Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Ah, o racismo... :/
Esse mês eu venho discutindo, por diversas razões, racismo com alguns amigos.
Velho, o racismo faz um estrago enorme na autoestima da cidadã, do cidadão (claro, eles são piores do que nós para lidar com qualquer frustração, inclusive com essa). E se as pessoas não prestarem atenção, se tornarão pessoas tão tóxicas quanto os racistas que criaram essa fenda, especialmente para si mesmos e para os mais próximos.
Ser famoso não vai curar essas feridas.
Ter dinheiro não vai curar essas feridas.
Ser o mais inteligente não vai curar essas feridas.
Ser violento não vai curar essas feridas.
Ser o chefe não vai curar essas feridas.
Casar com um/a branco/a não vai curar essas feridas.
Se centrar no reconhecimento exterior não vai curar essas feriadas, em suma.
Eu sei que é duro não ser visto, mas é mais tóxico, a longo prazo, se rebaixar, jogar os valores, a dignidade para ser visto.
É como paquerar alguém que você quer muito que te queira e topar qualquer coisa para conseguir essa pessoa. Você pode conseguir a pessoa, mas dificilmente vai ser feliz com ela porque, no fundo, ninguém perdoa ser esnobado. Vai ter ali um exercício de ego, de poder, mas amor, que é o que no fundo todo mundo busca, não vai rolar. Antes voltasse essa energia para estar bem e disponível a quem lhe queira.
Eu ouvi uma história, de uma pesquisadora, que eu compreendi, mas ainda assim discordei da atitude do homem. Ele tinha arrecadado, através de doações, dinheiro para comprar fralda da filha. Usou parte desse dinheiro para comprar um tênis caro e ser visto, na loja, ao se tornar consumidor. Ele calcula que outras pessoas darão a fralda pra filha, que portanto esse ato não vai ter consequências pra ela. Ok, isso evidencia uma sociedade profundamente violenta que se baseia em status e dinheiro, onde você não é ninguém se não tiver um pouco dos dois. Porque respeito tem que vir independentemente de qualquer coisa. Mas se por um lado ele não tá tirando a fralda, ele tá tirando outra coisa da família dele e traindo a boa fé das pessoas que tiraram do seu bolso - e num país como o Brasil dinheiro sempre faz falta - pra esse fim e não para ele comprar tênis. Só porque a pessoa é pobre ela não pode desejar o tênis? Pode, ué, mas não engane os outros para isso. Quer um tênis? Então diga às pessoas que quer ajuda financeira pra isso.
Complexo de inferioridade é um exercício de ressignificação. Não adianta nada você estar numa posição desejada sem ressignifcar o que te ocorreu, o que você sente sobre si mesmo.
Neste final de semana, maratonei The Witch. Me identifiquei com o Geralt (depois explico o motivo), mas Yennefer é bem isso que eu tô escrevendo aqui e que eu ando vendo muito na galera da minha geração para baixo: ego frágil não se cura com algo externo. Se não me engano, tem uma cena em que a feiticeira que a formou fala isso.
No plano externo, eu acho que a gente deve trabalhar para que futuras gerações não passem por isso. Minha irmã sofreu na autoestima dela por ter cabelos cacheados. Minha sobrinha lida bem com isso e até ensinou minha irmã a gostar de cabelos cacheados.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2019
Serenidade estóica
Gramsci respondendo ao irmão sobre seu estado de espírito face o contexto em que vivia:
“[...] de resto, você mesmo viu que eu não estou abalado, desanimado e nem deprimido. Meu estado de espírito é tal que mesmo que já fosse condenado à morte continuaria tranqüilo e até mesmo, na noite anterior à execução, talvez estudasse uma lição de língua chinesa. (…) Parece-me que em tais condições [I Guerra], prolongadas durante anos, e com tais experiências psicológicas, o homem deveria alcançar um grau máximo de serenidade estóica, e adquirir a convicção profunda de que ele tem, em si mesmo, a fonte das próprias forças morais, de que tudo depende dele, de sua energia, de sua vontade, da férrea consciência dos fins que se propõe, e dos meios que emprega para realizá-los — a ponto de jamais desesperar, e não cair nunca mais naqueles estados de espírito – vulgares e banais – a que se chamam pessimismo e otimismo. Meu estado de espírito sintetiza esses dois sentimentos e os supera: sou pessimista com a inteligência mas um otimista com a vontade” (GRAMSCI, 2005, p. 382).
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
Carta a Pi
Feliz aniversário, meu amor!!! Parece que foi ontem que você nasceu, chorou quando se viu de repente fora da barriga da sua mãe e num quarto escuro de hospital, só parando manhosamente quando eu te dei meu dedo para segurar. Mas, veja só, agora até já sabe ler e escrever, fala inglês e é o irmão mais velho da Luísa. Que lindo você se tornou, por dentro e por fora.
Hoje você faz oito anos, então eu acho que já posso falar de certas coisas com você. Não ando conversando com você ultimamente, é verdade, mas sua vó me conta sempre de vocês, que sempre estão em pensamento comigo. Não sei, infelizmente, como andam as coisas a essa altura: se você já se decepcionou feio com um amiguinho do qual gostava muito, se já tem um melhor amigo, se ainda se reta com Luísa (ou já entregou o caso a Jesus) ou se ainda pensa mesmo em ser jogador de futebol ou agrônomo, como andaram me dizendo que você queria por causa do sítio do seu tio avô (eu acho ótimo; eu mesma, se mais 20 anos de juventude tivesse, estudaria Agronomia).
É estranho falar para alguém tão jovem que a juventude acaba, mas acaba. Mas tudo bem se você não acreditar nisso antes dos 35 anos, quando o seu joelho começar a doer. Tudo na vida começa e acaba. A partida de futebol, o final de semana, o jardim de infância, seus sete anos que agora são oito e os ciclos da vida. A sua infância, mesmo, daqui a pouco acaba e você vai virar adolescente que nem Leka e Drica. O fim geralmente também é um começo e isso é muito bom.
Em algum momento você vai estranhar esse entra e sai de pessoas, de situações e de obrigações e vai se perguntar o sentido da vida. Bem, eu tenho cinco vezes a sua idade e eu acho, até agora, que o sentido da vida é gostar dela, da vida. E se um dia você estiver cansado e achar isso difícil, lembre que na verdade é muito fácil, os adultos é que complicam. Mas você, como criança, sabe: a vida é boa quando a gente acorda e come um pão quentinho com café; quando estamos brincando com os amigos; quando damos risada com um filme; quando podemos correr à vontade porque temos um bom corpo e saúde; quando temos família que nos cuide. Tudo é questão de sintonia e eu te aconselho a sempre a buscar a alegria que está aí nas coisas boas do dia-a-dia.
A vida é boa sempre, mas muitas vezes não é simples nem fácil. Não é fácil quando a gente tem que acordar de manhã para ir à escola, mas não quer. Não é fácil quando a professora manda um monte de tarefas e a gente não se empolga e nem entende muito bem por quê. Não é simples quando as pessoas agem de um jeito que a gente não concorda ou entende. Isso faz parte da vida, não adianta se zangar. Nem sempre se ganha, aliás, poucas vezes se ganha. Ou melhor, tem um jeito de ganhar sempre sim, porém não aos olhos dos outros, mas da gente mesmo: sendo boa pessoa e fazendo tudo a que a gente se propõe com todo o nosso empenho e coração. Vamos pensar numa partida de futebol. Você treinou, jogou pra caramba, mas perdeu. O motivo pode ser qualquer um: o adversário jogou muito bem, o juiz te roubou, etc. Mas se você fez o seu melhor, vai ficar chateado naquela hora, mas vai saber que, embora não tenha ganho, se superou, avançou como jogador sendo melhor que antes daquele treino, daquela partida. Quando a gente não se dedica, quando fazemos de qualquer jeito, repare como a gente passa dias remoendo, pensando no que poderia ter feito melhor. Enfim, não existe pior coisa do que perder para si mesmo. Quem faz o seu melhor sempre sai vencedor. Faça por você, porque a gente está nesse mundo para ser melhor do que era ontem, para se desenvolver como pessoa.
Aliás, estou sabendo que o senhor não anda estudando direito. Fiquei triste. O colégio é uma das coisas que você não pode escolher. É preciso ter estudo para uma série de coisas da vida adulta. Mas eu não quero que você estude só para não repetir de ano, só porque seus pais cobram isso de você. Aprender é uma das coisas mais legais da vida. O conhecimento é uma coisa bacana, a única que ninguém pode tirar de você. Eu amo aprender coisas novas e eu te garanto que é divertido, basta você saber olhar pelo ângulo certo e trocar que isso é uma "obrigação" pelo fato de que isso é um "recurso" a mais. Quase um super poder. Pode parecer chato estudar inglês agora, mas pense em quanta coisa você poderá ler sobre futebol e que só está escrito em inglês. Já pensou em encontrar o David Beckham na rua e poder pedir a ele um autógrafo em inglês? Olha que legal poder falar com gente do mundo todo e as pessoas te compreenderem. E Geografia? Eu adorava saber onde ficavam os países já imaginando para onde eu queria ir quando fosse adulta. E é muito interessante saber como outras pessoas vivem. Se você for mesmo jogador, como você vai decidir se quer jogar em um time sem aprender mais sobre o país, sobre a cultura dele? Do que adianta ganhar muito dinheiro se a cidade na qual o clube está é ruim? Como vai saber se o contrato é bom mesmo sem falar língua estrangeira e sem saber fazer cálculo de matemática? Aprender é bonito, estudar é legal, mas como tudo na vida precisa de tempo e esforço. Então deixe de preguiça, que rapadura é doce, mas não é mole, seu menino! E por falar em preguiça, tô sabendo que o senhor anda pedindo até pros outros (Elen) calçarem a sua chuteira. Me poupe, viu, seu Felipe? hehe...
Feliz vida, Coração, hoje e sempre!
Um beijo da sua tia que te ama muiiito.
PS.: Meu filho, já que estamos falando da vida, vou te dar um conselho de coração: troque de time, não fique sofrendo pelo Vitória, não. Se pique desses times baianos, vá torcer pelo Flamengo, que é rubro negro e foi onde seu avô Luiz também jogou. Tô lhe dizendo, se ficar torcendo pro Vitória não vai ser campeão brasileiro nunca... Depois não diga que eu não lhe avisei, hehe.
Hoje você faz oito anos, então eu acho que já posso falar de certas coisas com você. Não ando conversando com você ultimamente, é verdade, mas sua vó me conta sempre de vocês, que sempre estão em pensamento comigo. Não sei, infelizmente, como andam as coisas a essa altura: se você já se decepcionou feio com um amiguinho do qual gostava muito, se já tem um melhor amigo, se ainda se reta com Luísa (ou já entregou o caso a Jesus) ou se ainda pensa mesmo em ser jogador de futebol ou agrônomo, como andaram me dizendo que você queria por causa do sítio do seu tio avô (eu acho ótimo; eu mesma, se mais 20 anos de juventude tivesse, estudaria Agronomia).
É estranho falar para alguém tão jovem que a juventude acaba, mas acaba. Mas tudo bem se você não acreditar nisso antes dos 35 anos, quando o seu joelho começar a doer. Tudo na vida começa e acaba. A partida de futebol, o final de semana, o jardim de infância, seus sete anos que agora são oito e os ciclos da vida. A sua infância, mesmo, daqui a pouco acaba e você vai virar adolescente que nem Leka e Drica. O fim geralmente também é um começo e isso é muito bom.
Em algum momento você vai estranhar esse entra e sai de pessoas, de situações e de obrigações e vai se perguntar o sentido da vida. Bem, eu tenho cinco vezes a sua idade e eu acho, até agora, que o sentido da vida é gostar dela, da vida. E se um dia você estiver cansado e achar isso difícil, lembre que na verdade é muito fácil, os adultos é que complicam. Mas você, como criança, sabe: a vida é boa quando a gente acorda e come um pão quentinho com café; quando estamos brincando com os amigos; quando damos risada com um filme; quando podemos correr à vontade porque temos um bom corpo e saúde; quando temos família que nos cuide. Tudo é questão de sintonia e eu te aconselho a sempre a buscar a alegria que está aí nas coisas boas do dia-a-dia.
