sábado, 11 de novembro de 2017

It´s hard

Eu tô desistindo.
Eu acho que duas ou três pessoas com as quais tenho mais contato me tratam como ser humano. E olha que tem é gente me cercando. O restante tá o tempo todo mais preocupado consigo do que conosco. Penso assim: devo ser o meu foco, já que sou a minha única companhia constante e, por isso mesmo, sou meu interesse maior e mesmo quando estou com os outros, só consigo pensar o mundo do meu lugar; mas, quando estou com outra pessoa ou em grupo, o interesse no que eu preciso, penso e quero tem que ser diluído entre os sentimentos e necessidades das minhas companhias. É assim que se troca, que todo mundo ganha um pouco e ninguém sai lesado da convivência.
Tenho claramente a visão de que não estou sendo vista, considerada e escutada pelas pessoas em meus relacionamentos.
E depois as pessoas reclamam da falta de amor, que só arranjam porcaria, etc. Mas como é que vai rolar coisa boa entre gente egoísta ou sem autoestima (em ambos os casos, o principal interesse é sugar dos outros, o que muda é se de forma ativa ou passiva)? Não rola, né?
Eu tô desistindo. É muito cansativo e pouco recompensador.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Nova portaria - Largando a síndrome de Mulher Maravilha

Este documento revoga o hábito de anos de se meter na vida dos outros sem ser solicitada, mesmo quando a vaca estiver visivelmente indo para o brejo, mesmo quando a visão da situação for clara. A partir de hoje, só mediante solicitação e análise prévia do caso. Afinal, a vida é só uma e eu tenho a minha para cuidar. E ninguém ajuda alguém que não deseja ser ajudado. Poupemos energia, elétrica e vital.
Salvador, 08 de novembro de 2017.

O homem invisível

Outro dia, num show, encontrei um cara que eu sei que é a fim de mim. Atração física e tosse são duas coisas difíceis de esconder. Eu gosto muito dele como pessoa, mas há zero atração. Sempre racional, disse a mim mesma, à guisa de me convencer de que estou sendo justa (e eu preciso? é seleção de mestrado?), que não rolava por causa dos dentes da criatura. Mas há algo nele que não "desce redondo". Não que ele tenha algum problema, mas algo nele se desconecta com o que eu quero.
Mas o que eu quero?! Só tenho uma noção pelos fragmentos, como nessa história, porque, confesso, nunca parei muito para pensar nisso. Mas deveria. Todos nós deveríamos, nem que fosse para reconhecer padrões negativos.

O que eu não quero (fica mais fácil pra começar):
Fume (inegociável)
Beba (além de socialmente)
"Beato" (e isso inclui só falar de futebol ou política)
Seja "descansado" demais, irresponsável, folgado
Seja estressado demais
Ganhe menos que eu, porque eu não consigo nem quero sustentar dois
Tenha problemas em assumir compromisso (que isso é coisa de gente superficial e eu odeio gente superficial)
Egoísmo
Seja desrespeitoso com as pessoas, especialmente com mulheres
Que não tenha valores sólidos
Que seja inflexível
Hipócrita
Que ache que tá me fazendo de besta, porque eu pesco de longe
Que não goste de ir pra restaurante ou não goste de viajar
Que odeie cachorro
Mesquinho
Sem higiene
Que fale muito ou não fale nada
Que seja ruim de toque, pouco carinhoso
Que seja de Direita e ache que não foi golpe (é sério)
Aceitamos burrinho, contanto que a bondade seja diretamente proporcional
Enfim, tô dispensando pobre de espírito, que todo o resto, estando vivo e disposto, dá-se um jeito

Quero...
Amor verdadeiro, porque é o único bom motivo
Bom caráter, porque eu sou
Atração física, que sou humana, não santa
Carinho, que eu gosto e sei fazer
Parceria, senão é melhor ficar só
Generosidade, que é pra não se ressentir no meio do caminho, porque eu sou generosa
Honestidade, afinal, é preciso confiar
Comunicação, já que "homens são de marte e mulheres, de vênus", é preciso querer se ajustar
Senso de humor, porque eu tenho
Valores parecidos, disso não abro mão
Responsabilidade, porque não sou mãe de ninguém
Sabedoria, pois eu preciso ter o que aprender
Sensibilidade, que ninguém merece "autista"
Atitude, porque, confesso, tenho desprezo por gente fraca
Ganha pontos: ser moreno, ter sorriso e mãos bonitos, cozinhar, ter voz bonita, trocar a resistência do chuveiro, tocar instrumento, fazer massagem, me dar carona, odiar Luciano Huck e Sandy e gostar de eventos culturais
Em suma, minha versão masculina, com a exceção dos opcionais, hehe.

