Esse foi um ano, digamos, esotérico. Porque, diante de caminhos nebulosos, só o trabalho e a fé salvam. Sério. 🙌(Nessa hora eu sinto falta dos emotions do meu celular, na boa. :( )
A parada espiritualista, na verdade, tinha tido início no ano passado, por causa das meninas da pós-graduação. Pois bem, a coisa foi mais profunda em 2016. Vamos à retrospectiva:
- Jogo de tarô: influenciada por Terena, entrei num curso para aprender a jogar com os arcanos maiores. Isso foi em abril. Engraçado que no final de 2015, enquanto procurava um livro pro aniversário de Flavimir, vi um livro que ensina a jogar tarot e o comprei.
- Iluminati: uma boa ideia que por diversas razões não foi pra frente. Mas nos dois meses em que fiz parte da empresa aprendi sobre umbanda, magia, meditação, tarot e até banhos. Meditação guiada funciona. E banho de alecrim é bom para restaurar a alegria.
- Festa de Oxóssi: em maio, fui pela primeira vez na umbanda (que pretendo voltar um dia, mas dependo de encontrar um lugar confiável - isso é de extrema importância - e de comprar um carro, pois essa galera se mete em cada lugar, que Deus é mais!...). Logo na festa do meu orixá. A entidade me mandou jogar flores brancas no mar... Um amigo disse que isso é coisa de Oxum. Suspense: serei eu filha de Oxum e não de Yemanjá?!😕
- Jogo de búzios: Oxum, Oxóssi e Omolu me acompanham. Bem, enfim, eu sou das águas. Espero que Oxum me perdoe por eu já ter dito que ela é superestimada. 😬
- Cigana: Voltando para casa com uma nova colega umbandista, que tem uma cigana que a acompanha (e que ela incorpora tão sutilmente que mal dá pra perceber, quando está jogando cartas ou lendo mãos), pedi a ela para ler a minha mão. Ela disse que vê um casamento para mim e que numa vida passada meu matrimônio terminou em morte (não soube dizer se minha ou do meu esposo). Falou que perto dos 40 minha vida ia mudar positivamente, que seria como uma nova encarnação dentro dessa encarnação.
- São João, Cruz das Almas: tive um sonho muito louco, mas que me deixou intrigada. O mesmo Oxóssi que eu vi na festa me mandava o recado. Era pra eu entregar meu violão a um homem e eu brigava com a entidade, que mandava que eu não resistisse e obedecesse. Cortava para uma imagem que aparecia a data de 12.08. Corte: um homem moreno, um pouco mais velho que eu e com pinta de empresário surgia. O sonho teve outros desdobramentos envolvendo pessoas conhecidas e que pegariam mal aqui, hehe. Uma pessoa mais espiritualista interpretou como um homem de Oxóssi vindo por aí... Mas eu não tenho nada a ver com empresário, gente! Ih... 😲
- Dia 12.08 eu recebi um torpedo da Uneb dizendo que havia sido aprovada em Direito. Eu não tinha índice para isso e nem me lembrava de ter feito essa escolha no Sisu.
- 11 de dezembro: estava ansiosa e sonhei com o resultado da etapa final da seleção do mestrado. A tela do meu computador, no meu sonho, aparecia turva. Tinha a impressão de ter visto meu nome, mas por ela estar dobrada, não conseguia ver. Acordei sem saber se tava ou não na lista. Na quarta, abri a lista e não estava. Na sexta, após recurso, estava lá.
- Hoje: sonhei que procurava apartamento e encontrava um legal na Federação. Dessa vez para morar sozinha. Estava acompanhada de amigos, que me ajudaram a escolher o apê.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sábado, 31 de dezembro de 2016
PNL
E aqui estou eu, no último dia de 2016, dez anos, um mês e 25 dias após a criação desse blog. :)
Sim, sou feliz em escrever, mesmo que seja para falar das mesmas coisas por mais de dez anos, hehe...
Esse foi um ano em que me despedi do passado, mas ainda não dei olá ao futuro - e isso é muito difícil, acreditem, porque produz um vazio dos diabos. Trabalho por um amanhã melhor às cegas, na fé de que uma hora vou colher os frutos. Foi um ano de muita introspecção, de solidão, que eu encarei com uma dignidade que me impressiona até agora. I´m a survivor, como diz Beyoncé.
