Outro dia vi um depoimento de Paris Hilton sobre Britney Spears, de que ela está bem e feliz no México. Somos contemporâneas e eu lembro de uma menina bonita, cheia de energia e alegre na TV, portanto ver o pano de chão que ela se tornou, comparada a quem já foi, é de doer. Louca ou sobrevivente? Definitivamente a segunda opção, embora todo mundo só veja a primeira. Tão nova e já tão abusada. Pense que ninguém ao redor dessa mulher amou ela. Essa dor eu conheço. Mas no caso dela deve ser mais frustrante ainda. Ela foi no topo do mundo: a mais bonita, a mais querida, a mais famosa, super rica, super reconhecida e ninguém foi capaz de amá-la. O poder não conseguiu protegê-la. Vi um corte, outro dia no Instagram, do traste do ex-marido dela contando que Britney foi tanto quem paquerou ele quanto quem o pediu em casamento. Ele se gabando disso e ela murchando, sem graça do lado dele (está vendo aí a minha teoria sendo confirmada? Se o homem, que já faz tão pouco no relacionamento, não serve nem pra paquerar a mulher, tomar uma atitude, não vai ser depois que ele vai ser proativo.). Ninguém amou esta mulher, nem quem "deveria". Todo mundo, como ela mesma cantou, quis tirar um pedaço dela. O pai a dopou, o ex a explorou e humilhou, os filhos a desprezaram e só quiseram o dinheiro. E o mundo só via o símbolo sexual. Não é à toa que ela se preocupa em ser magra e fica semi nua rebolando no Instagram. Foi o que fez ela ter destaque no mundo. É triste. E é mais tenebroso ainda pensar que a avó dela passou quase pelo mesmo, e foi internada e descartada pelo pai do pai.
Esse era o nosso destino até pouco tempo, né? Se um homem estava insatisfeito com a gente, era só internar. Acho que é por isso que ser xingada de louca desce tão mal. É uma memória ancestral de estar sendo posta em perigo, desacreditada, humilhada, punida. O que as nossas antepassadas passaram, eu não sei, mas eu tenho certeza que coisas horríveis aconteceram e me fariam chorar se eu soubesse. É muito dolorido ser mulher. Tenho certeza que já vivi muitas vidas neste lado da cerca e que já fui muito mais insubordinada (dados sobre duas vidas passadas me fazem pensar isso), mas de tanto levar porrada, amansei. Traumatizei. Não quero mais, quero renascer homem, que é menos pior. Às vezes acho que as "boas mulheres" podem até não ter felicidade genuína, mas com certeza mais paz. É duro ser uma mulher consciente do seu lugar no mundo.
Britney ainda nasceu Afrodite. Eu li um livro sobre deusas e não vou mentir que a que mais me emocionou foi Afrodite. O ponto de vista do livro é que toda vez que você joga com uma só deusa, você vai ter problemas. Temos que dar espaço a todas que temos. Mas, quando só, a mais problemática é Afrodite. Ela, ainda muito jovem, é reconhecida pelo arquétipo e cresce com a ilusão de que é especial e amada porque os homens correm atrás dela. Mas a medida que ela passa pela vida adulta, se ela não se junta com outras deusas, ela é marginalizada e excluída - além de usada. Não tem lugar na cultura pra ela, justo ela, símbolo do prazer e do encantamento com a vida. Ela é a mulher mais interditada pelo patriarcado. Eu mesma, pra minha surpresa, combino Artemis e Atena com... Afrodite! Creia! A princípio, eu fiquei chocada, mas pensando nos meus instintos mais antigos, originais, eu tenho sim Afrodite, mas abafei ela conforme fui crescendo. Eu, criança, era a expressão da letra de "Exagerado". Vivia apaixonada. Ártemis continuou porque é forte demais em mim, mas Atena, a civilizada, dominou a cena. Ela é uma das favoritas do patriarcado, né? Talvez, inconscientemente, soubesse que era perigoso ser Afrodite e que não tinha estofo emocional para lidar com as consequências disso.


Nenhum comentário:
Postar um comentário