A vida é boa sempre, mas muitas vezes não é simples nem fácil. Não é fácil quando a gente tem que acordar de manhã para ir à escola, mas não quer. Não é fácil quando a professora manda um monte de tarefas e a gente não se empolga e nem entende muito bem por quê. Não é simples quando as pessoas agem de um jeito que a gente não concorda ou entende. Isso faz parte da vida, não adianta se zangar. Nem sempre se ganha, aliás, poucas vezes se ganha. Ou melhor, tem um jeito de ganhar sempre sim, porém não aos olhos dos outros, mas da gente mesmo: sendo boa pessoa e fazendo tudo a que a gente se propõe com todo o nosso empenho e coração. Vamos pensar numa partida de futebol. Você treinou, jogou pra caramba, mas perdeu. O motivo pode ser qualquer um: o adversário jogou muito bem, o juiz te roubou, etc. Mas se você fez o seu melhor, vai ficar chateado naquela hora, mas vai saber que, embora não tenha ganho, se superou, avançou como jogador sendo melhor que antes daquele treino, daquela partida. Quando a gente não se dedica, quando fazemos de qualquer jeito, repare como a gente passa dias remoendo, pensando no que poderia ter feito melhor. Enfim, não existe pior coisa do que perder para si mesmo. Quem faz o seu melhor sempre sai vencedor. Faça por você, porque a gente está nesse mundo para ser melhor do que era ontem, para se desenvolver como pessoa.
Aliás, estou sabendo que o senhor não anda estudando direito. Fiquei triste. O colégio é uma das coisas que você não pode escolher. É preciso ter estudo para uma série de coisas da vida adulta. Mas eu não quero que você estude só para não repetir de ano, só porque seus pais cobram isso de você. Aprender é uma das coisas mais legais da vida. O conhecimento é uma coisa bacana, a única que ninguém pode tirar de você. Eu amo aprender coisas novas e eu te garanto que é divertido, basta você saber olhar pelo ângulo certo e trocar que isso é uma "obrigação" pelo fato de que isso é um "recurso" a mais. Quase um super poder. Pode parecer chato estudar inglês agora, mas pense em quanta coisa você poderá ler sobre futebol e que só está escrito em inglês. Já pensou em encontrar o David Beckham na rua e poder pedir a ele um autógrafo em inglês? Olha que legal poder falar com gente do mundo todo e as pessoas te compreenderem. E Geografia? Eu adorava saber onde ficavam os países já imaginando para onde eu queria ir quando fosse adulta. E é muito interessante saber como outras pessoas vivem. Se você for mesmo jogador, como você vai decidir se quer jogar em um time sem aprender mais sobre o país, sobre a cultura dele? Do que adianta ganhar muito dinheiro se a cidade na qual o clube está é ruim? Como vai saber se o contrato é bom mesmo sem falar língua estrangeira e sem saber fazer cálculo de matemática? Aprender é bonito, estudar é legal, mas como tudo na vida precisa de tempo e esforço. Então deixe de preguiça, que rapadura é doce, mas não é mole, seu menino! E por falar em preguiça, tô sabendo que o senhor anda pedindo até pros outros (Elen) calçarem a sua chuteira. Me poupe, viu, seu Felipe? hehe...
Feliz vida, Coração, hoje e sempre!
Um beijo da sua tia que te ama muiiito.
PS.: Meu filho, já que estamos falando da vida, vou te dar um conselho de coração: troque de time, não fique sofrendo pelo Vitória, não. Se pique desses times baianos, vá torcer pelo Flamengo, que é rubro negro e foi onde seu avô Luiz também jogou. Tô lhe dizendo, se ficar torcendo pro Vitória não vai ser campeão brasileiro nunca... Depois não diga que eu não lhe avisei, hehe.
quinta-feira, 31 de outubro de 2019
Tudo depende do lugar onde você se bota
Alexandre, o Grande, encontrou Diógenes, que era um mendigo nu, com apenas uma lâmpada, sua única posse. E mantinha sua lâmpada acesa mesmo durante o dia. Ele, obviamente, estava se comportando de maneira estranha, e até mesmo Alexandre teve de lhe perguntar: — Por que essa lâmpada acesa durante o dia? Ele levantou sua lâmpada, olhou para o rosto de Alexandre e disse: — Estou à busca do homem de verdade dia e noite, e não o encontro. Alexandre ficou chocado. Um mendigo nu dizer esse tipo de coisa a ele, um conquistador do mundo. No entanto, ele podia ver que Diógenes era altivo em sua nudez. Os olhos eram serenos, o rosto tão pacífico, suas palavras tinham autoridade, sua presença era tão tranquila, que o próprio Alexandre sentiu-se um mendigo frente dele. Ele escreveu em seu diário: ‘Pela primeira vez senti que a riqueza é algo diferente de ter dinheiro. Eu vi um homem rico’.Moral da história: tudo depende de como você se vê. Os outros só têm o poder que você mesmo dá a eles.
domingo, 20 de outubro de 2019
A inexplicável arte de amar
Tenho uma amiga que está desenvolvendo um trabalho com Constelações Familiares. Outro dia, ela gravou um vídeo interessante sobre o que faz um casal ficar junto. Tema espinhoso. Eu poderia listar, como já fiz várias vezes aqui, exemplos do que não é amor. O problema é que eu sou eu e o outro é o outro, e por mais que me custe botar fé, há a possibilidade daquilo que eu não consigo visualizar como bom ser uma relação funcional. Gente é um bicho esquisito, de fato...
Ela aponta, do ponto de vista sistêmico, três motivos para que um casal fique junto, apesar de mil problemas: 1) Projeto. Isso pode ser um filho, a ideia de ter uma família, um negócio, uma casa. 2) Amizade, philia. Às vezes a vida de casal não está funcionando no stricto sensu, mas tá no lato e você fica porque aquela criatura, apesar de tudo, é seu parceiro, te dá apoio na vida. 3) O amor. Mas aqui não é o amor como a gente definiria. Trata-se do sentimento que A tem quando está com B. Isso não tem a ver com a qualidade de quem o outro é ou com a qualidade do sentimento que a figura tem por você, mas com o que surge do contato entre as partes. É a parte de mim que aparece só quando estou com o outro e da qual eu gosto por N motivos, incluindo o de me fazer sentir viva.
Eu achei uma leitura inteligente. Tô respeitando mais a maluquice dos outros a partir dessa reflexão, ou melhor, o caos dos outros, porque tem coerência interna conforme vimos acima. Sabe-se lá onde dói e onde goza um indivíduo. Como diz um amigo meu, quem realmente está insatisfeito pede pra sair.
sábado, 19 de outubro de 2019
Segunda Juventude
Minhas últimas sessões de terapia estão sendo ótimas para ter insights. Já narrei uns aqui. Eu acho engraçado porque praticamente falo das mesmas coisas, mas a conversa sempre acaba sendo analisada por um ângulo diferente. Eu tenho me sentido melhor que nunca. Quem tá de fora não vai ver, até porque, exteriormente, eu até regredi um pouco, haja vista que estou mais dura que antes (risos). Mas por dentro muitas coisas mudaram: eu consigo me ver de forma mais positiva, o que me levou a depender menos dos outros, e eu tenho a sensação de que, a despeito do caos lá fora, eu tô tomando mais as rédeas da minha vida. Vocês não sabem a felicidade que isso me traz.
Eu passei uma fase bem estranha na minha juventude, dos 17 aos 31 anos, em que simplesmente eu não sabia direito quem eu era, só o que não era, o que não me ajudava muito porque eu sabia o que evitar, mas não o que procurar. Passei uma fase de esgotamento, sensação de game over com uma série de cenários e situações, mas sem saber como cair fora daquele mundo que, afinal, foi o que eu com ou sem autoconhecimento construí para mim naqueles anos. Consegui um intervalo bem interessante para pôr as coisas no lugar entre 2016 e 2018 e por isso e outras coisas o mestrado foi importante para mim.
O que acontece, na prática, hoje em dia é que estou tendo que começar tudo de novo. É como se me fosse dada uma nova juventude, mas sem a prerrogativa social de poder errar. Vou ter que bancar isso sozinha, vou ter que correr alguns riscos, mas ando motivada a isso e por enquanto é tudo que importa. Sempre gostei daqueles filmes em que um personagem troca de corpo com o outro, ou que alguém volta ao seu passado. Gosto muito da perspectiva de olhar as coisas por um outro ângulo porque o bonito e o trágico da vida ao mesmo tempo é que só temos o nosso ponto de vista e o nosso tempo. Andei pensando várias vezes nos últimos meses "Poxa, por que não fiz isso antes?", mas a verdade é que eu não sei se teria dado certo se fosse antes e não agora e quem eu seria se não tivesse percorrido o caminho que percorri. Parte de estar em paz com o que vivi foi aprender a amar quem isso me tornou. Eu hoje vejo em mim qualidades valiosas, que eu gosto em mim e em qualquer pessoa que as tenha, que não sei se desenvolveria se meu caminho tivesse sido mais suave ou tivesse sido outro. Tirando a minha ansiedade, que hoje é menor mas ainda não está sob controle, tenho gostado de poder ter uma segunda chance, de ter me dado a oportunidade de começar tudo de novo. A vida pode ser melhor e mais proveitosa quando você se livra da culpa de não estar sendo o que esperam os outros e atende as suas próprias necessidades.
domingo, 22 de setembro de 2019
Minhas outras nada moles vidas
Saber das vidas passadas te dá a certeza que nada é por acaso e que as pessoas mudam. Até agora, eu sei de duas.
Em uma delas, ali pelo Sul da Itália, na Antiguidade (era uma época em que ainda se usava papiro), eu fui uma sacerdotisa chamada Cecilia. Sei lá por qual motivo, fiz muita merda e devo ter ferrado com muita gente. Mas isso explica porque eu sempre fui espiritualista, apaixonada por oráculos, de intuição aguçada, mas nunca quis comprometimento com religião ou algo que o valha. Explica porque eu sempre quis aprender italiano e também porque me senti tão mal em Roma, apesar de ter achado bonito.
Em outra, fui uma mulher casada com um homem de boa situação social, na Roma Antiga. Na cena que eu vi, eu estava toda suja, fuzilando meu marido com o olhar e ele todo feliz por ter me capturado. Ele me matou. Isso explica o meu grande incômodo com o feminicídio.
Tudo indica que eu andei por Espanha, Portugal, França, Irlanda e México, além da Itália. Sou uma alma ibérica, latina mesmo. E desconfio ter sido lá das bandas da Andaluzia. A seguir cenas dos próximos capítulos.
Muita gente que entende do babado diz que não é legal fazer regressão, que faz mais mal do que bem. Mas há quem defenda que é possível tirar benefício ao acessar encarnações positivas.
Eu queria algo dessas duas mulheres, especialmente da segunda.
Da primeira, eu queria o conhecimento, o magnetismo e a força espiritual. Da outra, eu queria a coragem, o jeito destemido. Tanto quanto, eu queria a cidadania europeia, que especialmente agora faz falta (risos). Quem mandou aprontar? Agora tô junto com uma turma de safados da antiga Europa pagando os pecados por aqui.
O que será que a minha próxima eu vai levar dessa vida? Hummm... Sabedoria, plis!
sábado, 21 de setembro de 2019
Sempre dependi da bondade de estranhos (e todo mundo deveria também)
Outro dia, na terapia, tive um insight que sinceramente nunca havia me ocorrido: minha infância foi boa porque eu tinha, eu era parte de uma comunidade. Eu era a criança cuidada por todo mundo. Uma amiga minha dizia que o que me fazia falta era ter uma família. Sim e não. Minha família é ausente desde lá e eu era feliz. Família é bom até a segunda linha. Claro, nascemos precisando da família e essa nos dá o senso de segurança. Mas gente que fica muito dentro do próprio núcleo não se desenvolve, eu tenho observado. Na melhor das hipóteses, vai explorar o lado bom da família, mas não vai acrescentar nada a si nem ao clã, que fica girando em volta do taco.
