As pessoas veem as coisas como naturalmente excludentes. Nem sempre. Estar mal emocionalmente não quer dizer que sua capacidade de julgamento esteja comprometida. É possível estar mal e pensar bem. Uma vez, se não me engano, dr. Contardo Calligaris escreveu sobre isso e eu postei aqui no blog.
Na verdade, a gente recebe agressões e baques o tempo inteiro. Acontece que quando alguém está emocionalmente forte, cria uma barreira entre a percepção e a reação. Ou seja, algo o atinge, mas está forte para segurar a própria onda. Quando a gente é criança, não seguramos a nossa reação. Ser adulto é apenas aprender a sentir sem reagir, a manter a compostura e apanhar com dignidade. Uma pessoa depressiva, por exemplo, vai perder essa couraça de adulto, vai voltar a ter a sensibilidade, a fragilidade de criança, mas isso não necessariamente (arrisco dizer que não acontece na maioria dos casos) inabilita a percepção dela da realidade. Se formos fazer um flashback, vamos nos recordar que em situações com gente nesse estado, o que realmente choca é a fragilidade emocional da figura, não a incapacidade dela de julgar a realidade. Alguém que chega ao extremo do suicídio não está errado em achar que a vida é uma merda. Verdade: a gente mais tem problema que recompensa. O que choca é a falta de resistência emocional pra lidar com isso.
O que aprendemos hoje, turma? Que cabeça e coração não estão necessariamente ligados. Saber não implica em sentir.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
domingo, 17 de setembro de 2017
Instruções para relacionamentos longevos
1) Seja um boneco de posto.
Que foi? Só tem essa!
Não é à toa que o relacionamento com bonecos de forma humana já começa a virar febre. Nada mais contemporâneo. As pessoas do século 21 só querem direitos e nenhuma responsabilidade; só o "venha nós" e nada de "vosso reino". Nada de críticas, discordâncias, empatia e concessões em favor da relação. Realmente, pra durar, nestas condições, só mesmo com um não humano.
Meu drama básico em relacionamentos: as pessoas só pensam em si e eu quero que a gente jogue em grupo. Mas as pessoas acham que não são obrigadas. Concordo, ninguém é, mas se você gosta de alguém, está implícito que o bem estar desse alguém também deva entrar na conta. Como assim estamos juntos e o que eu preciso, o que eu quero não é levado em conta?!
Eu não consigo acreditar que quem gosta de mim não me enxerga. Ok, talvez não consiga me enxergar completamente, mas também não me enxergar totalmente é sinal de desamor. É sinal de que o outro não te afeta. Se é pra agir egoisticamente, anda só, pô, mas não me rouba a solidão sem me dar nada em troca, como dizia o poeta. De onde é que as pessoas tiram que os outros vão topar ser plateia a vida inteira, vão dar sem querer receber algo em troca? Afeto é cultivo, como tudo na vida. Só gente narcisista pra entrar numa egotrip dessa.
Enfim, folks, nesse mundo de crianças mimadas, só deixando mesmo o humano de lado pra ser "feliz". Querer tratamento de gente é mais ofensivo do que mandar a pessoa tirar a roupa em público, ao que parece.
Que foi? Só tem essa!
Não é à toa que o relacionamento com bonecos de forma humana já começa a virar febre. Nada mais contemporâneo. As pessoas do século 21 só querem direitos e nenhuma responsabilidade; só o "venha nós" e nada de "vosso reino". Nada de críticas, discordâncias, empatia e concessões em favor da relação. Realmente, pra durar, nestas condições, só mesmo com um não humano.
Meu drama básico em relacionamentos: as pessoas só pensam em si e eu quero que a gente jogue em grupo. Mas as pessoas acham que não são obrigadas. Concordo, ninguém é, mas se você gosta de alguém, está implícito que o bem estar desse alguém também deva entrar na conta. Como assim estamos juntos e o que eu preciso, o que eu quero não é levado em conta?!
Eu não consigo acreditar que quem gosta de mim não me enxerga. Ok, talvez não consiga me enxergar completamente, mas também não me enxergar totalmente é sinal de desamor. É sinal de que o outro não te afeta. Se é pra agir egoisticamente, anda só, pô, mas não me rouba a solidão sem me dar nada em troca, como dizia o poeta. De onde é que as pessoas tiram que os outros vão topar ser plateia a vida inteira, vão dar sem querer receber algo em troca? Afeto é cultivo, como tudo na vida. Só gente narcisista pra entrar numa egotrip dessa.
Enfim, folks, nesse mundo de crianças mimadas, só deixando mesmo o humano de lado pra ser "feliz". Querer tratamento de gente é mais ofensivo do que mandar a pessoa tirar a roupa em público, ao que parece.
sábado, 16 de setembro de 2017
Isn´t she lovely?!
Essa sou eu com quatro anos, entre minhas irmãs Flávia (esq) e Renata, no nosso apartamento em Brasília. Diga aí, eu sou a mais massa dessa foto, né? Até uns cinco anos de idade, eu era fantástica mesmo: fofa, beijoqueira, apaixonada, solidária (provavelmente, esse dente da frente que está faltando foi o que perdi tentando salvar um colega de outro, que o prendeu na gangorra), animada, amante dos animais, brincadeiras na rua e televisão. E ainda era uma figura, saía com cada uma, que até hoje meu pai gosta de lembrar das histórias.
