quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Boder line

Onde termina a cautela e começa a covardia?

domingo, 16 de dezembro de 2012

Toda forma de amor

(Oh, my God, acabei de assistir "Os descendentes". Quero me casar com o personagem de George Clooney!!! Vou escrever para a Dilma Bolada requisitando a minha Bolsa-Clooney.)

Há quatro meses fui convidada a participar de uma dinâmica piscoterapêutica chamada Constelação Familiar. Minha psicoterapeuta é holística e traz de vez em quando esse tipo de curso pra cá. Eu sempre fico desconfiada dessas coisas, mas a curiosidade - e a vontade de andar pra frente - me faz embarcar nessas experiências. Digo que gostei. E muito. Foi um intensivão sobre as relações humanas. Eu vi gente cinquentona, casada, bem empregada e com filhos chorar por não ter sido amada por papai e mamãe. Diria que 80% dos casos apresentados tem essa origem.
Tive vários insights durante a experiência. Aprendi coisas muito boas que aos poucos abordarei aqui. Um dos ensinamentos que ganhei lá, repetido à exaustão pela coordenadora da atividade, é de que há várias formas de amar. É amor até aquilo que não parece amor. Marisa, a especialista em constelações, dizia em alguns casos constelados: "Está tudo certo entre o seu pai e a sua mãe. Você é que está criando um problema onde não existe. E mais: vai levar esse problema para as próximas gerações. E tudo isso sem um pingo de necessidade".
É isso aí: teimamos nos achismos e arrastamos o mundo ao nosso redor junto.

Comprei o livro de Alexey Dodsworth, "Os seis caminhos do amor", porque, antes de tudo, eu sou stalker desse cara. rs... Bem, além de falar de um tema tão importante, a obra é divida em três perspectivas que, para mim, não poderiam ser mais satisfatórias: filosofia, psicologia e astrologia. (Ele é o máximo, gente! rs)
Explico qual é a abordagem do livro: existem seis tipos de amor e seremos mais felizes com alguém que veja o amor pelo mesmo prisma que a gente. São eles:

Pragma - amor conveniente
Ludus - amor jogador
Eros - amor carnal
Agape - amor compassivo
Philia - amor amizade
Pathos - amor paixão

Cara, confesso, eu entendo perfeitamente o que ele quer dizer - na verdade, os gregos -, mas tenho dificuldade em aceitar eros e ludus como tipos de amores. Para mim são modos de interação, o que é bem diferente. Porque nessas duas modalidades não há uma personalização, não há um contato íntimo. Troque a pessoa - não fará diferença - e a ação será a mesma. A circunstância é o que dá prazer. Quem é eros e/ou ludus muitas vezes mal lembra o nome das pessoas com quem se envolveu. 
Alguém pode dizer que no Agape há a mesma despersonalização. Creio que não. Agape, na minha visão, é um transbordar. Você faz por todos, mesmo por gente que não lhe é íntimo, porque cada pessoa, independentemente, é relevante para você só por existir.  
Mas é importante, também, não supervalorizar nenhuma forma. Todas possuem as suas vantagens e desvantagens, como bem demonstra Alexey. E, enfim, apresentamos boa parte delas, em maior ou menor proporção, embora seja impossível reunir todas e ser completo. Por isso, talvez, tenhamos tanta necessidade do outro.
É engraçado que, enquanto lia sobre os tipos, tive um insight: venho atraindo gente que justamente é forte nos tipos de amores que tenho dificuldade em manifestar. Sempre me chateio por estar recebendo "o pedido trocado". Mas agora vejo claramente que Deus anotou direitinho. É o que eu preciso, por hora, para aprender certas habilidades que não só me servirão no amor, como na vida. 


To wish or not to wish

Essa é a questão.

Sei lá, eu vejo muita gente ficar mal por causa de desejos que custam a se concretizar.  Especialmente na minha idade, 30, quando já não somos tão jovens.
Eu me incluo nisso, mas acho que vou mais além nessa angústia porque tem dias em que duvido do que desejo. Talvez isso seja bom, por um lado. Me ajuda a tirar um pouco do peso que um desejo antigo costuma ter, embora me crie uma suspeita sobre mim mesma por não estar desejando algo de fato. Não dizem que para estar vivo é preciso desejar? Se bem que, desconfio, devemos trocar esse verbo por "experimentar". Como diz o genial Joseph Campbell, não precisamos de um sentido para a vida, mas de experiências que nos façam sentir vivos. Minha questão é que pra mim ainda é difícil experimentar sem que haja junto um sentido. Um dia supero isso, com fé em Jah.

Quem espera sempre cansa?
Um livro que li essa semana discute a questão da esperança, que é um desejo impotente, na visão do autor, já que quem espera pouco tem a fazer para que aquilo se concretize.
Mas o autor reconhece a importância da esperança para a vida humana e, por fim, fala algo que traduz o que penso sobre esse dilema já faz algum tempo: "Você pode ter o sonho, mas o sonho não pode ter você".
Minha terapeuta me diz que o que nos resta é caminhar. É melancólico, mas é verdade. A gente nunca sabe o que nos espera. O que nos resta é caminhar, viver, e até sonhar. Temos que estar aqui independentemente do que nos aconteça, pois se há uma chance, ela só vai surgir se estivermos em movimento. Isso é ter um sonho. Geralmente quando o sonho nos tem, paramos no meio do caminho se ele não se concretiza. E sabe por que nos paralisamos? Porque nos magoamos. (Sentir raiva não é tão ruim se pensarmos que poderíamos estar magoados ao invés disso. Com a mágoa, "sentamos à beira do caminho". A raiva nos ajuda a fazer alguma coisa, e pode ser até construtiva se tivermos um pouco de sabedoria.)

A generosidade salva
Por essas coincidências do dia-a-dia, estava navegando pelo Facebook dois dias antes de começar a ler o livro, e me deparei com um video cujo títudo é "A única coisa que nos magoa é a esperança", de uma lama budista. A teoria dela é que só nos magoamos porque esperamos algo. E, realmente, a esperança sem maturidade pode fazer muito estrago. A solução anti-mágoa que ela oferta é a generosidade. O problema é que essa não é uma possibilidade para todos. Não serei generosa na minha afirmação, mas tem gente que não leva o mínimo talento para ser generoso. E a cultura ainda não ajuda, daí já viu.

Pois é, folks, mais do que viver de sonhos e esperanças, o caminho para uma boa vida passa por gostar de quem se é e do que se tem. Sabe aquela coisa meio Marina Lima, de que "os momentos felizes não estão escondidos nem no passado nem no futuro"?  Acho que vou acabar tatuando essa frase para nunca me esquecer dela.