Acabei de assistir "Amy: the girl behind the name", documentário de 2015, de Asif Kapadia, que conta a história da cantora Amy Winehouse. Ela foi mais um caso de gente boa que não soube lidar com as próprias dores, deixando esse mundo cedo demais, aos 27 anos, em julho de 2011.
De acordo com o documentário, Amy era uma pessoa meiga, talentosa, mas bastante carente, alguém que nunca se recuperou da separação dos pais e, a partir desse desamparo, desenvolveu compulsões e comportamentos autodestrutivos. Em um trecho ela comenta que nunca foi abusada na infância, como infelizmente acontece com muitas crianças, mas que houve uma tristeza por causa dessa separação.
Temos duas observações a fazer aí: a primeira é a de que o trauma tem mais a ver com o modo como alguém sentiu o evento do que com o evento em si. A segunda é que um acompanhamento bem feito da menina Amy poderia, talvez, ter mudado radicalmente o curso da adulta. É importante que os adultos se esforcem para fazer esse rompimento da relação da forma mais respeitosa possível, pois a criança sente tudo, mas tem pouca clareza mental quanto ao que está sentindo. A tendência dos filhos, ao verem os pais sofrendo e se desentendendo, é achar que são os culpados, os responsáveis. E há, ainda, uma crença equivocada entre os adultos de que a juventude supera tudo, de que não há tristeza e depressão entre crianças e adolescentes. Ledo e Ivo engano...
Acrescida à falta de assistência familiar veio a pressão do estrelato e os altos e baixos de um relacionamento abusivo que a afundou mais ainda nas drogas e na bulimia, ambos problemas que remontavam à adolescência da artista.
É do octogenário (à época) e ídolo de Amy, com quem ela fez sua última parceria, Tony Bennett, a frase mais comovente do filme:
"Se ela estivesse viva, eu iria dizer: pare um pouco. Você é muito importante. A vida te ensina a viver se você conseguir viver o suficiente."
Ao que Bennett disse, acrescentaria: se sentir que não vai conseguir chegar até lá, não hesite em procurar ajuda.

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