sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Incrível Huck (ou verde de raiva)

Eu juro que não é arrogância ou simples impulsividade. De vez em quando, eu pondero e me pergunto se eu não estou exigindo demais, sendo dura, esperando por coisas irreais, mas sempre que estou à beira da compaixão, aparece alguma história de egoísmo e crueldade pra me fazer perder de novo a fé no ser humano e querer explodir todos os idiotas em uma ilha só.
É gente sacaneando quem sempre estendeu a mão.
É gente sendo escrota de 1001 maneiras. Acabei de descobrir que havia uma página no Facebook chamada "Gostosas que amamentam". O que esperar? Como não perder a paciência com a humanidade?


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Letargia

Um dia, uma amiga minha foi questionada sobre como se deixou permanecer em determinada situação por tanto tempo. Ela disse que estava ocupada tentando sobreviver, o que já é muita coisa de fato, ainda mais em tempos de falta de solidariedade e neoliberalismo.
A questão é que conseguir sair de situações adversas é possível, mas exige um nível de energia e persistência sobre-humanos. Quem sustenta essa atitude durante anos a fio, sem nada acontecer, sem resultado? É psicologicamente insustentável. Hollywood faz filmes sobre gente que excepcionalmente consegue justamente porque elas são poucas.
Eu entendo a letargia, só não entendo que isso dure uma vida inteira.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Juízo (final)

Olha, se eu fosse falar sinceramente, 90% dos homens que eu conheço não me inspiram como parceiros em relacionamentos (ainda bem que cada um tem seu padrão e há sempre preferência pra tudo nessa vida); alguns eu já vi agindo com as namoradas/esposas e me deram certeza mesmo.
De tanto relacionamento ruim, cheguei à conclusão que um bom par é loteria e acho mesmo que minhas chances nela são mínimas, até porque não sou das mais empenhadas. O amor é para os otimistas, coisa que cada vez sou menos.
Mas às vezes boto malícia em relação a mim mesma e fico me perguntando se, sendo a vida traiçoeira como ela é, não corro o risco de um dia me envolver com um "the best of" tudo que mais detesto em um homem. Sendo humana e estando viva, claro que sim. Sinceramente, quando mais jovem, tive mais medo disso, mas hoje sabe que nem tanto? Quer dizer, contanto que seja por desejo, porque por carência é triste demais.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Eu não disse?

Um amigo, puto com uma colega do jornal, finalmente descobriu que, na prática, a teoria é outra dentro das relações travadas naquela redação. Eu sempre disse isso. Na mesa de bar, é todo mundo ótimo e sensível, mas, no frigir dos ovos, cada um só quer ver o seu lado. Sem remorso, sem nem ao menos considerar o lado do outro, nem que seja pra constar. É nesse tipo de comportamento que reside a dificuldade em lidar com o ser humano hoje em dia.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

24 horas

Ouvi falar muito mal de Andrea Dworkin, radfem americana, cuja máxima mais famosa é: "Mulheres, endureçam seus corações e aprendam a matar". Mas, lendo algumas frases dela, gostei de muitas, confesso. Encontrei até um discurso muito bom.
Lógico que ninguém gosta da ideia de uma Ramba, alguém que sai com uma bazuca exterminando qualquer potencial inimigo. Mas acho importante que as mulheres se defendam, que percam o medo de revide. E isso começa com as próprias mulheres. Experimente você, mulher, dizer a outra que está com raiva de algo. Vão dizer que isso é feio, que você tem que compreender, perdoar e etc. Ninguém acolhe a dor e a raiva feminina. Mas todo mundo passa do ponto de compreender esses sentimentos nos homens, mais até do que deveria.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Entendendo Paglia

Estou cursando uma disciplina do Neim sobre Gênero e Sexualidade que está sendo muito boa. 
Como tem muito texto de antropologia, várias certezas vão sendo dissolvidas através de informações históricas, inclusive provenientes de diversas culturas. Uma das coisas tristes de ver é o papel disciplinador, culpabilizador da medicina, da biologia.
Sim, amigos, não há essencialismos, não há culpas. Mas a medicina tenta fazer parecer que sim.
Enfim, consegui compreender meu incômodo com Camille Paglia: ela considera pontos do feminismo que, por conveniência, ninguém quer tocar, mas esbarra num erro de achar que homens e mulheres (e as demais "gavetas" da sexualidade derivadas dos dois sexos) têm uma essência e que as diferenças são explicadas pela biologia, pelos hormônios.
Basicamente Camille diz que as mulheres estão atrapalhando as relações com os homens, pois mulher é assim e homem é assado. Genteeee... Por que eu demorei de entender isso? Vergonha de mim. 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Vingança pedagógica

Conversando com um amigo com quem ando conversando muito, ele falou que o namorado, escorpiano (risos), acha que a vingança é pedagógica. Na verdade, ele falou "vingança", mas não é disso que se trata. Ele quis dizer "lei do retorno", o famoso "sentir na própria carne".
Eu também super defendo essa tese de que o ser humano só aprende quando ele mesmo experimenta na pele. Tanto que, hoje em dia, eu não acredito que alguém vai me entender a não ser que passe por situação semelhante. Poderia acontecer sem isso, mas quem se dá o trabalho? Então muitas vezes é se fudendo que a pessoa vai lembrar de você, daquilo pelo qual você chorou, mas na época a pessoa achou (escondido, porque é feio dizer) que era manha de gente fraca, abestalhada. Toma, distraído!rs... Eu sou danada pra estar nesse tipo de situação. Eu falo, ninguém me entende, o povo me ignora, eu me sinto injustiçada. Mais pra frente, a pessoa passa igual. Alguns pedem desculpas pela falta de empatia no passado, outros ficam sem graça, mas calados. Mas a gente vê na cara que a pessoa se lembrou do que houve com a  gente. Eu não tenho prazer em ver ninguém sofrendo, embora lave a minha alma provar que eu tinha razão (injustiça não é algo fácil de lidar). Na verdade, quando vejo alguém no sufoco, apenas torço pra que o azar seja ao menos pedagógico, para que a pessoa aprenda um pouco. É o mínimo, já que sofrer é invariavelmente uma merda.

À beira do caminho

Hoje uma amiga da pós fez um texto bem autobiográfico falando da dor. Fiquei tocada, pois me pareceu um desabafo mesmo, um ato de vomitar uma emoção forte.
Concordo com ela que essa parece ser uma característica da vida; ao que tudo indica, vira e mexe vamos sentir dor. Nem todos vão conhecer o amor, mas a dor... Ô!... Em uma determinada hora a gente percebe que não é culpa de ninguém e que não há o que possa ser feito para exterminar - às vezes só para atenuar e olhe lá. Acho que a grande contribuição que a gente pode fazer para amenizar a dor do outro é não chutar cachorro morto, é não piorar mais. Por isso eu até concordo que se há alguém que pode fazer algo, é o dono da dor, mas às vezes é só Deus mesmo na causa. Nem todos são sortudos ou fortes ou espertos. É cruel culpar a pessoa pela própria dor. A gente erra por ignorância, não por vontade. De dor, ninguém gosta, mas alguns não conhecem outra coisa na vida.
Sei lá, me soa a uma economia neoliberalista da vida, é a mesma lógica de que todos precisamos criar nossos próprios empregos e sermos empreendedores só que aplicada à subjetividade. Empreender pode ser uma saída em situações de emergência, mas não é futuro de nenhuma coletividade, pelo contrário. Todos temos essa aptidão? Vá ver o ranking dos países mais empreendedores. Só tem países subdesenvolvidos. O que chamam de empreendedorismo é o antigo "vire-se". A esmagadora maioria dos empreendedores vão ter a subsistência, quase ninguém realmente criará um negócio. Do mesmo jeito nas coisas sentimentais: nascemos em circunstâncias que não escolhemos, enfrentamos circunstâncias que não controlamos e temos que ser responsáveis absolutos pelo que nos acontece, sendo que as nossas opções não são irrestritas assim: eu escolho entre as opções que me são apresentadas e não necessariamente há alguma boa; às vezes é o caso de escolher entre o menos pior. 
Então, acho cruel esse negócio de apontar o dedo pra pessoa, como se circunstância e sorte não fizessem parte da equação. Recebemos as coisas da vida na caixa dos peitos e fazemos o melhor que podemos - alguns com mais ou menos boa vontade, com mais ou menos sabedoria -, quase sempre com pouca ajuda, já que tá todo mundo tentando resolver as próprias questões. Somos os únicos "obreiros" dessa empreitada, mas discordo completamente que somos os únicos responsáveis.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Luzinha


Três anos de Luluzinha.
Dos meus sobrinhos, ela é a mais carismática, mas, ao mesmo tempo, a mais difícil de lidar. Bia e Felipe são quase unanimidade, não há o que reclamar.
Sempre ouvi dizer que quem ama não se importa com os defeitos. Quando Luísa nasceu, eu finalmente vivi isso. Ia até colocar isso numa legenda do Instagram, mas achei pessoal demais. (É isso, não dá pra acreditar muito em grandes declarações online, porque o que realmente importa não é fácil de ser dito, a não ser numa situação de êxtase/novidade, da qual futuramente a pessoa iria se arrepender ou no mínimo ponderar)
Uma vidente, uma vez, me disse que minha irmã não deveria ter o segundo filho, ou seja, Luísa. Ela veio. Não sei o que vai ser dela, mas acho difícil a gente lamentar. Criança não resolve a vida - pelo contrário, complica -, criança não te dá nada - ao contrário, demanda muito -, mas é uma presença poderosa. Eu não sei como seria sem Beatriz, Felipe e Luísa. Na verdade, o ganho pode ser abstrato, mas muito valioso, em forma de carinho, esperança e renovação. Acreditar que eles podem ser melhores já melhora a expectativa do futuro. E eu espero não estar errada. 😍🙏