Tudo isso aí é o ideal. Não sei se existe, onde mora e o que come. Mas uma coisa decidi: posso me decepcionar, estar até com um homem longe do ideal, mas ele vai ter que pelo menos me encher os olhos. Chega de dar bola a quem eu "deveria" e ainda quebrar a cara depois. Se é pra ter dor de barriga, que pelo menos a comida seja deliciosa. Mas eu gostaria mesmo é de um manjar dos deuses, de deixar a pança cheia e a alma satisfeita, hehe.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

The space between us

Parece bobagem, mas não é. A gente lida mal quando descobre que gente que a gente ama não compartilha do mesmo sentimento intenso sobre certas coisas. Parece que um cluster se apaga no outro, deixando ele um pouco menos luminoso aos nossos olhos. Com o tempo, a gente trabalha isso internamente, aprende a lidar, mas dá uma pontadinha de tristeza lááá no fundinho do coração.
Sabe o que cura isso? O amor. Só o amor.
Sim, tô ficando piegas e acho que sentir-se amado cura muita coisa, inclusive a distância entre duas pessoas. :)

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Fim de caso

Ontem, umas cinco pessoas do A TARDE foram postas na rua. A cidade, este nosso mercado, anda num desemprego só, então esse tipo de notícia dá um calafrio na espinha.
Isso e outras coisas me dão medo do futuro. Sério. E se a minha relação com a carreira já não andava gatinha, se já era desgastada, diante do que ando vendo este mercado fazer com os meus amigos, tô achando que o amor acabou. A atividade não é instigante mais, as empresas precarizam o trabalho - aliás, não tem trabalho - e até as pessoas do meio perderam a graça. Sabe aquela sensação de que já deu tudo que tinha que dar? Sou eu no Jornalismo.
Peço a Deus - e acho que ele vai me conceder - uma chance de começar de novo. Eu devia ter feito isso há dez anos. Paciência se só resolvi fazer isso agora. Mas vai ser legal. Recomeçar é trabalhoso, mas traz uma nova juventude à vida. Sinceramente, entendo, mas não entendo (risos) quem tem birra com reinícios. Ruim é ficar estagnado numa situação desestimulante.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Sobre os nodos sul e vidas passadas

Eu gosto de Astrologia. Começou no ano em que fui pra Brasília e me sentia muito sozinha. Entrei numa comunidade do Orkut, encontrei mestre Alexey, e comecei a me interessar. Não acho que um mapa determina a sua vida. Um mapa te ajuda a se conhecer.
Há muita, muita coisa para estudar. Muita mesmo. Um dos elementos são os nodos.
Todo mapa traz um nodo sul (que por signo e casa nos ajuda a ver o que aquele espírito acumulou de experiências em outras vidas) e um nodo norte (aquilo que veio para esta vida desenvolver). Vou usar meu exemplo para explicar.
Eu tenho nodo sul em aquário na casa 8 e nodo norte em leão na casa 2. Claramente, por ter leão (identidade e autoestima) e casa 2 (autovalorização, recursos materiais, valores materiais e morais), que minha lição é de independência. Como leão está envolvido, preciso ter autoestima, independência e desenvolver minha própria identidade. Com um passado aquariano, eu só me sinto forte agindo em grupo, dissolvida no meio da multidão, fazendo algo pelo coletivo (signo de ar é basicamente relacional, intelectual). Como minha casa do passado é a 8, eu vivia dos recursos alheios e devia usar de manipulação sentimental e sexual pra isso, talentos bem da casa 8, que é a de Escorpião. Então um erro clássico meu nesta encarnação é ficar dependendo do valor que os outros me dão pra me sentir bem, depender das parcerias pra viver, não focar no que é importante para mim. Toda vez que isso acontecer, eu vou me dar mal. Mas sempre foi a minha tendência.
Vejo isso em muitas pessoas que já fiz o mapa. É impressionante, mas vida dando errado equivale a repetição dos padrões do nodo sul.

