Se tem algo positivo nesse momento político que estamos vivendo é a possibilidade de repensar antigas certezas e atitudes. Quanta coisa, hoje, o PT está vivendo e quis impor aos seus adversários políticos (não podemos comparar, lógico, o poder para esse tipo de manobra que direita e esquerda possuem)? Quantas atitudes equivocadas ou violentas? Mas a gente só tem noção disso vendo a coisa vindo contra o partido que a gente discorda menos ("preferir" ou "gostar" são verbos muitos fortes para os tempos atuais no país), até porque, mesmo sendo vítima de exageros da esquerda, a direita sempre foi canalha, portanto se os meios foram questionáveis, os fins, sem dúvida, eram legítimos.
Às vezes eu mesma duvido de minhas convicções sobre Lava-Jato, PT e etc. Mas uma certeza não cai, infelizmente, porque isso me gera raiva e frustração: quem está do lado CBF da força não quer um projeto de inclusão. Portanto, sinto muito, não dá pra ficar do lado dessa gente. Canalhice tem limites.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
terça-feira, 27 de setembro de 2016
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
Parceria forte na vida
Estou assistindo agora, na televisão, um documentário sobre a trajetória de Hillary Clinton. Todo mundo sabe o que ela passou no casamento, sendo publicamente vista como a esposa traída do presidente, e não se separou. A biografia deixa bem claro que ali há amor: não do tipo romântico, eu acredito, e há "amor ao poder", que a gente bem sabe, mas o que existe ali é admiração mútua. Quando é assim, é difícil deixar para trás. Porque ela ganharia moral com o público se o deixasse, mas preferiu mantê-lo por perto. Rola uma certa sapiossexualidade ali, de fato. Grande encontro, sem dúvida. Invejei.
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Aquarius
Ontem finalmente assisti "Aquarius". Gostei! Kleber Mendonça Filho está fazendo o que imagino que será uma trilogia interessante sobre a classe média. Diz um amigo meu que, na verdade, se trata de um movimento do cinema pernambucano esse de colocar um olhar crítico em cima da classe média, essa Blue Jasmine do Brasil.
Quem lê isso aqui já viu o filme, imagino, portanto não vale a pena resumir a história. Ao contrário do primeiro filme do diretor, "O Som ao Redor", "Aquarius" não fala da violência da classe média no trato com a classe pobre (embora pincele esse assunto, como comentarei a seguir), mas avisa à classe média que ao contrário do que ela imagina não é o pobre - a quem também maltrata - que a ameaça, mas o grande capital, personificado, na história, na empreiteira Bonfim, que foi claramente inspirada na pernambucana Moura Dubeux, autora do projeto de "requalificação" do cais da cidade de Recife. São aqueles que a classe média considera "homens de bem", que são seus modelos de sucesso, que podem realmente destruí-la. Um amigo ficou muito incomodado com essa abordagem centrada na classe média (o que faz o filme, por vezes, lembrar as novelas de Manoel Carlos, embora, claro, contenha um nível de crítica a esse estilo de vida que o homem do Leblon nunca seria capaz de ter). Mas Mendonça Filho fez filmes conectados com as urgências de suas épocas. "O Som ao Redor", como foi dito, discute a violência da classe média, em um momento do Brasil em que claramente essa esfera da sociedade se encontrava incomodada com a ascensão dos mais pobres. Mas agora o que está em jogo é a tomada do país pelo "andar de cima" sem que uma parte considerável da classe média se dê conta - pelo contrário, essa gente ainda acha que isso faz o país andar para frente e que tem algum poder de decisão quando não o tem de fato.
Desconstruindo Clara
Mas meu amigo tem razão de estar chateado. A classe média, mesmo a mais "engajada", provavelmente sai do cinema achando que Clara é uma heroína, quando na verdade ela é uma pessoa iludida. Sim, ela se importa em agir bem, com integridade, mas o comportamento dela apresenta falhas que são as de todos nós, na verdade, e por isso acho que será difícil que a maioria dos espectadores se dê conta do que está sendo criticado ali, a hipocrisia diária da sua classe social, a ilusão dela de que apita nesse jogo produzida por uma vida desfrutada em uma redoma.
