Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
domingo, 27 de março de 2011
Frase da Semana
By Martha Medeiros!
Você será o que sempre foi – e isso já é muito bom, pois presumo que você não seja nenhum contraventor, apenas não consegue dar conta de todos os seus bons propósitos, quem consegue? Às vezes não dá. Vá no seu ritmo, siga sendo quem é, não espere entrar numa cabine e sair de lá vestido de super-homem ou de supermulher. Deixe de fantasias. Deixe-se em paz.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Surfistinha
Estreou mês passado o filme da Bruna Surfistinha. Pensei em ver, mas como li uma crítica ruim e ouvi um comentário negativo de uma amiga minha, desisti. É o tipo de história que periga, e muito, cair em uma abordagem medíocre. Não fiquei surpresa com o resultado decepcionante.
Tenho mania de pensar sobre as motivações alheias, e um caso como o da ex-prostituta de classe média é - vamos admitir - intrigante. Eu poderia dizer que ser prostituta é uma vocação, como ser freira (não acredito que alguém permaneça nessa atividade contra a vontade, à exceção, claro, dos casos em que há tráfico de mulheres). A pessoa simplesmente é "inclinada a", e ponto. Mas o que faz um ser humano tolerar oito, às vezes 10 pessoas desconhecidas, por dia, fazendo sexo com ela? Não é algo usual na "fauna humana".
Fui, então, pro primeiro livro da Surfistinha, "O Doce Veneno do Escorpião". Muito melhor investigar lá do que no filme (fora que ninguém merece mais uma performance canastrona de La Secco, né?). Penso que poderia, com o perdão do trocadilho, ter sido um puta relato. Poxa, com tantos programas na lista, Bruna poderia ter explorado melhor as histórias dos clientes, ter contado mais sobre quem frequenta esse universo (não diz que quer ser psicóloga? Então!...). Ela basicamente conta a história dela resumidamente e faz comentários sexuais sobre meia dúzia de programas.
O que ficou latente foi uma vontade de chocar/agredir, derivada de uma carência afetiva profunda. A prostituição foi, também, uma vingança do meio social do qual, originalmente, ela não faz parte por ter sido abandonada pelos pais biológicos ("Se eu, que estou nesse meio degradante, vim da mesma classe média que você, então não dá para você se achar tão superior assim, afinal, como aconteceu comigo hoje, amanhã pode ser com você, sua irmã, ou sua filha"). Das vezes em que teve como clientes ex-colegas de colégio, fez questão de dizer quem era.
A prostituição também foi um canal de satisfação da vaidade. Se por um lado a atividade é degradante, na medida em que a mulher tem que ir com qualquer um e fazer qualquer coisa que esse lhe pedir (se bem que, a depender da competência da "prost", ela detém o comando da situação), por outro lado é lisonjeiro para a mulher, que tem na sua frente um homem que está precisando dela, que está pagando para transar com ela (não deixa de ser uma forma de humilhar o sexo oposto, o que pode fazer bem ao ego de algumas mulheres nesta posição. Em algumas passagens, Bruna deixa claro que é importante para ela ser escolhida pelo cliente). Ela fala o tempo todo em busca pela liberdade, mas interpretei essa escolha dela como uma busca por poder.
Como típica escorpiana, Bruna gosta de testar os limites - os dela e os das pessoas, para ver se aquilo é de verdade mesmo ou conversa fiada -, afinal "o que não mata, fortalece". Ela aprontou loucuras com a família adotiva (apesar de ter entendido o ponto de vista dela, de qualquer modo, creio que foi ingrata com os pais). E com ela mesma. A sorte é que teve força de vontade. Bruna poderia ter assinado o seu atestado de óbito, por exemplo, ao se envolver com droga, que é um troço difícil de largar.
A prostituição também foi um canal de satisfação da vaidade. Se por um lado a atividade é degradante, na medida em que a mulher tem que ir com qualquer um e fazer qualquer coisa que esse lhe pedir (se bem que, a depender da competência da "prost", ela detém o comando da situação), por outro lado é lisonjeiro para a mulher, que tem na sua frente um homem que está precisando dela, que está pagando para transar com ela (não deixa de ser uma forma de humilhar o sexo oposto, o que pode fazer bem ao ego de algumas mulheres nesta posição. Em algumas passagens, Bruna deixa claro que é importante para ela ser escolhida pelo cliente). Ela fala o tempo todo em busca pela liberdade, mas interpretei essa escolha dela como uma busca por poder.
Como típica escorpiana, Bruna gosta de testar os limites - os dela e os das pessoas, para ver se aquilo é de verdade mesmo ou conversa fiada -, afinal "o que não mata, fortalece". Ela aprontou loucuras com a família adotiva (apesar de ter entendido o ponto de vista dela, de qualquer modo, creio que foi ingrata com os pais). E com ela mesma. A sorte é que teve força de vontade. Bruna poderia ter assinado o seu atestado de óbito, por exemplo, ao se envolver com droga, que é um troço difícil de largar.
E por falar em difícil, descobri, ou melhor confirmei, que não dá mesmo para confiar na higiene desse povo do ramo sexual: Surfistinha confessou que usava o mesmo lençol em dois programas. Não deve ser muito diferente nos motéis (pensando bem, até nos hotéis. Arrrrgh!...). Melhor nem pensar nessas coisas. hehe...
quarta-feira, 9 de março de 2011
"Ê, São Paulo, ê, São Paulo..."
