(Ah! Ainda morro disso!... :P)
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
My favorite canastrón
(Ah! Ainda morro disso!... :P)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Bicho do Mato
Bicho do mato com certeza...
Arca de Noé


sábado, 26 de dezembro de 2009
Progressiva
O especial do Rei valeria a minha entrada na comunidade "Por favor, me surpreenda!". Mas ali não há progresso nem com reza brava!
Começou "surpreendentemente" com "Emoções" ("Quando eu estou aquiiii, eu vivo este momento liiiindo..."). A segunda música é que deveria ter sido a primeira! A terceira destoou do primeiro bloco. Foi de lascar o cano Daniel cantando "Estou apaixonado, e seu amor me faz graaaande...". A platéia ficou num silêncio nem obtido em funeral. Deve ser porque o sucesso dessa canção nasceu e morreu há uns 15 anos... A participação de Dira Paes? Desculpa pra Roberto se esfregar na moça! "Calcinha Preta"? Segundo a minha mãe, a única interseção, ali, foi a escova progressiva! Mas gostei da versão que eles fizeram; souberam escolher algo do repertório que combinou com o som da banda.
Também ficou esquisitíssima a parceria de Ana Carolina com o Rei, esteticamente falando. Ela parecia um cover do anfitrião do show; o mesmo terno...
Enfim, eu é quem tenho que tomar vergonha e progredir nessa minha teimosia de ainda esperar inovações da parte do Rei!
Lema 2010
"América para os americanos!"
... e tenho dito!
Dura lex, sed lex

Eu tenho uma crença pessoal de que tudo que começa errado, termina mal. Tentar agredir a realidade é burrice, uma total perda de tempo. Exemplo: se eu invado um terreno e coloco cada centavo do suor do meu trabalho na construção de uma puta casa dentro dele, vou poder chorar quando o verdadeiro dono quiser reavê-lo? Eu acho que não. Eu saberia, nesse caso, que estaria correndo este risco; otária sou eu, errada sou eu. Vejo o caso do menino americano deste mesmo modo.
As lágrimas que a avó derrama agora são fruto da própria imprudência dela e não de uma suposta insensibilidade do pai biológico do garoto. Até a entendo: diante do choque de perder a filha tão prematuramente, ela quis reter consigo a coisa mais significativa que esta deixou no mundo - Sean. Mas não era direito dela. Mesmo com todas as críticas que tenho a fazer sobre a "raça masculina", tenho muita pena deles no que tange a esfera sentimental. A sociedade (pelo menos a brasileira, com certeza) acha que homem não tem sentimento, que o pai, em qualquer situação, deve pagar as contas, mas que este mesmo homem não tem lá muitos direitos sentimentais em relação aos filhos. O caso Sean revelou, de certo modo, que o machismo ainda está muito forte em nosso país - eis um caso de como o tiro pode sair pela culatra.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
No espetinho
Encontrei a minha perfeição!
Amigo Bruno falando sobre a namorada
domingo, 20 de dezembro de 2009
Le baixarie
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
"Catigorias" de homens
Homem Camarão: só tem merda na cabeça, mas é gostoso e você come assim mesmo.
Homem Caranguejo: é feio e peludo, mas você bate nele, limpa direitinho e come.
Homem Pão: tem sempre o mesmo gosto, mas você come todo dia.
Homem Aperitivo: acompanhado de uma bebida você come e ainda acha bom.
Homem Maracujá: é todo enrugado, você come e depois sente vontade de dormir...
Homem Lagosta: só come quem tem dinheiro.
Homem Caviar: você sabe que alguém está comendo, mas não é ninguém que você conheça.
Homem Bacalhau: você só come uma vez por ano.
Homem Maionese de Fim de Festa: todo mundo te avisa pra não comer, mas você come porque está desesperada; arrepende-se e depois passa mal.
Homem Rã: todo mundo já comeu, menos você.
Homem Salada: é bonito, mas quando você come descobre que não é tão gostoso assim.
Homem Marmita: não é lá essa coisa, mas você come rapidinho.
Homem Cafezinho de Supermercado: você nem faz questão, mas como é de graça, você come.
Homem Jiló: é horrível, mas você conhece alguém que come.
Homem Docinho de Festa: você fica com vergonha de chegar junto, então vem outra, come e deixa você chupando dedo.
Homem Cogumelo Venenoso: comeu, ta fudido.
Homem Feijoada: você come e ele fica te enchendo o dia todinho.
Homem Coqueiro: pode trepar que não tem galho.
Homem Miojo: em um minuto ta pronto pra comer.
Homem Coca 2 litros: dá pra seis.
Homem pé de chuchu: Você é obrigado a comer senão a vizinha vai lá e come.
E o melhor de todos ...
Homem Bis: você come, repete e nem se lembra das calorias!!!!!
2009
Ano morno, mas marcante apesar disso.
Que venha 2010!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Saber "demais"
... O resto é a sombra de árvores alheias
Segue o teu destino
Rega as tuas plantas
Ama as tuas rosas
O resto é a sombra
De árvores alheias
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses
Vê de longe a vida
Nunca a interrogues
Ela nada pode dizer-te
A resposta está além dos deuses
Mas, serenamente,
Imita o Olimpo
No teu coração
Os deuses são deuses
Porque não se pensam
(Fernando Pessoa)
domingo, 13 de dezembro de 2009
Rebolation
PROFESSOR SABICHANO
Freud disse que os donos de gatos os escolhem na tentativa inconsciente de adquirir suas características. Aqui, dez coisas que podemos aprender no convívio com eles, apontadas pela veterinária e gatófila Luciana Deschamps
1 Relaxar "Gatos adoram uma preguiça e sabem aproveitar cada minuto em que ficam sem fazer nada"
2 Aproveitar o momento "Gatos fazem coisas divertidas mesmo quando não têm plateia"
3 Explorar "Eles querem saber tudo, ver tudo, mexer em tudo, e assim descobrem o que preferem"
4 Ter autossuficiência "Para o gato, ser independente não significa amar menos o dono, mas apenas não ser radicalmente dependente dele"
5 Mover-se "Não há andar mais elegante no reino animal que o jeito silencioso e suave dos felinos"
6 Alongar-se "Saber se esticar é fundamental para quem quer desbravar o espaço ao seu redor"
7 Comer com prazer "Gatos aproveitam ao máximo o alimento. Cheiram, brincam e só depois comem. É o gosto de experimentar coisas novas"
8 Ocupar espaços "Por que se deitar num cantinho, se você pode ocupar a cama inteira?"
9 Observar "Humanos acham que eles não prestam atenção, mas quase tudo o que os gatos aprendem é observando os donos"
10 ter vontade própria "O gato não se submete. Deve pensar: ‘Pobre bípede, acha que vou fazer isso só porque ele quer’. E não faz"
Fonte: Revista Veja
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
O poder da mente
"Para exemplificar, veja-se como a mente pode atuar para modificar os sentimentos de alguém a nosso respeito. Tenho um amigo que, freqüentando determinada instituição, conheceu uma pessoa que lhe demonstrava, sempre que se encontravam, deferência e amizade. Ele, entretanto, toda vez retribuía em pensamento com uma vibração de antipatia, visualizando algum ponto negativo nos modos ou vestuário do companheiro. Com o passar do tempo e persistência de tal atitude mental infeliz, as atitudes do outro foram mudando, da alegria para uma cortesia fria, até tornar-se antagonismo sistemático.
Ao perceber a mudança, o meu amigo compreendeu ser o único culpado da situação, pois retribuíra sempre a gentileza do outro com repúdio psíquico, o que, inconscientemente, foi registrado, gerando a reação conseqüente. Assim como se deu a mudança de boa para má, também o inverso acontece, se criamos uma atitude mental adequada."
(Djalma Argollo, "Ensina-nos a orar")
Superinteressante, não?
