quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Brava gente brasileira...

Eu nunca me envolvi com política, mas a política sempre esteve envolvida na minha vida, desde que era muito pequena. De tal forma que me considero uma espécie de Forrest Gump das coisas que se sucederam de 1985 pra cá.

A primeira lembrança é da morte do presidente Tancredo Neves. Muita gente não sabe, mas nasci e vivi até os 11 anos em Brasília. Pois então, eu acho que não tinha nem cinco anos quando isso aconteceu e meus pais, que passam bem longe do perfil politicamente engajado, se juntaram a uma multidão que, em silêncio respeitoso, ocupava o Eixão pra se despedir de Tancredo naquela noite, acompanhando um carro que, lentamente, passava levando o caixão do primeiro presidente da nossa recém reconquistada democracia. Essa e a estreia de "Thriller", no Fantástico, são minhas lembranças mais remotas da infância. No ano seguinte, 1986, novamente com meus pais, estive na greve geral (mas meu pai, que sempre teve medo de violência física, achou melhor a gente vazar rápido de lá). 
A primeira eleição, em 1989, foi uma festa! As ruas de Brasília viviam repletas de materiais de campanha. A diversão da garotada era colecionar os adesivos dos candidatos. Duvido que alguma outra cidade tenha vivido a festa que houve na capital federal. Quando muito, São Paulo e Rio de Janeiro chegaram perto. A TV ia nos entrevistar na escola - e rolava aquela briga clássica pra decidir quem ia falar. Políticos também apareciam por lá pra tirar aquela foto bacana com a meninada e até rolou uma votação de mentirinha entre os alunos. Votei em Mario Covas, seguindo os votos de meus pais. Covas, o cara que mesmo sabendo que iria se ferrar politicamente, resolveu apoiar Lula no segundo turno - do tempo em que políticos ainda seguiam valores e ideais. 
Collor, o caçador de Marajás, ganhou, mas, seis meses depois, você não encontrava um eleitor declarado dele. Em 1992 foi impeachmado. Eu já estava em Salvador, na parte dela que mais se assemelha a um interior, e não sabia circular muito pela cidade. Tomei falta no movimento Caras Pintadas. Mas, meses antes, conheci o presidente no 15 de novembro. Ele abordou a mim e mais dois amigos para comentar sobre a mudança do uniforme da Escola Parque, onde também havia estudado quando criança. Educadíssimo, porém com um olhar estranho. Quando comentei isso a um ex-coordenador da campanha dele, dez anos depois, ele caiu na gargalhada, e me contou: "Menina, era orientação na campanha não dar close nele para justamente não mostrar aquele olhar esquisito".
(O intervalo de mais ou menos 28 anos entre os três ciclos de combate da "ditadura comunista"- a ditadura militar, Collor e Bolsonaro - me fizeram desenvolver a teoria de que a política brasileira funciona que nem aquele livro "A Coisa", de Stephen King. Na história, a Coisa, que volta a perturbar uma mesma cidade a cada 27 anos, se alimenta dos medos dos seus habitantes, que também não são flor que se cheire. Parece muito com um certo país da América do Sul...)
Em 2001, a coisa ficou séria perto de mim pela primeira vez e eu pude ver de perto o que a falta de liberdade pode causar. Talvez a dificuldade de alguns de vocês acreditarem no tal "risco à democracia" é que nunca tiveram contato com esse tipo de situação de abuso de autoridade e menos ainda com a truculência da polícia nessas ocasiões. Naquele 16.05.2001, fui parar numa manifestação de estudantes, na UFBA, por acaso. Estava com meu colega, minha dupla numa matéria chatérrima pro jornal da faculdade naquela manhã, e ele me ofereceu carona para a manifestação, nem lembro mais o motivo dela. Quem me conhece sabe que, pelo combo conversa fiada e carona, eu topo ir até o lado oposto ao meu destino real. Fomos e estava tudo muito tranquilo e pacífico até a Choque entrar na universidade, a mando do falecido ACM. Vi o desespero das pessoas ao meu redor e meu reflexo foi me proteger fugindo para um canto. Enquanto a polícia entrava no campus do Canela, um monte de jovens subiam um morrinho rumo a outro pedaço da universidade. Duas amigas minhas estavam nesse bolo. As duas não chegam a 1,60 m, duas figuras fofas, que não fazem mal a uma mosca. Eu olhava aquilo e ficava apavorada da galera que estava mais no topo se desequilibrar e, como avalanche, levar o povo que estava embaixo, incluindo minhas duas amigas franzinas. Não recomendo ver seus amigos nessa situação; é uma sensação de injustiça e de impotência ruim à beça. Tentam marginalizar protestos, mas a galera que vai pra essas coisas é tão inofensiva como eu e você (claro, em grandes multidões, sempre pode haver pequenos grupos que aproveitam a ocasião pra esculhambar). Perceba, eu fui parar lá por acaso. Minha mãe ainda tranquilizou a minha vó, que via pela TV, dizendo que eu não gostava dessas coisas. Num governo autoritário, poderiam ter sumido comigo, com meus amigos, a troco de nada, e minha família nunca mais saberia do meu rastro. Bem, uma garotada ficou machucada, o episódio virou um escândalo nacional e só porque vivíamos em uma democracia, uma multidão três vezes maior de jovens baianos puderam marchar contra o "dono da Bahia", em segurança, nos dias seguintes.
Em 2006, escrevendo os jornais de uma campanha política pequena, pude ver a revolução que o Luz para Todos fez no interior da Bahia. A direita, "pra variar", mentia e tentava enganar o povo dizendo que o programa era de sua autoria. Luz, gente! Coisa tão simples, mas que ninguém nunca tinha se interessado em fazer.
Em 2013, o desespero de 2001 se repetiu nas manifestações pré Copa. Eu estava lá cobrindo, mas caí na besteira de ficar entre os manifestantes. Jogaram tanta bomba de gás lacrimogêneo que eu, alérgica, eternamente com problemas respiratórios, tive que me ajoelhar e proteger meu rosto, porque não parava de tossir e nem conseguia abrir meus olhos. Um rapaz me ajudou a sair daquela situação. Eu e um monte de garotos terminamos o dia dentro de uma borracharia, para nos proteger dos PMs que corriam pela área em cima de cavalos. Quem já viu a PM em ação, sabe: uma vez que eles partem pra cima, perdem qualquer noção de proporção, parecem aqueles cachorros violentos que quem tem casa cria para soltar no quintal à noite.
As coisas em 2016, nas marchas anti impeachment, foram em paz. Fui de Juliana mesmo, deliberadamente, e foi uma delícia. Não surtiu efeito, mas nada como a consciência tranquila de estar do lado certo da História. Neste caso, como dizia Darcy Ribeiro, os fracassos são de qualquer forma vitórias. 
Em 2017, voltei pra UFBA. Me emocionei, não só por estar de volta ao passado, digamos, mas de ver como aquilo tinha crescido, prosperado. Minha turma de tirocínio não seria possível há 20 anos. Aqueles meninos não teriam a oportunidade nem de estar lá, nem de travar as discussões que estavam tendo ali. Que salto!...
Eu sou de uma família tipicamente brasileira - se é que isso existe. Não tenho sobrenome gringo, não sei de onde meus antepassados vieram (apenas que já caminharam por Maranhão, Bahia, Minas, Goiás e o que hoje é o Tocantins), ninguém é herdeiro, é todo mundo mestiço, bem a cara da mistura de raças que formou esse país. Minha família ajudou a construir a capital federal, e está lá desde 1958. Minha mãe, aliás, sempre me contou da precariedade e da felicidade que encontraram nos seus primeiros anos, quando aquilo era só poeira. Meus pais, meus tios, em sua maioria, conseguiram melhorar de vida agarrando as oportunidades que aquela cidade, que este país lhes deu. Eu também. Sou de uma família de servidores públicos e muito do que sou devo também ao governo. Eu sei que meritocracia é uma balela. Só pude estudar porque havia universidade pública. Antes disso, estudei meus primeiros anos em escolas públicas. Quero que quem venha depois de mim tenha isso e muito mais e melhor. Quero que o Brasil tenha a estrutura e a oferta de direitos de uma França.
Daí chegamos em 2018 e vejo uma galera bem alimentada e que até já foi pra Disney (alguns continuam. Crise pra quem?), que não procura se informar de fato, que prefere acreditar em corrente maluca do Whatsapp que em fontes de informação de credibilidade (elas existem, é só deixar de paranoia e procurar), que nunca tirou a bunda do sofá para lutar por direito coletivo algum (às mulheres: teu direito ao divórcio, à guarda dos filhos, ao voto, à propriedade, à liberdade sexual e ao mercado de trabalho não caíram do céu. Muitas mulheres morreram para você hoje ter a pachorra de espalhar por aí que feminista é mulher louca que corre nua e defeca na rua) querer jogar toda a nossa liberdade fora por conta de fundamentalismo cristão, moralismo barato e uma ojeriza a um único partido político. O PT foi uma decepção para todo mundo. Fato. Mas não faz sentido jogar a água do banho e a criança fora. Isso é insensato, ou melhor, irresponsável. E não vai ser um governo autoritário que vai melhorar, muito pelo contrário. O cala boca que vai começar pelos ativistas, pela esquerda que você tanto odeia, vai terminar em você uma hora (quem já assistiu "A Escolha de Sofia" sabe do que estou falando). É uma conta alta e que todos pagarão. Quer ver? Nelson Rodrigues, um dos caras mais brilhantes da nossa literatura, era um fiasco politicamente falando. Conservador, não acreditava em tortura, era amigo da ditadura. Até que um dia seu filho sumiu. Foi levado e torturado. Seus amigos milicos não deram a mínima atenção e ele penou até encontrar o rapaz. Ficou arrasado com o que ouviu do filho. Ou seja, teve que acontecer na própria família para ele acordar pra realidade. Sinceramente, é tanto desrespeito às regras do jogo que eu acho que pode acontecer de tudo a essa altura, inclusive um novo regime autoritário. Na dúvida, acho que não vale a pena a gente abrir essa porta, não vale a pena pagar pra ver, muito menos se isso custar a integridade e a vida de LGBTs, negros, mulheres, ativistas, como já está custando. Há algo de muito errado quando uma galera quer endireitar um país, mas partindo do pressuposto de que algumas vidas valem menos e tudo bem se forem sacrificadas. Os fins justificam os meios? Alguém me viu tripudiar da facada de Bolsonaro aqui, embora esteja bem claro que não suporto ele e tudo que desperta nas pessoas? É uma questão de civilidade, de preservar a dignidade do outro e ao mesmo tempo a minha. Quando esse acordo é rompido, já perdemos todos.
A parte mais deprimente desta eleição é ver que o pau está comendo por causa de política e as pessoas não se importam com as outras. Vejo a maioria de um povo, que hoje usufrui de liberdades conquistadas às custas de tantas lutas e mortes no passado, abrindo mão de tudo isso pela mesquinharia de varrer um partido político (que é apenas uma ponta do iceberg) e, mais, impor aos outros o modo como acham que é certo viver. Não vai ser "Deus, pátria e família" que vai me fazer uma pessoa necessariamente boa. Aliás, o que tem de gente com uma biografia moralmente duvidosa pregando esse lema!... Uma pergunta rápida: se um assaltante entrasse na sua casa, você ia preferir que ele só te roubasse pertences ou que fizesse isso e ainda arrasasse física e psicologicamente com a sua família? Pois é, com os demais políticos, corremos o primeiro risco; com Bolsonaro e os milicos, o segundo. O mundo inteiro, em peso, está avisando que é furada. Não é possível que gregos e troianos estejam errados e aquela corrente do zap zap, certa. O primeiro passo pra sair dessa situação é largar de mesquinharia. País grande não combina com sentimentos pequenos, com falta de empatia, desprezo aos valores humanos.
Liberdade é bom demais, gente, estar numa democracia não é perfeito, mas vale ouro. Não deem isso de mão beijada a qualquer vigarista!

