quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sisterhood


Conforme matéria do Correio*, faltam cem dias para o final de 2008. Pois é, gente, 2009 tá pertíssimo...
Este foi um ano silencioso, de espaços vazios, para mim, mas também de muito aprendizado, ou melhor, significou o início do despertar. "Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia..." Nem televisão eu consigo ver mais - sinal dos tempos!
Desejo que outubro passe voando para que meus meses preferidos no ano - novembro e dezembro - cheguem logo. Algo me diz que ainda vou ter surpresas até lá, mas quero agradecer desde já as meninas. Sim, este ano foi um ano em que a mulherada fez toda a diferença na minha forma de ver o mundo. Sempre tive a sensação de que os homens me auxiliavam mais que as mulheres, que eles eram mais legais comigo que elas, mas eis que finalmente mudei, ou melhor, reformulei essa minha crença. Descobri que nas pequenas coisas, eles são mais solidários, mas que na hora do aperto, mesmo, são elas que mais demonstram generosidade. Rita Lee tem toda a razão: "Mulher é bicho esquisito..."

Então, eu gostaria de agradecer a...

Minha mãe, pela solidariedade e por ter ficado em Salvador muito mais do que pretendia mas o tanto que eu precisava
Minha irmã pelas lições de coragem
Carmem e Dr.ª Julieta, pela torcida sem "prazo de validade"
Mariana, a eterna e melhor "chefa", pelos conselhos que mudam a vida, isto é, quando a gente consegue uma hora na agenda dela
Ô Ingrid, por ser meu "bar sem porta" e a principal "debatedora" dos meus planos (in)falíveis
Nandy, que apesar da cara de quem não tá nem aí para mim, é quem mais mete a mão na massa para me ajudar
Amanda, pelo exemplo de segurança e autenticidade
Mariana Donato, pelo exemplo resiliência
Elen, pelo incentivo profissional e por me fazer dar risada
Julia, pelos papos filosóficos-espirituais que vêm me ajudando à beça, ou melhor, simplesmente por ter voltado (prova de que "o que Deus uniu, o homem não separa"! hahahaha)
Luciana, pelas instigantes conversas sobre religião e metas de vida
Alosa - a minha véia! -, pelo calor humano de sempre
Diva, uma senhora fofíssima que conheci no espanhol, e que me deu um certo livro que me ajudou muito em uma determinada circunstância
Ana, cujo entusiasmo inspira
Maria Luísa, que não faz nada de muito especial exceto ser naturalmente fofa e carismática, ostentando o mais belo sorriso de dois dentes que eu já vi. Peraí, peraí, peraí, que Maluzinha me fez descobrir algo que re-vo-lu-ci-o-nou meu mundo: Os Backyardigans! (risos)
Thaixxx, eis aí uma mulher inteligente, que me faz rir e me faz pensar como poucas pessoas ao meu redor conseguem
Alex, que apesar de homem, tem uma ótima compreensão da alma feminina, é quase um Chico Buarque! hehe... Meu amigo incondicional! Esse tem posição garantida no meu G4! hehe...


PS.: usei "Conforme" e imediatamente lembrei de Elias Machado. E não é que até que deu saudade, tchê!? Cadê esse "gaúcho da fronteira"???

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Bebê a bordo

Mulher barriguda que vai ter menino
qual o destino
que ele vai ter?
que será ele
quando crescer?

Haverá guerra ainda?
tomara que não,
mulher barriguda,
tomara que não...


Talita está grávida!
Provavelmente é menino.

Alosa, e você, quando vai fecundar "A mulher que ama"?

Brasileiros defendem diploma para jornalistas

Da Redação

Os brasileiros defendem o diploma para que jornalistas exerçam a profissão. Pesquisa de opinião realizada pela Fenaj/Sensus aponta que 74,3% dos dois mil entrevistados em território nacional disseram ser a favor do diploma, contra 13,9% que defendem a atuação jornalística sem o documento. Os que não souberam e não responderam foram 11,7%.

Questionados se um Conselho Federal dos Jornalistas deve ser criado, para a regulamentação da profissão, como acontece com a OAB, para os advogados, e o CREA, para os engenheiros, 74,8% aprovaram a idéia, contra 8,3% que rejeitaram - 6,5% responderam que depende/talvez e 10,4% não sabem ou não responderam.

Sobre a credibilidade das notícias, 42,7% acreditam no que lêem, ouvem ou assistem, enquanto 41,6% acreditam parcialmente, 12,2% não acreditam e 3,5% não sabem ou não responderam.

“Acho que no geral o resultado da pesquisa é positivo para a imprensa. Fiquei surpreso porque as pessoas acreditam nos jornalistas, o que aumenta o nosso grau de credibilidade e o nosso desafio para ampliar isso. A credibilidade é o maior patrimônio de um jornalista. É ela que nos diferencia dos blogueiros, por exemplo. É o jornalista que pode atestar que a informação é veraz, que pode ser usada”, disse o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sérgio Murillo de Andrade.

Ele contou que alguns diretores da Fenaj tinham dúvida em fazer a pesquisa já que o debate a respeito do diploma é restrito a veículos especializados, como o Comunique-se, e não aos de grande alcance. “O resultado é natural. O sujeito que tá na rua vai querer o melhor médico, o melhor professor para seu filho, o melhor advogado. Por que vai querer o pior jornalista?”.