Para começar, a personagem de Sônia Braga é uma pessoa que tem direito à subjetividade, ao contrário da sua empregada, que tem a mesma idade e sofreu uma grande dor, a morte do filho, mas precisa continuar trabalhando, seguindo em frente como se nada tivesse acontecido, sem direito a banho de mar e yoga pra relaxar. Clara lida com a "solidão com vista pro mar". A empregada lida com as asperezas do dia a dia, como a violência no trânsito que vitimou seu único filho e a necessidade diária de lutar pela sobrevivência.
Clara e sua geração de amigas, todas mulheres muito bem sucedidas, têm a independência bancada por essas mulheres da classe baixa. A patroa vive uma falsa aproximação com a empregada, que só acontece segundo a vontade da primeira. Ela é, como os melhores exemplares de nós, pessoas de classe média, gentil: leva bolo pro porteiro, frequenta a festa na casa da empregada. Mas quando é, mesmo, que as duas almoçam juntas na mesa, com a família da patroa? Isso tudo que a gente faz, no máximo, traduz educação, mas nunca inclusão. Nada mais hipócrita do que dizer que os empregados são "da família".
Apesar de muito gentil, a jornalista, em determinado momento do filme, mostra rancor de uma ex-empregada, que furtou joias de sua família. É maravilhosa a intervenção da cunhada: "É, a gente explora elas e elas roubam a gente", lembrando que o abuso é bilateral. É representativo, aliás, que ao ter uma intuição de que está em perigo, isso aconteça através de um sonho com essa ex-empregada, que ao roubar as joias dela a avisa que está sangrando. A doméstica, na mente de Clara, representa sua ideia de ameaça e é justamente ela que resume o recado deixado pelo diretor. O aviso dado por ela no sonho de Clara é como se ela quisesse dizer: "Eu não sou uma ameaça para você, como imagina. A ameaça não vem "de baixo", como você pensa, "mas de cima", de gente que está te sangrando sem que você perceba".
Clara, como boa parte da sua classe, age o filme inteiro partindo do pressuposto de que "tem direitos", ignorando o porte do seu inimigo na história: a empreiteira, importante anunciante da imprensa local e detentora de um robusto departamento jurídico. A personagem age baseada numa ilusão. A meu ver, os verdadeiros heróis são os dois ex-funcionários da empreiteira, que se arriscam para fazer o que é certo - aqueles dois, sim, sabiam o que estava acontecendo.
Dinheiro e Medo
"Aquarius" fala de uma classe média que só é movida por duas coisas: medo e dinheiro. Qualquer coisa que não tenha cunho pragmático é rechaçada por essas pessoas. Quem cultiva ideais, quem pensa diferente, ganha o rótulo de louco.
Todos os personagens ao redor de Clara, da filha dela ao filho do vizinho, só sabem abordar a venda do apartamento por esses dois ângulos. Ninguém se atreve a abrir um terceiro, mais humano: é onde ela, uma senhora de meia idade, ainda se sente acolhida e construiu a vida dela. Os afetos, o eu, também importam, mas quase todo mundo ao redor da personagem parece desconhecer isso.
O conhecimento tão pouco tem valor. Durante a discussão com a filha, Clara é lembrada de que não contribuiu para o patrimônio da família, que sua atividade intelectual de jornalista e escritora não rende dinheiro. O grande legado dos pais, para a filha da protagonista, foram os cinco apartamentos. A produção cultural da mãe não lhe diz nada.
Minorias
Nessa cena, a filha também joga na cara de Clara sua ausência por dois anos (coisa que certamente ela não faria caso tivesse ocorrido com o pai), mostrando a cobrança que se tem em cima do papel da mãe. A própria filha cria o filho praticamente sozinha após a separação e evidencia, em uma de suas falas, que o pai se ausentou da vida do filho desde então. Mas nem isso a faz ser solidária à mãe, enquanto mulheres. Outro diálogo com os filhos, dessa vez com o filho gay, toca nessa questão das minorias: ela, enquanto mulher e idosa, pede a ele, que sabe o que é ser julgado por ser diferente, a compreenda, que não a considere uma louca por pensar diferente da maioria.
