Esse texto, de Ivan Martins, foi um divisor de águas na minha compreensão sobre a vida. O que for pra ser da gente pode até nos exigir energia e coragem, mas nunca insistência, humilhação. Vai chegar quando tiver que chegar.
E por falar nesta coluna, revendo alguns textos dela - ele acaba de lançar um blog -, me deparei com um que me rendeu outra epifania: se por um lado as pessoas não me enxergam por uma ilusão de que estão fazendo isso, criada pelo egoísmo, eu também não as enxergo, sempre as vejo melhores do que são (para a minha conveniência), pela lente deformada da generosidade. Dr. Gikovate tinha razão: as duas características são farinha do mesmo saco. Segue o link: https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/noticia/2016/07/que-tal-olhar-para-o-outro.html
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sábado, 19 de maio de 2018
Casamento e separações
2018: o ano em que todo mundo resolveu se separar, menos o Harry e a Meghan, que não estão no Canadá, mas casaram na capital do ex-império hoje.
Tomara que dure, mas, mesmo que não, o importante é que seja bom. E que aprendam com o que não foi.
A vida é assim: início, meio e fim. Pena que as pessoas achem que um casal é fusão de dois em um. Acho que é isso que estraga tudo. Não deveríamos desumanizar quem dizemos amar. Por mais tentador que seja, especialmente se você adora comédias românticas, não seja essa pessoa, senão você vai ter dois problemas ao se separar.
Tomara que dure, mas, mesmo que não, o importante é que seja bom. E que aprendam com o que não foi.
A vida é assim: início, meio e fim. Pena que as pessoas achem que um casal é fusão de dois em um. Acho que é isso que estraga tudo. Não deveríamos desumanizar quem dizemos amar. Por mais tentador que seja, especialmente se você adora comédias românticas, não seja essa pessoa, senão você vai ter dois problemas ao se separar.
domingo, 13 de maio de 2018
... Ainda exista amor pra recomeçar!
Para Felipe, Luísa e Beatriz, a quem eu desejo alegria e resiliência para atravessar essa vida.
A vida bate forte.
Às vezes, bate muito forte, tanto que a gente nem acha que vai aguentar. Vez ou outra, a gente beija a lona e nem dá vontade de levantar pra poupar uma nova viagem de volta ao chão. Eu não poderia falar sobre como parar de doer, mas acho que posso falar de como aguentar. Ô!... Só eu e Deus sabemos.
Para aguentar e atravessar o desespero, é preciso se gostar, achar que você vale a pena. A gente só luta por algo que tem relevância, valor. O caso é que a maioria de nós depende muito, excessivamente do retorno externo. Não somos estimulados ao fortalecimento interno, não vemos graça nas vitórias ocultas, sem plateia. É a senha para a baixa autoestima, para o cinismo, para a descrença em si, para a vontade de desistir e até para maldade em alguns casos.
Somos seres sociais, eu também sou, mas, desde criancinha, a última palavra, a que realmente conta é a minha. Mesmo quando eu era elogiada, se aquele elogio não passasse pelo meu próprio crivo, entrava por um ouvido e saia pelo outro. Passei por muitas provações, sofri muitas decepções, passei fases duríssimas sem uma viva alma para me dar suporte - pelo contrário, nessas horas ainda descobri a indiferença de quem eu mais esperava acolhimento. Poderia ter feito muita coisa ruim, com os outros ou comigo, a partir disso, mas resisti. Resisti e persisti porque produzi uma relação de admiração comigo mesma, eu acho que valho a pena e sinto que, um dia, o que eu plantei, vou colher - e plantei coisas bonitas, eu sei. Eu ainda não tenho "resultados", mas eu tenho valores e uma coleção de boas atitudes para me orgulhar - e um diferencial: eu cuido das pessoas. Quem me tiver na vida, tem sorte. Pena que pouquíssima gente se toca disso - justamente porque as pessoas vão atrás de quem vai "agregar ao camarote", do externo, do status -, mas hoje sei que isso é problema delas, não meu (confesso que também demorei). Bato a cabeça no travesseiro e sei que ser humano eu sou, e basta por hora.
