"... E a Deus o que é de Deus.""
Tá vendo? Nem Ele pediu mais do que o devido, e tem gente aí que... Enfim, deixa pra lá.
... Ou não.
Acabo de ver um comentário no Facebook sobre um livro que comprei há muito tempo chamado "Homens Invisíveis", de Fernando Braga. O sujeito é psicólogo, o título me interessou à beça, então eu esperava ler "o" livro, mas me deparei com um blá, blá, blá dos infernos, mera descrição de mauricinho que nunca deu bom dia a pobre na vida. Sim, porque se ele fosse acostumado a pelo cumprimentar a moçada do "baixo clero", não teria tido o espanto que teve. Típico aluno da USP, posso apostar, mesmo sem nunca ter pisado nessa universidade. Deu vontade de dizer:
- "Meu", seu livro é vergonhoso. Você deveria ter sabido da existência deles muito antes da pesquisa. Fala sério que você nunca notou a passagem dessa galera de uniforme? Tenha dó!
Não que eu fique batendo papo com todo mundo. Não faço isso, pra dizer a verdade, nem com os meus superiores. Sou bicho do mato mesmo. Mas cumprimentar é básico. Faço isso. Sei quem são as pessoas da limpeza, do transporte, da copa, etc.
Outro dia, uma dupla do industrial ficou constrangida quando eu os notei. Estávamos no restaurante da empresa - eles costumam comer bem antes de nós. Olhei porque queria ver quem estava ao meu lado, claro, e como se tratavam de dois moços bonitos - coisa rara naquele prédio -, reparei por dois segundos a mais. Tive a impressão de que tinham vergonha do uniforme de operário. No dia seguinte, na máquina de café, cheguei quando o mais bonito deles estava tirando um copinho pra beber. Novamente notei o constrangimento, como se ele se achasse muito desarrumado por estar de uniforme. Deu vontade de brincar:
- Ô, filho, você tá muito mais gatinho que muita figura dessa redação, pode apostar. E, afinal, somos todos trabalhadores, chão de fábrica. (E não é? Eu me sinto operária total, glamour zero!)
Fiquei calada com medo de soar estranha. Perdi a chance de amenizar o constrangimento (indevido) dele. O mesmo, aliás, que percebi nas manicures do salão que frequento, que recentemente ganharam um uniforme.
Há algo de errado na nossa cultura que precisa ser revisto. É um algo da mesma família do preconceito que os estudantes têm com os cursos técnicos. Caramba, o que tem de gente que não tem um pingo de dom para a vida acadêmica "comprando" diploma por aí...
Permissividade
Por outro lado, me irrita a síndrome de coitadinho. Que muitas vezes nem parte das pessoas desfavorecidas, vale frisar. Uma coisa é você reparar o acesso às oportunidades, como acontece com a política de cotas. Mas odeio esse estímulo a permissividade de nossa sociedade.
Aquele episódio com a atriz Zezé Polessa e o motorista que morreu de infarto é emblemático. A mulher foi demonizada só por ser famosa e rica. Se ela gritou com ele ou algo que o valha, esqueça o que vou dizer a seguir, que falta de educação é inexcusável em qualquer circunstância. Mas por que ela não deveria dizer que não quer mais os serviços dele? Se ela pode dizer isso a alguém para quem ela trabalha porque não pode dizer a alguém que trabalha para ela?
"Ah, porque ele precisa". "Ah, mas ele era muito humildezinho".
Muita gente discordaria de mim, mas eu não concordo com essas justificativas. Se ele quer ser motorista, precisa conhecer a cidade. Ou então arranje outra ocupação mais adequada.
Se o empregador ficar com pena e quiser manter um mau funcionário, massa. É bacana dar o tempo do aviso prévio para a pessoa se organizar e procurar outra colocação, sem aquela coisa brusca de estar sem ocupação logo no dia seguinte. Mas não acho desumano o empregador dispensar o empregado por não estar satisfeito.
Você é obrigado a sofrer porque alguém mais pobre que você está fazendo mal o papel a que se dispôs? É lindo a curto prazo, mas é ruim no longo, e é até uma deseducação. A pessoa nunca vai progredir porque é tratada eternamente como "café com leite". Quantos passos você já deu à frente porque alguém te deu uma boa dose de realidade?
É colocar quem emprega numa posição de refém. A pessoa morre de vontade de se livrar do peso morto, mas tem medo de posar de insensível.