Meus sobrinhos são ótimos, mas nenhum se saiu a mim, infelizmente.
Olha, se Deus me prometesse uma de personalidade igual, eu até me arriscaria a ser mamãe. E ia ter o maior orgulho da minha pimpolha fofa!...
Relacionamentos abusivos
Finalmente eu entendi. Sempre estive em relacionamentos abusivos, all of my life.
Olhando para trás, eu topei muita coisa que não queria, silenciei quando queria falar, só para barganhar um amor (que nunca veio, de fato) de gente que eu gostava, que era meu apoio emocional, mas que não estava nem aí para mim na mesma intensidade. E por que só percebi agora? Porque o abuso toma diversos disfarces. O meu era o da "satisfação do grupo". Eu dizia "sim" para coisas que não me agradavam pela harmonia da maioria, para unir pessoas, para tentar ser justa, achava feio tentar sobrepor a minha vontade, mas, por outro lado, ninguém me perguntava o que queria, o que eu queria não era lembrado, considerado. Claro, internamente, secretamente, eu ficava com muita raiva. Nada pior do que amar e não ser amado. Até porque o amor é o seu melhor e você não dá para qualquer um.
O ideal é aprender a ser só antes de estar junto. Estou começando a achar que nenhuma relação prospera pra quem precisa, para quem não sabe realmente ficar sozinho. E não é fácil.
O ideal é aprender a ser só antes de estar junto. Estou começando a achar que nenhuma relação prospera pra quem precisa, para quem não sabe realmente ficar sozinho. E não é fácil.
Não é muito culpa de ninguém, no fundo, porque é todo mundo miserável, meio carente, no final das contas. Mas ficarei mais atenta a mim mesma. Os que não me enxergam... Não passarão!
domingo, 10 de setembro de 2017
Agora a brincadeira vai ser outra
Chega! Cansei de dar murro em ponta de faca.
Se o que eu quero não acontece, o jeito é parar de querer. Bora ficar em paz. Vamos aprender a ficar quieta, a não se perturbar.
Daí eu entro no WikiHow - Amo! rs - para pegar umas dicas de como lidar com esse vazio interior. Olha que mara, que fácil:
1. Preencha a vida com amor.
Aqui ele me manda me cercar de pessoas que me amam e me aceitam como eu sou. 😞😬
2. Faça um novo amigo ou comece um novo relacionamento amoroso 😲😳
Oh, binho, era o que eu mais queria, achar a minha turma...
3. Adote um animal de estimação.
Enfim, uma dica ao meu alcance... Só que não. Teria que morar sozinha pra isso, mas tá nos planos ter um bichinho.
4. Seja bondoso com os outros.
É uma boa ideia, mas a não ser que se vire uma Madre Teresa e se tome isso como norte existencial, não enche barriga. Ainda não cheguei lá, estou ainda no estágio em que dou, mas quero também receber.
Resumindo, todas as opções dependem da colaboração dos outros e isso não é fácil.
Olha, vou meditar, que eu ganho mais.
Se o que eu quero não acontece, o jeito é parar de querer. Bora ficar em paz. Vamos aprender a ficar quieta, a não se perturbar.
Daí eu entro no WikiHow - Amo! rs - para pegar umas dicas de como lidar com esse vazio interior. Olha que mara, que fácil:
1. Preencha a vida com amor.
Aqui ele me manda me cercar de pessoas que me amam e me aceitam como eu sou. 😞😬
2. Faça um novo amigo ou comece um novo relacionamento amoroso 😲😳
Oh, binho, era o que eu mais queria, achar a minha turma...
3. Adote um animal de estimação.
Enfim, uma dica ao meu alcance... Só que não. Teria que morar sozinha pra isso, mas tá nos planos ter um bichinho.
4. Seja bondoso com os outros.
É uma boa ideia, mas a não ser que se vire uma Madre Teresa e se tome isso como norte existencial, não enche barriga. Ainda não cheguei lá, estou ainda no estágio em que dou, mas quero também receber.
Resumindo, todas as opções dependem da colaboração dos outros e isso não é fácil.
Olha, vou meditar, que eu ganho mais.
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Coisa estranha
É estranha a minha capacidade de me sentir estrangeira em algumas situações. Ontem foi dia de confraternização com a galera do Póscom. Eu fui, mas estava super cansada - aliás, eu ando muito cansada, e isso tá me dando um pouco de desgosto; eu gosto de estar produtiva, mas com calma, até porque isso faz uma diferença tremenda na minha produção, no resultado final. Gostei, as pessoas são e foram ótimas, mas eu não consigo me sentir confortável. Eu sinto que ser como eu sou não é bem visto, as pessoas querem quem lacra, quem é show man. Nessas ocasiões de grupo, se dá bem quem não tem pudor e vai lacrar. Eu sou sempre eu mesma, não tenho uma persona pra essas ocasiões. Sei lá, acho que eu tenho um jeito que não é o de cá. Às vezes queria me mudar, na moral, porque acho que Salvador não combina comigo.
