Os tempos estão difíceis, de um jeito que eu não consigo mais cavar paciência para lidar com isso.
Cara, eu entrei o ano tão bem, disposta a não me aborrecer como em 2013. Na verdade, eu não estou tensa como no ano passado, mas eu estou frustrada de ver que certas coisas não têm volta, já era mesmo. It´s over e eu não tenho plano B. Como faz, produção?
A coisa ficou tão baixaria que, ano passado, o Além me chamou de modo bem estranho. Um dia Fabiana, uma pessoa séria, colega querida do trabalho, me chama, toda cheia de dedos, para me perguntar se eu tenho preconceito com tarô. Enfim, o rodeio foi para me dizer que havia sonhado comigo e que alguém me mandava ir na taróloga. Fui, o primeiro aviso foi esse: "Pare com essa ansiedade, que você vai acabar ficando doente".
Semana passada, estresse total, e de novo o recado: "Let it be".
Mas como assim, gente? Vou viver a base de maracujina? Aprender a ficar na minha é a meta do período.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
segunda-feira, 17 de março de 2014
segunda-feira, 3 de março de 2014
"Porque sim!"
Outro dia, um colega, que está num relacionamento complicado com uma mulher que se separou há alguns meses de um modo conturbado, estava se perguntando se ela era uma pessoa bacana já que ficou casada com um maluco - segundo ele e ela - por oito anos.
Ele tem alguma razão: as nossas escolhas falam sobre nós. Já me perguntei muito por que gente boa se associava a gente ruim. Até agora, só encontrei duas respostas: talvez sejam farinha do mesmo saco, no fundo; falta de autoestima da pessoa boa, que não acredita merecer coisa melhor.
Sabe, eu nunca fui casada, mas acho que posso entender essa gente que fica presa a relacionamentos ruins. Eu estou em um, de certo modo. Mal "casada" com a profissão há 15 anos, como disse o meu terapeuta.
Eu poderia dizer que isso é culpa da minha mãe, que me fez crescer ouvindo que a profissão é o meu marido. Eu comprei a ideia porque nunca quis ser dependente do dinheiro de um homem, como ela foi de meu pai. Hoje sei que isso não é verdade. Mas cadê que eu consigo me desapegar dessa crença errada?
Desde 1999 eu me sinto desconfortável nesse meio. Eu sei, no fundo, que se eu realmente quisesse, poderia ir mais longe nessa profissão. Mas apesar de gostar de vários elementos dela, não é "o homem da minha vida". Meu coração nunca esteve 100% ali. Eu sei que nem todos nós vamos ser extraordinários, mas eu sofro porque eu sei que eu tenho mais para dar do que o que até agora tem saído de mim, que enquanto o resto da humanidade mostra um fake melhor do que a realidade, eu sou aquele 3% que mostra um eu piorado. Minha primeira angústia é essa: será que realmente pode vir algo melhor ou eu estou me enganando?
Então eu vejo um monte de gente que ainda gosta de trabalhar nisso, embora se lenhe na vida pessoal por causa da profissão. Alguns permanecem por pura vaidade, mas um monte não. Então eu me questiono se não estou projetando na profissão problemas internos, que são mais fundos, e que a rotina apertada do jornalismo apenas potencializa. Ok, eu me sinto outra pessoa quando estou de folga, descansada, mas quem garante que não terei a mesma sensação em outra carreira?
(Acho que é por isso que, no fundo, eu tenho medo de relacionamentos. Porque se já é essa "guerra" com uma coisa que só envolve a mim, que deveria ser mais simples, imagine quando incluir um parceiro, um filho, uma casa e um cachorro? Será que eu vou aguentar a culpa de mexer no destino de toda essa gente se as coisas saírem mal? Sim, porque eu enrolo, mas não faz nem um pouco meu estilo permanecer ad aeternum numa situação ruim; sou meio rebelde, contestadora, sim, apesar de odiar o desgaste que isso me traz)
É extremamente difícil separar o meu do seu quando estamos em relacionamentos, em situações subjetivas. Eu apenas sei que estou prestes a abandonar a profissão porque meu corpo anda dando sinais. Ele está me tirando de uma situação que, emocionalmente, me sobrecarrega, me dá culpa, me deixa confusa para resolver. É o similar, em um casamento, a repulsa sexual do parceiro. Estou me isolando no trabalho, assim como as pessoas vão ficando distantes em uma relação. O fim de todo relacionamento é como câncer: há uma certa melhora (é você tentando dar um gás para ver se salva a situação), que provoca uma desesperada alegria, mas não se engane, o fim é certo e vem logo depois.
Desistir, embora muitas vezes seja a deixa para algo melhor, traz uma sensação de fracasso muito grande. Ninguém aposta para perder. É difícil ficar em paz com isso. Eu estou nesse ponto: tentando ficar em paz com uma decisão que já está tomada, mas que - eu sei - vai ser duro bancar.