Teses

Há coisas que deveriam pular fora de qualquer discussão. Um exemplo? A contestação chavão: "Ah, isso é uma generalização, comigo não é assim" (Zzzzzz...). Fica difícil pensar a sociedade sem considerar tendências gerais, apenas porque um grupo é assim ou assado. Não é porque acontece mais que vai ser a regra para todo mundo. Nada serve para todos. Pra mim, ressaltar isso é até dispensável de tão óbvio. Vou cortar na minha própria carne, pra dar um exemplo: as mulheres ainda ligam muito pra ter filhos e um casamento. Não é a minha preocupação número 1, embora eu realmente perceba essa tendência nas mulheres do meu entorno e na internet. Eu sou mulher e não tô contemplada por essa afirmação. Por isso, a tese está automaticamente errada? Eu posso partir da minha excepcionalidade para dizer, necessariamente, que a tese está errada? Aliás, há uma diferença entre ter um lugar de fala e se pensar como o sujeito universal. Uma mulher negra tem um lugar de fala, que pode não ser o majoritário, mas seu relato é mesmo assim real, é o que ela vive e percebe. Uma mulher branca contestando essa fala a partir da experiência dela é querer se pensar como o sujeito universal. Isso é, com ou sem ciência disso, desonesto.
E é isso: a gente avalia de acordo com um ponto de vista, de um lugar na sociedade e da nossa amostragem da realidade. Nenhum de nós, nem os mais preparados e especialistas, vai dar conta de toda a experiência humana. Outro exemplo: um amigo muito inteligente basicamente defendeu a tese de que crises existenciais se resolvem com bons e sensatos amigos, que não há necessidade de terapia. Ele resolve assim, graças a Deus, mas um monte de gente precisa e melhora a partir de terapia. Há controvérsias sobre a eficácia da psicanálise, por exemplo, e com fé, até pílula de açúcar cura. Esse é o tipo de discussão que, por mais que eu tenha uma opinião, de fato, ninguém ganha. Mas eu, pela amostragem que tenho e própria experiência, acho que terapia, se não resolve, traz mais avanços na autoconsciência do que um papo com amigos. Tem que ter a sorte de ter alguém bem atento a você, sagaz, com repertório compatível com a questão e que seja honesto na opinião. Eu acho que o terapeuta preenche mais esses requisitos que um amigo, mas eu não vou invalidar a tese dele só por isso, porque não é desprovida de sentido, mesmo pra mim, que tenho opinião contrária. Vejo uma argumentação boa. Vai que ele encontrou mesmo essas amizades iluminadas ou ele é melhor de captar conselhos do que eu? Mas as pessoas não debatem, elas não olham pra ideia, mas pra o que aquilo tem a ver com elas, confirmando-as ou negando-as. Somos muito autocentrados. Fato. Meta para 2018: parar imediatamente a conversa quando eu perceber que a pessoa não tá pescando meu ponto de vista e não tentar argumentar e me fazer clara. Eu saio de chata e a criatura vai continuar vendo apenas o que convém ou consegue ver. Improdutivo demais.
Enfim, ou eu sou uma idiota, sem noção, que tá pagando mico, ou tem uma galera que não consegue/quer ver além das aparências ou não está prestando atenção. Eu acho que em algum grau acontece a primeira, mas sinto que é muito maior o peso da segunda hipótese. Desde cedo eu convivi com um nível de sinceridade que as pessoas não estão acostumadas. Hoje eu percebo. E sinto que existem questões sobre as quais as pessoas nem ousam pensar sobre com sinceridade. Cada um tem um limiar de verdade. Quem sou eu pra dizer qual é o de quem? Nem eu conheço o meu. O que será que eu ainda não vejo, mesmo com uma sensibilidade mais alta que a média? Mas assim como a diferença entre "bons" e "maus" é quem tá a fim de ser melhor e quem tá se lixando, essa é a mesma diferença entre quem se acomoda e quem quer saber mais de verdade, por mais que seja desconfortável.
Como eu prezo pensar com a minha própria cabeça, como eu fico pra lá e pra cá pesando minhas percepções, tentando ser objetiva na medida do humanamente possível e da minha compreensão, até que realmente algo que pareça um bom argumento apareça, eu fico com a minha opinião. Já mudei de opinião várias vezes. Acontece. Mas isso não vai acontecer através de uma ressalva rasa do tipo "Ah, não é assim com todo mundo". Grow up e mostre serviço, né, baby.
Uma delas é que eu não me esforço mais pelo afeto de ninguém, e tudo bem. O que tiver que ser, será espontâneo. Não me esforçar não significa ser negligente, mas não forçar o que tá difícil. Tem que ser recíproco e fluir, sem sofrimento. Hoje, um colega com quem simpatizo muito não me chamou pra uma reunião na casa dele. Eu já convidei ele pra uma reunião comigo e outro amigo, mas ele não se mostrou muito animado. Ele é gentil, mas eu acabei aprendendo um dia desses que gentileza não é amizade. Gentileza é mais pra si que conexão com os outros. Até segunda ordem, eu só espero e opero na gentileza. E todo mundo se adora e a história termina bem. Essa é uma tese minha que eu defendo de todo coração. Sabedoria de vida, nem venha! #pas

sábado, 11 de novembro de 2017

It´s hard

Eu tô desistindo.
Eu acho que duas ou três pessoas com as quais tenho mais contato me tratam como ser humano. E olha que tem é gente me cercando. O restante tá o tempo todo mais preocupado consigo do que conosco. Penso assim: devo ser o meu foco, já que sou a minha única companhia constante e, por isso mesmo, sou meu interesse maior e mesmo quando estou com os outros, só consigo pensar o mundo do meu lugar; mas, quando estou com outra pessoa ou em grupo, o interesse no que eu preciso, penso e quero tem que ser diluído entre os sentimentos e necessidades das minhas companhias. É assim que se troca, que todo mundo ganha um pouco e ninguém sai lesado da convivência.
Tenho claramente a visão de que não estou sendo vista, considerada e escutada pelas pessoas em meus relacionamentos.
E depois as pessoas reclamam da falta de amor, que só arranjam porcaria, etc. Mas como é que vai rolar coisa boa entre gente egoísta ou sem autoestima (em ambos os casos, o principal interesse é sugar dos outros, o que muda é se de forma ativa ou passiva)? Não rola, né?
Eu tô desistindo. É muito cansativo e pouco recompensador.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Nova portaria - Largando a síndrome de Mulher Maravilha

Este documento revoga o hábito de anos de se meter na vida dos outros sem ser solicitada, mesmo quando a vaca estiver visivelmente indo para o brejo, mesmo quando a visão da situação for clara. A partir de hoje, só mediante solicitação e análise prévia do caso. Afinal, a vida é só uma e eu tenho a minha para cuidar. E ninguém ajuda alguém que não deseja ser ajudado. Poupemos energia, elétrica e vital.
Salvador, 08 de novembro de 2017.

O homem invisível

Outro dia, num show, encontrei um cara que eu sei que é a fim de mim. Atração física e tosse são duas coisas difíceis de esconder. Eu gosto muito dele como pessoa, mas há zero atração. Sempre racional, disse a mim mesma, à guisa de me convencer de que estou sendo justa (e eu preciso? é seleção de mestrado?), que não rolava por causa dos dentes da criatura. Mas há algo nele que não "desce redondo". Não que ele tenha algum problema, mas algo nele se desconecta com o que eu quero.
Mas o que eu quero?! Só tenho uma noção pelos fragmentos, como nessa história, porque, confesso, nunca parei muito para pensar nisso. Mas deveria. Todos nós deveríamos, nem que fosse para reconhecer padrões negativos.

O que eu não quero (fica mais fácil pra começar):
Fume (inegociável)
Beba (além de socialmente)
"Beato" (e isso inclui só falar de futebol ou política)
Seja "descansado" demais, irresponsável, folgado
Seja estressado demais
Ganhe menos que eu, porque eu não consigo nem quero sustentar dois
Tenha problemas em assumir compromisso (que isso é coisa de gente superficial e eu odeio gente superficial)
Egoísmo
Seja desrespeitoso com as pessoas, especialmente com mulheres
Que não tenha valores sólidos
Que seja inflexível
Hipócrita
Que ache que tá me fazendo de besta, porque eu pesco de longe
Que não goste de ir pra restaurante ou não goste de viajar
Que odeie cachorro
Mesquinho
Sem higiene
Que fale muito ou não fale nada
Que seja ruim de toque, pouco carinhoso
Que seja de Direita e ache que não foi golpe (é sério)
Aceitamos burrinho, contanto que a bondade seja diretamente proporcional
Enfim, tô dispensando pobre de espírito, que todo o resto, estando vivo e disposto, dá-se um jeito

Quero...
Amor verdadeiro, porque é o único bom motivo
Bom caráter, porque eu sou
Atração física, que sou humana, não santa
Carinho, que eu gosto e sei fazer
Parceria, senão é melhor ficar só
Generosidade, que é pra não se ressentir no meio do caminho, porque eu sou generosa
Honestidade, afinal, é preciso confiar
Comunicação, já que "homens são de marte e mulheres, de vênus", é preciso querer se ajustar
Senso de humor, porque eu tenho
Valores parecidos, disso não abro mão
Responsabilidade, porque não sou mãe de ninguém
Sabedoria, pois eu preciso ter o que aprender
Sensibilidade, que ninguém merece "autista"
Atitude, porque, confesso, tenho desprezo por gente fraca
Ganha pontos: ser moreno, ter sorriso e mãos bonitos, cozinhar, ter voz bonita, trocar a resistência do chuveiro, tocar instrumento, fazer massagem, me dar carona, odiar Luciano Huck e Sandy e gostar de eventos culturais
Em suma, minha versão masculina, com a exceção dos opcionais, hehe.

Tudo isso aí é o ideal. Não sei se existe, onde mora e o que come. Mas uma coisa decidi: posso me decepcionar, estar até com um homem longe do ideal, mas ele vai ter que pelo menos me encher os olhos. Chega de dar bola a quem eu "deveria" e ainda quebrar a cara depois. Se é pra ter dor de barriga, que pelo menos a comida seja deliciosa. Mas eu gostaria mesmo é de um manjar dos deuses, de deixar a pança cheia e a alma satisfeita, hehe.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

The space between us

Parece bobagem, mas não é. A gente lida mal quando descobre que gente que a gente ama não compartilha do mesmo sentimento intenso sobre certas coisas. Parece que um cluster se apaga no outro, deixando ele um pouco menos luminoso aos nossos olhos. Com o tempo, a gente trabalha isso internamente, aprende a lidar, mas dá uma pontadinha de tristeza lááá no fundinho do coração.
Sabe o que cura isso? O amor. Só o amor.
Sim, tô ficando piegas e acho que sentir-se amado cura muita coisa, inclusive a distância entre duas pessoas. :)

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Fim de caso

Ontem, umas cinco pessoas do A TARDE foram postas na rua. A cidade, este nosso mercado, anda num desemprego só, então esse tipo de notícia dá um calafrio na espinha.
Isso e outras coisas me dão medo do futuro. Sério. E se a minha relação com a carreira já não andava gatinha, se já era desgastada, diante do que ando vendo este mercado fazer com os meus amigos, tô achando que o amor acabou. A atividade não é instigante mais, as empresas precarizam o trabalho - aliás, não tem trabalho - e até as pessoas do meio perderam a graça. Sabe aquela sensação de que já deu tudo que tinha que dar? Sou eu no Jornalismo.
Peço a Deus - e acho que ele vai me conceder - uma chance de começar de novo. Eu devia ter feito isso há dez anos. Paciência se só resolvi fazer isso agora. Mas vai ser legal. Recomeçar é trabalhoso, mas traz uma nova juventude à vida. Sinceramente, entendo, mas não entendo (risos) quem tem birra com reinícios. Ruim é ficar estagnado numa situação desestimulante.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Sobre os nodos sul e vidas passadas

Eu gosto de Astrologia. Começou no ano em que fui pra Brasília e me sentia muito sozinha. Entrei numa comunidade do Orkut, encontrei mestre Alexey, e comecei a me interessar. Não acho que um mapa determina a sua vida. Um mapa te ajuda a se conhecer.
Há muita, muita coisa para estudar. Muita mesmo. Um dos elementos são os nodos.
Todo mapa traz um nodo sul (que por signo e casa nos ajuda a ver o que aquele espírito acumulou de experiências em outras vidas) e um nodo norte (aquilo que veio para esta vida desenvolver). Vou usar meu exemplo para explicar.
Eu tenho nodo sul em aquário na casa 8 e nodo norte em leão na casa 2. Claramente, por ter leão (identidade e autoestima) e casa 2 (autovalorização, recursos materiais, valores materiais e morais), que minha lição é de independência. Como leão está envolvido, preciso ter autoestima, independência e desenvolver minha própria identidade. Com um passado aquariano, eu só me sinto forte agindo em grupo, dissolvida no meio da multidão, fazendo algo pelo coletivo (signo de ar é basicamente relacional, intelectual). Como minha casa do passado é a 8, eu vivia dos recursos alheios e devia usar de manipulação sentimental e sexual pra isso, talentos bem da casa 8, que é a de Escorpião. Então um erro clássico meu nesta encarnação é ficar dependendo do valor que os outros me dão pra me sentir bem, depender das parcerias pra viver, não focar no que é importante para mim. Toda vez que isso acontecer, eu vou me dar mal. Mas sempre foi a minha tendência.
Vejo isso em muitas pessoas que já fiz o mapa. É impressionante, mas vida dando errado equivale a repetição dos padrões do nodo sul.

