. Fomos nós nesta viagem! Sem contar as saídas noturnas, a média foi de 8 horas por dia. Meus pés voltaram só o bagaço (depois disso, o Caminho de Santiago foi definitivamente descartado da minha lista de possíveis viagens. hehe).

O lugar é mesmo grande à beça...

Lá embaixo, perto de um monumento, muitas pessoas praticam atividades físicas. Os skatistas são figuras habituais da área.
Na "balada" em Vila Madalena, na madrugada de terça, a galera caiu no samba. Neste dia eu não ri foi pouco, não: havia um bêbado se acabando de dançar (ou melhor, tentando fazê-lo). Houve um momento, durante uma música de axé, que ele se atrapalhou tanto nos movimentos que acabou foi dançando passos do Créu (O bar não cobrou couver, mas se o bebum me pedisse, pagaria de boa!). Hahaha... Aliás, nesta noite foi a primeira vez em que vi gente sem noção em São Paulo; já tava até ficando triste. De minha parte, digo que foi reconfortante. Encarei como um presente de aniversário da cidade para moi. :P
Outra "interna" entre mim e ela, neste dia, foi a última canção que a banda tocou: "Trem das Onze". Pra mim, essa música é a cara da cidade, a que mais me faz lembrá-la.

 Ô Ingrid na pista...

Que mêda: minha alma quis sair do meu corpo bem na hora dos parabéns!... Nem Shyamalan conseguiria este efeito especial ("I see friendly people". :D)!
Meu "pequeno bolo" de aniversário! Estava uma delícia, aliás, como tudo que comi durante a viagem. Só fiquei ressentida com a falta de churros pelas ruas. :(
Ibirapuera. Pense em um parque enorme... Muito bom para passear com a família, mas é difícil ir até lá de transporte público.
É neste parque que fica o prédio onde acontece a Bienal. Ingrid ficou de boca aberta com o que viu, pena que estava fechado para visitação na terça de Carnaval. Ah, sim, uma reclamação: assim como boa parte dos museus deste parque, vários comércios fecharam durante esse feriado em SP. Nova Iorque brasileira? Não, não. Ao contrário da megalópole americana, que não dorme nunca, Sampa dá algumas boas cochiladas, sim, que eu vi!
A ponte do parque. Embaixo, uns patos feios e uma água bem sujinha.
São Paulo soube que o blog iria até lá nesse feriado e fez essa singela homenagem. ;)