Ele já tem em mãos 11 cópias do relatório da pesquisa e vai entregar na tarde desta terça-feira os documentos nos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já que está próxima a votação da exigência do diploma.

A pesquisa foi realizada entre 15 e 19/09 em todo o País, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho (PPT). A margem de erro é de 3% para mais ou para menos.

Fonte: Comunique-se

sábado, 20 de setembro de 2008

Keep the Faith

A frase da semana é do meu salve-salve Malufinho:

“Só deixo a política quando Deus me levar para o céu”
Paulo Maluf
, candidato à Prefeitura de São Paulo

"Você é meu chuchuzinho..."

Humm... Casar com a Sandy deve ser quase tão chato quanto ser uma árvore. Pena que não vou poder conferir o que Leão Lobo anda falando da sua eterna "picolé de chuchu", agora em versão recém-casada!... (risos)

Aos 25 anos, Sandy já é uma mulher casada. Ela e Lucas Lima, 26, trocaram alianças na sexta-feira 12, em Campinas, São Paulo. "Concretizamos um sonho idealizado com muito amor", disse a cantora. A noite de núpcias, no entanto, foi surpreendente. Ao deixar a festa, por volta das 5h da manhã, o casal seguiu para um luxuoso hotel na cidade. Lá, deram de cara com fãs e voltaram para a casa de Noely e Xororó, pais de Sandy. Pouco depois, Lucas encontrou tempo para postar em seu blog comentários sobre o evento e finalizou: "Fui! Porque tô morrendo de sono (são 6 e pouco da manhã)". Já na Europa, em plena lua-de-mel, escreveu em seu site uma dica de leitura.

Fonte: Istoé - 2029

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Celebrate good times, come on!...


Tô cansando, mas desta vez, num sentido positivo. Tô cansando de me preocupar, tô cansando de querer ter o controle, tô cansando de agir pensando no futuro. Isso vem tirando a minha energia há anos. Basta dizer que perdi, sem regime, 20 kgs nos últimos cinco anos, me preocupando com a vida, ansiosa com o futuro, chateada com o comportamento de certas pessoas, remoendo erros. Sem condições de continuar assim.
Nem tudo precisa ser visceral. Agora, tô na filosofia "um dia de cada vez". Para viver bem, é necessário buscar mas também aprender a ficar de mãos abertas, sem tentar reter nada nem ninguém.

Das coisas que me dão mais trabalho, sem dúvida, está esse tal de relacionamento interpessoal. Gosto de pessoas (tanto que este blog é quase todo sobre comportamento humano), mas elas me cansam demaaaais; eu não as entendo: fico frustrada com a falta de empatia, sou impaciente com a falta de bom senso, fico perdida nas ações nebulosas, freqüentemente tenho a sensação de que estou sendo inadequada... Tento me relacionar, dar atenção a todo mundo, mas nem eu consigo ser eficiente neste sentido, nem sinto que estou tendo muito retorno e acabo me cansando... e me frustrando (esforços pulverizados).

Estou que nem a Rede Globo: poucos são os contratados fixos; o resto, só quando surgir uma obra.

A sociedade ensina muito errado (ou, de repente, eu entendi tudo errado. vá saber!...). Só com uma meia dúzia é que a gente vai ter mesmo que (e condições temporais-espaciais de) se relacionar. Com o resto, é se contentar em celebrar, ou seja, curtir os momentos juntos, e aceitar, sem ressentimentos e culpas, os intervalos entre eles.

Pois é... "Vivendo e aprendendo a jogar"... Bola pra frente! - só que agora, se Deus permitir, com mais serenidade. Longe de ser irresponsável, é preciso, como diz uma amiga minha, aprender a ser gentil consigo mesmo(a).
Gentileza gera gentileza! ;)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Danuza: Uma dança



Imagino o que se passa nas discotecas modernas, e sei que ninguém dança assim, colado dos pés à cabeça


