Outro dia alguém me disse que as empresas monitoram tudo o que o funcionário faz na internet. Há empresas que vão mais além e colocam câmeras distribuídas pelos espaços de trabalho. Algumas chegam ao cúmulo de as instalarem no banheiro... feminino! (risos)
Não estamos sós de jeito algum, a não ser que alguém se refira a solidão espiritual. Essa tem demais nesse século 21. "Todos os nossos movimentos são friamente acompanhados".
Eu fico me perguntando qual é a utilidade de saber tanto assim. No caso do ambiente de trabalho, por exemplo, já não bastaria que o sujeito faça seu trabalho bem? Se é para garantir que isso aconteça que passou a existir esse monitoramente nas empresas, pra quê, então, ainda existe cargo de chefia?
Quem procura, acha, e como dizia meu amado imortal, Nelson Rodrigues, há coisas que não se conta nem ao médium depois de morto. Há coisas que não devem, mesmo, serem descobertas. Qual é a utilidade de sabermos demais?? Trata-se de controle e paranóia autoritária ou é mesmo uma necessidade? Acho que isso mais gera amargura que produtividade. Quem confia em quem desconfia? Por outro lado, é difícil levar alguém a sério após muito saber sobre ele.
Ontem estava comentando com uma amiga que essa fase entre os 18 e 30 anos é a mais difícil da vida. Sin duda, chicos! Sabe por quê? É a etapa em que começamos a nos desiludir (é sempre bom ser desiludido - embora seja extremamente desagradável -, e livrar-se de idéias que, cedo ou tarde, nos colocariam em fria - eu, pelo menos, assim penso), na qual aprendemos como as coisas realmente acontecem no mundo adulto e passamos a "saber demais" sobre essa vida. Há de se ter muito amor no coração e uma mente límpida para continuar de cabeça erguida, com o ânimo inabalável e, principalmente, para não se tornar alguém sacana com o próximo, uma vez que "a vida é dura, ninguém vale nada mesmo e bonzinho só se dá mal". Às vezes penso que a máxima de Che - "Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás" - fala sobre isso: amadurecer (saber efetivamente) sem se entristecer. Saber demais pode trazer esse efeito. Faz em muitos casos, inclusive, a gente deixar de crer e justamente em coisas que são essenciais (esse é exatamente o último degrau antes da queda, na minha opinião).
Eu, de minha parte, já não quero mais saber demais; contento-me, agora, apenas com o suficiente.
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