Minha irmã demorou meses para demitir uma empregada que trabalhava mal e era mãe solteira de três filhas. Evangélica, a mulher tinha uma relação mega protetora com as filhas, as meninas ligavam para confirmar tarefas rotineiras (até aí é perdoável. apesar de não concordar com essa educação "autonomia zero", é normal que mães solteiras mimem por culpa), e ela, que já era beeem lentinha no serviço, mal conseguia dar conta de uma casa onde moravam apenas duas pessoas.
A figura dava pena, mais pela cara de Madalena arrependida do que pela situação real. Por isso, minha irmã sempre que dava uma limpeza no guarda-roupa ou algo do tipo lembrava dela. Meu ex-cunhado vira e mexe dava uma contribuição. Mas a figura ficava o tempo todo contando que precisava disso e daquilo. Era chato. Porque ela fazia qualquer um se sentir um vilão de filme mexicano ao ignorar o comentário dela. A esse tipo de gente desejo muito boa sorte - de coração mesmo -, mas não gosto. É muita falta de dignidade. Não respeito.
Voltando à vaca fria, no caso da Zezé, os próprios filhos do sujeito disseram que ele já estava se sentindo mal antes. Mas nesses casos, rico já nasceu errado.
Desculpem-me os mais melindrosos, mas é que eu, apesar de saber da importância da generosidade e gostar de praticá-la, tenho problemas sérios com imposições neste sentido. Se alguém me força a algo - tanto faz que seja indiretamente, pela via do constrangimento moral -, no meu conceito já não merece recebê-lo. "É dando que se recebe", como dizem. E qual é o motivo que tenho para ser generosa com quem é impositivo comigo? Faça por merecer, ora.
Enfim, sinto falta de um olhar mais horizontal nas relações humanas.
Para o bem e para o mal, merecemos todos o mesmo tratamento.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Quem vai embora recebeu muito
Eu pensava que quem vai embora ressentido de um relacionamento recebeu pouco do outro. Mas faz alguns meses, uma psicoterapeuta disse em uma palestra que é o contrário. Dia desses estava pensando nessa frase novamente. Ela me intriga. Vou esclarecer o sentido disso com ela em uma próxima oportunidade. Ah, se vou!...
Mas queimando os neurônios um pouco, percebi que de certo modo há razão nessa afirmação. A pessoa vai embora (de um trabalho, de um endereço, de um curso, de uma amizade, de um namoro ou casamento, etc) se sente que já teve tudo que estava disponível ali para ela. Se por acaso acredita que tem mais para receber é muito difícil ir embora. A questão é que às vezes havia muito pouco disponível na fonte em que se foi buscar.
É a segunda parte disso que me inquieta, na verdade. Será que aquele que vai embora frustrado (eis uma dúvida existencial) realmente amou quem foi deixado? Sim, pois se você se frustra não enxergou a verdadeira natureza do objeto da sua esperança. E mais: não teve coração suficiente para permanecer apesar da quebra de expectativas. A gente vai embora porque cansou de não ter o que sugar?
Enfim a pergunta é: amor que é amor pode acabar ou, como dizia o mestre Nelson Rodrigues, pouco amor não é amor?
Vou pensar mais um pouquinho sobre isso. Quando tiver formulado uma resposta melhor, prometo que aviso.
Mas queimando os neurônios um pouco, percebi que de certo modo há razão nessa afirmação. A pessoa vai embora (de um trabalho, de um endereço, de um curso, de uma amizade, de um namoro ou casamento, etc) se sente que já teve tudo que estava disponível ali para ela. Se por acaso acredita que tem mais para receber é muito difícil ir embora. A questão é que às vezes havia muito pouco disponível na fonte em que se foi buscar.
É a segunda parte disso que me inquieta, na verdade. Será que aquele que vai embora frustrado (eis uma dúvida existencial) realmente amou quem foi deixado? Sim, pois se você se frustra não enxergou a verdadeira natureza do objeto da sua esperança. E mais: não teve coração suficiente para permanecer apesar da quebra de expectativas. A gente vai embora porque cansou de não ter o que sugar?
Enfim a pergunta é: amor que é amor pode acabar ou, como dizia o mestre Nelson Rodrigues, pouco amor não é amor?
Vou pensar mais um pouquinho sobre isso. Quando tiver formulado uma resposta melhor, prometo que aviso.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
A hora da verdade
Aos 25 anos a gente começa definitivamente a morrer. Seu colágeno começa a diminuir, sua produção de óvulos idem, e por aí vai. Essa introdução toda foi para convencer quem me lê de que estou ficando velha, e portanto tenho plena razão naquilo que vou dizer a seguir.