FAZ UNS 25 ANOS que não entro numa discoteca, mas leio os jornais, tenho amigas jovens que me contam, vejo filmes, e sei que hoje as pessoas dançam praticamente sozinhas; elas rebolam, fazem movimentos eróticos, caras e bocas para seu parceiro, mas tudo de longe. Depois trocam de par e repetem os mesmos gestos, simulam a mesma sensualidade, exatamente como tinham feito antes, e animadíssimas.
Outro dia fui a festa meio careta, de pessoas mais maduras, digamos assim. Não havia nenhum jovem ou, se havia, foi logo embora. Fiquei sentada olhando. As pessoas se comportavam mais do que civilizadamente, até porque eram quase todas casadas -o que, aliás, não quer dizer nada. Não se percebia nenhum sinal de paquera, e todos guardavam, um do outro, a distância regulamentar.
Depois dos drinques foi servido o jantar, o cafezinho, licores, e aí entrou o DJ, tocando as músicas apropriadas para aquele tipo de público.
As músicas eram do tempo em que os bichos falavam, mas conhecidas dos presentes: "New York, New York", "Strangers in the Night", "My Way", "Night and Day", a maioria cantada por Frank Sinatra. As pessoas, todas com mais de 50, se animaram, e algumas foram para a pista de dança, que logo ficou cheia.
Fiquei prestando atenção.
Era raro ver um casal casado dançando junto, e fiquei pensando em como o comportamento muda. Hoje, com a total liberação sexual, os pares dançam separados; já os mais velhos, aqueles que eram jovens em 1970, continuam repetindo o que faziam, e que era muito normal.
Era assim: se numa festa um homem saísse com uma mulher que não a sua, fossem os dois para a varanda e lá ficassem conversando, esquecidos do mundo, seria quase um escândalo. Mas se tirasse essa mesma mulher para dançar, seria considerado absolutamente normal. Ora, para dançar, se encostavam as coxas, a barriga, os seios ficavam grudados ao tronco do homem, com apenas um leve tecido entre os corpos, e alguns mais ousados ainda arriscavam um "cheek to cheek". Alguém ainda sabe o que é dançar "cheek to cheek"? É dançar com os rostos colados; e se conversava, com a boca quase dentro da orelha do parceiro, sobre o tempo não havia de ser. Eles dançavam, volteavam na pista agarrados, e se estivessem naquela posição -só que na horizontal, não na vertical-, por muito pouco estaríamos assistindo a um ato sexual. O mais curioso é que todo mundo achava normal; nenhuma mulher, nenhum homem nem sequer olhava para a pista de dança para ver o que estava acontecendo; afinal, estavam apenas dançando. Será que não tinham ciúmes?
Pense num casal dançando daquela maneira sem música: seria quase uma transa, mas perfeitamente permitida -como era, na época-, ninguém estaria nem aí.
Pois na festa foi como no passado.
Fico imaginando o que se passa nas discotecas modernas, e sei que ninguém dança assim, colado dos pés à cabeça. O sexo se banalizou a tal ponto que não se ouve mais falar de ninguém que tenha um grande desejo, a ponto de querer dançar colado, como em outros tempos. O barato da juventude de hoje é saber quantos beijos cada um conseguiu dar na noite anterior, a quantidade é que interessa.
Na festa a que eu fui, todos dançavam como no passado -talvez sem o mesmo entusiasmo-, mas igual, e vou declarar: se eu fosse homem, mulher minha não dançava com ninguém. E sendo mulher, homem meu também não.

What´s going on???

"Quando faço o bem, sinto-me bem, e quando faço o mal, sinto-me mal. Eis a minha religião." (Abraham Lincoln)

Hoje de manhã, escutei mais uma notícia de pais que assassinaram seus filhos. Pai e madrasta, achando que as crianças "atrapalhavam seu relacionamento", mataram os dois, queimaram os corpos, jogaram em sacos de lixo. Os garotos só foram descobertos pelos lixeiros porque os assassinos deixaram um pé de um deles de fora.
Acho que, em situações como essa, todo julgamento será inútil, simplesmente porque é um lado da natureza humana que foge de qualquer lógica. Alguém que faz um treco desse renunciou à raça; transformou-se em fera. Então, o que há para se explicar? Nada. É esperar por justiça (e umas criaturas dessas, a meu ver, não têm mais jeito; não acredito na recuperação de Nardonis e Richthofens da vida).
Crimes contra crianças estão pipocando na mídia todo dia. Desafio alguém a me dizer quando foi que houve uma semana sem que soubéssemos de um caso de pedofilia, espancamento, assassinato, etc.
Eu mesma, há uns doze anos, ouvi a narração da boca de um menino de três anos, que me deu arrepios: ele me contou como quase foi estuprado por um "amigo" da mãe. Sorte que a dita cuja chegou a tempo e defendeu o filho. O menino contou a história se referindo ao sujeito como "tio". É de lascar...
Então eu fico pensando: o brasileiro se diz tão humano, tão solidário, é tão sentimental, mas por que a gente vê tanta criança sendo maltratada? O que chega na mídia - e não tem sido pouca coisa - é só o mais grave. Pense em quantas crianças estão sendo espancadas enquanto você lê esse post. Quantas estão vendo os pais chegando em casa alcoolizados?
As crianças são o sintoma mais grave da nossa falência social.

A classe média adora falar da hipocrisia dos americanos, mas o brasileiro é muito hipócrita também. Estou chegando a conclusão de que o brasileiro só é bom quando há uma situação de histeria coletiva. Se ninguém estiver vendo, a bondade fica guardada no bolso, para futuros momentos de "publicidade".
Porque não faz sentido sermos um país "do coração tão grande" e sermos tão miseráveis com o próximo. A falta de ética generalizada é um exemplo disso. Todo mundo se acha o máximo quando consegue passar a perna em outra pessoa pra conseguir o que quer, ainda que seja uma bala 7 Belo. Onde foi parar aquele ensinamento que diz "não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você"? Quase ninguém se importa com o que vai causar a outra pessoa. Como ouvi da boca de um amigo meu, outro dia: "Juliana, as pessoas decidem as coisas pensando nelas". Olha, ninguém tem a obrigação de ajudar, mas tem de não prejudicar. O que quer que você queira, se vai atropelar alguém, já não é um bom querer. Quase sempre esse "atropelo" está na forma como a coisa é conduzida que na meta em si. Ou seja, são males causados e que poderiam ser evitados com um pouco de boa vontade.
O caso de assassinato que ilustra esse texto poderia ser muito bem ter sido evitado. A mãe dos garotos queria ficar com eles. Por que não entregá-los a ela?
Carmem, nossa ex-professora, disse, uma vez, que vivemos na era da violência pela violência, que era disso que ela tinha medo em relação aos filhos. É verdade. Hoje em dia, você leva a cacetada e nem sabe de onde veio, por que tão te batendo - nem quem te bateu sabe direito por que fez isso.