O vermelho e o negro
Picas
domingo, 6 de dezembro de 2009
Copa
sábado, 5 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
3x Martha
Como sempre, nosso bem-estar emocional é alcançado com soluções simples, mas poucos levam isso em conta, já que a simplicidade nunca teve muito cartaz entre os que apreciam uma complicaçãozinha. Acreditando que a vida é mais rica no conflito, acabam dispensando esse pó de pirilimpimpim.
Para ser amigo de si mesmo é preciso estar atento a algumas condições do espírito. A primeira aliada da camaradagem é a humildade. Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível. Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que bons amigos fazem: perdoam.
Ser amigo de si mesmo passa também pelo bom humor. Como ainda há quem não entenda que sem humor não existe chance de sobrevivência? Já martelei muito nesse assunto, então vou usar as palavras de Abrão Slavutsky: “Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza”. É uma frase genial. O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende. Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades.
Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora. Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto “ser amigo de si mesmo”.
Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar a outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha “sou rebelde porque o mundo quis assim”. Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância.
Quem não consegue sozinho, deve acudir-se com um terapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu Sêneca cerca de 2 mil anos atrás. Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo.
Martha Medeiros - Jornal de Sta Catarina, 15/11/2009
Cresça e divirta-se
Tenho viajado pra lá e pra cá acompanhando algumas pré-estreias do filme Divã, baseado no meu livro homônimo. Delícia de tarefa, ainda mais quando a gente gosta de verdade do trabalho realizado, e esse filme realmente ficou enxuto, delicado e emocionante. Além disso, ainda consegue me provocar. A personagem Mercedes (vivida pela incrível Lilia Cabral) está fazendo análise e leva pro consultório muitos questionamentos sobre sua vida. Até que, passado um tempo, finalmente relaxa e se dá conta de que não há outra saída a não ser conviver com suas irrealizações. Diante disso, o analista sugere alta, no que ela rebate: “Alta? Logo agora que estou me divertindo?”
Eu tinha esquecido dessa parte do livro, e quando vi no filme, me pareceu tão cristalino: um dos sintomas do amadurecimento é justamente o resgate da nossa jovialidade, só que não a jovialidade do corpo, que isso só se consegue até certo ponto, mas a jovialidade do espírito, tão mais prioritária. Você é adulto mesmo? Então pare de reclamar, pare de buscar o impossível, pare de exigir perfeição de si mesmo, pare de querer encontrar lógica pra tudo, pare de contabilizar prós e contras, pare de julgar os outros, pare de tentar manter sua vida sob rígido controle. Simplesmente, divirta-se.
Não que seja fácil. Enquanto um corpo sarado se obtém com exercício, musculação, dieta e discernimento quanto aos hábitos cotidianos, a leveza de espírito requer justamente o contrário: a liberação das correntes. A aventura do não-domínio. Permitir-se o erro. Não se sacrificar em demasia, já que estamos todos caminhando rumo a um mesmo destino, que não é nada espetacular. É preciso perceber a hora de tirar o pé do acelerador, afinal, quem quer cruzar a linha de chegada? Mil vezes curtir a travessia.
Dia desses recebi o e-mail de uma mulher revoltada, baixo astral, carente de frescor, e fiquei imaginando como deve ser difícil viver sem abstração e sem ver graça na vida, enclausurada na dor. Ela não estava me xingando pessoalmente, e sim manifestando sua contrariedade em relação ao universo, apenas isso: odiava o mundo. Não a conheço, pode sofrer de depressão, ter um problema sério, sei lá. Mas há pessoas que apresentam quadro depressivo e ainda assim não perdem o humor nem que queiram: tiveram a sorte de nascer com esse refinado instinto de sobrevivência.
Dores, cada um tem as suas. Mas o que nos faz cultivá-las por décadas? Creio que nos apegamos com desespero a elas por não ter o que colocar no lugar, caso a dor se vá. E então se fica ruminando, alimentando a própria “má sorte”, num processo de vitimização que chega ao nível do absurdo. Por que fazemos isso conosco?
Amadurecer talvez seja descobrir que sofrer algumas perdas é inevitável, mas que não precisamos nos agarrar à dor para justificar nossa existência.
Martha Medeiros
4/04/2009
O amor que a vida traz
Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.
O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um emprego seguro. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa da Playboy. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.
Aí a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.
E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada o amor solicitado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia encomendado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que nem lhe pertence. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho!
Aquele amor discretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém para o qual um amor discretinho costuma ser desprezado, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Aproveite o que lhe foi entregue por sorteio.
Jornal de Santa Catarina,24/04/2009
Bonnus Track:
Falsa intimidade
Fala-se muito sobre as frágeis relações amorosas de hoje, tão afetadas pela urgência de satisfazer desejos imediatos, pelas inúmeras possibilidades de contato instantâneo e pela pouca durabilidade dos sentimentos. Me pergunto: onde está o furo dessa história? O que perdemos no meio do caminho? Talvez nem tenhamos perdido, talvez simplesmente nunca tenhamos encontrado aquilo que só a poucos casais foi dado viver e que os mantém unidos a despeito de toda a artilharia.
A maioria, hoje, vive suas relações afetivas e sexuais de forma periférica. Contenta-se com cama, orgasmos e satisfação dos instintos. Isso somado a um cineminha, uma escapada no feriadão e um almoço em família configura uma privacidade compartilhada, e é o que basta para confirmar que a relação existe, seja ela chamada de rolo, namoro ou mesmo casamento.
Ainda me pergunto: onde está o furo da história? Por que essa privacidade compartilhada não se sustenta por muito tempo, não satisfaz 100% e gera tantas frustrações?
Com a possibilidade de acesso virtual a uma variedade de candidatos a grande amor e de seus cadastros (idade, profissão, time, fetiches), entrar na privacidade dos outros ficou muito fácil. Porém, em proporção inversa, perdeu-se a noção do que é intimidade, algo que nem mesmo algumas relações duradouras conseguem atingir.
Intimidade não se externa, não se divulga, não se oferece na internet. É nosso bem mais secreto, é onde guardamos a chave do nosso mistério, das nossas dores, das nossas dúvidas, da nossa emoção genuína. Não se compartilha isso com outra pessoa se ela não tiver sensibilidade suficiente para nos ouvir e entender, para nos aceitar e nos acrescentar, para nos respeitar e ofertar em troca sua própria intimidade, selando a partir daí um tipo de pacto que beira o sublime.
Essa intimidade requer confiança plena, compatibilidade na maneira de enxergar o mundo e nenhum instinto maléfico em relação ao outro. Intimidade é quando duas pessoas, mesmo distantes em espaço, estão profundamente unidas porque se reconhecem cúmplices, não competem pela razão. Claro que a intimidade não consegue evitar ciúmes e conflitos de ideias, e tampouco se pretende que ela acabe com a solidão de cada um, que é sagrada, mas ela assegurará a longevidade de uma união que será estabelecida pela generosidade do olhar: se estará mais preocupado em enxergar a alma do outro do que em fiscalizar para onde ele está olhando.
Amigos conseguem essa magia mais do que muitas duplas românticas, que frequentemente se enganam a respeito da falsa intimidade que o sexo faz supor. Invadir a a privacidade alheia é moleza, basta um torpedo, um telefonema, um encontro. Mas ter acesso ao mundo interno que o outro habita e sentir-se à vontade nesse mundo é que torna tudo mais raro, mais mágico e mais eterno.
Jornal de Sta Catarina-28/11/2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Tributo sem ação
domingo, 22 de novembro de 2009
UNIBAN-dalheira
Eu não vou entrar no mérito da falta de compostura da moça. Carências, egos e pobrezas de espírito à parte, o que interessa é que alguém foi humilhado e punido por exercer seu direito de vestir-se como quer. E isso em São Paulo, que se gaba de ser primeiro mundo! Durma com um barulho desse.
Eu não acreditei. Queria morrer e solicitar que, numa próxima vida, eu encarne num país decente, onde as pessoas têm respeito pelas outras. Você pode dizer "Ah, mas ela pediu". E eu digo: nem que ela estivesse pelada eles tinham o direito. Homem bota o pênis pra fora e faz xixi na rua e nada acontece. Por que uma mulher não pode usar saia curta?!
