domingo, 19 de janeiro de 2020

O que não nos faz desistir

É difícil especialmente depois de uma certa idade se autoestimular. Você já viu muito, às vezes até tudo. Achar sentido na vida é gostar da vida e pra isso é preciso ter um olhar curioso e criativo. Isso é um dom e é também sorte. Anne Frank foi uma prova disso.
Obviamente vejo muita gente velha, mais do que jovem, desapontada, sem olhar criativo para a vida. Não só porque as condições físicas pioram, mas porque é neste ponto que aquelas distrações que nos permitiam seguir com a vida, dar aquela bela empurrada com a barriga, acabam.
A pessoa passa anos jogando energia psíquica em cima do emprego, da criação dos filhos e de uma hora para outra tudo isso some e a pessoa fica sem nada porque esgotou toda sua energia em tudo, menos no exercício criativo de viver a própria vida. É mais fácil, né, achar graça nos outros que em si.
Ver o novo é tão importante que os vampiros, depois de séculos vendo e vivendo tudo, começam a enlouquecer, a não aguentar mais. Pessoalmente, acho uma tragédia que o ser humano viva cem anos. Teremos criatividade para tantos anos?
Precisamos, desde jovens, de uma vida interna, de um olhar criativo sobre a vida. Não que isso resolva tudo, mas sem fica muito mais difícil.
O que me faz persistir sou eu mesma. Fui empurrada para isso, não foi uma escolha, mas se o caminho foi pedregoso, o resultado foi benéfico. Eu quero sempre poder encontrar sentido em mim.

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