Ter uma comunidade é importante para um ser humano. Pobre da criança que só tem a sua família. Quando criança, nesse prédio da foto, eu ia e voltava da escola com os filhos dos vizinhos, entrava e saía dos apartamentos com crianças, fui criada nos comércios da quadra, era meio sobrinha dos colegas de trabalho do meu pai, já que todos frequentávamos o mesmo clube aos finais de semana e viajávamos juntos aos feriados. Aprendi sobre religião com a filha do Pernambuco, que morava no final do bloco; as estreias das novelas das sete, as melhores, eram vistas com os vizinhos do 201; aprendi sobre bebês ajudando a cuidar das gêmeas do 206; matava minha vontade de ter cachorro com Suzuki, a pequenês do meu vizinho de porta, seu Haroldo, que, aliás, além dos presentes dos netos, incluía o meu também no Dia das Crianças. Seu Crispim, o nordestino do bar que eu frequentei desde que era bebê como na foto, me tratava melhor que os netos. Nunca esqueci dele me dando um refrigerante e o meu chocolate preferido quando eu voltei da Bahia, nas férias, pra visitar a quadra. Ele, que cobrava até dos netos, deu, ali, uma demonstração da alegria de me ver.
Quando eu larguei a chupeta, foi Tia Marinalva (apesar do "tia", não era parente de sangue) que teve a paciência pra me convencer. Quando um menino da invasão roubou minha bicicleta ou quando eu quis fugir de casa, quem percebeu e cuidou de mim foram os adolescentes da quadra. Eu não sei se os pais se dão conta do tanto de gente, que, sem vínculo nenhum, no dia a dia tem um carinho de família com o seu filho. Por isso eu digo e repito que todo pequeno deveria ter uma comunidade que lhe trate como sua criança.
Minha amiga estava redondamente errada. Fome de família eu mato de vez em quando, com os meus sobrinhos e com as famílias de meus amigos. Comunidade eu só tive na minha infância em Brasília e nunca mais encontrei uma, nem na ensolarada e supostamente acolhedora Salvador.
sábado, 7 de setembro de 2019
Espelhos
Cada vez mais vejo que ninguém entra (ou sai) da nossa vida por acaso. Atraímos gente com defeitos e qualidades que nos interessam, que constelam algo em nós.
Sabe aquele papo de Freud, de que quando Pedro fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo, aquele lance de projeção? Pois é. Só que geralmente as pessoas usam essa frase de Freud para escapar de críticas. Eu entendo essa máxima de um modo mais amplo.Veja bem, ao falar de Paulo, Pedro pode estar apontando no outro algo que é um problema dele, como também pode estar vendo algo dele que é positivo (não é à toa que as pessoas gostam tanto de seus filhos). Mas eu acho que nem sempre é algo sobre o que se é, mas pode ser também sobre o que se viveu ou mesmo um medo ou vontade da pessoa.
Eu, a essa altura, pergunto a mim mesma o que há em mim que tem a ver com o que me chama atenção nos outros. A essa altura, não quero conta com ninguém. Show must go on! E eu percebo que quanto mais objetivamente você lida com essas situações, menos os relacionamentos pesam. Essa é uma boa estratégia para matar dois coelhos de uma vez só: evita mágoas e faz você ter consciência do que você precisa melhorar em você.
Eu geralmente não tenho paciência com gente exibida, daquele tipo que quer ser destaque a qualquer custo. Trauma. Tive péssimas experiências com gente assim. Eu não tenho saco pra gente medrosa e que pensa demais, porque eu sou assim, tipo Scooby Doo, perco o timing muitas vezes por causa disso. Eu gosto de gente generosa e com senso de humor, porque eu tenho as duas coisas. Eu admiro gente que sabe dançar bem, pois eu não sei dançar e acho bonito. Há vários motivos para sentir algo positivo ou negativo por alguém e todos eles realmente dizem respeito a nós, embora nem sempre de forma direta ou concreta. Mas sempre vale a pena se perguntar: Por que a atitude do outro constelou algo em mim?
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
O poder que a gente dá aos outros
Medrado costuma dizer que nada nem ninguém vale a nossa paz e que a gente não deve dar poder aos outros sobre nós. Ele costuma falar umas coisas que, pra quem está sofrendo, soam secas, mas quando você recobra a racionalidade constata que ele diz o que precisa ser dito. Aquele soquinho no ego básico, sabe? Outro dia, fez uma palestra muito boa falando de egoísmo, a propósito.
Essa é uma questão que me é muito cara porque foi forte na minha vida até muito pouco tempo. A dinâmica é sempre a mesma: por carência eu me apego a uma pessoa, me jogo na relação, trato a pessoa como importante, mas não recebo isso de volta, demoro anos achando que a errada sou eu e, quando vou embora muito decepcionada, ainda sou acusada de estar sendo egoísta ou punindo a pessoa. Ninguém é obrigado a gostar da gente, mas ninguém é obrigado também a ficar engolindo calado indiferença ou mesmo desvalorização enquanto dá amizade ao outro, porque, afinal, eu sempre achei que todo mundo precisa ficar satisfeito em qualquer relação, do trabalho à família. Engraçado é que quando eu apontava alguns comportamentos ruins em amizade, eu sempre era olhada como "a dramática", a "que faz tempestade em um copo d´água". Ontem, sentada num café com três amigos - um do Rio, outra de BH e outra de Belém -, as três pessoas têm a mesma opinião que eu sobre as amizades em Salvador, sobre como as pessoas são esquisitas. Uma delas narrou algo que eu já passei muito, sobretudo na adolescência: da pessoa estar com pessoas em comum com você e não te agregar, de você ter que ficar implorando pra se encontrar com as pessoas.
Sempre me doeu muito romper laços, até porque eu trago poucas pessoas pro meu lado e invisto nelas, mas recentemente eu passei a aceitar que faz parte da vida e que não dá pra trabalhar pelos dois. Ou é recíproco ou vá embora. Antes só do que mal amada. Isso corrói a autoestima. Sério. E é a gente que se coloca nesse lugar. Nisso o outro não tem culpa. Aceitar qualquer coisa às vezes é tudo que a pessoa consegue fazer, mas isso não quer dizer que não seja uma escolha, uma decisão. Por outro lado, tem gente que não sabe amar ninguém porque simplesmente não se ama. É furada insistir com essa turma. Puxe seu carro.
Eu fico agoniada vendo o casal de Soprano, Tom e Carmela. Ele é aquele típico marido provedor, que mal dá um beijo na esposa, que já a trai nas vistas de todo mundo e a vê apenas como reprodutora. Ela ama ele e aguenta tudo e aquilo vai dando uma agonia. É meio complicado se separar de um homem que mata pessoas como se mata barata, mas eu torço tanto por ela. A criatura, depois de tanto tempo sendo ignorada, tem zero autoestima. Ninguém merece. Não dê esse poder aos outros. Ninguém tá interessado (e nem tem como) em resolver a vida de ninguém: nem filho, nem marido, nem amigo, nem pai, nem mãe.
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Vamos por partes, Jack
Eu sei que as pessoas não fazem por mal, que mais externam algo delas do que falam sobre mim quando fazem isso, mas mesmo assim é um saco a cobrança para que você dê conta de tudo ao mesmo tempo. Eu já comi muito essa pilha. Só Deus sabe o quanto de culpa eu já carreguei em cima dos meus bonitos ombros (sim, essa é uma parte bem desenhada do meu corpo cá entre nós) por não dar conta de tudo a que me propunha. Mas, de uns tempos pra cá, tenho ficado mais espertinha e já saquei que pra algo prioritário ir pra frente, outro algo tem que ficar em stand by, na fila de espera. A vida melhora muito (pelo menos internamente) quando a gente consegue ter um mínimo de humildade e senso de prioridade.
Essa, para mim, foi a grande pegadinha durante a emancipação das mulheres, que, suspeito, não foi à toa, foi algo perverso do tipo: "Tá querendo liberdade, sua sacana?! Então toma sobrecarga!". Olhe para os homens. Eles não são multitarefas, eles sabem que o segredo do sucesso é focar. As mulheres querem ser gatas, bombas eróticas, boas mães, profissionais reconhecidas e, se puder, ainda evoluídas espiritualmente. É a senha pro adoecimento psíquico. Eu sei por conhecimento de causa.
Hoje em dia meu planejamento vai por prioridades. O bom que acontece é melhor que o excelente que nunca se realiza. Se não der conta de algo, paciência. Minha saúde em primeiro lugar. Os incomodados que se mudem.
Essa, para mim, foi a grande pegadinha durante a emancipação das mulheres, que, suspeito, não foi à toa, foi algo perverso do tipo: "Tá querendo liberdade, sua sacana?! Então toma sobrecarga!". Olhe para os homens. Eles não são multitarefas, eles sabem que o segredo do sucesso é focar. As mulheres querem ser gatas, bombas eróticas, boas mães, profissionais reconhecidas e, se puder, ainda evoluídas espiritualmente. É a senha pro adoecimento psíquico. Eu sei por conhecimento de causa.
Hoje em dia meu planejamento vai por prioridades. O bom que acontece é melhor que o excelente que nunca se realiza. Se não der conta de algo, paciência. Minha saúde em primeiro lugar. Os incomodados que se mudem.
domingo, 11 de agosto de 2019
Pirando na batatinha (ou melhor, na militância)
Olha, tem uma galera bem equivocada na vida, viu? O povo está jogando todas as frustrações individuais no fato de participar de uma minoria social. Não que ocupar esses espaços não diga nada, muito pelo contrário, mas nem tudo se resume a isso.
Tenho uma colega num grupo que eu frequento que tem uma mania de achar que está sendo preterida, que beira a mania de perseguição. Ela vem se reconhecendo como mulher negra, mas, em muitos ambientes, se por um lado ela não vai ser lida como branca, ela também não vai ser lida como negra. Ela tem traços caucasianos, pele morena bem clara e o cabelo cacheado é a parte mais negra dela. Como diz Maíra, a gente sabe quem é negro pela reação do segurança da loja e, definitivamente, ela não é do tipo que faria o segurança do shopping segui-la. Débora Nascimento (foto) é claramente mestiça, mas será que o segurança seguiria ela? De cabelo alisado, em alguns espaços ela é lida até como branca. Uma coisa é ter sangue negro, outra é ser lida como negro/a. Eu e minhas irmãs somos filhas dos mesmos pais. Eu sou lida como negra, minha irmã mais velha nem na Europa é.
Claro, toda mulher que não é a mulher troféu vai ser preterida. E se, obviamente, por um lado quanto mais escura for a cor da pele, mais a mulher tende a se lascar, do outro tem muita branca, que não é essa mulher troféu, que também tá sendo preterida, pelo menos no mercado amoroso.
Os sofrimentos são multifatoriais, minha gente: tem a ver com a estrutura social, tem a ver com a estrutura familiar, tem a ver até com a estrutura psíquica. Freud, aliás, dizia isso em um dos seus livros, que ter uma psique mais resistente aos revezes da vida era uma sorte na loteria da existência. Às vezes o que faz a diferença é conseguir aguentar ou ser mais sensível psiquicamente.
Por favor, vamos evitar obsessões.
domingo, 4 de agosto de 2019
Insecure - a flexibilidade para sobreviver na vida adulta
Bem, uma bela surpresa no mundo das séries foi "Insecure", da HBO. Andei recomendando a meio mundo. Um amigo meu me deu essa boa dica, então apenas dei continuidade a corrente do bem.
Essa moça da foto acima é Issa Rae, até onde sei uma influenciadora digital que foi "pescada" pela HBO para fazer essa série. Issa também é o nome da protagonista, uma moça de 29 anos que vive na Califórnia e tenta, como jovem adulta, achar seu lugar no mundo, especialmente seu lugar profissional (🙋). Sua melhor amiga é Molly (figura 1), uma advogada bem sucedida mas que enfrenta dificuldades na vida amorosa. As outras duas meninas são Tiffany (a de amarelo) e Kelli (a de casaco), que formam o quarteto de amigas (figura 2). Tiff é a mestiça em busca de ascensão social, o que inclui um processo de embranquecimento; Kelli é sua melhor amiga, aquela pessoa reativa que sempre tem uma resposta na ponta da língua (eu acho ela hilária, ainda mais na última temporada).
