domingo, 22 de setembro de 2019

Minhas outras nada moles vidas


                                             

Saber das vidas passadas te dá a certeza que nada é por acaso e que as pessoas mudam. Até agora, eu sei de duas.
Em uma delas, ali pelo Sul da Itália, na Antiguidade (era uma época em que ainda se usava papiro), eu fui uma sacerdotisa chamada Cecilia. Sei lá por qual motivo, fiz muita merda e devo ter ferrado com muita gente. Mas isso explica porque eu sempre fui espiritualista, apaixonada por oráculos, de intuição aguçada, mas nunca quis comprometimento com religião ou algo que o valha. Explica porque eu sempre quis aprender italiano e também porque me senti tão mal em Roma, apesar de ter achado bonito.
Em outra, fui uma mulher casada com um homem de boa situação social, na Roma Antiga. Na cena que eu vi, eu estava toda suja, fuzilando meu marido com o olhar e ele todo feliz por ter me capturado. Ele me matou. Isso explica o meu grande incômodo com o feminicídio.
Tudo indica que eu andei por Espanha, Portugal, França, Irlanda e México, além da Itália. Sou uma alma ibérica, latina mesmo. E desconfio ter sido lá das bandas da Andaluzia. A seguir cenas dos próximos capítulos.
Muita gente que entende do babado diz que não é legal fazer regressão, que faz mais mal do que bem. Mas há quem defenda que é possível tirar benefício ao acessar encarnações positivas.
Eu queria algo dessas duas mulheres, especialmente da segunda.
Da primeira, eu queria o conhecimento, o magnetismo e a força espiritual. Da outra, eu queria a coragem, o jeito destemido. Tanto quanto, eu queria a cidadania europeia, que especialmente agora faz falta (risos). Quem mandou aprontar? Agora tô junto com uma turma de safados da antiga Europa pagando os pecados por aqui.
O que será que a minha próxima eu vai levar dessa vida? Hummm... Sabedoria, plis!

sábado, 21 de setembro de 2019

Sempre dependi da bondade de estranhos (e todo mundo deveria também)



Outro dia, na terapia, tive um insight que sinceramente nunca havia me ocorrido: minha infância foi boa porque eu tinha, eu era parte de uma comunidade. Eu era a criança cuidada por todo mundo. Uma amiga minha dizia que o que me fazia falta era ter uma família. Sim e não. Minha família é ausente desde lá e eu era feliz. Família é bom até a segunda linha. Claro, nascemos precisando da família e essa nos dá o senso de segurança. Mas gente que fica muito dentro do próprio núcleo não se desenvolve, eu tenho observado. Na melhor das hipóteses, vai explorar o lado bom da família, mas não vai acrescentar nada a si nem ao clã, que fica girando em volta do taco.
Ter uma comunidade é importante para um ser humano. Pobre da criança que só tem a sua família. Quando criança, nesse prédio da foto, eu ia e voltava da escola com os filhos dos vizinhos, entrava e saía dos apartamentos com crianças, fui criada nos comércios da quadra, era meio sobrinha dos colegas de trabalho do meu pai, já que todos frequentávamos o mesmo clube aos finais de semana e viajávamos juntos aos feriados. Aprendi sobre religião com a filha do Pernambuco, que morava no final do bloco; as estreias das novelas das sete, as melhores, eram vistas com os vizinhos do 201; aprendi sobre bebês ajudando a cuidar das gêmeas do 206; matava minha vontade de ter cachorro com Suzuki, a pequenês do meu vizinho de porta, seu Haroldo, que, aliás, além dos presentes dos netos, incluía o meu também no Dia das Crianças. Seu Crispim, o nordestino do bar que eu frequentei desde que era bebê como na foto, me tratava melhor que os netos. Nunca esqueci dele me dando um refrigerante e o meu chocolate preferido quando eu voltei da Bahia, nas férias, pra visitar a quadra. Ele, que cobrava até dos netos, deu, ali, uma demonstração da alegria de me ver.
Quando eu larguei a chupeta, foi Tia Marinalva (apesar do "tia", não era parente de sangue) que teve a paciência pra me convencer. Quando um menino da invasão roubou minha bicicleta ou quando eu quis fugir de casa, quem percebeu e cuidou de mim foram os adolescentes da quadra. Eu não sei se os pais se dão conta do tanto de gente, que, sem vínculo nenhum, no dia a dia tem um carinho de família com o seu filho. Por isso eu digo e repito que todo pequeno deveria ter uma comunidade que lhe trate como sua criança.
Minha amiga estava redondamente errada. Fome de família eu mato de vez em quando, com os meus sobrinhos e com as famílias de meus amigos. Comunidade eu só tive na minha infância em Brasília e nunca mais encontrei uma, nem na ensolarada e supostamente acolhedora Salvador.

sábado, 7 de setembro de 2019

Espelhos

Cada vez mais vejo que ninguém entra (ou sai) da nossa vida por acaso. Atraímos gente com defeitos e qualidades que nos interessam, que constelam algo em nós.


Sabe aquele papo de Freud, de que quando Pedro fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo, aquele lance de projeção? Pois é. Só que geralmente as pessoas usam essa frase de Freud para escapar de críticas. Eu entendo essa máxima de um modo mais amplo.Veja bem, ao falar de Paulo, Pedro pode estar apontando no outro algo que é um problema dele, como também pode estar vendo algo dele que é positivo (não é à toa que as pessoas gostam tanto de seus filhos). Mas eu acho que nem sempre é algo sobre o que se é, mas pode ser também sobre o que se viveu ou mesmo um medo ou vontade da pessoa. 
Eu, a essa altura, pergunto a mim mesma o que há em mim que tem a ver com o que me chama atenção nos outros. A essa altura, não quero conta com ninguém. Show must go on! E eu percebo que quanto mais objetivamente você lida com essas situações, menos os relacionamentos pesam. Essa é uma boa estratégia para matar dois coelhos de uma vez só: evita mágoas e faz você ter consciência do que você precisa melhorar em você.
Eu geralmente não tenho paciência com gente exibida, daquele tipo que quer ser destaque a qualquer custo. Trauma. Tive péssimas experiências com gente assim. Eu não tenho saco pra gente medrosa e que pensa demais, porque eu sou assim, tipo Scooby Doo, perco o timing muitas vezes por causa disso. Eu gosto de gente generosa e com senso de humor, porque eu tenho as duas coisas. Eu admiro gente que sabe dançar bem, pois eu não sei dançar e acho bonito. Há vários motivos para sentir algo positivo ou negativo por alguém e todos eles realmente dizem respeito a nós, embora nem sempre de forma direta ou concreta. Mas sempre vale a pena se perguntar: Por que a atitude do outro constelou algo em mim?