Os três vícios físicos são matar, roubar e ter comportamento sexual impróprio. Os quatro vícios verbais são a mentira, a tendência para a discórdia, as palavras cruéis e o discurso incoerente. Os três vícios do espírito são a cobiça, as más intenções e os juízos equivocados.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Para Reflexão (e Feliz 2008!!!)
Tem gente???
Pessoas Habitadas
Por Marta Medeiros
Os “habitados” são seres com conteúdo, preenchidos de angústias e incertezas, mas não menos felizes por causa disso.
Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. A descreveu como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. “Só tem um probleminha: não é habitada”. Rimos. É uma expressão coloquial na França - habité - mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer “aquela ali tem gente em casa” quando se refere a pessoas com conteúdo.
Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos-de-fada, onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo.
Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas, de fato, por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas “inadequações” em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial.
Então são as criaturas mais incríveis do universo? Não necessariamente. Entre os habitados há de tudo, gente fenomenal e também assassinos, pervertidos e demais malucos que não merecem abrandamento de pena pelo fato de serem, em certos aspectos, bastante interessantes. Interessam, mas assustam. Interessam, mas causam dano. Eu não gostaria de repartir a mesa de um restaurante com Hannibal Lecter, “The Cannibal”, ainda que eu não tenha dúvida de que o personagem imortalizado por Anthony Hopkins renderia um papo mais estimulante do que uma conversa com, sei lá, Britney Spears, que só tem gente em casa porque está grávida. Zzzzzzzzzzz.
Que tenhamos a sorte de esbarrar com seres habitados e ao mesmo tempo inofensivos, cujo único mal que possam fazer é nos fascinar e nos manter acordados uma madrugada inteira. Ou a vida inteira, o que é melhor ainda.
sábado, 29 de dezembro de 2007
Noite Feliz!
Fernanda finalmente conseguiu realizar um "Vamos nos Unir" decente, no último dia 27 de dezembro. Olha, quase teve o mesmo quórum bombástico da minha despedida, em 2004. Presente de Papai Noel para a "trajetória de Moisés" (n.t.: pregando sozinha no deserto) de Nandy Braga as promoter da turma (by the way, com esse nome e sendo dona de um poodle, está escrito nas estrelas, Nan: "o teu destino é ser star"... do colunismo social!... hehe).
Abaixo, seguem as fotos e, logo depois, as respectivas legendas.






Foi o seguinte...
1) Debora "Muderninha", Claudio "Blasé" Leal, Nandy "Uh-hu" Braga, Elen "é Carioca" e Mariana "Dieckmann" na Pizzaria da Mouraria. Ao ver o cardápio, a companheira acionou a Scarlett O´Hara que existe nela, e determinou: "Nunca mais hei de passar fome". Nós também, Debs!
2) Se o desejo é um "assalto", eis o "B.O." de um antigo ménage à trois da nossa turma: Elen fez cara de Gabriela Cravo e Canela, mas quem cravou as unhas sem dó nem piedade no "Seu Nabuco" foi Fernanda (sintam a volúpia de uma Vênus em Escorpião!... Ai, "que mêda"!). Como se diz no interior, Nanda "não bate fofo", não! hahaha
E que contradição, Dr. Claudio: declara à Santa que ela é a sua Missa do Galo, e logo depois embarca nessa sessão de luxúria com Nandy y Elenita! Deus castiga, viu!
3) Bem que vovó dizia, quando a criançada aprontava: "Olha que menino custoso desse jeito, quando cresce, ou vai parar no teatro ou na política, viu!". (amigo, Alosa, amigo!...)
4) A felicidade no top de 3 segundos:
3 - Fernanda, em momento "It´s rainning men!". (Ok, são os amigos de sempre, mas abafa!) Enfim, tava como pediu a Deus!
2- Alosa, a nossa Hebe Preta, faz questão de posar com todos da mesa.
(Magoei mesmo, viu, Dr. Fraude! Não me deu um pingo de atenção naquele dia. Como diria o saudoso Serafim, da minha parte, "você não vai ver nada, André!"...)
Ele é um amigo "virtual", um péssimo, mas é como eu digo: enquanto Alosa souber sorrir e mantiver o ridículo inerente a ele, tô colada! (amigo, Alosa, amigo!...)