***
É uma pena que boa parte das pessoas não sejam abertas a experimentar coisas novas. Há tantos caminhos que podem ajudar as pessoas a superar dificuldades internas... Mas as pessoas são muito teimosas, exageradamente racionais às vezes e não se permitem. Você sugere uma coisa nova e elas já acham que sabem tudo, que você não tem nada a acrescentar, que é tudo besteira.
É uma pena que o ser humano seja tão medroso e limitado.

Ho´oponopono

Jovens, não precisam envelhecer, apenas aprendam a meditar! Sério. Tem mudado a minha vida, e olha que só comecei há 45 dias.
A princípio, vai sentir que o texto é ridículo, uma perda de tempo. Mas vá, mesmo sem acreditar, mesmo sem sentimento. Aos poucos, os resultados vão aparecendo. Façam essa meditação, pra ontem!

domingo, 24 de setembro de 2017

A grande tentação de não precisar ser você mesmo

Frequentemente a gente acha que ter beleza, dinheiro e poder são bençãos. Minha amiga Ingrid, católica não tão praticante mas de essência (não tem jeito, hehe), sempre achou que são tentações fortíssimas. Ingrid tem razão.
É uma forte tentação, especialmente porque, superficiais que são, as pessoas julgam os outros pelo ter e não pelo ser. Quem tem o que eu quero - ou melhor, o que aprendi a querer - não pode ser infeliz. Ou pelo menos ninguém vai perceber. E, para quem tem, deve ser uma tentação e tanto deixar o que possui falar por si e poder se dar ao luxo de não crescer enquanto ser humano, de não precisar ser além das coisas que se tem. Porque ser dói e dá um trabalho dos infernos, que, aliás, nunca pára, apenas fica menos pesado, vai ganhando mais sentido.
Sim, pois nem beleza física é algo que realmente se tem, porque muitas vezes ela vai pelo ralo com a idade e a nossa sociedade não valoriza o pós-juventude, a sabedoria.
Desconfio que as tragédias que vemos no meio artístico, de gente sensacional que se suicida, tem a ver com esse abafamento do ser por causa do ter. Você quer ser visto, mas a sua imagem é suplantada pela sua carreira, pelo seu status e ninguém lhe trata como ser humano, mas como um mito, uma marca, duas coisas desprovidas de coração.
Eu já vinha com essa percepção por causa de gente próxima que mudou muito depois de ter melhorado (um pouco, nem foi algo "Uau") de vida. Mas isso ficou mais evidente a partir do caso de Ticiana. Em nome do aplauso alheio e de uma grande vaidade criada a partir desse reforço positivo da alta sociedade, ela se apagou como ser humano (porque alguém com vida interior teria percebido e reagido à situação na qual ela se meteu) e focou no status, nas coisas que o dinheiro e a fama podem proporcionar e que a distinguiam dos meros mortais. Ficou tão cega que nem calculou a aposta e agora quebrou a cara. Se ela tiver sorte, pode rever sua postura na vida e passar a investir em ser em vez de ter, mas daí vai depender do quanto essa preguiça de ser e a vontade de ter está enraizada na alma dela e do quanto ela é capaz de perceber que o que ela tem não é ela.
Muitas vezes a gente é o que ninguém vê, para o bem e para o mal.

Acho que não é coincidência que as pessoas mais fantásticas que conheço foram pessoas que passaram por privações, que, longe de receber reconhecimento, se viram obrigadas a apostar no "ser", a se desenvolver "na cara e na coragem". Raramente vi gente que viveu na bonança e obtendo reforço social positivo procurando se desenvolver como ser humano. É mais fácil acreditar no personagem e se acomodar. A gente tende à inércia; quem gosta de movimento é a alma, não o corpo ao contrário do que dizem. Só uns gatos pingados, sem talento para a autoenganação, que correm do prejuízo. Mas é raro, muito raro e começo a pensar que não é mesmo por acaso.