Ai, ai... A boa notícia é que, se hoje está ruim, antes - desconfio - o mundo já foi pior. Sendo assim, acho que posso ser otimista.

Tenho um amigo que às vezes me faz perder a paciência pela falta de malícia, mas, no geral, acho essa ausência de malandragem nele um oásis. Pessoalmente, tenho uma queda por gente ingênua. Que Deus conserve a inocência de todas elas. Ah! Coração puro, terreno do sagrado. Um dia eu consigo um pra mim... O engraçado é que mesmo sendo nada malandro, meu amigo se dá menos mal que muita gente "esperta" que tem por aí. Na verdade, trata-se de uma das pessoas mais sortudas que conheço.

Quem não acredita na Lei do Karma, que continue agindo por aí sem freios, mas que não derrame uma lágrima ou despeje um resmungo quando se der mal.
As vidas dos dois meninos assassinados são, óbvio, irrecuperáveis, mas tenho, apesar disso, mais "pena" dos assassinos que deles. Uma hora, eles vão pagar. Se não acredita em Karma, não duvide da Terceira Lei de Newton: "Para cada ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade." Afinal, como canta Justin Timberlake, "o que vai, também volta". Cuide-se para não ser vítima de si mesmo.
Não quero dizer com isso que as pessoas têm de viver em culpa ou na auto-repressão; apenas acho que devemos avaliar as motivações e as implicações de nossos atos, ver outras opções, e fazer a conta do custo/benefício.
Ou melhor, vou reformular meu conselho porque, na verdade, eu não acredito mais tanto assim em análises, lógicas e afins. Há algum tempo ando relativizando a sabedoria dessa tal de razão. Não concordo mais que a mente, a razão, sempre faz as melhores escolhas. Há nesse consenso muito medo, isso sim, do que vai no coração dos homens. Ou melhor, do que não vai. Daí esse apego à razão, como se ela fosse um filtro mais eficiente, mas o caso é que não é. Não necessariamente. Se o coração é ruim, a razão não pode ser muito melhor, quer dizer, sensível, porque, como dizia vovó, a fruta nunca cai muito longe da árvore - é fato!
Temos que tomar cuidado com essa tal de razão, porque ela às vezes serve de escudo para a prática de ações perversas. Vou dar um exemplo inocente, retirado do livro "Lolita": o professor começa a história defendendo sua perversão, argumentando que, no passado e até em algumas culturas contemporâneas, mocinhas de 12 anos já eram casadas e tinham até filhos, e que portanto o desejo dele por pré-adolescentes não era tão anormal assim. Uma mente engenhosa sempre vai arranjar um bom argumento para respaldar sua má índole. Entendem agora meu ponto de vista? A razão às vezes é beeem menos confiável que o desacreditado coração. Como diz aquele ditado: "O coração tem razões que a própria razão desconhece".

Eu sugiro, portanto, que escutem essa tal de intuição, ou essa tal de consciência, se preferirem chamá-la assim. Principalmente, prestem atenção na qualidade daquilo que você carrega no seu coração; é isso o que vai definir todo o resto. Olhem para dentro. Sobretudo, esqueçam a vaidade na hora de tomar decisões importantes. Ela faz parte da natureza humana, mas é extremamente nociva quando precisamos fazer grandes escolhas.



"Enquanto todo mundo espera a cura do mal

E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência"
(Lenine)

Tá osso viver assim, viu, minha gente, cercada de seres sem um pingo de amor ao próximo (e a si mesmos)! Rai ai...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Spanish Eyes



Que Madonna, que nada! Se eu tivesse plata sobrando em caixa, ia ver Luis Miguel na Argentina, no final de dezembro! Ali, sim, valeria a pena! Só temeria pelo meu estado emocional quando ele abrir a camisa até o meio do peito. Tremeeei!Das duas, uma: ou ia parar na delegacia ou no hospital! (risos)
Por falar nele, a namorada está grávida de novo. Pois é, além de lindo e dono de um vozerão, Luismi ainda é um homem muito fértil! (risos)... Não é que nem um certo cantor que teve gêmeos de proveta, né, Tia Ingrid?!... Nandy há de concordar comigo, né não? (amigo, Bruno, amigo!... hehe)

Ô, galera, cês não querem fazer uma vaquinha pra eu assistir o show, hein?

sábado, 13 de setembro de 2008

O casamento


Nossa, eu não consigo me acostumar com a imagem. Parecem mais um casal num baile de debutantes! Lucas tem uma cara de criaaaança... Tão babies... Apesar disso, acho que eles podem durar, sim.

