domingo, 21 de fevereiro de 2010

"Alô, Santa Catarina!..."

Em frente a figueira centenária de Florianópolis. Dizem que se deve dar a volta em torno dela. Como típicas turistas, fizemos isso, mas não nos pergunte o que acontece de bom (ou não!) quando alguém dá a volta na tal árvore! risos
 
Na escadaria da Catedral Metropolitana de Floripa. Nessa hora, estávamos filando as explicações do guia de um grupo de argentinos. Um deles, muito tempo depois que já estávamos na cola do grupo, percebeu e perguntou se conhecíamos o guia. hehe... Igreja bonita, com ar-condicionado e bancos acolchoados. Muy chic! :P


Ponte do centro de Floripa. Pense num povo que andou até não agüentar mais... fomos nós neste dia! E ainda tivemos fôlego para cometer a "tabarelice" de meter as mãos nesse canhão sujo. Tsc, tsc, tsc...
Acima, Santo Antônio de Lisbôa. Lugar um tantinho afastado do centro, mas com uma bela vista e bons restaurantes especializados em marisco (que é a estrela gastronômica, digamos, do estado). O Carnaval daí é meio famoso na cidade (mas, pessoalmente, acho imbatível o do centro de Floripa, em especial o bloco do Marisco que, inclusive, me deixou aliviada num aspecto: descobri que existe, também, muita gente sem noção no sul do Brasil!hahaha).
Na foto mais abaixo, imagem da Praia da Lagoa (fica perto da famosíssima Joaquina). A água é fria como a do Rio, e as montanhas também lembram um pouco a paisagem carioca, mas, como bem definiu Luize, sem tanto glamour (aliás, quer "glamour artificial"? dê um rolê em Jurerê! nunca vi tanto luxo num lugar só!!!). Tá vendo esse céu nublado? Balela! O sol estava era queimando tudo! Voltei negona de SC; peguei em cinco dias o bronze que nunca adquiri durante um ano inteiro de praia em Salvador...Voltando à vaca fria, esse lugar da foto é supertranqüilo, relax, apesar de ser composto, em quase sua totalidade, de banhistas argentinos (risos). Uma coisa me impressionou: até as pessoas gordas que circulavam por lá eram duras, de pele firme (em Jurerê Internacional - não me agüento com o nome dessa praia! -, até o rapaz com síndrome de down tinha barriga tanquinho. unbelievable!...). Fiquei melancólica ao compará-las com os banhistas do Porto da Barra, onde todas as bundas - mesmo as dos mauri e das patis - são moles. Será culpa do dendê? Humm... Mistério!...

"Eu bebo, sim, e estou vivendo. Tem gente que não bebe e está morrendo... Eu bebo, sim!". E nem bebooo - essa é a parte mais ridícula da coisa. Um drink e já fico pra lá de Marrakesh, ou, neste caso, de Tijuana. Barzinho mexicano muito legal de Floripa! Terminamos a noite em outro lugar, o Floripa Bar, ao som de samba-rock, ritmo que parece ser bem apreciado pela turma "barriga-verde". Esses bares ficam, a propósito, num lugar bacanérrimo da capital catarinense, que agrega vários barzinhos, restaurantes e lojas da moda, chamado Lagoa da Conceição. Se for a Floripa, não deixe de visitá-lo (até porque, ao contrário do que acontece em Salvador, voltar é muito tranqüilo, pois durante toda a madrugada, de hora em hora, circula o "pernoitão")!


Em frente ao castelo do Beto Carreiro World, em Balneário da Penha. O parque é bacana, mas, pelos poderes de Greyskull, esse look psicodélico é de lascar, digno, inclusive, da parada gay! hahaha... Quero fazer uma denúncia aqui: Beto Carreiro mentiu pra gente! No site diz que o parque fecha às 21h, mas, na prática, fecha as portas duas horas antes.
Pense numa idéia (refrescante) de jerico! Permanecemos mais de uma hora na fila pra ficar rodando, nesse treco, dentro da água. Dããã!...
 
Se quiser sair bem na foto do parque, sugiro não gritar "uhuuu" quando estiver no brinquedo! hehe... Pelo menos dessa vez Ingrid teve um bom motivo para estar de olhos fechados, né?... Na frente, a prima catarinense, senhorita Rubia, nossa ilustre guia dentro do parque! Aliás, a sucursal joinvillense da família Campos foi muito, muito bacana com a gente durante esses 7 dias em que andamos por SC. Saudade danada, em especial, de Oliver!... (espero que o escroto do petshop esteja pegando mais leve com o hairstyle dele!) ;)
 
Guerra & Paz - e eu mediando isso tudo (risos). Dizem que uma viagem fortifica a relação de amizade. Se suas amigas ainda te fazem passar vergonha, então, nada mais é capaz de abalar! hahaha...
 