E numa época em que eu achei que a depressão ia me pegar feio novamente, por acaso, descobri as palestras do Dr. Helio Couto no Youtube. Ele é uma espécie de precursor da PNL (Programação Neurolinguística). Comecei a ouvir os áudios dele sobre diferentes temas (autoestima, coragem, determinação, prosperidade, relacionamentos, etc) e, de forma impressionante, notei mudanças, sutis mas ainda assim significativas. Eu me tornei mais resiliente, mais calma, mais focada e mais confiante. Não ainda nas doses necessárias, of course, mas houve uma melhoria que foi o suficiente para botar antigos planos em andamento: consegui, depois de 13 anos, finalmente fazer um projeto de mestrado (e passei!); consegui mudar a alimentação e fazer exercícios, eliminando sete quilos; consegui, depois de quatro anos, começar a estudar para concurso. Até consegui assistir A Sete Palmos, que Anderson havia me emprestado há mais de um ano. Troquei a melancolia pela ação e recomendo a todos. Mas talvez isso, essa força de vontade, só surja quando você se sente de algum modo pressionado pela vida a agir. Me senti demais em 2016 e, graças a Deus, dessa vez consegui reagir.
Já tinha ouvido falar de PNL. Meu ex-terapeuta, Djalma Argollo, já havia me indicado um livro, A Qualidade Começa em Mim, de Tom Chung. Mas naquele turbulento 2013, eu nem prestei atenção. A gente nunca acha que tem tempo para novas ações. Em tempos de dificuldades, a gente costuma seguir no piloto automático, esperando que a vida nos salve. Mas dificilmente isso acontece. Então às vezes a vida precisa tirar tudo que te distrai para que você tome providências e mude de rota. Essa foi a minha vida em 2016.
A PNL trabalha com a lógica de que o mapa não é o território, ou seja, as suas crenças não são você, portanto você pode mudá-las, atraindo a vida que você merece. E o primeiro trabalho de "limpeza" deve ser o do autoamor, do autoperdão. Se eu errei, era o que eu tinha condição de fazer naquela situação. Paciência. O passado não volta. O que temos é o presente, então foquemos nele. ;)
Sim, sou feliz em escrever, mesmo que seja para falar das mesmas coisas por mais de dez anos, hehe...
Esse foi um ano em que me despedi do passado, mas ainda não dei olá ao futuro - e isso é muito difícil, acreditem, porque produz um vazio dos diabos. Trabalho por um amanhã melhor às cegas, na fé de que uma hora vou colher os frutos. Foi um ano de muita introspecção, de solidão, que eu encarei com uma dignidade que me impressiona até agora. I´m a survivor, como diz Beyoncé.
E numa época em que eu achei que a depressão ia me pegar feio novamente, por acaso, descobri as palestras do Dr. Helio Couto no Youtube. Ele é uma espécie de precursor da PNL (Programação Neurolinguística). Comecei a ouvir os áudios dele sobre diferentes temas (autoestima, coragem, determinação, prosperidade, relacionamentos, etc) e, de forma impressionante, notei mudanças, sutis mas ainda assim significativas. Eu me tornei mais resiliente, mais calma, mais focada e mais confiante. Não ainda nas doses necessárias, of course, mas houve uma melhoria que foi o suficiente para botar antigos planos em andamento: consegui, depois de 13 anos, finalmente fazer um projeto de mestrado (e passei!); consegui mudar a alimentação e fazer exercícios, eliminando sete quilos; consegui, depois de quatro anos, começar a estudar para concurso. Até consegui assistir A Sete Palmos, que Anderson havia me emprestado há mais de um ano. Troquei a melancolia pela ação e recomendo a todos. Mas talvez isso, essa força de vontade, só surja quando você se sente de algum modo pressionado pela vida a agir. Me senti demais em 2016 e, graças a Deus, dessa vez consegui reagir.
