Pense nas escolhas da sua vida. Em muitas delas houve tensão entre o que é "bom" para você e o que é "correto" fazer, duas qualidades que quase nunca andam juntas em se tratando de situações da vida. Escolher entre o bom e o correto é desgastante porque sempre vamos deixar algo que é fundamental para trás (sim, é aquela história do urgente sempre passando por cima do importante). Durante muito tempo, dei prioridade ao correto em detrimento do bom. Mas estou começando a fazer o movimento inverso. Sabe como é: estou envelhecendo, e começo a apreciar as coisas que me vêm facilmente, sem cansar essa carcaça que começar a ficar cansada pelo tempo de uso.
No fundo, a opção pelo correto vem da falta de fé, basicamente. Não acreditamos que ficaremos bem se não seguirmos as regras ou que as pessoas supostamente atingidas pela falta de correção não sobreviverão a isso. Mas veja bem, fazer o correto é mesmo uma boa saída, desde que haja algum "bom" nela. Se nada de bom houver, é furada. E daquelas.
Como água para chocolate - Quando não há nenhum bom na alternativa e a gente, às vezes por preguiça e covardia, opta pelo correto, aos poucos, vamos contaminando a escolha feita e, inconscientemente, começamos a colaborar para tornar o correto incorreto e sermos forçados e buscar de novo o bom. É como aquele filme "Como água para chocolate". A protagonista fez o que era correto, e não se casou com o seu amor, mas passou a vida transformando o correto - ato de cozinhar e servir a família - em incorreto - a tristeza que passava através dos alimentos por não ter feito o que era bom para ela.
Sei lá, quando a gente é mais novo, com tempo para gastar, se submete a essas coisas achando que a recompensa vai vir. Na minha idade, sei que ela pode não vir e ainda me causar perda de tempo, frustração. Melhor garantir a satisfação no presente mesmo, que não há tempo a perder fazendo sacrifícios ao nada.
(Paz aos que vêm de longe!)
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
segunda-feira, 30 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
Eu comi Ricky!
Não costumo falar de minhas experiências pessoais neste blog, mas hoje vou começar com uma confissão: eu comi Ricky sábado passado. E devo dizer que foi ótimo, uma delícia mesmo, mais do que esperava, babies!
Bem, achei que só a Ana Carolina poderia ficar chateada comigo por isso, já que há um bom tempo anda espalhando que comeu a Madonna. Mas contei o ocorrido a Ô Ingrid, e ela pareceu não ter gostado nadinha do meu relato:
- É, na minha vez ele não veio tão avantajado assim. - comparou a santa, com ar de desdém.
Amizade abalada? Tomara que não, pois tô pensando em dar umas mordidas em Ricky em breve.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Data de validade
Há uns oito anos atrás, quando me formei, tive a estúpida ideia de participar do trainee da Votorantim. Penúltima etapa, a primeira presencial, hora de ficar de frente com Gabi, ou seja, com a head hunter do grupo. Nunca esqueci dela: toda de preto, roupa sem corte, sem expressão e altamente objetiva. Um homem sem pinto ou mulher-tanque, como eu chamo - típico da geração dela.
Fiz alguns contatos com os candidatos que conheci lá e mantivemos alguma conversação enquanto durou o Orkut. Mas o que ficou de lembrança desse evento, além da inveja da pele perfeita de Fernanda Palhares, sem um poro sequer (risos), foi a pergunta da head hunter da Votorantim: qual o seu prazo de validade? A gurizada de vinte e pouquíssimos anos não soube responder a pergunta, e eu tampouco lembro o que disse a ela, mas deve ter sido algo inexpressivo, assim como foi a minha participação naquele dia. A galera entendeu que a validade era profissional, mas a mulher nos perguntava o que nos motivava. Qual o seu prazo de validade? O que é tão vital pra você que, na falta, te tornaria um produto vencido? Hoje eu responderia: aprendizado. Sem aprender, eu perco a minha validade, minha razão de ser, sou um ser impróprio para o consumo social, laboral, da vida.
Pois é, reflita e pergunte-se: qual é o seu prazo de validade?
domingo, 15 de abril de 2012
Dia do Jornalista
O Dia do Jornalista foi comemorado em 7 de abril e com atraso - involuntário, preciso dizer - deixo aqui os parabéns para todos os amigos que fazem parte da profissão. Sim, a classe merece os parabéns MESMO. Poucos trabalham tanto, ganhando tão pouco e com tanta boa vontade como os jornalistas.
Dúvidas e conflitos pessoais à parte, a profissão me deu experiências muito bacanas, que contribuíram para o meu aprimoramento como pessoa, inclusive.