Acho que, a essa altura, algumas características minhas já são irreversíveis. Está chegando a hora da verdade, de desvendar o que é de minha natureza. O que não é meu e o que veio pra ficar. Eu já vi que:
1 - Eu sou uma pessoa séria. Fato. Gosto de ter ao meu redor gente confiável, com quem possa contar. Preciso de um mínimo de estrutura e organização. Não sei viver na inconsistência, no caos total.
2 - Aguento muita coisa de quem eu gosto, sou boa ouvinte, ajudo, tenho até bastante paciência, relevo mancada e tal, mas piro com falta de consideração. Quer me botar para correr? Eis a fórmula infalível.
3- Até dou conta de tudo - e estar produtiva me deixa bastante satisfeita -, mas não ter um tempo para o ócio me deixa muito, muito mal. E quando estou assim, somatizo.
4 - Gosto de todo mundo junto, mas preciso de meus sagrados momentos de solidão.
5 - Não consigo amar entusiasticamente - meu estado natural, acredite - quem não admiro. Como tenho [um senso crítico afiado e] tenho um sistema de valores diferente da média, isso acontece com poucos. Com a maioria eu vou de amorzinho mesmo, aquela coisa que agrada mas não arrebata.
6 - E piora quando se trata do sexo oposto, já que generosidade não é o forte dos homens. Quando encontro essa qualidade, é batata: o sujeito é gay.
7 - E por falar em homem, nada como um "moreno, alto, bonito e sensual", rs. Meu olho cresce imediatamente. Homem pequeno e branquelo não me chama a atenção. Mas mesmo com um fenótipo privilegiado, se for mesquinho não rola [ver item 5].
8 - Para falar a verdade, tenho profundo desprezo por gente insensível ou fraca de caráter [já esbarrei com quem tem essas duas "qualidades" e foi mais que péssimo]. Gostaria de ter mais compaixão, mas emocionalmente não acontece e acho que dificilmente vou mudar. Enfim, penso que não sou má por não gostar de todo tipo de gente. Hoje me permito isso.
9 - E não tenho paciência com quem tem meus defeitos só que piorados. Sou meu "ponto de corte". Tô falando sério.
10 - Nunca serei popular. Simplesmente porque, apesar de afável, sou de difícil intimidade. Tem que ter paciência mesmo, chegar aos poucos.
11 - Preciso estar perto da natureza, de preferência de um lugar com mar.
12 - Preciso fazer exercício físico sempre. Sinto dor quando estou sedentária.
13 - Bebida não me dá barato: logo fico com sono e o máximo que me acontece é perder a coordenação motora. Nem fico extrovertida nem perco a memória.
14 - Tempo frio faz mal pro meu humor. Odeio. Prefiro derreter debaixo do sol. Talvez por isso eu ame a cor amarela.
15 - Sou Felícia com criança pequena e sinto uma tremenda falta de ter cachorro em casa.
16 - Gosto de fazer minhas tarefas a pé. Odeio depender do que quer que seja.
17 - Consigo ouvir uma crítica razoavelmente bem, mas me aborrece ter superiores desprovidos de bom senso. E eu sou péssima quando perco o respeito pelas pessoas (já melhorei muito, mas...).
18 - Não gosto de dormir muito cedo nem de acordar muito cedo. O ideal é dormir 7h por dia. O sono faz toda diferença para a minha concentração no dia seguinte.
19 - Sei que não é bacana, mas: 1) tomo o que for pra me livrar de uma dor; 2) não gosto de alface; e 3) embora não seja muito de comer carne, acho difícil banir isso de vez do meu cardápio, ainda que entenda o "não matarás" como extensivo a todos os seres vivos.
20 - Nunca passarei da qualificação "básica" em se tratando de visual. Não nasci com certas habilidades como fazer unha, cabelo, saber costurar ou achar uma bela roupa por um bom preço. Não tenho talento, nem disposição e muito menos grana. Quando começar a ganhar dinheiro é possível que melhore, mas nunca serei sofisticada. Fato. Já estou me conformando só em ser limpinha, rs.
21 - Não gosto de saia nem de salto alto. Não sei ficar vigiando se minha calcinha está aparecendo ou se tem buraco no chão.
22 - Detesto gato desde pequena e isso vai ser pra sempre, pelo visto.