Já tinha ouvido falar de PNL. Meu ex-terapeuta, Djalma Argollo, já havia me indicado um livro, A Qualidade Começa em Mim, de Tom Chung. Mas naquele turbulento 2013, eu nem prestei atenção. A gente nunca acha que tem tempo para novas ações. Em tempos de dificuldades, a gente costuma seguir no piloto automático, esperando que a vida nos salve. Mas dificilmente isso acontece. Então às vezes a vida precisa tirar tudo que te distrai para que você tome providências e mude de rota. Essa foi a minha vida em 2016.
A PNL trabalha com a lógica de que o mapa não é o território, ou seja, as suas crenças não são você, portanto você pode mudá-las, atraindo a vida que você merece. E o primeiro trabalho de "limpeza" deve ser o do autoamor, do autoperdão. Se eu errei, era o que eu tinha condição de fazer naquela situação. Paciência. O passado não volta. O que temos é o presente, então foquemos nele. ;)
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
Ted também não ama Robin (How I Met Your Mother)
Muitos fãs concordarão que a repórter canadense de How I Met Your Mother não ama Ted, que passou nove temporadas eventualmente atrás dela. O que poucas pessoas (ou nenhuma) percebem é que Ted também não ama Robin. Vejamos: quando ele está feliz com alguém, ela é só uma amiga. Quando ele está carente ou ela está séria com outra pessoa, tende a correr atrás dela. Ted deseja desesperadamente encontrar uma Lily e acha que, por se darem bem como amigos (e Robin não fazer questão dele, o que frequentemente é instigante), é só questão de conseguir o amor da amiga que a vida amorosa se resolverá. Isso não vai acontecer com ninguém até que ele pare de agir ansiosamente. Robin não é a mulher da vida dele só porque tiveram um romance mal resolvido. Isso tem nome: autossabotagem.
Barney também não gosta tanto assim de Robin. É que ela é a única que não espera nada dele e é a única que o deixa seguro justamente por causa disso. Se ela fosse grudenta-esposinha como Lily, ele sairia correndo. Robin, na verdade, é a versão feminina e sem egotrip de Barney. Eles são muito iguais para darem certo. Ted é intenso demais, eles nunca seriam um casal. Querendo muito encontrar alguém, os três confundem carinho com amor.
Na verdade, apesar de ser um fofa, Robin é o pior tipo de gente para se relacionar porque ela não se apega a ninguém. Ela uma hora acha que gosta de A, depois acha que gosta de B... Gente que não se vincula é melhor cair fora. Ted deveria se tocar disso. Mas a indústria cultural prega que você tem que correr atrás (eu concordo, contanto que haja uma chance real, né? ficar no vai e volta é coisa de quem não sabe o que quer e nem tá muito a fim de verdade de querer alguma coisa), que o que vale a pena é sofrido e muita gente se lasca nessa.
ps.: ainda estou na sexta de nove temporadas.
Barney também não gosta tanto assim de Robin. É que ela é a única que não espera nada dele e é a única que o deixa seguro justamente por causa disso. Se ela fosse grudenta-esposinha como Lily, ele sairia correndo. Robin, na verdade, é a versão feminina e sem egotrip de Barney. Eles são muito iguais para darem certo. Ted é intenso demais, eles nunca seriam um casal. Querendo muito encontrar alguém, os três confundem carinho com amor.
Na verdade, apesar de ser um fofa, Robin é o pior tipo de gente para se relacionar porque ela não se apega a ninguém. Ela uma hora acha que gosta de A, depois acha que gosta de B... Gente que não se vincula é melhor cair fora. Ted deveria se tocar disso. Mas a indústria cultural prega que você tem que correr atrás (eu concordo, contanto que haja uma chance real, né? ficar no vai e volta é coisa de quem não sabe o que quer e nem tá muito a fim de verdade de querer alguma coisa), que o que vale a pena é sofrido e muita gente se lasca nessa.
ps.: ainda estou na sexta de nove temporadas.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Dizer ou não dizer... Eis a questão!
Dois amigos meus costumam discutir bastante, mais por conta de questões da profissão. Um nunca aceita as correções e o outro sabe disso, mas insiste em dizer. Quase tudo que ele fala está correto, pelo menos me parece coerente, mas do que adianta se o outro não tem disposição de ouvir?