 Vista aérea de Balneário Camburiú (abaixo, o mar de Laranjeiras. Saudadona de comer churros na praia!... :( ).



Após um passeio de teleférico, tcharam!, fomos parar no Parque Unipraias. Esta foto foi tirada no mirante, ponto alto pra caramba do parque, de onde dá pra ver até a torre de BCW (pra quem tem fobia de altura, ninguém pode dizer que não fui corajosa durante a viagem!). Mais uma vez, filamos as informações dadas pelo guia de algum grupo de turistas! (risos)... Se for até lá, não deixe de andar no Youhooo! e de ir no Parque de Aventuras (uma hora dessas, tomo coragem e completo o circuito inteiro de arvorismo só pra passear de tiroleza no final! hehehe).

Pra quem gosta de tranqüilidade, esporte e natureza (e churros!), Santa Catarina é o lugar!
(dizem, inclusive, as más línguas do New York Times que o verão de Floripa está mais up que o de Ibiza e de Punta del Leste; estava bombando tudo e nem sabia! - cof, cof, cof!... Vai ver "coisas esotéricas" me levaram até lá. :P)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A lealdade das mulheres

CONTARDO CALLIGARIS


Basta olhar as filas das visitas nos presídios para saber que lealdade não é qualidade masculina


NA TARDE de quinta-feira passada, estive no Presídio Feminino do Butantã, situado na rodovia Raposo Tavares, longe do bairro paulistano do Butantã.
Aconteceu assim: antes do fim de ano, Wagner Paulo da Silva, que eu não conhecia, me escreveu explicando que ele organizava um grupo de leitura regular para detentas desse presídio. O grupo (mais ou menos 25 mulheres) tinha discutido uma de minhas colunas; quem sabe eu me dispusesse a proporcionar um "encontro com o autor"?
Soube depois que Wagner da Silva e Durvalino Peco animam há anos esse grupo de leitura para detentas do presídio do Butantã e, agora, com o apoio do Estado de São Paulo, estendem o programa a 26 penitenciárias da região metropolitana (para isso, eles promovem, na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, um curso gratuito de formação de mediadores -as inscrições já estão encerradas, mas vale a pena conferir: www.fespsp. org.br/leiturativa/).
Enfim, voltando das férias, liberei uma tarde para aceitar o convite e encontrar minhas leitoras. Ficamos conversando mais ou menos duas horas, e saí de lá com algumas reflexões. Eis uma delas.
A prisão, para as mulheres, é uma punição mais severa do que para os homens, e a causa dessa diferença é um atributo feminino.
Claro, há homens leais e mulheres desleais, mas, em regra, a lealdade é uma qualidade mais feminina do que masculina. Não estou pensando na fidelidade amorosa e sexual -nesse campo, homens e mulheres são capazes das mesmas "traições". Penso numa lealdade mais fundamental, que uma comparação vai explicar facilmente.
Em dia de visita numa penitenciária masculina, a fila de mulheres (esposas, mães, filhas, irmãs) é longa: facilmente, é mais de uma visita feminina por cada preso.
Em dia de visita numa penitenciária feminina, a fila é curta e, em sua grande maioria, composta pelas mães das detentas; os homens aparecem num número irrisório. Sei lá, por 700 mulheres no presídio, uma dúzia de gatos pingados visitando. Os homens se esquecem de suas companheiras assim que as portas do presídio se fecham sobre elas. Abandonada pelo companheiro ou marido, a mulher (outra prova de lealdade) prefere duvidar de si: será que o marido nunca comparece porque ela não é, nunca foi, a mulher que ele queria?
A deslealdade masculina aparece também quando os homens são presos; eles são bem felizes de receber a visita das mulheres que voltam a cada semana, lealmente, anos a fio, mas, com frequência, se esquecem dos filhos que deixaram fora do presídio.
As mulheres presas, ao contrário, só pensam nas crianças que estão lá fora (em geral, com a avó; quase nunca com o pai). E, de novo, a lealdade com as crianças as leva a duvidarem de si mesmas: no dia em que sairão do presídio, os filhos não as reconhecerão, ou então, de qualquer forma, eles já gostam de avós, vizinhas, tutores e tutoras mais do que delas -e por aí vai.
Facilmente, as mães detentas vivem o afastamento das crianças não como consequência da punição pelos crimes que elas cometeram, mas, bem mais sofrido, como punição por elas não "merecerem" ser mães -como se os filhos estivessem longe porque elas não souberam e não saberiam ser mães.
As mulheres, qualquer criminologista sabe, agem criminosamente por razões diversas das dos homens. Em regra, matam por paixão amorosa; quando traficam ou assaltam é, frequentemente, para acompanhar o parceiro. Com isso, a prisão feminina é uma espécie de pena do talião: crimes cometidos por amor são punidos pelo sumiço dos homens amados e pelo medo da perda do amor das crianças.
Na época em que trabalhei em instituições psiquiátricas fechadas, quando o expediente terminava e estava na hora de ir embora, no fim do dia, eu era acometido por uma tristeza profunda. Acabava de compartilhar um bom tempo com os que estavam lá internados, e eis que, agora, eu ia embora, para uma casa, uma companhia, o convívio dos amigos. E eles, não; eles ficavam. A tristeza era uma espécie de culpa por abandoná-los no que era, de fato, uma desolação. Pois bem, ao sair da penitenciária do Butantã, não senti nada disso, pois não havia desolação. Não teria como fazer elogio maior à direção do presídio, à equipe que lá trabalha e às detentas que encontrei, pela resiliência de sua vontade de viver.