Boy bands
Eu acho que já disse aqui que 2017 me rendeu saudades dos anos 90. Acho que porque eu voltei pra faculdade e porque eu entrei na faculdade justo em 1999. Eu gostava dos anos 90, mais do que gostei dos anos 2000. Eu acho que, além de sentir falta de uma época em que o futuro ainda prometia, eu sinto falta de um mundo menos pulverizado em que coisas nos uniam.
Uma delas, se não a principal, era a televisão. Todo mundo sabia as mesmas coisas e ao mesmo tempo. Todo mundo tinha os mesmos ídolos e isso reforçava laços. Hoje os saberes e gostos estão muito pulverizados. Não que isso seja ruim, pelo contrário, mas nos desuniu mais. Eu acho.
Me reencontrei com as minhas boy bands outro dia, por acaso, topando com um clip do Dominó no Youtube. Ouvi a semana inteira. Deu saudade. Sempre gostei de boy bands, de grupos de música pop. A coisa começou quando eu tinha 4 anos, por causa de minha irmã oito anos mais velha, louca pelos Menudos, que já me perguntava: "De qual deles você gosta mais?". Ricky, claro, que eu acho lindo até hoje. Depois segui Dominó - e eu gostava do moreno, Nill -, daí veio o New Kids On The Block, que desapareceram rapidamente e, no meio dos anos 90, vieram as Spices, Back Street Boys, N´Sync, Britney, Beyonce e eu vivia grudada na MTV - como eu sinto falta do que era essa emissora! Era muito massa!
Olhando para trás, vejo função nesses grupos juvenis. Eles são um ensaio para quem você quer ser e que tipo de homem você quer na vida. Sim, cada um deles faz um tipo: um é o romântico, o outro é o descolado, tem o líder, o caçula, o classudo e por aí vai. O tipo que você mais valoriza tem a ver com os seus valores, com quem você é e cultuá-los te prepara para os ups e downs do amor, porque o ídolo também é gente e às vezes é capaz de te decepcionar - geralmente escolhendo namorar uma mulher que você nunca seria capaz de ser, hehe.
Eu tenho um pouco de pena das meninas de 13 anos de hoje. Elas não tiveram amores platônicos. Em uma geração de "manda nudes", não há muito espaço para o sonho, a imaginação, a espera. É tudo imediato, "ou dá ou desce". Não que a sexualidade seja ruim, mas eu acho que tudo tem a sua hora e eles estão queimando etapas.
Quem vai querer saber de boy bands agora?
Uma delas, se não a principal, era a televisão. Todo mundo sabia as mesmas coisas e ao mesmo tempo. Todo mundo tinha os mesmos ídolos e isso reforçava laços. Hoje os saberes e gostos estão muito pulverizados. Não que isso seja ruim, pelo contrário, mas nos desuniu mais. Eu acho.
Me reencontrei com as minhas boy bands outro dia, por acaso, topando com um clip do Dominó no Youtube. Ouvi a semana inteira. Deu saudade. Sempre gostei de boy bands, de grupos de música pop. A coisa começou quando eu tinha 4 anos, por causa de minha irmã oito anos mais velha, louca pelos Menudos, que já me perguntava: "De qual deles você gosta mais?". Ricky, claro, que eu acho lindo até hoje. Depois segui Dominó - e eu gostava do moreno, Nill -, daí veio o New Kids On The Block, que desapareceram rapidamente e, no meio dos anos 90, vieram as Spices, Back Street Boys, N´Sync, Britney, Beyonce e eu vivia grudada na MTV - como eu sinto falta do que era essa emissora! Era muito massa!
Olhando para trás, vejo função nesses grupos juvenis. Eles são um ensaio para quem você quer ser e que tipo de homem você quer na vida. Sim, cada um deles faz um tipo: um é o romântico, o outro é o descolado, tem o líder, o caçula, o classudo e por aí vai. O tipo que você mais valoriza tem a ver com os seus valores, com quem você é e cultuá-los te prepara para os ups e downs do amor, porque o ídolo também é gente e às vezes é capaz de te decepcionar - geralmente escolhendo namorar uma mulher que você nunca seria capaz de ser, hehe.
Eu tenho um pouco de pena das meninas de 13 anos de hoje. Elas não tiveram amores platônicos. Em uma geração de "manda nudes", não há muito espaço para o sonho, a imaginação, a espera. É tudo imediato, "ou dá ou desce". Não que a sexualidade seja ruim, mas eu acho que tudo tem a sua hora e eles estão queimando etapas.
Quem vai querer saber de boy bands agora?
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
Por que é tão difícil ser feminista?
Quando eu falo de feminista, digo não no sentido mesmo do movimento, mas de se pôr em pé de igualdade.
Na prática a teoria é outra. A gente sabe o que não deve fazer, mas faz, é mais forte que a razão. Por que a gente se inferioriza tanto? Por que a gente, ao contrário, combate tanto? Por que não conseguimos simplesmente ser?