Eu fico neutra e sinceramente dividida. Um lado meu questiona por que achamos que temos que sempre dar a nossa opinião? Claro, tô falando da opinião não solicitada. Não faria como uma amiga que me deu uma cortada me perguntando por que eu queria saber a opinião dela. Óbvio: porque você quer que seus amigos mais íntimos deem opinião; você confia no discernimento deles e quer ver se a sua opinião é justa, coerente, comparando-a com outras respeitáveis na sua opinião. Eu não perguntaria certas coisas ao pipoqueiro. Mas se a pessoa não se interessa pelas suas questões, não custa nada respeitar. Por outro lado, minha Lua em Sagitário (risos) acha que onde minha expressão não é aceita não me interessa ficar. Não sou elegante, não sou discreta, detesto pisar em ovos e tenho ódio secreto de situações/pessoas que me forçam a isso. Eu nunca amaria realmente alguém que me cerceasse na minha autoexpressão. Isso é básico. Love it or leave it.
O caso é que há vários meios de silenciar a pessoa: não prestando atenção na figura, diminuindo a validade da opinião dela, contestando cada coisa que a pessoa diz, valorizando mais quando outra pessoa dá uma opinião ou até mesmo não dizendo nada. Claro que, eventualmente, essas coisas acontecem. Eu estou falando de hábitos na conversação. É muito chato conversar com gente que desdenha a sua opinião, mais ainda se for gente próxima. Porque se há intimidade, há vontade de trocar ideias. Mas o que fazer se o outro acha que você só fala bobagem (alguém que nunca concorda com você, por inferência, acha que você não fala o que preste)? É tenso. O julgamento/silenciamento está ali, implícito, e ninguém ousa falar sobre isso. Aliás, se falar, acabará a amizade. Meus dois amigos não discutem isso, mas uma hora, receio, o conflito virá. Ninguém é criticado longamente sem desenvolver mágoas. A seguir cenas... E eu continuo na dúvida. hehe...
Eu fico neutra e sinceramente dividida. Um lado meu questiona por que achamos que temos que sempre dar a nossa opinião? Claro, tô falando da opinião não solicitada. Não faria como uma amiga que me deu uma cortada me perguntando por que eu queria saber a opinião dela. Óbvio: porque você quer que seus amigos mais íntimos deem opinião; você confia no discernimento deles e quer ver se a sua opinião é justa, coerente, comparando-a com outras respeitáveis na sua opinião. Eu não perguntaria certas coisas ao pipoqueiro. Mas se a pessoa não se interessa pelas suas questões, não custa nada respeitar. Por outro lado, minha Lua em Sagitário (risos) acha que onde minha expressão não é aceita não me interessa ficar. Não sou elegante, não sou discreta, detesto pisar em ovos e tenho ódio secreto de situações/pessoas que me forçam a isso. Eu nunca amaria realmente alguém que me cerceasse na minha autoexpressão. Isso é básico. Love it or leave it.
O caso é que há vários meios de silenciar a pessoa: não prestando atenção na figura, diminuindo a validade da opinião dela, contestando cada coisa que a pessoa diz, valorizando mais quando outra pessoa dá uma opinião ou até mesmo não dizendo nada. Claro que, eventualmente, essas coisas acontecem. Eu estou falando de hábitos na conversação. É muito chato conversar com gente que desdenha a sua opinião, mais ainda se for gente próxima. Porque se há intimidade, há vontade de trocar ideias. Mas o que fazer se o outro acha que você só fala bobagem (alguém que nunca concorda com você, por inferência, acha que você não fala o que preste)? É tenso. O julgamento/silenciamento está ali, implícito, e ninguém ousa falar sobre isso. Aliás, se falar, acabará a amizade. Meus dois amigos não discutem isso, mas uma hora, receio, o conflito virá. Ninguém é criticado longamente sem desenvolver mágoas. A seguir cenas... E eu continuo na dúvida. hehe...