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Fidelidade ou lealdade? Por Ivan Martins

Que lindo esse texto! Disse tudo que eu queria dizer.

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Nos últimos dias, ando apaixonado pela palavra “lealdade”. Deve ser por causa de um livro que estou terminando, um romance sobre antigos amigos e amantes que voltam a se encontrar e precisavam acertar suas diferenças. Eles já não se gostam, mas confiam um no outro. Eles deixaram de se amar, mas ainda se protegem mutuamente. Isso é lealdade, em uma de suas formas mais bonitas. Lealdade ao que fomos e sentimos.
Ao ler o romance, me ocorreu que amar é fácil. Tão fácil que pode ser inevitável. A gente ama quem não merece, ama quem não quer nosso amor, ama a despeito de nós mesmos. Tem a ver com hormônios, aparência e sensações que não somos capazes de controlar. A lealdade não. Ela não é espontânea e nem barata. Resulta de uma decisão consciente e pode custar caro. Ela é uma forma de nobreza e tem a ver com sacrifício. Não é uma obrigação, é uma escolha que mistura, necessariamente, ideias e sentimentos. Na lealdade talvez se manifeste o melhor de nós.
Antes que se crie a confusão, diferenciemos: lealdade não é o mesmo que fidelidade, embora às vezes elas se confundam. Ser fiel significa, basicamente não enganar sexual ou emocionalmente o seu parceiro. É um preceito, uma regra que se cumpre ou não se cumpre, uma espécie de obrigação. O custo da fidelidade é relativamente baixo: você perde oportunidades românticas e sexuais. Não tem a ver, necessariamente, com sentimentos. Você pode desprezar uma pessoa e ser fiel a ela por medo, coerência, falta de jeito ou de oportunidade. Assim como pode amar alguém perdidamente e ser infiel. Acontece todos os dias.
Lealdade é outra coisa. Ela vai mais fundo que a mera fidelidade. Supõe compromisso, conexão, cuidado. Implica entender o outro e respeitá-lo no que é essencial para ele - e pode não ser o sexo. Às vezes o outro precisa de cumplicidade intelectual, apoio prático, simples carinho. Outras vezes, a lealdade requer sacrifícios maiores.
A primeira vez que deparei com a lealdade no cinema foi num filme popular de 1974, Terremoto. No final do drama-catástrofe, o personagem principal – um cinquentão rico, heroico e boa pinta – tem de escolher entre tentar salvar a mulher com quem vivia desde a juventude, com risco da sua própria vida, ou safar-se do desastre com a jovem amante. Ele escolhe salvar a velha companheira e morre com ela. Parece apenas um dramalhão exagerado, mas desde Shakespeare o drama ocidental está repleto de escolhas desse tipo. É assim que nos metem conceitos elevados na cabeça. Vi esse filme com 16 e 17 anos e nunca mais deixei de pensar na lealdade em termos drásticos.
        
A lealdade está amparada em valores, não apenas em sentimentos. É fácil cuidar de alguém quando se está apaixonado. Mais fácil que respirar, na verdade. Mas o que se faz quando os sentimentos desaparecem – somem com eles todas as responsabilidades em relação ao outro? Sim, ao menos que as pessoas sejam movidas por algo mais que a mera atração. Se não partilham nada além do desejo, nada resta depois do romance. Mas, se houver cumplicidades maiores, então se manifesta a lealdade. Ela dura mais do que os sentimentos eróticos porque se estende além deles.
O romantismo, embora a gente não o veja sempre assim, é uma forma exacerbada de egoísmo. Meu amor, minha paixão, minha vida. Minha família, inclusive. Tem a ver com desejo, posse e exclusividade, que tornam a infidelidade insuportável, a perda intolerável. As pessoas matam por isso todos os dias. Porque amam. É um sentimento que não exige elevação moral e pode colocar à mostra o pior de nós mesmos, embora pareça apenas lindo.
Minha impressão é que o mundo anda precisado de lealdade. Estamos obcecados pela ideia da fidelidade porque a infidelidade nos machuca. Sofremos exacerbadamente porque o mundo, o nosso mundo, não contém nada além de nós mesmos, com nossos sentimentos e necessidades. Quando algo falha em nossa intimidade, desabamos.
Talvez devêssemos pensar de forma mais generosa. Talvez precisemos nos apaixonar por ideias, nos ligar por compromissos, cultivar sonhos e aspirações que estejam além dos nossos interesses pessoais. Correr riscos maiores que o de ser traído ou demitido. O idealismo, que tem sido uma força de mudança na conduta humana, precisa ser resgatado. Não apenas para salvar o planeta e a sociedade, mas para nos dar, pessoalmente, alguma forma de esperança. A fidelidade nos leva até a esquina. A lealdade talvez nos conduza mais longe, bem mais longe.

sábado, 8 de setembro de 2018

Volver

Ontem comecei a dar um rolê por este blog, que começou em novembro de 2006. Sentimentos divididos, entre a pena de mim por certas ilusões e falsos afetos e ternura justamente pelos mesmos motivos. Fiquei feliz que amadureci. Foi quase como visitar outra encarnação, outra vida. Não me afetou ter lido coisas antigas, mas fiquei com sentimentos de "Na boa, pra que manter isso?!", até que eu vi uma postagem sobre o vestibular e eu já não lembrava mais nada sobre essa parte da vida.
Já que ninguém lê mesmo, mal não faz.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Ciclo da violência - ou o jogo de gato e rato


Toda demonstração de poder suscita resistência, correto? Pelo menos assim falava Foucault.
Às vezes a gente só vê e julga o resultado final, sem enxergar o processo, elemento de fundamental importância em toda história.
Confesso que ainda estou com a resposta de "Por que uma mulher bem colocada profissionalmente aguenta um marido violento?" na garganta. Mas a minha resposta não seria só sobre homens e mulheres ou sobre o "amor"; seria sobre relações humanas em geral.
A violência visível é apenas o último estágio de algo invisível, por vezes intangível, que a antecede. Sacou? Vou exemplificar.
Um marido que bate precede um marido que passou um longo período depreciando, ferindo psicologicamente aquela mulher, que fica porque, no fundo, acredita nele, acha que não vai conseguir nada melhor, mas, como o ser humano não gosta de ficar por baixo, nas brechas, tenta devolver a violência. Em um relacionamento abusivo, embora a maior vantagem seja do homem inegavelmente, quer pela força física, quer pela permissão social para esses abusos todos, há uma dança doentia com a mulher ferida, que não raramente também manipula ou, na "melhor" das hipóteses, fica inerte, o que é uma forma de manipulação, de vitimização. Muitas vezes quem foi agredido nem se reconhece ao sair dessas relações, mas é inegável que houve interação, que houve co-participação. Há gozo no sofrimento, infelizmente; há uma mística entre agressor e agredido.
A situação só não progride quando você tem autoestima e pulso suficientes para cortar ao primeiro sinal, quando, aliás, se é capaz de se reconhecer num ambiente violento. Mas quem nos ensina essa capacidade? Quando há piedade, só Deus e o tempo.

Em defesa de Anitta

A política tá pegando fogo, mas a notícia que conquistou mi corazón esta semana foi a baixaria, promovida pela Semeadora da Discórdia Jojo Todynho, entre Anitta e Pablo Vittar feat Gominho feat Preta Gil. Tô rindo disso há quatro dias.
Olha, o que tem de gente com inveja de Anitta, não cabe no Maracanã. Sim, pra começar, ninguém chuta cachorro morto. Anitta deve ser metida, marrenta, mas o povo nunca vai confessar, nem ao médium depois de morto, que tá se roendo de inveja porque nem Ivete Sangalo, nem Sandy, nenhuma delas chegou na extensão da funkeira. Apenas.
Produtora
O trunfo de Anitta não é exatamente artístico; é que ela tem uma incomum habilidade entre os artistas nacionais: tem uma mente genial como produtora.
Os artistas brasileiros não têm a pegada de business que os americanos, por exemplo. Quer dizer, têm o pensamento business rasteiro, de ganhar dinheiro fácil, não de marcar época no entretenimento. Quando não é caça níquel, é todo mundo artístico demais, conceitual demais, autoral demais, querendo ser o que em 99% das vezes, na boa, não nasceu pra ser. Grandes nomes do pop não agem sozinhos criativamente, não ficam achando que voz e talento resolvem tudo. Beyonce tem Jay-Z; Michael Jackson, Quincy Jones; Eddie Kramer com três das maiores bandas de rock de todos os tempos; Luis Miguel tem a dobradinha com Kiko Cibriani. Os caras entendem que o sucesso é uma questão de time e não de ser escolhido por Deus.
A garota é boa pra sacar o que bomba nas pistas de dança. Compare com Ivete. Faz duetos com Deus e o mundo sem fazer a diferença na carreira de quase ninguém, mas pense em quanta gente Anitta já alavancou, a começar pela Pablo. Se ela quiser parar e só produzir artistas, garanto que continuará a se dar bem no negócio da música.
Mas artista de entretenimento no Brasil é preguiçoso, não estuda as coisas, se acha obra divina, então que curta a dor de cotovelo quando a coleguinha avança e vai mais longe que todo mundo... "Bem na sua cara".

