domingo, 26 de abril de 2015

Nós, os viajantes solitários

Einsten, assim como eu, tinha ascendente em câncer e lua em sagitário. Era ariano, raça que eu adoro! Só não era negão, para ficar 100% perfeito. Acho que já disse aqui que a fórmula infalível pra ganhar meu coração é ser negão e de signo de fogo, né? :P
Essa frase abaixo é simplesmente a cara de uma lua sagitariana. O centauro ama liberdade, nasceu para ganhar mundo, ver e aprender.

 “Meu apaixonado senso de responsabilidade social sempre contrastou com minha pronunciada ausência de necessidade de contato direto com outros humanos. Eu sou realmente um ‘viajante solitário’ e nunca pertenci a meu país, meu lar, meus amigos ou mesmo à minha família com todo meu coração. Mesmo com todos estes laços, nunca perdi a necessidade de estar sozinho”. (The World as I See: An Essay by Albert Einstein)

Respeito, por favor: revolta não é ressentimento!

Olha, eu sou a primeira a admitir que não gosto do barulho que a militância, por exemplo, provoca. Detesto barulho, qualquer que seja. Às vezes, quando os ânimos estão muito exaltados nesses grupos, se fala besteira, perde-se a cabeça. Ossos do ofício.
Mas a revolta é necessária à mudança. E num país hipócrita, pseudocristão, como o nosso, as pessoas tomam a revolta (ativa) por ressentimento (passivo). É mais prático rebaixá-la, né?
Os movimentos de minorias são revoltados, sim, senhor. Porque verbalizam, jogam merda no ventilador, querem mudança, lutam por políticas públicas. Não ficam falando por trás, chorando no travesseiro à noite.
Revolta é tentativa de reequilíbrio de poder. Ressentimento é o gozo secreto do lugar de vítima.
Qual é o nosso problema com isso?
É que a coragem alheia nos incomoda. Olhar para os nossos defeitos nos dá pânico. Mudar dói pra caralho.
Já a covardia é total free. Vide os comentários nas notícias dos veículos online.
Apesar de toda a violência sofrida, espíritos livres não se dobram e vão.
Podem continuar a fazer barulho. Eu engulo meu incômodo com isso enquanto morro de admiração. <3 nbsp="">

terça-feira, 21 de abril de 2015

Being Erica (or anyone else)

E se de repente te fosse dada uma oportunidade de voltar ao passado e refazer tudo que você acha que deu errado por culpa sua?
É sobre isso que se trata o seriado canadense "Being Erica", apresentado há pouco tempo aqui pelo GNT, diariamente. Comecei a assisti-lo por indicação de Ingrid.
Erica é uma mulher de 30 e poucos anos, canadense de metrópole e de classe média, solteira, cuja vida anda tão fracassada que até gente mais íntima dela fica constrangida de lhe perguntar como está.
Erica é bonitona, criativa e inteligente. Por que, então, deu tão errado?
Bem, numa dessas aventuras da protagonista que acabam em vexame, ela vai parar no hospital e conhece um terapeuta, Dr. Tom, que lhe oferece os serviços dele. Ela hesita, mas o procura. E descobre que a tal terapia é beeem inusitada: de porte de uma lista de arrependimentos da sua paciente, o tal doutor a envia para as situações de seu passado que ela lamenta para que possa fazer diferente. Legal, né?
A primeira temporada da série, para mim, é a melhor. É quando ela volta para várias situações do passado que tem a ver com ela (em outras temporadas se mistura mais com as vidas dos outros personagens).
O surpreendente é que Erica, apesar de conseguir fazer diferente, não consegue mudar os resultados das histórias.
Dá o que pensar.
A gente acha que tem muito controle das coisas quando não tem. Podemos fazer a nossa parte, mas quem garante o resultado? Você pode estudar para a prova e passar, mas se aplicar não garante um dez. Há uma conjunção de fatores para que coisas boas (e ruins) aconteçam.
Eu não sei, não. Acabo achando que o sentido de fazer bem feito é a paz interior, realmente. É o que acontece com Erica: mesmo sem ter mudado os resultados, ela sai satisfeita das viagens ao passado só por ter modificado a própria atitude. É que o real arrependimento, quase sempre, foi não ter sido honesta consigo mesma.
Aliás, uma liçãozinha oportuna de lembrar, by doctor Tom“You can’t go back to fix other people’s mistake. It’s about you. Your list. Your regrets. You" (Você não pode voltar para consertar os erros dos outros. Isso é sobre você. Sua lista. Seus arrependimentos. Você). 
Essa pós-modernidade em que todo mundo quer o máximo da vida é super bacana por um lado, mas a pressão por resultados, por "produtividade", nos tira a solidariedade e a autocompaixão. Há sempre um culpado. Não deveria ser assim. Temos que aprender a aceitar a nossa própria humanidade.