1 - "When a man loves a team..." Eliano, que apesar de estar morando longe, anda todo sorrisos ultimamente. O povo quer saber: isso tem a ver só com o retorno do Vitória pra Série A ou também com "esportes" tropicalientes nas areias de Jaguaribe?!Como dizia dona Milú, "Mistééério!".
5) Alosa filando uma pose, pra variar...
Vou ter que furar - com todo o respeito - o meu ídolo Leão Lobo e todos os colegas da imprensa marrom glacê e perguntar, em primeiríssima mão, para a nova star do canal Futura algo muito íntimo (não se assuste, que é de praxe: 9,5 entre 10 novas caras do entretenimento passam por isso): este volume nos cantos superiores da frente são inspirados no Pão de Açúcar ou você pôs silicone? (risos)
6) ... E Alosa novamente entrando de fininho na foto (é quase o Bugu, da Turma da Monica!). Vista panorâmica da pocilga onde Fernanda marcou com a gente. Em sentido horário: Barreto, Talita, Ôôô... Ô-Ingrid, Débora, Bochecha, Claudinho, Don (Aleluia!), Mari, Alosa, Elen, Eliano e Fernanda. (Ufa!)
Don, eu protesto: você só vai quando Fernanda chama... Olha, você prometeu que iria no meu niver do ano passado e furou. Em 2008, quando completarei meus 21 aninhos, te quero lá! Non c´è scusa!
domingo, 23 de dezembro de 2007
Inquietos S.A.
Quando o conheci, tinha o maior pé atrás com ele. Não era para menos, o seu aspecto era péssimo: ele estava bem gordinho, usava uma bermuda que, diziam, não via sabão há quase um mês, não desgrudava dos óculos escuros bizarros, fumava que nem uma chaminé, e ele tinha um ar de enfezado que, cruzes!, intimidava. Estava a meio caminho de um visual a la João Gordo. Os boatos que corriam sobre ele, assim que começou o ano, eram os piores possíveis - tudo mentira, claro, pois o nosso colégio parecia mesmo uma cidade do interior e a fofoca corria solta. Acho que só não disseram que ela era ex-interno da Febem, que daí seria muita forçação de barra.
Pegávamos o mesmo ônibus - na verdade, ele morava na rua que ficava atrás da minha -, e eu, só pra não ser antipática, apenas sorria mas ficava calada, o que ele devia achar estranho, já que não é segredo pra ninguém que tenha estado comigo por mais de dez minutos que sou uma tagarela. Mas Batman sabia conquistar. Quebrou o gelo na primeira rodada de provas, quando um idiota da 8ª série tava querendo discutir comigo a posse de uma cadeira que, na verdade, fui eu quem buscou. Ele viu, de canto de olho, todo o meu esforço pra carregar a dita cuja (que era de madeira pura, pesada à beça!) de um andar para o outro, se levantou e deu uns dois berros no imbecil, que, com medo, devolveu-me a cadeira. Queria rir - porque a cara do garoto, há dois minutos tão arrogante, sendo humilhado na frente de todo mundo, era tri-engraçada -, mas me limitei a agradecer e me sentar. Sou uma lady (risos)!... Não preciso dizer que virou um grande amigo - meu e da torcida do Flamengo -; como digo, uma das cinco pessoas que conseguem me arrancar um abraço caloroso em público.
Ele era a tranqüilidade das mães ("Ah, Batman vai!? Então pode ir!"). Não era do tipo mandão, que ficava fiscalizando os passos da gente, mas fazia questão de ter todo mundo reunido junto com ele na hora de ir embora - importante dizer: ele era 3 anos mais velho, daí, também, a moral com a galera. Uma vez, se aborreceu num churrasco e quis ir embora. Ficou magoado com duas amigas que se recusaram a voltar com ele, e encarou o ato como uma deslealdade. Foi embora resmungando que nunca mais sairia com elas, o que caiu por terra na festa seguinte, diante de pedidos com jeitinho.