***
É uma pena que boa parte das pessoas não sejam abertas a experimentar coisas novas. Há tantos caminhos que podem ajudar as pessoas a superar dificuldades internas... Mas as pessoas são muito teimosas, exageradamente racionais às vezes e não se permitem. Você sugere uma coisa nova e elas já acham que sabem tudo, que você não tem nada a acrescentar, que é tudo besteira.
É uma pena que o ser humano seja tão medroso e limitado.

Ho´oponopono

Jovens, não precisam envelhecer, apenas aprendam a meditar! Sério. Tem mudado a minha vida, e olha que só comecei há 45 dias.
A princípio, vai sentir que o texto é ridículo, uma perda de tempo. Mas vá, mesmo sem acreditar, mesmo sem sentimento. Aos poucos, os resultados vão aparecendo. Façam essa meditação, pra ontem!

domingo, 24 de setembro de 2017

A grande tentação de não precisar ser você mesmo

Frequentemente a gente acha que ter beleza, dinheiro e poder são bençãos. Minha amiga Ingrid, católica não tão praticante mas de essência (não tem jeito, hehe), sempre achou que são tentações fortíssimas. Ingrid tem razão.
É uma forte tentação, especialmente porque, superficiais que são, as pessoas julgam os outros pelo ter e não pelo ser. Quem tem o que eu quero - ou melhor, o que aprendi a querer - não pode ser infeliz. Ou pelo menos ninguém vai perceber. E, para quem tem, deve ser uma tentação e tanto deixar o que possui falar por si e poder se dar ao luxo de não crescer enquanto ser humano, de não precisar ser além das coisas que se tem. Porque ser dói e dá um trabalho dos infernos, que, aliás, nunca pára, apenas fica menos pesado, vai ganhando mais sentido.
Sim, pois nem beleza física é algo que realmente se tem, porque muitas vezes ela vai pelo ralo com a idade e a nossa sociedade não valoriza o pós-juventude, a sabedoria.
Desconfio que as tragédias que vemos no meio artístico, de gente sensacional que se suicida, tem a ver com esse abafamento do ser por causa do ter. Você quer ser visto, mas a sua imagem é suplantada pela sua carreira, pelo seu status e ninguém lhe trata como ser humano, mas como um mito, uma marca, duas coisas desprovidas de coração.
Eu já vinha com essa percepção por causa de gente próxima que mudou muito depois de ter melhorado (um pouco, nem foi algo "Uau") de vida. Mas isso ficou mais evidente a partir do caso de Ticiana. Em nome do aplauso alheio e de uma grande vaidade criada a partir desse reforço positivo da alta sociedade, ela se apagou como ser humano (porque alguém com vida interior teria percebido e reagido à situação na qual ela se meteu) e focou no status, nas coisas que o dinheiro e a fama podem proporcionar e que a distinguiam dos meros mortais. Ficou tão cega que nem calculou a aposta e agora quebrou a cara. Se ela tiver sorte, pode rever sua postura na vida e passar a investir em ser em vez de ter, mas daí vai depender do quanto essa preguiça de ser e a vontade de ter está enraizada na alma dela e do quanto ela é capaz de perceber que o que ela tem não é ela.
Muitas vezes a gente é o que ninguém vê, para o bem e para o mal.

Acho que não é coincidência que as pessoas mais fantásticas que conheço foram pessoas que passaram por privações, que, longe de receber reconhecimento, se viram obrigadas a apostar no "ser", a se desenvolver "na cara e na coragem". Raramente vi gente que viveu na bonança e obtendo reforço social positivo procurando se desenvolver como ser humano. É mais fácil acreditar no personagem e se acomodar. A gente tende à inércia; quem gosta de movimento é a alma, não o corpo ao contrário do que dizem. Só uns gatos pingados, sem talento para a autoenganação, que correm do prejuízo. Mas é raro, muito raro e começo a pensar que não é mesmo por acaso.

Se o homem amasse mulher como ama futebol

Xico Sá
23.09.13 - FSP

O que aconteceria se o homem, aqui vale o homem normal, a média dos homens -aquele cara simples, tarado por mulher, cerveja e futebol – gostasse tanto da sua amada como gosta do seu time do peito?
Seria uma revolução. Mudaria tudo. Tudo mesmo. Repare:
Para começar, o macho jamais deixaria a sua fêmea. Nunca, never. Homem que é homem muda de sexo mas não muda de time.
Mesmo quando ela se sentisse a pior das criaturas, por baixo mesmo, mesmo quando ela blasfemasse aos céus e se queixasse ao espelho que estava gorda e autoestima despencara.
Muito pelo contrário. Isso seria motivo para aumentar ainda mais o amor e até para renovar a paixão, com garantia eterna de fidelidade, como ocorre quando o time do homem cai para a Segundona do campeonato –“Eu nunca vou te abandonar, Corinthians”.
Se o homem gostasse da mulher pelo menos 50% como ama o seu time, nem uma bola nas costas, uma traição, como uma derrota incompreensível, seria motivo para o fim do relacionamento. No futebol, assim como no amor, tudo seria perdoável.
Se o macho normal gostasse da cria da sua costela como quem aprecia um Flu, um Fla,um São Paulo, um Peixe, um Palmeiras, um Bahia, um Santa Cruz, um Galo, um Grêmio, arranjaria tempo para ir com ela ao cinema ou jantar fora pelo menos duas vezes por semana –no mínimo empataria com o tempo que dedica ao clube.
Apreciasse sua mulher como é chegado ao futebol, o sujeito trocaria pelo menos uma mesa-redonda na tv por um conversa com a dama. Em vez da crise no Vasco, tentaria entender a derrota que virou seu casamento.
Se o Cruzeiro anda tão bem, brilha na dianteira do firmamento, por que não melhorar também, amigo,  a posição na tabela no jogo dentro e casa? Deixar tudo mais celeste, o amor azulzinho em um céu de brigadeiro?
Não sejamos exagerados. Bastaria dedicar 30% do que se devota ao time do peito. Teríamos uma mudança radical na vida dos casais.
Imagina se o torcedor do Goiás, caro Rogério Bueno, cantasse assim para aa namorada, como canta para o time esmeraldino: “Pra vencer tem que ser guerreiro/ Pra te ver sou sempre o primeiro…”
O cara é capaz de morrer por um triunfo do Furacão, do Coxa ou do Sport, o cara chora pelo Botafogo, o cara come toda a água do planeta pelo Vitória, o timbu deixa o lar doce lar para ir sofrer em São Lourenço da Mata…
Se o homem gostasse tanto da sua mulher como gosta do seu clube o domingo seria outro. Quando o time fosse derrotado, ele se confortaria no amor e no sexo da princesa. Não é o que acontece. A desgraça no futebol o inviabiliza na cama. É batata.
No caso da mulher doente por futebol, mesmo uma corintiana, creio que a relação seja outra. Na alegria ou na tristeza clubística, ela é a mesma. Consegue separar o desejo com o amado do placar domingueiro.
Como diria meu amigo Nick Hornby, não há termômetro que entenda o macho e essa febre de bola.

domingo, 17 de setembro de 2017

Não tem nada a ver

As pessoas veem as coisas como naturalmente excludentes. Nem sempre. Estar mal emocionalmente não quer dizer que sua capacidade de julgamento esteja comprometida. É possível estar mal e pensar bem. Uma vez, se não me engano, dr. Contardo Calligaris escreveu sobre isso e eu postei aqui no blog.
Na verdade, a gente recebe agressões e baques o tempo inteiro. Acontece que quando alguém está emocionalmente forte, cria uma barreira entre a percepção e a reação. Ou seja, algo o atinge, mas está forte para segurar a própria onda. Quando a gente é criança, não seguramos a nossa reação. Ser adulto é apenas aprender a sentir sem reagir, a manter a compostura e apanhar com dignidade. Uma pessoa depressiva, por exemplo, vai perder essa couraça de adulto, vai voltar a ter a sensibilidade, a fragilidade de criança, mas isso não necessariamente (arrisco dizer que não acontece na maioria dos casos) inabilita a percepção dela da realidade. Se formos fazer um flashback, vamos nos recordar que em situações com gente nesse estado, o que realmente choca é a fragilidade emocional da figura, não a incapacidade dela de julgar a realidade. Alguém que chega ao extremo do suicídio não está errado em achar que a vida é uma merda. Verdade: a gente mais tem problema que recompensa. O que choca é a falta de resistência emocional pra lidar com isso.
O que aprendemos hoje, turma? Que cabeça e coração não estão necessariamente ligados. Saber não implica em sentir.

Instruções para relacionamentos longevos

1) Seja um boneco de posto.

Que foi? Só tem essa!