23 - Jornalismo não é a minha. Até tenho algum talento, mas não é "a" vocação. Como disse alguém, amor é foco, e essa atividade nunca foi o meu. Acho que continuei nessa profissão mais por refutar o fato de não querer o mesmo que os meus amigos. Enfim, vou ter que começar tudo de novo. E tomara que dessa vez dê certo. Por outro lado, isso me dá medo. Digo, será que vai ser sempre assim, iniciando e nunca consolidando? Quero não. Vim aqui para construir. Início, meio e fim, tá certo?
24 - Nada melhor do que adquirir conhecimento e por isso amo viajar. Mas amo mais ainda voltar para a minha casa. E definitivamente detesto situações de desconforto, como acampamentos, ou atividades que envolvem perigo ou altura.
25 - Não tenho um pingo de atração por tecnologia. Ter o mais novo Iphone não me emociona.
26 - É difícil pra mim ficar com a boca fechada quando fico indignada. Já melhorei muiiiiiiiiiiiiiiiito nesse aspecto. Mas ainda sou dada a uma rabieta, infelizmente. A boa notícia é que logo passa. A má notícia é que ainda não aprendi a me manifestar no momento adequado e do modo oportuno. Às vezes tenho até razão mas a minha expressão estraga tudo. Ainda engulo elefantes e engasgo com formigas.
27 - Sou definitivamente possessiva. E isso é diferente de ser ciumenta, viu? Eu não me importo que alguém dê algo a outro alguém, contanto que conserve o meu. Já melhorei bastante em relação a paqueras - até porque não faz o mínimo sentido tratar as pessoas como "suas" -, mas em relação a outras situações, não. Até porque, cá pra nós, acho justo lutar pelo meu quinhão.
28 - Certamente eu tenho problema de déficit de atenção. Mas enquanto puder, vou evitar medicação.
29 - Pois é, falando nisso, decidi que não vou ser 100% como manda o figurino. Do mesmo modo que vou ter que dar o meu jeito pra lidar com as imperfeições do mundo, ele que também se vire com os meus limites e problemas.
***
É, quando eu era menor, achava um absurdo a minha mãe nunca querer me ouvir. Ela sempre foi ruim de crítica, mas, hoje entendo, a gente envelhece e vai perdendo a disposição de lutar consigo mesmo. Sim, porque os avanços que tive, que não constam nessa lista acima mas foram em boa quantidade e significativos, me custaram muito trabalho interno. "Samba, suor e suingue", como dizia a vinheta de um programa de rádio.
A coisa bonita dessa história é que essa condescendência tem a ver com um apreço crescente por si mesmo. A gente começa a se aceitar mais, inclusive nas limitações. Percebemos que dá para crescer e melhorar, mas que tudo tem o seu tempo e nós temos o nosso ritmo.
Acho que, a essa altura, algumas características minhas já são irreversíveis. Está chegando a hora da verdade, de desvendar o que é de minha natureza. O que não é meu e o que veio pra ficar. Eu já vi que:
1 - Eu sou uma pessoa séria. Fato. Gosto de ter ao meu redor gente confiável, com quem possa contar. Preciso de um mínimo de estrutura e organização. Não sei viver na inconsistência, no caos total.
2 - Aguento muita coisa de quem eu gosto, sou boa ouvinte, ajudo, tenho até bastante paciência, relevo mancada e tal, mas piro com falta de consideração. Quer me botar para correr? Eis a fórmula infalível.
3- Até dou conta de tudo - e estar produtiva me deixa bastante satisfeita -, mas não ter um tempo para o ócio me deixa muito, muito mal. E quando estou assim, somatizo.
4 - Gosto de todo mundo junto, mas preciso de meus sagrados momentos de solidão.
5 - Não consigo amar entusiasticamente - meu estado natural, acredite - quem não admiro. Como tenho [um senso crítico afiado e] tenho um sistema de valores diferente da média, isso acontece com poucos. Com a maioria eu vou de amorzinho mesmo, aquela coisa que agrada mas não arrebata.
6 - E piora quando se trata do sexo oposto, já que generosidade não é o forte dos homens. Quando encontro essa qualidade, é batata: o sujeito é gay.
7 - E por falar em homem, nada como um "moreno, alto, bonito e sensual", rs. Meu olho cresce imediatamente. Homem pequeno e branquelo não me chama a atenção. Mas mesmo com um fenótipo privilegiado, se for mesquinho não rola [ver item 5].
