domingo, 24 de outubro de 2021

Velho testamento

 


As pessoas são muito engraçadas. Elas acham sinceramente que Deus se ocupa de cobrar os maus feitos dos homens. Mas Deus não pune ninguém. Na verdade, Deus criou um sistema de autogestão da Humanidade, em que pouco dependemos da intervenção dele. Somos dirigidos pelos nossos próprios complexos, o que quer dizer que ninguém vai pagar por algo que não se sinta culpado e, ao mesmo tempo, alguém que nada fez pode sofrer as consequências do que achou que fez. Eu vejo bem isso no mundo real, na realidade. Mas as pessoas ainda acreditam num Deus irado, do Velho Testamento. Tsc, tsc, tsc... Deus só está interessado que a gente aprenda, e isso acontece pelo amor, pelo ódio, pelo acerto, pelo erro, etc. Qualquer que seja a ação humana, o resultado vai ser o mesmo: aprendizado. 

sábado, 23 de outubro de 2021

Jonicaelização do eu

Já fui inteligente. Sim, já fui - e hoje sei que era. Mas entrei em processo de alienação feat. deterioração - aliás, estou desaprendendo algumas palavras. Não me sinto mais capaz de reter nada, sem saco pra ir atrás das coisas, até perdendo o fôlego pra opinar.
Isso me lembra um professor da Facom, que as pessoas diziam ter sido brilhante na juventude, mas era quase um boneco de posto na meia idade, quando o conheci. Eu me perguntava como podia isso, agora eu sei - e olha que nem me envolvi com drogas... e também não fui brilhante.
(Eu estou, aos poucos, ficando offline...)

domingo, 10 de outubro de 2021

Dancing in the Dark


Ouvia outro dia Dancing in the dark, que é uma música de Bruce Springsteen que tem um arranjo muito feliz e uma letra bem depressiva, assim como a vida do próprio artista. 

Bruce, por problemas que remontam a família de origem, sofreu com depressão a vida inteira adulta mesmo tendo tido muito sucesso e família. 

Muitos de nós somos Bruce sem fama e dinheiro. Chega uma hora na vida de todo mundo em que o trabalho de base não feito vem cobrar a sua conta. 

Especialmente no caso de nós, mulheres, há muito o que fazer. Pensei nisso vendo neste final de semana a minissérie "Maid". Toda mulher deveria assistir aquilo. Ensinam várias mentiras pra gente enquanto a gente cresce e se livrar disso dá trabalho. A protagonista, aliás, chama a atenção por duas coisas que nos faltam nessas ocasiões: determinação para ultrapassar o desespero e a dor; e amorosidade quando o mundo é pura hostilidade com você. No caso da personagem, essa amorosidade vem do amor da filha. 

O amor sempre foi uma armadilha para as mulheres, isso porque até hoje não somos amadas. Acho que é por isso que a maternidade tem aquele apelo ainda para as mulheres. Quem gosta de mulher - de mãe - é criança pequena. Nas gerações anteriores, a gente deixava de existir em nome desse tal de amor. Na nossa, crescemos aprendendo que o amor é inimigo de existir. Então primeiro você garante o dinheiro, a independência - o que é de fato muito importante -, depois o amor. O que não nos contam é que o amor é o combustível do sucesso. Vejo muita mulher murcha, inclusive profissionalmente, por falta disso. Os homens, talvez intuitivamente, sabem disso, porque nunca falta mulher e eles sabem como isso os beneficia de variadas maneiras. E acho que é assim que eles descontam a raiva que têm da gente quebrando as nossas pernas através do afeto, nos proporcionando más experiências nas relações.