Não é à toa que o relacionamento com bonecos de forma humana já começa a virar febre. Nada mais contemporâneo. As pessoas do século 21 só querem direitos e nenhuma responsabilidade; só o "venha nós" e nada de "vosso reino". Nada de críticas, discordâncias, empatia e concessões em favor da relação. Realmente, pra durar, nestas condições, só mesmo com um não humano.
Meu drama básico em relacionamentos: as pessoas só pensam em si e eu quero que a gente jogue em grupo. Mas as pessoas acham que não são obrigadas. Concordo, ninguém é, mas se você gosta de alguém, está implícito que o bem estar desse alguém também deva entrar na conta. Como assim estamos juntos e o que eu preciso, o que eu quero não é levado em conta?!
Eu não consigo acreditar que quem gosta de mim não me enxerga. Ok, talvez não consiga me enxergar completamente, mas também não me enxergar totalmente é sinal de desamor. É sinal de que o outro não te afeta. Se é pra agir egoisticamente, anda só, pô, mas não me rouba a solidão sem me dar nada em troca, como dizia o poeta. De onde é que as pessoas tiram que os outros vão topar ser plateia a vida inteira, vão dar sem querer receber algo em troca? Afeto é cultivo, como tudo na vida. Só gente narcisista pra entrar numa egotrip dessa.
Enfim, folks, nesse mundo de crianças mimadas, só deixando mesmo o humano de lado pra ser "feliz". Querer tratamento de gente é mais ofensivo do que mandar a pessoa tirar a roupa em público, ao que parece.


sábado, 16 de setembro de 2017

Isn´t she lovely?!


Essa sou eu com quatro anos, entre minhas irmãs Flávia (esq) e Renata, no nosso apartamento em Brasília. Diga aí, eu sou a mais massa dessa foto, né? Até uns cinco anos de idade, eu era fantástica mesmo: fofa, beijoqueira, apaixonada, solidária (provavelmente, esse dente da frente que está faltando foi o que perdi tentando salvar um colega de outro, que o prendeu na gangorra), animada, amante dos animais, brincadeiras na rua e televisão. E ainda era uma figura, saía com cada uma, que até hoje meu pai gosta de lembrar das histórias. 
Meus sobrinhos são ótimos, mas nenhum se saiu a mim, infelizmente. 
Olha, se Deus me prometesse uma de personalidade igual, eu até me arriscaria a ser mamãe. E ia ter o maior orgulho da minha pimpolha fofa!...

Relacionamentos abusivos

Finalmente eu entendi. Sempre estive em relacionamentos abusivos, all of my life. 
Olhando para trás, eu topei muita coisa que não queria, silenciei quando queria falar, só para barganhar um amor (que nunca veio, de fato) de gente que eu gostava, que era meu apoio emocional, mas que não estava nem aí para mim na mesma intensidade. E por que só percebi agora? Porque o abuso toma diversos disfarces. O meu era o da "satisfação do grupo". Eu dizia "sim" para coisas que não me agradavam pela harmonia da maioria, para unir pessoas, para tentar ser justa, achava feio tentar sobrepor a minha vontade, mas, por outro lado, ninguém me perguntava o que queria, o que eu queria não era lembrado, considerado. Claro, internamente, secretamente, eu ficava com muita raiva. Nada pior do que amar e não ser amado. Até porque o amor é o seu melhor e você não dá para qualquer um.
O ideal é aprender a ser só antes de estar junto. Estou começando a achar que nenhuma relação prospera pra quem precisa, para quem não sabe realmente ficar sozinho. E não é fácil.
Não é muito culpa de ninguém, no fundo, porque é todo mundo miserável, meio carente, no final das contas. Mas ficarei mais atenta a mim mesma. Os que não me enxergam... Não passarão!

domingo, 10 de setembro de 2017

Agora a brincadeira vai ser outra

Chega! Cansei de dar murro em ponta de faca.
Se o que eu quero não acontece, o jeito é parar de querer. Bora ficar em paz. Vamos aprender a ficar quieta, a não se perturbar.
Daí eu entro no WikiHow - Amo! rs - para pegar umas dicas de como lidar com esse vazio interior. Olha que mara, que fácil:
1. Preencha a vida com amor.
Aqui ele me manda me cercar de pessoas que me amam e me aceitam como eu sou. 😞😬
2. Faça um novo amigo ou comece um novo relacionamento amoroso 😲😳
Oh, binho, era o que eu mais queria, achar a minha turma...
3. Adote um animal de estimação.
Enfim, uma dica ao meu alcance... Só que não. Teria que morar sozinha pra isso, mas tá nos planos ter um bichinho.
4. Seja bondoso com os outros.
É uma boa ideia, mas a não ser que se vire uma Madre Teresa e se tome isso como norte existencial, não enche barriga. Ainda não cheguei lá, estou ainda no estágio em que dou, mas quero também receber.

Resumindo, todas as opções dependem da colaboração dos outros e isso não é fácil.
Olha, vou meditar, que eu ganho mais.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Coisa estranha

É estranha a minha capacidade de me sentir estrangeira em algumas situações. Ontem foi dia de confraternização com a galera do Póscom. Eu fui, mas estava super cansada - aliás, eu ando muito cansada, e isso tá me dando um pouco de desgosto; eu gosto de estar produtiva, mas com calma, até porque isso faz uma diferença tremenda na minha produção, no resultado final. Gostei, as pessoas são e foram ótimas, mas eu não consigo me sentir confortável. Eu sinto que ser como eu sou não é bem visto, as pessoas querem quem lacra, quem é show man. Nessas ocasiões de grupo, se dá bem quem não tem pudor e vai lacrar. Eu sou sempre eu mesma, não tenho uma persona pra essas ocasiões. Sei lá, acho que eu tenho um jeito que não é o de cá. Às vezes queria me mudar, na moral, porque acho que Salvador não combina comigo.

Boy bands

Eu acho que já disse aqui que 2017 me rendeu saudades dos anos 90. Acho que porque eu voltei pra faculdade e porque eu entrei na faculdade justo em 1999. Eu gostava dos anos 90, mais do que gostei dos anos 2000. Eu acho que, além de sentir falta de uma época em que o futuro ainda prometia, eu sinto falta de um mundo menos pulverizado em que coisas nos uniam.
Uma delas, se não a principal, era a televisão. Todo mundo sabia as mesmas coisas e ao mesmo tempo. Todo mundo tinha os mesmos ídolos e isso reforçava laços. Hoje os saberes e gostos estão muito pulverizados. Não que isso seja ruim, pelo contrário, mas nos desuniu mais. Eu acho.
Me reencontrei com as minhas boy bands outro dia, por acaso, topando com um clip do Dominó no Youtube. Ouvi a semana inteira. Deu saudade. Sempre gostei de boy bands, de grupos de música pop. A coisa começou quando eu tinha 4 anos, por causa de minha irmã oito anos mais velha, louca pelos Menudos, que já me perguntava: "De qual deles você gosta mais?". Ricky, claro, que eu acho lindo até hoje. Depois segui Dominó - e eu gostava do moreno, Nill -, daí veio o New Kids On The Block, que desapareceram rapidamente e, no meio dos anos 90, vieram as Spices, Back Street Boys, N´Sync, Britney, Beyonce e eu vivia grudada na MTV - como eu sinto falta do que era essa emissora! Era muito massa!
Olhando para trás, vejo função nesses grupos juvenis. Eles são um ensaio para quem você quer ser e que tipo de homem você quer na vida. Sim, cada um deles faz um tipo: um é o romântico, o outro é o descolado, tem o líder, o caçula, o classudo e por aí vai. O tipo que você mais valoriza tem a ver com os seus valores, com quem você é e cultuá-los te prepara para os ups e downs do amor, porque o ídolo também é gente e às vezes é capaz de te decepcionar - geralmente escolhendo namorar uma mulher que você nunca seria capaz de ser, hehe.
Eu tenho um pouco de pena das meninas de 13 anos de hoje. Elas não tiveram amores platônicos. Em uma geração de "manda nudes", não há muito espaço para o sonho, a imaginação, a espera. É tudo imediato, "ou dá ou desce". Não que a sexualidade seja ruim, mas eu acho que tudo tem a sua hora e eles estão queimando etapas.
Quem vai querer saber de boy bands agora?
💗

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Por que é tão difícil ser feminista?

Quando eu falo de feminista, digo não no sentido mesmo do movimento, mas de se pôr em pé de igualdade.
Na prática a teoria é outra. A gente sabe o que não deve fazer, mas faz, é mais forte que a razão. Por que a gente se inferioriza tanto? Por que a gente, ao contrário, combate tanto? Por que não conseguimos simplesmente ser?

domingo, 13 de agosto de 2017

Eu não sei aceitar

Aceitação é um problema pra mim.
Eu sou calma, mas eu tenho espírito de briga. Desde pequena, nunca aceitei um "não" em paz, sempre briguei por um "sim". Isso já me fez muito bem, isso já me fez muito mal. Eu gostaria muito de aprender a aceitar, porque eu acho que isso tornaria a vida mais leve.
Bem, uma colega de mestrado está com um trabalho muito legal, empolgante mesmo, sobre um caso ocorrido na Argentina, de uma mulher indígena e pobre que teve um aborto involuntário e foi parar na cadeia. A bizarrice deu origem a uma campanha no Twitter e a moça, após dois anos de prisão, foi libertada.
Fico muito puta de ainda passarmos por isso em 2017. Fico revoltada com o tanto de relacionamentos abusivos que as mulheres suportam. Me dói profundamente, mais do que posso expressar, cada feminicídio que eu vejo na mídia. Se os homens engravidassem, aborto não seria problema. Porque filho tem que ser uma coisa muito desejada, senão pode até nascer, viver, mas pode dar em muita merda, pra mãe e pra criança.
Eu não aceito que a gente passe pelo que passa só pelo fato de sermos mulheres.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Casa de ferreiro, espeto de pau

Meninos, eu sempre digo:
Saber não é sentir
E sentir não implica necessariamente em querer.
Você pode achar uma coisa correta, nobre, mas ser traído pelos próprios sentimentos. E sentir às vezes não quer dizer que você quer.
Coração de ser humano é assim e o de mulher, então, nem se fala.
Não é fácil ser feminista. Às vezes parece que a gente fala pra se auto convencer.
É tão comum ver mulheres progressistas no discurso cedendo ao contrário dos seus ideais na vida privada... Tão comum que vou provar com um exemplo dos mais clássicos: a mulher livre que cresceu com um pai infiel e na vida adulta só se envolve com homens casados. Você sabe que não é certo, mas cede à tentação. Não quer ser fraca como a mãe, mas acaba sendo por outra via, a da amante, que nada mais é que a mulher que chamava a atenção de papai.
Por isso, acho complicado se dizer desconstruído e coisas afins. Essas coisas não se dão por decreto e não se curam nunca. São ideais e, como ideais, estão fadados a nunca serem concretizados.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Epifania 3

Olhando um clipe de uma artista afro, caiu a ficha: não dá pra gostar desses artistas muito descolados porque parecem fakes. Soa a montagem, a personagem, você não vê a pessoa, só a arte dela mesmo, incluindo o que ela apresenta como ela mesma. Claro que ninguém é natural havendo pelo menos um par de olhos como testemunha. Mas eu curto gente genuína, a naturalidade, o desarranjo. Algo tipo Zeca Pagodinho me diz muito mais.

Quem disse?