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

I love HONY!

Uma das melhores páginas da internet trazendo frequentemente lições de vida, alguns verdadeiros tapas na cara. Amei o que disse essa mulher e sou fã desse tipo de gente lúcida e generosa.
Basicamente, rolou o seguinte: na mensagem de baixo, um homem conta que veio de um lar sem afeto, sem contato e que, aos 12 anos, encontrou isso em um homem mais velho, que não lhe ofereceu nada, não lhe perguntava nada, nem sequer lhe ofereceu uma experiência boa ou ruim, apenas algo que ele, naquela época, precisava emergencialmente, que era alguma conexão (neste caso, física). Choveram comentários críticos, politicamente corretos, alguns lamentando por ele, tratando-o como um pobre coitado. Daí entrou Ana, dona da porra toda (na mensagem de cima), dando um vrá nas certezas sobre a vida dessa galera burguesa, que provavelmente nunca passou por um grande aperto na vida e fala com pretensão sobre aquilo que não conhece. Ana lembrou que cada um faz o melhor que pode com a própria vida e que não há um modelo de vida a ser seguido por todos; alguns podem fazer o melhor que conseguem em circunstâncias que, para outros, seriam inaceitáveis, e está tudo certo. Mais do que pena, que é desnecessária, ajudaria ter respeito pela jornada do próximo. Pschiiiii!... 👊💓



quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Se saia!

Olha que texto bufado!
Gente, amor faz a gente se sentir bem e amado. Isso aí maltrata, rebaixa, tira a qualidade de vida. Quem expressa "amor" assim, precisa de compaixão e tratamento, não de complacência. A vida já é dura demais pra gente ficar aceitando receber o lixo emocional dos outros. Leiam essa pérola do que NÃO é amor (é cilada, cilada, cilada!...).
O cara de pau ainda diz, no final, que você não deve conviver com alguém assim, mas passa 90% do texto exaltando a doença emocional. Me poupe!...

Texto de Luciano Cazz“Acho que é bobagem a mania de fingir, negando a intenção.” Lulu SantosNesse artigo, 10 situações onde você jura que uma pessoa não liga para você, mas está enganado. Já passou por alguma delas?Tem gente que te ama muito mais do que você imagina.Muita gente desconhece que demostrar amor é o melhor elogio que alguém pode dar. Não confunda orgulho, baixa autoestima ou falta de personalidade com falta de amor. Às vezes, alguém pode ter amor por você, sim, apenas não aprendeu a gostar. Mas isso não quer dizer que você deva conviver com pessoas que se comportam dessa forma:1- Não reconhecem seus feitosQuando você realiza algo grandioso, fere ego da pessoa, mas não quer dizer que não gosta de você, apenas é incapaz de ficar feliz por questões internas dela mesma e não pelo que você é.2- Menosprezam sua pessoaAlgumas pessoas são muito orgulhosas para admitir amor. Então, elas são duras, em vez de dar carinho, pelo simples fato de que existe uma necessidade de se sentir superior devido sua fraca personalidade.3- Agem com indiferençaExistem pessoas que se sentem ridículas demostrando amor. São inseguras, preocupam-se muito com a opinião dos outros e por isso têm vergonha demonstrar sentimentos bons.4- Fazem maldades com vocêPessoas narcisistas ou perversas têm dificuldades de estar fora do centro das atenções e tendem a punir quando seus parceiros não os glorificam. Isso tem menos a ver com o amor que sentem por você e mais pela insegurança que têm sobre si mesmos.5- Nunca lhe procuramSão pessoas inseguras e sensíveis. Tem medo da rejeição e acreditam que não valem a pena para ninguém. E se você demorar a responder uma mensagem, vai enfatizar a desimportância que eles acreditam que têm e por isso nem arriscam.6- Não se preocupam com seus problemasNão quer dizer que não amam se não lhe apoiam como gostaria. Apenas acreditam que você é forte o suficiente para suportar qualquer situação ou muito inteligente para encontrar soluções sozinho.7- Colocam os outros contra vocêEssa é a maneira que uma pessoa fraca que lhe ama encontra para ter você só para ela. Fazendo intriga, ela tenta afastá-lo dos que lhe importam e ter a exclusividade da sua atenção e coração.8- Mentem muitoAs pessoas mentem para se proteger, inclusive, quanto mais amam, mais são capazes de esconder e manipular situações para que você as admire e mantenha-se apaixonado, mesmo sendo uma mentira de alguém com caráter falho.9- Não flertam com vocêVocê troca olhares com um homem, chama aquela mulher para sair, mas nunca acontece. O sentimento pode ser recíproco, mas suas qualidades assustam e fazem com que os outros pensem que você é muito para eles.10- Fogem quando lhe veemVocê tem absoluta certeza que aquela pessoa lhe detesta, mas, na verdade, ela corre de nervosa porque está tão apaixonada que suas pernas tremem quando vocês se encontram e ela tem muito medo de agir inadequadamente.Essas são algumas das insólitas contradições do ser humano que ama. Antes de uma pessoa gostar de você, ela precisa amar a si mesma. Muitos são incapazes de dizer “Eu te amo” por pura vaidade, vergonha ou receio da rejeição. Mas, então, que os seres evoluam e se sintam seguros para amar mais o outro sem medo.Que o amor jamais seja censurado e possa vir, então, em toda sua intensidade, de dentro para fora, de um para o outro, pois como diz a música… Quando um certo alguém desperta o sentimento, é melhor não resistir e se entregar…

Uma opinião impopular sobre um tema que me é caro

Sempre fui questionadora do machismo, das regras sociais para mulheres desde muito novinha. A primeira vez que me lembro de ter batido o pé pra defender meu direito de ser tratada como qualquer um foi com 4 anos. Peitei minha mãe que, por eu ser menina e ainda a caçula, sempre adorou fazer caridade às minhas custas, e eu nunca achei que deveria ceder para os outros só por ser mulher. Me desculpa, eu sou até generosa, mas antes disso, sou um indivíduo e, enquanto eu puder lutar, ninguém vai apagar isso. Aliás, se eu pudesse resumir o objetivo da minha vida em uma frase, seria assim: Luto para ser respeitada enquanto ser humano. Parece pouco, mas é muito. É uma labuta diária, esgotante, por vezes frustrante, mas é o sentido da minha vida. Acho que é por isso que me identifico tanto com a fala de Kirk Douglas em "Spartacus", "Eu não sou um animal" - se Deus quiser, até um dia os pobres animais serão respeitados.
Acho massa nessa nova onda feminista by redes sociais que se dê nome às coisas. Discursos ofensivos não são brincadeiras ou coisa de casal, são violência psicológica; agarrar não é brincadeira, é assédio. Isso é muito legal. Porém, apesar de conhecer bem o potencial que um homem nocivo tem de detonar a vida de uma mulher, meu lado "mulher viralata", que nunca coube muito bem dentro dos ideais de feminilidade, é bem pragmático e por isso contra uma ilusão das meninas de hoje: não é gritando "Xô, homens" que as coisas vão melhorar. Não mesmo. Nem contem com isso. Na vida real não é assim que a banda toca.
Daí então ontem, assistindo uma entrevista de Martha Medeiros, sempre sensata, ouvi ela dizendo o que eu penso: as coisas só vão mudar quando a autoestima da mulher for o foco, for trabalhada. O tapa na cara não vem no primeiro dia de relacionamento. Ele vem depois de muita humilhação psicológica, então é preciso focar naquilo que faz uma mulher ficar mesmo sendo abusada, ou seja, na baixa autoestima e na obrigação social de ter um relacionamento amoroso.
Se eu disser isso nas redes sociais, vou ser massacrada, mas sempre digo aos meus amigos: o homem só vai mudar quando a mulher mudar. E não vai ser fácil. Ser feminista, na prática, é a coisa mais difícil e dolorida que existe. Pense um ser que é criado pra agradar, pra ser gregário, pra ficar no backstage, de repente se impondo e perdendo pessoas por causa disso. Não é qualquer um que aguenta. Tem que, primeiro, gostar muito da própria companhia e nós não somos criadas para esse tipo de independência. A gente é criada para suportar o insuportável pelos outros, mas não por nós mesmas. E nesse ponto a sociedade é cruel: quanto mais você se esforça pra ser corajosa, mais as pessoas gostam de te humilhar, tentando mostrar o "seu lugar". Daí você escolhe se quer se colocar nele ou não. Durante a vida, eu simplesmente escolhi não me colocar em certos lugares. Fiquei sozinha, fui criticada, injustiçada, mas fiquei do meu lado. No fundo, é sobre como você se enxerga. Só um olhar justo e amoroso sobre si pode de fato mudar as coisas. Gostaria que todas soubessem disso. Gostaria que aquele menino de 9 anos que se suicidou por causa do bullying que sofreu por ser gay (outro desdobramento do machismo) soubesse disso. Pais deveriam criar suas crianças sem tanta dependência da aceitação social. Aliás, se pudesse iniciar uma cruzada, seria contra a dependência emocional, o verdadeiro câncer das relações humanas.

domingo, 19 de agosto de 2018

Santo Fuerte

Acho que já falei aqui que, nos últimos dois anos, pessoas que me eram caras saíram da minha vida. Mesmo as que ficaram, ficaram de uma forma menos romântica, mais realista, menos calorosa. Um dia eu me queixava disso, em uma conversa, que coisas estavam saindo sem que nada entrasse no lugar. A pessoa com quem eu conversava deu uma definição ótima. Disse que isso nada tinha a ver com solidão, mas que era um processo de reintegração de posse de mim mesma. Perfeito. Porque o afeto, a dependência emocional que eu tinha de certas coisas e pessoas, me fazia menos dona da minha própria felicidade que, afinal e ao final, só interessa a mim mesma e a mais ninguém. Perder essas pessoas e a expectativa de que trouxessem alegria à minha vida me fez mais feliz na minha própria companhia.
Chego à conclusão de que, realmente, as coisas são como têm que ser nessa vida.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Todo relacionamento é abusivo?