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Quando a Síria deixou de ser longe demais de mim
Essa foto foi tirada há um ano e meio, com um colega muito especial da excursão pela Cidade do México, Munir, um sírio-venezuelano que bem poderia ser brasileiro. Munir foi a primeira pessoa, numa excursão da terceira idade (risos), a falar comigo na van. Sentou do meu lado e começou a falar mal do governo de Maduro, apontando para um meme de internet no celular, de um prato de comida em que a proteína animal, um pedaço de frango, estava desenhada em um pedaço de papel. Eu fiquei assustada com a abordagem à queima roupa, mas também achei engraçado. Munir seguiu o discurso indignado, contando que a Venezuela estava pior do que quando chegou ao país, no final dos anos 50. Ficamos best friends durante a viagem (com direito a ponga em várias das minhas fotos! hahaha). Uma pena que nunca mais a gente vai se ver.
Munir é comerciante, pelo visto muito bem sucedido, porque ele e a esposa viajam umas quatro vezes por ano para destinos nada baratos. Ela é mais fechada, foi se chegando aos poucos, até porque viu que estava sozinha (para uma mulher árabe, estar solteira e sozinha numa viagem deve ser o fim da picada, um atestado de forever alone, rs) e que Munir e eu havíamos estreitado laços. Ele tem alma de cachorro vira lata e conversa com to-do mun-do, fica alegre ao te ver como se fosse a pessoa mais importante do universo falando com ele. Virou o mister simpatia da viagem, xodó de guias e garçons - nem tanto assim de um dos guias, Carlos, sujeito seríssimo que perdia a paciência com as interrupções e intervenções sem noção de meu amigo, hehe.
Lembro muito dele quando ouço coisas sobre Aleppo. No último dia no México, ele falou que, se a situação melhorasse, visitaria seus parentes de lá. Não melhorou. Será que a família dele na Síria ainda está viva? Como está a situação dele na Venezuela? Toda a alegria de Munir não merece esse duplo bombardeio. Será que ele continua feliz? Tomara. Odiaria saber que, depois de uma vida que me pareceu tão bonita, meu amigo da van está sofrendo em sua velhice e não por culpa dele. Mundo, na boa, você está precisando melhorar.
sábado, 10 de dezembro de 2016
Quando o passado volta (e ele não é nada gatinho)
Há três dias, fiz a temida entrevista do mestrado da Facom. Eu nem deveria querer falar disso, mas há uma sabedoria por trás do episódio, então vamos lá (risos).
Depois de um susto com uma professora que saiu berrando da sala (por motivo justo até, mas a cena me deixou mais apavorada ainda), estava lá eu sozinha, sentada no banco à espera da minha vez, pensando que cazzo eu queria voltando pra Facom. Vi um professor que uma vez me disse algo negativo passando pelo corredor e, de repente, a bad vibe daquele lugar voltou à memória. Lembrei também de ter dito na cara de um professor da especialização, oriundo da Facom, ainda esse ano, que pretendia fazer mestrado, mas não na Facom, Deus que me livrasse disso. Então, lá estava eu, sentada, tensa de ter que ficar de frente pra aquele povo de novo, sendo avaliada, traumatizada pelo passado, sem saber direito se eu queria voltar pra ali ou não. Até regredi aos cinco anos de idade e mandei mensagem para um amigo que adoro, ansioso crônico, desabafando: "Véi, quando é que a gente vira adulto de verdade nessa vida e para de se apavorar?". Ele ainda se deu ao trabalho de responder: "Nunca. Relaxe, menina".
Então, chegou o moço que seria entrevistado depois de mim. Um doce de criatura, mas mal sabe ele que contribuiu pra meu mal estar quando disse que havia perdido a seleção ano passado justo na entrevista. Eu entrei, passei sufoco, achei que não fui bem, saí e avistei uma conhecida, que seria entrevistada depois do rapaz. Precisava desopilar a mente e resolvi puxar papo com ela.
