quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

As 7 virtudes capitais

Escrevi um depoimento para uma amiga dos tempos da escola e lembrei de uma coisa que ela disse uma vez, e que até hoje, ocasionalmente, vem à minha mente. É algo mais ou menos assim: "Ir pelo caminho errado é fácil demais, por isso muita gente anda nele. Difícil é fazer o que é certo, porque dá trabalho e pouca gente está disposta a isso". Ela era atleta - ex-campeã baiana de natação.
Eu nunca fui esportista - apesar de ter tido minhas fases na infância e na adolescência -, mas também nunca me vangloriei disso. Pelo contrário. Acho que o esporte ensina coisas muito boas, ajuda a amadurecer e estimula o fortalecimento do espírito e da boa conduta. Nossos amiguinhos intelectuais, pelo que vejo no Orkut, adoram desprezar três coisas: a consciência política, a religião e a prática de esportes. Eu acho uma pena, sinceramente, e acho uma grande demonstração de limitação mental. Esporte não é passatempo de descerebrado (convenhamos, até na arte e na cultura anda difícil encontrar gente realmente inteligente; a diferença é o "verniz" da cultura que esse grupo possui). Explorar o corpo, de algum modo, é testar os limites da mente. Ayrton Senna, Bernardinho e tantos outros eram/são exemplos disso que falei.
Soa piegas, mas quanto mais "envelheço na cidade", mais vejo que esse negócio de virtude não é para amadores. O pecado é popular porque é acessível a todos, a pequenas e a grandes almas. Só quem se perdeu pelo caminho sabe o quanto é difícil voltar à trilha do bem. Definitivamente, ser bom é para os grandes; é uma estiva moral.
Estava limpando meu Outlook e me deparei com esse texto, que provavelmente é daquela revista Vida Simples. Pensei que seria legal postá-lo aqui. Segue a matéria sobre as Sete Virtudes Capitais.

Beijo!

Todos cometemos pequenos pecados. É natural. Mas a cada um deles (catalogados desde a Idade Média) podemos contrapor outras sete notas mais harmônicas e assim deixar a vida mais afinada
por Roberta De Lucca

Quando um grupo de fariseus irados jogou Maria Madalena aos pés de Jesus e pediu que ela fosse apedrejada porque tinha cometido adultério, Cristo foi objetivo: “Aquele dentre vós que nunca pecou atire a primeira pedra”. As pessoas foram se retirando, uma a uma, até que não restou mais ninguém, além de Jesus e Madalena. Esse trecho da Bíblia retrata que todos os seres humanos cometem pecados, por menores que sejam. Quem nunca comeu por pura gula, ralou de trabalhar para economizar dinheiro, discutiu feio com alguém, passou um domingão largado no sofá, julgou-se melhor que seu colega de trabalho, teve uma noite de sexo inesquecível ou olhou torto para o carro zero do vizinho? Pode ser que não tenhamos nos rendido a todos os pecados, mas de um ou outro provavelmente já fomos vítimas.

É natural negarmos que essas contravenções – classificadas pela primeira vez pelo monge grego Egrávio do Ponto (345-399) e revisadas no século 13 pelo teólogo Tomás de Aquino – possam fazer parte da nossa existência, pois trazemos em nossa bagagem cultural católica que avareza, gula, inveja, ira, luxúria, preguiça e soberba são vícios de má conduta. Mas os pecados estão em nosso cotidiano por uma razão explicada com simplicidade pela psicoterapeuta junguiana Maria Helena R. Mandacarú Guerra: “As funções que envolvem os pecados são importantes para a vivência humana”. Precisamos guardar dinheiro para possuir bens, temos que comer, devemos ter relações sexuais e assim por diante. O segredo é não extrapolar e enxergar a virtude contida em cada uma dessas funções. A resposta para o bem viver entre o pecado e a virtude é ser meio budista. Seguir o caminho do meio e encontrar o equilíbrio entre esses aspectos que delineiam a nossa personalidade e o nosso comportamento – e que podem dizer muito sobre nós. A partir de agora, ouça o lado “A”.