Tomando uma cerveja com o povo do Póscom, uma colega, muito gente fina, começou a contar sua trajetória profissional, que incluía artista nacionalmente conhecida, um programa esportivo, intercâmbio na Europa e uma oportunidade na África. Todo mundo, com os seus 20 e tantos anos e vida praticamente acadêmica, ficou boquiaberto... e meio melancólico, do tipo: "E eu? Que merda fiz da minha vida?".
Confesso que até eu fiz uma retrospectiva mental, mas me livrei rápido porque essa coisa andarilha não é algo genuíno meu, embora eu goste muito de viajar, de conhecer coisas novas. Mas até nas viagens, tem uma hora que quero voltar pra minha casa, pro meu aconchego, pra minha rotina. Sair por aí, pra mim, é uma fuga no meio da rotina, algumas vezes no ano, mas não é o que me preenche. E é bem por aí: a coisa vista como a mais maravilhosa do mundo pode não te preencher. 
Já me deparei com gente muito agitada e com um vazio enorme, latente. Já vi gente muito tranquila e que de tão preenchida, transbordava. O movimento pelo movimento não é interessante. Claro, ele vai te levar a algum lugar, mas pode ser um lugar que não te interessa, que não te acrescenta grande coisa frente ao desgaste que você vai ter. Às vezes evoluímos mais na quietude. É possível ter uma vida ordinária e cheia de significado.
Por isso, só vale a pena ir ou ficar se for algo do seu coração, genuíno. Minha colega fofa e experiente do início da história, inclusive, ressaltou isso ao final: se for seu sonho, se for seu sentimento, batalhe. É isso. O caso é que nem todos vão querer a mesma coisa e isso precisa ser respeitado. O caso é que nem todos vão descobrir isso e vão correr como o cão atrás do caminhão.
Quem disse que existe uma receita pra felicidade?

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Você não precisa namorar (ou noivar, ou casar ou qualquer coisa assim)

PS.: Eu, que adoro uma teoria, achei o argumento do texto muito bom. Sentimento é um negócio difícil de botar na caixinha.

Talvez seja culpa do instinto humano que busca categorizar e taxonomizar tudo, talvez seja resultado de séculos de doutrinação social, talvez seja até influência de todas aquelas madrugadas viradas jogando Super Mario, mas a verdade é que crescemos acreditando na vida como um sistema de fases.
Sim, fases. Etapas.
Aspectos da vida que se seguem e obrigatoriamente levam um ao outro, como em uma progressão natural definida antes mesmo de nascermos e que estamos obrigados a, no decorrer da nossa existência, seguir. Escola leva pra faculdade, que leva para um trabalho, que leva para a luta por um cargo, uma sala, uma mesa de frente pra uma vista que pode ser a do fundo descascado do outro prédio, mas que é sua.
Casa dos seus pais leva pra sua casa, que leva pra sua casa de casado, que leva pra uma casa com seus filhos, que leva talvez pra um sítio ou casa de praia, se tudo der certo, se você tiver conseguido aquela sala e aquela mesa do parágrafo anterior. A bicicleta de moleque vai te levar pra um carro que vai te levar pra um carro maior, que vai te levar para aquela picape de levar os meninos para o sítio -- também, tudo depende daquela sala -- e por aí vai.
Essa visão de etapas, de progressão lógica, que existe em todos os aspectos da sua vida também se aplica, é claro, ao aspecto pessoal dela. Sua ficada deve, em tese, se for boa, resultar em um namoro, namoro esse que deve chegar a um noivado que, claramente, vai virar um casamento, uma família padrão, em perguntas do tipo “mas e quando vocês vão dar pra gente um netinho, hein?” feita por tias idosas para quem você quer responder “e quando você vai cuidar da sua vida?”, mas não responde porque fica chato, ia destruir o clima da festa de final de ano, não ia ser bacana.
E essa progressão não faz, é claro, o menor sentido.
Primeiro porque, como bem sabemos, é sempre uma péssima ideia organizar pessoas, que são seres complexos e absolutamente distintos entre si, dentro de categorias ou processos rígidos e comuns. Conforme o tempo foi passando, descobrimos que quase todas as caracterizações e dicotomias que conhecíamos são restritivas, cruéis ou apenas erradas.
São mais de duas orientações sexuais, nem todo mundo precisa de 8 horas de sono pra ficar legal de manhã, não é todo relacionamento que precisa ser composto por duas pessoas, tem gente que acha os Beatles uma banda bem merda, uma série de dogmas e definições que a gente tinha como claras, mas com o tempo foi aprendendo que eram bem mais fluidas do que poderíamos imaginar.
Mas ainda assim, e mesmo sendo a nossa umas das gerações que mais lidou com quebras de paradigmas sociais até hoje, ainda é fácil ver que muitos de nós se sentem num certo nível propensos a tomar decisões na vida pessoal menos por sentirem genuinamente o impulso necessário e mais porque acreditam que seja isso que se espera deles.
Experimente falar com seus amigos casados e ver quantos deles não casaram “porque já estavam juntos fazia um tempo” ou porque “já tava passando da hora”. Veja quantos casais de namorados você não conhece que brotaram da mais pura inércia: “ah, a gente ficou duas vezes, ele continuava voltando aqui em casa, achei mais fácil dar uma cópia da chave pra ele”, ou porque queriam continuar apenas ficando mas se sentiam desconfortáveis em admitir isso, já que “se tá ficando esse tempo todo então é um namoro”.
Vai ser um número maior do que você imagina, mais do que gostaria e avantajado perante o que aqueles filmes do Telecine Touch tentaram fazer você acreditar.
Porque a verdade é que sentimentos são únicos, particulares e, por isso mesmo, impossíveis de categorizar. Você pode gostar muito de alguém e querer essa pessoa por perto, mas não querer ser exclusiva, e isso não invalida o seu sentimento e nem quer dizer que um goste menos do outro, apenas quer dizer que -- querendo os dois o mesmo tipo de relacionamento -- ele vai ser diferente do que se considera padrão.
Uma boa ficada não precisa necessariamente se desenvolver num namoro, da mesma maneira que um ótimo namoro não precisa resultar em casamento. Existem pessoas que poderiam ficar juntas para sempre se morassem em casas diferentes, mas um arrancaria a cabeça do outro em dois dias se resolvessem viver juntas.
E muitas vezes é essa necessidade de categorizar e de “progredir” nos relacionamentos que acaba fazendo com que as pessoas percam coisas boas.
Se ele não quer namorar contigo, não presta. Se ela não se sente pronta pra casar depois de 5 anos, não te ama. Se vocês estão ficando desde abril, mas ninguém falou em namoro, é porque não se gostam e mais diversas outras conclusões que tentam encaixar o que as pessoas sentem dentro de fórmulas e de necessidades que as vezes não são reais nem mesmo para aquele que saiu magoado da jogada.
Não, não estou dizendo que, para namorar ou para casar, você precisa estar sentindo níveis x de vontade ou y de necessidade de estar perto daquela pessoa, porque isso seria tentar também categorizar os relacionamentos alheios e me tornar uma versão romântica daquela tia chata da festa, coisa que acho melhor evitar.
Mas apenas que, em um assunto tão absolutamente pessoal quanto nossas decisões de teor romântico, é sempre importante lembrar que as vontades que realmente importam são as nossas e as das pessoas de quem gostamos e não algum ideal de relacionamento de amigos, conhecidos ou parentes. Mesmo porque, se a sua tia ficar te importunando com coisas assim, você sempre pode apenas acelerar o passo e ir pra outro cômodo da festa, dificilmente ela vai te alcançar naquele andador.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mestrado

Confesso, me deu vontade de desistir.
Eu sempre tendo a resistir, mas a carne tá ficando mole, é a PVC (Porra da Velhice Chegando). Faltam as forças, a motivação. Quero deitar em posição fetal.
Quero uma vida mais tranquila. Agosto nunca é fácil e agosto de final de semestre promete ser muito menos. Deus me ajude!
É a última vez que me meto numa dessa. 😠

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Game Over

Perdi minha consulta, na última sexta, mas ganhei uma longa e proveitosa conversa com um velho amigo. E uma epifania: uma determinada relação da minha vida chegou ao fim. Não tem nada a ver. É hora de tirar o time de campo.

domingo, 30 de julho de 2017

Preguiça

"A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda."
(Mario Quintana)

Família goiana não é família baiana, eu sempre digo aqui em casa e para algumas seletas pessoas de fora. Pense nos mineiros, naquela coisa conservadora, temerosa, quieta, exigente. Sim, somos nós, os suplentes dos filhos da terra de Aleijadinho. 
Entre os valores que nós temos, está o trabalho. Duro, que seja. Pecado é ter preguiça. Virtuoso é quem é humilde e trabalhador. Em minha casa, nunca vi minha mãe parar de trabalhar, com exceção de quando ela teve problemas hormonais e teve depressão severa. Nem a empregada trabalhava direito lá em casa, pois minha mãe achava que tinha que dar o exemplo. Meu pai nunca admitiu faltar um dia de trabalho na vida. Em 15 anos, eu não me lembro. Doente, manco, em coma, com a mulher doente, ele ia. Aliás, minha mãe odiou quando ele se aposentou justamente por isso, porque ela não gostava daquele homem improdutivo. Dizia abertamente que ele tinha se tornado um preguiçoso.
Nem as pessoas mais tortas da minha família ousam ter a preguiça, de tanto que isso está incrustrado na nossa criação. Os agregados "boa vida" são mais apedrejados pelas línguas ferinas que Madalena na passagem bíblica.
Só me senti melhor que os outros, aqui na Bahia, uma vez na vida, quando meu professor de História, filho de espanhóis, confessou que dormia no carro, entre uma escola e outra, porque seus pais interpretariam esse descanso como vadiagem.
O lado bom disso é que me deu um senso de compromisso, mas, por outro, eu acabo levando a cabo coisas que eu não quero por causa desses "Tem que". E se não estou produzindo, me sinto culpada. Vadia. Menor. Eu não sei descansar, não tenho ócio, tô sempre arrumando alguma coisa para fazer. Como são mais coisas intelectuais, me sinto, indiretamente, julgada pela família, porque eles, que não sabem o que é estudar hoje em dia, pensam que é fácil. Ninguém nunca me disse frontalmente, mas todo o discurso aqui em casa leva a crer que estudar é luxo, esnobismo e coisa de gente preguiçosa, que não quer encarar a vida. Resultado: estou sempre cansada, fazendo mais do que meu corpo suporta (meu corpo, porque, pela mente, faria o triplo) e sempre frustrada com a minha preguiça.
Paradoxalmente, acho as pessoas da minha família preguiçosas. Eles são ótimos em sobreviver, mas não querem nada além de casa e comida. Mesmo minha irmã que ficou rica. Mesmo a outra irmã, que está morando na Europa, com muitas facilidades culturais. Mesmo minha tia com mestrado, só fica bitolada em miudezas, não tem vontade de se expandir. Mesmo minha prima mais ambiciosa, a ambição dela é totalmente externa, não prevalece a vontade de se tornar um ser humano melhor.
Eu preciso e adoro ser produtiva, mas odeio me sentir máquina, um bicho, um burro de carga, explorada, sem vida, sem subjetividade. Mas tenho que confessar: eu detesto as coisas do dia a dia, odeio atividade mecânica, odeio ter que dar manutenção ao corpo toda hora, queria viver no mundo dos Jetsons em que as máquinas até escovam os nossos dentes. Entre outros motivos, esse é um dos que me fazem não querer ter filhos. Crianças exigem muito isso, rotina, coisinhas pra fazer, eternas atividades de manutenção daquele pequeno corpo. Eu não aguento nem com o meu. Vou ficar pra titia. Quero me ocupar, ser produtiva, nas coisas importantes. Não me venham com mesquinharias. Em parte, além de natureza, acho que tomei pavor disso por causa das neuras de minha mãe com casa, com isso e aquilo.
Não tem jeito, vou andar com essa culpa da preguiça para sempre. Mas vou começar a fazer a "oração" de Mário Quintana, pra ver se me consolo.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Trauma

Além de tudo, tenho a "sorte" de ter epifanias sobre mim mesma. Só esta semana, descobri que realmente sou back trank na hora de dizer as coisas, quando perco a paciência e, há algumas horas, que tenho tendência ao trauma. Take a look na definição: 

É um tipo de dano emocional que ocorre como resultado de um algum acontecimento. Pressupõe uma experiência de dor e sofrimento emocional ou físico.