Se o homem amasse mulher como ama futebol

Xico Sá
23.09.13 - FSP

O que aconteceria se o homem, aqui vale o homem normal, a média dos homens -aquele cara simples, tarado por mulher, cerveja e futebol – gostasse tanto da sua amada como gosta do seu time do peito?
Seria uma revolução. Mudaria tudo. Tudo mesmo. Repare:
Para começar, o macho jamais deixaria a sua fêmea. Nunca, never. Homem que é homem muda de sexo mas não muda de time.
Mesmo quando ela se sentisse a pior das criaturas, por baixo mesmo, mesmo quando ela blasfemasse aos céus e se queixasse ao espelho que estava gorda e autoestima despencara.
Muito pelo contrário. Isso seria motivo para aumentar ainda mais o amor e até para renovar a paixão, com garantia eterna de fidelidade, como ocorre quando o time do homem cai para a Segundona do campeonato –“Eu nunca vou te abandonar, Corinthians”.
Se o homem gostasse da mulher pelo menos 50% como ama o seu time, nem uma bola nas costas, uma traição, como uma derrota incompreensível, seria motivo para o fim do relacionamento. No futebol, assim como no amor, tudo seria perdoável.
Se o macho normal gostasse da cria da sua costela como quem aprecia um Flu, um Fla,um São Paulo, um Peixe, um Palmeiras, um Bahia, um Santa Cruz, um Galo, um Grêmio, arranjaria tempo para ir com ela ao cinema ou jantar fora pelo menos duas vezes por semana –no mínimo empataria com o tempo que dedica ao clube.
Apreciasse sua mulher como é chegado ao futebol, o sujeito trocaria pelo menos uma mesa-redonda na tv por um conversa com a dama. Em vez da crise no Vasco, tentaria entender a derrota que virou seu casamento.
Se o Cruzeiro anda tão bem, brilha na dianteira do firmamento, por que não melhorar também, amigo,  a posição na tabela no jogo dentro e casa? Deixar tudo mais celeste, o amor azulzinho em um céu de brigadeiro?
Não sejamos exagerados. Bastaria dedicar 30% do que se devota ao time do peito. Teríamos uma mudança radical na vida dos casais.
Imagina se o torcedor do Goiás, caro Rogério Bueno, cantasse assim para aa namorada, como canta para o time esmeraldino: “Pra vencer tem que ser guerreiro/ Pra te ver sou sempre o primeiro…”
O cara é capaz de morrer por um triunfo do Furacão, do Coxa ou do Sport, o cara chora pelo Botafogo, o cara come toda a água do planeta pelo Vitória, o timbu deixa o lar doce lar para ir sofrer em São Lourenço da Mata…
Se o homem gostasse tanto da sua mulher como gosta do seu clube o domingo seria outro. Quando o time fosse derrotado, ele se confortaria no amor e no sexo da princesa. Não é o que acontece. A desgraça no futebol o inviabiliza na cama. É batata.
No caso da mulher doente por futebol, mesmo uma corintiana, creio que a relação seja outra. Na alegria ou na tristeza clubística, ela é a mesma. Consegue separar o desejo com o amado do placar domingueiro.
Como diria meu amigo Nick Hornby, não há termômetro que entenda o macho e essa febre de bola.

domingo, 17 de setembro de 2017

Não tem nada a ver

As pessoas veem as coisas como naturalmente excludentes. Nem sempre. Estar mal emocionalmente não quer dizer que sua capacidade de julgamento esteja comprometida. É possível estar mal e pensar bem. Uma vez, se não me engano, dr. Contardo Calligaris escreveu sobre isso e eu postei aqui no blog.
Na verdade, a gente recebe agressões e baques o tempo inteiro. Acontece que quando alguém está emocionalmente forte, cria uma barreira entre a percepção e a reação. Ou seja, algo o atinge, mas está forte para segurar a própria onda. Quando a gente é criança, não seguramos a nossa reação. Ser adulto é apenas aprender a sentir sem reagir, a manter a compostura e apanhar com dignidade. Uma pessoa depressiva, por exemplo, vai perder essa couraça de adulto, vai voltar a ter a sensibilidade, a fragilidade de criança, mas isso não necessariamente (arrisco dizer que não acontece na maioria dos casos) inabilita a percepção dela da realidade. Se formos fazer um flashback, vamos nos recordar que em situações com gente nesse estado, o que realmente choca é a fragilidade emocional da figura, não a incapacidade dela de julgar a realidade. Alguém que chega ao extremo do suicídio não está errado em achar que a vida é uma merda. Verdade: a gente mais tem problema que recompensa. O que choca é a falta de resistência emocional pra lidar com isso.
O que aprendemos hoje, turma? Que cabeça e coração não estão necessariamente ligados. Saber não implica em sentir.