Comedimento

O comedimento alimentar talvez seja umas das virtudes mais fáceis de serem praticadas, porque ele nasce de outro pecado que, cá entre nós, é o pecado da vez: a vaidade. Como o culto ao corpo e à vida saudável é valor em alta no século 21, a gula vem perdendo espaço na ordem de grandeza das contravenções capitais. Claro que ainda existem os gulosos clássicos, que abusam da comida e da bebida, maltratando sua saúde e perpetuando estudos sobre comer em excesso. Santo Agostinho dizia que “comer e beber são condições para a saúde, acompanhadas do prazer”, e aí está o fi o da navalha. Além de ser imprescindível à sobrevivência, comer é bom, muito bom, e por isso as pessoas se empolgam diante de uma mesa farta. Entregam-se ao prazer que alimentos saborosos e boas bebidas despertam e passam dos limites. “A gula afeta o bolso, a saúde do corpo e do planeta”, afi rma Lucia Marques de Souza Ferraz, coordenadora da Organização Brahma Kumaris no Brasil. Um olhar mais apurado também revela que esse pecado não se resume a se empanturrar. A gula, diz o fi lósofo espanhol Fernando Savater no livro Os Sete Pecados Capitais, “é uma forma rápida de apropriar-se de algo, é a metáfora da possessão absoluta”. A afi rmação levanta uma questão: o que há por trás da gula que não seja o comer exagerado? O que descarregamos ou escondemos atrás de cada prato extra? Observar o que depositamos na alimentação desenfreada descortina afl ições e sentimentos que às vezes demandam cuidados. Mas quando aceitamos que as garfadas são gula mesmo, tenhamos vergonha na cara e partamos para a trilha do comedimento. Ingerir somente o necessário e priorizar alimentos saudáveis é a chave para quem quer viver literalmente mais leve e melhor.

Desapego

Por incrível que pareça, a inveja é um sentimento útil. Ela nos move, nos faz sair do marasmo, nos faz batalhar por algo que desejamos conquistar. É evidente que a inveja é benéfica quando não prejudica os outros, quando você não torce para seu colega sofrer um acidente, tirar uma licença forçada e você se projetar às custas disso para abocanhar a promoção antes destinada ao infeliz convalescente. Inveja saudável é inveja boa, aquela que o faz se empenhar para ganhar mais comissão de vendas para poupar e fazer uma viagem pela Europa igual à da sua prima. O fato é que muitas vezes as pessoas perdem o bom senso e nem percebem que estão exagerando, porque são movidas por fatores externos que as bombardeiam a todo momento. A exigência de competências no trabalho é um exemplo típico. Hoje as pessoas têm de ser tão boas no que fazem para se destacar que nem se dão conta do quanto se deixam engolir por esse pecado. Quando alguém inveja o sucesso profi ssional do outro, pimba!, parte em busca de status semelhante – e aí abrem-se as portas da soberba, da avareza e de mais um tantinho de pecados que não estão na lista dos capitais. A contrapartida não é pedir demissão e vender picolé na praia porque você não quer pecar. É simplesmente desapegar-se desse sentimento quando ele se torna desproporcional. Inveja ruim tem que ser banida e abrir caminho para o distanciamento das coisas, que permite enxergá-las melhor e saber pesá-las. “O desapego dá segurança emocional, realismo e refrescamento. Deixa os outros à vontade, livres para ir e vir sem muito alarde”, escreve Anthea Church em Beleza Interior – O Livro das Virtudes. E, quando você faz isso, o resultado é mais refrescante que picolé: você se liberta da pressão de ter que ser igual aos outros e descobre sua autenticidade. Aí, segura, porque os outros é que vão te invejar.

