"Invejosa" ou "Envidiosa" é uma série, uma comédia romântica argentina da Netflix.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sábado, 22 de fevereiro de 2025
Invejosa
"Invejosa" ou "Envidiosa" é uma série, uma comédia romântica argentina da Netflix.
domingo, 16 de fevereiro de 2025
A maldição das passivas ameaça a humanidade
Entrevidas
Acho que estou na menopausa. Meus hormônios estão lá embaixo. Graças a Deus, até agora, nada de fogacho, e que assim continue. Mas estou uma pamonha, manhosa, irritada com tudo. Nossa Senhora da Reposição Hormonal, me ajude! 🙏
sábado, 15 de fevereiro de 2025
Afetos Clarice Lispector: quem eu quero não tem rosto
Essa frase é pretensiosa e no fundo sei que não tem o menor sentido, mas é inevitável, ainda hoje, pensar que parece que essa vida quer me ver triste. Cada vez menos tenho predisposição a obedecê-la neste sentido graças a Deus, mas parece que não encontro o que vai me fazer sorrir novamente. Olha, se não fosse eu dando a mão a mim mesma, estava lenhada.
É
com pesar que digo essa outra frase, mas é um fato após 44 anos de vida:
sozinha eu vou melhor. Acho que meu subconsciente sabe que me saboto muito
junto aos outros e acaba me botando perto de gente cuja relação não vai
prosperar. Só não precisava exagerar tanto.
Parece
que o que quero não tem rosto. Nome até que tem: amizade, amor, lealdade,
compromisso, integridade. Mas parece que ninguém tem isso para dar. Ou pra me
dar (mas acho que pode ser algo geral porque já ouvi essa queixa de outras
pessoas). Acho as amizades em Salvador, pelo menos as que cruzaram meu caminho,
muito sem consistência, sem via de mão dupla, pensando na utilidade que o outro tem. As pessoas
te buscam pra tapar buraco e pra que você seja útil a elas. Quando acabou a
utilidade, beijo e até quando precisar de você de novo. Não vou mentir: com
gente que já saquei que a dinâmica é essa e que convivo porque não tem muito
jeito, eu tô fazendo o mesmo. Daí quando você muda, ainda é criticado, ninguém
se autoquestiona.
Os
primeiros 45 dias deste ano me deram boas amostras da desconsideração de
pessoas que eu gosto, mas confesso que venho gostando cada vez menos a cada vez
que percebo a falta de cuidado. E fico triste comigo que ainda permaneço de
junto e me iludo, quando de onde menos se espera, daí que não sai nada mesmo. Acho
que deveria me mudar de Salvador porque aqui já virou um ciclo vicioso e eu
admito que não sou assertiva e não sei romper ciclos porque não sustento a
gritaria que isso traz.
A “variação” disso, pero no mucho, aconteceu na virada do ano. De década em década, um supostamente bom rapaz fica a fim de mim, mas nunca é claro ou chega junto, quando não bota outra no páreo pra ver se eu sim luto pelo princeso, e se chateia comigo me evitando, de uma hora pra outra, e me “dá o troco” arrumando outra na sequência (até quem nunca arrumava ninguém). Nas primeiras vezes que isso aconteceu, achei que a falha fosse minha, me senti péssima e até tentei ficar amiga de qualquer jeito. No fundo me achando um lixo, não vou mentir, por não merecer nem uma conversa. Eu não era o lado apaixonado, os caras sim, e mesmo assim eu tinha que ser punida por não ter seguido o script desejado. Por mais que racionalize, é inevitável não me sentir usada, humilhada, agredida e azarada. Falam da puxada de tapete feminina, mas nada se compara ao cara que quer botar pra fuder em cima de você. Eles sabem pegar pesado, eles sabem usar a violência.
