Ouvi essa frase uma vez e adotei: tempo é questão de prioridade. Mesmo que você realmente não tenha tempo agora, se for uma prioridade, uma hora a fila anda e a vez daquela meta chegará. Eu mesma sou assim. Se algo está verdadeiramente nos meus planos, vai entrar na pauta assim que der.
Por isso que não acredito nisso de amizades de baixa manutenção. Não que todo mundo tenha que andar grudado, mas você esquecer que a pessoa existe e só falar com ela de caju em caju não é amizade. Isso tem outros nomes: simpatia, coleguismo, etc. Eu me lembro que antes de trabalhar em jornal, havia amigos que, pra qualquer convite, respondiam que não podiam por causa do trabalho. Entrei no jornal e realmente era uma rotina puxada, mas não deixei de ir pra nada que fosse importante pra mim. Quase nunca faltei nos eventos em que era convidada. Daí vi que era desculpa, não era realidade. Tempo é questão de prioridade.
Hoje, na hora do jantar, uma amiga veio com o argumento de que entende as amigas com filhos que desaparecem. Olha, mantenho minha máxima, viu? Nos dois, três primeiros anos até dá pra entender o sumiço da pessoa porque um bebê é extremamente dependente, mas depois de crescida a criança, é escolha mesmo. Os amigos não fazem falta. No caso das mulheres, o papel de mãe é muito poderoso na cultura e possui um apelo imenso à psique. Não é de surpreender que a mulher fique absorvida 100% por essa função, inclusive em termos de relacionamentos. Muita mulher escanteia inclusive os maridos (não estou falando dos casos em que há egoísmo masculino e a esposa se vê obrigada a assumir tudo sozinha), justamente pela sedução do papel onipotente da mãe. Se a pessoa quiser delegar a vida, ainda mais se for mulher, a maternidade é o contexto perfeito. Você vive a vida do outro quase sem ser criticada. Aliás, só as muito atentas não vão cair nesse canto da sereia.
Ninguém é obrigado a manter contato com ninguém, mas o que eu acho ruim nesse tipo de situação - muitíssimo comum - é que parece que as amizades pré-maternidade eram tapas-buracos. Não gosto de relações por interesse. Obviamente, todas as amizades são "interesseiras", mas num sentido de afinidades. Não gosto dessa coisa de usar os outros para obter coisas ou tapar buracos. "Cheguei onde queria, então não preciso mais dessas pessoas." Mulheres são mestres em fazer isso quando migram de status de relacionamento ou quando se tornam mães. Vejo muito as pessoas "fazendo contas" até nos relacionamentos mais íntimos. "Ah, eu não me dou com os meus irmãos, mas privilegio eles porque é quem vai ficar comigo a vida inteira". Já ouvi essas coisas. Agora, me diz, se as pessoas partem de segundas intenções (ainda que muitas vezes nem percebam), como é que algo de bom e de duradouro pode florescer? O amor (de qualquer espécie) é caro, meus caros, não dá pra torná-lo barato, como dizia Junguinho.