Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sábado, 19 de outubro de 2019
Segunda Juventude
Minhas últimas sessões de terapia estão sendo ótimas para ter insights. Já narrei uns aqui. Eu acho engraçado porque praticamente falo das mesmas coisas, mas a conversa sempre acaba sendo analisada por um ângulo diferente. Eu tenho me sentido melhor que nunca. Quem tá de fora não vai ver, até porque, exteriormente, eu até regredi um pouco, haja vista que estou mais dura que antes (risos). Mas por dentro muitas coisas mudaram: eu consigo me ver de forma mais positiva, o que me levou a depender menos dos outros, e eu tenho a sensação de que, a despeito do caos lá fora, eu tô tomando mais as rédeas da minha vida. Vocês não sabem a felicidade que isso me traz.
Eu passei uma fase bem estranha na minha juventude, dos 17 aos 31 anos, em que simplesmente eu não sabia direito quem eu era, só o que não era, o que não me ajudava muito porque eu sabia o que evitar, mas não o que procurar. Passei uma fase de esgotamento, sensação de game over com uma série de cenários e situações, mas sem saber como cair fora daquele mundo que, afinal, foi o que eu com ou sem autoconhecimento construí para mim naqueles anos. Consegui um intervalo bem interessante para pôr as coisas no lugar entre 2016 e 2018 e por isso e outras coisas o mestrado foi importante para mim.
O que acontece, na prática, hoje em dia é que estou tendo que começar tudo de novo. É como se me fosse dada uma nova juventude, mas sem a prerrogativa social de poder errar. Vou ter que bancar isso sozinha, vou ter que correr alguns riscos, mas ando motivada a isso e por enquanto é tudo que importa. Sempre gostei daqueles filmes em que um personagem troca de corpo com o outro, ou que alguém volta ao seu passado. Gosto muito da perspectiva de olhar as coisas por um outro ângulo porque o bonito e o trágico da vida ao mesmo tempo é que só temos o nosso ponto de vista e o nosso tempo. Andei pensando várias vezes nos últimos meses "Poxa, por que não fiz isso antes?", mas a verdade é que eu não sei se teria dado certo se fosse antes e não agora e quem eu seria se não tivesse percorrido o caminho que percorri. Parte de estar em paz com o que vivi foi aprender a amar quem isso me tornou. Eu hoje vejo em mim qualidades valiosas, que eu gosto em mim e em qualquer pessoa que as tenha, que não sei se desenvolveria se meu caminho tivesse sido mais suave ou tivesse sido outro. Tirando a minha ansiedade, que hoje é menor mas ainda não está sob controle, tenho gostado de poder ter uma segunda chance, de ter me dado a oportunidade de começar tudo de novo. A vida pode ser melhor e mais proveitosa quando você se livra da culpa de não estar sendo o que esperam os outros e atende as suas próprias necessidades.
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