Nos sentamos e uma terceira moça chegou. Concentradíssima, cara séria, de quem faz o que faz - jornalismo corporativo - enquanto nós duas, de gerações diferentes da Facom, falávamos sobre as mudanças dela. Por duas vezes, a moça pediu desculpas e nos interrompeu, dizendo que havia se identificado com as nossas histórias. Como mulher às vezes é um bicho graciosamente doido, acabamos trocando as três confidências. Eu me senti tão identificada com a experiência dela que tá difícil não chamá-la de Juliana, apesar de saber que o nome dela começa com uma das últimas letras do alfabeto. Foi aquela coisa, né: menina classe média baixa, mestiça, se mete na Facom, acha aquilo o inferno em vida, muita humilhação, mas pensa duas vezes porque já foi um feito e tanto chegar ali, segue em frente, quer sair o mais rápido possível dali, luta por cada oportunidade na vida profissional, cresce, mas, quando volta ao velho lugar de deslocamento, se sente indefesa de novo, novamente. Ela também estava se perguntando que cazzo fazia ali?
Bem, ao contrário de mim, ela se fez essa pergunta antes de entrar nessa barca. A análise dela, que vou levar pra vida, é que está voltando para o mesmo lugar, que pode, infelizmente, ainda continuar o mesmo lugar ruim, mas o caso é que ela mudou, evoluiu. E é nisso que pretende se segurar. Sim, que bom que a gente evolui (em alguns casos).
Depois de um susto com uma professora que saiu berrando da sala (por motivo justo até, mas a cena me deixou mais apavorada ainda), estava lá eu sozinha, sentada no banco à espera da minha vez, pensando que cazzo eu queria voltando pra Facom. Vi um professor que uma vez me disse algo negativo passando pelo corredor e, de repente, a bad vibe daquele lugar voltou à memória. Lembrei também de ter dito na cara de um professor da especialização, oriundo da Facom, ainda esse ano, que pretendia fazer mestrado, mas não na Facom, Deus que me livrasse disso. Então, lá estava eu, sentada, tensa de ter que ficar de frente pra aquele povo de novo, sendo avaliada, traumatizada pelo passado, sem saber direito se eu queria voltar pra ali ou não. Até regredi aos cinco anos de idade e mandei mensagem para um amigo que adoro, ansioso crônico, desabafando: "Véi, quando é que a gente vira adulto de verdade nessa vida e para de se apavorar?". Ele ainda se deu ao trabalho de responder: "Nunca. Relaxe, menina".
Então, chegou o moço que seria entrevistado depois de mim. Um doce de criatura, mas mal sabe ele que contribuiu pra meu mal estar quando disse que havia perdido a seleção ano passado justo na entrevista. Eu entrei, passei sufoco, achei que não fui bem, saí e avistei uma conhecida, que seria entrevistada depois do rapaz. Precisava desopilar a mente e resolvi puxar papo com ela.
Nos sentamos e uma terceira moça chegou. Concentradíssima, cara séria, de quem faz o que faz - jornalismo corporativo - enquanto nós duas, de gerações diferentes da Facom, falávamos sobre as mudanças dela. Por duas vezes, a moça pediu desculpas e nos interrompeu, dizendo que havia se identificado com as nossas histórias. Como mulher às vezes é um bicho graciosamente doido, acabamos trocando as três confidências. Eu me senti tão identificada com a experiência dela que tá difícil não chamá-la de Juliana, apesar de saber que o nome dela começa com uma das últimas letras do alfabeto. Foi aquela coisa, né: menina classe média baixa, mestiça, se mete na Facom, acha aquilo o inferno em vida, muita humilhação, mas pensa duas vezes porque já foi um feito e tanto chegar ali, segue em frente, quer sair o mais rápido possível dali, luta por cada oportunidade na vida profissional, cresce, mas, quando volta ao velho lugar de deslocamento, se sente indefesa de novo, novamente. Ela também estava se perguntando que cazzo fazia ali?
Bem, ao contrário de mim, ela se fez essa pergunta antes de entrar nessa barca. A análise dela, que vou levar pra vida, é que está voltando para o mesmo lugar, que pode, infelizmente, ainda continuar o mesmo lugar ruim, mas o caso é que ela mudou, evoluiu. E é nisso que pretende se segurar. Sim, que bom que a gente evolui (em alguns casos).
