sábado, 26 de dezembro de 2009

Dura lex, sed lex


O Brasil inteiro está de coração partido pelo desfecho do caso Sean - menos eu. Quer dizer, sinto pelo menino, mas, me desculpem os sentimentalistas, não tô com pena da avó dele, não.
Eu tenho uma crença pessoal de que tudo que começa errado, termina mal. Tentar agredir a realidade é burrice, uma total perda de tempo. Exemplo: se eu invado um terreno e coloco cada centavo do suor do meu trabalho na construção de uma puta casa dentro dele, vou poder chorar quando o verdadeiro dono quiser reavê-lo? Eu acho que não. Eu saberia, nesse caso, que estaria correndo este risco; otária sou eu, errada sou eu. Vejo o caso do menino americano deste mesmo modo.
As lágrimas que a avó derrama agora são fruto da própria imprudência dela e não de uma suposta insensibilidade do pai biológico do garoto. Até a entendo: diante do choque de perder a filha tão prematuramente, ela quis reter consigo a coisa mais significativa que esta deixou no mundo - Sean. Mas não era direito dela. Mesmo com todas as críticas que tenho a fazer sobre a "raça masculina", tenho muita pena deles no que tange a esfera sentimental. A sociedade (pelo menos a brasileira, com certeza) acha que homem não tem sentimento, que o pai, em qualquer situação, deve pagar as contas, mas que este mesmo homem não tem lá muitos direitos sentimentais em relação aos filhos. O caso Sean revelou, de certo modo, que o machismo ainda está muito forte em nosso país - eis um caso de como o tiro pode sair pela culatra.

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