Admirar a pessoa que eu me tornei não tem a ver com perfeição. Não preciso ser só qualidades para ser digna da minha própria estima ou do amor de qualquer pessoa. Tentar de verdade, ter boa intenção e buscar o aprendizado, enfim, estar na direção da positividade já dá lastro para isso. O ótimo não pode ser inimigo do bom, sacou?
Se admirar também não tem a ver com o que os outros acham de você, porque muitas vezes isso é reflexo deles e não o resultado de uma atenção de fato a quem você é. Quantas pessoas do seu entorno realmente tem olhos pra você? Digo, gente que sabe ver sua luz e sua sombra? Pouca gente mesmo vai ter condição de te dar um feedback. Saiba filtrar, não se impressione com qualquer opinião, boa ou ruim.
Se admirar também não tem a ver com o que os outros acham de você, porque muitas vezes isso é reflexo deles e não o resultado de uma atenção de fato a quem você é. Quantas pessoas do seu entorno realmente tem olhos pra você? Digo, gente que sabe ver sua luz e sua sombra? Pouca gente mesmo vai ter condição de te dar um feedback. Saiba filtrar, não se impressione com qualquer opinião, boa ou ruim.
Mas ter a consciência de si não é algo rápido nem fácil. É o investimento de uma vida inteira, é a construção de uma relação de respeito, amor e paciência para consigo mesmo, a única pessoa que não rende elogios nas redes sociais nem testemunho da nossa grandeza. Integridade, nesta sociedade de hoje, não rende plateia. E é difícil ver luz interna especialmente nos momentos de dificuldade, quando tudo parece ruim, inclusive a gente. Bem, não vai ter tapinhas nas costas, mas na hora do aperto, quando você lembrar quem é você, vai sentir que um histórico assim não é de se jogar fora, muito menos no lixo. Vai ter fé em um final feliz pra essa heroína do dia a dia. Vai ter orgulho de ser você até nos piores dias.
sexta-feira, 11 de maio de 2018
A falácia do bom rapaz (a máscara que esconde um machistão)
Minha geração de mulheres é uma geração de transição. Foi a gente que inaugurou o ficar de modo massivo, no início dos anos 1990, e naturalizou o ser mais livre nas relações amorosas. Mas a gente também foi criada com uma visão bem tradicional sobre os relacionamentos. O resultado é que crescemos e vivemos com "mixed emotions".
A gente ainda tem na mente os modelos de "mulher para casar" e do "bom rapaz". Eu, por exemplo, demorei à beça para perceber a esparrela contida nesses tipos e algumas de nós nem vislumbra que se trata de uma armadilha. Conheço várias mulheres esclarecidas que botam fé na boa mocice delas e na cara falsa de bom rapaz deles. Oh, coitadas!...
A tal mulher pra casar e os homens. Na juventude, aquele olhar comedor, que olha e examina de cima a baixo, que também admira a conduta, mas, sabe como é, "na volta a gente compra", não é hora pra isso. A boa moça é aquela com quem não se esculhamba, pois com essas o sujeito não se casa, só curte a vida. A boa moça é aquela que, depois do cara se lambuzar com tudo que a liberdade sexual tem para oferecer a um macho alfa, se ela ainda estiver por aí, ele casa. Ou isso, ou o cara já quer casar com ela com 20, para garantir... E ela vai cuidar dele e dos filhos, afinal, as boas mulheres são para isso; é a recompensa pelo favor do casamento, esse sacrifício feito pelo homem.
Eu passei muito tempo achando que isso era bom, que ser a "mulher pra curtir" era ser desumanizada pelos homens, mas percebi que, quando se trata do cara errado, não existe respeito seja lá o que faça uma mulher.