Uma das mais intensas foi a de um acidente, no Dia das Crianças do ano passado, na Ilha de Itaparica. Até hoje não se sabe direito o que aconteceu para que o caminhão invadisse a festa que um lojista promovia para a criançada. Mas ver as crianças sendo transportadas de helicóptero, outras chorando a morte de alguns coleguinhas, e principalmente o monte de sandalhinhas das vítimas no chão, amontoadas, varridas como se nada tivesse acontecido, foi uma experiência e tanto que sei que vou lembrar por muito tempo.
Também tive boas experiências jornalísticas no plantão noturno, que me deram "a real", como dizem, sobre a fragilidade da vida. Veio a chuva, e alguém teve a casa desmoronada e ficou soterrado. Isso acontece direto quando chove, cheguei a cobrir uns quatro casos desse em um mês. Sorte minha que ninguém morreu nas coberturas que fiz.
Local também foi uma lente e tanto. Adorei fazer matérias sobre questões femininas, religiosas e raciais. Ajudou-me a pensar sobre muita coisa e me levou a eventos que eu nunca escolheria ir, espontaneamente, mas que adorei ter vivenciado. A greve da PM da Bahia, apesar da canseira, foi uma experiência interessante, também.
Pois é, isso é o mais bacana da profissão: ir a lugares nunca cogitados e aprender mais sobre o ser humano. São dois motivos fortes para seguir essa profissão, não é mesmo?
Fotos: Fernando Vivas
segunda-feira, 9 de abril de 2012
LOCAL...
Local é como é conhecida a editoria de cidade, no jornal A TARDE. É um nome perfeito, de certo modo, porque a editoria em questão é um local mesmo de gente boa, que eu tive o prazer de conhecer nessa temporada 2011-2012 na redação. Galerinha muito especial!
Não liguem para as expressões, que isso foi no amigo secreto de Natal, já de madrugada, e estávamos todos cansados e bêbados. hehehe... Eu não apareço porque sou a autora da foto. :)
Não liguem para as expressões, que isso foi no amigo secreto de Natal, já de madrugada, e estávamos todos cansados e bêbados. hehehe... Eu não apareço porque sou a autora da foto. :)
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Sobre o amor
"Às vezes eu sinto tanto amor dentro de mim que até machuca, uma vontade de abraçar o mundo, não sei se você me entende. Daí passo um dia na faculdade e me lembro exatamente os motivos que me fizeram entender que quase ninguém nesta vida merece seu melhor lado. E retomo meu hábito de desprezar as pessoas em vez de amá-las."
Um amigo meu escreveu isso no Facebook. Sempre senti assim, igualzinho, sem tirar nem pôr nada na fala dele. Reconheço essa catraca interna em mim, da qual nunca soube a senha, o que teria sido útil em alguns momentos de emergência.
É que as coisas para mim vão evoluindo aos poucos; a cautela está no meu DNA. Como os cachorros, eu cheiro e farejo antes de lamber. Conto nos dedos as vezes em que tive um sentimento forte por um conhecido - e eu só consigo agir, de fato, se estiver motivada emocionalmente. A pessoa só começa a existir pra mim com a intimidade, a proximidade, e vice-versa (por isso que o povo diz que eu sou blasé, fechada e que nunca sabe o que estou pensando). É como se a cada "quilômetro" de convivência fosse liberada uma chave. O caso é que não nasci para superficialidades; tenho necessidade de elaborar.
A situação é clássica: você engata a marcha da afeição e passa dias e anos construindo uma relação, um afeto, aos poucos vai conseguindo afrouxar as defesas e vai se mostrando, fazendo o melhor que pode para alguém que você quer bem, e aquela pessoa na qual você investiu (quase sempre) te faz cair do cavalo de um modo lamentável, que é mostrando pobreza de espírito.
Há muita gente assim no mundo, tanto que dá preguiça de se relacionar. Uma sensação de desperdício danada bate no coração. Isso me lembra uma frase que ouvi de alguém do candomblé, quando comentei que os búzios reveleram que Oxóssi é meu orixá de cabeça: "O caçador é aquele que alimenta muita gente, mas passa quase todo o tempo só, na mata". Já fiquei triste por causa disso, mas passei a viver bem melhor quando resolvi me esforçar para canalizar para mim mesma toda essa afeição.
Talvez seja isso: talvez estejamos fadados a sermos o grande amor da nossa vida, a amarmos alguém que não pode, exatamente, nos amar de volta (nesse caso, a vida é que passa a nos retribuir). E então espero que no dia em que eu conseguir construir todo esse afeto gigante por mim mesma, possa amar todo mundo, mesmo não precisando do amor de ninguém. Porque eu acho que no fundo é isso: a gente se nega a amar com medo de o outro não merecer porque somos mendigos desse outro, que queremos amar para, na verdade, suprir nossas carências, nossas necessidades de reconhecimento. É por isso que amar é tão difícil, penso eu, porque nunca é uma coisa tão pura quanto deveria ser, já chega com metas e demandas, não nasce livre, pelo contrário, é um escravo de sentimentos não ou mal resolvidos dentro da gente.