Glória Perez tem que botar um personagem psicopata em toda novela dela. É o trauma com Guilherme de Pádua. Ok, perder um filho é uma dor imensurável, mas ela perdeu outro. A diferença é que foi por doença, como Deus quis. A dor de Daniela não se resume à morte, mas inclui a traição, a mentira e, graças ao sistema brasileiro, a injustiça. Eu nunca passei por algo do tipo na vida, mas nunca aprendi a lidar com traição, mentira e especialmente injustiça. La reina del trauma. Deus, me poupe, que a pele, o coração aqui se ouriça fácil.


terça-feira, 25 de julho de 2017

Ressignificar

Gisele* postou uma homenagem ao marido, que morreu há dois anos e meio. Hoje completariam 37 anos de casados. Linda homenagem... aos olhos de quem não conheceu o casal. Não consegui curtir justamente porque eles fizeram um dos piores casamentos que já vi, muito abusivo, pura depreciação da mulher. Ele só não bateu nela, mas de resto... Por fim, ele ficou muito doente, mas mesmo assim ele não parou de torturar. Só que ela descobriu muita coisa errada que ele fez. A raiva desceu e ela não soube lidar. Foi a vez dela de humilhar, torturar ele. Por fim, morreu e ela se viu sozinha (já viu relacionamento abusivo gerar amizades, afetos ao redor?). A solidão e o arrependimento das grosserias ditas e feitas nos últimos meses desceu para o coração e ela caiu no fundo do poço. Chorava sem hora nem lugar. Hoje está bem, refez contatos, fez amizades, enfim, está tocando bem a vida.
Ouvir ela falando bem de um cara sádico me fez ficar com raiva. Eu, que curto até a mosca que passa no Facebook, não consegui. Me desculpe, mas não dá para ratificar tamanha falsidade. Ela ainda não entendeu o que fizeram com ela? Ou ela não quer dar o braço a torcer? Ou, quem sabe, ela está se forçando a ressignificar a experiência ruim, focando nas coisas boas? Eu não sei, não perguntarei e nunca saberei. Mas, apesar de gostar da ideia da compaixão, não gosto nem um pouco dessa mania feminina de querer perdoar a qualquer custo. Não é justo.

* nome fictício

domingo, 23 de julho de 2017

Admiração e indiferença

Era uma vez uma amiga, muito amiga, mas que tinha valores/atitudes incompatíveis com o que eu acho certo e despertava meu pior lado (sim, isso existe. tem gente que aciona seu melhor lado, tem gente que traz à tona seu pior e esse era o caso dela). A pessoa se aproveita da intriga de outra, que não gostava de você, para piorar a situação, ainda se fazendo de vítima (pior do que estar errado é ainda querer tirar onda de certo. eu me recuso a conversar, a negociar, com quem não consegue nem fazer o exercício da autocrítica). Você decide puxar o carro e procurar sua turma, e acaba realmente achando pessoas mais afins. Anos mais tarde, com a mágoa superada, resolve reativar a amizade. O tempo prova que "pau que nasce torto, nunca se endireita", e você perde de vez a admiração. Na verdade, se toca que a pessoa é pobre de espírito, não lhe acrescenta nada e só lhe aborrece. Lógico, como a criatura é difícil, o fim se dá de forma infantil e turbulenta. No fundo, você lamenta, porque não quer mal a ninguém, apenas não quer mais, como canta Lulu Santos, no entanto, mais no fundo ainda, até que vê serventia nisso, porque a coisa ficou tão feia que é impossível cair na tentação de dar uma terceira chance que, obviamente, ia acabar em briga de novo, porque a incompatibilidade é latente.
Dei essa volta toda para contar que, realmente, percebi que funciono, preciso, tenho que admirar quem tenho por perto. Eu, quando perco o respeito, fico desaforada; a língua vira chicote. Eu, sem qualquer pingo de admiração, estou lidando com o outro como se fosse um morto vivo: não escuto, não vejo, não sinto. É bizarro, mas vou te confessar: é libertador. Ainda mais para uma pessoa como eu, apegada, que sofro pra me desligar, mesmo de coisas/pessoas das quais preciso me afastar, apenas pela força do hábito, pela exigência interna de conciliação e resiliência (tô ficando de saco cheio dessa última parte). A pessoa do parágrafo anterior lançou um trabalho. Mandou trailer no grupo da turma. O marido me marcou na página do tal trabalho - nunca saberei se por descuido ou para provocação, mas isso não importa. E eu? Nem aquela curiosidade raivosa, de quem tem no outro um desafeto, eu tive. Nem pra ver se é ruim eu quis abrir o link. Indiferença total. Pode ir para Hollywood, que não me interessa. A pessoa, em si, já é broxante, nada mais a salva.
Outro dia, uma "mulé" que quis disputar um cara comigo há muitos anos atrás (coisa que eu não faço nem morta, me recuso a dar esse cartaz todo a quem quer que seja), me viu em um bar depois de muito, muito tempo. Faz anos que ela não está mais com o Fulano, mas fez questão de "ir duas vezes ao banheiro", em menos de 30 minutos, para ver como eu estava, se estava pior ou melhor que ela. Eu fingi que nem estava vendo. Nem comentei com minhas amigas. Ela sacou e, por fim, quietou a bunda na cadeira. Comportamento bem típico da pessoa pequena que ela é, o que passa batido por causa do status social que acumula e que as pessoas, ao que parece, valorizam (aquele velho papo sobre privilégio de raça e classe). Uma coitada; por dentro é mesquinha, bobinha, feita de vaidade. Olha a que a criatura se presta! Não dá, gente, nem para brigar com uma pessoa dessa. É muita mesquinhez, não tá no meu nível. Aliás, ela mesma, com a atitude dela, concorda com isso. Se não se sentisse por baixo perto de mim, não se daria ao trabalho de ficar me medindo. Fiquei feliz com a constatação, naquele dia, que aquele passado, aquela pessoa, já não me mobiliza. Só quero distância.
Gente, isso é muito legal. Recomendo a todos essa libertação. Indiferença rules!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

domingo, 16 de julho de 2017

Estamos separando demais as coisas?

Nunca li a biografia de Winston Churchill, ex primeiro ministro do Reino Unido, mas adoro as frases de efeito dele. De ouvir dizer, admiro o vigor e a força mental dele diante de uma das épocas mais turbulentas do século 20. Tem que ter o espírito de um cavalo de corridas mesmo. Separei duas para compor esse post:
"As três coisas mais difíceis são: guardar segredo, tolerar injustiça e utilizar o tempo".
"Um homem faz o que precisa - apesar das consequências pessoais, apesar dos obstáculos, perigoso e pressões - e isso é a base de toda a moralidade humana".

Antes de falar do que eu quero falar, quero fazer uma ressalva aqui: não é que eu ache bobagem tudo que está acontecendo, todos os novos comportamentos, pelo contrário. Me preocupa não estarem fazendo o caminho de volta com essas ideias, não estarem problematizando elas também. O entusiasmo cego é que me incomoda.

Eu acho ótimo que a gente esteja se importando com os nossos sentimentos. Acho mesmo, porque eu sempre fui sentimental e tive muita dificuldade de ter essa minha característica acolhida. Saindo dos personalismos, é importante desconstruir as hipocrisias. Quando todo mundo finge que não sente nada, abre-se a porta para a violência, para a dor e a falsidade. Mas a gente pode construir uma vivência só baseada nisso? Porque às vezes fazer o melhor para todo mundo nem é fazer o certo, nem é fazer o que é mais fofo, nem o que a gente queria; é fazer o que tem que ser feito e que se engula o choro enquanto não atravessamos o inferno.

Bem, apenas posso pensar o mundo a partir da minha própria vivência, do meu próprio repertório. Eu digo que não. Gosto muito de ser alguém capaz de sentir, de ter empatia, mas amo a racionalidade que ganhei nos últimos oito anos, quando fiz terapia. Eu não estaria viva para escrever agora se não fosse por isso, eu não teria sabido lidar com as provações e as angústias. Eu não saberia me forçar a caminhar pelo inferno até chegar num lugar melhor. Por isso, acho que é importante a gente reconhecer emoções, mas não podemos parar nelas. Eu conheço muita gente boa que acha que bandeira social, por exemplo, é terapia em grupo. Que porque sofreu na carne, pensa que todo mundo tem que ouvi-la, concordar com ela, mas não é assim que a banda toca. Políticas dependem de coração, de ideais, de doação, mas muito também de estratégias, de sangue frio, de racionalidade em momentos decisivos.

E é nesse ponto que surge a minha questão: com essa onda de "abra seu coração" e "mostre-se como for", ainda vão sobrar os bons que serão capazes de fazer o que tiver que ser feito em tempos difíceis? Ou essa raça está entrando em extinção? Meu medo é que isso fique nas mãos dos psicopatas da vida, que terão coragem, mas nenhum coração. Aliás, nem faço questão exatamente de coração, de bondade, mas pelo menos de ideais e de valores, enfim, de alguma ambição de grandeza, de legado.



sábado, 15 de julho de 2017

Biologices

Outro dia, lendo uma entrevista de Camille Paglia, concordei com o ponto de vista dela sobre o uso de hormônios por pessoas trans, que seria uma luta inglória dado que o corpo daquela pessoa nasceu em um sexo. Ela mesma hoje se reconhece enquanto homem trans, mas acredita que hormônios e cirurgias não são a solução e que a biologia interfere, sim. Eu nem sei direito, para falar a verdade, se concordo mesmo. Acho que o mais razoável é dizer que o lado biológico tem que ser levado em conta. Isso a gente não zera. Entendo esse tipo de argumento do ponto de vista político, mas não do existencial. Por outro lado, acho que as pessoas merecem ter o direito de tentar. Se não for a escolha mais saudável pro corpo, que pelo menos seja a mais feliz pra alma.

