domingo, 7 de novembro de 2021

Love changes everything

Outro dia vi a foto de um ex amigo em um lugar que gostaria de conhecer e não senti vontade de estar lá. Porque apesar do lugar, eu não queria estar mais com aquela pessoa. Enfim, eu realmente me fodi, porque sou o tipo de pessoa que me motivo a depender do ambiente. As pessoas são a chave do meu engajamento - e século 21 não é época propícia a isso.

E vi que algo mudou profundamente. Hoje eu consigo dar um corte em pessoas que me fizeram mal (veja, não estou dizendo que elas são ruins, apenas que me causaram dano). Esta semana só lembrei do aniversário de uma ex amiga porque vi que era aniversário da sobrinha. Até tomei um susto porque eu não esqueço datas, nunca. E quer saber? Na minha interpretação, isso são boas notícias. Que essas pessoas morram mesmo no coração e na memória da gente, assumindo o lugar que elas devem ocupar de fato. 

... Love makes the rules 


terça-feira, 2 de novembro de 2021

No me puedes dejar así...

 Ao contrário da continuação desta letra, não queria mais desta série, não. Terminou na hora certa e eu acho que essa última temporada foi corrida, mal feita. Mas, enfim, não foi ruim, valeu pelo conjunto.


A série, que, acho, foi a mais sincera possível - porque tem coisas que a gente não conta nem ao médium depois de morto/a - confirmou a minha hipótese de que Luis Miguel meio que morreu depois da tríade morte dos pais, fim do relacionamento com Issabela Camil e morte de Hugo López, ali no final da primeira metade dos anos 90. É só pegar os vídeos e ver que a vibe da criatura era outra, completamente. 
Tem perdas que desestruturam mesmo a gente, matam algo que é difícil replantar, fazer renascer. Acrescido a isso, teve a traição do pai, que foi terrível em vários sentidos. Acho que isso o tornou meio incapaz de se relacionar. Já com Issabela, cujo relacionamento começa por essa época, ele passou a tratar as pessoas como um sol mesmo, esperando que elas girassem em torno dele, dando pouco e querendo sempre muito, enfim, super na defensiva. Um porco espinho dourado. Junta isso com o sucesso depois de "Romance" e os golpes sucessivos de gente próxima, e a coisa foi ficando mais aguda, até ele ter bugado ali por volta dos 40 anos. 
Achei interessante e ao mesmo tempo tosco terem mostrado como a ideia da série surgiu. Penso que, talvez, assim como o público, ele deve ter tido a oportunidade de rever a história dele com outros olhos, mas, se por um lado temos um artista nato, alguém que fez história na música, uma pessoa que, na origem, dava pra ver que era alegre e feliz - talvez por isso goste muito da primeira temporada, em que essa natureza dele fica bem evidente -, vemos alguém bastante solitário e orgulhoso (la bikina! hehe) na fase madura. E acho que o que quebrou ali nunca mais vai ser consertado, que não vai ter casamento, nem família, nem laço algum. O que sobrou pra ele foram um irmão, um amigo de infância e os filhos aos trancos e barrancos, mais por mérito dessas pessoas. Não vou dizer "que triste",  porque ele recebeu muito da vida mesmo assim. Mas poderia ter sido diferente e muito melhor. Quase sempre, né? 
Depois da série entendi várias declarações soltas dele, que soavam enigmáticas, como quando ele disse que poderia ter morrido ou enlouquecido, mas que havia sobrevivido. De fato. E a lição que tiro dessa biopic é que, sem dúvida, há dores e sacrifícios dos quais ninguém sabe, só a gente que passa mesmo.