O machismo tem que acabar no Brasil. Na boa. Por mais que um homem ache uma mulher vagabunda, ele não tem o direito de destratá-la por isso. Cada um no seu quadrado e tudo dá certo.
Acho que sou meio bronqueada com esse tipo de situação porque passei por isso ainda novinha. Lembro que assim que cheguei a Salvador - tinha 11 pra 12 anos - fui inventar de dar uma volta na orla de Piatã, num domingo, com minha colega. Um bêbado se jogou em cima da gente, e eu, num reflexo, o empurrei, quase provocando a queda da criatura lá embaixo, na areia. Tomei o maior susto. Nunca mais andei na orla aos domingos. Até hoje não gosto de sair sozinha neste dia. As pessoas estão bêbadas, só tem vagabundo, a rua está vazia, é um horror... Anos depois, embora as tivesse avisado, minhas primas goianas passaram pela mesma situação. Voltaram pela areia, fugindo de um carro que as perseguia, morrendo de susto. Isso é vida?
Até países latinos/machistas estão mais avançados que o Brasil. Duvido que um argentino faça isso com uma argentina. Os espanhóis não mexem com as mulheres na rua, segundo fiquei sabendo. Aliás, nem é bom falar em Europa que a frustração cresce. Até topless a mulherada faz, e tudo se dá com a maior naturalidade... É fogo, é fogo!
Calos
Assim como usar sapatos, já não me dói mais um monte de coisa que antes me doía - e, literalmente, graças a Deus! Em oito meses - as coisas mudaram de rumo, olhem só, bem na semana em que fiz aniversário! -, cresci muito como pessoa, mudei bastante a (qualidade da) minha atitude. 2009 foi o ano em que me livrei de muito "lixo", de muito "peso". Parto rumo a 2010 sem "excesso de bagagem". Estou aprendendo a "viver a vida". Criei "calos" que me protegem, agora, da dor, ou melhor dizendo, os pequenos atritos já não me deixam mais em "carne viva". E apesar das recaídas e dificuldades que ainda tenho, me sinto muito abençoada pela oportunidade que a vida vem me dando de consertar muita coisa, de aprender muita coisa, ainda jovem. Queria ter sabido o que sei hoje há dez anos. Mas, como diz o outro, tudo tem seu tempo certo. Fazer o quê, né?!
Uma amiga, que assim como eu também gosta de "filosofar", sempre me lembra o quanto temos sorte por isso. Ela me diz: "A esmagadora maioria das pessoas só vai se tocar da miséria que foi a própria vida quando já for tarde demais, quando estiverem face a face com a morte". Quem viveu bem, vai morrer bem. Fato. A esmagadora maioria das agonias que vemos em pessoas que estão em fase terminal mais se deve ao desperdício de vida que a iminência da morte. Outro fato.
A verdade é inevitável, não adianta fugir dela. Vai querer dar de cara com tudo que sempre evitou só na hora da morte, quando nada mais se pode fazer?! "Façam tudo que forem capazes só para viverem em paz".
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Linhas Cruzadas
domingo, 8 de novembro de 2009
Reconhecimento
É que às vezes não basta saber; é preciso também ver, experimentar aquilo sobre o qual se tem certeza.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Pituba...
Ô!...
Detesto andar na Pituba. Vivo em pânico naquelas ruas, achando que vou ser assaltada a qualquer instante. Acho que criei trauma por causa de Davi, a pessoa que certamente bate todos os recordes de assaltos no bairro tendo como alvo uma mesma pessoa! hahaha... Não moraria ali nem a pau, até porque, além de ser um lugar visado por marginais, é sem vida, sem alma. A Pituba é um "não-lugar", como diria um certo teórico da Comunicação.
Em dois meses que freqüento o bairro, já presenciei (o resultado de) um assalto, o roubo do som de um carro. Mas nada, até então, se comparava ao evento de hoje.
Um sujeito estava saindo do Bradesco da Manoel Dias, quando foi abordado por ladrões armados. No susto da situação, correu. Entrou num prédio. Os bandidos não se intimidaram, e continuaram a "caçada". Da minha sala, ouço um estrondo. Minha colega brinca: "Opa! Um tiro!". E era. Situaçãozinha bizarra - penso cá comigo.
Todos para fora. De repente, um homem de expressão sobressaltada - desculpem o trocadilho infame! -, adentra o lugar onde me encontro junto com dezenas de outras pessoas. Bebe água, nem consegue sentar, e conta a história, para depois, acompanhado de um policial, se retirar, ainda meio que em transe por conta do susto pelo qual passou.
Moral da história: a Pituba é uó - e Deus que nos defenda da energia bélica daquele lugar. (Amém!)
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Terererê! Terererê!... A.F.T.!
Tá. Nesse meio tempo, fiz aula de violão e de espanhol, mas foi bem diferente. Duas horinhas, duas vezes por semana. Tô encarando a pauleira de quatro horas por dia, seis vezes - no mínimo - por semana. Nome do curso: Auditor Fiscal do Trabalho. Achei a minha cara. Me disseram que posso combater injustiças, inclusive trabalho escravo. Me disseram também que morre-se muito neste cargo. Quem quiser ganhar dinheiro com seguro de vida, pode me procurar pra fazer um em meu nome! hehehe... Tenho medo disso, não. Só vou ter medo de morrer quando tiver meus filhotinhos (o espírito de Susanita baixou em mim!). Mas ainda vai demorar é tempo - infelizmente! E alô, Elenildes Maria! Tenho grandes chances de ser sua vizinha aí no Norte del Brazil!... (Outro dia viajaram na maionese dizendo que usted tá na França. Rebati que o mais próximo que se encontra disso é da Guiana Francesa. :D)
No começo, achei que o meu curso seria que nem o de Auditor Fiscal, cheio de almofadinhas. Que nada. Grupo heterogêneo. Nenhum simpático - se é que vocês me entendem. Quando finalmente encontrei um - tipo latino: moreno, cabeleira lisa, castanha e farta, traços bem hispânicos -, lamento o fato dele ser baixinho. Depois vi que ele é meio boyzinho. Mesmo assim "perseverei". Mas houve um dia em que a fantasia murchou de vez. Ele sentou do meu lado e, como diz uma colega, "passei o pente fino" no rapaz. Que decepção: cabelo branco, camiseta furada (duas brocas!) e ainda mau hálito. Deus é mais! Melhor estudar (e aguardar a próxima turma da PF, que, segundo dizem as meninas, é maraaaaaa! hahaha). Na verdade, tem um simpático na turma, mas ele, pra variar, é comprometido, e a namorada dele, pra variar (vol.2), está na turma também e é uma das pessoas de quem mais gosto lá.
Pois é, estudando de domingo a domingo tenho feito bons colegas.
Começamos a nos unir por conta de um professor sem noção de uma matéria. Deu a maior confusão entre ele, o curso e o grupo. Depois, mais confusão por conta do escopo, de algumas matérias. Uma baixariaaaaaaaa!... Teve um dia em que a coordenação do curso subiu pra conversar com a gente, e eu me senti na escola do prof. Girafales, com todo mundo falando ao mesmo tempo. Hilário!
Como não podia faltar, existe a "fauna" de tipos. A líder inflamada. A superarticulada. O organizadinho. As patricinhas united. A piriguete surtada. Os alternativos. A nerd fashion. A loira marombada. A forasteira com sotaque. A clássica. Somos a sala mais polêmica da CDC. Os professores já chegam dando a entender que tão sabendo disso. Fazer o quê? Sempre entre os rebeldes, essa é a minha sina... hahaha
O mais legal, além da formação, é que você ainda aprende com essas pessoas. Outro dia, peguei carona com um colega, e ele contou a vida dele. Nossa, nunca vi tanta desgraça acontecer com uma pessoa, de uma vez, num período curto. A gente fica preso no nosso mundinho, e de repente descobre que é tão afortunado e nem dá valor. Poxa, a gente ficou em altos papos (mas já me disseram que ele é gay. Realmente, neste sentido, a turma de AFT é a trevaaaa! :P).