Clara, sua beleza, sua idade e seu mutilamento proveniente de um câncer levantam questões sobre o ser mulher em uma sociedade machista, na qual é sempre vista como objeto, como corpo. Ela é uma mulher bem cuidada e por isso ainda atrai olhares, mas mesmo quando se relaciona com um homem equivalente em idade, status social e status civil, pode ser descartada por não ter um dos seios inteiros. Ela range os dentes, em outra sequência, quando é elogiada pelo ex-trabalhador da construtora, que ressalta a sua beleza, numa mistura de incômodo pela invasão e de medo, porque afinal trata-se de um homem bêbado e qualquer mulher sabe a ameaça que isso significa.
Em diversos momentos, inclusive ao falar de tia Laura, mulher que nasceu no início do século 20, o diretor nos lembra de que idosos e idosas já tiveram uma vida sexual ativa, que já amaram e ainda pensam e querem isso. A geração de Laura não tinha acesso a "liberdades" como o sexo pago na terceira idade, coisa já possível para a geração de idosas de Clara, na qual algumas mulheres, inclusive, já lidam bem com isso, pois são, inclusive, economicamente independentes, profissionais capazes, enfim, sujeitos de fato. Por esse prisma, o filme é um bálsamo por retirar um pouco do peso da velhice, etapa dos medos (da solidão, da pobreza, da doença, do preconceito), de quem está concluindo a primeira fase da vida e se despedindo da juventude, como eu, mostrando que ainda pode haver pulso de vida em qualquer etapa dela.
Por último, mas não menos importante, uma personagem aparece amamentando o bebê dela durante uma boa parte do filme, numa evidente defesa da liberdade de exposição do seio que, ao contrário do que prega a nossa cultura, não é só um objeto erótico, mas algo que serve para nutrir e que portanto é natural.
Mas tudo isso só será visível ao entendedores, aos já integrados a esse discurso. Para a maioria, "Aquarius" vai parecer apenas o filme de uma senhora que teima em não sair de sua casa.
Quem lê isso aqui já viu o filme, imagino, portanto não vale a pena resumir a história. Ao contrário do primeiro filme do diretor, "O Som ao Redor", "Aquarius" não fala da violência da classe média no trato com a classe pobre (embora pincele esse assunto, como comentarei a seguir), mas avisa à classe média que ao contrário do que ela imagina não é o pobre - a quem também maltrata - que a ameaça, mas o grande capital, personificado, na história, na empreiteira Bonfim, que foi claramente inspirada na pernambucana Moura Dubeux, autora do projeto de "requalificação" do cais da cidade de Recife. São aqueles que a classe média considera "homens de bem", que são seus modelos de sucesso, que podem realmente destruí-la. Um amigo ficou muito incomodado com essa abordagem centrada na classe média (o que faz o filme, por vezes, lembrar as novelas de Manoel Carlos, embora, claro, contenha um nível de crítica a esse estilo de vida que o homem do Leblon nunca seria capaz de ter). Mas Mendonça Filho fez filmes conectados com as urgências de suas épocas. "O Som ao Redor", como foi dito, discute a violência da classe média, em um momento do Brasil em que claramente essa esfera da sociedade se encontrava incomodada com a ascensão dos mais pobres. Mas agora o que está em jogo é a tomada do país pelo "andar de cima" sem que uma parte considerável da classe média se dê conta - pelo contrário, essa gente ainda acha que isso faz o país andar para frente e que tem algum poder de decisão quando não o tem de fato.
Desconstruindo Clara
Mas meu amigo tem razão de estar chateado. A classe média, mesmo a mais "engajada", provavelmente sai do cinema achando que Clara é uma heroína, quando na verdade ela é uma pessoa iludida. Sim, ela se importa em agir bem, com integridade, mas o comportamento dela apresenta falhas que são as de todos nós, na verdade, e por isso acho que será difícil que a maioria dos espectadores se dê conta do que está sendo criticado ali, a hipocrisia diária da sua classe social, a ilusão dela de que apita nesse jogo produzida por uma vida desfrutada em uma redoma.
Para começar, a personagem de Sônia Braga é uma pessoa que tem direito à subjetividade, ao contrário da sua empregada, que tem a mesma idade e sofreu uma grande dor, a morte do filho, mas precisa continuar trabalhando, seguindo em frente como se nada tivesse acontecido, sem direito a banho de mar e yoga pra relaxar. Clara lida com a "solidão com vista pro mar". A empregada lida com as asperezas do dia a dia, como a violência no trânsito que vitimou seu único filho e a necessidade diária de lutar pela sobrevivência.