Melhor, pior, pior, melhor

Fabrício Carpinejar 


Aquele que convive com pais mais velhos entenderá o que digo.
Eles são representantes da contraespionagem.
Podem falar a verdade em qualquer área da vida, menos quando abordam a própria saúde. Não há como confiar literalmente em seu estado. Pregam peças em abundância.
Tendem a piorar quando não é nada e subestimar quando é grave. Engrandecem o alarme falso e boicotam os chamados sérios.
Se têm uma enxaqueca agem com o acento de um derrame. Se têm uma indisposição já convocam uma coletiva com os filhos para adiantar o testamento. Se sofrem de uma gripe tapam o rosto com cobertor aguardando a caveira encapuzada e a sua foice.
Colocam uma lupa na letra miúda das bulas. Dor de garganta é câncer. Dor nas costas é osteoporose. Dor no ouvido é surdez.
Eu até prefiro o exagero ao menosprezo. Melhor um fóbico a um cético. A prevenção, ainda que errada, continua sendo um cuidado.
Os pais me complicam mesmo ao negar os seus ataques mais contundentes e menosprezar a autenticidade do quadro clínico. Encontram-se à beira da morte e fingem que é uma fraqueza passageira.
A pressão dispara acima dos 23 e procuram me convencer que é normal e que só precisam descansar um pouco. "É apenas uma tontura, vou tirar um cochilo e melhoro".
A desidratação avança no Saara da testa e a crise se reduz a um desconforto momentâneo, resultado de algo que se comeu no almoço.
Quando não estão mal querem correr ao hospital. Quando estão mal querem ficar em casa a todo custo. É enlouquecedor. No primeiro caso, julgam os filhos como omissos. No segundo, os filhos são autoritários e pretendem forçar internações.
Não tenho problema com o teatro, não me irrito com a invenção dos sintomas, desgastante é ter que provar a doença para o doente.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

My "tyager"

Pra quem não entendeu o trocadilho do título, é uma troca do prefixo "teen", que forma a palavra inglesa "teenager" (adolescente), usado para falar dos anos de adolescência, pelo "ty", usado na escrita das idades adultas. Neste caso, trata-se do processo de adolescência de pais idosos. Sim, eles não regridem apenas na altura, mas também no comportamento. E assim como acontece com adolescentes, é difícil lidar com os da terceira idade. E sem nem ao menos ter tido filhos, você se verá, de repente, pai de seus pais.
Fui a única a acompanhar esse processo de minha mãe, já que estamos as duas sós há 21 anos. Mais do que as coisas que ela poderia mas não fez por mim, me doem as que ela poderia e não fez por ela. Tudo isso se reflete numa autoestima frágil na terceira idade. Lição número 1: viva bem para envelhecer bem, porque você vai ter muito tempo para pensar no que fez ou no que não fez quando chegar lá.
Minha mãe tem uma saúde e um pique invejáveis e às vezes é até difícil se convencer de que ela já tem 70. Lição número 2: seja produtivo e ativo e tenha uma saúde de ferro. Ela e meu pai fizeram boas escolhas profissionais/financeiras que deram segurança material. Mas minha mãe meio que dormiu no ponto porque ela envelheceu ficando à mercê da boa vontade de meu pai. Lição número 3: viva o presente, mas não esqueça que a velhice vem aí e que, a priori, ela é só sua. No entanto, essa autonomia também tem seus efeitos colaterais: a falta de humildade, a dificuldade de compreender que, assim como uma criança, vão precisar dos cuidados dos outros para passar por isso. As coisas terminam como começam. Há alguns meses fiquei muito irritada com a rebeldia de uma senhora, perto dos 80, que fugiu do Barra, na pressa de voltar pra casa, sem avisar a filha, sem dinheiro e sem nem conseguir enxergar os ônibus. Mas esse é o comportamento comum de quem acumulou o orgulho de não depender de ninguém, pelo contrário. Lição 4: É preciso cultivar uma docilidade que lhe capacite a reconhecer que precisa de ajuda, que todo mundo, uma hora, precisa de ajuda.
Na velhice, eles ficam tão cheios de manias e rabugices quanto alguém de 15 anos. Pior: minha mãe, pelo menos, acredita que tem que ter privilégios porque é idosa. Eu tento explicar a ela que é confiar demais na sorte demais atravessar a rua com o sinal aberto confiando que os carros vão parar porque uma idosa está atravessando. E as coisas só prestam se forem feitas exatamente como eles querem, mesmo que isso não faça o menor sentido.
Idosos gostam muito de crianças. Não sei se é pelo efeito rejuvenescedor desse contato, que faz a gente lembrar da gente mesmo no passado, não sei se é porque essa gente pequena é que nem cachorro e aceita e retribui amor a troco de muito pouco, só sei que crianças, em especial os netos, dão outro sentido para a vida deles. Eu não devo ter filhos, mas já estou planejando dar o golpe nos netos de minha irmã. Ah, não tem diferença entre ser tia avó e ser vó, hehe.
Em relação às idosas (e desconfio que isso é absolutamente cultural, típico de sociedades machistas, como o Brasil), algumas coisas apertam meu coração de filha e mulher.
1) A solidão. Muitas delas são largada pelos companheiros por volta dos 50, 60 anos e nem encontram outro parceiro. Homens mais velhos encontram guarita em mulheres mais novas. Muitas nem conseguem se separar, por causa de dificuldades financeiras, e sacrificam a vida amorosa em troca de teto e comida, enquanto o "marido", com o aval da sociedade, curte todas da porta pra fora. E se a pessoa não se tornou uma pessoa interessante, não cultivou interesses e afetos, fica pior ainda. Sabe aquele idoso que fala um monte de abobrinhas e as pessoas fingem que escutam por obrigação, por pena? Não queira não, que é triste demais. Lição 5: Invista em você, pra não ter que encarar a solidão compulsória.
2) Beleza. Minha mãe não aceita que está envelhecendo. Ela, que nunca nem passou um batom, agora vive no dermatologista, passa creme no rosto, criou pânico de engordar um quilo. Meu pai tá mais detonado que ela e, como os homens da idade dele, se brincar, ainda tá se achando delícia. Essa prisão estética das mulheres brasileiras tem que chegar ao fim. Nessas horas, gostaria de ter nascido na Alemanha, onde ser interessante é mais valioso que ser jovem.
3) A sociedade. A turma é cruel e vai querer impor o que deve ou não deve ser feito. Graças a Deus isso já está melhorando muito, mas ainda temos episódios como o de Betty Farias, 73 anos, sendo hostilizada por ir até a praia de biquíni. Minha mãe também vai e irá até quando ela quiser. O problema é que o machismo não deixa ela em paz. Sempre tem um velho que começa a assedia-la por interpretar que uma senhora de biquíni e sozinha na praia quer "safadeza". Lição 6: mulheres, resistam. Ser é também um ato político.
4) Filhos canalhas. Sim, eles existem e mais do que a gente imagina. Abusam da carência dos pais pra jogar os netos pra cima deles, pra pegar o pouco dinheiro deles em próprio benefício. Alguns simplesmente esquecem que eles existem. Se for mãe, a ingratidão pode ser mais certeira: há filhos que a mãe faz 99%, mas eles se atêm ao 1%, fazendo o contrário com os pais, que serão endeusados por qualquer migalha que tenham jogado para a família. Isso quando, após anos de relacionamento abusivo, os filhos ainda pressionam a mãe a cuidar do pai canalha.
Enfim, folks, envelhecer não é bolinho, mas podemos fazer diferente. Se Deus quiser, vou ser dessas velhas que embarcam com as amigas em cruzeiros!🙌

Midialandia

Minha mãe, aos 70, é a mais nova residente de Midialandia, que está longe do Landia da Disneylandia. É algo na vibe Cracolândia.
Ela é viciada nesses canais de notícias (fales) do YouTube. Acredita em tudo. E teima. Eu explico, e nada. É o dia todo nisso, ou melhor, a noite. Acompanha a vida (amorosa) dos artistas e as sujeiras dos "senhores" do Planalto.
Não vejo a hora desse tablet quebrar, hehe.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Para sempre é quase nunca

Quando eu tinha quinze anos, queria muito ir pra Disney. Enchi o saco de meu pai, que não estava nem aí, e sofri. Hoje, nem penso mais nisso e, pra falar a verdade, seria o último lugar onde eu iria hoje em dia. Com o tempo, a gente esquece, com os anos, a gente muda.
Então por que as pessoas ficam cobrando congruencia o tempo todo? O tempo parou, por acaso? Se a gente parar pra pensar, não faz sentido.
O caso é que isso nos poda na expressão. Não posso dizer, por exemplo, que quero ter uma casa branca no campo, muito mesmo, porque se não acontecer, vou ser considerada uma coitada.
Ledo e Ivo engano. Vou provar: de quantas coisas você desistiu ao longo da vida e de quantas delas você realmente se ressentiu? É raro.
Tá vendo? Não faz sentido. Mais um caso de "o que os outros vão dizer" nos fazendo fazer sacrifícios ao nada.

domingo, 9 de julho de 2017

Tá ligado?

Minha mãe levantou a sobrancelha quando soube que uma atriz global largou a Medicina para ser atriz. Vocação, expliquei. Não adianta nada ir contra a própria natureza.
Bem, ela deu sorte. Porque só fazer o que gosta não basta. Amor com amor se paga, sacou?
O problema de apostar é que às vezes a gente não sabe direito o que está envolvido. A gente só vai enxergar mais para frente, quando tiver uma visão mais ampla. Mas, daí, paciência. Acho que é mais coerente estar ciente do que vai perder do que exatamente do que pode ganhar. De resto, é a vida.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Revolucionário é ser natural

No meu grupo de pesquisa acadêmica, há três grupos: os de 30 e tantos; os de 20 e tantos; os de 20. Desses três, o mais fechado, por incrível que pareça é o dos mais novos. São as pessoas menos simpáticas [só com quem interessa] e que agem como se fossem os fodões. Ok, Renato Russo já cantava "não sou tão criança a ponto de saber tudo", portanto talvez essa arrogância faça parte mesmo do jeitão de quem está chegando no mundo [embora não me lembre de ter sido assim]. Quanto mais a vida vai te desafiando, menos certeza [e prepotência] você cria. Bem, isso funciona para quem tem lucidez, coisa que nem todo mundo ganha conforme vai envelhecendo, infelizmente. 
Em todas as faixas, a minha impressão é de que é pior estar entre as pessoas se você é mulher. Minha sensação é a de que se você é um cara, basta você chegar e ficar como quiser, inclusive imóvel, que ainda haverá quem se preocupe se você está se sentindo bem ou não. Quando você é uma mulher, é obrigada o tempo todo a seduzir as pessoas, ou nem vai contar para elas. Tive essa epifania ontem enquanto estava no grupo de pesquisas. Ficaria eu tão preocupada em agradar If I were a boy, Beyonces? E quer saber? Foda-se. Começo a achar que o ato mais feminista, mais revolucionário que pode vir de uma mulher é se permitir ser como quiser. Essa ainda é a prerrogativa dos homens.  