Post oferecido a Nandy, fã número zero de dona Sandy Lima.
Aliás, uma coisa é inegável: 2008 está sendo um ano fértil para o amor! (risos)

O exemplo de Brasília

Educação
A aula favorita

Os alunos das escolas públicas do Distrito Federal agora
aprendem ciências na prática – e adoram a disciplina


Camila Pereira

Os animados estudantes na foto acima são raridade no Brasil. Aos 8 anos, perguntados sobre o que mais os diverte na escola, não hesitam: "Ciências, ciências!". Num país em que tantos alunos repudiam as disciplinas exatas, o apreço dessas crianças pela matéria surpreende. Chama ainda mais atenção saber que tanta euforia se deve a algo tão simples: um armário repleto de tubos de ensaio e reagentes químicos, novidade na sala de aula. Na ausência de um laboratório, é lá que fica guardado o material para os experimentos. O projeto propicia algo inédito na vida dessas crianças. Pela primeira vez, elas, que estudam em escola pública, recebem aulas práticas de ciências até melhores do que as de bons colégios particulares. Algumas ouviram falar da matéria só agora. Na semana passada, os alunos da Escola Classe 41, encravada numa região pobre do Distrito Federal, eram apresentados ao conceito de densidade dos líquidos por meio da observação de detergente, mel e água em tubos de ensaio. Esculpiam ainda órgãos do corpo humano com massinha de modelar. Os mais velhos descobriam a diversidade das plantas no microscópio. O projeto, concebido por uma empresa inglesa especializada em educação, já foi implantado em escolas públicas de Salvador e Belo Horizonte e, em breve, chegará a países como a Argentina. A diferença, no caso de Brasília, é a extensão: todos os 311 000 alunos do ensino fundamental foram incluídos.

Países que se destacam no ensino de ciências cultivam, há décadas, a tradição de aulas práticas. A observação dos fenômenos é condição fundamental para que as crianças desenvolvam gosto pela matéria e consigam avançar, segundo mostram as pesquisas. Por isso, os estudantes em tais países sempre superam os demais nos rankings internacionais. Todos os que aparecem nas últimas colocações, por sua vez, focam até hoje uma combinação fadada ao fracasso: a velha lousa aliada a muita decoreba. É o caso do Brasil, na 52ª colocação entre 57 países avaliados em ciências no ano passado. No Distrito Federal, evoluir nas disciplinas exatas tornou-se uma meta de governo: ainda que um pouco melhores do que a média brasileira, as notas dos estudantes são 10% piores que as dos alunos em países de bom ensino. Diz o secretário de Educação, José Luiz Valente: "Os minilaboratórios são uma chance de avanço rápido. Estamos, afinal, copiando o que já deu certo fora do Brasil".

Em nenhum outro lugar do país se importam hoje tantas idéias para a educação quanto no Distrito Federal. Elas despertam atenção por ser aplicadas ao mesmo tempo numa única rede de escolas. Além das aulas práticas de ciências, uma mudança crucial no sistema de escolha dos diretores pode pesar em favor do ensino. Eles passaram a ser selecionados por eleição direta – não mais por indicação política. Só podem entrar na disputa aqueles com boas notas numa prova oficial. Caso de Oldair José de Souza, diretor recém-empossado: "Nunca tive contatos no governo. Por indicação, jamais chegaria a diretor". Na posse, ele e os outros assinaram um contrato com a secretaria em que se comprometem a cumprir metas acadêmicas. Caso fracassem, ficam impedidos de se reeleger – bem-sucedidos, recebem como prêmio um bônus no salário, benefício estendido ao restante da equipe. Outro fator decisivo para o avanço na sala de aula diz respeito à jornada escolar. Como em países de ótimo ensino, o Distrito Federal resolveu implantar turno integral em todas as escolas públicas até 2010. Não é exatamente barato. Neste ano, os gastos com educação subiram 645 milhões de reais, em torno de 20%. A experiência mostra, no entanto, que as medidas vão ao ponto certo. "Investir em meritocracia e em mais aulas provou ser uma fórmula bastante eficiente", diz o especialista Claudio de Moura Castro.

O Distrito Federal é um caso típico de como o dinheiro não é determinante para o sucesso acadêmico. Lá, a verba para a educação ombreia com a dos países mais ricos – e está muito além da média brasileira. Em nenhum outro lugar do Brasil o salário dos professores e o investimento nos alunos são tão altos (veja o quadro abaixo). Além do orçamento para a educação, como qualquer estado do país, o Distrito Federal é o único a contar com um fundo constitucional, que faz dobrar as verbas. Os resultados na sala de aula, entretanto, ainda são bem piores do que os alcançados por países que investem recursos semelhantes na educação, como Coréia do Sul e Finlândia. Os números lançam luz sobre o problema. Copiar o que já funciona sem a invenção de nada mirabolante é um primeiro passo para resolvê-lo. Na educação, os resultados levam tempo para aparecer. No entanto, estudantes como Bruno Guimarães e seus colegas já sinalizam pelo menos uma mudança positiva. Eles, que antes fugiam das aulas de ciências, hoje não desgrudam de um diário em que registram suas descobertas. "Na minha classe, todo mundo agora quer ser cientista", diz Bruno. Boa notícia para o Brasil.

http://veja.abril.com.br/170908/p_108.shtml

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Toca Rauuuuul!