"Insecure" é sobre estar na boca dos 30, metade adolescente ainda, metade adulto e a importância da amizade em todo esse processo. Homens e mulheres da turma (e não há muita diferença entre eles em termos de caos existencial. Aliás, essa é uma das poucas séries que aborda a depressão masculina) ainda alimentam fantasias adolescentes sobre o que faz uma vida perfeita. Por outro lado, já administram suas necessidades e conflitos sozinhos como qualquer bom adulto, caindo e, "com a ajuda dos amigos", se reerguendo dos vários baques no ego que vão surgindo ao longo dos episódios.
Eu acho Issa um ser humano bonito, o que é um feito e tanto porque, sob muitos aspectos, aos olhos da competitiva sociedade americana ela é uma fracassada. Issa trabalha em algo que não faz sentido pra ela, mas não se deixa amargurar por causa disso e nem é tóxica quanto ao sucesso profissional de sua melhor amiga, Molly. Eu acho que ela até gostaria de estar naquele nível também, mas entende que cada um tem suas dores e alegrias e consegue ficar genuinamente feliz pela amiga. E apesar de estar perdida em sua vida amorosa, Issa sustenta mais relacionamentos do que Molly, por exemplo. É que Molly é muito inflexível com os homens que surgem em sua vida. Na verdade, ela tem padrões muito altos para tudo. Eu amo uma cena dela na terapia, em que a terapeuta lhe diz algo mais ou menos assim: "Se a sua vida não ocorrer como você planejou, você está preparada para fazer outros planos?". Bingo!...
O que a série mostra e de uma forma cativante e leve como poucas vezes vi na vida é que, ao contrário do que dizem, não é o mais forte que sobrevive, mas o mais flexível. Crescer é foda, mas com jogo de cintura e com as companhias certas dá pra seguir em frente com razoável dose de felicidade.
Outra coisa genial em "Insecure" é o jeito com que aborda questões raciais. Isso está o tempo todo presente nos episódios, mas de um modo que permite duas possibilidades de fruição: você pode apenas rir e não refletir ou rir e refletir. O discurso antirracista não é panfletário, simplesmente flui pelas situações apresentadas na série.
"Insecure" é muita ginga pra uma série só!
Ah, sim: a trilha sonora é ma-ra-vi-lho-sa!
sábado, 3 de agosto de 2019
Don Draper e o pior azar do mundo
Hoje finalmente terminei Mad Men. Na moral, não achei isso tudo. É uma boa série, tem uma ambientação impecável, mas as duas primeiras temporadas e as duas últimas são chatas. Pra mim, só prestou o miolo. A sétima temporada, então!... Merece uma sapatada na cara quem elogia o final de Mad Men.Os melhores personagens da série pra mim: Don e Sally. O troféu desperdício vai pra Peggy, que começou bem e virou coadjuvante de luxo a partir da quinta temporada. Os simpáticos: Megan e Roger. O troféu mala sem alça: Pete. Personagem que entrou e saiu sem função e nunca deveria ter existido: Michael.
Don é um cara que teve o maior azar do mundo: o de ter tudo que todo mundo poderia sonhar, mas nada ter significado pra ele. Além do vazio e da frustração ainda há culpa. "Eu deveria ser feliz, mas não sou". Já dizia um coisinho que os dois maiores azares é ter tudo ou não ter nada. Don passou pelas duas situações.
A série fica interessante na segunda metade da terceira temporada, que é quando a gente tem uns flashes do passado do protagonista - ou seria a agência a protagonista? - e daí muita coisa faz sentido. Até então, Draper é um entediado, mimado, mas dali em diante você entende o buraco, o dano que o passado dele causou na vida adulta dele.
A infância dele foi bem pesada. Filho fora do casamento de uma prostituta que morreu no parto (só aí já tem muitas coisas punks). O pai morreu quando ele era criança (o que na leitura da criança é lido como abandono). Foi morar com duas pessoas que não eram seus pais e que o viam como um estorvo, num ambiente ruim pra uma criança. Quando ficou doente, foi isolado e a única pessoa que tratou dele cometeu abuso.
Don viveu o pior pesadelo da infância: estar sem os pais. Toda criança quer ser aceita, protegida e amada. Quando você tem o contrário disso, tem que suspender o contato com os próprios sentimentos para sobreviver. A questão é que ele se tornou adulto sem conseguir desfazer isso. E por ser alguém mental, aí é que os sentimentos ficaram no porão mesmo. Don procurava ser amável e generoso - especialmente depois de ver que deu bola fora com as pessoas que gostavam dele -, mas sempre dava um jeito de afastar essas pessoas. Sally passou a infância mendigando qualquer atenção dele, que só foi procurar a filha depois que ela passou a não querer mais estar perto.
Gente assim é furada. Quando a pessoa é traumatizada e dorme abraçada com a autossabotagem, só Jesus na causa - e se a criatura quiser se ajudar. Mas apesar disso, do cigarro e da bebedeira, eu toparia um relacionamento abusivo com Don (risos). Aliás, 99% da série concordaria comigo.
Eu só não gostava dele quando era rude com Sally ou com Peggy. Interessante a relação dele com Peggy. Ele nunca considerou ela amorosamente; era como se fosse um homem (aliás, ele é o tipo de homem que não se interessa sexualmente pelas mulheres que ele realmente considera, a exemplo de Anna), mas era a pessoa a quem ele buscava quando a coisa apertava. E ela também era leal a ele. Uma grande homenagem mútua.
domingo, 14 de julho de 2019
Quer ir embora, vá...
Outro dia, andava eu no shopping com uma amiga e um (ex) amigo, pela terceira vez em dois anos, fingiu que não me viu, virou o rosto para o lado. Em outros tempos, eu ficaria arrasada. Hoje não. Se tivesse me cumprimentado, eu o teria feito também. Mas se não quis... Só sei que isso não me diz respeito, o problema é dele.
Já falei aqui que um (ex) amigo também está muito diferente de uns meses para cá. Outro amigo em comum está abalado com isso. Eu não.
Eu gosto das pessoas, eu dou muitas chances quando pisam na bola, mas quando eu dou adeus, é bye, bye (Quando me vir no Ilê, já não te quero mais). Não precisa ser traumático, virar inimigos. Mas eu me reservo o direito de ter sentimentos, e se eles se desgastam, simplesmente chega um tempo em que a pessoa não mexe mais comigo, não me diz mais nada.
A gente fica focando muito em quem vai, querendo saber os motivos, como se a gente fosse um produto deixado na prateleira, como se todo mundo fosse obrigado a gostar da gente. Até muito recentemente eu era dessas. Pedia desculpas até por me traíres. Mudei o foco. Eu quero saber de quem fica, de quem me valoriza. Deus me conserve assim.
É mais digno deixar ir do que ficar mendigando por relações tóxicas.
Já falei aqui que um (ex) amigo também está muito diferente de uns meses para cá. Outro amigo em comum está abalado com isso. Eu não.
Eu gosto das pessoas, eu dou muitas chances quando pisam na bola, mas quando eu dou adeus, é bye, bye (Quando me vir no Ilê, já não te quero mais). Não precisa ser traumático, virar inimigos. Mas eu me reservo o direito de ter sentimentos, e se eles se desgastam, simplesmente chega um tempo em que a pessoa não mexe mais comigo, não me diz mais nada.
A gente fica focando muito em quem vai, querendo saber os motivos, como se a gente fosse um produto deixado na prateleira, como se todo mundo fosse obrigado a gostar da gente. Até muito recentemente eu era dessas. Pedia desculpas até por me traíres. Mudei o foco. Eu quero saber de quem fica, de quem me valoriza. Deus me conserve assim.
É mais digno deixar ir do que ficar mendigando por relações tóxicas.
segunda-feira, 3 de junho de 2019
Começando a entender algumas coisas
Quem me vê quietinha assim, não imagina algumas coisas que acontecem comigo. Nesses últimos três meses tive algumas experiências que me fizeram entender melhor coisas que eu tinha dificuldade de entender. Não vou entrar em detalhes, mas trago algumas anotações (até porque, apesar de ninguém ler isso, de fato com o tempo eu esqueço algumas coisas e disso não quero esquecer):
* Existe reencarnação, a gente não lembra e nem é mais a mesma pessoa, mas tá tudo no nosso inconsciente
* Não existe "pagar pelo que se fez", existe positivação, ou melhor, aprendizado. Imagine uma criança de dois anos. Ela bota um gato dentro da máquina de lavar e mata o bichano. Ela não vai sentir nada porque ela não tem consciência do que fez, mas, conforme vai crescendo e adquirindo evolução moral, amadurecendo, toma consciência do que fez. Daí ela pode sentir muita culpa e pode se punir por isso. Ou pode ir por um caminho mais proveitoso, como por exemplo interiorizar a lição e procurar amar os animais. Ou seja, sofremos ações de vidas passadas por evolução (da consciência de que o que se fez não foi legal), mas também por ignorância (de não aceitar que não se é perfeito e achar que sofrer, "pagar", é o feedback disso). Medrado, que sabe muito do mundo espiritual, disse uma coisa bastante sensata sobre esses líderes espirituais de grandes obras, como Divaldo Franco: mais faz sentido que tenham aprontado em outras vidas que tenham sido anjos. Mas são figuras que preferiram se positivar de um modo inteligente, trabalhando em prol da humanidade. O universo ganha zero coisas quando alguém resolve se punir. Isso é mais vaidade que outra coisa.
* A melhor proteção espiritual é gostar da vida, o que implica em gostar de si mesmo/a. E quando isso acontece, é fácil colaborar com os outros. Ou seja, o lance é ser uma pessoa amorosa (que não tem nada a ver com ser perfeito). Agora eu acho que entendi o "Fora da caridade não há salvação".
* Existe reencarnação, a gente não lembra e nem é mais a mesma pessoa, mas tá tudo no nosso inconsciente
* Não existe "pagar pelo que se fez", existe positivação, ou melhor, aprendizado. Imagine uma criança de dois anos. Ela bota um gato dentro da máquina de lavar e mata o bichano. Ela não vai sentir nada porque ela não tem consciência do que fez, mas, conforme vai crescendo e adquirindo evolução moral, amadurecendo, toma consciência do que fez. Daí ela pode sentir muita culpa e pode se punir por isso. Ou pode ir por um caminho mais proveitoso, como por exemplo interiorizar a lição e procurar amar os animais. Ou seja, sofremos ações de vidas passadas por evolução (da consciência de que o que se fez não foi legal), mas também por ignorância (de não aceitar que não se é perfeito e achar que sofrer, "pagar", é o feedback disso). Medrado, que sabe muito do mundo espiritual, disse uma coisa bastante sensata sobre esses líderes espirituais de grandes obras, como Divaldo Franco: mais faz sentido que tenham aprontado em outras vidas que tenham sido anjos. Mas são figuras que preferiram se positivar de um modo inteligente, trabalhando em prol da humanidade. O universo ganha zero coisas quando alguém resolve se punir. Isso é mais vaidade que outra coisa.
* A melhor proteção espiritual é gostar da vida, o que implica em gostar de si mesmo/a. E quando isso acontece, é fácil colaborar com os outros. Ou seja, o lance é ser uma pessoa amorosa (que não tem nada a ver com ser perfeito). Agora eu acho que entendi o "Fora da caridade não há salvação".
Kindle egg
Resolvi comprar um kindle. Uma das minhas alegrias em defender essa abençoada dissertação é voltar a ler coisas por gosto (se bem que li coisas muito interessantes por causa do mestrado, mas, enfim, já falei aqui que os prazos é que me matam). Olha, em 15 dias, tô lendo como nunca. Já concluí 4 livros.
Dois deles foram bem interessantes, um eu já esperava (Contardo Calligaris) e outro me surpreendeu (Oprah Winfrey). Velho, leiam Oprah! Ela fala de coisas bem simples, mas altamente sensatas. Concordei bastante com ela.
