quarta-feira, 1 de agosto de 2007

"Profissão Repórter" sintetiza linguagem do cinema moderno

PEDRO BUTCHER
CRÍTICO DA FOLHA

A câmera se afasta do corpo de Jack Nicholson, deitado na cama de um hotel vagabundo em um vilarejo espanhol; passa pela janela do quarto, passeia pelo pátio onde carros estão estacionados e se detém em alguns personagens, antes de retomar seu movimento lento, quase imperceptível, para então voltar ao quarto e ao corpo do ator -cujo personagem, agora, está morto.
Essa imagem, que está nos minutos finais de "Passageiro: Profissão Repórter" (1975), tornou-se uma espécie de síntese do cinema moderno -além de fetiche de muitos cinéfilos, cineastas e técnicos, que até hoje tentam desvendar seu virtuosismo técnico (a câmera, entre outra proezas, "atravessa" uma cerca sem que haja cortes).
Mas essa imagem é emblemática não só por ser um plano-seqüência virtuoso, na grande tradição inaugurada por Orson Welles, mas principalmente por conter em si as características mais importantes do cinema moderno: a imagem que incorpora o tempo (recusando o corte da montagem) e o chamado extra-campo, ou seja, aquilo que está fora do quadro.
A "informação" mais importante desse plano para a compreensão narrativa do filme está fora da imagem. É o som do tiro que mata o personagem de Nicholson. Antonioni chegou a dizer que só criou esse plano para não precisar mostrar o assassinato: "A idéia de vê-lo morrer me aborrecia".Um tiro que não se vê e que dá fim à vida "dupla" do personagem central, um repórter que, lá no começo do filme, assumiu a identidade de um traficante de armas. "Trama" que resume uma aflição presente até hoje em tantos filmes, mas que raramente encontrou expressão tão "precisa" -cuja força está, justamente, em sua imprecisão.

Sem medo do silêncio

Antonioni não tem medo do silêncio e do vazio, ou seja, das lacunas que fazem parte da nossa experiência de mundo, mas que o cinema, até então, recusava-se a enxergar.
Esse modo de ver se expressa em um trabalho de câmera genial, que nos obrigou a ver o cinema com novos olhos e transformou Antonioni em um cineasta de assinatura inconfundível, presente até em seus filmes mais recentes, como o criticado episódio do longa "Eros" ou o genial curta "O Olhar de Michelangelo".
Se Antonioni tivesse filmado apenas esse plano em toda sua vida, o fim de "Passageiro: Profissão Repórter" já teria justificado sua importância como cineasta. Mas a sua obra comporta muitas outras imagens marcantes que, de alguma forma, fazem parte do imaginário contemporâneo, como os corpos no deserto e as explosões fragmentadas de "Zabriskie Point" ou a névoa industrial que toma conta da imagem e faz desaparecer a atriz Monica Vitti em "Deserto Vermelho". Imagens que permanecem.

Famosos falam de Antonioni

Sabe que eu nunca vi um filme de Antonioni? Morro de vontade de ver "Blow-up" por causa de um conto de Julio Cortazar que li e fiquei sabendo que serviu de base para o roteiro desse filme.
Puxa, cá entre nós, Deus tá dando um fim mesmo no século XX.
Quando Dercy morrer, vou saber que realmente estamos no século XXI, e quando Dona Canô partir desse mundo, pararei de acreditar em alma imortal (viver tanto assim chega até a ser um insulto. Deus é mais!...).