Instruções para relacionamentos longevos

1) Seja um boneco de posto.

Que foi? Só tem essa!

Não é à toa que o relacionamento com bonecos de forma humana já começa a virar febre. Nada mais contemporâneo. As pessoas do século 21 só querem direitos e nenhuma responsabilidade; só o "venha nós" e nada de "vosso reino". Nada de críticas, discordâncias, empatia e concessões em favor da relação. Realmente, pra durar, nestas condições, só mesmo com um não humano.
Meu drama básico em relacionamentos: as pessoas só pensam em si e eu quero que a gente jogue em grupo. Mas as pessoas acham que não são obrigadas. Concordo, ninguém é, mas se você gosta de alguém, está implícito que o bem estar desse alguém também deva entrar na conta. Como assim estamos juntos e o que eu preciso, o que eu quero não é levado em conta?!
Eu não consigo acreditar que quem gosta de mim não me enxerga. Ok, talvez não consiga me enxergar completamente, mas também não me enxergar totalmente é sinal de desamor. É sinal de que o outro não te afeta. Se é pra agir egoisticamente, anda só, pô, mas não me rouba a solidão sem me dar nada em troca, como dizia o poeta. De onde é que as pessoas tiram que os outros vão topar ser plateia a vida inteira, vão dar sem querer receber algo em troca? Afeto é cultivo, como tudo na vida. Só gente narcisista pra entrar numa egotrip dessa.
Enfim, folks, nesse mundo de crianças mimadas, só deixando mesmo o humano de lado pra ser "feliz". Querer tratamento de gente é mais ofensivo do que mandar a pessoa tirar a roupa em público, ao que parece.


sábado, 16 de setembro de 2017

Isn´t she lovely?!


Essa sou eu com quatro anos, entre minhas irmãs Flávia (esq) e Renata, no nosso apartamento em Brasília. Diga aí, eu sou a mais massa dessa foto, né? Até uns cinco anos de idade, eu era fantástica mesmo: fofa, beijoqueira, apaixonada, solidária (provavelmente, esse dente da frente que está faltando foi o que perdi tentando salvar um colega de outro, que o prendeu na gangorra), animada, amante dos animais, brincadeiras na rua e televisão. E ainda era uma figura, saía com cada uma, que até hoje meu pai gosta de lembrar das histórias. 
Meus sobrinhos são ótimos, mas nenhum se saiu a mim, infelizmente. 
Olha, se Deus me prometesse uma de personalidade igual, eu até me arriscaria a ser mamãe. E ia ter o maior orgulho da minha pimpolha fofa!...

Relacionamentos abusivos

Finalmente eu entendi. Sempre estive em relacionamentos abusivos, all of my life. 
Olhando para trás, eu topei muita coisa que não queria, silenciei quando queria falar, só para barganhar um amor (que nunca veio, de fato) de gente que eu gostava, que era meu apoio emocional, mas que não estava nem aí para mim na mesma intensidade. E por que só percebi agora? Porque o abuso toma diversos disfarces. O meu era o da "satisfação do grupo". Eu dizia "sim" para coisas que não me agradavam pela harmonia da maioria, para unir pessoas, para tentar ser justa, achava feio tentar sobrepor a minha vontade, mas, por outro lado, ninguém me perguntava o que queria, o que eu queria não era lembrado, considerado. Claro, internamente, secretamente, eu ficava com muita raiva. Nada pior do que amar e não ser amado. Até porque o amor é o seu melhor e você não dá para qualquer um.
O ideal é aprender a ser só antes de estar junto. Estou começando a achar que nenhuma relação prospera pra quem precisa, para quem não sabe realmente ficar sozinho. E não é fácil.
Não é muito culpa de ninguém, no fundo, porque é todo mundo miserável, meio carente, no final das contas. Mas ficarei mais atenta a mim mesma. Os que não me enxergam... Não passarão!

