quarta-feira, 22 de julho de 2009

Metamorfose


Aos poucos me desfaço de tudo aquilo que
De tanto pensar ser meu
Achava ser eu mesmo

Amigos que não valem o substantivo
Amores que não valem a essência
Sorrisos que não valem a verdade

Tudo despejado em balde morno
Onde procuro, ao olhar atento,
Tentar coar a beleza de cada coisa

Ao que emerge, vazio de significado
Ao que não mais respira em mim
Derramo num rio de curso calmo
Rumo a um mar de ondas frias
Que jamais irei me banhar



No destaque, Juju, sósia perfeita de Camila, a única coisa que perdi, na vida, e que ainda me faz falta (bom sinal: a vida tem até que pegado leve comigo). Mas não lamento: foi-se o pequeno corpo de cão, mas ficaram 15 anos de boas lembranças.
Viver é um ininterrupto trocar de cascas.

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