ccalligari@uol.com.br

FSP - 18.02.2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

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Eu tô é cercada, na moral! rsrsrs

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Prova Existencial

Final de semana desses, fui ao Festival de Verão. Fui pra ver o que tinha mudado em, no mínimo, seis anos que não compareço ao evento. Muito pouco mudou. Na noite em que estive lá, pelo menos, notei uma certa popularização do público. As pessoas também não mais se produzem para a festa, como acontecia bem no comecinho do FDV - vão ao shopping, se brincar, até mais arrumadas que para ver os shows.
De repente, no meio de uma apresentação de samba, avisto várias pessoas parando a própria dança para fazer uma pose para a câmera digital. Tal ato se repetiu diversas vezes durante a noite.
Sei que essas coisas acontecem desde a invenção da digital - vide Orkut -, mas achei "a paradinha" bizarra.
Fiquei pensando em mim mesma. Tenho poucas fotos. A grande maioria, tirada em algum evento, e eu junto a coletividade, perdida num mar de vários rostos. 
Quer saber? Não me sinto prejudicada. Talvez seja justamente o contrário: sem o suporte da fotografia, me lembro mais ainda de tudo que me aconteceu. Eu não tenho foto do dia em que perdi meus quatro dentes da frente, no jardim da infância, num acidente com a gangorra. Não tenho foto da turminha da 5ª série, e no entanto, além dos rostos, lembro de nomes, sobrenomes e, se brincar, até da data de nascimento de cada um deles. Não tenho foto das Feiras das Nações. Não tenho uma foto bacana de meus amados cachorros que já morreram. Tenho, no máximo, uma dúzia de fotos da época da Facom. Não tenho registro de quase nada que vivi e mais de dois anos após quebrar a minha digital no Natal de 2007, essa continua sempre à espera de um (próximo) dinheiro extra para ir a conserto. Talvez essa falta de registro faça falta a meus filhos. Ou não. Eu, por exemplo, viajo tentando visualizar as histórias que minha mãe conta sobre a juventude dela.
Na verdade, freqüentemente quando vejo uma foto das antigas, me dá uma certa agonia. A imagem parece desbotada, o enquadramento quase nunca é bom, e, além dessas mesquinharias, às vezes tenho a impressão que uma foto pode engessar um momento que é mais bonito na memória ou mesmo na imaginação.
Não que seja contra a fotografia; trata-se de um recurso bem-vindo. Só acho muito estranho parar o momento diversas vezes para poses de glória. Dá-me a impressão - ou melhor, esse tipo de ação me dá uma espécie de confirmação de uma impressão - de que, em nosso tempo, está todo mundo mais preocupado em parecer que em ser, em viver. É como se, ao registrar e guardar, fôssemos dispensados de dar valor aos momentos e suas lembranças. Sinto cheiro de banalização no ar...
Opinião polêmica, bem sei. Pode ser que na velhice me arrependa. Mi amiguito Davi não concordaria comigo, certamente. David passa horas e dias olhando as mesmas fotos das festas as quais foi, dos lugares que visitou. De repente, afasta-se do computador e suspira: "Ah, como é bom ver isso e lembrar dos bons momentos!". É, talvez eu pense melhor em levar a minha digital ao conserto...