Batman era muito temperamental, vale dizer. Às vezes isso enchia o saco pra caramba; não fosse um sujeito tão afetuoso e generoso, teria perdido a paciência com ele uma dúzia de vezes. Sim, ele demandava nosso "saco extra", era teimoso como só um típico taurino sabe ser. Pra convencer esse homem a queixar uma colega de sala pela segunda vez, depois de levar um fora, deu um tra-ba-lho!... (Mas valeu a pena, pois, entre idas e vindas, estão juntos há 12 anos, e ela mesma brinca que não precisará de filhos se já namora Batman! haha) Entretanto, verdade seja dita, tinha um lado muito bacana nessa explosividade dele: se ele achasse errado, ia lá e brigava pelo seu ponto de vista. Enfim, às vezes bancava o mimado, mas de jeito algum era covarde. Gente assim, com sangue correndo nas veias, realmente faz falta!... Ô!...
Era muito inquieto, o rei das idéias que, a vistas largas, se via que não iam dar em nada. O pai era um engenheiro que rodava o mundo e ganhava em dólar - por conta disso, sabia falar inglês e espanhol fluentemente, e seus dois irmãos mais novos eram estrangeiros, nascidos na Venezuela -, mas ninguém desconfiava que era um garoto de classe média alta, e ele adorava se meter com o povão. Desconfio que foi a alegria dos pedreiros da redondeza (risos): com eles já montou uma banda de pagode e um time de futebol que não foram muito longe. Ah, sim, era um músico nato: sabia tocar guitarra, violão e cavaquinho muito bem.
Na última vez que fui a casa dele, em troca de uma conta no UOL, tive que retirar "Hairless Lolitas" (sim, era um site de pedofilia, mas foi coisa do irmão mais novo dele) da página inicial do pc e assistir inteirinha a sua performance do AC/DC, com direito a caras e bocas e solos de guitarra (pois é, "não basta ser amiga, tem que participar"!). Que figura!... Sorte minha que ele resolveu tocar na varanda, que, a propósito, é a melhor varanda das casas que conheço, daquelas de se esparramar no chão com a turma, sem medo de ser feliz ou de levar cotovelada (a casa dele é sensacional; aliás, essa é uma qualidade daquele local ali, o Farol de Itapuã. eu mesma já morei em uma casa que, quando me lembro, dá uma saaaaudaaaade!... mas isso é outra história, que um dia eu conto).
O contraste também batia ponto na sua vida amorosa, que ia fácil do 127v para o 220v. Se estava solteiro, era bagaceira pura, mas se estava namorando, era totalmente comprometido.
Quando o conheci, chamava os meninos da sala para "pegar umas ladronas" na Barroquinha. Houve uma fase em que era assíduo freqüentador da Jungle Night (nunca quis saber direito o que era isso. Deus me defenda!). Cenas de unhadas nas costas sempre me lembram o Batman daquela época. Um dia ele chegou puto com a "ladrona" da noite anterior, que o havia arranhado todo. "Baixo-astral isso, Juliana, muito baixo nível esse negócio de mulher cravar as unhas nas costas do homem", ficou resmungando uma cara do meu lado, e eu, claro, dando risada à beça dele. Eu pensava, divertida com o contraste: "Como é que pode? Se mete com as mulheres que topam qualquer coisa por R$ 15 e ainda espera classe?! Ou é muito sem noção ou muito idealista!".
Contava que teve a sua primeira vez aos 11 anos, levado pela mão pelo pai, que o deixou uma tarde inteira com uma prostituta chamada alguma coisa Del Fuego - não lembro agora. Saiu desidratado e foi direto para o hospital. Uma vez chegou rindo porque, na tarde anterior, Caio, Sílvio e ele (3 da mesma laia, também vizinhos do Farol) haviam convencido um bobão que morava perto da gente a gastar o cheque que a mãe havia deixado pro supermercado com uma prostituta - não preciso dizer que quem sobrou nessa história foi o pobre do menino.
Ficou a um passo da violência na ocasião de uma brincadeira infeliz de uma vizinha lá do Farol, a irmã "dada" do menino bobão da história anterior. Perguntada sobre onde iria tão bem vestida, a garota respondeu que ia fazer um teste de AIDS. A história se espalhou. Conclusão: os meninos fizeram as contas e se a criatura estivesse falando sério, 70 pessoas estariam infectadas também, entre elas, lógico, Batman. O homem ficou uma arara, disse que ia organizar um grupo para linchá-la, chamou-a dos piores nomes possíveis, e só ficou calmo depois que a verdade veio à tona. (Nunca ri tanto às custas de alguém! hehe)
E quando não gostava de uma pessoa, principalmente mulher, sabia ser perverso. Odiava uma funcionária da secretaria. Quando ela passava, ele dizia baixinho pra gente: "Por tudo que é mais sagrado, juro que essa eu não comeria nem com o auxílio de um litro de 51!". Era uma fala tão espontânea, embora fosse ultragrosseira, que não dava pra não cair na risada.