Ela e Contardo convergem em uma coisa que, por coincidência, tem sido um insight pra mim desde o final do ano passado: a vida começa a fluir quando a gente se aceita não como uma maravilha em potencial, mas como um ser desimportante, mais um nessa vasta multidão. A bagagem fica mais leve, a gente anda melhor pela vida.
Às vezes, quando as coisas estão complicadas, o melhor a fazer é retornar ao essencial. Eu acho que estamos em tempos que exigem isso.
quarta-feira, 29 de maio de 2019
Um detalhe que faz toda a diferença
Engraçado como as informações se encontram de vez em quando. Hoje, pela manhã, li nas redes de uma amiga advogada e mãe sobre uma nova vertente do feminismo, surgida em 2016, que quer desmarginalizar as mães, o feminismo matricêntrico. Mais tarde, vi uma matéria falando que o casamento pode ser bom pra mulher, desde que ela escolha o parceiro certo.
O feminismo sempre foi muito injusto com as mães e esposas e vice-versa. Há uma falsa compreensão do movimento de que marido e filhos são um impedimento à mulher - e essa é uma meia verdade. E existe uma compreensão equivocada das mulheres de que para ser feminista não dá pra ter família.
Pesquisas indicam que mulheres casadas são menos felizes que as solteiras e que não têm filhos. Vamos trocar "felicidade" por "menos satisfeitas" porque esse lance de felicidade é meio pessoal. Interpreto esse cenário assim: mulheres que não formaram família precisam fazer algo da vida. Ou criam um projeto de vida ou vão ficar mais deslocadas ainda numa sociedade que te vê como uma chocadeira em pleno século XXI. A própria dinâmica da maternidade e o discurso que se faz sobre a mulher no casamento empurram as mulheres para que elas não tenham projeto próprio de vida, mas que vivam através dos seus filhos e maridos. Essa é a armadilha. Qualquer ser humano roubado de si vai se sentir esgotado, mesmo que os ladrões sejam uns amores. Em qualquer interação, sempre fui da opinião de que tem que estar bom para todo mundo. O caso é que não está. As mulheres ainda se ocupam muito mais com a casa e com os filhos que os maridos, mas elas hoje dividem as despesas da casa e trabalham (graças a Deus!). Enfim, women, o lance não é ter filhos e maridos atrapalhando, o lance é ter um marido que divida casa e filhos com você. Esse é o "detalhe" que faz toda a diferença. A essa altura, não dá mais pra se dar ao luxo de ser o burro de carga da família.
O feminismo sempre foi muito injusto com as mães e esposas e vice-versa. Há uma falsa compreensão do movimento de que marido e filhos são um impedimento à mulher - e essa é uma meia verdade. E existe uma compreensão equivocada das mulheres de que para ser feminista não dá pra ter família.
Pesquisas indicam que mulheres casadas são menos felizes que as solteiras e que não têm filhos. Vamos trocar "felicidade" por "menos satisfeitas" porque esse lance de felicidade é meio pessoal. Interpreto esse cenário assim: mulheres que não formaram família precisam fazer algo da vida. Ou criam um projeto de vida ou vão ficar mais deslocadas ainda numa sociedade que te vê como uma chocadeira em pleno século XXI. A própria dinâmica da maternidade e o discurso que se faz sobre a mulher no casamento empurram as mulheres para que elas não tenham projeto próprio de vida, mas que vivam através dos seus filhos e maridos. Essa é a armadilha. Qualquer ser humano roubado de si vai se sentir esgotado, mesmo que os ladrões sejam uns amores. Em qualquer interação, sempre fui da opinião de que tem que estar bom para todo mundo. O caso é que não está. As mulheres ainda se ocupam muito mais com a casa e com os filhos que os maridos, mas elas hoje dividem as despesas da casa e trabalham (graças a Deus!). Enfim, women, o lance não é ter filhos e maridos atrapalhando, o lance é ter um marido que divida casa e filhos com você. Esse é o "detalhe" que faz toda a diferença. A essa altura, não dá mais pra se dar ao luxo de ser o burro de carga da família.
domingo, 7 de abril de 2019
Admito, perdi a paciência
Eu ando sem paciência pra quem chora no pé do Caboclo dizendo que Cicrano ou Fulana enganou (estou falando, obviamente, de relações amorosas). Desculpe, gente, mas se tem uma coisa que eu ando cansada é dessa ladainha "Fulano/a me iludiu". Não por nunca ter passado por isso, pelo contrário - já cansei de ver virtudes em quem não as tinha. E eu sei que é a carência que faz a gente ver o que não existe. Tá todo mundo ciente, mas teima em continuar, patrocinando, com isso, esse tipo de canalhice. A essa altura, tô com dificuldade de ter pena de quem se bota nesse lugar. Aliás, não só perdi a paciência, como adquiri raiva. Pronto, falei!
domingo, 31 de março de 2019
Olha o que o patriarcado faz...
... Deixa as mulheres (heteros) sem agir.
Não sou anti homem. Não é culpa deles individualmente, mas de todo um sistema ao qual todos e todas estamos integrados até a medula.
Mas eu fiquei pensando em uma coisa ontem, quando vi a notícia de (mais) uma mulher lésbica que está tocando um projeto de formação tecnológica com jovens carentes: gostar de homem atrapalha a emancipação feminina. De fato, atrapalha. Tudo de mais transformador tem a ver com as lésbicas, repare: estudos queer, feminismo negro (Angela Davis, Audrey Lorde, Patrica Hill Collins, Sueli Carneiro, Vilma Reis e tantas outras).
É isso: eu acho que estar tão afetivamente próximas dos homens nos deixa com culpa de furar o patriarcado, de apontar a cultura machista.
Não sou anti homem. Não é culpa deles individualmente, mas de todo um sistema ao qual todos e todas estamos integrados até a medula.
Mas eu fiquei pensando em uma coisa ontem, quando vi a notícia de (mais) uma mulher lésbica que está tocando um projeto de formação tecnológica com jovens carentes: gostar de homem atrapalha a emancipação feminina. De fato, atrapalha. Tudo de mais transformador tem a ver com as lésbicas, repare: estudos queer, feminismo negro (Angela Davis, Audrey Lorde, Patrica Hill Collins, Sueli Carneiro, Vilma Reis e tantas outras).
É isso: eu acho que estar tão afetivamente próximas dos homens nos deixa com culpa de furar o patriarcado, de apontar a cultura machista.
domingo, 10 de março de 2019
T.S. Eliot gabaritou
“Metade do estrago causado neste mundo é porque as pessoas querem se sentir importantes. Elas não querem lesar: estão cegas em sua luta infinita para pensarem bem de si mesmas.”
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
I have nothing
Semana passada eu vi o segundo documentário da Netflix sobre Whitney Houston (gostei mais de Can I be me?). Tive uma epifania: gente quebrada atrai gente problemática. No fundo, não é culpa de ninguém. Tragédias da vida real...
Sempre tive ódio de Bob Brown, marido de Whitney. Sempre atribuí a ele o afundamento de Whitney nas drogas. Acontece tanto, diria até que é um clássico. Homem se destrói por causa de amizades erradas; mulher, por causa do homem errado. Ou seja, certas masculinidades não fazem bem nem aos próprios homens.
Nunca entendi como alguém tão bonita, como uma voz tão inigualável podia ser tão autodestrutiva. Mas quando você vai pra infância de WH, tá tudo ali, toda a explicação. Ok, eu conheço gente que passou o diabo e conseguiu seguir o baile, mas, no geral, quando a pessoa já se quebra na infância, é difícil superar. Parece até uma maldição.
Não foi culpa de Bob Brown. Whitney não tinha condições de arranjar alguém muito melhor que ele. Só se fosse alguém com um amor muito grande e abnegado, daqueles de novela... Que pena!...
Nunca entendi como alguém tão bonita, como uma voz tão inigualável podia ser tão autodestrutiva. Mas quando você vai pra infância de WH, tá tudo ali, toda a explicação. Ok, eu conheço gente que passou o diabo e conseguiu seguir o baile, mas, no geral, quando a pessoa já se quebra na infância, é difícil superar. Parece até uma maldição.
Não foi culpa de Bob Brown. Whitney não tinha condições de arranjar alguém muito melhor que ele. Só se fosse alguém com um amor muito grande e abnegado, daqueles de novela... Que pena!...
domingo, 13 de janeiro de 2019
O problema da religiões cristãs
(A meu ver, tá? É sempre bom destacar, até porque certeza, certeza, ninguém tem sobre o que acontece no lado de lá)
Não é que eu tenha algo contra as religiões cristãs - estou considerando aqui o catolicismo e o espiritismo. Eu até já as frequentei bastante e sou grata especialmente ao espiritismo. Mas eu gosto de pensar pela minha própria cabeça e não sou obrigada a concordar com tudo por mais que aprecie outras características dessas religiões. Estas sempre foram as "regras da casa"...
O que eu não gosto nessas religiões é a falta de compaixão. Soa paradoxal, mas o que pega pra mim nessas religiões é a falta de pés no chão e a ênfase na culpa e no medo.
Eu parto do seguinte princípio: se Deus quisesse perfeição, teria nos feito perfeitos. Eu acho que Deus olha mais para as nossas intenções e limites e não fica nos medindo por condutas ideais. O meu Deus quer que a gente dê o nosso melhor, ainda que não seja o ideal. Então se você passou por um monte de sofrimentos e se suicidou, não conseguiu, sucumbiu no limite das suas forças, Deus não vai te mandar deformado na próxima vida e muito menos pro vale dos suicidas. Pire aí: você perde seu parente desse modo traumático e vem de lá um (pseudo) cristão largar uma merda dessa? Vá essa figura, sim, pro inferno! Isso é ser do bem? Ou é querer posar de moralmente superior em cima das desgraças dos outros, numa total falta de empatia e falta de capacidade de interpretação de contextos? Então, se você julgou que o melhor era abortar, Deus não vai te jogar sete pedras se ele leu no seu coração que você não fez isso por mesquinhez ou perversidade. Às vezes, na vida, a gente simplesmente não aguenta e isso é humano. Meu Deus é mais sensível, justo e, por isso mesmo, inteligente.
Toda essa patacoada se baseia no famoso "Você recebe o que você merece, por ter feito igual ou porque você está em sintonia". Eu acho que essa é uma meia verdade. Eu acho que a coisa não é tão cartesiana assim e diversos fatores entram nessa equação. Neste ponto, eu acho que o mundo espiritual funciona como a Terra mesmo, onde você está suscetível a tudo e o lance é aprender a identificar perigos e aprender os macetes pra ficar menos vulnerável. Se alguém te assalta é porque você merece ou porque tá todo mundo no mesmo globo, havia um assaltante e calhou de você estar na rota dele? Do mesmo jeito, se um espírito ruim cisma com você, ele pode te fazer mal, quer você esteja em sintonia ou não. Aliás, ele pode criar situações para que você entre na dele, assim como acontece na vida material. Uma vez, conversando com uma pessoa que comanda uma casa de umbanda, ela disse que obsessão pode acontecer com pessoas como ela, mas que a questão é que, a essa altura, ela sabe separar o que é dela e o que não é. O que tem de gente escrota que nada atinge e de gente boa penando... Por esse critério dos espíritas, pessoas ruins estariam mais vulneráveis ao mal, já que estão na mesma sintonia. Mas não é assim. Acho que a questão do poder pessoal interfere, acho que quem se gosta mais e tem menos medo e culpa, se torna menos vulnerável a ataques espirituais.
Outra coisa que eu não entendo: que validade tem eu perdoar alguém nesta vida se eu esqueci o que ela fez na vida passada? Assim é fácil, não vejo grande amadurecimento, mérito. Me faça algo nessa vida mesmo e deixe eu perder a memória e te perdoarei de boa, ora. E acho muito injusto a gente fazer acordos antes de nascer, dos quais não lembraremos, e sermos cobrados por isso. Eu não saberia explicar por que nos acontece o que nos acontece, mas essas explicações espíritas tão pouco me satisfazem. São racionais, mas não fazem sentido de verdade, não parecem justas, sabe?
