Outro dia falava com uma amiga sobre um amigo em comum.
Ok, isso não é nada nobre, mas, minha gente, vamos aceitar o fato de que a vida dos outros e reclamar é o que rende.
Bem, ela comentava que o fulano em questão estava demorando muito para tomar certas decisões.
Uma outra amiga diz que tudo pode acontecer a qualquer hora. E eu concordo com ela.
Mas eu sou da turma que acha que o seguro morreu de velho. Leia-se, uma ansiosa crônica.
Tenho uma tendência realista que beira ao pessimismo, eu sei.
E a minha experiência, aos 35 anos, diz que se para Deus nada é impossível, para o corpo as possibilidades vão diminuindo com o passar dos anos.
Contra algumas coisas não há muito como lutar. Meu prazo de validade, para ser mãe, por exemplo, vai até 2017. Não adianta, não me vejo com 60 anos levando gente de quinze ao show de rock.
Eu não quero me atropelar, não quero mais correr, mas sei perfeitamente que não é tempo de parar. Sabe aquele período que passei "giboiando" entre os 24 e os 28 anos, inerte, praticamente, porque perdida da Silva? Não rola mais não, gatos e gatas. "Hoje o tempo voa, escorre pelas mãos". Sinto que haverá uma diferença grande entre quem eu sou agora e daqui a dez anos em termos de possibilidades biológicas e sociais.
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Eu reparo que somos uma geração que espera demais da vida. Esperamos a onda perfeita, como se fôssemos eternos. Corremos o sério risco de envelhecermos amargurados. O ser humano tem necessidade de realizar. O que estamos realizando, afinal? Eu não estou satisfeita, mas se não estivesse em movimento, já teria me enforcado. Juro. Não dá mais para bancar esse tipo de ócio. Mexendo aqui e acolá, me ocupando até com o que não me agrada muito, vou movimentando minha energia, pelo menos, se não tenho direção, sinto alguma ação.
Botem fé, amigos, navegar é, sim, preciso. Quem não faz isso corre o sério risco de ficar encalhado na praia.
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