Nanda e Tia Ingrid vão querer me bater, eu sei, mas eu adooooro essa foto, e como hoje eu acordei meio totalitária, problema delas se não gostarem de ter postado isso, de novo, aqui! hehe

Into the wild


Noooooossa!... O que eu não daria para estar mergulhando nessa água, agora (melhor seria se pudesse ser na companhia de vocês, amigos)!
Essa semana queria ser "bicho do mato", acordei com ojeriza à cidade. "Ando tão à flor da pele, que qualquer buzina de carro me faz querer mudar".

La dolce vita


Ô, seu garçom, manda aí duas tortas de chocolate e dois cappuccinos no capricho, ok?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Saudade do cão!


"Ela roeu minha cadeira
Deixou tudo fora do lugar
Deu um nó de quase me enlouqueça
Impossível foi me controlar
Iê, iêêêê, eu vou dar um lambeijo nela
Lambeijo de (dona) maluca pra neguinha que era só minha
Uô! Ô! Ô! Ô!
Iê, iêêêê, eu vou dar um lambeijo nela
Pra bater no coração
Pra olhar o seu olhar
Uô! Ô! Ô! Ô!
Pra pegar a sua pata
O meu lambeijo te beijar"
(Flores da Favela - Jauperi, adaptada)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Limite


Qual é o limite entre persistência e teimosia? Entre devoção e obsessão? Qual o limite entre egocentrismo e egoísmo? Entre liberdade e libertinagem? Entre o meu e o seu?
Questões difíceis, né?
Imagine, então, o que elas não fazem numa cabeça como a minha, que não nasceu pronta e ainda está se fazendo (sim, porque tem gente que parece que nasce pronta, que segue seu caminho pisando nas pedras certas. Deus queira que eu não integre, um dia, a turma dos que nunca vão chegar lá, como dizia dona Maria Carmem!).
Aliás, qual é o limite entre querer fazer direito e ser mimado?

Quem nunca se viu no seu limite e até flertou com a loucura?

Como viver?... "Ninguém me ensinou na escola, ninguém vai me responder".
"I used to care, but things have changed"

Coisinha dura é tentar traçar conceitos para si na pós-modernidade... Estou chegando ao meu limite com essa história. A boa notícia é que isso pode não ser uma mudança ruim. Não ter mais limites pode ser o início, de verdade, dessa história.

"Perto do fogo
Eu quero tá perto do fogo
No umbigo de um furacão
E no peito, um gavião"
(Cazuza/Rita Lee)

Porque - isso, ao menos, eu sei! -, o homem é mais feliz quando esquece esse raio de civilização e se deixa ser simplesmente animal. Aliás, animal não, que o instinto ainda é pedra bruta. O homem é mais feliz quando dá liberdade à sua alma.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A Escolha

Dexxxcoladíssima Thais, eis um novo tema para a nossa próxima "Mesa Polêmica":

"Ou você vive em desejo ou você vive em gratidão".

Li isso, claro, num site de filosofia oriental. Achei meio complicadinho, ou melhor, trabalhoso por demais esse ensinamento, ou melhor, a aplicação dele. Não sei se deu para captar bem a proposta da frase - eu mesma penso que ela pode gerar duas interpretações possíveis, mas sei qual é a verdadeira porque li o restante do texto. Rende uma boa reflexão, mas vou fazer isso cara a cara com Gabi, na próxima mesa polêêêmica (ui!).

domingo, 31 de agosto de 2008

Birth girl


Pois é, em 04/09/1981, nascia aquela que é quase uma santa de devoção na casa de Ingrid Campos: Beyoncé Knowles-Z!
Em homenagem a cantora por esse dia tão feliz (aproveite, my dear, enquanto o teu saturno não está retornando, o que vai acontecer a partir de outubro do ano que vem! boooo!...), matamos dois coelhos com uma cacetada só: lembramos o aniversário da diva pop e provamos que realmente Beyoncé desceu de cabeça para baixo em uma de suas turnês! Pois é, quem duvidava," se lenhou, véio"! Porque no XDM, a regra é clara, Galvão: a gente "aumenta mas não inventa"!