domingo, 10 de setembro de 2017

Agora a brincadeira vai ser outra

Chega! Cansei de dar murro em ponta de faca.
Se o que eu quero não acontece, o jeito é parar de querer. Bora ficar em paz. Vamos aprender a ficar quieta, a não se perturbar.
Daí eu entro no WikiHow - Amo! rs - para pegar umas dicas de como lidar com esse vazio interior. Olha que mara, que fácil:
1. Preencha a vida com amor.
Aqui ele me manda me cercar de pessoas que me amam e me aceitam como eu sou. 😞😬
2. Faça um novo amigo ou comece um novo relacionamento amoroso 😲😳
Oh, binho, era o que eu mais queria, achar a minha turma...
3. Adote um animal de estimação.
Enfim, uma dica ao meu alcance... Só que não. Teria que morar sozinha pra isso, mas tá nos planos ter um bichinho.
4. Seja bondoso com os outros.
É uma boa ideia, mas a não ser que se vire uma Madre Teresa e se tome isso como norte existencial, não enche barriga. Ainda não cheguei lá, estou ainda no estágio em que dou, mas quero também receber.

Resumindo, todas as opções dependem da colaboração dos outros e isso não é fácil.
Olha, vou meditar, que eu ganho mais.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Coisa estranha

É estranha a minha capacidade de me sentir estrangeira em algumas situações. Ontem foi dia de confraternização com a galera do Póscom. Eu fui, mas estava super cansada - aliás, eu ando muito cansada, e isso tá me dando um pouco de desgosto; eu gosto de estar produtiva, mas com calma, até porque isso faz uma diferença tremenda na minha produção, no resultado final. Gostei, as pessoas são e foram ótimas, mas eu não consigo me sentir confortável. Eu sinto que ser como eu sou não é bem visto, as pessoas querem quem lacra, quem é show man. Nessas ocasiões de grupo, se dá bem quem não tem pudor e vai lacrar. Eu sou sempre eu mesma, não tenho uma persona pra essas ocasiões. Sei lá, acho que eu tenho um jeito que não é o de cá. Às vezes queria me mudar, na moral, porque acho que Salvador não combina comigo.

Boy bands

Eu acho que já disse aqui que 2017 me rendeu saudades dos anos 90. Acho que porque eu voltei pra faculdade e porque eu entrei na faculdade justo em 1999. Eu gostava dos anos 90, mais do que gostei dos anos 2000. Eu acho que, além de sentir falta de uma época em que o futuro ainda prometia, eu sinto falta de um mundo menos pulverizado em que coisas nos uniam.
Uma delas, se não a principal, era a televisão. Todo mundo sabia as mesmas coisas e ao mesmo tempo. Todo mundo tinha os mesmos ídolos e isso reforçava laços. Hoje os saberes e gostos estão muito pulverizados. Não que isso seja ruim, pelo contrário, mas nos desuniu mais. Eu acho.
Me reencontrei com as minhas boy bands outro dia, por acaso, topando com um clip do Dominó no Youtube. Ouvi a semana inteira. Deu saudade. Sempre gostei de boy bands, de grupos de música pop. A coisa começou quando eu tinha 4 anos, por causa de minha irmã oito anos mais velha, louca pelos Menudos, que já me perguntava: "De qual deles você gosta mais?". Ricky, claro, que eu acho lindo até hoje. Depois segui Dominó - e eu gostava do moreno, Nill -, daí veio o New Kids On The Block, que desapareceram rapidamente e, no meio dos anos 90, vieram as Spices, Back Street Boys, N´Sync, Britney, Beyonce e eu vivia grudada na MTV - como eu sinto falta do que era essa emissora! Era muito massa!
Olhando para trás, vejo função nesses grupos juvenis. Eles são um ensaio para quem você quer ser e que tipo de homem você quer na vida. Sim, cada um deles faz um tipo: um é o romântico, o outro é o descolado, tem o líder, o caçula, o classudo e por aí vai. O tipo que você mais valoriza tem a ver com os seus valores, com quem você é e cultuá-los te prepara para os ups e downs do amor, porque o ídolo também é gente e às vezes é capaz de te decepcionar - geralmente escolhendo namorar uma mulher que você nunca seria capaz de ser, hehe.
Eu tenho um pouco de pena das meninas de 13 anos de hoje. Elas não tiveram amores platônicos. Em uma geração de "manda nudes", não há muito espaço para o sonho, a imaginação, a espera. É tudo imediato, "ou dá ou desce". Não que a sexualidade seja ruim, mas eu acho que tudo tem a sua hora e eles estão queimando etapas.
Quem vai querer saber de boy bands agora?
💗