Aconteceu um episódio bizarro num relacionamento importante meu. Mas a coisa anda tão recorrente que eu nem consegui ficar consternada, como eu fico quando a pessoa ainda me importa, quando eu ainda tenho esperança, vontade de estar com; rendeu apenas frustração. Mais uma frustração.
Daí vem um monte de filho do capeta dizendo, ao discutir relacionamentos, que as pessoas hoje em dia não têm paciência. Mais uma meia verdade, e, como toda meia verdade, é pior que uma mentira.
Há gente que não aguenta nada e, ao mínimo sinal de desagrado ao ego, pula fora mesmo. Mas há situações que são degradantes, que vão minando o amor pelo outro e o amor próprio. Pra que ficar? Pra sair no tapa? Pra morrer de ressaca moral? Sempre me arrependi de ter ficado mais do que deveria, nunca do contrário. Só vale a pena dar chance a quem 1) reconhece que tá pisando na bola e 2) faz a tentativa de mudar. A essa altura, tenho zero paciência com a síndrome de Gabriela dos outros.
Daí, tava rodando por aí com os amigos e um deles falou que todo relacionamento é abusivo. Será? Acho que é outra meia verdade.
Acho que é impossível se relacionar, ser próximo, sem que o outro não mexa com as suas emoções, provocando, a partir disso, reações. Especialmente quando não se sabe onde se está pisando ou se é muito inseguro. Mas se não dá pra ser perfeito, dá pra ser equilibrado na maior parte do tempo. Concordo com um trecho de uma crônica de Ivan Martins: "Se você enxerga o outro como ele é, e continua apaixonado, gostando, então está bem. O limite é aquilo com que você pode conviver sem deixar de amar - e sem deixar de respeitar a si mesmo". Dá pra viver bem, apesar das humanidades de cada um. A pergunta é: está havendo esforço mútuo pra isso? O que eu mais vejo é um tentando heroicamente enquanto o outro só olha e bota defeito.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

A diferença entre inveja e cobiça

Percebo que as pessoas, de um modo geral, gostam muito de se pensarem invejadas e dão muita importância ao olho gordo dos outros. Bobagem. Se você cuida das suas coisas, não vai ser o mau olhado dos outros que vai te prejudicar. Porquinho que constrói casa sólida o lobo mau não consegue destruir. A inveja é, no máximo, triste, um desgosto, especialmente quando vem de gente que deveria torcer por você. Quando me percebi invejada, apenas senti isso: tristeza e uma certa pena da pessoa por se achar tão incapaz. Please, o que faz diferença na vida nem é capacidade, é confiança, trabalho e perseverança. É vontade. Quando um talento a mais se junta a uma vontade grande, algo poderoso acontece, claro, mas só talento não leva ninguém a lugar algum.
Por isso que eu não sou muito dada à inveja e quando me pego invejando, procuro reconhecer o mérito da pessoa. E procuro pensar que se alguém próximo a mim conseguiu, eu também posso ou poderia. Geralmente, quando me irrito com uma conquista de alguém, é porque julgo que houve maracutaia ou injustiça divina, assim como me irrito ao ver gente que merece padecendo, sofrendo para conquistar as coisas. Mas cada vez mais ando deixando essa questão da justiça para o Universo mesmo, afinal tudo tende ao equilíbrio, como tenho tido a oportunidade de testemunhar.
Do que adianta você "lograr o êxito" de ver alguém se lenhando? Isso vai melhorar sua vida? Ver aquela pessoa obtendo sucesso retira seu direito de ter boas coisas também? É isso, no final das contas, como os outros estão ou deixam de estar não interfere em nada.
Claro, eu também olho a vida dos outros e me inspiro nelas. Isso é muito diferente de inveja, que é acima de tudo não querer que os outros tenham boas coisas; querer ter também é cobiça e isso eu faço muito, desde pequena. Na verdade, eu acho que é algo recomendável: observe, pince as boas práticas e as adapte à sua vida. Dá pra aprender um monte olhando os outros. A cobiça, na verdade, é a base da lei do progresso. Se você nunca tivesse desejado pra você o que o outro tem, nunca teria progredido.

EDIT: Ouvi uma definição que também achei muito boa: cobiça é querer o que o outro tem; inveja é querer ser o que o outro é.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Depois do amor

Uma amiga minha tem o ex-namorado mais sem noção da face da Terra (não preciso dizer que é o meu ex favorito dela, e olha que ela tem vários, hehe). É o famoso maluco de bom coração.
Eles terminaram muito antes de eu conhecê-la - e isso faz quase uma década -, e na ocasião ela criava uma cadela que eles pegaram durante o namoro. Dividiam a guarda e, por isso, ainda se falavam. A cachorra morreu faz pouco tempo. Acha que ela se livrou dele? Que nada, a avó materna dela faleceu e lá estava ele, com filha a tira colo, herança do último relacionamento, dando toda a assistência à família.
Isso me lembra um amigo meu. Nosso contato começou com uma paquera, que não evoluiu, mas mesmo assim, até hoje, quando algo importante acontece a ele, de repente eu recebo um whatsapp. É engraçado porque às vezes eu até questiono o que aquela notícia tem a ver comigo, mas talvez ele só queira que eu saiba. Lembro que, na época, mesmo eu claramente vendo que o flerte inicial nunca ia evoluir, contando as histórias à minha terapeuta, ela comentava que o engraçado era que, apesar da gente não ter nada, ele me tratava como namorada.
Eu acho que algumas coisas extrapolam o desejo de ser um casal. Algumas pessoas continuam despertando o sentimento de serem uma base pra gente mesmo depois de tudo. Por isso, continuamos na insistência de mantê-las em nossas vidas. É uma grande homenagem.

Feminicídio

Na mesma semana em que a lei Maria da Penha completou 12 anos, 4 feminicídios aconteceram em pontos diferentes do país.
Um amigo meu, homem de bom coração, criticou uma das vítimas, que era independente financeiramente mas ficou tolerando os abusos do marido.
Cada caso é um caso, portanto vou falar de modo geral, da minha impressão a partir dos casos que já vi, li e da minha própria educação como mulher. A questão é que o buraco é bem mais embaixo.
Dinheiro é um fator importantíssimo para que as mulheres possam sair desse tipo de abuso que pode culminar em feminicídio, mas, pra mim, o fator crucial nesta equação é a (des)educação de meninas. E de meninos, mas como somos nós que morremos, a urgência na mudança é nossa, para que a gente saiba reconhecer e abandonar essas circunstâncias.
Mulheres não são coitadas, mas equivocadas em suas relações. Esse equívoco por vezes custa as suas vidas. São dois a meu ver os erros de compreensão: achar que seu autovalor está atrelado ao fato de ter (e manter a qualquer custo) parcerias, o que produz dependência emocional; que precisam sempre perdoar, aceitar as pessoas "como elas são", o que atrapalha que deem nomes às coisas e detona o amor próprio. Mas e se elas são cretinas e abusivas? O perdão nunca deveria vir na frente da nossa dignidade. Olhe os homens: ninguém dá mais ou menos valor a eles por conta de serem casados, bons amigos ou pais presentes; nem são estimulados a tolerar, muito pelo contrário.
Demorei décadas para retirar, sem culpa, quem não me trata bem da minha vida. Eu, que não sou das mais melosas, que não sou das mais frágeis, mas tinha guardadas em mim essas duas premissas que tanto me foderam a vida. Perdi muito tempo com quem não devia, em todos os âmbitos das relações afetivas. Hoje procuro ser melhor nos meus relacionamentos e busco pessoas melhores, que não precisam ser perfeitas, apenas me respeitarem. Regra de ouro na vida: quem é incapaz de reconhecer minha humanidade é impróprio para estar na minha vida íntima. Mas ensinam às mulheres que é virtude ser capacho.
Precisamos educar melhor as meninas. Abuso é o contrário do amor, não tem nada a ver "com o jeito dele". Amor não é luta, não deve ser um calvário; o que é bom pra gente apenas flui. Quem faz uma vez, se não fizer um trabalho interno, faz de novo. Coisas assim, que apelam à racionalidade, precisam ser ensinadas às meninas.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Reflexoes desimportantes I

Maria, Lucia e Julia trazem mais classe, mas Mariana, Luciana e Juliana são mais vivazes. Quando se chamam as primeiras, imaginam-se senhoras; sobre as últimas, jovens.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

intuição

Intuição é coisa séria.
Um exemplo bobo: precisava, dia desses, comprar tinta de cabelo. Passei numa farmácia, a loja mais próxima de minha casa, e cada tubo custava 25 reais. Fiquei muito tentada a comprar e resolver logo essa demanda, mas me bateu um pensamento de que era melhor ir nas Americanas do shopping. Deixei as tintas na farmácia - que saudade da rede Santana! -, fui no shopping depois e encontrei a mesma tinta por quase a metade do preço.
Poderia dar inúmeros exemplos de quando a intuição me avisou.
Dizem que as mulheres têm uma capacidade maior de intuir. Eu acho que é uma meia verdade. Não acho que essa capacidade seja diferente para homens e mulheres, mas acho que damos mais crédito ao que não podemos provar, mas sentimos. E nos permitimos mais conexões emocionais. Quando você se envolve, está conectado com alguém, as intuições sobre a pessoa aparecem. É por isso que mães acertam tanto.

sábado, 28 de julho de 2018

Fallaste corazón!