La mentira

O título desse post te soou a de novela mexicana? Pois se você fez essa associação, chegou quase lá, porque eu vim mesmo falar de novela. Tava, agora há pouco, lendo o texto da Bia Abramo na Folha. A crítica foi em cheio numa questão que venho observando há muito tempo, nas tramas globais. Take a look: "'Beleza Pura' tinha médicos e médicas dermatologistas e clínicas de saúde, e dizia-se que discutiria a obsessão contemporânea pela beleza. Discutiu coisa nenhuma".
Houve uma época, antes de Dr. Sampaio me dar 1 x O com o e-mail do Jornal da Mídia - o que ele negaria, se estivesse lendo isso aqui! -, na qual recebia os boletins de apresentação das novelas. Com freqüência, os textos tentavam vender a nova trama como uma história com conteúdo, que veio a acrescentar ao público. "Coisa nenhuma".
Essa obrigatoriedade de ser responsável socialmente, como diria minha prima Fernandinha, é "meio paia". A gente sabe que os empresários não estão nem aí para o progresso social, que eles fazem isso para ganhar pontos, o dito "capital simbólico". "Beleza Pura" discutiu o quê? "Belíssima" discutiu o quê? "Celebridade" fez o quê? Como diria o Zé Galinha, ô, Rede Globo, "tá mangando di eu?". Uma coisa é a Faber Castel dizer que vai plantar árvores, mas a Globo querer me convencer de que ela mesma vai criticar aquilo que é o pilar do seu sucesso: a fogueira das vaidades? Como diria o time do Casseta & Planeta, "fala séééério". Certas afirmações deveriam vir acompanhadas de Sonrisal.
Existem autores e autores, nesse sentido. Gilberto Braga é o mais completo nessa categoria, a meu ver. Seus personagens, de cabo a rabo, defendem uma tese clara sobre a alma humana. A propósito, JEC tem tudo para ser seu sucessor ("A sucessora"! hahaha).
Outros, como Manoel Carlos e Benedito Ruy Barbosa, dizem mais nas entrelinhas que naquilo a que se propõem discutir abertamente. Aprendi mais com as Helenas e os coronéis através do que estava implicito neles que com as frases que os autores colocavam nas bocas de seus personagens.
Glória Perez não costuma muito discutir personalidades mas cenários. Eu, pelo menos, tenho tal sensação.
Um sujeito que ninguém dá nada por ele, cujas novelas sempre fornecem bom material para reflexão, é o Lombardi. Ok, já estou vendo os tomates sendo lançados em mim! hehe... Mas é verdade. Com alguma atenção, além de várias referências pop, o telespectador identificará nas novelas de Lomba discussões interessantes acerca da família, das relações amorosas e das representações do masculino e do feminino.
Foi em "Perigosas Peruas", por exemplo, que comecei a relativizar minha até então adoração cega a imagem da mulher independente, ou melhor, auto-suficiente. A vida de Leda era glamourosa, mas tinha lá os seus vazios, que não eram menores do que os da dona-de-casa Cidinha (aliás, ela, no geral, me parecia mais feliz que a outra). Gosto do tipo de herói que o Humberto Martins interpretou em "Quatro por Quatro". Bruno fez parecer fácil o grande dilema do homem do séc. 20/21: ser muito macho e, ao mesmo tempo, cultivar a sensibilidade. Bruno ia "para debaixo do edredom" com metade do Rio de Janeiro, mas ao contrário dos garanhões padrões, tinha respeito pelas mulheres da trama, inclusive por sua filha pré-adolescente.
Lombardi também gosta muito de brincar com essa concha de retalhos que é a família moderna nos grandes centros urbanos brasileiros. Em pelo menos três novelas, ele discutiu esse tema "pais biológicos x pais de criação".
De quebra, é um romântico assumido. Gostava muito, por exemplo, da mocinha de Viviane Pasmanter em "Uga! Uga!" (ok, ok, meio caminho estava andado só por ser Viviane a intérprete! hehe). Olha só que gracinha a história de amor dela e de Baldochi:

"Baldochi, mais conhecido por Bernardo, é um ex-tenente da marinha que tem uma vida alucinante e foge constantemente de bandidos que ameaçam sua família. Ele é dado como morto pela família e pela noiva que ele abandonou na igreja para salvar a vida deles.
Sua noiva, Maria João, era uma mulher delicada e apaixonada por Baldochi, mas com o tempo e a notícia de sua morte, ela perde o interesse pela vida e praticamente toda sua feminilidade, vivendo sempre amargurada.
Maria João mora com seu pai e com um irmão que ela cuida como se fosse um filho, e esse é um segredo da trama que é revelado quando Baldochi retorna. O irmão de Maria na verdade é filho dela com Baldochi". (fonte: Wikipedia)

Era muito legal: secretamente, Maria João comprava os tais livrinhos românticos, que Baldochi escrevia pensando nele e nela como heróis. Enquanto os lia, Maria João fazia o mesmo, sem nem desconfiar que era seu ex-noivo que escrevia as historinhas, e pensando nela. Nota de rodapé: o próprio Lombardi já escreveu esses livros tipo "Sabrina", "Julia", antes de ir para a Globo. Tirou sarro de si mesmo, pelo visto! (risos)
Pois é, por incrível que pareça, Lombardi é um dos autores mais românticos do horário nobre global. O mal é essa mania meio gay de expor os atores quase pelados em cena, principalmente os galãs... Acho que é coisa de ex-rapaz magro, que se projeta em seus atores saradões, assim como desconfio que o tema "paternidade" lhe toque tanto porque ele mesmo fez mil tratamentos até conseguir ter Renato, seu filho mais velho.
Enfim, se você conseguir abstrair esse tipo de detalhe, vai ver que se trata de um autor sensível e inteligente. In Lombardi, I trust. Quer dizer, eis um autor que cumpre o que promete. ;)


