Ouvia outro dia
Dancing in the dark, que é uma música de Bruce Springsteen que tem um arranjo muito feliz e uma letra bem depressiva, assim como a vida do próprio artista.
Bruce, por problemas que remontam a família de origem, sofreu com depressão a vida inteira adulta mesmo tendo tido muito sucesso e família.
Muitos de nós somos Bruce sem fama e dinheiro. Chega uma hora na vida de todo mundo em que o trabalho de base não feito vem cobrar a sua conta.
Especialmente no caso de nós, mulheres, há muito o que fazer. Pensei nisso vendo neste final de semana a minissérie "Maid". Toda mulher deveria assistir aquilo. Ensinam várias mentiras pra gente enquanto a gente cresce e se livrar disso dá trabalho. A protagonista, aliás, chama a atenção por duas coisas que nos faltam nessas ocasiões: determinação para ultrapassar o desespero e a dor; e amorosidade quando o mundo é pura hostilidade com você. No caso da personagem, essa amorosidade vem do amor da filha.
O amor sempre foi uma armadilha para as mulheres, isso porque até hoje não somos amadas. Acho que é por isso que a maternidade tem aquele apelo ainda para as mulheres. Quem gosta de mulher - de mãe - é criança pequena. Nas gerações anteriores, a gente deixava de existir em nome desse tal de amor. Na nossa, crescemos aprendendo que o amor é inimigo de existir. Então primeiro você garante o dinheiro, a independência - o que é de fato muito importante -, depois o amor. O que não nos contam é que o amor é o combustível do sucesso. Vejo muita mulher murcha, inclusive profissionalmente, por falta disso. Os homens, talvez intuitivamente, sabem disso, porque nunca falta mulher e eles sabem como isso os beneficia de variadas maneiras. E acho que é assim que eles descontam a raiva que têm da gente quebrando as nossas pernas através do afeto, nos proporcionando más experiências nas relações.