Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
domingo, 25 de março de 2012
Perdão
Quanto mais eu envelheço, mas eu acho o perdão um negócio difícil. Eu não falo daquele não-perdão amargurado, que odeia, corta relações ou até quer vingança; falo daquele tipo no qual se instala uma desconfiança irreversível sobre alguém. Porque há ofensas que são feitas sem querer (e fatalmente vai acontecer em algum ponto do relacionamento); outras, nem tanto assim (se é que me entendem). Por mais que você compreenda a situação, não sinta mais nada sobre o que aconteceu e continue a levar a sua vida incluindo a pessoa, você nunca mais consegue enxergá-la do mesmo jeito. Algo se quebra e não pode ser recomposto. Você vê algo que não via antes e que, a depender da situação, pode mudar muita coisa entre vocês. É difícil detectar perversidade no outro e ser neutro em relação a isso. Ser objeto do egoísmo alheio não é uma experiência neutra e, no fundo, não dá para respeitar quem não respeita a gente.
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