Clara e sua geração de amigas, todas mulheres muito bem sucedidas, têm a independência bancada por essas mulheres da classe baixa. A patroa vive uma falsa aproximação com a empregada, que só acontece segundo a vontade da primeira. Ela é, como os melhores exemplares de nós, pessoas de classe média, gentil: leva bolo pro porteiro, frequenta a festa na casa da empregada. Mas quando é, mesmo, que as duas almoçam juntas na mesa, com a família da patroa? Isso tudo que a gente faz, no máximo, traduz educação, mas nunca inclusão. Nada mais hipócrita do que dizer que os empregados são "da família".
Apesar de muito gentil, a jornalista, em determinado momento do filme, mostra rancor de uma ex-empregada, que furtou joias de sua família. É maravilhosa a intervenção da cunhada: "É, a gente explora elas e elas roubam a gente", lembrando que o abuso é bilateral. É representativo, aliás, que ao ter uma intuição de que está em perigo, isso aconteça através de um sonho com essa ex-empregada, que ao roubar as joias dela a avisa que está sangrando. A doméstica, na mente de Clara, representa sua ideia de ameaça e é justamente ela que resume o recado deixado pelo diretor. O aviso dado por ela no sonho de Clara é como se ela quisesse dizer: "Eu não sou uma ameaça para você, como imagina. A ameaça não vem "de baixo", como você pensa, "mas de cima", de gente que está te sangrando sem que você perceba".
Clara, como boa parte da sua classe, age o filme inteiro partindo do pressuposto de que "tem direitos", ignorando o porte do seu inimigo na história: a empreiteira, importante anunciante da imprensa local e detentora de um robusto departamento jurídico. A personagem age baseada numa ilusão. A meu ver, os verdadeiros heróis são os dois ex-funcionários da empreiteira, que se arriscam para fazer o que é certo - aqueles dois, sim, sabiam o que estava acontecendo.
Dinheiro e Medo
"Aquarius" fala de uma classe média que só é movida por duas coisas: medo e dinheiro. Qualquer coisa que não tenha cunho pragmático é rechaçada por essas pessoas. Quem cultiva ideais, quem pensa diferente, ganha o rótulo de louco.
Todos os personagens ao redor de Clara, da filha dela ao filho do vizinho, só sabem abordar a venda do apartamento por esses dois ângulos. Ninguém se atreve a abrir um terceiro, mais humano: é onde ela, uma senhora de meia idade, ainda se sente acolhida e construiu a vida dela. Os afetos, o eu, também importam, mas quase todo mundo ao redor da personagem parece desconhecer isso.
O conhecimento tão pouco tem valor. Durante a discussão com a filha, Clara é lembrada de que não contribuiu para o patrimônio da família, que sua atividade intelectual de jornalista e escritora não rende dinheiro. O grande legado dos pais, para a filha da protagonista, foram os cinco apartamentos. A produção cultural da mãe não lhe diz nada.
Minorias
Nessa cena, a filha também joga na cara de Clara sua ausência por dois anos (coisa que certamente ela não faria caso tivesse ocorrido com o pai), mostrando a cobrança que se tem em cima do papel da mãe. A própria filha cria o filho praticamente sozinha após a separação e evidencia, em uma de suas falas, que o pai se ausentou da vida do filho desde então. Mas nem isso a faz ser solidária à mãe, enquanto mulheres. Outro diálogo com os filhos, dessa vez com o filho gay, toca nessa questão das minorias: ela, enquanto mulher e idosa, pede a ele, que sabe o que é ser julgado por ser diferente, a compreenda, que não a considere uma louca por pensar diferente da maioria.
Clara, sua beleza, sua idade e seu mutilamento proveniente de um câncer levantam questões sobre o ser mulher em uma sociedade machista, na qual é sempre vista como objeto, como corpo. Ela é uma mulher bem cuidada e por isso ainda atrai olhares, mas mesmo quando se relaciona com um homem equivalente em idade, status social e status civil, pode ser descartada por não ter um dos seios inteiros. Ela range os dentes, em outra sequência, quando é elogiada pelo ex-trabalhador da construtora, que ressalta a sua beleza, numa mistura de incômodo pela invasão e de medo, porque afinal trata-se de um homem bêbado e qualquer mulher sabe a ameaça que isso significa.