Mas era um amor de pessoa. Apesar do visual bad boy, era o rei da criançada e, como ilustrei acima, o irmão mais velho das amigas.
Nunca vou esquecer dele na época em que o pai da namorada morreu. Acho que ela e a irmã caçula só seguraram a barra por causa dele, que deu apoio em tudo. Ele disse pra gente que não sabia como ficaria a situação financeira delas, mas que, se preciso fosse, trabalharia e ajudaria - e eu sabia que não era uma promessa da boca pra fora; ele seria capaz disso mesmo caso tivesse sido necessário. A cunhada, que na época tinha 15 anos e já tinha perdido a mãe dois anos antes, há muito tempo não o considera mais o namorado da irmã: a figura se infiltrou de tal jeito que hoje é tão família dela quanto a própria irmã.
Foi com Batman, também, que percebi, pela primeira vez, que homem também tem sentimento, quando ele me contou uma história muito sinistra que aconteceu com uma ex-dele (é, porque pra maioria das mulheres, isso é que nem disco voador: há quem diga que existe, mas nunca provaram tal fenômeno).
Batman era a personificação da inquietude; aquele tipo de sujeito que desafia os limites da sua paciência, mas também traz consigo um bom sopro de vida.
DANUZA LEÃO
A paz dos inquietos
Eles vivem em eterna tensão, para o bem ou para o mal; só não podem é ficar parados. Os caminhos que escolhem são sempre os mais difíceis |
É A INQUIETAÇÃO; ou você nasce com ela ou não, e se nasceu, vai passar a vida inteira com uma pressão no peito e outra na alma, querendo entender e não entendendo, trocando de casa, de objetivo, de marido e de analista, sem chegar, nunca, a uma conclusão.
Um inquieto não tem sossego: se é pobre, gostaria de ser rico, se é rico, acha que o dinheiro atrapalha e que talvez fosse mais feliz se morasse numa pequena cabana. Se é inverno, ele se lembra com saudades do verão, mas se está debaixo do mais lindo sol, pensa em como seria bom se estivesse em Gramado no inverno, de botas, tomando um chocolate quente. Não é que ele queira sempre o que não tem; apenas não consegue viver o momento presente -não em paz. Ou está lembrando do passado ou pensando em como vai ser bom quando o futuro chegar. É duro fazer parte da tribo dos inquietos.
Com eles não há risco de monotonia; acordam te sufocando com beijos e abraços ou na mais fria das indiferenças, e o pior: sem saber o porquê. No meio do dia podem telefonar como a mais dócil das criaturas, sem conseguir explicar por que foram tão insuportáveis horas antes. Nem explicar, nem entender. É dura a vida dos que vivem perto de um inquieto.
Mesmo quando está tudo bem -o amor perfeito e o trabalho legal, alguma coisa atrapalha: é a tranqüilidade. Como é possível alguém viver em paz e em harmonia com as pessoas e com o mundo? Difícil de responder.
Difícil, a vida dos inquietos, e ninguém imaginaria o quanto essas pessoas tão vitais -porque vitalidade é o que não lhes falta- sofrem, mas que ninguém confunda sofrimento com infelicidade. Nada a ver. Para eles nunca há paz; há momentos de intensa e fugaz felicidade, mas paz, nunca. O grande momento dos inquietos é quando eles começam a planejar uma mudança de vida, seja essa mudança quebrar uma parede, mudar de profissão ou de país.
Eles vivem em eterna tensão, para o bem ou para o mal; só não podem é ficar parados. Os inquietos não se conformam com nada que se pareça com a estabilidade, e por isso os caminhos que escolhem, sejam eles quais forem, são sempre os mais difíceis. Os inquietos não sabem viver sem uma complicação, e a luta para eles é sempre melhor que a vitória.