Enfim, acho que a coisa deve ser muito mais complexa do que dizem. Além do mais, seria uma sacanagem do caramba se Deus desse o monopólio da verdade para uma só religião. Acho que ele andou distribuindo gotas de revelação para todas.
Outra coisa que eu não entendo: que validade tem eu perdoar alguém nesta vida se eu esqueci o que ela fez na vida passada? Assim é fácil, não vejo grande amadurecimento, mérito. Me faça algo nessa vida mesmo e deixe eu perder a memória e te perdoarei de boa, ora. E acho muito injusto a gente fazer acordos antes de nascer, dos quais não lembraremos, e sermos cobrados por isso. Eu não saberia explicar por que nos acontece o que nos acontece, mas essas explicações espíritas tão pouco me satisfazem. São racionais, mas não fazem sentido de verdade, não parecem justas, sabe?
Enfim, acho que a coisa deve ser muito mais complexa do que dizem. Além do mais, seria uma sacanagem do caramba se Deus desse o monopólio da verdade para uma só religião. Acho que ele andou distribuindo gotas de revelação para todas.
Por essas e outras que cada vez mais eu penso que, se fosse eu uma pessoa religiosa, ia me dar muito melhor na umbanda ou no candomblé, que não trabalham com essas porcarias de medo e culpa, mas com a ideia de responsabilidade. Eu acho um modo muito mais adulto de tratar as pessoas.
Pra fechar, tem uma moça esquisita no YouTube chamada Lauren, que entende desses paranauês espirituais, que fez um vídeo que, apesar do tom afrontoso, traz alguns questionamentos que eu concordo. Recomendo esse vídeo.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
Coração Selvagem (e lições sobre a vida)
Um aviso antes de começar este texto: neste blog é proibido falar mal de Fernando Colunga e Eduardo Palomo. De resto, problema seu se não gosta de novela latina. :P
Essas fotos são da novela Coração Selvagem, terceira versão. Eu a assisti quando tinha uns 14 anos, depois quando tinha 17 e 21 e, graças ao YouTube, me deparei com ela de novo em dezembro passado. É uma das minhas novelas preferidas e a melhor novela não brasileira que já assisti. :) A história, que é baseada em um romance dos anos 50 da mexicana de ascendência cubana Caridad Bravo Adams, teve quatro versões para a tv. A última delas, de 2009, é, aliás, pavorosa. Tiveram a capacidade de juntar nos papéis principais a versão mexicana do cigano Igor com uma atriz canastrona para fazer gêmeas, a boa e a má (ideia mais cretina, até porque as personagens do livro não são gêmeas). A atriz em questão é a ex mulher de Luis Miguel. Agora eu entendo porque ele se separou dela. Realmente, com atriz canastrona não dá. Tomara que os filhos deles puxem ao pai em talento, hehe... Enfim, a única coisa que prestou nessa versão foi o tema, a baladinha de Chayanne, "Me enamoré de ti".
E essa terceira versão, com Edith Gonzalez e Eduardo Palomo, prima não só por um roteiro bem feito, dinâmico, que mistura romance com ação, mas por boas atuações de todo o elenco, com destaque para o par romântico, que teve muita química. Você assiste as cenas de Monica e Juan e parece que você está numa situação real, os atores realmente conseguiram passar verdade, conseguiram entrar mesmo num jogo cênico entre eles, inclusive se movendo em cena de acordo com os movimentos do outro. Palomo teve uma química com Edith que nem com a própria esposa dele conseguiu ter (aliás, outra canastrona). Suspeito até que essa química veio não só do talento de ambos e de um bom entendimento profissional, mas de algo fora das telas (veja bem, não estou dizendo aqui que se consumou, mas só a intenção já bastaria para mobilizar emoções, hehe)... A evolução do relacionamento de Monica e Juan foi um negócio muito bem feito, gradual. Monica, que saiu diretamente de um convento, começa bem tímida, mal sabia o que fazer com a boca nos primeiros beijos com o noivo, e termina a novela segura, outra mulher. Esse tipo de transformação sutil e ao mesmo tempo significativa só uma boa atriz pode conseguir. Viva Edith!
A direção também foi muito boa. A cena mesmo em que Juan corre montado a cavalo de frente pra câmera é massa. E em vários momentos os personagens passam informações sem abrir a boca, só pela expressão corporal, o que não é comum em novelas mexicanas (mas também trata-se de um elenco de larga experiência, inclusive no teatro). A cara de Juan para Monica, por exemplo, quando descobre que ela mentiu sobre Aimée já ter ido pra lua de mel dispensa texto. Outra cena boa é quando, já casado com Monica, Juan recebe o irmão em sua casa, de quem ele morre de ciúmes por ter sido a paixão da vida inteira da esposa. Na hora de se despedirem, já sabendo que faz parte do ritual que seu irmão beije a mão de Monica, ele se adianta para abrir a porta e estar de costas quando isso acontecer, pra não ver Andrés se aproximando de Monica. Também é muito boa a cena do choro misturado com riso de Monica ao saber que Juan não estava morto como disseram a ela e ainda quando Monica, olhando fixamente pra frente, vai embora depois de dar de cara com Juan pela primeira vez após meses separada dele, como quem diz "Não vou nem olhar para ele para não cair em tentação, para não sucumbir a esse olhar 43 aí". Muito boa a expressão de saudade e desespero de Juan ao vê-la depois de tanto tempo. Mas a melhor direção, a meu ver, foi a do "balé" dos dois na escada da casa de Andrés, enquanto faziam uma DR. <3
A direção também foi muito boa. A cena mesmo em que Juan corre montado a cavalo de frente pra câmera é massa. E em vários momentos os personagens passam informações sem abrir a boca, só pela expressão corporal, o que não é comum em novelas mexicanas (mas também trata-se de um elenco de larga experiência, inclusive no teatro). A cara de Juan para Monica, por exemplo, quando descobre que ela mentiu sobre Aimée já ter ido pra lua de mel dispensa texto. Outra cena boa é quando, já casado com Monica, Juan recebe o irmão em sua casa, de quem ele morre de ciúmes por ter sido a paixão da vida inteira da esposa. Na hora de se despedirem, já sabendo que faz parte do ritual que seu irmão beije a mão de Monica, ele se adianta para abrir a porta e estar de costas quando isso acontecer, pra não ver Andrés se aproximando de Monica. Também é muito boa a cena do choro misturado com riso de Monica ao saber que Juan não estava morto como disseram a ela e ainda quando Monica, olhando fixamente pra frente, vai embora depois de dar de cara com Juan pela primeira vez após meses separada dele, como quem diz "Não vou nem olhar para ele para não cair em tentação, para não sucumbir a esse olhar 43 aí". Muito boa a expressão de saudade e desespero de Juan ao vê-la depois de tanto tempo. Mas a melhor direção, a meu ver, foi a do "balé" dos dois na escada da casa de Andrés, enquanto faziam uma DR. <3
Bem, a história de Coração Selvagem fala de um quarteto amoroso formado por duas irmãs de uma família nobre e falida, de caráteres completamente opostos (Aimée Altamira, a atrevida e sem caráter e Monica Altamira, a gente boa e tímida) e dois meio irmãos que não se sabem irmãos (Andrés Alcázar, o rico e Juan del Diablo, sem sobrenome mesmo, o pobre, filho bastardo de Francisco Alcázar) até determinada altura da história, que se passa numa cidadezinha costeira do México, em 1902. Só pra explicar o eixo da trama: Monica e Andrés tinham um compromisso firmado pelas suas mães desde a infância, mas ele morou no exterior a vida inteira, portanto, não tiveram contato. Só que ao conhecer Aimée na capital - ela foi criada por uma tia de lá, por causa da falta de recursos de sua mãe -, Andrés se apaixona por ela. Quando Aimée volta pra San Pedro, a cidadezinha da história, conhece Juan e eles têm um caso. Poucos dias depois, é a vez de Andrés voltar. Ele rompe o compromisso com Monica, que fica devastada e resolve entrar pra um convento, e se declara para Aimée, que por ambição e ódio gratuito pela irmã resolve aceitar o pedido de casamento. Neste meio tempo, Juan, que já está apaixonado por Aimée, pede ela em casamento, prometendo que vai voltar rico de uma viagem que vai fazer (é dono de um barco de carga, onde faz entregas e carrega mercadorias para vender), e ela aceita, mas da boca pra fora e duvidando que isso aconteça. Juan, o azarado, volta um dia depois do casamento de Aimée e Andrés. Pra ele, foi um soco no estômago: primeiro, por ter sido enganado pela mulher que ele queria se casar e depois porque ela conseguiu a proeza de, com isso, por o dedo na pior ferida dele, que sempre foi complexado por ser um bastardo, sem sobrenome e sem família, que viu o irmão crescendo com tudo que ele poderia ter também e não teve - Aimée ter preferido se casar com Andrés foi a cereja desse bolo. Em determinada altura, Juan e Monica se veem meio que empurrados a se casarem, e a partir daí coisas bacanas e coisas tristes acontecem.
Quem é o coração selvagem? Juan, o arrebatado? Monica, a apaixonada? Aimée, a egoísta? Ou Andrés, o iludido?
Essa novela é o folhetim clássico e a prova que, se bem feitos, produtos deste gênero não ficam nada a dever às tramas descoladas de HBO e Netflix. Os personagens são críveis, humanos, e você torce pelos mocinhos e odeia os vilões (em determinada altura, eu mesma, se pudesse, daria cabo de Aimée, Bautista, Espíndola e até de Andrés, Açucena e dona Catalina. Ô vontade de chamar Nazaré Tedesco pra empurrar esses insuportáveis da escada!... Gente, é tão bom se zangar com personagem de novela! É catártico! hehe).
Quem é o coração selvagem? Juan, o arrebatado? Monica, a apaixonada? Aimée, a egoísta? Ou Andrés, o iludido?
Essa novela é o folhetim clássico e a prova que, se bem feitos, produtos deste gênero não ficam nada a dever às tramas descoladas de HBO e Netflix. Os personagens são críveis, humanos, e você torce pelos mocinhos e odeia os vilões (em determinada altura, eu mesma, se pudesse, daria cabo de Aimée, Bautista, Espíndola e até de Andrés, Açucena e dona Catalina. Ô vontade de chamar Nazaré Tedesco pra empurrar esses insuportáveis da escada!... Gente, é tão bom se zangar com personagem de novela! É catártico! hehe).
Como toda boa história, essa rende algumas reflexões sobre a vida (atenção, daqui pra baixo vão rolar uns spoilers mesmo).
1 - Quem vê cara, não vê coração
Tanto no livro como na ótima adaptação de Maria Zarattini para a TV (uma roteirista italiana, autora da Televisa, que também é responsável por outra novela que fez muito sucesso, embora bem inferior a Coração, "Amor real", outra adaptação de um livro de Caridad Bravo Adams), Aimée é descrita como uma mulher belíssima, extrovertida, sem nenhum pudor em viver a sua sexualidade (essa parte da sexualidade fica mais evidente no livro que na novela). Os caras ficaram hipnotizados, mas logo quando descobriram como ela era egoísta, mentirosa e sem escrúpulos, se desapaixonaram (pelo menos isso, né?). Já Monica, que por ser pudica e tímida ninguém dava um vintém por ela, despertou amores mais intensos, por incrível que pareça. Na verdade, Monica é uma pessoa apaixonada, porém contida. Isso demora de ser mostrado na novela, mas logo nas primeiras descrições da personagem no livro é dito: se trata de uma mulher muito intensa, mas que vivia isso em silêncio. Ela tinha a mesma energia e força que Aimée, só que enquanto essa extravasava pela via do egoísmo, Monica usava essa paixão de forma mais positiva - além disso, ao contrário da irmã, ela tinha conteúdo.
Gosto do fato de Juan e Monica terem se escolhido pela qualidade do ser humano, abrindo mão até dos seus padrões até o momento: ele gostava de mulheres com "sangue nas veias" e ela foi criada para casar com um cavalheiro.
