quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Aquela dos 40

Sandy disse em uma entrevista a Bial que ao longo dos anos experimentou outros tipos de felicidade, mas que por outro lado se tornou mais calejada. Tinha um sorriso melancólico, quase triste, ao dizer isso, e eu entendo. Experiência é coisa boa, ensina, é preventiva, mas geralmente leva muita coisa linda da gente também. Isso ninguém conta.

No meu caso, gosto menos de gente hoje do que aos 15 e aos 20. É como quando eu andava entre uma piscina e outra de água quentíssima em Caldas Novas: eu passava por ali, mas com cautela pra não cair e me queimar. Pra quem gosta de se expandir, é terrível ter que pisar em ovos. Tá no meu top 3 coisas que mais odeio na vida. 

sábado, 14 de outubro de 2023

O futuro pertence a quem?

Quando eu tinha cinco pra seis anos, num dia de verão na casa da família de consideração de minha mãe, no bairro de Itacaranha, eu ouvi dizer que a filha de tia Nicinha estava pra morrer de câncer, que eu acho que foi de ovário. Ela tinha 40 e poucos anos, mais ou menos a idade da minha mãe. Eu nem tinha idade pra entender a profundidade da coisa, mas tenho a nítida lembrança de ter me arrepiado toda ouvindo aquilo, como se aquele fosse ser o meu destino também. 

Meu mapa astral fala em morte súbita, rápida, por coração, circulação ou pulmão (ou intestino, se considerarmos mercúrio em virgem) e que eu vou morrer em casa. Prefiro essa versão da minha morte.

Mas eu tô achando que eu me preparei, inconscientemente, pra viver só 40 e poucos anos. Na verdade, nunca achei que fosse chegar tão longe. E desde que fiz essa idade, tô preenchendo meu tempo como nunca porque simplesmente estou sem ideia do que fazer. Na verdade, há um tempão que eu estou, mas antes sentia que tinha tempo e agora não. Sem qualquer ideia de futuro e temendo o futuro ao mesmo tempo, por vários motivos que não cabe aqui dizer.

Há uns dois meses, recebi um e-mail de Fernanda Miranda via sonho. No assunto só Dia D, no corpo o nome de uma música de Marisa Monte que eu não consegui ver. 

Não sei quanto tempo viverei, mas não sinto que tenho futuro. Preciso mais uma vez me reinventar, mas os anos já pesam e tenho preguiça. 

A seguir cenas dos próximos capítulos...

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Acolher? A colher!, não à colher

 "Se eu estivesse comendo cocô, pela pedagogia, a senhora deveria acolher o meu cocô".

Essa frase, dita pela aluna que partiu pra cima da professora da Facom, diz bem o que se tornou a deturpação do verbo "acolher" na nossa sociedade. É impressionante a capacidade de algumas pessoas da esquerda de deturparem completamente os termos que nascem com uma boa inclinação. Dos mesmos criadores/deturpadores do verbo "empoderar"... RIP.

Sinceramente, bicho, eu acolho incondicionalmente criança de até 4 anos, bebê, que tá chegando ao mundo e não se governa. Acima disso, as pessoas já entendem um pouco das regras sociais, já têm alguma capacidade de autoregulação, então eu vou "acolher" na medida em que a pessoa mesma se ajuda. Já vivi tempo suficiente pra saber que é jogar pérolas aos porcos gastar tempo com quem não quer se ajudar. 

E cá pra nós, quem aqui tá com esse tempo, essa energia vital, essa saúde mental pra ficar "acolhendo" todo mundo, inclusive gente mimada que gosta de largar o corpo em cima dos outros em vez de procurar se cuidar? Eu não tenho. Não tô conseguindo nem ver filme tenso na televisão, que dirá ser fofa com quem não tá nem aí pra ferrar o meu babado e da geral. Citando a "grande filósofa" Jô, defunto, quando encontra quem o carregue, fica pesado. Um monte de gente querendo ser o centro da atenção "causa" em cima dos outros pra se sentir bem, se sentir vítima, pra receber apoio e tapinhas nas costas 0800, e você "têm que acolher"?! Ah, vá se catar e comer o seu próprio cocô. Amadurecer ninguém quer, né?