Na prática a teoria é outra. A gente sabe o que não deve fazer, mas faz, é mais forte que a razão. Por que a gente se inferioriza tanto? Por que a gente, ao contrário, combate tanto? Por que não conseguimos simplesmente ser?
domingo, 13 de agosto de 2017
Eu não sei aceitar
Aceitação é um problema pra mim.
Eu sou calma, mas eu tenho espírito de briga. Desde pequena, nunca aceitei um "não" em paz, sempre briguei por um "sim". Isso já me fez muito bem, isso já me fez muito mal. Eu gostaria muito de aprender a aceitar, porque eu acho que isso tornaria a vida mais leve.
Bem, uma colega de mestrado está com um trabalho muito legal, empolgante mesmo, sobre um caso ocorrido na Argentina, de uma mulher indígena e pobre que teve um aborto involuntário e foi parar na cadeia. A bizarrice deu origem a uma campanha no Twitter e a moça, após dois anos de prisão, foi libertada.
Fico muito puta de ainda passarmos por isso em 2017. Fico revoltada com o tanto de relacionamentos abusivos que as mulheres suportam. Me dói profundamente, mais do que posso expressar, cada feminicídio que eu vejo na mídia. Se os homens engravidassem, aborto não seria problema. Porque filho tem que ser uma coisa muito desejada, senão pode até nascer, viver, mas pode dar em muita merda, pra mãe e pra criança.
Eu não aceito que a gente passe pelo que passa só pelo fato de sermos mulheres.
Eu sou calma, mas eu tenho espírito de briga. Desde pequena, nunca aceitei um "não" em paz, sempre briguei por um "sim". Isso já me fez muito bem, isso já me fez muito mal. Eu gostaria muito de aprender a aceitar, porque eu acho que isso tornaria a vida mais leve.
Bem, uma colega de mestrado está com um trabalho muito legal, empolgante mesmo, sobre um caso ocorrido na Argentina, de uma mulher indígena e pobre que teve um aborto involuntário e foi parar na cadeia. A bizarrice deu origem a uma campanha no Twitter e a moça, após dois anos de prisão, foi libertada.
Fico muito puta de ainda passarmos por isso em 2017. Fico revoltada com o tanto de relacionamentos abusivos que as mulheres suportam. Me dói profundamente, mais do que posso expressar, cada feminicídio que eu vejo na mídia. Se os homens engravidassem, aborto não seria problema. Porque filho tem que ser uma coisa muito desejada, senão pode até nascer, viver, mas pode dar em muita merda, pra mãe e pra criança.
Eu não aceito que a gente passe pelo que passa só pelo fato de sermos mulheres.
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Casa de ferreiro, espeto de pau
Meninos, eu sempre digo:
Saber não é sentir
E sentir não implica necessariamente em querer.
Você pode achar uma coisa correta, nobre, mas ser traído pelos próprios sentimentos. E sentir às vezes não quer dizer que você quer.
Coração de ser humano é assim e o de mulher, então, nem se fala.
Não é fácil ser feminista. Às vezes parece que a gente fala pra se auto convencer.
É tão comum ver mulheres progressistas no discurso cedendo ao contrário dos seus ideais na vida privada... Tão comum que vou provar com um exemplo dos mais clássicos: a mulher livre que cresceu com um pai infiel e na vida adulta só se envolve com homens casados. Você sabe que não é certo, mas cede à tentação. Não quer ser fraca como a mãe, mas acaba sendo por outra via, a da amante, que nada mais é que a mulher que chamava a atenção de papai.
Por isso, acho complicado se dizer desconstruído e coisas afins. Essas coisas não se dão por decreto e não se curam nunca. São ideais e, como ideais, estão fadados a nunca serem concretizados.
Saber não é sentir
E sentir não implica necessariamente em querer.
Você pode achar uma coisa correta, nobre, mas ser traído pelos próprios sentimentos. E sentir às vezes não quer dizer que você quer.
Coração de ser humano é assim e o de mulher, então, nem se fala.
Não é fácil ser feminista. Às vezes parece que a gente fala pra se auto convencer.
É tão comum ver mulheres progressistas no discurso cedendo ao contrário dos seus ideais na vida privada... Tão comum que vou provar com um exemplo dos mais clássicos: a mulher livre que cresceu com um pai infiel e na vida adulta só se envolve com homens casados. Você sabe que não é certo, mas cede à tentação. Não quer ser fraca como a mãe, mas acaba sendo por outra via, a da amante, que nada mais é que a mulher que chamava a atenção de papai.
Por isso, acho complicado se dizer desconstruído e coisas afins. Essas coisas não se dão por decreto e não se curam nunca. São ideais e, como ideais, estão fadados a nunca serem concretizados.
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Epifania 3
Olhando um clipe de uma artista afro, caiu a ficha: não dá pra gostar desses artistas muito descolados porque parecem fakes. Soa a montagem, a personagem, você não vê a pessoa, só a arte dela mesmo, incluindo o que ela apresenta como ela mesma. Claro que ninguém é natural havendo pelo menos um par de olhos como testemunha. Mas eu curto gente genuína, a naturalidade, o desarranjo. Algo tipo Zeca Pagodinho me diz muito mais.
Quem disse?