Os professores também são bacanas. Fiquei amiga de dois. Um deles, então, virou brother. Só lembrei de Elen. Assim como nossa amiga, ele também veio do teatro, e faz das aulas espetáculos. Só Daniel (double Elen! :P), mesmo, pra não me deixar dormir. Até confessou que faz de propósito. Se me vê piscando, aumenta o volume - os colegas de faculdade devem lembrar que nunca tive grandes pudores de dormir em sala de aula! (risos)
E sabe qual é o mais incrível disso tudo? Encontrei um colega de Ô Ingrid. Santíssima, tá lembrada de Nelson, da turma de AFT - 2007? Pois é. Mundinho pequeno...
Pois é, queridos, se não me virem na society por essas semanas, não estranhem. Até janeiro, tô na gang do AFT... Terererê, terererê!... AFT!!! :P
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Frase da semana
"O casamento é uma má idéia se você deseja se casar para ser feliz; mas uma boa escolha se o seu intuito é casar para fazer alguém feliz."(Djalma Argollo, terapeuta junguiano e presidente da Sociedade AMAR)
Os dois Cs da questão
Conversa vai, conversa vem, as fofocas sobre a vida alheia vêm à tona, e instala-se o momento deprê da noite: os meninos, todos amigos, estavam indignados com um amigo em comum que está sendo corneado, mas custa a dar crédito às evidências, e até às "denúnicas" de alguns outros amigos.
Eu entendi perfeitamente o drama. O episódio diminuiu consideravelmente a admiração deles pelo amigo do peito. E não consigo pensar em muitas coisas mais tristes que amar alguém sem admira-lo. Como diz a menina da novela, "é a treva". Entre os homens essas coisas são piores. Ser corno (desavisado) é uma coisa; resignar-se a ser corno é outra bem diferente. Enfim, eles estavam arrasados com a cornice descarada do fulaninho - fora que não há nada pior do que ver alguém querido entrando numa roubada, e não poder fazer nada.
Quem já não passou por isso, hein? A gente fica cobrando do outro bom senso, coerência, e se choca quando percebe naquela pessoa de quem tanto gostamos algo que vai além da falta disso: a má vontade em ver a verdade. "Mentiras sinceras me interessam". Nunca entendi qual é a graça disso. Tá certo que a gente acredita em um monte de porcaria ao longo da vida. Mas pessoas relativamente saudáveis costumam não saber que são mentiras - as compramos como crenças geralmente por ignorância ou imaturidade. Duro é quando sabemos que se trata de uma ilusão, e (por qualquer motivo não muito digno) descartamos a verdade como quem corta um pedaço de unha. Eu fico, no final das contas, com muita pena. Para que mentiras sinceras interessem, há que se estar muito fragilizado diante da sua própria realidade.
Uma vez, uma pessoa bem próxima a mim, que vivia um namoro vexatório, pediu minha opinião sobre o namorado dela. Eu nunca gostei dele, mas nunca falei nada. Há tempos havia desistido de dar qualquer conselho à fulana (é como eu digo, enquanto eu estiver falando, é porque me importo...). Naquele dia, sentadas no meio fio, eu perdi a paciência, e perguntei a ela, entre berros, o que faltava pra se tocar que o beltrano não tinha um pingo de afeição por ela. Cinco minutos depois me arrependi. Aquele namoro, ainda que falido, era a única coisa que quebrava a monotonia daquela vida tão sem perspectiva. Mesmo de má qualidade, o namorado rendia-lhe histórias, dava-lhe o que conversar com as pessoas. Não lhe falei nenhuma mentira, mas senti que devia ter ficado quieta. Ela sabia perfeitamente daquilo que lhe disse (ô!...), e a minha sinceridade não serviu pra nada além de aumentar a vergonha dela em relação a si mesma. Fiquei me sentindo uma vilã; uma babá malvada que tira o bico da criança (e todos sabemos como esses bicos fazem mal, mas, por outro lado, são o consolo dos bebês).
É que a gente não percebe uma coisa muito óbvia nas relações humanas: mais do que serem convencidas, as pessoas querem ser cativadas. Não há muita gente bem-resolvida (de verdade) circulando por essa Terra. O povo é muito carente, e a vida é uma sucessão de atos repetitivos e mecânicos. No fundo, a esmagadora maioria não está aqui atrás da sua verdade, mas de alguma emoção, ou melhor, de alguma sensação.
Há algum tempo já saquei que nem todo mundo agüenta grande dose de realidade, essa é que é a verdade. Pena. Manter-se na zona de conforto pode ser cômodo, mas não costuma gerar crescimento pra ninguém.
Dois celulares
Há muito venho percebendo que grande parte do povo anda ostentando dois celulares. Com exceção dos médicos, advogados e empresários, não entendo a utilidade de se ter dois celulares para o resto das pessoas. Vai ver que é porque detesto telefone.
Resolvi investigar. Fiz uma pequena enquete com o povo do trabalho, e descobri como isso acontece. Ter dois celulares muitas vezes é como ter duas contas de banco: um dia, por necessidade, você precisa ter uma linha de outra operadora que não a sua (seja por conta do trabalho ou do/a namorado/a), e acaba se acostumando com o fato. Simples assim.
sábado, 24 de outubro de 2009
Sintonia
Tenho um amigo que, se for contar, só o vi umas cinco vezes em dez anos que nos conhecemos, mas, quando a gente se encontra, é sempre uma festa (nota: ele é gay - antes que alguém pense besteira!), como se o intervalo de tempo não tivesse sido tão grande entre um encontro e outro. Não temos tanto em comum, assim, mas rola uma sinergia incrível. A gente simplesmente se encaixa. Ponto... E como é bom, né? Quando isso acontece comigo, sinto que a alma acorda, sei lá!... Adoro!...
Tem gente que não se encaixa na gente mas nem por decreto! Você tenta resolver pela esquerda, e nada. Você tenta se adequar pela direita, e o desastre aumenta. Você olha, pensa, respira fundo, e simplesmente não entende o porquê do descompasso. Tinha tudo para ir bem, é verdade, mas o fato é que não dá samba. E essas coisas, vejam bem, simplesmente acontecem. Sim, acontecem. E a gente tem que realmente deixar acontecer, pois quando forçamos a barra, geralmente o tiro sai pela culatra.
Mais um fenônemo estranho by Vida para a minha listinha...
Vai ver dona Clarice tem razão, e viver realmente ultrapasse qualquer entendimento.
sábado, 10 de outubro de 2009
A era do tô me achando
“Bacanas teus óculos”, falei. Leves, classudos, num tom esportivamente escuro, cada lente com uma sombra que subia de baixo para cima, tornavam misterioso o olhar do amigo, um jovem editor. Comentei que nunca o tinha visto de óculos. Ele devolveu: “Pois é, mas eu estava com a vista cada vez mais cansada, até que fui ao oculista e ele me disse que precisava usar. Dois graus de miopia. Excesso de leitura. Fazer o quê...”, compungiu-se, o olhar vago, empurrando o par de lentes nariz acima com um charme intelectualmente sofrido. Mês depois, encontrei uma amiga cujo pai é oftalmologista. Entre anedota e outra, ela me contou que um curioso cliente do pai havia pedido um modelo de óculos sem grau. É, era ele mesmo – o editor.
Vivemos tempos curiosos. A cada segundo, e através de todos os meios possíveis, somos expostos aos corpos mais perfeitos, às biografias mais irretocáveis, à pose generalizada de famosos e anônimos. Vaidade pura. Mas um momento: você já experimentou sair por aí todo mulambento, comparecer despenteado a uma entrevista de emprego, esconder de parentes e amigos aquele êxito nos estudos? Impossível, não? Porque, hoje, não ter vaidade – não ter o hábito de apregoar aos quatro cantos, reais e virtuais, o quanto você pode ser atraente, sensacional e único – parece ser um dos maiores pecados da nossa era, esse tempo em que todo mundo parece estar “se achando”.