Eles não compram, jamais, uma casa de campo pronta, mas um terreno; levam dois anos para construí-la e mais dois fazendo o jardim, decorando etc. No dia em que ela fica pronta, as flores crescidas, ele sente um grande vazio -que só se resolve quando encontra um comprador.
É que assim eles passam a maior parte da vida, com algumas pausas para refletir por que são assim e como poderiam se aquietar, para serem mais felizes; para encontrar uma certa paz, talvez -só que não conseguem.
Mas um dia eles compreendem que essas pausas foram tempo perdido e teria sido mais simples se tivessem reconhecido, há muito mais tempo, que com eles não há nada a fazer, e que é impossível mudar.
E é melhor que não saibam nunca: se souberem, terão, de uma certa maneira, encontrado a tal da paz -o que para eles pode ser fatal.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Sabedoria também é perceber o momento de parar de lutar
Não dá para ganhar sempre! Lembro que, durante minha vida de médico, às vezes via colegas se torturarem pela morte de um paciente que não tinha a mínima chance de viver. Eu admirava a capacidade de luta dessas pessoas, mas sempre achei que temos de aceitar que quem decide sobre nossa vida é Deus.
Minha mãe foi minha melhor professora na arte da superação. Ela foi sempre um exemplo de luta, mas no final da vida me deu uma aula de sabedoria ao aceitar uma perda. Ela teve câncer. E só Deus e os filhos sabem como lutou contra a doença. As metástases se espalhavam por seu corpo, a dor ia tomando conta dos seus dias, mas nem o sofrimento diminuía sua força para lutar. Até que um dia, enquanto eu aplicava mais uma das inúmeras injeções para aliviar sua dor, ela me olhou com serenidade e falou:
— Seja feita a Sua vontade...
— O quê, mãe? Não entendi... — eu disse.
E ela completou:
— Seja feita a Sua vontade, assim na Terra como no céu. Acho que chegou a hora de eu ir para o outro lado. Acho que Ele me quer perto dele. Meu filho, acho que é hora de parar de lutar e aceitar a minha morte...
Para mim, foi impossível aceitar a morte de minha mãe e comecei a chorar muito. A gente se abraçou forte, enquanto as lágrimas escorriam dos meus olhos. Enxugando meu rosto, ela me disse: “Filho, fique tranqüilo. Eu prometo que vou continuar cuidando de vocês...”
Depois desse momento, ela começou a se preparar e a nós, da família, para sua passagem. Tenho certeza de que continua cuidando de mim e dos meus irmãos, mas demorou muito tempo para eu entender isso.
Durante toda a sua vida, minha mãe sempre me ensinou a lutar intensamente para realizar um sonho, mas, no final, foi ela também que me fez entender que há um momento em que devemos nos entregar e dizer: “Seja feita a Sua vontade, assim na Terra como no céu...”
A partir desse momento, aceitamos que existe uma lógica no universo acima da nossa compreensão. Aceitamos que é melhor deixar o incêndio queimar até o último móvel para então começarmos a construção de uma nova casa.
Afinal, sabedoria também é compreender qual é o momento de parar de lutar como um leão e aceitar a perda. Nesse instante, parece que a mente silencia e o coração se aquieta. Uma sensação de vazio toma conta da gente. E é exatamente esse vazio que você vai preencher com amor. Aceitar os momentos de perda vai ser fundamental para você se preparar para os novos desafios de sua vida.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Cérebro masculino
Cacau, sua amiga, Dri Galisteu, está na capa de Nova, viu. Ela disse que desencalhar ou não desencalhar já não é mais a questão (minha irmã, quando souber, vai ficar inconsolável)! Ohhh!
Nós comandamos empresas; eles pilotam o fogão com talento. Puxamos ferro na academia; eles usam hidratante. Segundo cientistas, a mente feminina é 99% igual à masculina! Mas esse 1% restante, responsável pelas diferenças entre o nosso jeito de ser e o deles, é o que mais nos interessa. Afinal, pode ser fonte tanto de alegrias como de mal-entendidos que ajudam nos desencontros. “Homens e mulheres têm atitudes opostas ao se comunicar e expressar carinho”, confirma a psiquiatra e neurocientista Mona Lisa Schulz. E é preciso saber como funciona o cérebro masculino, em comparação ao nosso, para entender por que dizem que eles são de Marte e nós, de Vênus.