Moral da história: às vezes as melhores opções não vão estar piscando na prateleira, pelo contrário. E nem tudo que reluz é ouro.
Gosto do fato de Juan e Monica terem se escolhido pela qualidade do ser humano, abrindo mão até dos seus padrões até o momento: ele gostava de mulheres com "sangue nas veias" e ela foi criada para casar com um cavalheiro.
Moral da história: às vezes as melhores opções não vão estar piscando na prateleira, pelo contrário. E nem tudo que reluz é ouro.
2 - A potência de ser diferente
Geralmente quando você destoa da média, quase ninguém vai ter olhos pra você, mas quem tem, encontra algo que ninguém mais seria capaz de dar, daí o motivo do encantamento bater forte. Explico: Juan, por ser um pária, com fama até de marginal, por mais que tivesse qualidades humanas importantes, só despertava paixão nas mulheres, que justamente por ele ser bonito, masculino, rude, "selvagem", buscavam nele mais emoção na vida amorosa. Monica foi a exceção: ela gostou dele primeiro pelas qualidades como pessoa. Foi a primeira vez que ele conseguiu juntar amor e paixão, aliás, o amor puxou a paixão. Na verdade, como Don Noel fala no início da novela, por ter vivido toda a rejeição que viveu, a grande fome de Juan era de afeto, e isso Monica tinha de sobra pra dar. Quando ele percebeu que Monica era melhor que a média, generosa apesar de pertencer a classe alta, brigou com unhas e dentes pra ficar com ela. Juan poderia achar mulheres mais exuberantes, mais charmosas, mais performáticas, mas não com a integridade e afetuosidade dela. Mesmo no século 19, suspeito que a coisa andava difícil (risos). Ao se casar com alguém marginalizado como Juan, Monica praticamente cometeu suicídio social (na novela, porque no livro é diferente o caminho pelo qual eles se unem), coisa que nem Aimée no auge da paixão teve coragem, admitindo que tinha vergonha dele. Aimée, aliás, só corre atrás de Juan quando já não tem mais nada a perder, e até então ela queria juntar a paixão de Juan com a fortuna de Andrés. O tipo de criatura que só pensa em si.
Monica também encontrou um homem diferente do que ela imaginava: íntegro, carinhoso e que a trata de igual para igual, o que não é comum hoje, muito menos há 120 anos. Como li no comentário de uma espectadora, no YouTube, Juan é o sonho de qualquer mulher: gato, rico, sincero e apaixonado (risos). Mesmo Andrés sendo um bom rapaz, ele tinha aquela ideia errada de que mulheres de alta classe devem ser tratadas como seres puros e incapazes que devem ser tuteladas pelos homens, quase como um animal de estimação caro. Melhor resposta de Juan pra essa baboseira: "Uma mulher é uma mulher, quer tenha nascido num estábulo ou palácio". Homem bitolado como Andrés tem mesmo o destino de perder a mulher para homens mais lúcidos e espontâneos como Juan.
3 - Nem sempre o que você queria era o que te convinha
Pelo perfil de Monica, ela teria sido feliz com qualquer um dos dois, embora a oportunidade dela de crescer e evoluir estivesse com Juan (aliás, é curioso como um puxou no outro aquilo que sempre tiveram, mas estava recalcado: nele, o lado carinhoso; nela, o lado apaixonado e corajoso). Mas ele, se tivesse se casado com Aimée, teria sido muito infeliz. Um cara simples, generoso e afetuoso como Juan logo ia se frustrar com uma mulher frívola, egoísta e sem caráter como ela. A felicidade não ia durar 30 dias. E, com o tempo, comparando-a com Monica, mais uma vez ia se ressentir do irmão ter levado a melhor e ele, a pior. Juan e Monica comprovam uma teoria que tenho há algum tempo: para qualquer tipo de parceria, especialmente casamento, as pessoas podem até ter temperamentos opostos, mas precisam ter os mesmos valores.
Como Juan mesmo disse, é de agradecer a Aimée que o tenha traído, pois permitiu que conhecesse Monica. Aliás, foi a única coisa boa que resultou de Aimée, porque binha só trouxe problema pra vida dele.
Como Juan mesmo disse, é de agradecer a Aimée que o tenha traído, pois permitiu que conhecesse Monica. Aliás, foi a única coisa boa que resultou de Aimée, porque binha só trouxe problema pra vida dele.
4 - É preciso acreditar em segundas chances e não se paralisar pelas experiências ruins
Monica e Juan se juntam de forma muito rápida depois de terem passado por grandes decepções amorosas. Mas se permitiram tentar mais uma vez quando se apaixonaram de novo, um pelo outro. Acho massa que tanto ele quanto ela admite ter já se apaixonado por outras pessoas, mas reforçando que Monica/Juan foi a pessoa a quem mais amou na vida, que foi algo diferente, especial. Se tivessem sido dominados pelo trauma, olha só a oportunidade que teriam perdido.
Aliás, neste ponto, o Juan da novela merece mais aplausos que o do livro. No romance, Juan se casa pra se vingar; ele acha que Monica combinou com Aimée a armadilha que os levou ao casamento. Ele a arrasta para o navio dele, contra a vontade dela, e conforme vão se conhecendo, vão se apaixonando (eu acho que a novela deveria ter demorado um pouco mais nesse processo. Entre se conhecerem e se apaixonarem, Juan e Monica levam apenas dez capítulos. É bom deixar o público um pouco ansioso, na espera). O Juan da novela se casa com uma mulher por quem ele já está apaixonado mas que ele pensa que ainda está apaixonada por outro. Mesmo tendo sofrido muito por Aimée, que foi uma aposta alta que ele fez (arriscando a vida pra ficar rico e poder dar uma vida confortável a ela, moça de classe alta acostumada a luxos), mesmo sendo orgulhoso, Juan aposta de novo e em Mônica, em poder fazê-la se apaixonar por ele. Claro que isso deixa ele ciumento a novela inteira (até porque tem um gênio do cão), principalmente no começo do casamento quando ele não tinha ainda segurança no amor dela. Mas Juan dispensa a segurança, o orgulho e aposta tudo na felicidade dele, mesmo morrendo de medo de sofrer de novo e bem mais, porque com Monica ele tinha altas expectativas por ela ser como é. Bravo, Juan! Como diz o outro, quem não morre também não vê Deus.
5 - Um casal precisa se comunicar
Esse problema é muito maior no livro que na novela. E dá até raiva da teimosia e falta de autoconfiança de Monica e Juan. Eles se apaixonam, mas passam quase o livro inteiro sofrendo, achando que não podem se declarar porque serão rejeitados. Um beijo roubado, uma carta, uma conversa teria abreviado o sofrimento. O Juan do livro é mais orgulhoso. De tão ciumento, acha que todos os gestos de Monica são de amor a Andrés (que no livro se chama Renato), e mesmo quando bichinha, que é mais fechada que uma ostra, toma coragem e se insinua um pouco, ele dá um jeito de ver de outro modo. Os dois passam o livro entendendo tudo errado porque não conseguem conversar sobre seus sentimentos. O Juan da novela é mais barraqueiro e entrão: quer saber das coisas, enche o saco de Monica para que ela fale francamente, pergunta a outras pessoas, fala o que sente e até escala muro e entra pela janela quando está muito difícil ter acesso a ela pelas vias civilizadas. Isso, Juan: melhor se arriscar que passar vontade! hehe...
6 - Nem sempre haverá chance para consertar um erro
Essa parte é muito interessante: tanto Andrés quanto Juan são boas pessoas, gente de bom coração, mas as vivências fizeram a diferença no caráter de cada um deles. Andrés é autocentrado e confiante, já que nunca teve uma vontade negada e sempre teve todo mundo ao seu redor disposto a satisfazê-las. Juan cresceu numa situação de vulnerabilidade, portanto sabe que solidariedade é condição de sobrevivência pra ele e pras pessoas que o cercam. Como ele sabe que no mundo real é cada um por si e Deus por todos, quando ele se depara com Monica, ele percebe que está com alguém especial, que mesmo sofrendo, ainda é generosa. Para Andrés, essas qualidades só vão valer de alguma coisa depois que ele quebrar a cara com Aimée e perceber que Juan está muito feliz com Mônica, se arrependendo pela primeira vez de não ter ouvido o conselho de sua mãe de que conhecesse Monica primeiro antes de se decidir de vez pela irmã dela. Tão acostumado que está de não se importar com ninguém além dele, Andrés não reparou nos sinais de que Aimée não sentia nada por ele; não se colocou no lugar de Juan, que passou pela mesma coisa que ele com Aimée, achando que só ele foi ofendido e sofreu e que podia descontar em Juan sua frustração causada, na verdade, por ele mesmo e Aimée. Com Monica, então... Andrés, apesar de ter muito afeto por ela, nunca a enxergou: terminou o compromisso sem nem sequer considerar o sofrimento dela (o que valeria ao menos uma conversa, uma atenção com os sentimentos dela); tentou empurrar um marido que ela não queria (Alberto), quando ele mesmo esperneou contra um casamento arranjado, e de qualquer modo a forçou a se casar, o que ela acabou fazendo felizmente com Juan; e quando quis se vingar de Juan, Andrés em nenhum momento considerou o sofrimento que iria imputar a principal prejudicada da história, Monica, ainda querendo forçar um casamento com ela só pra se vingar do irmão. No livro isso se dá um pouco diferente, porque depois de se decepcionar com Aimée, ele realmente se dá conta de que ama Monica e tenta de todos os modos, inclusive não éticos, tirar ela de Juan, se negando a aceitar que ela já está apaixonada por outro. Enfim, muito provavelmente quem vai te ferrar na vida não é uma pessoa maquiavélica, vilão de novela, mas alguém como Andrés, que não está jogando contra você, mas a favor dele. Tá certo que ele tinha uma essência boa enquanto Aimée era gente ruim, perversa, mas ambos só olhavam o próprio umbigo. Se mereciam mais do que Andrés merecia Monica e Aimée, Juan.
Aimée também foi outra que percebeu a burrada que fez tarde demais. Se deslumbrou com dinheiro e prestígio social e achou que poderia dar uma de esperta em cima dos dois homens apaixonados por ela tendo o melhor dos dois mundos, e acabou perdendo ambos, principalmente o que mais lhe interessava (Aimée iria adorar o século XXI, onde a galera é bem assim: quer tudo e não aceita abrir mão de nada, mesmo que pra isso tenha que ferrar com os outros). Quando percebeu que gostava de Juan e que não ia conseguir esquecê-lo, já era tarde demais. Certas coisas que você faz (ou não faz) aos outros mudam a visão que as pessoas têm a seu respeito pra sempre.
Na novela, Juan também dá um vacilo e quase perde Mônica. Um vacilo por amor, mas um vacilo, inclusive advertido por Don Noel, a consciência externa de Juan. Mas como ele não larga o osso e tenta por todos os meios fazê-la perdoá-lo (esse cabra é de Escorpião e de Ogum. Certeza!) e Monica se derrete por ele (essa figura é de Peixes, só pode!), dá certo no final.
7 - The Power of Love
Pode me chamar de brega, mas eu acredito no poder do afeto. Primeiro, eu preciso esclarecer que eu também acredito em personalidade, em essência. Quem é generoso, é, quem é egoísta, é, e não dá pra apagar isso totalmente, só piorar ou melhorar. Juan Del Diablo é o case desse tipo de situação. Na novela, sabemos que ele é filho de um adultério, o que em 1880 era algo gravíssimo; que a mãe logo morreu; que o marido dela maltratou ele até não poder mais; que o pai verdadeiro, quando soube, tentou reconhecê-lo, mas morreu antes disso; que a mulher do pai tocou ele pra fora da fazenda como se toca um cão sarnento, então ainda muito novo ele teve que se virar sozinho. Somado a isso, tem a pobreza extrema, a fama de contrabandista e marginal num povoado pequeno e a falta de sobrenome, o que fechava várias portas pra ele, desde ter um negócio a se casar. De afeto mesmo, só Don Noel, que o alimentou, ensinou a ler, escrever e tinha uma santa paciência pra orientar ele na vida. A novela suavizou coisas que o livro mostra e, por outro lado, a novela modernizou uma história que, afinal, foi escrita nos anos 50 e, enfim, continha umas coisas ultrapassadas demais. Pois bem, no livro sabemos que Don Noel deu o primeiro presente da vida de Juan, um saco de laranjas, ao perceber que ele estava com fome, e que o marido da mãe tentou matá-lo algumas vezes, uma vez aos 10 anos e a facada.