Por isso, os óculos de araque do meu amigo. No meio altamente intelectualizado em que ele vive, circulando entre Festas Literárias de Paraty e debates seguidos de sessões de autógrafo nas livrarias mais chiques do eixo Rio-São Paulo, ostentar uma armação bacanuda é o equivalente, em termos culturais, às pernas muito bem torneadas – horas de academia – da mocinha da novela das 8. Ou seja: tudo é vaidade.
Vício letal? Parece fácil, mas vaidade, como parâmetro norteador desta época, é algo bastante volátil para definir. Vai longe o tempo em que ser vaidoso bastava para condenar um cidadão, ou editor, ao inferno. No início da cristandade, a vaidade, sob a alcunha de vanglória, foi pecado capital; por volta de 1500, integrou a lista na forma de orgulho ou soberba; ainda é a mais diabólica contravenção para os cristãos ortodoxos; segue relacionada à Prostituta da Babilônia no Apocalipse. Foi o que conduziu Lúcifer, mais belo dos anjos, do lado direito do Senhor aos portões do inferno, por rejeitar a imagem de Deus em benefício da própria. Vanitas vanitatum, omnia vanitatum, diz o Qohélet (Eclesiastes), sobre o sentido da vida – a tradução corrente é “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”, porém o poeta e tradutor Haroldo de Campos preferiu cercar a expressão “vacuidade” do hebraico ao termo “ilusão”. E, quando iniciamos o passeio pelo significado da palavra, este se adensa, ao mesmo tempo que esfumaça... Bem, estamos falando de aparências.
Pelo Dicionário Analógico da Língua Portuguesa de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, inexplicavelmente esgotado desde 1984, “vaidade” tem 71 substantivos afins, incluindo “ânsia incontida de despertar a admiração”, “parlapatonice”, “exibicionismo”, “pretensão”, “megalomania”, “egoísmo”, “inchaço” e, claro, “narcisismo”. (Um dicionário analógico não traz sinônimos, e sim conceitos dispersos pelo campo semântico das palavras; este do lendário Santos Azevedo, mestre de Sérgio Buarque de Holanda, estrutura-se em exatos mil verbetes, começando em “existência” e terminando em “templo”; “vaidade” está entre “ostentação” e “orgulho”.)
Meu sinônimo favorito, o que ajuda a iluminar nosso tempo, é “inchaço”. Até por causa da característica física da palavra – como se o vaidoso estivesse “cheio de si”. Mas que seria concretamente esse “si”? O ser ou o nada? Batom, botox ou fotos bacanas no Facebook? Sapatos Gucci, um iPod novo ou um belo currículo na Casa do Saber? O cabelo do Justus, a peruca da Dilma, os pneus de Ronaldo Fenômeno, o bigodão de José Sarney, o retrato de Dorian Gray? A obsessão pela juventude dos sessentões vampirescos atrás das menininhas, a susanavieirização do mulherio? A vaidade sempre seria ruim, ou poderia ser um componente positivo da competitividade, um estímulo caprichoso à autoafirmação? Ou seria mesmo um vício – e um vício letal, matando tanto anônimos que tentam ficar lindos na mesa da lipoaspiração quanto os Michael Jacksons que lutam pela glória através de remédios contra a dor de horas de torturantes exercícios físicos?
Narcisismo epidêmico
Óbvio que, na sua ampla e incansável psiquiatrização do cotidiano, os norte-americanos já tratam a vaidade como patologia. Autora de Generation Me (“Geração eu”, sem edição brasileira), a psicóloga Jean Twenge crê que a autoconfiante geração nascida em 1980 – que passa horas lambendo as migalhas da própria existência entre o Facebook e o Myspace – é muito mais narcisista que as gerações anteriores.
Twenge trabalhou com o colega W. Keith Campbell no recém-lançado best-seller a analisar os miolos moles dos ianques: The Narcissism Epidemic (“O narcisismo epidêmico”, ainda sem edição brasileira). Para a dupla, a coisa ficou preta e o espelho trincou – e o resultado, ora vejam, é o bode expiatório da vez, a malfadada crise econômica. Parece meio infame, tanto quanto o transtorno obsessivo narcisista (leia na pág. 27). Mas faz sentido – sobretudo para a alma norte-americana, sempre tão disposta a diagnosticar- se e tratar-se e partir para o próximo transtorno como se não houvesse amanhã, caso a doença mexa no bolso. Em entrevista à revista de educação US World Report, Campbell afirma ter comparado as pesquisas com jovens entre narcisistas e obesos: “Os resultados foram bem semelhantes”, diz. Numa amostragem de 35 mil jovens, a dupla de psicólogos descobriu que 6% sofriam de transtorno obsessivo narcisista. Contudo, somente 3% das pessoas acima de 65 anos tinham esse transtorno. “Um dado a comprovar que estamos em uma epidemia fora de controle”, afi rma o psicólogo.
Ele enumera quatro causas: a educação dos pais, a cultura de celebridades, a mídia e o crédito barato. “Muitos pais tratam seus filhos como reis”, diz. “Reality shows são altamente narcisistas, e supõe-se que sejam a vida real; neles, subentendese que o narcisismo é algo normal.” Campbell é especialmente duro com a rede. “As pessoas nunca falam que leem Guerra e Paz, de Leon Tolstói, no Myspace. Em vez disso, colocam fotos sensuais, a coleção de amigos, as músicas legais. Para piorar, crédito barato faz com que os jovens gastem para se parecerem melhores do que realmente são. Têm coisas que não fizeram força nenhuma para pagar.” Claro que esse argumento financeiro tem muito a ver com a realidade americana, onde bolhas econômicas costumam ser uma rotina – mas, afinal, o mundo está cada vez mais parecido com os Estados Unidos.
Vaidosos Anônimos
Provavelmente, a valorização do discurso da autoestima e a febre da autoajuda são culpadas dessa apoteose ao me-achismo. Porém, como depois da tempestade sempre vem a ambulância, conforme deduziria o pensador Vicente Matheus, imagino que daqui a alguns anos a loucura narcísica dará valor à autocasca-debanana, ao autofail: aprenderemos a puxar em público nosso próprio tapete. Como bem o faz esse grande vaidoso que é Woody Allen (vai dizer que deixar de ir receber um Oscar porque a data caía no mesmo dia em que ele toca com sua banda de jazz em um clubinho de Nova York não é o extremo da vaidade?). Esse culto desenfreado ao amor-próprio ainda vai produzir coisas estranhas... Em breve, abrirão inscrições para os Vaidosos Anônimos. Pode escrever.
Por enquanto, vamos vivendo a grande época da vaidade. A imodéstia saiu do armário e está toda serelepe: não à toa a burca foi proibida na França pelo presidente Nicolas Sarkozy (cuja soberba se estende dos saltos nos sapatos que o elevam à não menos digna de vaidade primeiradama Carla Bruni). Mas... não seria também a burca, ao esconder a figura feminina (ou os filhos do finado Michael Jackson), sinal de extrema vaidade? Não é cinismo: segundo o Islã, o véu torna as mulheres atraentes porque sutilmente apela à sua vaidade. Não importa quão feia ou velha seja a muçulmana: qualquer homem fica louco à mera visão de seus cabelos descobertos. Assim, sob seu modesto esconderijo, uma muçulmana é a mais desejável das criaturas. Já as pobres ocidentais, agindo livres, encontrando-se com homens em situações prosaicas, acabam, pela rotina, se tornando sem graça. A não ser que sejam jovens e belas, cairão fatalmente sob o olhar indiferente dos pares – deixarão de ser tratadas como objeto de mistério para virarem meros objetos sexuais. O que me faz pensar na pretensa vaidade de sujeitos como os escritores americanos Thomas Pynchon e JD Salinger, e os brasileiríssimos Rubem Fonseca e Dalton Trevisan, reclusos ou arredios assumidos. Fogem de entrevistas e retratos como Madonna das trevas do anonimato. Paradoxo de hoje: o véu que os cobre não os tornará bem mais valorizados?