“Choices. Look close enough, and you can see them everywhere. But what do you do when you see your life as a series of bad choices? When you would give anything to have made different ones? The question is, ‘If you could go back and do it all differently, would you still be you?’

(Escolhas. Olhe perto o suficiente e as verá por toda a parte. Mas o que fazer quando se vê a própria vida como uma série de escolhas erradas? Quando você daria qualquer coisa para fazê-las diferentes? A pergunta é: Se você pudesse voltar e fazer tudo diferente, ainda seria você?)

Pois é, nada como uma boa terapia!

domingo, 19 de abril de 2015

Patrulhamento feminino

Gente, que ninguém me ouça, mas apesar de ter muito homem insuportável nesse mundo, as mulheres chegam junto nesse sentido. Se fosse homem, virava gay, na boa.
Eu já comentei aqui que há uma nova geração de mães que idolatram as crianças e acham que qualquer comportamento longe disso é de uma mãe indigna. Sinceramente, só posso ler isso como muito agradecimento e deslumbramento com o fato de se tornar mãe, algo não tão garantido para as mulheres de hoje.
Pois é, não lembro dos nossos pais agirem assim com a gente. Naquela época, se dizia até que pé de galinha não mata pinto. Concordo. Acho que muito da ansiedade e da mal criação das crianças de hoje vem do fato de seus pais serem inseguros para desagradar. Filho não é amigo. Filho é alguém que precisa da sua tutela. Como ele vai confiar nos pais se nem eles confiam em si para fazer o que tem que ser feitoE eu agradeço muito por ter sido criada sem frescura.
Olha, eu reclamo da minha família, mas deixa eu explicar uma coisa. Eles foram ótimos comigo e minhas irmãs na infância. Tive uma infância de cuidados e diversões, se duvidar, melhor do que a da maioria dos meus amigos. Meus sobrinhos adoram os avós.
O problema deles foi quando deixamos de ser crianças, quando as filhas saíram daquela fase em que pai e mãe decidem tudo. Meus pais não sabem lidar com opiniões, rebeldias, vontades, enfim, com gente grande. Aliás, esse é um mal geral da família, que eu tento entender pelo prisma do abandono, já que eles foram criados por outras pessoas e logo ficaram responsáveis por si mesmos.
A nossa geração é que está desenvolvendo essa habilidade de lidar com filhos crescidos. Minhas primas dez, 15 anos mais velhas que eu, têm outra relação com a prole, mais de parceria e suporte. Graças a Deus...
Essas mães das quais falei mais acima são amorosas, não tenho dúvida, mas são quase umas fascistas quando tentam impor seu método de criação a outras que não pensam igual. Engraçado, soam muito como a patrulha antiaborto que a maioria delas, feministas, criticam.
É isso que eu não entendo.
Vamos por partes.
Todos nós fomos criados numa sociedade racista, machista e homofóbica. Esses valores tortos vivem dentro da gente. Não espero perfeição de ninguém. Mas espero desejo de melhorar. É assim que separo quem vale a pena e quem não vale ficar na minha vida.
Portanto, por mais que eu queira me "atualizar" e alcançar o nível de consciência dos meus amigos militantes por várias minorias, eu ainda me pego criticando uma mulher que faz o que não faço ou temendo um negro, com uma expressão nada amigável, perto de mim na rua. Mas eu me policio pra não levar esses reflexos do passado para o âmbito da ação.
O problema é que numa cultura passional como a nossa, "por amor", tudo é válido. Então quando se trata dos filhos, por exemplo, a porteira da intolerância fica aberta.
Gente, me corrija se eu não estiver correta, mas o feminismo não é sobre o direito de escolher? Então por que sendo eu uma pessoa em boas condições mentais, não posso criar o meu filho de acordo com as minhas possibilidades e visão de mundo? Daqui a pouco vão começar a culpar as mães da periferia por deixarem os filhos com outras mulheres para trabalhar.
A emancipação feminina, pelo visto, parece estar muito distante.
Caso 1 - Muita mulher, apesar de lutar por independência na sua própria vida, morre de medo de ser chamada de feminista. Acha que automaticamente será rotulada de "sapatão" ou "mulher que tem raiva dos homens". Feminismo não é odiar os homens, mas denunciar as condutas violentas. O machismo faz mal ao homem e à mulher. Precisa desenhar?
Caso 2 - A mulherada, que se diz feminista, fica patrulhando as outras se viram donas de casa ou se criam os filhos fora da cartilha do politicamente correto. Pode isso, Arnaldo?