O bom rapaz que procura a mulher para casar não vê nela um outro ser humano igual a ele - quiça porque nem ele se vê como ser humano -, mas uma aquisição. Ele é incapaz de amá-la, pois, justamente, não consegue reconhecer a humanidade dela. Sabe cão de estimação? Pois é, a mulher é isso: um ser fofinho, amável, mas a serviço do dono sempre. É como um carro: atende uma expectativa do dono, significa um status social e é, sobretudo, uma posse. Não é lisonjeiro ser a mulher pra casar ou qualquer mulher de homem machista. É bem triste.
Agradeço às deusas nunca ter ido adiante com nenhum bom rapaz. :)
PS.: A boa moça também não existe, é deformação cultural, tipo pé de bailarina esmagado pela sapatilha apertada.
A gente ainda tem na mente os modelos de "mulher para casar" e do "bom rapaz". Eu, por exemplo, demorei à beça para perceber a esparrela contida nesses tipos e algumas de nós nem vislumbra que se trata de uma armadilha. Conheço várias mulheres esclarecidas que botam fé na boa mocice delas e na cara falsa de bom rapaz deles. Oh, coitadas!...
A tal mulher pra casar e os homens. Na juventude, aquele olhar comedor, que olha e examina de cima a baixo, que também admira a conduta, mas, sabe como é, "na volta a gente compra", não é hora pra isso. A boa moça é aquela com quem não se esculhamba, pois com essas o sujeito não se casa, só curte a vida. A boa moça é aquela que, depois do cara se lambuzar com tudo que a liberdade sexual tem para oferecer a um macho alfa, se ela ainda estiver por aí, ele casa. Ou isso, ou o cara já quer casar com ela com 20, para garantir... E ela vai cuidar dele e dos filhos, afinal, as boas mulheres são para isso; é a recompensa pelo favor do casamento, esse sacrifício feito pelo homem.
Eu passei muito tempo achando que isso era bom, que ser a "mulher pra curtir" era ser desumanizada pelos homens, mas percebi que, quando se trata do cara errado, não existe respeito seja lá o que faça uma mulher.
O bom rapaz que procura a mulher para casar não vê nela um outro ser humano igual a ele - quiça porque nem ele se vê como ser humano -, mas uma aquisição. Ele é incapaz de amá-la, pois, justamente, não consegue reconhecer a humanidade dela. Sabe cão de estimação? Pois é, a mulher é isso: um ser fofinho, amável, mas a serviço do dono sempre. É como um carro: atende uma expectativa do dono, significa um status social e é, sobretudo, uma posse. Não é lisonjeiro ser a mulher pra casar ou qualquer mulher de homem machista. É bem triste.
Agradeço às deusas nunca ter ido adiante com nenhum bom rapaz. :)
PS.: A boa moça também não existe, é deformação cultural, tipo pé de bailarina esmagado pela sapatilha apertada.
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Eu ainda gosto de Daniel Cleaver
Eu sempre torci por Darcy, mas continuo me encantando com Daniel Cleaver - quem conhece Bridget Jones me entenderá.
Não amadureci tanto assim, pelo visto. Mas cafas, como Daniel, não são tão ruins como parece. Eles dão algo à mulher pelo menos: um pouco de romance, charme, fantasia, enfim, mentiras sinceras. Reclamava-se deles, mas hoje os homens igualmente não prestam, porém nem dão nada.
Sempre pode piorar.
terça-feira, 1 de maio de 2018
Antipatia aos dois extremos
Percebi que tenho antipatia a dois tipos de pessoas:
1) As que acham que todo mundo tem que dar conta, sem direito a fraquejar de vez em quando ou desistir. No c* é refresco, né, santa?!
2) Gente autoindulgente que não sabe se dizer "Não". Desculpa, você é um mimado e vai se lascar se continuar assim, porque a vida exige, em alguns momentos, disciplina e resiliência.
1) As que acham que todo mundo tem que dar conta, sem direito a fraquejar de vez em quando ou desistir. No c* é refresco, né, santa?!
2) Gente autoindulgente que não sabe se dizer "Não". Desculpa, você é um mimado e vai se lascar se continuar assim, porque a vida exige, em alguns momentos, disciplina e resiliência.
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