Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Esqueçam tudo que eu disse
... O problema não é a sua conjuntura na vida, é ser uma pessoa profunda. É seu "defeito" de personalidade. Pense raso, viva a fundo.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Não faz sentido
Se você fracassa, a responsabilidade é só sua. Ok. Mas se você faz sucesso, tem que agradecer a todos do seu entorno.
Que lógica é essa? Ou todos estão no mesmo barco ou não.
Diga logo que é uma questão de educação, mas não que isso faz sentido, na moral.
Que lógica é essa? Ou todos estão no mesmo barco ou não.
Diga logo que é uma questão de educação, mas não que isso faz sentido, na moral.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Dedicatória
Semana passada estava passando os meus livros para o novo armário. Como é usual nesse tipo de situação, redescobri livros que nem imaginava que tinha.
Um deles foi uma coletânea de entrevistas de Leda Nagle no Sem Censura com um monte de gente bacana. Tá, me julguem, mas eu adoro aquela traveca e o programa dela. Se eu estiver em casa de tarde, é batata. Fiquei tentando lembrar quem me deu. Não consegui. Talvez Ingrid, talvez Leco. Não lembrei. Decidi que, de agora em diante, ninguém me dá mais livro sem dedicatória.
Um deles foi uma coletânea de entrevistas de Leda Nagle no Sem Censura com um monte de gente bacana. Tá, me julguem, mas eu adoro aquela traveca e o programa dela. Se eu estiver em casa de tarde, é batata. Fiquei tentando lembrar quem me deu. Não consegui. Talvez Ingrid, talvez Leco. Não lembrei. Decidi que, de agora em diante, ninguém me dá mais livro sem dedicatória.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Deus e o diabo cochichando no meu ouvido
... Enquanto eu fico sem saber se escuto a mente ou o coração.
Hoje, um amigo e eu comentávamos algo que uma colega de trabalho escreveu em uma postagem do Facebook. Em uma foto da festa da empresa, em que ela aparecia com os colegas de editoria, escreveu: "A elite da firma".
Meu amigo, que é do "baixo clero" que nem eu, não gostou do que ela escreveu. Concordei com ele. Aliás, nenhuma das 60 pessoas que curtiram a foto curtiu a frase dela, que foi a única a não receber um aval entre umas dez deixadas no post.
A menina é filha de gente rica e influente. Não é má pessoa. Aliás, noto que ela tenta acompanhar o resto da redação, percebo que ela quer se alinhar ao pensamento e às atitudes das pessoas, que tenta dar opiniões mais liberais. Ela quer mostrar que não é uma patricinha. Até ouvi dizer que está querendo morar sozinha, se bancar, sem a ajuda dos pais. Sinceramente, dou valor, achei bonito da parte dela. Por isso, um lado meu diz: "Ela tem boa vontade e as pessoas podem sempre nos surpreender".
Mas o outro lado, do diabinho, aquele que é baseado nas experiências de vida (e já vivi mais de um terço de século a essa altura), diz que a nossa criação não morre tão fácil dentro da gente e que o comentário, mesmo sem intencionalidade - e, é isso aí, o diabo costuma estar mesmo nos detalhes -, não deixa de refletir o meio do qual ela veio e, principalmente, o modo como ela foi ensinada a se pensar e a ver os seus: como elite, pequeno grupo, parte de um roll seleto, superior em qualidades. Olhe para Lobão e Roger. Para mim, eles são exemplos clássicos disso que estou falando.
Na juventude é bonito ser contra papai e mamãe e querer um mundo mais igual. Mas conforme vamos envelhecendo, nossas persistências em "nadar contra a maré" vão se afrouxando. Papai e mamãe começam a aflorar dentro de nós. Tanto que já virou até piada (machista) dizer que a sogra é a esposa no futuro.
Tenho tanta consciência disso que, confesso, tenho medo até de mim, de deixar vir à tona, algum dia, a parte ruim de meus pais, "la mala educación" que tive em família. Acho que é por isso que lanço tanto minhas opiniões nesse blog. Deve ser para firmar compromisso. Deve ser uma forma de pedir que vocês, amigos, não me deixem desviar daquilo que é importante, nunca permitam que eu ache que sou elite do que quer que seja.
