terça-feira, 16 de setembro de 2008

What´s going on???

"Quando faço o bem, sinto-me bem, e quando faço o mal, sinto-me mal. Eis a minha religião." (Abraham Lincoln)

Hoje de manhã, escutei mais uma notícia de pais que assassinaram seus filhos. Pai e madrasta, achando que as crianças "atrapalhavam seu relacionamento", mataram os dois, queimaram os corpos, jogaram em sacos de lixo. Os garotos só foram descobertos pelos lixeiros porque os assassinos deixaram um pé de um deles de fora.
Acho que, em situações como essa, todo julgamento será inútil, simplesmente porque é um lado da natureza humana que foge de qualquer lógica. Alguém que faz um treco desse renunciou à raça; transformou-se em fera. Então, o que há para se explicar? Nada. É esperar por justiça (e umas criaturas dessas, a meu ver, não têm mais jeito; não acredito na recuperação de Nardonis e Richthofens da vida).
Crimes contra crianças estão pipocando na mídia todo dia. Desafio alguém a me dizer quando foi que houve uma semana sem que soubéssemos de um caso de pedofilia, espancamento, assassinato, etc.
Eu mesma, há uns doze anos, ouvi a narração da boca de um menino de três anos, que me deu arrepios: ele me contou como quase foi estuprado por um "amigo" da mãe. Sorte que a dita cuja chegou a tempo e defendeu o filho. O menino contou a história se referindo ao sujeito como "tio". É de lascar...
Então eu fico pensando: o brasileiro se diz tão humano, tão solidário, é tão sentimental, mas por que a gente vê tanta criança sendo maltratada? O que chega na mídia - e não tem sido pouca coisa - é só o mais grave. Pense em quantas crianças estão sendo espancadas enquanto você lê esse post. Quantas estão vendo os pais chegando em casa alcoolizados?
As crianças são o sintoma mais grave da nossa falência social.

A classe média adora falar da hipocrisia dos americanos, mas o brasileiro é muito hipócrita também. Estou chegando a conclusão de que o brasileiro só é bom quando há uma situação de histeria coletiva. Se ninguém estiver vendo, a bondade fica guardada no bolso, para futuros momentos de "publicidade".
Porque não faz sentido sermos um país "do coração tão grande" e sermos tão miseráveis com o próximo. A falta de ética generalizada é um exemplo disso. Todo mundo se acha o máximo quando consegue passar a perna em outra pessoa pra conseguir o que quer, ainda que seja uma bala 7 Belo. Onde foi parar aquele ensinamento que diz "não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você"? Quase ninguém se importa com o que vai causar a outra pessoa. Como ouvi da boca de um amigo meu, outro dia: "Juliana, as pessoas decidem as coisas pensando nelas". Olha, ninguém tem a obrigação de ajudar, mas tem de não prejudicar. O que quer que você queira, se vai atropelar alguém, já não é um bom querer. Quase sempre esse "atropelo" está na forma como a coisa é conduzida que na meta em si. Ou seja, são males causados e que poderiam ser evitados com um pouco de boa vontade.
O caso de assassinato que ilustra esse texto poderia ser muito bem ter sido evitado. A mãe dos garotos queria ficar com eles. Por que não entregá-los a ela?
Carmem, nossa ex-professora, disse, uma vez, que vivemos na era da violência pela violência, que era disso que ela tinha medo em relação aos filhos. É verdade. Hoje em dia, você leva a cacetada e nem sabe de onde veio, por que tão te batendo - nem quem te bateu sabe direito por que fez isso.

Ai, ai... A boa notícia é que, se hoje está ruim, antes - desconfio - o mundo já foi pior. Sendo assim, acho que posso ser otimista.

Tenho um amigo que às vezes me faz perder a paciência pela falta de malícia, mas, no geral, acho essa ausência de malandragem nele um oásis. Pessoalmente, tenho uma queda por gente ingênua. Que Deus conserve a inocência de todas elas. Ah! Coração puro, terreno do sagrado. Um dia eu consigo um pra mim... O engraçado é que mesmo sendo nada malandro, meu amigo se dá menos mal que muita gente "esperta" que tem por aí. Na verdade, trata-se de uma das pessoas mais sortudas que conheço.

Quem não acredita na Lei do Karma, que continue agindo por aí sem freios, mas que não derrame uma lágrima ou despeje um resmungo quando se der mal.
As vidas dos dois meninos assassinados são, óbvio, irrecuperáveis, mas tenho, apesar disso, mais "pena" dos assassinos que deles. Uma hora, eles vão pagar. Se não acredita em Karma, não duvide da Terceira Lei de Newton: "Para cada ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade." Afinal, como canta Justin Timberlake, "o que vai, também volta". Cuide-se para não ser vítima de si mesmo.
Não quero dizer com isso que as pessoas têm de viver em culpa ou na auto-repressão; apenas acho que devemos avaliar as motivações e as implicações de nossos atos, ver outras opções, e fazer a conta do custo/benefício.
Ou melhor, vou reformular meu conselho porque, na verdade, eu não acredito mais tanto assim em análises, lógicas e afins. Há algum tempo ando relativizando a sabedoria dessa tal de razão. Não concordo mais que a mente, a razão, sempre faz as melhores escolhas. Há nesse consenso muito medo, isso sim, do que vai no coração dos homens. Ou melhor, do que não vai. Daí esse apego à razão, como se ela fosse um filtro mais eficiente, mas o caso é que não é. Não necessariamente. Se o coração é ruim, a razão não pode ser muito melhor, quer dizer, sensível, porque, como dizia vovó, a fruta nunca cai muito longe da árvore - é fato!
Temos que tomar cuidado com essa tal de razão, porque ela às vezes serve de escudo para a prática de ações perversas. Vou dar um exemplo inocente, retirado do livro "Lolita": o professor começa a história defendendo sua perversão, argumentando que, no passado e até em algumas culturas contemporâneas, mocinhas de 12 anos já eram casadas e tinham até filhos, e que portanto o desejo dele por pré-adolescentes não era tão anormal assim. Uma mente engenhosa sempre vai arranjar um bom argumento para respaldar sua má índole. Entendem agora meu ponto de vista? A razão às vezes é beeem menos confiável que o desacreditado coração. Como diz aquele ditado: "O coração tem razões que a própria razão desconhece".

Eu sugiro, portanto, que escutem essa tal de intuição, ou essa tal de consciência, se preferirem chamá-la assim. Principalmente, prestem atenção na qualidade daquilo que você carrega no seu coração; é isso o que vai definir todo o resto. Olhem para dentro. Sobretudo, esqueçam a vaidade na hora de tomar decisões importantes. Ela faz parte da natureza humana, mas é extremamente nociva quando precisamos fazer grandes escolhas.



"Enquanto todo mundo espera a cura do mal

E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência"
(Lenine)

Tá osso viver assim, viu, minha gente, cercada de seres sem um pingo de amor ao próximo (e a si mesmos)! Rai ai...

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