Decisão
Apesar de discordar aqui e acolá, eu gosto de ouvir as palestras de Medrado, da Cidade da Luz. Eu não devo ser lá muito inteligente pra vida, mas tento buscar orientação, rs.
Dia desses, ele palestrou sobre força de vontade. O argumento dele era muito bom - pelo menos eu penso assim, já que comprovei isso na prática esse ano: para ter força de vontade é preciso decidir.
Se você fica em dúvida, não vai conseguir ir em frente. Uma vez que você decide, a coisa anda. Pode até demorar a se concretizar, mas anda, se direciona.
Dois dias depois, li algo, no Insta, que achei interessante e dizia assim: "Equilíbrio é pensar com a emoção e sentir com a razão".
Para decidir, portanto, tem que haver um equilíbrio. Refletindo sobre algumas coisas que disse a uma amiga e que acredito que foram bons conselhos, me perguntei se o que eu disse foi oportuno. Sim, porque posso estar coberta de razão, mas se eu digo certas coisas a quem não está preparado pra digerir aquilo, em vez de ajudar, estou implantando mais elementos de angústia para a criatura. Melhor mesmo é deixar que cada um siga na sua, por mais que doa, às vezes, ver a pessoa indo ladeira abaixo. Vou procurar não ajudar quem não me busca. Essa é uma decisão e dificílima. Vamos ver se haverá força de vontade.
Dia desses, ele palestrou sobre força de vontade. O argumento dele era muito bom - pelo menos eu penso assim, já que comprovei isso na prática esse ano: para ter força de vontade é preciso decidir.
Se você fica em dúvida, não vai conseguir ir em frente. Uma vez que você decide, a coisa anda. Pode até demorar a se concretizar, mas anda, se direciona.
Dois dias depois, li algo, no Insta, que achei interessante e dizia assim: "Equilíbrio é pensar com a emoção e sentir com a razão".
Para decidir, portanto, tem que haver um equilíbrio. Refletindo sobre algumas coisas que disse a uma amiga e que acredito que foram bons conselhos, me perguntei se o que eu disse foi oportuno. Sim, porque posso estar coberta de razão, mas se eu digo certas coisas a quem não está preparado pra digerir aquilo, em vez de ajudar, estou implantando mais elementos de angústia para a criatura. Melhor mesmo é deixar que cada um siga na sua, por mais que doa, às vezes, ver a pessoa indo ladeira abaixo. Vou procurar não ajudar quem não me busca. Essa é uma decisão e dificílima. Vamos ver se haverá força de vontade.
Relacionamentos tóxicos
"E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó de vossos pés."
(Mateus 10: 14)
Como escrevo com pouca frequência ultimamente, nem lembro direito o que já falei aqui esse ano.
Eu contei que, com muito tempo livre para pensar, passei por uma revisão interna e tentei zerar questões que ainda estavam pendentes? Pois é, pelo sim, pelo não, deixarei pra lá essa história. Apenas é importante dizer (ou relembrar) que foi um completo fracasso. Tomei na cara em todas as tentativas. Antes tivesse ficado quieta no meu canto. Mentira. Foi decepcionante, mas foi ótimo para derrubar ilusões e me dar a real, uns insights significantes: quando um não quer, dois não se dão bem. Melhor deixar ir quem não faz e nunca fez esforço pra ficar. A vida é assim mesmo, cíclica e o natural é que o que já foi próximo um dia se afaste. Ah, se eu tivesse essa consciência há dez anos, vinte anos... Não tinha perdido tanto tempo, não tinha sofrido tanto, não tinha me prestado a ser saco de pancada de gente egoísta, não teria dito tantas coisas que não (me) fizeram bem e que, pior, não resolveram nada.
Eu comecei a ter amor próprio. Então, mesmo que alguém goste muito de mim, se essa pessoa não me trata bem, eu não sou ruim por ir embora. Essa sempre foi a minha maior dificuldade de sair de relacionamentos tóxicos (é perverso o modo como as meninas são criadas, forçadas a passar sempre por cima de si mesmas para satisfazer os outros). Meu maior compromisso é me proteger. Amar não pode ficar só na teoria - sim, pra quem não sabe, afeto abandonado à míngua morre de fome. Não, não. E eu sou uma pessoa muito da prática. Acho até que minha dificuldade em sair de Salvador é essa: amor, pra mim, é presença e a distância afasta mesmo, a não ser que os dois lados tenham amor pra valer e força de vontade. Eu preciso de interação, interesse. Meu afeto não se satisfaz com gente calada, ausente, não dura na unilateralidade. "All I want is a little reaction...".