O sujeito da caixa de som do trabalho fez a mesma coisa porque manifestei que não estava curtindo um desrespeito que acontecia há meses. Ver o
lado do outro?! Pra quê?! E a isso ainda segue uma tentativa de me punir. Neste
caso, ele não fala mais comigo e eu vou ficar bem com minha cara de paisagem
fingindo que não tô percebendo. Mas, no fundo, essa violência me choca e me
assusta, porque é uma coisificação do outro, que não tem querer, que não tem
identidade. É uma falta de respeito de ser humano pra ser humano. Eu só presto
se me submeter sem ser também um indivíduo, sem ter as minhas questões postas. E neste caso não fiz nada além de levantar e passar a me sentar em outro lugar. Eu tinha que ficar do lado ouvindo um trio elétrico no meu pé do ouvido que não me deixava trabalhar direito?! É brutal como o bicho homem hétero
nem disfarça (ser ruim é do ser humano, mas dobra de potência neste gênero e
identidade sexual). Lobo em pele de cordeiro quando interessa, mas joga a pele pra bem longe
e uiva assim que se vê contrariado. Nunca falha. Anota aí na agenda: nem os
“bons” são bacanas de verdade.
É triste demais que nem mulheres em relações longas acreditem que estão com alguém legal mesmo, que o homem vai ficar. Todo mundo conta com a possibilidade de abandono a qualquer momento. Que entrega você é capaz de fazer em uma relação assim?!
Mas
hoje, pessoa crescida, só acho que a criatura não queria. Até pizza, quando a
gente quer comer, a gente pede. O povo deseja e ainda quer pedir "delivery" por
telepatia?! Se gostando está assim, imagine quando não mais gostar? Te chuta,
né? Aliás, chuta antes disso, quando chega a primeira frustração. E acho que Deus me livrou de mais uma. Sabe, uma hora esse lado egoísta e
pirracento viria à tona, então melhor mesmo antes de começar, porque depois que
você já idealizou e se apaixonou, dói demais. Se de amigo já dói, imagina de
par.
No
meu mundo, amigos formam comunidades e o que todo mundo quer importa
igualmente. As pessoas se olham, se percebem e se cuidam. Tempo é questão de
prioridade e mesmo havendo situações e situações, as pessoas arranjam algum
espaço, algum dia pras outras de quem dizem gostar.
No
meu mundo, se alguém se apaixona por você, não vai criar dúvidas e nem vai
ficar fazendo joguinhos e muito menos vai querer “dar o troco” pra sair por
cima (levando inclusive outra pessoa nos lugares que você mais gosta, inclusive
perto da sua casa. Isso não é buscar a própria felicidade, é querer atiçar o
outro, descontar; é violento). A pessoa é direta, íntegra e generosa. Eu não tô
pedindo e muito menos contando com a perfeição, mas eu prezo demais quem gasta
energia tentando acertar. Isso faz toda a diferença pra mim.
Nunca
me deparei com esse tipo de pessoa que desejo encontrar. Mudando um pouco o que
disse Clarice, quem eu quero não tem rosto. Mas, por enquanto, eu não me emendo e continuo acreditando em Jung, que
diz que o amor custa caro e é uma péssima ideia faze-lo barato. As pessoas
podem sair por cima, mas não vejo como isso pode trazer felicidade.
domingo, 9 de fevereiro de 2025
O peso do céu
Fui assistir ao filme da Nicole Kidman. Gostei, muita gente não gostou, mas é que não é um filme pra todo mundo mesmo. Achei Nicole corajosa. Queria que ela tivesse essa mesma coragem pra diminuir o botox. Numa cena, a personagem da filha até brinca com isso. Mas nada se compara a cara estática em The undoing.
O filme é a cara do pessoal da psicanálise. Tive vários insights enquanto assistia, mas acho que, agora, não vou conseguir lembrar de metade.
No filme, ela é uma mulher muito bem sucedida, mãe de duas filhas e aparentemente bem casada com Antonio Banderas (uma escalação que não perdoo, porque não se faz sofrer Antonio Banderas, hehe). Mas o marido não chega junto, apesar de comparecer no sexo. Ele está na altaria, ela quer baixaria. Traduzindo, como diria dr. Gikovate (saudades!), amor é altaria, sexo é baixaria. Então chega um jovem na empresa, estagiário, que saca essa carência dela, que ela está muito sozinha neste lugar de comando e de perfeição e que está precisando de uma safadeza, de uma humilhada, de acionar o lado fêmea/cadela porque o excesso de racionalidade está lhe fazendo mal. Muita atividade mental nos afasta dos nossos instintos e ela estava desesperada pelos dela.