Tomando uma cerveja com o povo do Póscom, uma colega, muito gente fina, começou a contar sua trajetória profissional, que incluía artista nacionalmente conhecida, um programa esportivo, intercâmbio na Europa e uma oportunidade na África. Todo mundo, com os seus 20 e tantos anos e vida praticamente acadêmica, ficou boquiaberto... e meio melancólico, do tipo: "E eu? Que merda fiz da minha vida?".
Confesso que até eu fiz uma retrospectiva mental, mas me livrei rápido porque essa coisa andarilha não é algo genuíno meu, embora eu goste muito de viajar, de conhecer coisas novas. Mas até nas viagens, tem uma hora que quero voltar pra minha casa, pro meu aconchego, pra minha rotina. Sair por aí, pra mim, é uma fuga no meio da rotina, algumas vezes no ano, mas não é o que me preenche. E é bem por aí: a coisa vista como a mais maravilhosa do mundo pode não te preencher.
Já me deparei com gente muito agitada e com um vazio enorme, latente. Já vi gente muito tranquila e que de tão preenchida, transbordava. O movimento pelo movimento não é interessante. Claro, ele vai te levar a algum lugar, mas pode ser um lugar que não te interessa, que não te acrescenta grande coisa frente ao desgaste que você vai ter. Às vezes evoluímos mais na quietude. É possível ter uma vida ordinária e cheia de significado.
Por isso, só vale a pena ir ou ficar se for algo do seu coração, genuíno. Minha colega fofa e experiente do início da história, inclusive, ressaltou isso ao final: se for seu sonho, se for seu sentimento, batalhe. É isso. O caso é que nem todos vão querer a mesma coisa e isso precisa ser respeitado. O caso é que nem todos vão descobrir isso e vão correr como o cão atrás do caminhão.
Quem disse que existe uma receita pra felicidade?
Quem disse que existe uma receita pra felicidade?
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Você não precisa namorar (ou noivar, ou casar ou qualquer coisa assim)
PS.: Eu, que adoro uma teoria, achei o argumento do texto muito bom. Sentimento é um negócio difícil de botar na caixinha.
Talvez seja culpa do instinto humano que busca categorizar e taxonomizar tudo, talvez seja resultado de séculos de doutrinação social, talvez seja até influência de todas aquelas madrugadas viradas jogando Super Mario, mas a verdade é que crescemos acreditando na vida como um sistema de fases.
Sim, fases. Etapas.
Aspectos da vida que se seguem e obrigatoriamente levam um ao outro, como em uma progressão natural definida antes mesmo de nascermos e que estamos obrigados a, no decorrer da nossa existência, seguir. Escola leva pra faculdade, que leva para um trabalho, que leva para a luta por um cargo, uma sala, uma mesa de frente pra uma vista que pode ser a do fundo descascado do outro prédio, mas que é sua.
Casa dos seus pais leva pra sua casa, que leva pra sua casa de casado, que leva pra uma casa com seus filhos, que leva talvez pra um sítio ou casa de praia, se tudo der certo, se você tiver conseguido aquela sala e aquela mesa do parágrafo anterior. A bicicleta de moleque vai te levar pra um carro que vai te levar pra um carro maior, que vai te levar para aquela picape de levar os meninos para o sítio -- também, tudo depende daquela sala -- e por aí vai.
Essa visão de etapas, de progressão lógica, que existe em todos os aspectos da sua vida também se aplica, é claro, ao aspecto pessoal dela. Sua ficada deve, em tese, se for boa, resultar em um namoro, namoro esse que deve chegar a um noivado que, claramente, vai virar um casamento, uma família padrão, em perguntas do tipo “mas e quando vocês vão dar pra gente um netinho, hein?” feita por tias idosas para quem você quer responder “e quando você vai cuidar da sua vida?”, mas não responde porque fica chato, ia destruir o clima da festa de final de ano, não ia ser bacana.
E essa progressão não faz, é claro, o menor sentido.
Primeiro porque, como bem sabemos, é sempre uma péssima ideia organizar pessoas, que são seres complexos e absolutamente distintos entre si, dentro de categorias ou processos rígidos e comuns. Conforme o tempo foi passando, descobrimos que quase todas as caracterizações e dicotomias que conhecíamos são restritivas, cruéis ou apenas erradas.
São mais de duas orientações sexuais, nem todo mundo precisa de 8 horas de sono pra ficar legal de manhã, não é todo relacionamento que precisa ser composto por duas pessoas, tem gente que acha os Beatles uma banda bem merda, uma série de dogmas e definições que a gente tinha como claras, mas com o tempo foi aprendendo que eram bem mais fluidas do que poderíamos imaginar.
Mas ainda assim, e mesmo sendo a nossa umas das gerações que mais lidou com quebras de paradigmas sociais até hoje, ainda é fácil ver que muitos de nós se sentem num certo nível propensos a tomar decisões na vida pessoal menos por sentirem genuinamente o impulso necessário e mais porque acreditam que seja isso que se espera deles.