Na outra ponta do estudo do narcisismo, o filósofo francês Gilles Lipovetsky faz uma abordagem ao mesmo tempo eufórica e catastrófica – espelho fiel do espírito da época, a que ele nomeia de forma eloquente, ao gosto dos franceses, como A Era do Vazio. O próprio texto de Lipovetsky é hiperbólico, afeito aos paradoxos, extremamente vaidoso, cioso de si. Mas delicioso, e crivado de teses brilhantes. Em O Império do Efêmero, Lipovetsky faz uma leitura bastante original da cultura contemporânea através da importância cada vez mais crescente da moda. Muito gaulesmente, diz que a moda – espe- cificamente a fl orescida em Paris – condensa na ideia de individualidade os ideais da Revolução: liberdade, igualdade, fraternidade.
Solidão em massa
“A promoção das frivolidades só se pôde efetuar porque novas normas se impuseram, desqualificando o culto heroico de essência feudal e a moral cristã tradicional, que considera as frivolidades como signos do pecado do orgulho”, afirma Lipovetsky. “Da ideia de altivez relativa à dignificação das coisas terrestres saiu o culto moderno da moda, uma das manifestações (...) da humanização do sublime.” O filósofo não separa a moda – e, assim, o fascínio pelo Novo – da ideologia individualista, do culto ao bem-estar, aos gozos materiais, ao desejo de liberdade, à vontade de enfraquecer a autoridade e as coações morais, ao triunfo da ideologia do prazer.
No entanto, Lipovetsky lembra que a busca dos valores individuais traz um fenômeno ainda mais estranho que o estudado pelos senhores psicólogos acima: a “solidão em massa” refletida no número cada vez maior de suicídios. “A era da moda consumada é inseparável da fratura na comunidade e do déficit de comunicação: as pessoas se queixam de não serem compreendidas ou ouvidas, de não saberem se exprimir” – uma festa de autistas que lembra um pouco uma rave impulsionada por ecstasy, ou uma sessão furibunda de Twitter movida a banda larga.
O pensador francês sugere que vivemos um segundo momento da Era do Vazio, em que “a busca da riqueza não tem nenhum objetivo senão excitar admiração ou inveja”. Nesse mundo ultracompetitivo, o Outro só faz sentido se viabilizar o sucesso do Eu. No igualmente sombrio e triunfante A Era do Vazio, Lipovetsky aproxima os conceitos de vacuidade e vaidade, vazio e Narciso: “Que outra imagem é melhor para significar a emergência de individualismo na sensibilidade psicológica, centrada sobre a realização emocional de si mesma, ávida de juventude, de esportes, de ritmo? (...) O neonarcisismo é psicologia pop: a expressão sem retoques, a prioridade do ato de comunicação sobre a natureza do comunicado, a indiferença em relação aos conteúdos, a assimilação lúdica do sentido, a comunicação sem finalidade e sem público, o remetente transformado em seu principal destinatário”.
Em uma imagem que resuma tudo: o meu elegante amigo observando-me superior por trás das lentes falsas, feliz da vida por enganar a si mesmo.
LIVROS O Império do Efêmero, Gilles Lipovetsky, Companhia das Letras A Era do Vazio, Gilles Lipovetsky, Manole
Você precisa estar no centro das atenções (médicas) se...
• Possui senso grandioso de autoimportância (espera ser reconhecido como superior sem que tenha feito ações à altura)
• Preocupa-se com fantasias de sucesso, poder, brilho, beleza ou amor ideal ilimitados
• Acredita que é “especial” e que só pode ser compreendido por outras pessoas especiais ou de status elevado
• Precisa de admiração excessiva
• Sente-se em posição de possuir direitos, ou seja, tem expectativas além do razoável de receber tratamento favorável ou de aceitação automática das suas expectativas
• Aproveita-se de relacionamentos interpessoais, isto é, manipula os demais para atingir seus próprios objetivos
• Não demonstra empatia, não tem disposição para reconhecer os sentimentos e as necessidades alheias ou identificar-se com isso
• Muitas vezes inveja os demais ou acredita que os outros o invejam
• Demonstra comportamentos ou atitudes arrogantes e insolentes
• Leu este teste observando-se ao espelho (brincadeira...)
Fonte: DSM-IV, Diagnostic and Statistic Manual of Mental Disorders,
Fonte: Revista Vida Simples, "Grandes Temas", outubro de 2009.
sábado, 3 de outubro de 2009
Cães & Gatos
Você é cachorro ou gato? Não entendeu? Eu quero saber se você segue os seus instintos ou se opta pela situação mais cômoda pra você.
Nunca gostei de gatos. Que me perdoem os admiradores dos felinos, mas os cachorros, sim, são fundamentais. Claro que se trata de uma questão de identificação. Nunca fui muito egoísta, no sentido "farinha pouca, meu pirão primeiro"; minhas tendências sempre foram mais gregárias, assim como são as dos cães. Ah, pra quê cuidar de um animal que só quer receber e pouco dá?
O cão é um ser sentimental, carinhoso e leal. Tanto é que o relacionam muito a palavra "amizade". "O cachorro é o melhor amigo do homem", dizem. O gato é o esperto, o malandro. Dizem do ladrão que se trata de um "gatuno".
Estereótipos, claro. De cão e de gato, para o bem e para o mal, todos temos um pouco.
sábado, 26 de setembro de 2009
Alter-ego
Céu de Brasília, traço do arquiteto...
Essa música anda me perseguindo nas últimas semanas. Não faz mal: é Djavan. Aliás, eis mais uma delícia de canção by Djavan - de quem aprendi a gostar com minha professora de pilates que só botava isso pra tocar nas aulas (subi 5 escalas, agora, no "frescamômetro"! hihihi).
Sinto-me particularmente contemplada por esse trecho da canção! (risos) Mas gosto mesmo é desse trecho aqui:
Mas é doce morrer nesse mar
de lembrar e nunca esquecer
Se eu tivesse mais alma pra dar
eu daria
Isso pra mim é viver
Devagar com o andor
Não é de hoje que o autor força a barra em relação a valorização da sexualidade da terceira idade. Sabe, nada contra um galã de meia-idade, mas essa panfletagem de Manoel Carlos enche o saco, até porque anda mal feita, é expressa via histórias que mais causam crítica que simpatia. Alguém via liga entre Lorena e Expedito? Não tava na cara que ele, apesar de ser um cara honesto, estava com ela mais por comodismo que por real afeição? Pô, se quer defender a causa, pelo menos arme um contexto que realmente convença o receptor da mensagem daquilo que deseja transmitir.
Voltando a "Viver a Vida", Zé Mayer nunca foi bonito, mas, como ele mesmo disse outro dia, possui masculinidade. É um coroa que tem "it". Mas espera-se que com a idade alguém amadureça, principalmente o homem, que tem no autocontrole uma das condições para a tal masculinidade. É o contrário do que vemos na novela, através de Marcos. Pra mim, ao menos, é desestimulante esse tipo de sujeito metido a garotão que Manoel Carlos vem oferecendo para o Mayer interpretar. Nenhuma mulher inteligente se interessaria por um homem presunçoso e egoísta desse. Cadê o Dr. Moretti de "História de Amor"? Aquilo sim é que é partido!... Ô!...
Fora que há um detalhe básico nessa história: a bunda de gente velha não é das mais agradáveis de se ver. Sempre penso nisso nas cenas de quarto do Mayer com a Taís Araújo. Tudo bem que ali é ficção, novela, mas numa situação real, há de se ter muito amor para encarar um cara já com a cara murcha, imaturo, com 3 filhas da mesma idade que a sua e que ainda por cima está com a bunda velha. Não dá! Eu não acredito no amor de Helena, viu!...
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
These Days...
Yeah!... I DO like Bon Jovi´s energy!