Uma vez, uma conhecida, psicanalista, falou algo que gravei. Segundo ela, as pessoas se protegem da proximidade da morte regredindo à época em que foram mais potentes e felizes. Por isso, segundo ela, é comum homens mais velhos namorarem meninas na velhice, largando muitas vezes a esposa da vida inteira. Pra quem detém poder - caso dos homens - essa perda que a velhice traz deve ser especialmente angustiante. Por esse motivo, achei o título genial, porque realmente ela regride a quase uma mocinha quando está com o amante. Mas descobri que essa é uma gíria americana pra homens jovens bonitinhos ou aqueles que são mais fofos.
Neste caso, seria uma piada. O rapaz que faz o amante de Nicole tem mesmo cara de PA (pós-adolescente), mas é puro suco de masculinidade tóxica. Passei o filme todo com a mão no queixo pensando como, apesar da beleza, ela se interessava por aquilo ali. O cara não tinha charme, só beleza e juventude mesmo (quem viu Brando em "Um bonde chamado desejo" sabe do que tô falando). Depois de tantas agressões psicológicas masculinas e das coisas que já vi, estou a um passo da misandria (e sem um pingo de culpa e com uma pilha de razões), portanto, esse personagem, como diz a geração Z, me deu gatilho. Apesar disso, o garoto teve bons saques. Gostei quando ele falou pra ela que estava querendo usar ele como desculpa pra jogar tudo pro alto.
Gostei também da piscina (e da casa toda de Nicole. Meu Deus, aquela sala!...) e da solutio que ela evoca, dessa coisa de se dissolver, de estar imerso em algo maior representado pela água. Não é à toa que é uma das imagens da divulgação do filme.
E não consegui em nenhum momento julgar a personagem de Nicole. Talvez porque ela faz algo que me desperta empatia: tenta. Ela tentou muito ser perfeita para todos, ela tentou resistir, ela tentou desistir, ela tentou fazer dar certo de novo. Mas como dizia meu boy tóxico preferido (risos), o Jung, tem que trazer a sombra pra perto, antes que ela lhe aplique uma rasteira pra dizer que está ali e que, aliás, manda na zorra toda.
Não é bloqueio criativo, é cansaço
Ando muito cansada e metade do meu estresse vem do medo de, por causa desse cansaço, não dar conta das coisas. E quando a gente está assim, vamos pro piloto automático e damos menos atenção ao lúdico. Tanta coisa que gostaria de fazer, mas por agora não tenho como.
Outro dia, comprei livros pela internet (fazia séculos que não comprava livro físico por causa da falta de espaço aqui em casa) e me emocionei pegando neles. Livro me emociona, não tem jeito. Sabe aquele trecho de Paul McCartney: "May I never miss the thrill of being near you...". Eu e os livros. Que eu nunca perca mesmo essa emoção.
Mas a gente vai perdendo várias emoções, de modo a executar as coisas do dia a dia no modo sobrevivência. E daí eu comecei a olhar as pessoas ao meu redor... Raramente a gente acha alguém interessante, mas quantos de nós somos desinteressantes por não termos mesmo vida interior movimentada (acontece) e quantos estamos sendo tirados de nós mesmos na luta pela sobrevivência? Há muitos potenciais que ficaram pelo caminho, hoje eu sei. Só tendo um amor muito grande mesmo pra não deixar se anestesiar pelos dias.
C´est compliqué
O comment da semana foi em cima da fala de Maria Rita Kehl sobre os identitários. Primeiro e antes de tudo: que saco essa esquerda branca (incluindo WG que tem alma de) falando dos identitários por minuto. Está quase empatada com os discursos repetitivos dos próprios identitários.
Dito isso, no corte que peguei da entrevista dela, não achei nada de mais. Ela falou o que é óbvio e vai acontecer: os movimentos identitários, especialmente o negro, estão puxando tanto a corda, que uma hora ela vai arrebentar. Some a isso que as forças opositoras ainda estão no topo, e a rebordosa só vem. É questão de data. As pessoas desses movimentos (assim como os demais segmentos políticos, inclusive a "racional e informada" esquerda e a avassaladora extrema direita) não gostam de ouvir isso, jogam tudo na gaveta do ressentimento e do preconceito, mas é fato.