8 - Para falar a verdade, tenho profundo desprezo por gente insensível ou fraca de caráter [já esbarrei com quem tem essas duas "qualidades" e foi mais que péssimo]. Gostaria de ter mais compaixão, mas emocionalmente não acontece e acho que dificilmente vou mudar. Enfim, penso que não sou má por não gostar de todo tipo de gente. Hoje me permito isso.
9 - E não tenho paciência com quem tem meus defeitos só que piorados. Sou meu "ponto de corte". Tô falando sério.
10 - Nunca serei popular. Simplesmente porque, apesar de afável, sou de difícil intimidade. Tem que ter paciência mesmo, chegar aos poucos.
11 - Preciso estar perto da natureza, de preferência de um lugar com mar.
12 - Preciso fazer exercício físico sempre. Sinto dor quando estou sedentária.
13 - Bebida não me dá barato: logo fico com sono e o máximo que me acontece é perder a coordenação motora. Nem fico extrovertida nem perco a memória.
14 - Tempo frio faz mal pro meu humor. Odeio. Prefiro derreter debaixo do sol. Talvez por isso eu ame a cor amarela.
15 - Sou Felícia com criança pequena e sinto uma tremenda falta de ter cachorro em casa.
16 - Gosto de fazer minhas tarefas a pé. Odeio depender do que quer que seja.
17 - Consigo ouvir uma crítica razoavelmente bem, mas me aborrece ter superiores desprovidos de bom senso. E eu sou péssima quando perco o respeito pelas pessoas (já melhorei muito, mas...).
18 - Não gosto de dormir muito cedo nem de acordar muito cedo. O ideal é dormir 7h por dia. O sono faz toda diferença para a minha concentração no dia seguinte.
19 - Sei que não é bacana, mas: 1) tomo o que for pra me livrar de uma dor; 2) não gosto de alface; e 3) embora não seja muito de comer carne, acho difícil banir isso de vez do meu cardápio, ainda que entenda o "não matarás" como extensivo a todos os seres vivos.
20 - Nunca passarei da qualificação "básica" em se tratando de visual. Não nasci com certas habilidades como fazer unha, cabelo, saber costurar ou achar uma bela roupa por um bom preço. Não tenho talento, nem disposição e muito menos grana. Quando começar a ganhar dinheiro é possível que melhore, mas nunca serei sofisticada. Fato. Já estou me conformando só em ser limpinha, rs.
21 - Não gosto de saia nem de salto alto. Não sei ficar vigiando se minha calcinha está aparecendo ou se tem buraco no chão.
22 - Detesto gato desde pequena e isso vai ser pra sempre, pelo visto.
23 - Jornalismo não é a minha. Até tenho algum talento, mas não é "a" vocação. Como disse alguém, amor é foco, e essa atividade nunca foi o meu. Acho que continuei nessa profissão mais por refutar o fato de não querer o mesmo que os meus amigos. Enfim, vou ter que começar tudo de novo. E tomara que dessa vez dê certo. Por outro lado, isso me dá medo. Digo, será que vai ser sempre assim, iniciando e nunca consolidando? Quero não. Vim aqui para construir. Início, meio e fim, tá certo?
24 - Nada melhor do que adquirir conhecimento e por isso amo viajar. Mas amo mais ainda voltar para a minha casa. E definitivamente detesto situações de desconforto, como acampamentos, ou atividades que envolvem perigo ou altura.
25 - Não tenho um pingo de atração por tecnologia. Ter o mais novo Iphone não me emociona.
26 - É difícil pra mim ficar com a boca fechada quando fico indignada. Já melhorei muiiiiiiiiiiiiiiiito nesse aspecto. Mas ainda sou dada a uma rabieta, infelizmente. A boa notícia é que logo passa. A má notícia é que ainda não aprendi a me manifestar no momento adequado e do modo oportuno. Às vezes tenho até razão mas a minha expressão estraga tudo. Ainda engulo elefantes e engasgo com formigas.
27 - Sou definitivamente possessiva. E isso é diferente de ser ciumenta, viu? Eu não me importo que alguém dê algo a outro alguém, contanto que conserve o meu. Já melhorei bastante em relação a paqueras - até porque não faz o mínimo sentido tratar as pessoas como "suas" -, mas em relação a outras situações, não. Até porque, cá pra nós, acho justo lutar pelo meu quinhão.
28 - Certamente eu tenho problema de déficit de atenção. Mas enquanto puder, vou evitar medicação.