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Beauvoir

Se eu já gostava do (pouco) que li sobre Simone de Beauvoir, depois de ver no Youtube uma entrevista dela a um canal francês, em 1975, fiquei mais admiradora ainda dela. Que clareza e articulação de pensamento!
Bem, basicamente ela fala muita coisa que as feministas hoje defendem, que as mulheres já se conscientizaram (pelo menos uma parte da classe média). Em termos de conteúdo, não há novidade para alguém vivo em 2017. Mas vale sempre ressaltar que ela apontava isso desde 1949. Se hoje já dá treta, imagine há quase 70 anos. Coitada! Calculo o que não deve ter escutado...
Há duas coisas, que passam quase despercebidas diante do restante do conteúdo feminista da entrevista, que chamaram a minha atenção. A primeira delas é o valor que Beauvoir dá à experiência de leitoras do seu clássico, "O Segundo Sexo". Parece que ela só se convenceu, realmente, de sua própria tese depois de todo esse reforço das mulheres, que lhe escreveram relatando suas histórias, algumas com medo de serem descobertas pelos maridos. Ela mesma faz uma confissão bonita, já que é tão raro esse nível de autopercepção e mea culpa, de que nunca, antes dos 40 anos, havia se tocado da opressão masculina porque justamente conseguiu escapar dos espaços que promovem esse tipo de violência contra a mulher.  
Nesse mesmo sentido, e porque vinha pensando muito sobre isso ultimamente, gostei da segunda observação, na qual ela diz que é difícil um homem realmente ser feminista porque simplesmente algumas situações lhe são estranhas, não fazem parte da vivência deles. Um homem tem dificuldade de perceber, por exemplo, o medo de uma mulher de andar sozinha à noite. Só uma mulher sabe do alívio que é olhar para trás, numa rua escura, e perceber que o passo acelerado é de outra mulher. Os homens não têm o medo da violência sexual que ronda as mulheres, feias ou bonitas, crianças ou velhas. Eles nunca vão entender a dimensão desse pavor.
E onde quero chegar com isso? Eu acho que devemos apontar a falta de empatia, sim, mas não podemos exigir que os outros nos compreendam na integralidade, porque cada ser humano é dono de um repertório bem limitado. Se você faz parte de uma minoria, seu repertório vai ser menos compartilhado ainda. Não tem jeito, muitas vezes a gente só compreende experimentando. Se fosse possível internalizar apenas ouvindo os outros, não precisaríamos viver tanto, passar por tanta coisa. Abrindo, aqui, um parenteses, aconteceu há alguns dias uma coisa comigo nesse sentido. Quando falava de uma determinada situação com um amigo que fazia parte dela, pontuando que houve injustiça, ele nunca reconhecia, dava aquele velho cala a boca do tipo: "Não sei por que ficaram sentidos com isso. Acontece o tempo todo". Por quê? Porque, provavelmente, reconhecer que houve injustiça com uns, na cabeça dele, significava que não era merecedor de ter sido poupado da situação injusta. E não havia nada a ver uma coisa com a outra. Ter sido poupado de uma injustiça não quer dizer que, necessariamente, sua posição seja injusta e privilegiada. É injusta e privilegiada só se você estiver fora dos critérios que justificam ter sido poupado. Havia gente assim na situação em questão, mas não era o caso dele. Bem, eu havia me resignado, pensando que era a típica situação em que a pessoa, no fundo, acha que é mimimi seu apenas pelo fato dela nunca ter sentido aquilo na carne. No fundo, a classe média, em especial, adora pensar que só se fode quem de algum modo mereceu isso. Pois bem, o tempo passou e o conjuge dele quase passou por uma situação parecida com a minha. Ele, me relatando a situação, fez indiretamente um pedido de desculpas, dizendo que a criatura era "igual a mim, que não era de puxar saco, etc", enfim, que éramos o tipo de gente cuja integridade às vezes joga contra. Ou seja, precisou acontecer o mesmo com alguém que lhe afetava diretamente para a figura ampliar a percepção da situação da qual eu me queixei, sair do ego e exercitar a empatia. E olha que é alguém que eu sei que gosta muito de mim. Então, o que esperar de um estranho? É contar com a sorte, na boa. Djamila Ribeiro cita muito, aliás, uma frase genial de Beauvoir (que as feministas de Facebook acham que é dela) sobre feminismo, mas que serve para muitas outras discussões: "Se a questão feminina é tão absurda, é porque a arrogância masculina fez dela uma querela (disputa), e quando as pessoas querelam, não raciocinam muito bem".
Enfim, precisamos lutar pelo impossível, pelo ideal, claro, mas tendo consciência das limitações. Quase sempre, a gente é o que pode, não o que quer e às vezes a gente está muito distante sequer de compreender que devemos querer essa mudança. A consciência não chega ao mesmo tempo e da mesma forma para todo mundo. Não se nasce consciente, torna-se consciente. É um trabalho de uma vida inteira.

PS: Tem uma terceira coisa que ela fala ao entrevistador e que é muito legal, que é quando ele diz que essas cenas clássicas de opressão no casamento se aplicam mais à América Latina que à França, o que ela desmente citando a experiência da irmã dela na periferia de Paris. É isso, nem todo mundo tá no mesmo tempo apesar de compartilhar o mesmo espaço. Há gente, em lugares do Brasil, ainda vivendo no século 19. Não estamos todos no século 21. Até isso é um privilégio.

Mas caramba!...

Se for parar pra pensar, 70% do sofrimento da gente vem do olhar dos outros. Tenha dó, viu? Por que o ser humano é carente assim? Arre!...

domingo, 2 de julho de 2017

Fade in

O tempo desbota tudo, ao ponto de, às vezes, a gente ter dificuldade de lembrar ou de reconhecer as imagens do passado. Já até comentei aqui que às vezes sinto que, dentro da minha própria vida, certas passagens são como memórias de outra encarnação.
Percebi isso na foto desse blog, que mal dá para ver a minha cara. Confirmei com as imagens que Talita enviou no zap da época da faculdade, há uns 15 anos. 
A vida é um rio, tudo passa e nunca um homem se banha duas vezes na mesma água. São tantos os banhos, que às vezes fica até difícil saber por qual ponto da margem já passamos, hehe.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

A gente pressente

Eu acho que a gente sabe mais sobre a nossa vida do que percebemos. Não vou entrar em detalhes, mas me lembro de dois momentos da minha infância, em que eu era pequena mesmo, e me arrepiei com duas coisas que pessoas falaram de brincadeira, sem nem se dar conta, mas que eu pressenti na hora que aquilo se realizaria na minha vida. Eu já sabia? Acho que até mesmo sem saber.
Pensei nisso olhando a foto de um ex colega meu de trabalho com a mulher dele, com quem ele está há algum tempo. Ele estava no auge da beleza quando o conheci, não tinha quem não desse em cima dele, era algo impressionante. Mas eu percebia que, a despeito de beleza física, ele tendia a se encantar por um tipo específico de mulher, que é exatamente o tipo de mulher que ele casou. Ele já farejava, acho, com que tipo de mulher ele ficaria. Eu, por exemplo, sempre gostei do tipo aplicado, gentil e quieto, moreno do cabelo liso. Enfim, acho que a gente não forma essas imagens na cabeça à toa; são premonições.  

domingo, 25 de junho de 2017

Os que nos enxergam

Amor é bom, mas ser visto é tão bom quanto e, se brincar, é até mais raro. Quase nunca vão ter olhos para você, espontaneamente, mas quando isso acontece, é mágico. Gente que lhe olha, que lhe compreende. 
Surpreendentemente, das poucas vezes em que isso aconteceu, foi com gente estranha. Até entendo, em parte, a falta de curiosidade dos próximos: o dia a dia tira a visão e, de quebra, nos torna um pouco parte deles; convém não questionar.
A última pessoa que me abordou com revelações quase me fez chorar. O que foi, não vou contar aqui, né? Se a profecia se realizar, o mundo vai saber. :)

sábado, 24 de junho de 2017

"Você viu Fulano/a?"

O ser humano, se tiver 5% de maldade na cabeça e souber que A e B não se dão, ao mínimo sinal de "sucesso" de uma das partes vai lá provocar a outra, quem sabe dando a sorte de ser o pombo correio da nova, o primeiro a ver a cara de surpresa, constrangimento ou mesmo raiva do desafeto do sortudo da vez.
Isso não cola comigo, a não ser que eu ainda sinta, estime, em algum grau, a criatura. E fico retada com o correspondente não solicitado, que teve a intenção de tentar me aborrecer, me testar. Para que mais você vai dar notícias que não me interessam sobre gente que está fora da minha vida? Coisa de espírito de porco. Da única vez que me peguei fazendo isso - porque não foi premeditado -, pedi desculpas, fiquei realmente sentida.
Falei em "sucesso" lá em cima porque tudo depende do ponto de vista. O que é sucesso? Para mim, no fundo da alma e quase aos 40 anos, é ser sábio para a vida, é ser boa pessoa, ética e de valores, porque a gente sabe que manter uma essência amorosa e flexível, com tanta paulada que a gente leva da vida, é difícil, é pra quem é vocacionado, para quem realmente tem algo para dar. Ter todas as condições para aflorar amorosidade é fácil; quero ver ser maltratado e ter a grandeza de insistir em ser grande, não se apequenar. Dessa gente eu tenho inveja. Na próxima encarnação, troco fácil minha ansiedade e memória afetiva de elefante, típica de um ascendente em Câncer, por uma alma "sussa" de surfista. Pois bem, quando eu me afasto de alguém, pode ter certeza que é por um desses dois motivos: a) descobri que me envolvi com gente pobre de espírito, mesquinha, que não tem nada a oferecer a ninguém; b) descobri que o afeto era unilateral, que não contava, que fui confundida com um saco sem fundo. No segundo caso, é até possível eu me importar ainda com o que foi feito da pessoa, embora ache um pouco difícil, especialmente depois de muito tempo, porque eu tendo a não gostar do que me maltrata. Mas no primeiro caso, bicho... Alguém que eu classifico como pobre de espírito, na minha cabeça, é alguém que já é perdedor simplesmente pelo fato de ser quem é. Tem gente que já é o próprio castigo, que no fundo sabe que não vale muita coisa, apesar de conseguir enganar bonito um monte de gente, inclusive as boas.
E engana porque tem um monte de gente que acha, de verdade, que ser bem sucedido é, acima de tudo, ter grana e fama. Os suicidas do showbizz parecem não concordar muito com essa hipótese, né? Faltava o primordial e isso pouca gente tem, realmente, a oferecer. Enfim, se você se importa com a sorte de quem você despreza, ou você não despreza tanto assim, ou dinheiro e fama são o primordial na vida para você.