ARNALDO JABOR, cineasta, em artigo na Ilustrada de 9/08/1994 "Ele é uma espécie de Albert Camus do cinema. Como ele, Antonioni teve uma revolta contra o real. Não se conformou com as convenções de Hollywood que determinavam o ritmo de nossas vidas. (...)Antonioni nos libertou de um mecanismo de defesa contra a morte, que o ritmo dos americanos inventou. A morte fica nua em Antonioni, o mistério, o suspense, o desaparecimento das pistas, a falta de motivo para a tragédia."
CARLOS REICHENBACH, cineasta "O cinema moderno perde um dos seus ícones, uma das figuras essenciais da modernidade no cinema. O cinema mundial, o cinema como arte moderna, dá um salto fenomenal com o olhar do Antonioni. Não quero atrair o olhar da dona Fatalidade, mas agora, depois das mortes de Bergman e de Antonioni, só sobrou o Godard entre os grandes do cinema moderno. Que tenha muitos anos de vida. E não me ligue amanhã para dar outra notícia desse tipo, pelo amor de Deus."
DOMINGOS OLIVEIRA, cineasta "O Michelangelo [Antonioni] foi o grande poeta do tédio. Ele é parte de uma geração que trouxe para a discussão cotidiana temas que não pertenciam a ela, dados culturais que mudaram as pessoas. Ele trouxe para a minha geração o tema da náusea, do tédio, foi muito importante. Era um cineasta de uma humanidade candente. É interessante observar que esses grandes cineastas estão morrendo tarde, o que parece mostrar que o bom caráter e a honestidade intelectual rendem frutos."
HECTOR BABENCO, cineasta "Não está ficando ninguém, estão indo todos os mestres, todas as grandes referências. Para mim, o Antonioni era o perfeito contraponto ao neo-realismo do [cineasta italiano Luchino] Visconti. Cresci tendo na mão esquerda o fascínio pelo Visconti e, na direita, o minimalismo, o silêncio e a profundidade existencial do Antonioni."
JÚLIO BRESSANE, cineasta Eu estive com ele algumas vezes, inclusive recebi-o em casa aqui no Brasil, fiz um filme chamado "Antonioni e Hitchcock - A Imagem em Fuga" e mostrei a ele. Estou bastante chateado. "Crônica de um Amor" (1950) e, principalmente, "A Dama sem Camélias" (1953) já antecipavam todo o cinema moderno. Foi um dos cineastas mais estudados e admirados da história, mas, apesar do esforço e de algumas tiradas de gênio, infelizmente deixou pouca influência no cinema de hoje, que teve uma queda grande de substância, vive submetido a uma grande tirania. É um dia de luto para o cinema.
NICOLAS SARKOZY, presidente da França "Antonioni foi um poeta da elegância estilística, do rigor e da pureza. Sua obra está marcada pela dificuldade das relações entre os indivíduos e o mundo. Ele acaba de se unir a Ingmar Bergman além das nuvens."
JOSÉ MANUEL BARROSO DURÃO, presidente da Comissão Européia "A morte de Michelangelo Antonioni deixa a Europa sem um de seus grandes artistas, alguém que se destacou no desenvolvimento do cinema na Europa e no mundo e cuja busca contínua por novas formas de expressão gerou obras-primas como "Blow Up" e "Zabriskie Point"."
GILLES JACOB, presidente do Festival da Cannes "Ele foi um alquimista do íntimo, o maior aquarelista do coração que o cinema moderno já conheceu."
THEO ANGELOPULOS, cineasta grego"[A morte de Antonioni e Bergman] é algo simbólico. Ambos haviam alcançado a plenitude em sua vida e em suas obras."

Adeus, Bergman (a segunda melhor coisa vinda da Suécia, depois do ABBA)!

A seguir, um belo depoimento sobre Ingmar Bergman que o cineasta Domingos Oliveira ("Todas as Mulheres do Mundo", "Amores", "Carreiras") gentilmente redigiu para a Ilustrada. Muito do que ele escreve abaixo também vale, creio, para Michelangelo Antonioni, morto menos de 24 horas depois de seu colega sueco.

*

Bergman fez a vida valer, por Domingos Oliveira

No futuro, as crianças cineastas aprenderão nas escolas que, entre o início do século 20 e o início do século 21, viveram três cineastas a quem nunca mais ninguém se comparou. Artistas que contaram a humanidade como aquele outro, russo, chamado Dostoiévski. Dizem que é preciso entender da vida para compreender a arte. A formulação está inversa. É preciso conhecer da arte para saber o que é a vida. A arte é o arauto. Ela conta aos homens aquilo que, confusos e torturados, eles não conseguem compreender. Devassam o intenso mistério da condição humana.
Charles Chaplin, sem dúvida, dos três é quem mais amou. Fellini atravessava com sua câmera as paredes finas do real e filmava o transcendente. Bergman talvez tenha sido menos divino, o mais humano desses três reis magos. E trouxe a alma para o cinema. Aquilo que é mais complexo no homem. O mais complexo da sua consciência. E descobriu, segundo declarou, a cor da alma: é vermelha.
O verdadeiro artista, como um Cristo, não vem ao mundo para julgá-lo e, sim, para salvá-lo. A luz que Bergman lançou sobre a cultura ocidental. A alegria e a beleza que fez chegar até nós, somente poderão ser justamente avaliadas nos confins da eternidade. Filmes como "Vergonha", "Sorrisos de uma Noite de Verão", "Gritos e Sussurros" e, particularmente, "Fanny e Alexander" (foto) não são simplesmente filmes. São "a coisa" em si.
Quando morre um artista assim, perde-se um amigo, sem dúvida. Mas não se deve lamentar a morte de gente gloriosa. O inocente Ingmar, tão preocupado com as besteiras daquele pastor que o criou, morreu em idade aceitável. Fez os mais belos filmes, comeu as mais belas mulheres. Ou seja, realizou a maior das façanhas, que é fazer a vida valer.