Enfim, a gente demora muito tempo para sair dessas situações simplesmente "porque sim", como diz a propaganda da marca de cerveja. Porque cada um tem o seu próprio tempo.
Ele tem alguma razão: as nossas escolhas falam sobre nós. Já me perguntei muito por que gente boa se associava a gente ruim. Até agora, só encontrei duas respostas: talvez sejam farinha do mesmo saco, no fundo; falta de autoestima da pessoa boa, que não acredita merecer coisa melhor.
Sabe, eu nunca fui casada, mas acho que posso entender essa gente que fica presa a relacionamentos ruins. Eu estou em um, de certo modo. Mal "casada" com a profissão há 15 anos, como disse o meu terapeuta.
Eu poderia dizer que isso é culpa da minha mãe, que me fez crescer ouvindo que a profissão é o meu marido. Eu comprei a ideia porque nunca quis ser dependente do dinheiro de um homem, como ela foi de meu pai. Hoje sei que isso não é verdade. Mas cadê que eu consigo me desapegar dessa crença errada?
Desde 1999 eu me sinto desconfortável nesse meio. Eu sei, no fundo, que se eu realmente quisesse, poderia ir mais longe nessa profissão. Mas apesar de gostar de vários elementos dela, não é "o homem da minha vida". Meu coração nunca esteve 100% ali. Eu sei que nem todos nós vamos ser extraordinários, mas eu sofro porque eu sei que eu tenho mais para dar do que o que até agora tem saído de mim, que enquanto o resto da humanidade mostra um fake melhor do que a realidade, eu sou aquele 3% que mostra um eu piorado. Minha primeira angústia é essa: será que realmente pode vir algo melhor ou eu estou me enganando?
Então eu vejo um monte de gente que ainda gosta de trabalhar nisso, embora se lenhe na vida pessoal por causa da profissão. Alguns permanecem por pura vaidade, mas um monte não. Então eu me questiono se não estou projetando na profissão problemas internos, que são mais fundos, e que a rotina apertada do jornalismo apenas potencializa. Ok, eu me sinto outra pessoa quando estou de folga, descansada, mas quem garante que não terei a mesma sensação em outra carreira?
(Acho que é por isso que, no fundo, eu tenho medo de relacionamentos. Porque se já é essa "guerra" com uma coisa que só envolve a mim, que deveria ser mais simples, imagine quando incluir um parceiro, um filho, uma casa e um cachorro? Será que eu vou aguentar a culpa de mexer no destino de toda essa gente se as coisas saírem mal? Sim, porque eu enrolo, mas não faz nem um pouco meu estilo permanecer ad aeternum numa situação ruim; sou meio rebelde, contestadora, sim, apesar de odiar o desgaste que isso me traz)
É extremamente difícil separar o meu do seu quando estamos em relacionamentos, em situações subjetivas. Eu apenas sei que estou prestes a abandonar a profissão porque meu corpo anda dando sinais. Ele está me tirando de uma situação que, emocionalmente, me sobrecarrega, me dá culpa, me deixa confusa para resolver. É o similar, em um casamento, a repulsa sexual do parceiro. Estou me isolando no trabalho, assim como as pessoas vão ficando distantes em uma relação. O fim de todo relacionamento é como câncer: há uma certa melhora (é você tentando dar um gás para ver se salva a situação), que provoca uma desesperada alegria, mas não se engane, o fim é certo e vem logo depois.
Desistir, embora muitas vezes seja a deixa para algo melhor, traz uma sensação de fracasso muito grande. Ninguém aposta para perder. É difícil ficar em paz com isso. Eu estou nesse ponto: tentando ficar em paz com uma decisão que já está tomada, mas que - eu sei - vai ser duro bancar.
Enfim, a gente demora muito tempo para sair dessas situações simplesmente "porque sim", como diz a propaganda da marca de cerveja. Porque cada um tem o seu próprio tempo.
domingo, 2 de março de 2014
Only you
O amor não está no "eu te amo" (que, inclusive, eu demorei seis meses para te dizer). Está naquilo que mexe tanto comigo que nunca tive coragem de falar. Pra ninguém. Sei lá, estranho como essas coisas entalam na garganta. A gente é tão carinhoso quando não há tanto significado, mas quando o treco nos toca, vai fundo, falar é quase como ficar nu na multidão. Sei disso e talvez essa seja a minha dificuldade em acreditar somente nas palavras.