Hoje, um amigo e eu comentávamos algo que uma colega de trabalho escreveu em uma postagem do Facebook. Em uma foto da festa da empresa, em que ela aparecia com os colegas de editoria, escreveu: "A elite da firma".
Meu amigo, que é do "baixo clero" que nem eu, não gostou do que ela escreveu. Concordei com ele. Aliás, nenhuma das 60 pessoas que curtiram a foto curtiu a frase dela, que foi a única a não receber um aval entre umas dez deixadas no post.
A menina é filha de gente rica e influente. Não é má pessoa. Aliás, noto que ela tenta acompanhar o resto da redação, percebo que ela quer se alinhar ao pensamento e às atitudes das pessoas, que tenta dar opiniões mais liberais. Ela quer mostrar que não é uma patricinha. Até ouvi dizer que está querendo morar sozinha, se bancar, sem a ajuda dos pais. Sinceramente, dou valor, achei bonito da parte dela. Por isso, um lado meu diz: "Ela tem boa vontade e as pessoas podem sempre nos surpreender".
Mas o outro lado, do diabinho, aquele que é baseado nas experiências de vida (e já vivi mais de um terço de século a essa altura), diz que a nossa criação não morre tão fácil dentro da gente e que o comentário, mesmo sem intencionalidade - e, é isso aí, o diabo costuma estar mesmo nos detalhes -, não deixa de refletir o meio do qual ela veio e, principalmente, o modo como ela foi ensinada a se pensar e a ver os seus: como elite, pequeno grupo, parte de um roll seleto, superior em qualidades. Olhe para Lobão e Roger. Para mim, eles são exemplos clássicos disso que estou falando.
Na juventude é bonito ser contra papai e mamãe e querer um mundo mais igual. Mas conforme vamos envelhecendo, nossas persistências em "nadar contra a maré" vão se afrouxando. Papai e mamãe começam a aflorar dentro de nós. Tanto que já virou até piada (machista) dizer que a sogra é a esposa no futuro.
Tenho tanta consciência disso que, confesso, tenho medo até de mim, de deixar vir à tona, algum dia, a parte ruim de meus pais, "la mala educación" que tive em família. Acho que é por isso que lanço tanto minhas opiniões nesse blog. Deve ser para firmar compromisso. Deve ser uma forma de pedir que vocês, amigos, não me deixem desviar daquilo que é importante, nunca permitam que eu ache que sou elite do que quer que seja.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
O frágil (?) ego masculino
Outro dia, um amigo da faculdade me telefonou. Sacomé, terminou um namoro de anos - quando dona patroa entra, azamiga saem e vice-versa -, está morando onde o vento faz a curva depois que passou no concurso da PF e - vou jogar na cara mesmo! - agora ele me telefona com certa frequência, como era antes. Ando recebendo mais telefonemas dele, em três meses, do que nos últimos três anos e até levei bronca, no último, por não ligar. Como o mundo gira! rs.
Ele, nessas conversas, andou se queixando do difícil ego masculino, que demonstra a sua fragilidade através de uma competitividade que o aborrece. Reclamou do clima na academia da polícia de muito exibicionismo, disse que isso não casava com a personalidade dele e blá, blá, blá.
Meu amigo não é o tipo de cara que tem problemas com o masculino. Não, não. É um cara bem "normal", que não sofreria bullying numa roda de homens. Por isso me surpreende saber que, de dentro, o mundo dos machos alfa é tão competitivo. Confesso, sempre achei - e até invejava - que os caras eram mais simples, mais relaxados, chegados numa camaradagem gratuita - coisa que raramente encontro nas mulheres, que tendem à gentileza apenas quando se chegam.
Claro, notava um ou outro exemplar do sexo masculino com um problema de orgulho agudo, do tipo raramente visto do lado de cá da cerca. Mas não imaginava a existência desse "aborrecente" ego dos homens.
Claro, notava um ou outro exemplar do sexo masculino com um problema de orgulho agudo, do tipo raramente visto do lado de cá da cerca. Mas não imaginava a existência desse "aborrecente" ego dos homens.
Andei refletindo um pouco sobre isso e não é que faz sentido a queixa do rapaz?