domingo, 29 de julho de 2007

Músicas de Gonzaguinha que falam por mim

Eu Apenas Queria Que Você Soubesse

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

Recado

Se me der um beijo eu gosto
Se me der um tapa eu brigo
Se me der um grito não calo
Se mandar calar mais eu falo

Mas se me der a mão
Claro, aperto
Se for franco
Direto e aberto
Tô contigo amigo e não abro
Vamos ver o diabo de perto

Mas preste bem atenção, seu moço
Não engulo a fruta e o caroço
Minha vida é tutano é osso
Liberdade virou prisão
Se é mordeu e recebeu
Se é suor só o meu e o teu
Verbo eu pra mim já morreu
Quem mandava em mim nem nasceu

É viver e aprender
Vá viver e entender, malandro
Vai compreender
Vá tratar de viver
E se tentar me tolher é igual
Ao fulano de tal que taí

Se é pra ir vamos juntos
Se não é já não tô nem aqui

domingo, 22 de julho de 2007

Cláudio no Terra

Nosso amigo, jornalista de A Tarde, está chique e não está prosa. À convite de Bob Fernandes, escreveu sobre ACM pro portal Terra. Atenção para uma sessão (de fofocas) de História by Claudio Leal! hehe...



Em Brasília, o auge do poder de ACM

Sexta, 20 de julho de 2007, 11h46
Claudio Leal
De Salvador, especial para Terra Magazine