29 - Pois é, falando nisso, decidi que não vou ser 100% como manda o figurino. Do mesmo modo que vou ter que dar o meu jeito pra lidar com as imperfeições do mundo, ele que também se vire com os meus limites e problemas.
***
É, quando eu era menor, achava um absurdo a minha mãe nunca querer me ouvir. Ela sempre foi ruim de crítica, mas, hoje entendo, a gente envelhece e vai perdendo a disposição de lutar consigo mesmo. Sim, porque os avanços que tive, que não constam nessa lista acima mas foram em boa quantidade e significativos, me custaram muito trabalho interno. "Samba, suor e suingue", como dizia a vinheta de um programa de rádio.
A coisa bonita dessa história é que essa condescendência tem a ver com um apreço crescente por si mesmo. A gente começa a se aceitar mais, inclusive nas limitações. Percebemos que dá para crescer e melhorar, mas que tudo tem o seu tempo e nós temos o nosso ritmo.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Cara de pau
[Da mesma família de "Somos apenas bons amigos" e "Estamos apenas nos conhecendo"]
Britney rompeu o noivado e mandou esse recado à imprensa: "Jason e eu decidimos romper nosso compromisso", disse Spears em um comunicado publicado pelo site today.com. "Sempre vou adorá-lo e continuaremos sendo grandes amigos", acrescentou.
A página cita Trawick dizendo que, apesar da separação, os dois "ficarão próximos para sempre".
É o que eles dizem. Mas todo mundo sabe que estão querendo é mandar um ao outro para o inferno. É isso: por que o ser humano insiste em contar mentiras nas quais ninguém vai acreditar? Cartas à redação.
Britney rompeu o noivado e mandou esse recado à imprensa: "Jason e eu decidimos romper nosso compromisso", disse Spears em um comunicado publicado pelo site today.com. "Sempre vou adorá-lo e continuaremos sendo grandes amigos", acrescentou.
A página cita Trawick dizendo que, apesar da separação, os dois "ficarão próximos para sempre".
É o que eles dizem. Mas todo mundo sabe que estão querendo é mandar um ao outro para o inferno. É isso: por que o ser humano insiste em contar mentiras nas quais ninguém vai acreditar? Cartas à redação.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Opinião pública
Ô Ingrid diz que é preciso democratizar a comunicação no País [ela está para mim assim como Otto Lara Resende está para Nelson Rodrigues]. Sim, cada vez mais vejo que isso é necessário. Há dois anos trabalhando em jornalismo diário, frustra-me ver que entra ano e sai ano, a gente faz as matérias, reúne dados, se indispõe com as fontes oficiais, briga internamente pra zorra sair e o máximo que conseguimos é um burburinho.
Não sei os colegas, mas sou o tipo de jornalista que vibra com mudanças. Não me importo de ninguém saber o meu nome, contanto que seja útil a quem me lê. Não saberia, por isso, fazer esporte, cultura ou turismo. Gosto dos temas sérios, ainda que às vezes com uma abordagem mais leve.
Mas do que adianta o esforço da classe se não há uma opinião pública que cobre mudanças? "Os cães ladram...".
Não sei os colegas, mas sou o tipo de jornalista que vibra com mudanças. Não me importo de ninguém saber o meu nome, contanto que seja útil a quem me lê. Não saberia, por isso, fazer esporte, cultura ou turismo. Gosto dos temas sérios, ainda que às vezes com uma abordagem mais leve.
Mas do que adianta o esforço da classe se não há uma opinião pública que cobre mudanças? "Os cães ladram...".
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Sinceridade
Coisa boa é ter um bom relacionamento. Mas eu há muito questiono se há um bom relacionamento sem intimidade. É tão difícil ter isso com alguém. As confissões até que são fáceis. Mas as críticas... Pouca gente reage bem a elas (não que alguém goste, mas, enfim, é inteligente analisar o que o outro tem a dizer porque pode conter uma informação que acrescente). Tem gente de quem eu gosto muito, mas que eu não teria coragem de abrir a boca para fazer uma crítica, ainda que ache necessária. Sei que a criatura viraria no capeta comigo. Então fico calada para evitar me aborrecer. Para evitar me indispor. E também porque, no final das contas, é o processo de cada um, por isso me cabe apenas cuidar do que acontece comigo. Mas eu gostaria de ter relacionamentos sem a necessidade de pisar em ovos, em que pudesse me expressar à vontade (claro, mantendo o respeito). Isso sim é intimidade. O resto é mera troca de gentileza.
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