Um amigo meu escreveu isso no Facebook. Sempre senti assim, igualzinho, sem tirar nem pôr nada na fala dele. Reconheço essa catraca interna em mim, da qual nunca soube a senha, o que teria sido útil em alguns momentos de emergência.
É que as coisas para mim vão evoluindo aos poucos; a cautela está no meu DNA. Como os cachorros, eu cheiro e farejo antes de lamber. Conto nos dedos as vezes em que tive um sentimento forte por um conhecido - e eu só consigo agir, de fato, se estiver motivada emocionalmente. A pessoa só começa a existir pra mim com a intimidade, a proximidade, e vice-versa (por isso que o povo diz que eu sou blasé, fechada e que nunca sabe o que estou pensando). É como se a cada "quilômetro" de convivência fosse liberada uma chave. O caso é que não nasci para superficialidades; tenho necessidade de elaborar.
A situação é clássica: você engata a marcha da afeição e passa dias e anos construindo uma relação, um afeto, aos poucos vai conseguindo afrouxar as defesas e vai se mostrando, fazendo o melhor que pode para alguém que você quer bem, e aquela pessoa na qual você investiu (quase sempre) te faz cair do cavalo de um modo lamentável, que é mostrando pobreza de espírito.
Há muita gente assim no mundo, tanto que dá preguiça de se relacionar. Uma sensação de desperdício danada bate no coração. Isso me lembra uma frase que ouvi de alguém do candomblé, quando comentei que os búzios reveleram que Oxóssi é meu orixá de cabeça: "O caçador é aquele que alimenta muita gente, mas passa quase todo o tempo só, na mata". Já fiquei triste por causa disso, mas passei a viver bem melhor quando resolvi me esforçar para canalizar para mim mesma toda essa afeição.
Talvez seja isso: talvez estejamos fadados a sermos o grande amor da nossa vida, a amarmos alguém que não pode, exatamente, nos amar de volta (nesse caso, a vida é que passa a nos retribuir). E então espero que no dia em que eu conseguir construir todo esse afeto gigante por mim mesma, possa amar todo mundo, mesmo não precisando do amor de ninguém. Porque eu acho que no fundo é isso: a gente se nega a amar com medo de o outro não merecer porque somos mendigos desse outro, que queremos amar para, na verdade, suprir nossas carências, nossas necessidades de reconhecimento. É por isso que amar é tão difícil, penso eu, porque nunca é uma coisa tão pura quanto deveria ser, já chega com metas e demandas, não nasce livre, pelo contrário, é um escravo de sentimentos não ou mal resolvidos dentro da gente.
É como Deus quer
Recentemente, publiquei uma matéria sobre aborto. Percebi que o tema mexe com muita gente e produz opiniões muito radiciais a respeito (não me refiro só aos religiosos, como pode parecer, mas também às feministas). Eu tenho a minha própria opinião formada sobre isso, na minha visão a mais conciliatória entre os dois extremos que esse tema pode comportar. Me assusta, embora eu compreenda, quando o povo se apega a Deus para defender seu ponto de vista. Mas acho que Deus não tem ponto de vista, ou melhor, ele não quer que a gente tenha, ele quer que a gente pense, se for o caso teste e principalmente CRESÇA. Se ele quisesse certeza, não nos daria a tecnologia, a possibilidade dessas alternativas polêmicas. Enfim, penso que Deus ama o erro, do contrário não teria criado uma humanidade errante e falha.
Espírito da Fundação
Eu sempre achei que os lugares conservam o espírito da sua fundação. Olhe só Minas Gerais. Dizem que mineiro é desconfiado e "solidário só no câncer". Mas o que esperar de um povo que nasceu em clima de caça ao tesouro? Dizem que carioca se acha e pensa que o Rio é a melhor coisa do mundo. Síndrome de corte, que um dia foi. São Paulo nasceu isolada do resto do país, era a única cidade que não estava no litoral. Era a mais pobre da colônia e atraía bandeirantes, que caçavam índios - na falta de grana para comprar escravos - e riquezas. Esse espírito de estranho no ninho, de self made impera até hoje. E Salvador? Eterno porto, que adora receber e se mostrar a quem vem de fora. A ladainha de eterna abandonada é secular, vem desde quando fomos trocados pelo Rio de Janeiro. O Brasil nasceu explorado e colonizado por um povo de moral bastante flexível, e não conseguiu superar essas características até hoje.
Eu tive um professor de Psicologia das Relações Humanas na UFBA que nos aconselhava a investigar o nosso passado pré-útero, ou melhor, o contexto dos nossos nascimentos, pois a vida da gente começa muito antes de estarmos no ventre de nossas mães. Concordo. O destino das pessoas e dos povos está na origem.
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