Ontem, pela milésima vez, estava com amigos (sem filhos), numa mesa do shopping e nos demos conta de como não é fácil ser pai e mãe. Tem que desejar muito mesmo. Estamos em um mundo que impõe tantas tarefas que uma vida só já gera B.O. demais, que dirá ser responsável por outra vida.
Da minha parte, além de estar nessa corrida do ratinho aí, eu já gastei energia psíquica demais com os outros, e de um modo improdutivo, com todas as pessoas erradas que eu podia eleger pra isso (péssima filha de Oxossi), sem falar nas que desde que nasci brotaram no meu caminho, e agora sinto que essa energia tem que se voltar pra mim, porque eu estou me devendo. Me devendo tanto que estou esgotada, quebrando a cabeça pra descobrir como essa energia pode voltar pra mim... Mas isso é outro papo.
Lamento bastante que muita gente (leia-se mulheres, que são a maioria com esse perfil) não faça qualquer autoanálise antes de ter filho. Vejo muita gente, bem intencionada inclusive, jogando suas carências nas crianças. Essa ideia de educação respeitosa - que eu acho boa - camufla muita gente traumatizada e não tratada que acha que educar é nunca causar frustração ou desconfoto ao filho. Ô, Deus... Eu conto ou você conta? Como diz uma amiga, a coisa que a vida mais nos impõe é limite e frustração. Melhor aprender a lidar com isso desde casa, de forma amorosa, do que com estranhos e rispidamente. Numa coisa eu concordo 1000%: a infância é a base. Cada vez ando mais cética quanto a reverter totalmente os efeitos de uma infância ruim ou capenga.
Mas essa falta de segurança e maturidade dos pais não tá boa, não. Chega a ser triste de ver. De outro modo, produziremos mais uma geração com problemas de base pro resto da vida.
Troca-se a geração, mudam-se os métodos e o problema continua o mesmo: adultos que não olham pra dentro e jogam seu lixo emocional nas pobres das crianças. Estou curiosa pra saber no que vai dar isso no futuro.
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