Diligência

O oposto da preguiça é a diligência, é ação, execução, realização. Só que ser diligente não elimina o pecado, porque fazer as coisas correndo para acabar logo, mas empurrando os detalhes com a barriga, também é preguiça. Como você vê, diligência e preguiça passeiam lado a lado e vez ou outra podem se dar as mãos. O ideal é tirar proveito do encontro entre o pecado e a virtude para não pesar nem de um lado nem do outro. Em Os Sete Pecados Capitais, o filósofo espanhol Fernando Savater afirma que “a diligência excessiva e compulsiva leva ao estresse, que bloqueia e paralisa”. Para bom entendedor, meia palavra basta: cuidado no exagero da ação. Por outro lado, se a preguiça é o oposto, como é possível se valer dela? “A preguiça foi o motor das grandes conquistas do progresso. Quem inventou a roda, por exemplo, não queria caminhar mais”, diz o escritor e humorista argentino Roberto Fontanarossa. Pode parecer piada, mas ele tem razão. Para facilitar a vida, o homem, movido pela lei do menor esforço, inventou muitas coisas para seu conforto – e aqui entendemos o lado positivo da preguiça. O problema é quando ela se instala na vida. “É preguiçoso quem renuncia a seus deveres com a sociedade, com a cidadania, quem abandona sua própria formação cultural. A pessoa que nunca tem tempo para ler um livro, para ver um filme, para prestar atenção no pôr-do-sol. Aquele que tem preguiça de converter-se em mais humano”, escreve Savater. O pulo do gato é ser ativo no momento certo – sem se tornar um workaholic que acaba com sua vida pessoal e social – e saber parar e se jogar no sofá sem culpa, assumindo que naquele dia você não está nem aí para o pôr-do-sol, embora saiba que apreciar o sol poente vale muito mais que um montão de coisas na vida.

Generosidade

Quando guardamos muito, o dinheiro pode realmente nos aprisionar, gerando o vício de poupar, poupar, poupar para gastar no futuro (que aliás nunca chega, não é mesmo?). “No avaro, o futuro mata o presente”, diz o fi lósofo Fernando Savater. Podemos guardar para comprar casa, carro, tirar férias gostosas, mas não devemos viver apenas em função de engordar o pé-de-meia. Temos que gastar agora, para curtir a vida, e aprender a nos desprendermos do dinheiro. Assim, abrimos espaço para a generosidade, que é compartilhar o que temos com o outro. Ninguém está pedindo para você dividir sua conta bancária com alguém, basta ajudar quem necessita. Você pode fazer uma doação, emprestar dinheiro para um amigo ou simplesmente dar passagem para uma pessoa que vai atravessar a mesma porta que você. Porque generosidade e avareza não se resumem ao vil metal, é preciso que se diga. O ser humano também é avaro de sentimentos, sabia? Não ter tempo para os outros, não prestar atenção no que as pessoas dizem nem em suas necessidades é avareza. Em vez de focar em seu próprio umbigo, o contraponto está em ser solidário, entendendo que a solidariedade “só é verdadeiramente generosa desde que vá além do interesse”, como afirma o professor de filosofia da Universidade de Paris e escritor André Comte-Sponville, em seu Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Por isso, de nada adianta assinar um cheque para uma organização não-governamental se você fi car se achando “o cara” (olha aí a soberba entrando em cena, gente!). O correto é preencher o cheque pelo desejo verdadeiro e sincero de ajudar. De quebra, você compreende que quando reparte também se liberta, pois deixa de viver para acumular.

Humildade

Primeiro vamos combinar que humildade não tem relação alguma com servilismo ou com ser pobre e sem recursos, como muita gente pensa. Cultivar a humildade é uma das maiores e mais difíceis virtudes humanas. “Ser humilde é amar a verdade mais que a si mesmo”, escreve o filósofo André Comte-Sponville. Em outras palavras, é assumir tudo o que não somos, aceitar nossas limitações, nossa ignorância e nossos medos e estarmos dispostos a crescer a partir desse entendimento, procurando aprender a nos tornarmos seres humanos melhores. O título Beleza Interior – O Livro das Virtudes, da escritora Anthea Church, traz uma definiçãopreciosa da humildade: “É o reconhecimento de que tudo o que existe na vida e está à sua frente deve ser respeitado como algo que o ajudará a progredir”. A frase é justamente o inverso da soberba, um pecado avassalador, que causa muitos estragos. Uma pessoa soberba é tão autocentrada que menospreza os outros, pois sempre se considera superior. “A soberba está ligada ao egoísmo e à arrogância e difi culta as amizades, fortalece o criticismo, traz isolamento, amargor e sarcasmo”, afi rma Lucia Marques de Souza Ferraz, coordenadora da Organização Brahma Kumaris no Brasil. Tudo bem que devemos defender nossos pontos de vista, ter opiniões próprias, mas nem por isso precisamos achar que detemos a verdade máxima sobre tudo e todos. Vamos baixar a bola e focar para evitar cair na soberba. A receita vem do fi lósofo Fernando Savater: “O remédio é muito simples, mas às vezes duro de ser assumido: ser realista”. Savater cita Santo Agostinho, que disse: “Quando eu considero a mim mesmo, não sou nada; quando me comparo, valho bastante”.