Toda essa volta foi pra contrastar com a generosidade dele, que nunca se apagou apesar dele ter sido super maltratado. Mas, apesar de ser uma pessoa de bom coração, era uma pessoa dura, rude, o que só mudou por influência de Monica, que era uma pessoa muito carinhosa. A direção e o ator agregaram dois detalhes preciosos ao personagem: Juan mudava de tom, se tornava mais suave automaticamente quando estava com Monica; ele nunca sorria e, a despeito de ser uma novela mexicana, onde os mocinhos sofrem o tempo inteiro, ele só deu um sorriso e uma gargalhada a novela inteira, marcando a aspereza da vida do personagem que influiu na personalidade dele.
8 - Conselhos para a juventude!
Pode me chamar de brega, mas eu acredito no poder do afeto. Primeiro, eu preciso esclarecer que eu também acredito em personalidade, em essência. Quem é generoso, é, quem é egoísta, é, e não dá pra apagar isso totalmente, só piorar ou melhorar. Juan Del Diablo é o case desse tipo de situação. Na novela, sabemos que ele é filho de um adultério, o que em 1880 era algo gravíssimo; que a mãe logo morreu; que o marido dela maltratou ele até não poder mais; que o pai verdadeiro, quando soube, tentou reconhecê-lo, mas morreu antes disso; que a mulher do pai tocou ele pra fora da fazenda como se toca um cão sarnento, então ainda muito novo ele teve que se virar sozinho. Somado a isso, tem a pobreza extrema, a fama de contrabandista e marginal num povoado pequeno e a falta de sobrenome, o que fechava várias portas pra ele, desde ter um negócio a se casar. De afeto mesmo, só Don Noel, que o alimentou, ensinou a ler, escrever e tinha uma santa paciência pra orientar ele na vida. A novela suavizou coisas que o livro mostra e, por outro lado, a novela modernizou uma história que, afinal, foi escrita nos anos 50 e, enfim, continha umas coisas ultrapassadas demais. Pois bem, no livro sabemos que Don Noel deu o primeiro presente da vida de Juan, um saco de laranjas, ao perceber que ele estava com fome, e que o marido da mãe tentou matá-lo algumas vezes, uma vez aos 10 anos e a facada.
Toda essa volta foi pra contrastar com a generosidade dele, que nunca se apagou apesar dele ter sido super maltratado. Mas, apesar de ser uma pessoa de bom coração, era uma pessoa dura, rude, o que só mudou por influência de Monica, que era uma pessoa muito carinhosa. A direção e o ator agregaram dois detalhes preciosos ao personagem: Juan mudava de tom, se tornava mais suave automaticamente quando estava com Monica; ele nunca sorria e, a despeito de ser uma novela mexicana, onde os mocinhos sofrem o tempo inteiro, ele só deu um sorriso e uma gargalhada a novela inteira, marcando a aspereza da vida do personagem que influiu na personalidade dele.
8 - Conselhos para a juventude!
Aprendam com a voz da experiência, Don Noel: "O verdadeiro amor é correspondido".
Dona Amanda dá importante recado às mulheres que pensam que podem mudar um homem: "É a gente que acaba mudada: infeliz, amarga, frustrada".
Método Juan del Diablo de gestão de crise: na dúvida (da parceira), parta pro amasso. Todas as vezes em que ele via Monica titubear, beijava na boca ou agarrava pela cintura. Funcionava. Tanto que, quando soube que o marido não havia morrido (não é spoiler! protagonista não morre, ué), foi logo lavar o instrumento do pecado.
Dona Amanda dá importante recado às mulheres que pensam que podem mudar um homem: "É a gente que acaba mudada: infeliz, amarga, frustrada".
Método Juan del Diablo de gestão de crise: na dúvida (da parceira), parta pro amasso. Todas as vezes em que ele via Monica titubear, beijava na boca ou agarrava pela cintura. Funcionava. Tanto que, quando soube que o marido não havia morrido (não é spoiler! protagonista não morre, ué), foi logo lavar o instrumento do pecado.
E tome nota de mais essa de Juan: "Quando se ama de verdade, se dá tudo e se quer tudo. Ninguém fica satisfeito com um amor pela metade".
Santa Monica alerta que, ao término de um relacionamento, às vezes é melhor ir devagar porque o santo pode ser de barro. Ao ser questionada pela mãe e depois pela prima sobre o porquê de não querer se casar com Andrés, já que ele é tão bom partido e ela não quer mais saber de Juan, Monica encara a questão objetivamente e com sinceridade: o perigo de fazer isso, quando se tem um sentimento tão intenso por um ex, é procurá-lo na outra pessoa o tempo todo, gerando inclusive rancor nessa pessoa atual. Foi por ignorar isso que, aliás, Aimée se ferrou. Essa história de que só se cura um amor com outro amor só é verdade quando se está com o coração aberto.
9 - Don Noel! <3
Meu personagem preferido depois dos protagonistas. E como Palomo e Ezalde tiveram química em cena! O texto também era muito bom. Os melhores diálogos da novela eram os de Juan e Noel. Tá aí uma coisa que é muito melhor na novela que no livro: a participação de Don Noel.
Bem, Don Noel é aquele sujeito "a voz da razão". Todo mundo mete o bichinho no meio dos problemas e ele, prontamente, ajuda a resolvê-los. Geralmente usa da lábia de advogado para não ser tão indelicado quando precisa tratar de um assunto delicado, menos com Juan. Com ele, é a verdade nua e crua, de um jeito que um sujeito como ele só faz quando se importa muito. Mesmo quando Juan não gosta - às vezes espertamente ele desvia o rumo da conversa -, no fundo o escuta, ele respeita as broncas de Don Noel. Quisera eu ter uma pessoa assim. Geralmente, a gente encontra essa figura no terapeuta, e com sorte. Gente sensata, que presta atenção na gente e interessada de verdade em ajudar é raridade, então, se topar com uma figura dessa, aproveite. Deixe de birra e escute com atenção.
10 - Bonus track - o que não aguento mais ouvir depois dessa novela
Apellido(#ranço); desdichada/o; dulce-suave-tierna; Deveras?; mi cielo; licenciado; santurrona; necio; Se lo suplico, se lo ruego! (by Monica); bastardo; zorra (exclusivo para Aimée).
11 - Bonus track 2 - check list dos pilares das novelas mexicanas em Corazón Salvaje:
1 - Uma mãe rica que passa a novela atrapalhando o romance dos protagonistas, ou melhor, a vida da parte pobre do casal. (x)
2 - Uma mulher rica e bonita, que é a fim do protagonista masculino e quer acabar com a mocinha. (x)
3 - A madrinha. (x)
4 - Um rapaz pobre chamado Serafim. (x)
5 - A reviravolta do/a personagem que sempre foi pobre e vira rico/a. (x)
6 - Mocinho lerdo, o único a não ver o que todo mundo tá cansado de saber. (x)
7 - Mocinho com nome composto (mas aqui, excepcionalmente, só é chamado por um dos três nomes.). (x)
8 - Um bastardo ou órfão. (x)
9 - Alguém perdendo a virgindade. (x)
10 - Um segredo bombástico. (x)
11 - Inédito - Santa Monica foi a protagonista com a melhor vida sexual da história das novelas mexicanas. Geralmente, mal rola a besteirinha e as personagens já ficam grávidas (vide Açucena). Monica passou a novela inteira se pegando com Juan e demorou quase um ano pra engravidar. Espero que ele tenha dado a ela a viagem de barco antes do bebê ter nascido, porque senão já era lua de mel.
PS.: Essa foi a primeira vez que vi uma novela toda em espanhol, na língua original. Confirmei algo que eu já desconfiava: a dublagem do SBT acaba com a interpretação dos atores latinos. Fora que todo galã é dublado pelo mesmo dublador de Fernando Colunga - que é horrível, só tem a voz bonita. Todo mundo é reedição de Carlos Daniel, de "A usurpadora", hehe.
Santa Monica alerta que, ao término de um relacionamento, às vezes é melhor ir devagar porque o santo pode ser de barro. Ao ser questionada pela mãe e depois pela prima sobre o porquê de não querer se casar com Andrés, já que ele é tão bom partido e ela não quer mais saber de Juan, Monica encara a questão objetivamente e com sinceridade: o perigo de fazer isso, quando se tem um sentimento tão intenso por um ex, é procurá-lo na outra pessoa o tempo todo, gerando inclusive rancor nessa pessoa atual. Foi por ignorar isso que, aliás, Aimée se ferrou. Essa história de que só se cura um amor com outro amor só é verdade quando se está com o coração aberto.
9 - Don Noel! <3
Meu personagem preferido depois dos protagonistas. E como Palomo e Ezalde tiveram química em cena! O texto também era muito bom. Os melhores diálogos da novela eram os de Juan e Noel. Tá aí uma coisa que é muito melhor na novela que no livro: a participação de Don Noel.
Bem, Don Noel é aquele sujeito "a voz da razão". Todo mundo mete o bichinho no meio dos problemas e ele, prontamente, ajuda a resolvê-los. Geralmente usa da lábia de advogado para não ser tão indelicado quando precisa tratar de um assunto delicado, menos com Juan. Com ele, é a verdade nua e crua, de um jeito que um sujeito como ele só faz quando se importa muito. Mesmo quando Juan não gosta - às vezes espertamente ele desvia o rumo da conversa -, no fundo o escuta, ele respeita as broncas de Don Noel. Quisera eu ter uma pessoa assim. Geralmente, a gente encontra essa figura no terapeuta, e com sorte. Gente sensata, que presta atenção na gente e interessada de verdade em ajudar é raridade, então, se topar com uma figura dessa, aproveite. Deixe de birra e escute com atenção.
10 - Bonus track - o que não aguento mais ouvir depois dessa novela
Apellido(#ranço); desdichada/o; dulce-suave-tierna; Deveras?; mi cielo; licenciado; santurrona; necio; Se lo suplico, se lo ruego! (by Monica); bastardo; zorra (exclusivo para Aimée).
11 - Bonus track 2 - check list dos pilares das novelas mexicanas em Corazón Salvaje:
1 - Uma mãe rica que passa a novela atrapalhando o romance dos protagonistas, ou melhor, a vida da parte pobre do casal. (x)
2 - Uma mulher rica e bonita, que é a fim do protagonista masculino e quer acabar com a mocinha. (x)
3 - A madrinha. (x)
4 - Um rapaz pobre chamado Serafim. (x)
5 - A reviravolta do/a personagem que sempre foi pobre e vira rico/a. (x)
6 - Mocinho lerdo, o único a não ver o que todo mundo tá cansado de saber. (x)
7 - Mocinho com nome composto (mas aqui, excepcionalmente, só é chamado por um dos três nomes.). (x)
8 - Um bastardo ou órfão. (x)
9 - Alguém perdendo a virgindade. (x)
10 - Um segredo bombástico. (x)
11 - Inédito - Santa Monica foi a protagonista com a melhor vida sexual da história das novelas mexicanas. Geralmente, mal rola a besteirinha e as personagens já ficam grávidas (vide Açucena). Monica passou a novela inteira se pegando com Juan e demorou quase um ano pra engravidar. Espero que ele tenha dado a ela a viagem de barco antes do bebê ter nascido, porque senão já era lua de mel.
PS.: Essa foi a primeira vez que vi uma novela toda em espanhol, na língua original. Confirmei algo que eu já desconfiava: a dublagem do SBT acaba com a interpretação dos atores latinos. Fora que todo galã é dublado pelo mesmo dublador de Fernando Colunga - que é horrível, só tem a voz bonita. Todo mundo é reedição de Carlos Daniel, de "A usurpadora", hehe.
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