Quando você é independente, aquele tipo que, apesar da dor, dá um jeito de seguir em frente, importunando o mínimo possível os outros, há um efeito colateral nisso, que é as pessoas te tratarem como se você não fosse humana e não tivesse sentimentos. Mas se há pessoas que, apesar da intimidade, preferem te tratar como se fosse de ferro e não de carne e osso, é melhor se retirar. É impossível relacionar-se sem ser vista como gente que é.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Cada um por si

Dois amigos meus se separaram. Vou chamar o que tomou a iniciativa de Pessoa A e a outra figura de Pessoa B.
A saiu do relacionamento alegando mil razões e culpando B por um monte de coisas. B não entendia como A podia se sentir tão infeliz, se tudo que fazia era por amor, para agradar. Ficou um tempo em desespero, ficava importunando A com perguntas e súplicas, mas, por fim, seguiu a vida e, cá entre nós, está indo bem, para meu orgulho. A também cuidou da vida, mas, aparentemente, com menos sucesso, já que, ao ver B vivendo bem sem sua pessoa - a dor mais clássica ao final de paixões -, não aguentou e ofereceu amizade (visando a colorida, claro). B, ainda com sentimentos fortes, cedeu, apesar da razão lhe avisar que não seria uma boa ideia. Pelo silêncio de B ultimamente, deu merda.
No meu estilo papo reto, eu falei a B que se a A gostasse, não teria ido embora, não teria batido a porta de forma tão veemente. Sentir carinho não é amar, embora amar implique em sentir carinho. A está simplesmente cozinhando em banho maria B, pra assegurar que se algo der errado nesse sonho de liberdade, vai ter pra onde voltar (a ilusão é achar que as coisas não mudaram desde então).
Amo A, mas o seu egoísmo nessa situação me deu certeza de uma coisa que já suspeitava: no "amor" (porque esse estágio é para poucos, a maioria vive de paixão), cada um quer saber de si, mesmo que isso custe ao outro. Tá anotado, pode deixar. Só não sei que nível de entrega é possível fazer quando se vê essa parte dura da realidade.
Tem uma coisa que não falei a B, que não é fácil de perceber nesse tipo de situação. A pode estar se vingando. A palavra certa não é exatamente vingança. É mais um desleixo, uma falta de cuidado com o outro que advém de uma mágoa. É como se o fato de alguém ter me maltratado me liberasse de ser decente e ter consideração por essa pessoa. B errou, mas achando que tava fazendo o bem. A tá jogando pra cima. Quando os humilhados resolvem se exaltar, saia de baixo!

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Medo do conflito

Enquanto trabalho no computador, fico ouvindo palestras do YouTube. Um dos canais usuais é o da Cidade da Luz. Semana passada, Medrado pegou um tema legal de abordar: medo do conflito. Não há relacionamento humano próximo sem isso. Mas certas pessoas detestam ter uma conversa sobre coisas desagradáveis na relação. Não entendem que, sem isso, não é possível ser melhor, embora num primeiro momento seja desagradável. Mas vai ver não querem investir, é algo que pra elas não têm valor...
E esse sempre foi meu dilema. Se eu falo, sou gente ruim; se não falo, também sou gente ruim. Sobre isso aí, um parentese antes de continuar, de uma coisa que acho intrigante, pra não dizer sem noção: até entendo quem se aborrece com a DR quando a iniciativa parte da gente, mas nunca entendi quem provoca a zorra e acha ruim quando você responde. Quem desce pro play tem que estar preparado ou então melhor nem querer saber. E é bom, a depender, estar atento. Mesmo palavras desagradáveis podem te fornecer informação importante, pistas para você melhorar. Sempre lembro de Julia Roberts que, ao ser recusada para um teste, pedia feedback a quem a avaliou. Diante do constrangimento de alguns, ela argumentava: "me diz, eu preciso saber o que foi pra poder melhorar". Não sei se ela é humilde, mas que ela é esperta, é. Eu tenho essa filosofia, pra dentro e pra fora. Se alguém me diz algo, vou refletir a respeito, nem que seja horas depois, sozinha com os meus botões, com a cabeça mais fria. Se for uma pessoa cuja avaliação respeito, vou refletir com mais atenção ainda. E também dou minhas opiniões com seriedade, sobre amigos ou desafetos. Não vou fazer a cega por gostar muito de alguém nem vou dizer coisas que sei que são mentiras sobre alguém de quem não gosto só pra magoar. Eu vejo a crítica como informação, não gosto de quem inventa coisas só pra rebaixar o outro.
Mas voltando à vaca fria, as pessoas simplesmente querem que você engula os sapos e siga como se nada tivesse acontecido, achando tudo maravilhoso (nível Jardim de Infância). Sem sangue nas veias, sem senso crítico, sem expectativas. Assim tá fácil, né? Quem não quer? Por toda minha vida foi assim, acho que por muita necessidade de pertencer a certos espaços e a certos grupos que visivelmente não tinham a ver comigo. Perdi tempo que poderia ter gasto buscando algo mais adequado. Enfim, growing pains...
Um amigo meu aquarianamente não entendia essa minha angústia. Para ele, se está me fazendo sofrer falar ou não, é porque, de algum modo, já estou sozinha na situação. Então pra que se preocupar se o outro vai se aborrecer e vai embora se ele não está preocupado comigo? Ele tinha/tem razão. Aliás, Medrado falou a mesma coisa. Meninos e meninas, essa dica é importante; tomem nota.

terça-feira, 17 de julho de 2018

No me puedes dejar así

Que boca!

 Que sorriso!
 Qué guapo!!!!

Que charme!

E ninguém canta em espanhol melhor que ele! <3

Eu adoro Luís Miguel! Lindo desde sempre e até hoje, canta melhor que (quase) todo mundo, é canastrão, super carismático (só é meio Ivete Sangalo, confia na fidelidade dos fãs e há séculos não grava nada que preste). Minha versão preferida dele é a dos anos 90. O homem tava no auge da beleza e com toda a energia em cima do palco. Um deus, ave maria!... Até hoje, quando vejo, tenho microinfartos!...
Pois bem, um belo dia tô eu lá na Netflix, de bobeira, e vejo que naquele dia vai estrear a série sobre a vida dele. Temos que ver, né? Saudade de Micky, mi amor, hehe... Lá fui eu acompanhar essa série (e se tornou meu vício nos últimos três meses, meu e da América Latina inteira, o que ressuscitou a carreira dele by the way).
"Luis Miguel - La Serie" foi autorizada pelo cantor e conta com informações extraídas de entrevistas feitas com ele. Quem o conhece, diz que a Netflix contou a verdade, mas, claro, é dramaturgia, algumas coisas são floreadas. E é, ainda, o que ele resolveu contar, a versão dele dos fatos. Por exemplo, o pai dele foi transformado em um vilão da Disney, mas quem o conheceu disse que, apesar dele ter sido muito pior do que a série quis mostrar, era um tipo muito carismático, inteligente, a alma da festa quando queria. Vendo fotos, ele tem a maior cara de boa praça, não tem a expressão de Seu Madruga quando o Chaves apronta do Lusito Rey da ficção. Algumas coisas negativas sobre Luís Miguel foram até citadas, mas muito por cima. Exemplos: que o pai dava algo parecido com cocaína para ele ter pique para trabalhar sem parar quando era pré-adolescente; que o pai obrigava a esposa a fazer coisas que ela não queria e a empurrou para um cara importante no México para alavancar a carreira do menino; que Luís Miguel era mulherengo e consumia cocaína na adolescência, dando a entender que quando ele mudou de empresário, parou com certas condutas por influência de Hugo Lopez, um tipo de homem oposto ao pai-psico dele. Foi curiosa a eleição dele dos fatos de destaque na série porque foi uma seleção bem afetiva. A carreira foi um pano de fundo para mostrar quem foi emocionalmente importante para ele nos primeiros dez anos da carreira, tempo em que, realmente, muita, muita coisa aconteceu.
Outra coisa que é queimação de filme e só apareceu no finalzinho, prometendo ser destaque na próxima temporada, é o abandono parental. Luis Miguel foi péssimo com a filha mais velha e, ainda hoje, há rumores de que faz o mesmo com os dois filhos menores. A relação com a mais velha foi a típica: ele engravidou uma amiga colorida, não assumiu a menina (ficou dando como desculpa o fato de que poderia ser do namorado dela), a moça, que vinha de uma família rica e famosa, ficou quieta e só quando uma namorada gente boa o pressionou, ele foi conhecer a guria, que deixou de ver assim que esse namoro terminou, só retornando o contato com a filha 11 anos mais tarde, quando a mãe dos outros dois filhos insistiu.
Na escolha dos pares amorosos, ele continuou tendo esse critério afetivo (tem que filtrar mesmo, porque se for mostrar todo mundo, vai render por baixo umas cinco temporadas, hehe). Falou da primeira relação importante dele com uma pessoa que foi de fundamental apoio durante o turbilhão do rompimento com o pai e também da mulher que ele classificou, em entrevista aos roteiristas, como o "amor da sua vida", a pessoa que "só de olhar, já se entendiam", uma moça que ele conhecia desde a infância, que foi seu primeiro amor e a relação mais longa dele, que chegou a pedi-la em casamento; foi a figura que esteve ao lado dele em momentos decisivos e dramáticos. Parece que ela não queria visibilidade para o relacionamento (não precisava, pois vinha de uma família muito poderosa) e que ela não aguentou mais o assédio das mulheres em cima dele e resolveu terminar. Ela já está casada com um sujeito há 13 anos (o que virou piada no México, do tipo "A pessoa desiste de Luis Miguel pra casar com alguém que não chega na unha"). Elegantemente, ela agradeceu o carinho dele ao se lembrar dela assim, mas ficou desconfortável com o assunto. Eu ficaria também pelo meu marido. Tadinho de Sérgio Mayer, hehe...
Olha, Luis Miguel jovem é um dos cinco homens famosos de quem eu gostaria de ser até a toalha, só pra dar uma roçadinha. Portanto, acho louca qualquer uma que tenha resolvido, nos anos 90, romper o relacionamento com ele. Se Érika/Issabela Camil é sensível às energias, deve ter sentido a indignação de toda a América Latina nos últimos seis domingos. Até eu, que sei separar personagem da vida real, tive vontade de gritar com ela: "es Luis Miguel, coño!". Hehe... Mas, resumidamente, o que me pareceu é que Erika, desde o começo, ficou se sabotando, botando dificuldade em coisas que não precisavam ser tão difíceis, querendo antecipar o medo dela de não dar certo, com medo de ser engolida pela magnitude da fama dele. Se era pra ser, queimou-se o cartucho. O medo de amar dela foi forte. Esqueça que se tratava de um cantor famoso. Quantas vezes, diante de algo potencialmente muito especial, a gente se sabota?
Não seja Érika na vida... Ou melhor, não seja Luis Miguel, porque se ela fez assim provavelmente ele a deixou insegura desde o começo. Sou fã, mas sinto que ali deve ser galinha até a raiz do cabelo e homem assim não tem mulher que mude, pois simplesmente ninguém muda por causa dos outros.

domingo, 8 de julho de 2018

Genial

Deus tem o melhor contrato de marketing da Terra: quando tudo dá certo, o mérito é dele; quando dá errado, é culpa do ser humano mesmo. Também quero um assim.

domingo, 1 de julho de 2018

Não entro em clube que me aceita

Tenho um amigo que se separou e que me assustou muito, a princípio, pela resistência em aceitar. Não faz tanto tempo assim que ele se separou, mas tá tentando ter autoestima, tocar a vida. Tá difícil - naturalíssimo -, mas ele persiste em superar.
Infelizmente, nem todo mundo tem essa visão e há quem passe anos insistindo em algo que até as formigas sabem que vai dar em nada. Tem nome pra isso, aliás, dois nomes que geralmente andam bem juntinhos: baixa autoestima e carência.
Tem gente que passa a vida inteira nessa: negligencia quem lhe corresponde e vive focando em quem não tá nem aí. Eu já fui dessas, muito recentemente tomei tenência (em processo ainda). Isso é falta de amor próprio, gente. E por mais que o outro colabore (e às vezes até tire proveito) com essa falta de amor próprio, é a gente que se coloca nessa situação. E, vamos admitir, não tem condições de dar valor a quem não se dá valor. Dói ver isso, mas o amor vem de dentro.