Experimente falar com seus amigos casados e ver quantos deles não casaram “porque já estavam juntos fazia um tempo” ou porque “já tava passando da hora”. Veja quantos casais de namorados você não conhece que brotaram da mais pura inércia: “ah, a gente ficou duas vezes, ele continuava voltando aqui em casa, achei mais fácil dar uma cópia da chave pra ele”, ou porque queriam continuar apenas ficando mas se sentiam desconfortáveis em admitir isso, já que “se tá ficando esse tempo todo então é um namoro”.
Vai ser um número maior do que você imagina, mais do que gostaria e avantajado perante o que aqueles filmes do Telecine Touch tentaram fazer você acreditar.
Porque a verdade é que sentimentos são únicos, particulares e, por isso mesmo, impossíveis de categorizar. Você pode gostar muito de alguém e querer essa pessoa por perto, mas não querer ser exclusiva, e isso não invalida o seu sentimento e nem quer dizer que um goste menos do outro, apenas quer dizer que -- querendo os dois o mesmo tipo de relacionamento -- ele vai ser diferente do que se considera padrão.
Uma boa ficada não precisa necessariamente se desenvolver num namoro, da mesma maneira que um ótimo namoro não precisa resultar em casamento. Existem pessoas que poderiam ficar juntas para sempre se morassem em casas diferentes, mas um arrancaria a cabeça do outro em dois dias se resolvessem viver juntas.
E muitas vezes é essa necessidade de categorizar e de “progredir” nos relacionamentos que acaba fazendo com que as pessoas percam coisas boas.
Se ele não quer namorar contigo, não presta. Se ela não se sente pronta pra casar depois de 5 anos, não te ama. Se vocês estão ficando desde abril, mas ninguém falou em namoro, é porque não se gostam e mais diversas outras conclusões que tentam encaixar o que as pessoas sentem dentro de fórmulas e de necessidades que as vezes não são reais nem mesmo para aquele que saiu magoado da jogada.
Não, não estou dizendo que, para namorar ou para casar, você precisa estar sentindo níveis x de vontade ou y de necessidade de estar perto daquela pessoa, porque isso seria tentar também categorizar os relacionamentos alheios e me tornar uma versão romântica daquela tia chata da festa, coisa que acho melhor evitar.
Mas apenas que, em um assunto tão absolutamente pessoal quanto nossas decisões de teor romântico, é sempre importante lembrar que as vontades que realmente importam são as nossas e as das pessoas de quem gostamos e não algum ideal de relacionamento de amigos, conhecidos ou parentes. Mesmo porque, se a sua tia ficar te importunando com coisas assim, você sempre pode apenas acelerar o passo e ir pra outro cômodo da festa, dificilmente ela vai te alcançar naquele andador.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Mestrado
Confesso, me deu vontade de desistir.
Eu sempre tendo a resistir, mas a carne tá ficando mole, é a PVC (Porra da Velhice Chegando). Faltam as forças, a motivação. Quero deitar em posição fetal.
Quero uma vida mais tranquila. Agosto nunca é fácil e agosto de final de semestre promete ser muito menos. Deus me ajude!
É a última vez que me meto numa dessa. 😠
Eu sempre tendo a resistir, mas a carne tá ficando mole, é a PVC (Porra da Velhice Chegando). Faltam as forças, a motivação. Quero deitar em posição fetal.
Quero uma vida mais tranquila. Agosto nunca é fácil e agosto de final de semestre promete ser muito menos. Deus me ajude!
É a última vez que me meto numa dessa. 😠
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Game Over
Perdi minha consulta, na última sexta, mas ganhei uma longa e proveitosa conversa com um velho amigo. E uma epifania: uma determinada relação da minha vida chegou ao fim. Não tem nada a ver. É hora de tirar o time de campo.
domingo, 30 de julho de 2017
Preguiça
"A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda."
(Mario Quintana)
Família goiana não é família baiana, eu sempre digo aqui em casa e para algumas seletas pessoas de fora. Pense nos mineiros, naquela coisa conservadora, temerosa, quieta, exigente. Sim, somos nós, os suplentes dos filhos da terra de Aleijadinho.
Entre os valores que nós temos, está o trabalho. Duro, que seja. Pecado é ter preguiça. Virtuoso é quem é humilde e trabalhador. Em minha casa, nunca vi minha mãe parar de trabalhar, com exceção de quando ela teve problemas hormonais e teve depressão severa. Nem a empregada trabalhava direito lá em casa, pois minha mãe achava que tinha que dar o exemplo. Meu pai nunca admitiu faltar um dia de trabalho na vida. Em 15 anos, eu não me lembro. Doente, manco, em coma, com a mulher doente, ele ia. Aliás, minha mãe odiou quando ele se aposentou justamente por isso, porque ela não gostava daquele homem improdutivo. Dizia abertamente que ele tinha se tornado um preguiçoso.
Nem as pessoas mais tortas da minha família ousam ter a preguiça, de tanto que isso está incrustrado na nossa criação. Os agregados "boa vida" são mais apedrejados pelas línguas ferinas que Madalena na passagem bíblica.
Só me senti melhor que os outros, aqui na Bahia, uma vez na vida, quando meu professor de História, filho de espanhóis, confessou que dormia no carro, entre uma escola e outra, porque seus pais interpretariam esse descanso como vadiagem.