Serenidade

Ser sereno é ter paz interior, estar em harmonia consigo e, conseqüentemente, ter um olhar mais suave para o que acontece à sua volta. Se as pessoas cultivassem essa virtude, o mundo seria melhor – de verdade. Apesar de a frase parecer ingênua, a mensagem é simples: a serenidade nos faz parar para pensar antes de falar ou agir e pode evitar muita confusão, principalmente a gerada pela ira, aquele sentimento descontrolado que nos faz explodir diante de uma contrariedade. O filósofo romano Sêneca dizia que “a ira está presente somente nos seres humanos, pois a raiva animal é destituída de qualquer componente conceitual, e a verdadeira ira é sempre a emoção objetivando uma destruição específi ca”. Ou seja: quando incomodado, o ser humano reage ou trama contra o outro, indo além do conceito natural da raiva, que é um sentimento de autopreservação. A ira pede atenção quando é constante, porque aí o pecado já não mora mais ao lado, mas dentro de casa. “A ira é um fogo que só pode nos queimar. Precisamos aprender a meditar, a transcender a toda emocionalidade”, afi rma o diretor de estudos budistas da Universidade de Colúmbia (Estados Unidos), Robert Thurman, no livro Ira. O autor explica que para desenraizar a ira precisamos procurar a fonte do sofrimento e ir além, compreender que a ira vem de dentro de nós – e a serenidade também. “Devemos assumir a responsabilidade de criar nossos próprios mundos (...). Assim, quando algo de ruim nos acontece, o movimento efi caz é buscar a origem dentro de nós mesmos. Sentar e culpar o mundo dos outros não funcionará (...), porque não podemos controlar os outros, apenas a nós mesmos”, escreve Thurman.

Pureza

O que a Igreja definiu como pecado da carne era o sexo pelo prazer, pois a relação carnal entre um homem e uma mulher só era válida para perpetuar a espécie. A questão é que o ato sexual tem um tempero especial que é o prazer – aqueles milésimos de segundo do orgasmo, em que temos uma microparada respiratória e literalmente morremos. A sensação é tão boa que gera o efeito “quero mais” – e esse é o X da questão. Querer mais quanto, como, com quem, com qual freqüência, com qual propósito? No meio desses quereres se esconde a luxúria, que transforma o sexo bom em sexo sem limites, que pode ser prejudicial. “Um casal pode fazer o que quiser, desde que haja consenso entre ambos e que suas práticas não os façam sofrer”, afi rma o psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade. Quer dizer que liberou geral? Em termos, mas é preciso atenção aos valores que envolvem o encontro sexual. “A luxúria em si é boa, desde que os parceiros se amem”, afi rma o fi lósofo britânico Simon Blackburn no livro Luxúria. O fato é que hoje muitas pessoas estão no embalo do sexo casual, que contribui para a luxúria. “É importante entender a sexualidade como algo mais completo em emoções e levar em conta seu lado humano”, diz Frank Usarski, professor de Ciências da Religião da PUC-SP. Aqui chegamos ao ponto em que a virtude da pureza entra em cena para ensinar que “ela está no desejo sem violência, no desejo aceito, no desejo partilhado, no desejo que eleva e celebra!”, define o filósofo André Comte-Sponville. Resumindo: sexo é bom, mas pode ser melhor se houver honestidade nos propósitos e a preocupação de não prejudicar. Eis, então, a pureza da verdade de uma relação.


