quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Tudo depende do lugar onde você se bota

Alexandre, o Grande, encontrou Diógenes, que era um mendigo nu, com apenas uma lâmpada, sua única posse. E mantinha sua lâmpada acesa mesmo durante o dia. Ele, obviamente, estava se comportando de maneira estranha, e até mesmo Alexandre teve de lhe perguntar: — Por que essa lâmpada acesa durante o dia? Ele levantou sua lâmpada, olhou para o rosto de Alexandre e disse: — Estou à busca do homem de verdade dia e noite, e não o encontro. Alexandre ficou chocado. Um mendigo nu dizer esse tipo de coisa a ele, um conquistador do mundo. No entanto, ele podia ver que Diógenes era altivo em sua nudez. Os olhos eram serenos, o rosto tão pacífico, suas palavras tinham autoridade, sua presença era tão tranquila, que o próprio Alexandre sentiu-se  um mendigo frente dele. Ele escreveu em seu diário: ‘Pela primeira vez senti que a riqueza é algo diferente de ter dinheiro. Eu vi um homem rico’.
Moral da história: tudo depende de como você se vê. Os outros só têm o poder que você mesmo dá a eles.

domingo, 20 de outubro de 2019

A inexplicável arte de amar


Tenho uma amiga que está desenvolvendo um trabalho com Constelações Familiares. Outro dia, ela gravou um vídeo interessante sobre o que faz um casal ficar junto. Tema espinhoso. Eu poderia listar, como já fiz várias vezes aqui, exemplos do que não é amor. O problema é que eu sou eu e o outro é o outro, e por mais que me custe botar fé, há a possibilidade daquilo que eu não consigo visualizar como bom ser uma relação funcional. Gente é um bicho esquisito, de fato...
Ela aponta, do ponto de vista sistêmico, três motivos para que um casal fique junto, apesar de mil problemas: 1) Projeto. Isso pode ser um filho, a ideia de ter uma família, um negócio, uma casa. 2) Amizade, philia. Às vezes a vida de casal não está funcionando no stricto sensu, mas tá no lato e você fica porque aquela criatura, apesar de tudo, é seu parceiro, te dá apoio na vida. 3) O amor. Mas aqui não é o amor como a gente definiria. Trata-se do sentimento que A tem quando está com B. Isso não tem a ver com a qualidade de quem o outro é ou com a qualidade do sentimento que a figura tem por você, mas com o que surge do contato entre as partes. É a parte de mim que aparece só quando estou com o outro e da qual eu gosto por N motivos, incluindo o de me fazer sentir viva.
Eu achei uma leitura inteligente. Tô respeitando mais a maluquice dos outros a partir dessa reflexão, ou melhor, o caos dos outros, porque tem coerência interna conforme vimos acima. Sabe-se lá onde dói e onde goza um indivíduo. Como diz um amigo meu, quem realmente está insatisfeito pede pra sair.

sábado, 19 de outubro de 2019

Segunda Juventude



Minhas últimas sessões de terapia estão sendo ótimas para ter insights. Já narrei uns aqui. Eu acho engraçado porque praticamente falo das mesmas coisas, mas a conversa sempre acaba sendo analisada por um ângulo diferente. Eu tenho me sentido melhor que nunca. Quem tá de fora não vai ver, até porque, exteriormente, eu até regredi um pouco, haja vista que estou mais dura que antes (risos). Mas por dentro muitas coisas mudaram: eu consigo me ver de forma mais positiva, o que me levou a depender menos dos outros, e eu tenho a sensação de que, a despeito do caos lá fora, eu tô tomando mais as rédeas da minha vida. Vocês não sabem a felicidade que isso me traz.
Eu passei uma fase bem estranha na minha juventude, dos 17 aos 31 anos, em que simplesmente eu não sabia direito quem eu era, só o que não era, o que não me ajudava muito porque eu sabia o que evitar, mas não o que procurar. Passei uma fase de esgotamento, sensação de game over com uma série de cenários e situações, mas sem saber como cair fora daquele mundo que, afinal, foi o que eu com ou sem autoconhecimento construí para mim naqueles anos. Consegui um intervalo bem interessante para pôr as coisas no lugar entre 2016 e 2018 e por isso e outras coisas o mestrado foi importante para mim.
O que acontece, na prática, hoje em dia é que estou tendo que começar tudo de novo. É como se me fosse dada uma nova juventude, mas sem a prerrogativa social de poder errar. Vou ter que bancar isso sozinha, vou ter que correr alguns riscos, mas ando motivada a isso e por enquanto é tudo que importa. Sempre gostei daqueles filmes em que um personagem troca de corpo com o outro, ou que alguém volta ao seu passado. Gosto muito da perspectiva de olhar as coisas por um outro ângulo porque o bonito e o trágico da vida ao mesmo tempo é que só temos o nosso ponto de vista e o nosso tempo. Andei pensando várias vezes nos últimos meses "Poxa, por que não fiz isso antes?", mas a verdade é que eu não sei se teria dado certo se fosse antes e não agora e quem eu seria se não tivesse percorrido o caminho que percorri. Parte de estar em paz com o que vivi foi aprender a amar quem isso me tornou. Eu hoje vejo em mim qualidades valiosas, que eu gosto em mim e em qualquer pessoa que as tenha, que não sei se desenvolveria se meu caminho tivesse sido mais suave ou tivesse sido outro. Tirando a minha ansiedade, que hoje é menor mas ainda não está sob controle, tenho gostado de poder ter uma segunda chance, de ter me dado a oportunidade de começar tudo de novo. A vida pode ser melhor e mais proveitosa quando você se livra da culpa de não estar sendo o que esperam os outros e atende as suas próprias necessidades.