sábado, 15 de novembro de 2025

Ninguém quer

Uma figura que simpatizo muito, mas não conheço pessoalmente, está com câncer de mama. Super tratável, tudo indica que ela vai ficar bem. 

Ontem, ela estava comentando no Instagram que muita gente vem falando com ela, inclusive gente que não falava há muito tempo. Entre elas, desafetos. E questionou: por que essas pessoas não me procuraram quando estava no meu auge? Por que só agora que estou passando por um momento difícil?

Confesso que sempre achei pretensiosa, coisa de gente que gosta de se sentir invejada, essa máxima de que seus amigos te parabenizam no sucesso. Eu achava uma conclusão até burra, porque na fartura, quem não vai querer se chegar e morder um pedacinho da abundância? No fracasso, quando essas pessoas não têm nada a ganhar, elas desaparecem. 

Mas tem o outro lado desta moeda. Acredito que estende a mão na dor quem já passou por ela ou quem morre de medo de precisar e dá aos outros o que gostaria de receber. A palavra-chave aqui é trauma, medo. E acho que só quem desceu no inferno tem empatia com quem tá descendo. Nem todo mundo tem paciência pra reclamação, choro, solicitação, história triste. E tem gente que tem medo só de pensar nisso e se afasta. Vi quando uma amiga teve metástase. Muita gente não teve psicológico pra lidar com a tragédia dela e saiu de perto pra não encarar a própria morte. 

Mas acho que entendo o que essa figura da internet quis dizer. Haverá quem comemore o seu sucesso visando tirar uma casquinha dele, mas, via de regra, só suporta o nosso sucesso quem se importa com a nossa felicidade. 

Alguém que volta anos depois de uma ruptura, num momento desse, está interessado em si mesmo e não na pessoa que passa pela tragédia - provavelmente sem consciência de que a motivação é essa. Entendo o que moça quer dizer. Em ocasiões assim, é mais honesto e eficaz orar.