PS: Voltamos, agora, ao nosso recesso. E, em breve, retornaremos ao antigo nome e endereço.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Informes desimportantes

Acabei de descobrir algo péssimo, quase vexatório. Sabem o que acontecia com as respostas que vocês mandavam pro meu e-mail do Hotmail? Iam todas parar num outro e-mail-depósito que eu abro uma vez no milênio. Pois é, um dia desses esqueci de tomar o remedinho e apertei um botão que fez isso.
Só agora, por exemplo, soube que Jonny Be Good foi parar na Record... Alosa, não foi racismo meu, não. Ó paí, é que eu não vi mesmo!... E te cuida, negão, que eu li a defesa fervorosa que Eliano fez da promoção do moço ao eixo Rio-São Paulo. Vai tomar o seu lugar no Movimento - e tenho dito! Hidratante bronzeador está aí no mercado não é à toa, não, viu, meu filho! Outro dia, Lico apareceu no Messenger com um cabelo afro (Don é testemunha!). Ó, abre esse olho, que senão o jacaré te abraça! (o leão, melhor dizendo)... Desse jeito, cê vai ter que migrar pra Portelinha. Afinal, lá ainda acreditam na rapaziaaaada! (risos)

Well, so sorry, people! :( Um singelo motivo para ficar menos triste nesta terça-feira: Yesss!!! Meus amigos me respondem (fora Alosa, claro)!!!

E após esse informe ridiculous star gel, anuncio que estamos agora no post nº 150 deste blog. Digam aí: que diabos foi dito aqui? Acho que 10% do conteúdo é aproveitável (desses, 5% credito ao Dr. Contardo...). Talvez devesse ser advogada, pelo poder de embromation. Ou roteirista de TV, por conta do vício no mundo pop e do "dom" de falar abobrinha. Como diz meu pai, "Vai conversar borracha, assim, lá na baixa da égua, sô!" (n.t.: em adilsonês, "conversar borracha" é o mesmo que papo furado, que esticar demais a conversa). Ou apresentadora de circo, pela capacidade de emprestar alguma emoção a coisas do nível de excitamento de uma corrida de tartaruga.
Meu azar existencial foi não ter nascido loura ou com um tom de pele que permitisse isso. Além de fazer aniversário junto com a blonde-mor, Hebe, sem afetação, possuo um talento inato para falar muito e não dizer nada. Os sofás dessas emissoras de TV não sabem quem estão perdendo! Humpf! (Ah! Melhor do que Sônia Abrão, eu garanto que sou, viu!)

Quem não tá perdendo nada, nenhum prazer da vida de emergente, é Companheira Lília. Saiu de férias e quis ir pras Oropas. Como metade da renda, há meses, tem ido direto para a oficina mecânica, o jeito foi apelar para a Paris da América do Sul, la hermosa y baratita Buenos Aires.
Alosa, pelo andar da carruagem, digo, levando em consideração a tara faconiana por pares estrangeiros, ¿vai ser racismo da Companheira aparecer aqui com um guapíssimo, re-lindo muchacho rubio? Oh, seja maleável com a Camarada. Afinal, ¡é tão bonitinho escutá-los diciendo "mayonesa"! ¿Que culpa terá ella? Je je je... Liu, você é a morena tipo exportação da turma - ainda que Samantha tenha te passado a perna, momentaneamente -, vai receber é piropo por lá. Mucha calllma nessa hora: lembre-se dos princípios socialistas, e não deixe de dividir os bofes portenhos com as amigas brasileñas. A fila de solteiras daqui tá diretamente proporcional a do desemprego na terra de Evita, e precisando urgentemente andar. "Alô você!"...

Olhe lá, Companheira, o que você vai fazer com o Mercosul de Lula, hein! Mira tu portuñol. Não vá contando com Daniel pra te livrar de uma gafe diplomática, que ele ainda não tá com essa bola toda. Se entrar numa fria, como diria um ex-professor, "vai ter que falar com Albiiiino! (hohoho)".

Juízo, figura, e bom passeio! ;)