Finalmente, neste Carnaval, pisei em solo paulistano, após muito ouvir falar dessa cidade. Quase sempre mal, diga-se de passagem. Cheguei com o pé atrás. Saí com uma impressão muito melhor do que a que tinha até então. Quero voltar a São Paulo. Um bom motivo? Bem, como costuma dizer Cláudio, trata-se de uma cidade diversa. A reunião de várias tribos e etnias, as opções de atividades que oferece enchem os olhos, sim. Na Paulicéia Desvairada, as pessoas são educadas e eficientes e tudo é imenso e, principalmente, rápido. Dá vertigem. Mas, apesar de reclamar o tempo todo da lerdeza dos "salvadorenhos", no fundo, como dizia Nelson Rodrigues, "ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca". Não conseguiria morar lá.
Por exemplo, ao vivenciar cinco dias de "gincana" na estação de metrô, percebi o quanto o nosso transporte poderia ser melhor mas também o quão fundamental foi, nos meus tempos de estudante, não tê-lo como opção. No metrô, perderia dois dos meus maiores prazeres (e consolos diante do estresse dessa rotina): dormir no buzão e ver a paisagem (risos).
O visual da metrópole, aliás, é um caso à parte. Muito concreto, muito cinza, marginais feiosas... "Então", à primeira vista me pareceu uma cidade "encardida". Apesar da imponência de seus prédios, falta natureza, falta, enfim, beleza a São Paulo. E vendo isso, foi que percebi mesmo que essa tal de Salvador, que eu amo, é realmente "bonitinha mas ordinária" (tão charmosa!... que custava ser mais bem-cuidada, hein?).
Bem, seguem algumas fotos e mais detalhes sobre a viagem.
Sampa Crew: Luize Meirelles, Ingrid Campos y yo! "Agradecimento" especial à tradicional garoa paulistana, que nos acompanhou do começo ao fim.Estação Pinacoteca, Memorial da Resistência. Nossa presidente Dilma ficou presa nesta cela. Amigas que lá estiveram depois dela escreveram seu nome na parede (atrás da toalha branca) em homenagem.
Museu da Língua Portuguesa, um dos meus preferidos nesta viagem (outro maravilhoso é o Masp. Aliás, a Av. Paulista é toda massa!). Esse vulto sou eu! hehe...
Wall Street, Vila Olímpia. A ideia do bar é bem legal: conforme os clientes vão fazendo os seus pedidos, a cotação dos itens do cardápio sobe ou desce. Na foto, os primos de Ingrid.
OBS.: Perceberam uma luz esquisita no rosto de Luize e do rapaz? Pois é, "efeitos especiais" nos acompanharam durante a (as fotos) viagem. Essa luz será Jesus ou um flash muito do vagabundo?! Hummm...
Programa tipicamente paulistano: boate no sábado à noite. Não é muito a minha praia, mas gostei!
Museu do Ipiranga: acervo "meeiro" e um jardim belíssimo. Pense em 3 pessoas que andaram. Fomos nós nesta viagem! Sem contar as saídas noturnas, a média foi de 8 horas por dia. Meus pés voltaram só o bagaço (depois disso, o Caminho de Santiago foi definitivamente descartado da minha lista de possíveis viagens. hehe).
O lugar é mesmo grande à beça...
Lá embaixo, perto de um monumento, muitas pessoas praticam atividades físicas. Os skatistas são figuras habituais da área.
Na "balada" em Vila Madalena, na madrugada de terça, a galera caiu no samba. Neste dia eu não ri foi pouco, não: havia um bêbado se acabando de dançar (ou melhor, tentando fazê-lo). Houve um momento, durante uma música de axé, que ele se atrapalhou tanto nos movimentos que acabou foi dançando passos do Créu (O bar não cobrou couver, mas se o bebum me pedisse, pagaria de boa!). Hahaha... Aliás, nesta noite foi a primeira vez em que vi gente sem noção em São Paulo; já tava até ficando triste. De minha parte, digo que foi reconfortante. Encarei como um presente de aniversário da cidade para moi. :P
Outra "interna" entre mim e ela, neste dia, foi a última canção que a banda tocou: "Trem das Onze". Pra mim, essa música é a cara da cidade, a que mais me faz lembrá-la.
Ô Ingrid na pista...
Que mêda: minha alma quis sair do meu corpo bem na hora dos parabéns!... Nem Shyamalan conseguiria este efeito especial ("I see friendly people". :D)!
Meu "pequeno bolo" de aniversário! Estava uma delícia, aliás, como tudo que comi durante a viagem. Só fiquei ressentida com a falta de churros pelas ruas. :(
Ibirapuera. Pense em um parque enorme... Muito bom para passear com a família, mas é difícil ir até lá de transporte público.
É neste parque que fica o prédio onde acontece a Bienal. Ingrid ficou de boca aberta com o que viu, pena que estava fechado para visitação na terça de Carnaval. Ah, sim, uma reclamação: assim como boa parte dos museus deste parque, vários comércios fecharam durante esse feriado em SP. Nova Iorque brasileira? Não, não. Ao contrário da megalópole americana, que não dorme nunca, Sampa dá algumas boas cochiladas, sim, que eu vi!
A ponte do parque. Embaixo, uns patos feios e uma água bem sujinha.
São Paulo soube que o blog iria até lá nesse feriado e fez essa singela homenagem. ;)
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