Em diversos momentos, inclusive ao falar de tia Laura, mulher que nasceu no início do século 20, o diretor nos lembra de que idosos e idosas já tiveram uma vida sexual ativa, que já amaram e ainda pensam e querem isso. A geração de Laura não tinha acesso a "liberdades" como o sexo pago na terceira idade, coisa já possível para a geração de idosas de Clara, na qual algumas mulheres, inclusive, já lidam bem com isso, pois são, inclusive, economicamente independentes, profissionais capazes, enfim, sujeitos de fato. Por esse prisma, o filme é um bálsamo por retirar um pouco do peso da velhice, etapa dos medos (da solidão, da pobreza, da doença, do preconceito), de quem está concluindo a primeira fase da vida e se despedindo da juventude, como eu, mostrando que ainda pode haver pulso de vida em qualquer etapa dela.
Por último, mas não menos importante, uma personagem aparece amamentando o bebê dela durante uma boa parte do filme, numa evidente defesa da liberdade de exposição do seio que, ao contrário do que prega a nossa cultura, não é só um objeto erótico, mas algo que serve para nutrir e que portanto é natural.
Mas tudo isso só será visível ao entendedores, aos já integrados a esse discurso. Para a maioria, "Aquarius" vai parecer apenas o filme de uma senhora que teima em não sair de sua casa.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Meus amigos gays arruinaram minha vida amorosa
Ok, eu sou lerda, eu idealizo, eu tenho um karma amoroso, mas a culpa não é só minha. Meus amigos gays também têm culpa no cartório. Por causa deles, eu quero um homem que goste de mulher, que seja meu amigo. O que vejo, na maioria das vezes, é que os homens heteros são amigos apenas de outros homens heteros. As mulheres ficam apenas com o desejo, que deriva de uma certa ideia de inferioridade.
Perto dos meus amigos gays, os homens heteros perdem a graça. Eles são bem humorados, eles são cultos, eles nos escutam, eles são mais humanos. Se permitem com mais facilidade serem humanos. Atacados, reconhecem esse lado que é abafado na criação dos meninos heterossexuais, inegavelmente.
Os homens gays chegam mais facilmente uns nos outros. É um mundo mais carente, diz uma amiga minha, não exatamente mais apaixonado. Penso que ao menos eles se arriscam mais: se entregam, se dão mal e se curam, seguem em frente. Eles não tratam seus namorados como uma posse, como se eles estivessem sempre prontos a trair. Cenas de ciúmes são raras. Eles não têm preconceito com os filmes de Almodóvar, muito pelo contrário. Homem hétero não vai pro cinema ver Almodóvar. E os gays ainda sabem cozinhar.
Não que todos sejam assim. Há gays de baixo nível, que só sabem falar de cu e pica, aliás, como vários homens que enxergam no sexo apenas o toque das genitálias. Os que eu conheço não são assim. Queria ao menos ver um nicho hétero que também fosse assim. Até agora, não tenho tido muita sorte.
Perto dos meus amigos gays, os homens heteros perdem a graça. Eles são bem humorados, eles são cultos, eles nos escutam, eles são mais humanos. Se permitem com mais facilidade serem humanos. Atacados, reconhecem esse lado que é abafado na criação dos meninos heterossexuais, inegavelmente.
Os homens gays chegam mais facilmente uns nos outros. É um mundo mais carente, diz uma amiga minha, não exatamente mais apaixonado. Penso que ao menos eles se arriscam mais: se entregam, se dão mal e se curam, seguem em frente. Eles não tratam seus namorados como uma posse, como se eles estivessem sempre prontos a trair. Cenas de ciúmes são raras. Eles não têm preconceito com os filmes de Almodóvar, muito pelo contrário. Homem hétero não vai pro cinema ver Almodóvar. E os gays ainda sabem cozinhar.
Não que todos sejam assim. Há gays de baixo nível, que só sabem falar de cu e pica, aliás, como vários homens que enxergam no sexo apenas o toque das genitálias. Os que eu conheço não são assim. Queria ao menos ver um nicho hétero que também fosse assim. Até agora, não tenho tido muita sorte.
Assinar:
Postagens (Atom)