A Lista
Outro dia, estava lembrando de meu professor de português gaiato, Lúcio. Hoje, andando pelo meu local de trabalho, com quem eu literalmente bato de frente? Pois é! Há 11 anos não o via. Fiquei tão contente que dei um abraço, e depois, no meio da conversa, abracei-o de novo - ele deve ter pensado que eu sou uma retardada que sai abraçando os outros por aí! Mas foi massa! Deu saudade dos velhos tempos...
Em homenagem a Lúcio, "A lista", de Oswaldo Montenegro!!
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Sweet child of mine
Outro dia estava pensando sobre isso, sobre a criança que um dia fui. Estava vendo um vídeo no Youtube sobre criatividade, e a resposta de uma criança, protagonista de um caso que o palestrante deu como exemplo, me chamou a atenção. Perguntada pela professora sobre o tema de seu desenho, uma garotinha respondeu que estava desenhando Deus. O adulto argumentou com a criança que ninguém conhece a aparência de Deus. A menina, de pronto, respondeu: "Vão conhecer num minuto!". Eu ri muito porque, na idade dela, eu responderia a mesmaaaa coisa!!!... Mas, como cantava Renato Russo, "não sou mais tão criança, a ponto de saber tudo". :(
Olhando para trás, nunca fui tão legal (e tão minha própria fã! :D) como quando era pequena. Meu pai até hoje dá risada de uma vergonha que o fiz passar numa das festas de final de ano da matriz da CEF, quando tinha de cinco para seis anos.
O pai tinha um colega de trabalho - o Paulinho - que era deficiente físico. Eu o vi a festa inteira passando de muleta pra cá, de muleta pra lá. Em determinado ponto, cheguei para Paulinho, e na lata ordenei: "Ei, passa pra cá! Você já brincou demais, e agora é a minha vez!". Meu pai quase imitou a Ana Maria Braga, e quis se enfiar debaixo da mesa. Levei um berro dele me ordenando que deixasse o sujeito em paz - justo de meu pai cuja voz de barítono sempre me impressionou, em especial na infância. Paulinho ficou uns dez segundos parado, certamente se perguntando de onde eu havia tirado que aquilo era um brinquedo e que a deficiência dele era divertida, mas desconfio que devido a minha criatividade em bolar uma versão "colorida" para o drama de locomoção dele, e provavelmente com pena da pagação que levei de meu pai, resolveu me deixar dar umas voltinhas no "seu brinquedo". E lá fui eu, de muletas, feliz da vida e achando que andar com aquilo era pura diversão! hehehe...
Vou soar brega, mas acreditem que falo a mais pura verdade: ser novamente essa pessoa é um dos meus objetivos atuais. É nessa criatura vivaz e espontânea que um dia fomos que reside a nossa verdade, o nosso eu real. Quanto mais me sinto adulta, mais me dou conta disso!...
Esse blog pergunta: você tem mantido contato com a sua criança interior?
PS.: Sem dúvida, a nossa infância foi a melhor, ou a última das melhores. Domingo, no desfile do Barrinha (alô, Mônica!!!...), só tocaram as canções dos anos 80: Trem da Alegria, Xuxa, Balão Mágico...
sábado, 19 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Isso também passa!
“Chico Xavier costumava ter em cima de sua cama uma placa com os dizeres: ´Isso também passa!´. Então perguntaram a ele o porquê disso. Ele disse que era para que quando estivesse passando por momentos ruins, se lembrar de que eles iriam embora, que iriam passar, e que ele estava vivendo isso por algum motivo. Mas essa placa também era para lembrá-lo de que, quando estivesse muito feliz, não deveria deixar tudo para trás e se deixar levar, porque esses momentos também iriam passar, e momentos difíceis viriam novamente. É exatamente disso que a vida é feita, de momentos. Momentos que temos que passar, sendo bons ou não, para o nosso próprio aprendizado. Nunca esquecendo do mais importante: nada nessa vida é por acaso! Absolutamente nada!
Por isso temos que nos preocupar em fazer a nossa parte, e da melhor forma possível. A vida nem sempre segue o nosso querer, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser!”
(Autor Desconhecido)
domingo, 13 de setembro de 2009
Por Amor

Gosto das tramas do autor não só porque são agradáveis de ver, mas porque me suscitam reflexões sobre a vida - outro vício do qual quero também me livrar (risos).
A primeira vez que Maneco me pôs pra pensar, de verdade, foi em "Por Amor" - na minha opinião, essa foi a última história "redonda" dele, apesar de não ter dado muito ibope. "História de Amor" foi a melhor. Meu Deus, como adorava aquela novela!...
As novelas de MC sempre estão centradas na figura da mãe. A maternidade, pelo que tenho visto, é uma tarefa das mais árduas - se não a mais -, mas é um ótimo escudo para as loucuras de algumas mulheres. Se "por amor" as pessoas perdoam toda e qualquer transgressão, imagine se esse amor for de mãe?! Quem é louco de contestar uma mãe bem-intencionada?! Por isso mesmo, a meu ver, há de se ter muito cuidado com esse tal "amor de mãe".
Primeiro porque por mais que a mãe seja imensamente e sinceramente amorosa, antes de qualquer coisa, ela também é gente, e isso pressupõe a existência de interesses próprios. Segundo, o amor pressupõe respeito, e, sendo assim, cabe a uma boa mãe respeitar as escolhas de sua prole, por mais que lhe doa - vixe, essa parte deve ser difííícil!
As mães de Manoel Carlos sempre me pareceram uma crítica ao comportamento no fundo egoísta das mães.
Afinal, qual é o direito que alguém que ama outro tem sobre o objeto do seu amor? Quem tem o poder de definir o que faz a felicidade do outro que não a própria pessoa?
Manoel Carlos, ao que me parece, concorda com Nelson Rodrigues: "No amor, só temos direito àquilo que o outro nos quer dar". Como legítimo pisciano, o pai das Helenas parece sonhar com um mundo de relações nobres entre as pessoas (embora já tenha ouvido falar que ele não é nenhum doce de coco). Quem dera todo mundo fosse traído e se comportasse de maneira elegante como Virgínia (Angela Vieira).
Em nome do amor, os personagens de Manoel Carlos atropelam seus seres mais queridos. Na referida novela, por exemplo, Helena (Regina Duarte) chega ao cúmulo de afastar o filho recém-nascido do pai, Atílio (Antonio Fagundes), cujo maior sonho, aliás, sempre foi se tornar pai. Para que a filha não sentisse a frustração de não poder ter um filho biológico, a mãe deu seu próprio filho e impôs um luto desnecessário ao amor de sua vida. Sinta a loucura da pessoa, uma criatura muito boa por sinal!
Não sei se notaram, mas eis aí uma outra coisa interessante de se destacar: o amor materno não é algo tão espontâneo assim. Entre a filha adulta e o que acabou de nascer, Helena privilegiou seu amor mais antigo. Enfim, a afeição também é uma questão de construção.
Se a gente avançar mais um pouquinho na linha manequiana, veremos quão absurda era Capitu (Giovanna Antonnelli). Se ela queria dar conforto à família, não seria melhor vender aquele apartamentão e comprar algo mais humilde, e usar o dinheiro restante para algo mais edificante? De onde ela tirou que faria melhor à família se prostituindo (o que implicaria até em risco de vida)? Talvez tenha sido até uma crítica ao materialismo, ao consumismo...
Egoísmos à parte, é inegável, tanto na tela como na "selva", a força desse sentimento que parece nos unir. Certas atitudes, certas "coragens" que tomamos ao longo do caminho, só mesmo sendo "por amor"!
That´s all, folks! Daqui a 23 horas estará no ar "Viver a Vida". Vamos ver, desta vez, qual será a reflexão que dr. Maneco nos trará!
Felicidade à milanesa
Como legítima filha da rainha Yemanjá, sei que posso viver sem qualquer coisa, menos sem a presença do mar!Havia tirado a sorte grande e nem sabia!...