Eu nunca te contei, por exemplo, que, quando deitava a minha cabeça na sua barriga, de noite, meu barato era ficar ali, quietinha, escutando o seu estômago, como eu fazia com a minha mãe quando eu era pequena "em busca do elo perdido". E que quando a gente ainda nem namorava, achava uma delícia roçar de leve a minha bochecha na sua quando nos dávamos dois beijos de cumprimento. Será que você percebia? Eu apostava que não. Eu me sentia a própria borracha de duas cores da minha infância (risos) com essa mania de sempre esfregar uma parte minha na sua, uma molecagem a ser feita escondida, uma gostosura tão particular que não tem mesmo como expressar. A ponta do meu nariz deslizando nas suas costas enquanto você dormia, de leve o meu dedo no seu cabelo... Tocar em você nessas ocasiões era transcendental. Eu sei que podia parecer implicante às vezes, mas a verdade é que eu te achava uma cooooisa, um charme, lindo nos mínimos detalhes que, quem sabe?, só eu percebia, mas acho que não: sua generosidade, sua inteligência, seu sorriso tímido, a tranquilidade, a mania de passar a mão na minha cintura e se encostar a qualquer pretexto, de me fazer vez ou outra um bom café, que você sabe que eu adoro. Eu queria que meus filhos parecessem com tudo isso. Aliás, só me bateu a vontade forte de tê-los por sua causa. Only you. Foi um sonho não realizado, mas, na verdade, o maior presente você me deu logo no começo. Lembro que tomei um susto da primeira vez que percebi que me reparava. Me olhava como se eu fosse magia, os olhos marejados e eu podia ver, como um balão de história em quadrinho, o seu pensamento naquele momento: "Queria mais que tudo que você percebesse o quanto gosto de você e perceber que você sente o mesmo por mim". Aquilo me cativou. Acho mesmo que todo mundo, uma vez na vida, deveria ser olhado assim.
Como você nunca percebeu tudo isso e foi embora achando que não te amava? Eu, até nessa hora, me fingindo de durona, gritei, disse um monte de coisa, menos o que interessa; nada disso chegou aos seus ouvidos. Como é que pode? Medo de quê? De ficar na sua mão? Como se isso pudesse ser uma escolha. Foi aquela maldita crença de que as palavras matam os atos. Que droga que você precisava muito delas e eu não consegui entender a tempo. Mas por que você também nunca me percebeu? Por mais que a gente se iluda, baby, o fato é que um casal é feito de dois corações, não de um como a gente sonhava.
Eu nunca te contei, por exemplo, que, quando deitava a minha cabeça na sua barriga, de noite, meu barato era ficar ali, quietinha, escutando o seu estômago, como eu fazia com a minha mãe quando eu era pequena "em busca do elo perdido". E que quando a gente ainda nem namorava, achava uma delícia roçar de leve a minha bochecha na sua quando nos dávamos dois beijos de cumprimento. Será que você percebia? Eu apostava que não. Eu me sentia a própria borracha de duas cores da minha infância (risos) com essa mania de sempre esfregar uma parte minha na sua, uma molecagem a ser feita escondida, uma gostosura tão particular que não tem mesmo como expressar. A ponta do meu nariz deslizando nas suas costas enquanto você dormia, de leve o meu dedo no seu cabelo... Tocar em você nessas ocasiões era transcendental. Eu sei que podia parecer implicante às vezes, mas a verdade é que eu te achava uma cooooisa, um charme, lindo nos mínimos detalhes que, quem sabe?, só eu percebia, mas acho que não: sua generosidade, sua inteligência, seu sorriso tímido, a tranquilidade, a mania de passar a mão na minha cintura e se encostar a qualquer pretexto, de me fazer vez ou outra um bom café, que você sabe que eu adoro. Eu queria que meus filhos parecessem com tudo isso. Aliás, só me bateu a vontade forte de tê-los por sua causa. Only you. Foi um sonho não realizado, mas, na verdade, o maior presente você me deu logo no começo. Lembro que tomei um susto da primeira vez que percebi que me reparava. Me olhava como se eu fosse magia, os olhos marejados e eu podia ver, como um balão de história em quadrinho, o seu pensamento naquele momento: "Queria mais que tudo que você percebesse o quanto gosto de você e perceber que você sente o mesmo por mim". Aquilo me cativou. Acho mesmo que todo mundo, uma vez na vida, deveria ser olhado assim.
Como você nunca percebeu tudo isso e foi embora achando que não te amava? Eu, até nessa hora, me fingindo de durona, gritei, disse um monte de coisa, menos o que interessa; nada disso chegou aos seus ouvidos. Como é que pode? Medo de quê? De ficar na sua mão? Como se isso pudesse ser uma escolha. Foi aquela maldita crença de que as palavras matam os atos. Que droga que você precisava muito delas e eu não consegui entender a tempo. Mas por que você também nunca me percebeu? Por mais que a gente se iluda, baby, o fato é que um casal é feito de dois corações, não de um como a gente sonhava.
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