Acho que é porque isso é mais visível no campo amoroso. Ali fica evidente que eles são mais orgulhosos e menos corajosos que a gente. São várias as situações em que eles têm reações duras, a nosso ver, a troco de nada (depois nós somos as histéricas, né?).
Uma amiga me contou que estava saindo com um carinha, colega dela de profissão. Ela queria curtir, no sentido de aproveitar a vida sem compromisso; ser feliz junto sem estar num relacionamento; "somente sexo e amizade", capisci? Um dia ela precisou desmarcar com ele por um motivo real. Quando o procurou para marcar uma saída, fez que não era nem com ele. Uma mulher dificilmente seria indócil numa situação dessa. A maioria ficaria até solidária, preocupada com o cara, mesmo ainda não havendo amor da parte dela.
Uma vez soube de uma história que me deixou impressionadíssima. Um homem pobre havia se casado por amor com uma mulher de origem rica. Dez anos e três filhos depois, em uma discussão ela disse o que nunca deveria ter dito (nunca mesmo, porque certas coisas ninguém tem direito de dizer ao outro, nem na hora da raiva, a não ser que nunca mais queira ver a pessoa na vida), que quem tinha dinheiro ali era ela e ele era um zero à esquerda. Ele saiu de casa, estudou bastante e se tornou um homem importante no Direito, acho que juiz ou desembargador. Nunca deixou de gostar dela e depois da separação teve alguns casos e namoros, mas nunca mais houve alguém importante. Ela se arrependeu logo e passou a vida inteira pedindo a ele que a perdoasse, que voltasse para casa. Ele nunca cedeu. Enfim, envelheceram brigados e se amando. Se o ofendido fosse uma mulher, essa briga não teria durado tanto.
Uma vez soube de uma história que me deixou impressionadíssima. Um homem pobre havia se casado por amor com uma mulher de origem rica. Dez anos e três filhos depois, em uma discussão ela disse o que nunca deveria ter dito (nunca mesmo, porque certas coisas ninguém tem direito de dizer ao outro, nem na hora da raiva, a não ser que nunca mais queira ver a pessoa na vida), que quem tinha dinheiro ali era ela e ele era um zero à esquerda. Ele saiu de casa, estudou bastante e se tornou um homem importante no Direito, acho que juiz ou desembargador. Nunca deixou de gostar dela e depois da separação teve alguns casos e namoros, mas nunca mais houve alguém importante. Ela se arrependeu logo e passou a vida inteira pedindo a ele que a perdoasse, que voltasse para casa. Ele nunca cedeu. Enfim, envelheceram brigados e se amando. Se o ofendido fosse uma mulher, essa briga não teria durado tanto.
Eu poderia citar outros casos que eu lembro de atitudes orgulhosas deles ao mínimo sinal de "ofensa". Por incrível que pareça, pensando bem e discutindo o assunto com essa amiga, os homens têm mais necessidade de serem endeusados do que a gente. Não aguentam muito bem serem contrariados.
São muito mais preocupados com o destaque profissional (= social, público). As mulheres são mais relaxadas quanto a isso, outras coisas têm prioridade e ficam igualmente felizes se o marido ou os filhos são bem sucedidos. Não precisa acontecer exatamente com elas, na maioria dos casos.
A única parte relax - e por enquanto - é a física. Porque eles são tão bem tratados, tão reizinhos do pedaço, que ninguém nem liga se estão carecas, se estão barrigudos ou mesmo mal-vestidos. Basta ser "macho". E ser macho significa ser o que domina. Sempre. Ponto final.
São muito mais preocupados com o destaque profissional (= social, público). As mulheres são mais relaxadas quanto a isso, outras coisas têm prioridade e ficam igualmente felizes se o marido ou os filhos são bem sucedidos. Não precisa acontecer exatamente com elas, na maioria dos casos.
A única parte relax - e por enquanto - é a física. Porque eles são tão bem tratados, tão reizinhos do pedaço, que ninguém nem liga se estão carecas, se estão barrigudos ou mesmo mal-vestidos. Basta ser "macho". E ser macho significa ser o que domina. Sempre. Ponto final.