O lado bom disso é que me deu um senso de compromisso, mas, por outro, eu acabo levando a cabo coisas que eu não quero por causa desses "Tem que". E se não estou produzindo, me sinto culpada. Vadia. Menor. Eu não sei descansar, não tenho ócio, tô sempre arrumando alguma coisa para fazer. Como são mais coisas intelectuais, me sinto, indiretamente, julgada pela família, porque eles, que não sabem o que é estudar hoje em dia, pensam que é fácil. Ninguém nunca me disse frontalmente, mas todo o discurso aqui em casa leva a crer que estudar é luxo, esnobismo e coisa de gente preguiçosa, que não quer encarar a vida. Resultado: estou sempre cansada, fazendo mais do que meu corpo suporta (meu corpo, porque, pela mente, faria o triplo) e sempre frustrada com a minha preguiça.
Paradoxalmente, acho as pessoas da minha família preguiçosas. Eles são ótimos em sobreviver, mas não querem nada além de casa e comida. Mesmo minha irmã que ficou rica. Mesmo a outra irmã, que está morando na Europa, com muitas facilidades culturais. Mesmo minha tia com mestrado, só fica bitolada em miudezas, não tem vontade de se expandir. Mesmo minha prima mais ambiciosa, a ambição dela é totalmente externa, não prevalece a vontade de se tornar um ser humano melhor.
Eu preciso e adoro ser produtiva, mas odeio me sentir máquina, um bicho, um burro de carga, explorada, sem vida, sem subjetividade. Mas tenho que confessar: eu detesto as coisas do dia a dia, odeio atividade mecânica, odeio ter que dar manutenção ao corpo toda hora, queria viver no mundo dos Jetsons em que as máquinas até escovam os nossos dentes. Entre outros motivos, esse é um dos que me fazem não querer ter filhos. Crianças exigem muito isso, rotina, coisinhas pra fazer, eternas atividades de manutenção daquele pequeno corpo. Eu não aguento nem com o meu. Vou ficar pra titia. Quero me ocupar, ser produtiva, nas coisas importantes. Não me venham com mesquinharias. Em parte, além de natureza, acho que tomei pavor disso por causa das neuras de minha mãe com casa, com isso e aquilo.
Não tem jeito, vou andar com essa culpa da preguiça para sempre. Mas vou começar a fazer a "oração" de Mário Quintana, pra ver se me consolo.
sexta-feira, 28 de julho de 2017
Trauma
Além de tudo, tenho a "sorte" de ter epifanias sobre mim mesma. Só esta semana, descobri que realmente sou back trank na hora de dizer as coisas, quando perco a paciência e, há algumas horas, que tenho tendência ao trauma. Take a look na definição:
É um tipo de dano emocional que ocorre como resultado de um algum acontecimento. Pressupõe uma experiência de dor e sofrimento emocional ou físico.
Glória Perez tem que botar um personagem psicopata em toda novela dela. É o trauma com Guilherme de Pádua. Ok, perder um filho é uma dor imensurável, mas ela perdeu outro. A diferença é que foi por doença, como Deus quis. A dor de Daniela não se resume à morte, mas inclui a traição, a mentira e, graças ao sistema brasileiro, a injustiça. Eu nunca passei por algo do tipo na vida, mas nunca aprendi a lidar com traição, mentira e especialmente injustiça. La reina del trauma. Deus, me poupe, que a pele, o coração aqui se ouriça fácil.
terça-feira, 25 de julho de 2017
Ressignificar
Gisele* postou uma homenagem ao marido, que morreu há dois anos e meio. Hoje completariam 37 anos de casados. Linda homenagem... aos olhos de quem não conheceu o casal. Não consegui curtir justamente porque eles fizeram um dos piores casamentos que já vi, muito abusivo, pura depreciação da mulher. Ele só não bateu nela, mas de resto... Por fim, ele ficou muito doente, mas mesmo assim ele não parou de torturar. Só que ela descobriu muita coisa errada que ele fez. A raiva desceu e ela não soube lidar. Foi a vez dela de humilhar, torturar ele. Por fim, morreu e ela se viu sozinha (já viu relacionamento abusivo gerar amizades, afetos ao redor?). A solidão e o arrependimento das grosserias ditas e feitas nos últimos meses desceu para o coração e ela caiu no fundo do poço. Chorava sem hora nem lugar. Hoje está bem, refez contatos, fez amizades, enfim, está tocando bem a vida.
Ouvir ela falando bem de um cara sádico me fez ficar com raiva. Eu, que curto até a mosca que passa no Facebook, não consegui. Me desculpe, mas não dá para ratificar tamanha falsidade. Ela ainda não entendeu o que fizeram com ela? Ou ela não quer dar o braço a torcer? Ou, quem sabe, ela está se forçando a ressignificar a experiência ruim, focando nas coisas boas? Eu não sei, não perguntarei e nunca saberei. Mas, apesar de gostar da ideia da compaixão, não gosto nem um pouco dessa mania feminina de querer perdoar a qualquer custo. Não é justo.
