"Ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar...". Pois é, a onda agora é advogar contra os gatilhos, eventos comuns que podem desencadear mal estar em pessoas que sofrem algum trauma. Eu entendo a preocupação com gatilhos como a ansiedade provocada por uma cena de violência no cinema quando a pessoa sofreu violência. Em boa parte das vezes, dá pra fazer algo menos gráfico. Mas acontece que estão implicando com coisas da vida. "Não comemore Dia dos Pais porque isso faz mal a quem não tem pai presente".
Na moral, pra quem está na merda, quem morreu atropelado é uma ofensa, beijo de novela corta a alma, enfim, qualquer coisa vai servir de gatilho. Qualquer coisa mesmo. O problema está na pessoa, não na vida. Eu sei porque eu já me senti assim, fodida. E quem está mal não deve ficar vendo a vida dos outros nas redes sociais. Se você já acha que sua vida é ruim, vendo as dos outros essa sensação aumentará.
Um conhecido meu está se lamentando disso nas redes sociais. Dá vontade de dizer: "Bicho, seu lugar é na terapia e não aqui, contando coisas suas, íntimas, nas redes sociais". Mas se eu disser, vou ser insensível. Essa cartilha da empatia traz coisas boas e outras complicadas, das quais ninguém quer sequer falar.
Empatia funciona até a segunda linha. Os monstros, o vazio interno é nosso e em boa parte só a gente mesmo pra resolver.
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