Fernanda, "usted es la culllpable"... Por sua causa, um ex-rapaz quase decente virou "carniceiro". Desde que deixou a Bahia - e, conseqüentemente, de lhe dar carona -, Cláudio entrou numa fase "Cidade Baixa", ao estilo do filme de outro faconiano, Sérgio Machado: freqüenta a Rua Augusta (e apesar de estar botando as teias de aranha pra fora, até chorou lembrando de você, sentado no Bar Ibotirama) e, por último, traiu a Bahia para ir ver um monte de mulata de tapa sexo, no Rio. Numa sessão "Fala que eu te escuto" by Messenger, Cacau confessou-me que a festa mais famosa do mundo é uma droga, e que sentiu foi falta da "ala das baianas", e, claro, da "comissão de frente" preferida dele: a da flautista do edf. Juanes. Chorei muchísimo com o relato de Claudinho, movida pela compaixão (Alosa me conhece, e sabe: eu me emociono!). Mas fui franca, e expliquei o bê-a-bá da coisa ao rapaz:
- Cau, já era, baby! Nandy se deixou influenciar pelas primas, e agora entrou pra essa vida errante. Foi batalhar uma grana rápida no Carnaval da Bahia, saiu por aí fazendo a barba de homens estranhos... Você bem sabe: A primeira faz tchan, a segunda faz tchum, e, tchan, tchan, tchan.
Silêncio. Eu continuo, duela a quién duela:
- Minha sincera esperança é de que, assim como Carla Perez gostava de segurar o tchan e hoje segura na mão de Deus e vai, Nandy também se encontre com JC, e transforme a vida dela.
Triste e sincèrement désolé,
ele se despediu, e foi dormir.

Olha, eu nem quero imaginar o que rolava naquelas decidas e subidas de ladeira - desnecessárias, cá entre nós... -, a bordo do Baixamóvel, mas a falta disso vem amargurando o coração do meu amigo. Daqui a pouco ele vai virar cachaceiro. E compositor de samba. Vai deixar crescer a barba e desfilará por aí com um chapéu de feltro (valei-me!). Comprará uma casa na Ilha, no lado oposto ao de Lília para garantir menos tietagem. Fará cara de poucos amigos quando lhe perguntarem, no Faustão e nos bastidores do Prêmio Multishow, de onde vem a dor de cotovelo que lhe serve de inspiração.
Do Céu, Tim Maia vai soprar pela milésima vez no ouvido do sobrinho, Ed Mota:
- Tá vendo, cara?! Só é bom compositor quem toma um corno dos bons, na vida!...

Esse tipo de coisa que se faz com os outros costuma ter volta, viu. Você tem antecedentes nessa área que vão do Jardim de Infância ao Pré-Vestibular. (Te cuida, que a tua batata tá assando, dona!) Nanda é um caso perdido de Complexo de Rosana (ela quer "o amor e o poder"... "Como uma deusa..." hahaha).