PS.: Por falar em novela mexicana, pensando bem, tô ficando velha. Sou do tempo em que as mocinhas das novelas da Televisa eram virgens, e o sinal de que deixaram de ser era a camisola caída no chão! E os tiros de revólver?! Gente, uma seqüência dessa não durava menos que 3´30´´ - 3 minutos só para que a bala cenográfica chegasse até o outro ator! hahahaha... Saudades do tempo em que a falta de recursos garantia "la canastrice". A modernidade fez muito mal às novelas latinas. Yo lo protesto! :(
Ah, eu confesso: tô na seca de assistir novela mexicana! Se brincar, até "Chispita", a essa altura do campeonato, eu encaro! (risos) Na minha tv não pega SBesTeira, então nunca mais assisti uma. :( A última "Juego de la vida".
Sei que vocês vão querer me bater depois disso, mas acho os pares românticos das novelas dos chicanos muiiiito melhores que os nossos (e o par central é o coração de uma telenovela, não tem para onde correr)! Passionalidade faz toda a diferença. Não são que nem esses romances das produções nacionais, totalmente "água de bidê" - trad.: devagar e sem força -, pra usar, aqui, a expressão da grande Isabel do Vôlei. Dizem que os casais das novelas globais não dão liga porque o público não gosta da ética, da bondade extremada dos personagens "do bem". Na minha opinião, o que falta é intensidade e até um pouco de ridículo. Se o mocinho e a mocinha se apaixonam, logo também se desejam, e o desejo é um impulso ridículo. Como fazer um romance sem ridículo? Nem eu nem Nelson Rodrigues entendemos um treco desse! Ora, pois, pois...
E não só eu penso assim, não. Uma vez, conversa vai, conversa vem, descobri que algumas muchachas descoladas de 2000.1 se amarravam na versão da Televisa de "Zorro". Eita, que a gente descobre é coisa do povo, viu! hehe...

Cuidado com o amor

Danuza Leão


Quem ama não mata, mas costuma fazer desaparecer a pessoa que conheceu e por quem se apaixonou


O amor é maravilhoso, não é? É, responde a humanidade em coro. Mas por que será que as pessoas mudam de personalidade quando apaixonadas?
Um homem ao lado da mulher que ama é outra pessoa, alguém que nem a própria mãe seria capaz de reconhecer. Ele é capaz de dizer que não acha a menor graça em Angelina Jolie, que quem ama é sempre fiel e que para ele só existem duas coisas que realmente importam: ela -em primeiro lugar- e o time pelo qual torce.
Se você encontrar esse mesmo homem com dois amigos num bar, vai descobrir que se trata de outra pessoa, só pelo som das gargalhadas -que, aliás, serão muitas. Mas quando você chegar, fique certa de que o assunto vai mudar e o assunto vai ficar mais sério.
Quem ama se transforma em uma pessoa diferente, com outros gostos e outras opiniões, pelo menos quando estão juntos. E aquela mulher que quando ouvia os primeiros compassos de uma música animada começava a mexer o corpo e a cantarolar a letra, hoje em dia, quando ouve o primeiro acorde fica surda, perde a memória e nem pensa nas lembranças que a música traz. E ele, que se apaixonou exatamente porque ela mexia não só o corpo mas também o gelo do copo de uísque com o dedo, agora diz "vê se maneira na bebida"; e quando olha para aquela mulher austera, não entende por que a vida já foi tão melhor.
Você já foi à praia com seu namorado, claro. Quando o romance começou, ele brincava e atiçava seus ciúmes com elogios às gostosas que passavam; e você ria, no máximo lhe dava um beliscão leve e amoroso, tão segura estava do seu amor. Agora, se encontrar uma revista de mulher pelada no carro, é capaz de ficar de tromba por uma semana. Você conseguiu transformá-lo num marido, e se transformou numa esposa, e por nada no mundo faria um "strip" para ele, como já fez; certas coisas não são para serem feitas de aliança no dedo.
Tente ir a um restaurante com um casal apaixonado: é praticamente impossível, pois o mundo deles é outro, e nele não há lugar para pessoas normais. Os assuntos são completamente diferentes dos que quando estão sozinhos, e sobretudo as opiniões. Casais costumam votar no mesmo candidato, e poucas mulheres seriam capazes de declarar que vão votar em Gabeira, se o voto dos maridos vai para Crivella. Raras, eu diria.
Vá com seu marido a um show em que as mulheres aparecem com os seios de fora. Nervoso ele vai ficar -todos ficam-, mas depois do primeiro momento (e do seu primeiro olhar para ele), lembrará que você virou "a patroa" e vai ficar com cara de quem está olhando uma paisagem. Mas faça uma experiência e proponha irem a uma praia de nudistas: um homem das cavernas vai surgir de dentro daquele que te encantava quando passava a mão nas suas pernas no carro, no meio do trânsito. Mas quando ela vai almoçar com duas amigas, na segunda caipirinha volta a ser a mulher divertida que era antes, e que não é mais; não quando está com ele.
Onde foi parar esse homem? Onde foi parar aquela mulher que vivia feliz e risonha, que não queria nada da vida a não ser ficar com ele, agarrada, apaixonada? Quem ama não mata -não com uma faca ou com um revólver-, mas costuma fazer desaparecer a pessoa que conheceu e por quem se apaixonou, o que é uma forma de matar. Ou mata a si próprio.