Como os nossos pais

Outro dia vi um vídeo de Jim Carrey discursando numa formatura sobre a questão da vocação. Basicamente, ele falou duas coisas que me chamaram a atenção: que ele identificava no seu pai o mesmo talento que ele tem, mas o pai preferiu fazer escolhas mais pragmáticas; e que justamente o fato do pai ter sido pragmático e ter se dado mal fez ele tomar um rumo não pragmático, mas vocacional. "Se é para viver uma vida instável, que seja por algo de que goste", foi mais ou menos o que ele disse.
Lembrei na hora de meu pai. Acho que escolhi o Jornalismo não só porque gostava de ler e escrever, mas para resgatar uma vocação que meu pai tinha e nunca exerceu por preferir a segurança. Que, hoje eu vejo, era a dele e não a minha. Acho que meus sobrinhos vão ter que resgatar isso, não eu. hehe...

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Amor e sexo


Acho que todo mundo cresceu ouvindo que homens sabem separar amor de sexo. Basta dar uma olhada ao redor para ver que, apesar de toda a liberação, para as mulheres ainda não é assim, e, portanto, é meio difícil de acreditar que eles realmente operem tão racionalmente, compartimentando as coisas. 
O caso é que uma série de conversas tem me dado a real de que isso não é lenda, acontece de verdade. Amigos apaixonados por seus pares dizem que vão buscar sexo na rua como quem vai na academia, como uma necessidade fisiológica e que, inclusive, na comparação com o/a "pegante" do dia, ficam até mais apaixonados por quem dividem a vida. E eu senti que essa afirmação foi sincera. Me sensibilizou, me deixou reflexiva, mas não me convenceu 100%. O caso é que algo ainda me cheira a esperteza e egoísmo nesse discurso, na maioria das vezes que o ouço. Primeiro, se é tão natural, tão explicável assim, por que isso causaria transtornos emocionais caso o/a parceiro/a também praticasse a mesma infidelidade? Porque eu aposto que não seria encarado racionalmente como eles mesmo encaram o próprio comportamento. Outra coisa, mesmo admitindo sexo casual como uma necessidade fisiológica, há gradações e limites. Por exemplo, é muito diferente ter sexo com alguém por algumas horas e nunca mais ver a criatura de ter um caso. Quando se sente necessidade de vínculo com outra pessoa, algo não está rolando direito no casal. Outra coisa que ninguém discute é o descompasso de libido dentro de um casal. Como resolver? E se você der azar de gostar muito de sexo e amar uma pessoa pouco a fim disso?
Isso não quer dizer que eu seja contra, apenas não acho positivo nesse contexto. Do jeito que as coisas ainda funcionam, essa separação serve quase sempre muito bem a quem não se vincula (já falamos sobre isso aqui) e a quem não tem muito bom caráter (que, em alguns casos pontuais, pode até gostar de quem está traindo, mas é um gostar duvidoso a meu ver; se gostasse pra valer, admitiria a liberdade, também, do outro lado). Essa cisão psíquica seria interessantíssima num ambiente mais maduro. Imagine o quanto seria mais fácil a vida se as pessoas pudessem se aproximar das outras sem ter esse peso do relacionamento, de corresponder a sentimentos, só por atração, por escolha de passar alguns momentos juntos. O meu problema é que a maioria é imatura e homens, especialmente, tendem a tratar mulheres, nessas circunstâncias, como um buraco pra enfiar o pinto, como a mulher número 50 que comeu, por mais que nem ele admita. Eu posso abrir mão de ser amada, mas nunca de ser respeitada. Afinal, uma coisa não muda: sou um ser humano e tenho sentimentos. 

terça-feira, 19 de junho de 2018

Fuga e dependência

Rossandro Klinjey fala umas coisas fortes nesse vídeo, nem todas tão verdadeiras, mas provocam uma reflexão.

sábado, 9 de junho de 2018

Eu quero é que faleça!

Sim, eu tô na vibe Clodovil: se não me trata bem, eu quero mais é que faleça! (risos)
Cansei de conciliar, de engolir sapo em nome do conjunto. Quem quer, faz por onde.

Cada vez mais acredito que generosidade a gente só deve ter com quem é maduro ou com desconhecidos, que a generosidade só faz sentido para causas sociais. Ser humano é, geralmente, muito FDP.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Mais uma portaria deste blog

De agora em diante, será feito o que tiver que ser feito, sem se importar em ser compreensiva com os outros.
Grata. De nada.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Às vezes a gente percebe que é feito de carne e osso

Duas amizades minhas estão quase surtando por causa de amores não correspondidos. Uma delas está perto mesmo de um surto psicótico, o que me deixou bem triste quando soube; foi quase inacreditável. O que mais me assusta é que é gente até então equilibrada, sensata, mas que não tá conseguindo mais controlar a situação, lidar com os próprios sentimentos. Amor, assim como o ódio, é tóxico. Por isso mesmo, pela potência da coisa, não é pra resistir, é pra aceitar. E aceitar não quer dizer valorizar, dar atenção, dar vazão em alguns casos. É como perder o braço ou o pai: não se controla, só nos resta conviver com o fato mesmo. Aceitar e não "lutar por" ou "lutar contra".
Mas somos tão pressionados a vivermos como se fossemos de ferro, que esquecemos que somos feitos de carne, como dizia Freud. Pire aí, as pessoas estão adoecendo porque estão amando, estão surtando porque não sabem o que fazer com os próprios sentimentos, estão abaladas porque não se amam e não aguentam que o outro também não. Que louco, rei!...
Se sofrer é a merda das merdas, há pelo menos algo bonito que às vezes resulta disso: a gente se humaniza ao atravessar essas portas. A gente entende mais os outros quando sente na própria carne.

sábado, 2 de junho de 2018

O que não tem remédio

... Remediado está, já dizia alguém, provavelmente a vizinha.
Quanto mais eu vejo, mais certeza eu tenho que não tem jeito, não: o ser humano é egoísta; como disse a entidade pra José Medrado, não é à toa que só se coça pra dentro (risos). Há um pouco de amargura nessa minha frase, mas já foi mais. Tá mais pra constatação mesmo. É uma das coisas que a gente precisa aceitar, embora seja amargo pra burro, a fim de não morrer de desgosto com falsas expectativas. É como aceitar que a vida não te deve nada e que tudo que nos acontece é um tanto aleatório.
Eu hoje não acredito mais (majoritariamente) em certas coisas. Algumas desonestidades eu já aceitei que estão banais. Mas algumas delas eu lamento mesmo que tenham sido naturalizadas, não por uma questão moral, mas por uma questão estética da vida. Nobreza de alma é um treco que enfeita a vida. Olhar pra trás e ver que se agiu com o coração (ser egoísta tá longe disso), que houve mesmo mistura com os outros, com a sua comunidade, com os seus, com o seu tempo. Mas também aprendi que, num mundo em que cada vez mais se estimula o exibicionismo, quantidade e não qualidade ditam o ritmo. E não dá pra fugir da realidade. E só vai ser generoso quem realmente tem isso na essência, apesar de tudo conspirar contra.

sábado, 19 de maio de 2018

O que é bom é facinho

Esse texto, de Ivan Martins, foi um divisor de águas na minha compreensão sobre a vida. O que for pra ser da gente pode até nos exigir energia e coragem, mas nunca insistência, humilhação. Vai chegar quando tiver que chegar.

E por falar nesta coluna, revendo alguns textos dela - ele acaba de lançar um blog -, me deparei com um que me rendeu outra epifania: se por um lado as pessoas não me enxergam por uma ilusão de que estão fazendo isso, criada pelo egoísmo, eu também não as enxergo, sempre as vejo melhores do que são (para a minha conveniência), pela lente deformada da generosidade. Dr. Gikovate tinha razão: as duas características são farinha do mesmo saco. Segue o link: https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/noticia/2016/07/que-tal-olhar-para-o-outro.html


Casamento e separações

2018: o ano em que todo mundo resolveu se separar, menos o Harry e a Meghan, que não estão no Canadá, mas casaram na capital do ex-império hoje.
Tomara que dure, mas, mesmo que não, o importante é que seja bom. E que aprendam com o que não foi.
A vida é assim: início, meio e fim. Pena que as pessoas achem que um casal é fusão de dois em um. Acho que é isso que estraga tudo. Não deveríamos desumanizar quem dizemos amar. Por mais tentador que seja, especialmente se você adora comédias românticas, não seja essa pessoa, senão você vai ter dois problemas ao se separar.

domingo, 13 de maio de 2018

... Ainda exista amor pra recomeçar!

Para Felipe, Luísa e Beatriz, a quem eu desejo alegria e resiliência para atravessar essa vida.