* nome fictício
domingo, 23 de julho de 2017
Admiração e indiferença
Era uma vez uma amiga, muito amiga, mas que tinha valores/atitudes incompatíveis com o que eu acho certo e despertava meu pior lado (sim, isso existe. tem gente que aciona seu melhor lado, tem gente que traz à tona seu pior e esse era o caso dela). A pessoa se aproveita da intriga de outra, que não gostava de você, para piorar a situação, ainda se fazendo de vítima (pior do que estar errado é ainda querer tirar onda de certo. eu me recuso a conversar, a negociar, com quem não consegue nem fazer o exercício da autocrítica). Você decide puxar o carro e procurar sua turma, e acaba realmente achando pessoas mais afins. Anos mais tarde, com a mágoa superada, resolve reativar a amizade. O tempo prova que "pau que nasce torto, nunca se endireita", e você perde de vez a admiração. Na verdade, se toca que a pessoa é pobre de espírito, não lhe acrescenta nada e só lhe aborrece. Lógico, como a criatura é difícil, o fim se dá de forma infantil e turbulenta. No fundo, você lamenta, porque não quer mal a ninguém, apenas não quer mais, como canta Lulu Santos, no entanto, mais no fundo ainda, até que vê serventia nisso, porque a coisa ficou tão feia que é impossível cair na tentação de dar uma terceira chance que, obviamente, ia acabar em briga de novo, porque a incompatibilidade é latente.
Dei essa volta toda para contar que, realmente, percebi que funciono, preciso, tenho que admirar quem tenho por perto. Eu, quando perco o respeito, fico desaforada; a língua vira chicote. Eu, sem qualquer pingo de admiração, estou lidando com o outro como se fosse um morto vivo: não escuto, não vejo, não sinto. É bizarro, mas vou te confessar: é libertador. Ainda mais para uma pessoa como eu, apegada, que sofro pra me desligar, mesmo de coisas/pessoas das quais preciso me afastar, apenas pela força do hábito, pela exigência interna de conciliação e resiliência (tô ficando de saco cheio dessa última parte). A pessoa do parágrafo anterior lançou um trabalho. Mandou trailer no grupo da turma. O marido me marcou na página do tal trabalho - nunca saberei se por descuido ou para provocação, mas isso não importa. E eu? Nem aquela curiosidade raivosa, de quem tem no outro um desafeto, eu tive. Nem pra ver se é ruim eu quis abrir o link. Indiferença total. Pode ir para Hollywood, que não me interessa. A pessoa, em si, já é broxante, nada mais a salva.
Outro dia, uma "mulé" que quis disputar um cara comigo há muitos anos atrás (coisa que eu não faço nem morta, me recuso a dar esse cartaz todo a quem quer que seja), me viu em um bar depois de muito, muito tempo. Faz anos que ela não está mais com o Fulano, mas fez questão de "ir duas vezes ao banheiro", em menos de 30 minutos, para ver como eu estava, se estava pior ou melhor que ela. Eu fingi que nem estava vendo. Nem comentei com minhas amigas. Ela sacou e, por fim, quietou a bunda na cadeira. Comportamento bem típico da pessoa pequena que ela é, o que passa batido por causa do status social que acumula e que as pessoas, ao que parece, valorizam (aquele velho papo sobre privilégio de raça e classe). Uma coitada; por dentro é mesquinha, bobinha, feita de vaidade. Olha a que a criatura se presta! Não dá, gente, nem para brigar com uma pessoa dessa. É muita mesquinhez, não tá no meu nível. Aliás, ela mesma, com a atitude dela, concorda com isso. Se não se sentisse por baixo perto de mim, não se daria ao trabalho de ficar me medindo. Fiquei feliz com a constatação, naquele dia, que aquele passado, aquela pessoa, já não me mobiliza. Só quero distância.
Gente, isso é muito legal. Recomendo a todos essa libertação. Indiferença rules!
Outro dia, uma "mulé" que quis disputar um cara comigo há muitos anos atrás (coisa que eu não faço nem morta, me recuso a dar esse cartaz todo a quem quer que seja), me viu em um bar depois de muito, muito tempo. Faz anos que ela não está mais com o Fulano, mas fez questão de "ir duas vezes ao banheiro", em menos de 30 minutos, para ver como eu estava, se estava pior ou melhor que ela. Eu fingi que nem estava vendo. Nem comentei com minhas amigas. Ela sacou e, por fim, quietou a bunda na cadeira. Comportamento bem típico da pessoa pequena que ela é, o que passa batido por causa do status social que acumula e que as pessoas, ao que parece, valorizam (aquele velho papo sobre privilégio de raça e classe). Uma coitada; por dentro é mesquinha, bobinha, feita de vaidade. Olha a que a criatura se presta! Não dá, gente, nem para brigar com uma pessoa dessa. É muita mesquinhez, não tá no meu nível. Aliás, ela mesma, com a atitude dela, concorda com isso. Se não se sentisse por baixo perto de mim, não se daria ao trabalho de ficar me medindo. Fiquei feliz com a constatação, naquele dia, que aquele passado, aquela pessoa, já não me mobiliza. Só quero distância.
Gente, isso é muito legal. Recomendo a todos essa libertação. Indiferença rules!
segunda-feira, 17 de julho de 2017
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