Minha amiga fala: "Isso vem da relação da mãe". Bastante provável. No fundo, penso eu, eles querem a mãe. Ainda não estão preparados, em sua maioria, para uma relação homem-mulher.
Nascem, crescem e permanecem meninos.
sábado, 6 de dezembro de 2014
Coração de gente é terra de ninguém
Essa semana, uma amiga de longa data, pessoa não só querida como figura que admiro muito, assumiu um relacionamento lésbico no Facebook. Ainda não falei com ela sobre isso, mas me pareceu tão plena nas fotos com a namorada que, claro, não dá para não ficar feliz pela pessoa - e essa amiga merece muito ser feliz -, embora eu confesse alguma estranheza em ver duas mulheres em vez de um homem e uma mulher. Mas vai passar. É questão de costume. Precisamos, nessa fase da sociedade, nos acostumar, juntar consciência e coração. E nisso eu admirei muito essa minha amiga. Ela passou por um câncer e disse que algumas pessoas se afastaram dela por causa da doença. Outras pessoas vão se afastar depois disso. É preciso ter coragem para bancar esse tipo de reação. Bem, ela é ariana, rs.
Coincidentemente, desde o ano passado histórias de casais controversos vêm acontecendo perto de mim. Essa aí que contei é light, é puro amor que ousa dizer, inclusive, seu nome.
A primeira que me apareceu foi punk. Muita traição, muita agressividade, uma boa dose de perversidade e de falta de amor próprio. A parte, digamos, mais fraca do triângulo amoroso saiu muito humilhada. Quem mais aprontou foi justamente meu amigo. Fiquei revoltada com ele. Claro, você, como mulher, se põe no lugar. Parei quando vi que eu mesma já estava ficando constrangida de passar o sermão nele. Um dia, eu espero, ele para com esse tipo de comportamento que, eu sinto, também faz mal a ele. A história continua, mas eu resolvi apenas me divertir na companhia dele falando amenidades, seguindo o conselho de uma amiga em comum que também não concorda com as coisas que ele apronta. Não falo mais disso para não me aborrecer e perder o amigo.
Depois me entreti com uma cama de gato hetero-lésbica, rs. Teve gente machucada nessa história e alguns comportamentos nada cuidadosos e éticos da parte dos envolvidos. Mas era gente menos próxima de mim, por isso não me choquei tanto. Confesso, agradeci por isso.
Depois de tanto ver esse tipo de situação, houve uma hora em que comecei a pensar que não gostaria de saber o que as pessoas fazem na vida privada, pois, ao que parecia, ninguém agia bem com o outro, cada um estava preocupado com os seus próprios interesses e, o mais chocante para mim, ninguém sofria um pingo por isso.
Uma nova amiga me diz que gosta muito de sexo, mas não se vincula a ninguém. É feliz assim. É muito diferente do que eu sou, mas eu acho que deve ser legal, também, ser assim desapegada. Enfim, tudo tem seus prós e contras. É clichê, mas é isso aí.
Porém, o que me fez pensar mesmo foi a Parada Gay desse ano. Cobri pela primeira vez. A Parada é cheia de "bichas pão com ovo", como as beeshas bem-humoradas gostam de chamar as coleguinhas mais pobres, rs. Pense em como aquilo é importante para elas. É o momento de viver a fantasia sexual em segurança, sendo até admirada pelos simpatizantes.
Bingo. Esse é o ponto: viver a fantasia. Isso tem um peso muito grande na experiência humana. Enfim, essa vivência na Parada começou a despertar a minha percepção de que coração de gente é terra de ninguém. Amor e sexo, esses fios da vida, quando chegam com força, tem que ser vividos até o fim. Se mal resolvidos causam muito sofrimento. Jabor, aliás, tem um texto interessante sobre isso (http://arteymanhas.blogspot.com.br/2008/05/amor-mal-resolvido-arnaldo-jabor.html).
Mas, sabe, eu continuo achando que realizá-los a qualquer preço também causa muita dor. Nunca acreditei em felicidade na qual se passa por cima dos outros. Não falo de passar por cima dos caprichos, chantagens e teimosias. Ninguém deve ficar refém da birra alheia. Falo de atos que realmente prejudicam alguém. Essa conta pode vir um dia. É preciso estar ciente disso e não se revoltar quando chegar, afinal estamos aqui para tudo e quem não aguenta, que não desça pro play.