Na Barra, não só encontrei comodidade, espiritualidade e "braguidade" (risos), como encontrei beleza. Meus olhos, desde então, agradecem. Digo, sem afetação mas porque é verdade, que moro no melhor lugar de Salvador. Quer prova? Atrás de mim, o Corredor da Vitória. À minha esquerda, uma mega Perini e o Largo da Graça. Se eu descer a rua, caio no Porto. Atravessando a rua, estou no Hospital Português. Se descer na segunda à esquerda, vou parar no Jardim Brasil, e se desço a ladeira, estou quase no Shopping Barra. De quebra, meus vizinhos são fofos, e o vizinho é brasiliense e bancário, como meu pai.
Lembro que a primeira vez que cheguei em casa, na Av. Princesa Isabel, sorri para uma imagem que muito me agradava: estudantes voltando para casa. Aquilo, sim, tinha a ver comigo! Em Itapuã, o que eu andava vendo, ultimamente, eram pessoas com jeito de marginais. Não me levem a mal. O bairro, apesar de ser distante de tudo, em um passado não muito distante foi um lugar bonito e tranqüilo. As invasões e o tráfico de drogas conseguiram transformar um ambiente antes solar em um território obscuro, sujo, desagradável.
Talvez não tivesse me emocionado com a mudança porque não conhecia o melhor lugar do bairro: o Porto da Barra.
Como era uma completa forasteira no bairro, tive que começar a explorar com os meus próprios pés o local. Literalmente. No início, minhas caminhadas eram por aquele trecho do Castro Alves-Campo Grande-Ladeira da Barra. Sempre amei o Campo Grande, e poder andar em plena tarde de domingo por ali, passando pelas árvores do Corredor da Vitória, me deixou superempolgada.
Mas a grande paixão ainda estava por vir. Numa tarde da primeira quinzena de janeiro, depois de muito meu pai insistir, fui à famosa praia do Porto da Barra. Desci a Princesa Isabel toda desconfiada, preparada para ver gays se pegando, turistas alisando mulheres vulgares, enfim, esperava ver a baixaria. Mas, por outro lado, pensei que a praia não devia ser assim, ou do contrário, meus pais, tão conservadores, não a frequentariam.
Aquilo era o paraíso, isso sim! Eu pensava que Jaguaribe era a melhor praia, mas nem se compara ao Porto! Primeiro, que o estilo da praia, com exceção da extensão da areia, me lembra de algum modo o Rio de Janeiro. Segundo, que o mar é uma delícia: quente, sem algas, sem pedras, e sem ondas. Descobri que já faz parte da Baía de Todos os Santos - essa baía, a meu ver, é uma das provas de que Deus existe! Ô mar bonito! Que visão! Mar imenso, uma beleza sem fim nem descrição!... Terceiro, o Forte de Santa Maria dá uma vista fantástica; qualquer dia, vou passar a tarde inteira sentada ali. Quarto, que todo mundo está naquele lugar: os gringos, os negros, as periguetes, as famílias, as patricinhas, os populares. Uma festa!
Às vezes a coisa foge do controle. Foi o caso do último feriado de 7 de Setembro. Aquilo ali virou um Piscinão de Ramos! Hilário! hahaha... Outro dia, tinha uma mulher muito gorda, mas nem aí para as trezentas celulites de sua bunda (tão nem aí que estava usando fio dental. Eis a legítima musa do "Todo enfiado"!hahaha). Muito figura! Minha mãe, coitada, é que não gostou muito de uma coisa: do biquini da pessoa. É que ela havia comprado um igual; a sorte foi que havia ido à praia com outro biquini. Ia ser ridículo as duas que nem um par de jarros. hahaha... Aliás, a praia tem isso de bom: você vê cada exemplo inspirador de auto-estima...
Eu amo a orla da Barra, sou fascinada pelo mar do Porto! De verdade. Sempre que dá, caminho por lá. Qualquer oportunidade, e lá vou eu dar uma espiadinha na praia do Porto, naquela animação que nunca pára, naquela areia que nunca está vazia. Meus sábados são mais felizes desde que moro aqui. Tomo sol, mergulho no mar, me sujo de areia, dou um giro no calçadão, me divirto com as figuras que aparecem e, se der vontade, ainda me lambuzo com Chicabon. hehehe
Posso dizer, ainda que isso pareça piegas, que encontrei naquele mar o porto seguro de mi alma! Ando feliz com a natureza como só me lembro de ter sido quando criança. :)
Frase da Semana
"Quando você pára de acreditar nas pessoas, começa a fazer besteira. Passa a pensar que ninguém vale nada, que todo mundo tem um preço, e que por isso não precisa agir certo com ninguém."
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Semelhante Atrai Semelhante

Sempre ouvi dizer que somos responsáveis por tudo o que acontece em nossas vidas. Há até aquela máxima hipponga do "Tu atrai o que tu transmite". Nunca havia entendido isso direito até agora. Pelo que venho lendo, vendo e conversando com quem entende mais do assunto, é por aí mesmo: nada que não vibre na mesma faixa que você poderá atingi-lo. É bem como diz aquela resposta besta que criança adora falar na infância: "O que vem de baixo não me atinge e o que vem de cima não me alcança".
Essa questão do casamento entre "opostos", do exemplo acima, ficou clara para mim. Um tem a índole boa e o outro, um caráter ruim. O que faz com que sejam semelhantes? Nada, a princípio. Mas se a gente relembrar os casos assim que nós conhecemos, veremos que essa pessoa boa é sempre uma pessoa fraca, sem muita auto-estima, passiva diante da vida. Então ela e a pessoa maldosa são unidas pela fraqueza de caráter - um porque não reage, e não o faz porque não se ama, e o outro porque precisa fazer perversidade com os outros para se provar, precisa abusar da fragilidade alheia para ter "bem-estar", e precisa disso porque é doente. São ou não são semelhantes?
Tem gente que, ainda que coma o pão que o Diabo amassou com o parceiro, se recusa a admitir os problemas desse. Sabe aquela pessoa que sempre desculpa os erros da outra? Pois é. É porque inconscientemente a pessoa sabe que "semelhante atrai semelhante", e que ao admitir que está com um parceiro de má qualidade, vai ter que admitir a má qualidade de sua própria personalidade. O mesmo acontece com empregos. Se na Física dizem que os opostos se atraem, há uma lei espiritual tão conhecida quanto verdadeira: na vida, só os semelhantes se atraem.
Às vezes é duro admitir, mesmo que só pra si mesmo, mas a vida nos trata como a gente se trata. Fato.
As situações desagradáveis são o convite à reflexão sobre os nossos padrões mentais e sentimentais. Nem tudo que acontece de ruim é punição; muitas vezes é preparação para um futuro melhor. Para progredir na vida é necessário progredir primeiro no espírito. É preciso se sentir merecedor das coisas boas, se sentir bem na própria pele e não ter medo da perda ou do fracasso. É preciso viver de peito aberto, aceitando o momento e tentando identificar o que você deve aprender com ele. Agora, assim como há um destino, existe o livre-arbítrio, e cada um decide se quer se superar ou se perder.
Boas energias podem ser atraídas através de atos e atitudes positivas, da oração (feita com sinceridade e emoção), do contato com a natureza (a água corrente, em especial a do mar, é ótima para dar fim à negatividade), enfim, de tudo que é expressão da alegria e do amor.
É nessa hora que dá pra ver como a existência é perfeita: você pode enganar seus semelhantes, e até por uma vida inteirinha, mas não a vida. Ela vai lhe dar exatamente de acordo com o que você é, mesmo que nem você ainda saiba que está tendo o que merece.
Quem tem juízo, aprende a observar os ventos e a ajustar as velas do seu barco, sem querer medir forças com o mar!
Legenda "Vos sois deuses". Ou seja, se Jesus conseguiu viver e morrer de braços abertos, - apesar das tentações, traições e mesmo de uma morte injusta - é facultada a Humanidade esse mesmo poder.




