Soteropolitana de coração e baiana não-praticante, nunca visitei lugares fora da região metropolitana de Salvador, com exceção de Mangue Seco e da Ilha de Itaparica. Claro, fazendo o trajeto Salvador-Brasília-Salvador, já dormi muitas vezes em Lençóis, Barreiras e Esplanada, mas conhecer mesmo, nada. Já visitei mais cidades em Goiás que na Bahia, acreditem.
Sábado passado, finalmente tomei vergonha na cara e fui a Feira de Santana. Minha guia foi ninguém menos que Viviane Andrade, filha e herdeira de uma das dez mais ricas e influentes famílias da cidade (uaaaaaaaau!). Paula Carzzi, quase tão estrangeira na cidade quanto moi, se juntou ao trio. Em tempo: Quase tão estrangeira porque a primeira vez que pisou na cidade foi na formatura de Vivanildo, irmão único e lendário de nossa guia Viviane. Na ocasião, a soteropolitana foi introduzida ao feirense way of making marketing, sendo surpreendida (assim como os demais formandos e suas famílias) por uma bandinha contratada pelo novo administrador de empresas para tocar o jingle do Mercadinho Serra, de propriedade da família Andrade. Vivanildo, sem sombra de dúvida, é gente que faz!
Paula e eu fomos em busca das novidades (a preços superconvidativos) da moda feirense. Sendo assim, invadimos as ruas da cidade, e fomos entrando de porta em porta, de loja em loja, em busca de boas promoções. Nossa guia não nos poupou de nenhum beco, exceto da Feiraguay, da qual ela só se lembrou - glória a Deus! - já muito tarde, quando estávamos indo embora. Demos azar, e o saldo da viagem foi, do ponto de vista material, ruim. Paula levou uma pulseira de madeira, eu comprei um par de blusas e quem saiu endividada mesmo foi quem menos queria comprar roupa: Viviane. É que era dia de forró na cidade, e 3/4 dos feirenses estavam à procura do que vestir no evento. Um fiasco para a dupla da capital. Ou quase...
Ir a Feira de Santana foi, apesar da sacola vazia, inesquecível. A seguir, um Top 5 - Porque amei Feira:
1) É fácil se sentir celebridade por lá. Segundo nossa guia, fazer qualquer coisa na cidade, sem que metade da população saiba, é impossível. Durante a ida, dentro do ônibus, ela já estava recebendo ligações da família, que munida de poderes telepáticos ou de um acordo com a Oi de instalação de um GPS secreto, havia descoberto sobre a sua chegada. Andando pelas ruas, Viviane se bateu com a tia, com a prima, com a irmã, o namorado desta e mais meia dúzia de conhecidos que, inclusive, não podiam saber do seu encontro com o ex-namorado (que ainda é atual), no início da tarde. Me senti como uma amiga de celebridade que a ajuda a esconder o affair da mídia. Muy chic, muy chic!... Pena que um flagra de Romilson Almeida e Viviane Andrade não renda capa de Contigo!, Quem Acontece ou People. Ohhhhh...
2) Tem emoções que só o povão te proporciona. A cidade, na minha primeira impressão, parece negar a máxima de Cazuza de que o tempo não pára. Isso pelo menos não se aplica de jeito nenhum a uma famosa rede feirense, a CAMYS. Rei Nelsinho, como se auto-intitula o dono do empreendimento, um senhor de uns 40 anos com ares de Sinhorizinho Malta que aparece nos cartazes espalhados pelas pilastras, vende à moda antiga. Enquanto circulávamos pela enorme loja, presenciei uma cena que nunca tinha visto ao vivo e que fez Paula Carzzi cair na gargalhada (me deixando sozinha à mercê da histeria consumista de Viviane, que, na boa, deve ter servido em alguma guerra na encarnação passada. Só isso explica a "liderança" demonstrada durante o episódio): anunciou-se uma promoção no microfone, o povão foi se juntando em torno do balaio, e quando começaram a despejar as mercadorias de R$ 9,90, via-se as peças de roupa voando por cima das cabeças, agarradas por mulheres em fúria, que não tinham a mínima idéia do que estavam se esforçando para reter, mas que, por menos de R$ 10, já achavam que compensaria o "vale-tudo".
3) A concorrência é fraca. Vivinha e demais nativos dessa cidade, peço desculpas de antemão, mas a verdade tem que ser dita: ô povo feio esse de Feira de Santana, meu Jesus Cristo! Ave Maria! Até eu, que sou de uma lucidez patológica sobre a minha pessoa, comecei a me achar gatchéénha perto do que vi nas ruas.
Por isso arrisco dizer que Vivi´s é a Paris Hilton da cidade: de família endinheirada e guapa.
4) Mini Brasília. As ruas do comércio me lembraram a W3, no Plano Piloto. Feira tem um "q" de Brasília, e só isso me fez simpatizar com ela. Exceto pelo trânsito, que é bem maluquinho. Sobre isso, me desagradou o grande número de motos. Distraída como sou, viraria "anjinho" em dois tempos se vivesse naquela cidade.
5) É fácil de ir embora. O melhor de Feira de Santana, no entanto, é que é muito fácil dar o fora de lá. Por R$ 12 e uma hora e meia de viagem, logo, logo estamos em casa. Êêê!!!...