Tá foda, viu, minha gente? Pelo visto, séculos de desunião não serão superados tão cedo.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Os integrantes da Academia

Tenho um amigo de infância que é até gente boa, mas um completo idiota quando se trata de política. É aquele tipo de gente que acha que tudo é uma questão de querer. Explico: a mãe dele conseguiu montar o próprio negócio, que por sinal não a deixou rica - não chega nem a classe média alta -, mas proporcionou uma vida com direito à Disney e à faculdade particular aos filhos, e por isso sempre se achou no direito de falar mal do governo e se queixar dos sofrimentos que um empresário no Brasil enfrenta para sustentar o seu negócio.
(Olha, minha mãe tem toda razão quando diz que o mal dos outros é achar que podem discursar assim que sobem no tijolo. Não preciso explicar a ironia contida na frase, ok?)
O lado privilegiado precisa aprender urgentemente a diferença entre revolta (ativo) e ressentimento (passivo). O cristianismo nos incutiu essa moral escrava que diz que devemos dar a outra face e, nessa, o mesmo grupo vai se perpetuando no poder. Nada mais legítimo do que quem sustenta essa pirâmide querer o seu pedaço também.
Quem milita não se queixa enquanto fica sentado na pedra esperando ela criar lodo. Muito pelo contrário. Um estudante cotista tem um centímetro de privilégio na entrada, mas rala o dobro pra sair da universidade.
Ninguém deve se sentir mal, claro, por ter tido oportunidades, mas, faça o favor, reconheça os seus privilégios e as léguas de frente que isso deu em relação a maioria desprivilegiada. Demonstre empatia.
Outro dia, fui cobrir o aniversário do Colégio Antônio Vieira. Descobri que lá eles têm a Academia Vieirense de Letras e Artes. Fiquei pasma. Imagine o que ser parte de uma academia e ser "vieirense" fazem pela autoestima de uma criança! É claro que ela só vai querer pensar alto. Nessas pequenas coisas a gente já vai projetando o nosso lugar na sociedade. Agora pense no menino da escola pública municipal. Ele não recebe nem a merenda. Não tem professor. A família não faz muito gosto, muitas vezes, nos estudos, que é coisa de gente preguiçosa na visão deles. Quantas vezes não ouvi insinuações desse tipo na minha própria família? Meu pai me respondia, quando eu queria um livro, que era desperdício porque livro só tem graça ler a primeira vez. Minha sorte é que sempre gostei de ler e dava um jeito. Mesmo assim, quando cheguei na Facom, ficou visível a minha defasagem em relação aos coleguinhas.
Daí vem um bufado desse dizer que não faz diferença!? Ele mesmo, pelo comportamento que tinha quando menino, não tivesse caído num ambiente protegido, provavelmente não teria sido o que preste.

Como escreveu uma figura que eu sigo no Facebook:
"Estudei num dos melhores colégios de Salvador (o Antônio Vieira), e sempre lamentei que nem todo mundo tenha as oportunidades que eu tive na vida. Sim, porque não há talento que resista se não houver a oportunidade. Semente boa não vinga em solo ruim."

Precisa desenhar? No fundo, sabe qual eu acho que é o "trauma" dessa gente? É saber que no lugar dessas pessoas que batalham, não teriam a mesma competência para tocar em frente. Fora a culpa, lá no fundo, em explorar o próximo. Geralmente quem vem com esse discursinho babaca, adora tirar vantagem de quem pode menos economicamente.

Cada vez mais tenho preguiça dessa gente, na moral...