A vida bate forte.
Às vezes, bate muito forte, tanto que a gente nem acha que vai aguentar. Vez ou outra, a gente beija a lona e nem dá vontade de levantar pra poupar uma nova viagem de volta ao chão. Eu não poderia falar sobre como parar de doer, mas acho que posso falar de como aguentar. Ô!... Só eu e Deus sabemos.
Para aguentar e atravessar o desespero, é preciso se gostar, achar que você vale a pena. A gente só luta por algo que tem relevância, valor. O caso é que a maioria de nós depende muito, excessivamente do retorno externo. Não somos estimulados ao fortalecimento interno, não vemos graça nas vitórias ocultas, sem plateia. É a senha para a baixa autoestima, para o cinismo, para a descrença em si, para a vontade de desistir e até para maldade em alguns casos.
Somos seres sociais, eu também sou, mas, desde criancinha, a última palavra, a que realmente conta é a minha. Mesmo quando eu era elogiada, se aquele elogio não passasse pelo meu próprio crivo, entrava por um ouvido e saia pelo outro. Passei por muitas provações, sofri muitas decepções, passei fases duríssimas sem uma viva alma para me dar suporte - pelo contrário, nessas horas ainda descobri a indiferença de quem eu mais esperava acolhimento. Poderia ter feito muita coisa ruim, com os outros ou comigo, a partir disso, mas resisti. Resisti e persisti porque produzi uma relação de admiração comigo mesma, eu acho que valho a pena e sinto que, um dia, o que eu plantei, vou colher - e plantei coisas bonitas, eu sei. Eu ainda não tenho "resultados", mas eu tenho valores e uma coleção de boas atitudes para me orgulhar - e um diferencial: eu cuido das pessoas. Quem me tiver na vida, tem sorte. Pena que pouquíssima gente se toca disso - justamente porque as pessoas vão atrás de quem vai "agregar ao camarote", do externo, do status -, mas hoje sei que isso é problema delas, não meu (confesso que também demorei). Bato a cabeça no travesseiro e sei que ser humano eu sou, e basta por hora.
Admirar a pessoa que eu me tornei não tem a ver com perfeição. Não preciso ser só qualidades para ser digna da minha própria estima ou do amor de qualquer pessoa. Tentar de verdade, ter boa intenção e buscar o aprendizado, enfim, estar na direção da positividade já dá lastro para isso. O ótimo não pode ser inimigo do bom, sacou?
Se admirar também não tem a ver com o que os outros acham de você, porque muitas vezes isso é reflexo deles e não o resultado de uma atenção de fato a quem você é. Quantas pessoas do seu entorno realmente tem olhos pra você? Digo, gente que sabe ver sua luz e sua sombra? Pouca gente mesmo vai ter condição de te dar um feedback. Saiba filtrar, não se impressione com qualquer opinião, boa ou ruim. 
Mas ter a consciência de si não é algo rápido nem fácil. É o investimento de uma vida inteira, é a construção de uma relação de respeito, amor e paciência para consigo mesmo, a única pessoa que não rende elogios nas redes sociais nem testemunho da nossa grandeza. Integridade, nesta sociedade de hoje, não rende plateia. E é difícil ver luz interna especialmente nos momentos de dificuldade, quando tudo parece ruim, inclusive a gente. Bem, não vai ter tapinhas nas costas, mas na hora do aperto, quando você lembrar quem é você, vai sentir que um histórico assim não é de se jogar fora, muito menos no lixo. Vai ter fé em um final feliz pra essa heroína do dia a dia. Vai ter orgulho de ser você até nos piores dias.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

A falácia do bom rapaz (a máscara que esconde um machistão)

Minha geração de mulheres é uma geração de transição. Foi a gente que inaugurou o ficar de modo massivo, no início dos anos 1990, e naturalizou o ser mais livre nas relações amorosas. Mas a gente também foi criada com uma visão bem tradicional sobre os relacionamentos. O resultado é que crescemos e vivemos com "mixed emotions".
A gente ainda tem na mente os modelos de "mulher para casar" e do "bom rapaz". Eu, por exemplo, demorei à beça para perceber a esparrela contida nesses tipos e algumas de nós nem vislumbra que se trata de uma armadilha. Conheço várias mulheres esclarecidas que botam fé na boa mocice delas e na cara falsa de bom rapaz deles. Oh, coitadas!...
A tal mulher pra casar e os homens. Na juventude, aquele olhar comedor, que olha e examina de cima a baixo, que também admira a conduta, mas, sabe como é, "na volta a gente compra", não é hora pra isso. A boa moça é aquela com quem não se esculhamba, pois com essas o sujeito não se casa, só curte a vida. A boa moça é aquela que, depois do cara se lambuzar com tudo que a liberdade sexual tem para oferecer a um macho alfa, se ela ainda estiver por aí, ele casa. Ou isso, ou o cara já quer casar com ela com 20, para garantir... E ela vai cuidar dele e dos filhos, afinal, as boas mulheres são para isso; é a recompensa pelo favor do casamento, esse sacrifício feito pelo homem.
Eu passei muito tempo achando que isso era bom, que ser a "mulher pra curtir" era ser desumanizada pelos homens, mas percebi que, quando se trata do cara errado, não existe respeito seja lá o que faça uma mulher.
O bom rapaz que procura a mulher para casar não vê nela um outro ser humano igual a ele - quiça porque nem ele se vê como ser humano -, mas uma aquisição. Ele é incapaz de amá-la, pois, justamente, não consegue reconhecer a humanidade dela. Sabe cão de estimação? Pois é, a mulher é isso: um ser fofinho, amável, mas a serviço do dono sempre. É como um carro: atende uma expectativa do dono, significa um status social e é, sobretudo, uma posse. Não é lisonjeiro ser a mulher pra casar ou qualquer mulher de homem machista. É bem triste.
Agradeço às deusas nunca ter ido adiante com nenhum bom rapaz. :)

PS.: A boa moça também não existe, é deformação cultural, tipo pé de bailarina esmagado pela sapatilha apertada.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Eu ainda gosto de Daniel Cleaver


Eu sempre torci por Darcy, mas continuo me encantando com Daniel Cleaver - quem conhece Bridget Jones me entenderá.
Não amadureci tanto assim, pelo visto. Mas cafas, como Daniel, não são tão ruins como parece. Eles dão algo à mulher pelo menos: um pouco de romance, charme, fantasia, enfim, mentiras sinceras. Reclamava-se deles, mas hoje os homens igualmente não prestam, porém nem dão nada.
Sempre pode piorar.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Antipatia aos dois extremos

Percebi que tenho antipatia a dois tipos de pessoas:

1) As que acham que todo mundo tem que dar conta, sem direito a fraquejar de vez em quando ou desistir. No c* é refresco, né, santa?!
2) Gente autoindulgente que não sabe se dizer "Não". Desculpa, você é um mimado e vai se lascar se continuar assim, porque a vida exige, em alguns momentos, disciplina e resiliência.

sábado, 31 de março de 2018

I´m not dog, no...

... Pra viver nesse meio jornalístico onde só tem tapado!
Deus me defenda e me livre desse povo e ligeiro!

Eu NÃO aguento mais:

- Ir pras reuniões e o povo ficar se gabando, num estilo quase American Pie, de umas trepadas meia boca e de umas cachaças decadentes não sei onde e com não sei quem, quando não ficam comentando das trepadas e cachaças dos outros. O papo é só isso, sem quase variação.

- Os discursos politizados de quem não consegue nem ser generoso com quem tá do lado, nem com os próprios "amigos" e companheiros. Mas a pessoa jura que é consciente e vai salvar o mundo.

- Gente que trabalha em condições horrorosas, quando muito ganha 3 mil reais, mas finge que está no melhor emprego do mundo. Finge porque, longe das redes sociais, abre o verbo e admite que é uma desgraça, que só não sai porque não tem outra coisa.

- Todo mundo bancando o digital influencer nas redes sociais, pra ver se ganha de graça. Affff!...

- Todo mundo só ler, ouvir e assistir as mesmas coisas validadas pelos pares. É impressionante esta "coincidência"...

- As piadas altamente sem graça dos machos dessa profissão. Gente, quando é que vocês vão aprender que chamar o outro de "viado" não é engraçado, que substituir o "u" pelo "ivis" é sem graça de chorar e que ninguém mais suporta comentários do tipo, quando aparece uma foto dos "ômi" reunidos: "Isso é formação de quadrilha". Um bocado de menino amarelo e é formação de quadrilha?! Se compreendam! Tá mais pra Clube Cremogema!...

- As selfies diárias de uma certa turma nas redes sociais.

- As histórias sem graça de uma mulherada que trata os filhos como a coisa mais interessante da galáxia, sendo que são crianças absolutamente comuns, sem nada de especial.

- Gente superficial, que não tá nem aí pra você, que provavelmente vai descer a madeira em você assim que virar as costas e, pior, que ainda acha que está te enganando ao se fingir de legal, de amigo. Ô, gente!... Além de chatos, pretensiosos. Pior raça.