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Pactos de sangue


Eu, vira e mexe, comento com Alex que acho engraçado como as semanas, por vezes, apresentam um tema, assim como nos seriados da TV. O meu, nesses dias, foi "Parentes".
Nunca tive uma relação muito calorosa com os meus; não que eu tenha indiferença ou algo contra a instituição "família" - muito pelo contrário. Mas é que além de viver sem nenhum por perto há mais de 15 anos, fui criança numa família à moda antiga, onde poucos davam ouvidos aos pequenos - e até surgir a 3ª geração, eu era a menor de todos. E os nossos valores têm muito pouco a ver hoje em dia.
A proximidade de valores, numa relação, qualquer que seja ela, não é pouca coisa mas absolutamente o que conta dentro dela. Você pode ser católica fervorosa e ser esposa de um ateu, contanto que seus valores sejam os mesmos. Dois da mesma tribo mas que não sejam "farinha do mesmo saco" não terão vida longa - vide as separações entre membros de bandas (risos).
Enfim, sabem o que quero dizer, não? Essa é a história de muitos, de quase todos, na verdade; poucos são os que conseguem uma coesão sadia quando se trata deste ramo da vida: a família.
Essa semana, redescobri meus primos, ou melhor, as minhas primas, porque nessa família só dá mulher (risos). Figuras que de longe não me inspiravam nenhuma simpatia extra - além daquela que naturalmente temos por quem é filho/a de nossos tios e tias, ou em último caso, neto/a de nossos queridos avós -, ganharam corpo e alma e, de quebra, um acréscimo considerável na minha estima por elas. Umas eu redescobri; outras, as mais novas, que nem eram nascidas quando saí do Cerrado, eu descobri mesmo. Literalmente e fuçando o Orkut (viu, Ingrid, como minha fuçação serve para algo útil?!). Nanda e Gabi saíram de minhas mais apagadas lembranças adolescentes direto para a minha tela do computador.
Relações de sangue, principalmente as virtuais, tem um quê de "Jogo dos Sete Erros": "esse olhar lembra minha irmã mais velha", "a perna é da minha prima", "o humor é o do tio", e por aí vai... Nossa, as duas estão a cara da mãe delas, minha prima (que é a mais velha por parte de pai e também minha madrinha)! Fernanda, a filha adolescente, herdou a cara e o jeito maternos (é um pouco mais sociável que a mãe, pessoa gentil mas muito reservada). Uma verdadeira Sandy, a típica menina de família de antigamente. E isso é engraçado, pois a última e maior lembrança que tenho de Fernanda é de vê-la, criancinha, dividindo na maior felicidade a tijela de água com o meu cachorro - para desespero e constrangimento da minha mãe. É o que eu digo: toda paty teve seu dia de brown, não adianta negar! hehe
Vou abrir um parêntese, aqui: gostaria de vê-la ao lado da nossa outra prima, da mesma idade dela. São 3 meses de diferença entre um nascimento e outro, e que produziram seres opostos. Uma é baixinha, medindo um pouco mais de 1.60m; a outra já está batendo "humildes" 1.75 m, e isso a duas semanas de completar 15 anos. Uma é a inteligência ordinária que se aplica para ser mais; a outra é a inteligência acima da média que se sabota. Uma gosta de chamar atenção, em público; a outra é discreta. Como pode, né? Eu sei como é que pode (risos). Fecha parenteses.
Gabriela, a menor, é ainda mais parecida fisicamente com a mãe, ou melhor, é a cara do avô materno, que é a versão branca do meu pai. Tem dez anos, é quase uma adolescente, mas continua espoleta. Digamos que Gabi é a versão vivaz da minha prima. (esse é o lado bom de ter filhos: os pais também podem produzir uma versão 2.0 deles mesmos!) Tenho uma simpatia gratuita por ela, quer dizer, não tão gratuita porque me amarro em gente genuinamente expressiva.
Gabi se ama como ninguém na família até hoje se amou (risos): criou uma comunidade... em homenagem a ela mesma; mas não esquece de tecer elogios a sua melhor amiga... ela, claro, em suas próprias palavras; tira fotos experimentando lentes verdes e observa que seria "mais bonita" com aquela cor de olhos. Apesar da egolatria, ela ainda encontra coração para amar a Deus, os pais, os avós, as primas, as amiguinhas, a irmã, o cachorro, a dança e, claro, Mia e Miguel de "Rebeldes" e os demais adolescentes fofuchos de Disney Channel. Para ela, mais uma previsão do futuro by Madame Juju: a máfia (como apelidei, de brincadeira, a família da avó materna dela) vai ganhar sua doce rebelde. Ela vai quebrar o controle dos mais velhos - que é fortíssimo naquele clã, pois eles são muito, muito unidos - e fazer o que quer, sem que eles nem se dêem conta de que estão sendo enrolados por uma guria esmirrada que tem o triplo do próprio tamanho em lábia. Sinto que corro o risco de ter minha primeira parente vinda do teatro! (risos) ... Se bem que uma outra prima, também Fernanda, é meio dada aos palcos, mas o estilo dela é mais celebridade instantânea, é uma coisa mais hollywoodiana, meio Paris Hilton. Ela me contou ontem, em primeira mão, que viu Alinne Moraes e Dalton Vigh jantando juntos no restaurante Mangue, em São Paulo. haha... [Nandy Braga, por que em família onde só dá mulher, elas tendem a ser "pau de dar em doido"? (risos) Ainda bem que eu escapei das estatísticas e sou normal!cof! cof!]