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Por que é tão difícil ser feminista?

Quando eu falo de feminista, digo não no sentido mesmo do movimento, mas de se pôr em pé de igualdade.
Na prática a teoria é outra. A gente sabe o que não deve fazer, mas faz, é mais forte que a razão. Por que a gente se inferioriza tanto? Por que a gente, ao contrário, combate tanto? Por que não conseguimos simplesmente ser?

domingo, 13 de agosto de 2017

Eu não sei aceitar

Aceitação é um problema pra mim.
Eu sou calma, mas eu tenho espírito de briga. Desde pequena, nunca aceitei um "não" em paz, sempre briguei por um "sim". Isso já me fez muito bem, isso já me fez muito mal. Eu gostaria muito de aprender a aceitar, porque eu acho que isso tornaria a vida mais leve.
Bem, uma colega de mestrado está com um trabalho muito legal, empolgante mesmo, sobre um caso ocorrido na Argentina, de uma mulher indígena e pobre que teve um aborto involuntário e foi parar na cadeia. A bizarrice deu origem a uma campanha no Twitter e a moça, após dois anos de prisão, foi libertada.
Fico muito puta de ainda passarmos por isso em 2017. Fico revoltada com o tanto de relacionamentos abusivos que as mulheres suportam. Me dói profundamente, mais do que posso expressar, cada feminicídio que eu vejo na mídia. Se os homens engravidassem, aborto não seria problema. Porque filho tem que ser uma coisa muito desejada, senão pode até nascer, viver, mas pode dar em muita merda, pra mãe e pra criança.
Eu não aceito que a gente passe pelo que passa só pelo fato de sermos mulheres.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Casa de ferreiro, espeto de pau

Meninos, eu sempre digo:
Saber não é sentir
E sentir não implica necessariamente em querer.
Você pode achar uma coisa correta, nobre, mas ser traído pelos próprios sentimentos. E sentir às vezes não quer dizer que você quer.
Coração de ser humano é assim e o de mulher, então, nem se fala.
Não é fácil ser feminista. Às vezes parece que a gente fala pra se auto convencer.
É tão comum ver mulheres progressistas no discurso cedendo ao contrário dos seus ideais na vida privada... Tão comum que vou provar com um exemplo dos mais clássicos: a mulher livre que cresceu com um pai infiel e na vida adulta só se envolve com homens casados. Você sabe que não é certo, mas cede à tentação. Não quer ser fraca como a mãe, mas acaba sendo por outra via, a da amante, que nada mais é que a mulher que chamava a atenção de papai.
Por isso, acho complicado se dizer desconstruído e coisas afins. Essas coisas não se dão por decreto e não se curam nunca. São ideais e, como ideais, estão fadados a nunca serem concretizados.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Epifania 3

Olhando um clipe de uma artista afro, caiu a ficha: não dá pra gostar desses artistas muito descolados porque parecem fakes. Soa a montagem, a personagem, você não vê a pessoa, só a arte dela mesmo, incluindo o que ela apresenta como ela mesma. Claro que ninguém é natural havendo pelo menos um par de olhos como testemunha. Mas eu curto gente genuína, a naturalidade, o desarranjo. Algo tipo Zeca Pagodinho me diz muito mais.