Não está sendo fácil. Preciso passar em um concurso urgentemente.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Nem tudo é sobre você

Ok, lendo as colunas antigas de Ivan Martins, caiu a minha ficha de que o egoísmo é a regra nas relações sociais e que nós, brasileiros, como ele bem disse no texto "Brutalidade afetiva", agimos movidos por sentimentos, não por valores (frase perfeita! tô quase tatuando...). Mas uma expressão quase nunca percebida desse egoísmo me dá uma agonia secreta, que é achar que é tudo sempre sobre si mesmo, o famoso egocentrismo.
Exemplo: todo mundo acha que está sendo o tempo todo invejado, agredido, sabotado pelos outros. Partindo do pressuposto que é verdade, mesmo assim, nem sempre o sofrimento do próximo tem a ver com você. Às vezes você é apenas o fio condutor de outra coisa, um mero catalizador, na verdade, não passa de um coadjuvante nessa história.
Desde a adolescência, eu sei quando minha mãe quer realmente me atingir ou quando ela faz isso por uma questão de oportunidade, ou seja, não poder descontar no alvo e acaba descontando em mim, a pessoa mais próxima. Mas esse não é bem o exemplo do que eu quero falar...
Vejamos um exemplo melhor: quando fiz vestibular pra Jornalismo, minha melhor amiga na época e uma outra amiga em comum fizeram também. De nós três, a minha melhor amiga era a mais a fim da carreira, pois o pai era jornalista, e foi justo ela que não passou nem na primeira fase da UFBA. Fiquei sabendo que ela ligou pra outra amiga pra desejar os parabéns, mas para mim não disse nada. Pelo contrário, ainda fingiu não ter me visto numa festa três dias depois do resultado só pra não ter que me dar os parabéns. Eu forcei ela a me ver, hehe. Lógico que essa situação revelou algo sobre a nossa "amizade": ela não me considerava nem o suficiente para disfarçar o orgulho ferido e fazer o que tinha que ser feito, que era me cumprimentar. Ou seja, a amizade era unilateral, era minha, a afeição dela era bem fraca. Mas, ali, o sofrimento principal era ela se achar burra, era ela mais uma vez ficando para trás de mim academicamente, só que agora valia algo que ela queria muito. Era o complexo dela, iniciado com os pais, que sempre compararam ela com a irmã, que ela achava mais inteligente (mas só passava colando), bonita, e etc. Era ela se confirmando burra, coisa que ela sempre pensou de si mesma.
Agora vai: sabe aquela pessoa que toda vida foi gorda e que, com perseverança, perde 25 kg e a galera mais próxima começa a detonar, dizendo que a pessoa tá exagerando, que isso e aquilo? É isso, as pessoas não estão exatamente bravas com você, mas com o que o seu exemplo fez elas verem sobre elas mesmas. O azedume não é com você, é interno, com a própria falta de decisão, de força de vontade. Isso, claro, mostra a falta de generosidade delas com você, mas, aceite, não é sobre você. Não se dê tanta importância. É igualmente feio e egoísta.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Cultura brasileira de descaso

Brutalidade afetiva


Não estamos acostumados a tratar o outro com o cuidado com que queremos ser tratados


Ivan Martins

Vistos de perto, somos uma gente descuidada e bruta no trato íntimo. Há pessoas preocupadas com os sentimentos dos outros, mas são minoria. No atacado, oferecemos um show coletivo de descaso e grosserias. A regra principal, que parece única, é assim: se eu estiver interessado, apaixonado ou com tesão, corro atrás e me desvelo. Se não estiver, ou se não estiver mais, azar. O outro será ignorado ou destratado.
Não estou fazendo uma queixa, embora pudesse. É mais uma autocrítica, inspirada pelas conversas com gente que vive fora do Brasil ou se relaciona com estrangeiros. As histórias que me contam fazem notar que temos por aqui pouca atenção e pouco respeito pelo outro – mesmo por pessoas que dividem seu corpo, seu tempo e seus sentimentos conosco. Achamos que a atenção e o carinho que recebemos são uma espécie de direito natural. Logo, não precisam ser retribuídos. Isso torna as delicadezas supérfluas.
Uma amiga que mora na Holanda foi transar com um cara de uns 40 anos – depois de saírem duas vezes – e, quando a noite se aproximava do desfecho, ele perguntou, delicadamente, se estaria bem para ela que fosse apenas sexo casual. Ele vinha de um relacionamento, ainda estava ligado a outra mulher e, embora muito atraído pela minha amiga, não queria magoá-la ou criar expectativas falsas. Um fofo, me disse ela. Transaram.
A parte cômica da história é que ela mesma não tinha vontade alguma de namorar, mas nem lhe passou pela cabeça dar o mesmo aviso. Na mentalidade brasileira, é cada um por si. A gente não diz coisas que possam atrapalhar nossos planos imediatos. Pegamos o que precisamos e o outro que se vire com os sentimentos dele. Se o holandês de minha amiga estivesse apaixonado e cheio de boas intenções, azar dele. Descobriria no dia seguinte que ela tinha outros planos.
Acho que isso revela um traço da cultura do país. Somos movidos por sentimentos, não por valores. Se eu gosto de alguém, se estiver apaixonado, faço por ele ou por ela o que estrangeiros não fariam. Sempre como um ato emocional. Mas, se os sentimentos não se manifestam, achamos não ter obrigação alguma para com o outro. eja amante, vizinho ou transeunte. Nossa famosa cordialidade é interessada, interesseira. Aparece quando queremos algo do outro. Sexo ou amor, frequentemente.
Esse modo de agir torna a brutalidade afetiva uma moeda corrente. Se saímos com alguém e não nos apaixonamos, o padrão de tratamento desaba. Antes, um príncipe. Depois, um desaparecido. Ou uma ogra de unhas vermelhas. A gente diz que vai telefonar e não telefona. A gente ignora mensagens diretas nas redes sociais. A gente cancela encontros na última hora. A gente trata mal, enfim. Tem gente que aparece com uma pessoa nova na frente daquela com quem estava até ontem, numa demonstração espantosa de descaso. Se alguém reclama, é mimimi. A coisa só fica séria quando fazem tudo isso com a gente. Então é intolerável.
Não estou dizendo – vejam bem – que a gente nunca vai desapontar ninguém e que toda transa deve terminar em relacionamento ou namoro. Isso seria impossível. O que estou dizendo é que as pessoas merecem nossa atenção e nosso cuidado mesmo quando não as desejamos mais, ou não estamos apaixonados por elas. O que estou dizendo, além disso, é que os sentimentos que são claros deveriam ser comunicados ao outro, sobretudo quando são contrários aos sentimentos que ele ou ela manifesta. Se a moça está ficando paixonada e você não, avise. Do contrário é sacanagem.
Na selvageria relacional em que vivemos, a sinceridade tem valor baixo. O que passa entre nós por gentileza é muitas vezes uma forma de enganar o outro. Na hora de seduzir, você não diz que está emocionalmente indisponível, apaixonado por outra mulher. Na hora de ficar com o cara gato, que é meio ingênuo mas tem bom coração, você finge que ele é o homem mais interessante do mundo. A verdade não faz parte cotidiana de nossa existência sexual e afetiva. Coisas que não são lisonjeiras (e podem afastar o outro da gente) são mencionadas apenas em momentos de crise. A gente só diz a verdade sob pressão.
Queremos tanto que gostem da gente que não nos importamos em iludir para sermos amados. Depois, quando o afeto dele ou dela não importa mais, nos tornamos francos. Quer dizer, insensíveis e até grosseiros.
Como toda cultura afetiva, a nossa deve ter vantagens e desvantagens. Talvez europeus e americanos sejam menos apaixonados do que nós. Talvez nossa intimidade seja mais rica. Não sei. Mas parece que eles têm códigos de conduta mais claros, que valem para todos os estados emocionais.
Lembro de uma amiga brasileira que vive na Itália contando que levou broncas em seus primeiros anos por lá. Dizia que telefonaria e não telefonava. Dizia que apareceria e não aparecia. Agia como apaixonada, sem estar. As pessoas ficavam bravas com ela. Não estão acostumadas a isso.
Aqui, é o contrário. Sofremos e praticamos todo tipo de desatenção. Na verdade, não estamos acostumados a tratar o outro com o cuidado com que desejamos ser tratados.

Que meda!

Um amigo meu foi demitido do A TARDE. Profissional bom, vai fazer falta, mas quem demitiu tá zero preocupada com isso. Foi aquela choradeira. Quando eu saí, não chorei. Acho que não desenvolvi uma conexão emocional com os meus empregos no jornalismo até então. Sei que quando a gente fala isso, parece que é "o" maduro, "o" foda, mas não é o caso. Se a pessoa analisar direitinho o que eu disse, vai ver que é falta de conexão com a profissão. As pessoas choram porque estão deixando o sonho pra trás. Quando eu saí do jornal, já não era mais meu sonho. Na verdade, eu temia ter que sobreviver do jornalismo, medo que persiste até hoje. Deus me ajude a encontrar solução pra isso.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Angústia

Tenho uma amiga que é terapeuta. Nós estávamos conversando sobre o caso da mãe de um amigo meu, sobre o equívoco de certas mulheres de se ferirem pra atingir o ex parceiro, quando, na verdade, faz-se uma grande homenagem ao traste. Concordamos que a melhor resposta é ser feliz. Quer deixar um ex puto? Viva feliz sem ele. Mata qualquer pessoa de recalque. Só cuidado porque ele pode querer voltar. Nesta hora, é bom apelar à lucidez pra não se iludir que isso é amor (spoiler: é posse, egoísmo puro). Quem ama, faz por onde... antes, não depois.
Minha amiga, que, claro, também atende homens, afirma que é outra cabeça, bem mais objetiva e pragmática. E isso às vezes dá angústia nela, pois a mulher é criada pra ficar super interpretando, perdoando (Quem nunca? Caí numa dessa para nunca mais. O pior é ver que se, na época, tivesse autoestima, isso nunca teria acontecido. Amor próprio salva a gente de tanta coisa ruim...). Contou o caso de uma paciente super apaixonada pelo namorado, já comprando tudo pra ir morar com a criatura, se gabando que ele cuidava dela e minha amiga, em conversa com ele, descobriu que o fulano não tá nem aí pra namorada. O cara disse, com todas as letras, que só é namorado dela, que não tem a ver com os problemas da criatura. O pai da mulher já sacou e briga com ela por causa do namorado furada, mas quem diz que ela quer acreditar? E minha amiga, que é a terapeuta, não pode contar, daí a angústia.
Eu conheço essa angústia. Quantas amigas, tias, primas, irmãs já caíram numa dessa, e não por falta de aviso, mas por falta de amor próprio mesmo? É angustiante você ver a criatura se diminuindo, sumindo pra caber na falta de grandeza do cara, comemorando migalha que o sujeito joga de vez em quando, se iludindo que é amor, que um dia vai mudar... Você quer até alertar, mas vai ser inútil. Temos, urgentemente, que aprender a usar a inteligência e a objetividade neste tipo de situação. Isso só gera dor, perda de tempo e a aniquilamento da autoestima. Temos que ter responsabilidade afetiva com os outros, mas principalmente com a gente. Quando as mulheres vão acordar, meu Deus? Espero estar viva pra ver esse dia.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Não sei opinar

Mais ou menos.
Eu tenho tido menos certezas, mas ainda tenho opinião, claro. Mas cada vez mais, acho que não devo externa-la. Primeiro, que as pessoas não ouvem quando se trata das vidas delas. Segundo, elas não têm empatia, quando não se trata das vidas delas, do que acontece com elas. Estão cada vez mais autocentradas, incapazes de trocar. E já percebi que eu não funciono bem em situações assim. Eu só me animo na troca. Sentir que é de mão única me dá um efeito kriptonita.