Enfim, o que aprendi é que, se alguém estiver a fim de pagar essa conta, quem somos nós? A gente nunca sabe mesmo o que se passa dentro do outro. Vai que aquilo tem uma importância que não conseguimos alcançar? A vida é curta, muito curta...
Como diz Fernando Pessoa, em uma frase que tirei em um sorteio essa semana: "Nada se sabe, tudo se imagina". É preciso perceber que realmente não sabemos.
Coincidentemente, desde o ano passado histórias de casais controversos vêm acontecendo perto de mim. Essa aí que contei é light, é puro amor que ousa dizer, inclusive, seu nome.
A primeira que me apareceu foi punk. Muita traição, muita agressividade, uma boa dose de perversidade e de falta de amor próprio. A parte, digamos, mais fraca do triângulo amoroso saiu muito humilhada. Quem mais aprontou foi justamente meu amigo. Fiquei revoltada com ele. Claro, você, como mulher, se põe no lugar. Parei quando vi que eu mesma já estava ficando constrangida de passar o sermão nele. Um dia, eu espero, ele para com esse tipo de comportamento que, eu sinto, também faz mal a ele. A história continua, mas eu resolvi apenas me divertir na companhia dele falando amenidades, seguindo o conselho de uma amiga em comum que também não concorda com as coisas que ele apronta. Não falo mais disso para não me aborrecer e perder o amigo.
Depois me entreti com uma cama de gato hetero-lésbica, rs. Teve gente machucada nessa história e alguns comportamentos nada cuidadosos e éticos da parte dos envolvidos. Mas era gente menos próxima de mim, por isso não me choquei tanto. Confesso, agradeci por isso.
Depois de tanto ver esse tipo de situação, houve uma hora em que comecei a pensar que não gostaria de saber o que as pessoas fazem na vida privada, pois, ao que parecia, ninguém agia bem com o outro, cada um estava preocupado com os seus próprios interesses e, o mais chocante para mim, ninguém sofria um pingo por isso.
Uma nova amiga me diz que gosta muito de sexo, mas não se vincula a ninguém. É feliz assim. É muito diferente do que eu sou, mas eu acho que deve ser legal, também, ser assim desapegada. Enfim, tudo tem seus prós e contras. É clichê, mas é isso aí.
Porém, o que me fez pensar mesmo foi a Parada Gay desse ano. Cobri pela primeira vez. A Parada é cheia de "bichas pão com ovo", como as beeshas bem-humoradas gostam de chamar as coleguinhas mais pobres, rs. Pense em como aquilo é importante para elas. É o momento de viver a fantasia sexual em segurança, sendo até admirada pelos simpatizantes.
Bingo. Esse é o ponto: viver a fantasia. Isso tem um peso muito grande na experiência humana. Enfim, essa vivência na Parada começou a despertar a minha percepção de que coração de gente é terra de ninguém. Amor e sexo, esses fios da vida, quando chegam com força, tem que ser vividos até o fim. Se mal resolvidos causam muito sofrimento. Jabor, aliás, tem um texto interessante sobre isso (http://arteymanhas.blogspot.com.br/2008/05/amor-mal-resolvido-arnaldo-jabor.html).
Mas, sabe, eu continuo achando que realizá-los a qualquer preço também causa muita dor. Nunca acreditei em felicidade na qual se passa por cima dos outros. Não falo de passar por cima dos caprichos, chantagens e teimosias. Ninguém deve ficar refém da birra alheia. Falo de atos que realmente prejudicam alguém. Essa conta pode vir um dia. É preciso estar ciente disso e não se revoltar quando chegar, afinal estamos aqui para tudo e quem não aguenta, que não desça pro play.
Enfim, o que aprendi é que, se alguém estiver a fim de pagar essa conta, quem somos nós? A gente nunca sabe mesmo o que se passa dentro do outro. Vai que aquilo tem uma importância que não conseguimos alcançar? A vida é curta, muito curta...
Como diz Fernando Pessoa, em uma frase que tirei em um sorteio essa semana: "Nada se sabe, tudo se imagina". É preciso perceber que realmente não sabemos.
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