Pra mim é nítido que as pessoas hoje se acusam do que elas mesmas fazem. A esquerda vence pelo beiço de uma pulga. Apesar dos mil problemas, ainda defende valores que pra mim são caros e que deveriam ser universais, mas não são. A única frase de um espírita que dei crédito nos últimos tempos é que o umbral está vazio porque os perturbados estão todos aqui. Boto fé.
Veja, os movimentos identitários são importantes. É uma porta afetiva que serviria para chamar as pessoas para a política - e quem mais é vulnerável socialmente é quem mais precisa de política. O problema é o ser humano. Pessoas, de um modo geral, não lidam bem com poder. Qualquer micro poder e, como sempre disse minha mãe, a pessoa sobe no tijolo achando que já tá no palanque e faz discurso.
Eu tenho especial ranço do movimento negro porque é onde vejo as maiores distorções e malabarismos retóricos, isso sem falar da repetição daquilo que eles mesmos criticam na branquitude. Isso sem citar como arreganham os dentes quando um branco rico chega como "aliado". É, dos movimentos, na minha percepção, o que mais exemplifica outra máxima que amo: "Na prática, a teoria é outra." Não acredito em um movimento em que, no fundo, a meta é tomar o lugar do opressor (há exceções, claro, mas quem está mais no topo geralmente não é melhor do que aqueles que critica). A dor do racismo é real e legítima, mas quem vem se apropriando dela a título de luta muitas vezes não. Fora que existe uma linha fina entre esse aquilombamento que afaga e o que aliena. Sabe clube do bolinha, onde os caras ficam se elogiando pra receber elogio de volta e se sentirem confirmados? Sabe famoso que só tem adulador em volta e ninguém diz nada que não seja positivo? Pois é, coisa boa pro ego, mas quem vive assim também não percebe outros fatos, não cresce - e eventualmente ainda passa vergonha achando que tá arrasando só porque a claque bateu palmas.
Agora, voltando a Kehl, apesar dela ter falado verdades (o que escrevi aqui mesmo seria motivo de cancelamento automático, embora eu saiba que minha opinião é lúcida, pois é respaldada em casos reais vistos nos últimos 25 anos), demonstrou o ressentimento que ela tanto estudou. Deu pra perceber no subtexto dela, na cara e no tom de voz, que tem ali uma dorzinha nela, sempre considerada uma voz importante, virar desimportante. Ela branca, rica, culta, sempre chamando atenção pra si, estava chateada, com uma dor de cotovelo ali. É humano, claro. Mas não deixa de ser engraçado que uma psicanalista não se aperceba disso.
Azedo
Esta semana, mais um homem saiu em defesa de Claudia Leitte na polêmica da música "Corda de caranguejo". Repare, eu tenho certeza que ela não é gente ruim. Pessoas que conheço e que já estiveram com ela elogiam. Todas essas pessoas que defenderam ela disseram que não é racista, que é boa pessoa, etc. Mas não ter a intenção não quer dizer que não fez algo. Uma coisa não implica na outra. Posso ser boa pessoa e fazer algo ruim. Posso nem sonhar que fiz e ter feito. Assim como a obra de arte nem sempre reflete a intenção do artista, o ato nem sempre reflete a intenção do ser humano. Podia ser pêlo em ovo da militância racial? Podia. Já criaram fanfic até de que não podia falar mais criado mundo porque tinha a ver com a escravidão, e alguém foi atrás e pesquisou que isso é mentira. A histeria coletiva é uma possibilidade. Mas uma boa pessoa reflete quando recebe uma crítica e evita futuros eventos semelhantes quando percebe que isso incomoda muita gente. Ela sonsamente insiste. E eu duvido que ela ficaria com a cara de paisagem que está agora se substituíssem "Jesus" por "Exu" em alguma letra cristã que ela gosta. Então, se Claudia não quer isso pra religião dela, por que fazer com a dos outros?
Por outro lado, o tribunal da internet falha miseravelmente em uma coisa em particular: proporção. Estão tratando a criatura como se ela tivesse matado alguém. Não é pra tanto. A reação tem que ser proporcional, senão é violência também.


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