Como se fosse a primeira vez - As primas out Orkut continuam com os mesmo defeitos que me incomodam mesmo à distância e que me permeiam as lembranças. A questão é que, de perto, sei lá porque, a gente lembra que gosta muito dessas pessoas apesar de tudo e até desenterra meia dúzia de razões pelas quais tal fenômeno acontece, de supetão, a fim de não se sentir tão vira-casaca (não no sentido gostar-não gostar mas querer-não querer ter contato).
É um treco estranho, mas tem lá sua lógica. Para que você entenda, vou ter que fazer uma associação, a priori, de mau gosto, mas não consigo, agora, pensar em outro. Amar pessoas próximas mas em quem não nos reconhecemos é mais ou menos como ser mãe de bandido. Por mais que a imagem do presente seja desoladora e a distância entre os caminhos, a de um oceano, pra você, ver aquela criatura será sempre como se fosse a primeira vez - e essa remonta a um tempo geralmente de esperanças, onde tudo era apenas possibilidades, enfim, a tal época da inocência.
E por mais que aquela pessoa que te magoa hoje ou que simplesmente não faz parte da sua vida mais esteja diferente, muito diferente, do que já foi um dia, você possui muito vivo na memória ao menos meia dúzia de momentos marcantes passados e que servem de "viagra" para a relação agora.
Voltando à mãe do criminoso, ela deve ponderar: "Mas ele teve um péssimo pai", "Quando o irmão era bebê, uma vez se recusou a comer para que o irmão não passasse fome porque havia ouvido uma conversa onde o avô temia ser demitido", "Diziam que ele não ia nunca mais andar, mas ele se determinou e andou". Vê-se o outro não como um take de uma vida, um pedaço desgarrado do todo; você pegou esse filme do começo, embora às vezes trate de edita-lo conforme a própria conveniência.
A questão é que depois de ver o making of, o produto final nunca mais será o mesmo. Lembra daquele gordinho da 5ª série, que tomava tapa na cabeça e chorava à toa? Ele cresceu, malhou, "pegou todas" e hoje é um bem-sucedido advogado. Pois é, ele sempre será pra você aquele gordinho inseguro. Bem, se você for generoso/a o suficiente, vai admirá-lo hoje pelo poder de reinvenção demonstrado. Mesmo assim, você guarda um segredo dele do qual provavelmente nem ele mais quer lembrar: na essência, é um inseguro, e se futucar, isso vem à tona. Mas você é uma pessoa boa e fingirá que não se lembra disso, não é não? hehe... O contrário também acontece. Há gente que é tão luminosa quando mais jovem que dá até dó ver, anos mais tarde, como o fulano foi se apagando com o tempo. Essa parte é triste. Lília uma vez fez um comentário até engraçado. Disse que se decepcionara ao encontrar a mais paquerada do colégio toda "acabada". Não é maledicência da Companheira. É triste perder um herói - Cazuza até já compôs sobre isso. A boa notícia é que, considerando quem a pessoa já foi um dia, há esperança de que acorde aquele seu potencial novamente.
Sempre ouvi, antes até de entrar na Facom, que as amizades da faculdade são aquelas mais marcantes. Fora as razões óbvias (as afinidades - "enfim, gente igual a mim!" - e o acréscimo de liberdade individual nesta época da vida), a coisa finca raízes profundas, a meu ver, porque é o encontro no momento mais intenso da vida de todos os envolvidos, de escolhas sérias e que mudam vidas, às vezes radicalmente.
Tem gente que abandonou o curso e eu assisti os maus pedaços por que passou, e entendo a decisão. O fulano tenta me justificar, mas nem precisa; eu acompanhei. Há quem esteja mandando ver e eu até me lembro do dia em que a pessoa resolveu mudar de rumo dentro da profissão, fazendo a coisa tomar jeito, ganhar futuro. Vi casais que sei que serão pra sempre se formando logo no primeiro semestre.
Posso perdê-los de vista por 20 anos, eles podem dar um giro de 180º na própria personalidade, mas fico com a sensação de que não será nada difícil montar as peças que comporão esse abismo temporal.

Sabe quando você é criança e gosta muito de alguém, e daí resolve fazer um pacto de sangue, pra nunca deixar de ser "irmã/o"? Pois é, quando "adultecem", as pessoas param de acreditar nesse tipo de contrato eterno, mas os pactos não deixam de acontecer por causa disso e apenas se tornam menos melequentos (risos). Quem a gente vê brotar e desabrochar na vida, sempre vai nos parecer semente. Essa é a beleza e a grande ironia do passado.

Agora me deu vontade de cantarolar aquela música de Barbra: "Memories, like corners of my mind. Nothing but memories of the way we were...". Ah! Não se faz mais Redfords como os de antigamente! (risos)

(tô cansada. depois corrijo isso)