Vendo TV agora, Dr. Oz discute relacionamentos tóxicos. Mãe que humilha a filha gorda, o marido que sabe que a mulher está doente, mas não ajuda no tratamento... Um horror! Eu acho que de certas mágoas não dá pra se recuperar. Quer dizer, até dá, o que não dá pra recuperar é o relacionamento. Esse nunca mais será o mesmo. Enfim, amar e não falar a mesma língua é muitíssimo complicado. Tem que ter química, não tem jeito.
Curioso que ontem eu assisti um filme muito bonitinho e que tratava desse tema: "As vantagens de ser invisível". Em determinado momento, o protagonista, um menino fofo e inocente apaixonado pela personagem de Emma Watson, pergunta ao professor por que gente legal namora gente ruim. O mestre responde: "Cada um tem o amor que pensa merecer". Bingo!
Deus me ajude a pensar direito.
(Mateus 10: 14)
Como escrevo com pouca frequência ultimamente, nem lembro direito o que já falei aqui esse ano.
Eu contei que, com muito tempo livre para pensar, passei por uma revisão interna e tentei zerar questões que ainda estavam pendentes? Pois é, pelo sim, pelo não, deixarei pra lá essa história. Apenas é importante dizer (ou relembrar) que foi um completo fracasso. Tomei na cara em todas as tentativas. Antes tivesse ficado quieta no meu canto. Mentira. Foi decepcionante, mas foi ótimo para derrubar ilusões e me dar a real, uns insights significantes: quando um não quer, dois não se dão bem. Melhor deixar ir quem não faz e nunca fez esforço pra ficar. A vida é assim mesmo, cíclica e o natural é que o que já foi próximo um dia se afaste. Ah, se eu tivesse essa consciência há dez anos, vinte anos... Não tinha perdido tanto tempo, não tinha sofrido tanto, não tinha me prestado a ser saco de pancada de gente egoísta, não teria dito tantas coisas que não (me) fizeram bem e que, pior, não resolveram nada.
Eu comecei a ter amor próprio. Então, mesmo que alguém goste muito de mim, se essa pessoa não me trata bem, eu não sou ruim por ir embora. Essa sempre foi a minha maior dificuldade de sair de relacionamentos tóxicos (é perverso o modo como as meninas são criadas, forçadas a passar sempre por cima de si mesmas para satisfazer os outros). Meu maior compromisso é me proteger. Amar não pode ficar só na teoria - sim, pra quem não sabe, afeto abandonado à míngua morre de fome. Não, não. E eu sou uma pessoa muito da prática. Acho até que minha dificuldade em sair de Salvador é essa: amor, pra mim, é presença e a distância afasta mesmo, a não ser que os dois lados tenham amor pra valer e força de vontade. Eu preciso de interação, interesse. Meu afeto não se satisfaz com gente calada, ausente, não dura na unilateralidade. "All I want is a little reaction...".
Vendo TV agora, Dr. Oz discute relacionamentos tóxicos. Mãe que humilha a filha gorda, o marido que sabe que a mulher está doente, mas não ajuda no tratamento... Um horror! Eu acho que de certas mágoas não dá pra se recuperar. Quer dizer, até dá, o que não dá pra recuperar é o relacionamento. Esse nunca mais será o mesmo. Enfim, amar e não falar a mesma língua é muitíssimo complicado. Tem que ter química, não tem jeito.
Curioso que ontem eu assisti um filme muito bonitinho e que tratava desse tema: "As vantagens de ser invisível". Em determinado momento, o protagonista, um menino fofo e inocente apaixonado pela personagem de Emma Watson, pergunta ao professor por que gente legal namora gente ruim. O mestre responde: "Cada um tem o amor que pensa merecer". Bingo!
Deus me ajude a pensar direito.
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