Quatorze presidentes. Do governo de Juscelino Kubitschek ao de Luiz Inácio Lula da Silva, as artimanhas de Antonio Carlos Magalhães pincelaram, em cinco décadas de vida pública, a imagem de um político imune a trocas de governos. Sem reinventar-se, sobreviveu a mudanças de regimes políticos. Apoiou dez presidentes e fez oposição a quatro (Jânio Quadros, João Goulart, Itamar Franco e Lula). Com a carreira impulsionada na ditadura militar, só alcançou o protagonismo depois do reestabelecimento da democracia.
Eleito deputado federal em 1958, manteve laços afetivos com Juscelino, amparado nas relações deste com seu pai, Magalhães Neto, ao tempo da Constituinte de 1934. Apesar da idade - ultrapassava os 30 anos -, vinculou-se à Banda de Música da UDN (União Democrática Nacional), ala conservadora do partido que se opunha a JK, onde gorjeavam lideranças como Octávio Mangabeira e Aliomar Baleeiro. Até a eclosão do golpe, seria um deputado obscuro.
Na convenção da UDN, em 1959, apoiou a candidatura de Juracy Magalhães, mas terminou atropelado pela vassoura e pelos tremeliques de Jânio Quadros. Em Salvador, Jânio cobrou seu engajamento na campanha. Rosto colado, declarou-se: "Antonio, meu bem, nosso casamento é de véu e grinalda!". Não era. ACM preferiu ficar no campo da oposição.
Depois da renúncia de Jânio, em 1961, integrou a conspiração contra João Goulart e apoiou o golpe de 1964. A partir de então, seu vínculo com o governo central subiu de patamar, consolidando sua força política na Bahia. Mantinha canais de diálogo com Juscelino e Castelo Branco. Em junho de 64, recebeu a missão espinhosa de informar JK sobre sua cassação, que representava uma quebra do acordo firmado com Castelo e o início de seu ostracismo.
Na conversa telefônica, o ex-presidente xingou Castelo. ACM defendeu o amigo. A conversa era gravada pelo recém-criado SNI (Serviço Nacional de Informação). No relato de Elio Gaspari, em "A Ditadura Envergonhada", Castelo agradeceu a defesa e deu a entender que tivera acesso à gravação. Episódio mais representativo é o de sua
nomeação a prefeito de Salvador, em 1967. Por temer que Costa e Silva vetasse o nome de ACM, Castelo antecipou a portaria. Antes disso, tentara emparedar, sem sucesso, a candidatura do ministro da Guerra. Uma das estratégias era exigir a demissão coletiva dos ministros que pretendiam ser candidatos em 1966 - entre eles, Costa e Silva. O chefe da Casa Civil, Luiz Viana Filho, seria o primeiro a sair. Percebendo o risco da manobra, que poderia comprometer a candidatura de Viana ao governo da Bahia, ACM foi até o chefe do SNI, Golbery do Couto e Silva, em 6 de março de 1966.
Na conversa, Golbery se convenceu da vitória de Costa e Silva - o sacrifício de Luiz Viana seria desnecessário. E arrematou o papo com uma frase que ficaria famosa: "Salve-se a Bahia, f... o Brasil!". Salvou-se Viana. Permaneceu ministro e virou governador biônico. Foi sucedido por ACM, ungido pelo ditador Médici, em 1970.
Mas, localmente, ACM perderia a ascendência sobre o sucessor, Roberto Santos (1975-1979), filho do seu antigo protetor, Edgard Santos. Divergências internas na Arena, partido de sustentação da ditadura, contribuíram para o afastamento. Não reatariam. Mas a eleição indireta de Ernesto Geisel, em janeiro de 1974, retirou-o do ostracismo: ganhou a presidência da estatal Eletrobrás. Em 1978, voltou a ser governador do estado da Bahia.
Pela primeira vez, um presidente lhe faria reservas pessoais - o general João Figueiredo (1979-1985). Em entrevista ao jornalista Hélio Contreiras, Figueiredo chegou a declarar: "Nunca confiei em bajuladores como Antonio Carlos Magalhães, um dos mais vitoriosos carreiristas deste País". Havia motivos para o duro julgamento. Em 1985, derrotado na convenção do PDS, que escolheu Paulo Maluf candidato a presidente, ACM abandonou a base governista e ajudou a tecer uma coalizão da Frente Liberal com o PMDB em torno de Tancredo Neves. Venceu com Tancredo no Colégio Eleitoral. Contrariando as expectativas dos opositores, encontrou na democracia o auge do poder. Soube ler o vento.
Leitor de almas
Com a redemocratização do País, na década de 80, ACM passou a ler as almas dos presidentes civis. Em março de 1985, na posse interina de José Sarney (1985-1990), cumprimentou o presidente com frieza. Mas se tornou influente ministro das Comunicações e usou a concessão de canais de rádios e televisões como moeda política.
No curto governo Fernando Collor (1990-1992), integrou a base de sustentação e ficou contra o impeachment do presidente. Em virtude desse apoio, amargou na Bahia um refluxo político. Sucessor de Collor, Itamar Franco só lhe abriu as portas do Planalto para desconstruir sua imagem de criador de dossiê. Sobraçando uma de suas pastas, marcou audiência com o presidente para denunciar os focos de corrupção no governo. Itamar liberou o acesso da imprensa e ACM encurtou a conversa. Blefava.
Como vingança, lançou ao ex-anfitrião o epíteto de "estadista de arrabalde".
A composição PSDB-PFL trouxe a aura de "eminência parda" de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Na eleição de 1994, o deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL), filho de ACM, foi indicado para ser vice de FHC. Tucanos vetaram a manobra, mas não estancaram a dependência ao PFL. O PFL de ACM. Eleito presidente do Congresso Nacional, demonstrava poder por meio do controle do Legislativo. Tinha a maior bancada pessoal, em 1998: 26 dos 39 deputados federais baianos. Não foi dos aliados mais doces para FHC, alvo de pressões e ameaças veladas.
Em seu livro de memórias, "A arte da política", o ex-presidente registra que, na crise do Banco Econômico, em 1995, quando ACM tentou salvar o grupo baiano, ficou claro o "embate entre dois mundos: um, do mandonismo local e da fidelidade à região, e outro, baseado em uma concepção racional-legal, tendo em vista os interesses gerais do País". Romperam em 2001, no rastro da briga entre ACM e Jader Barbalho.
Apesar de ter apoiado Lula, no segundo turno das eleições 2002, seu trânsito no governo petista não se aprofundou. Foi apoiado pelo PT federal no escândalo dos grampos telefônicos, na Bahia, porém logo retornou à oposição. Depois de longa troca de farpas, reuniu-se com o presidente, em abril de 2007, para um café da manhã. Outros tempos: ao fim, Lula lhe estendeu a mão para que se levantasse do sofá.

Terra Magazine

Em seu lugar


Eu tenho boa intuição para filmes. Foi assim, sem informação nenhuma, só no palpite, que "descobri" Matrix (fui com uma colega de faculdade, que não queria entrar na sessão achando que era outro filme à la Schwarznegger, e nos surpreendemos), Em boa companhia, A professora de Piano e diria até Chouchou, que de péssimo, chega a ser ótimo. Em seu lugar (In her shoes, EUA, 2005) foi mais um título desses. Bem, devo confessar que qualquer coisa com Toni Collette no elenco já é, pra mim, uma boa referência, um convite para a tela grande (ou pequena). Quem não viu, veja Pequena Miss Sunshine, que também conta com a atriz nos créditos.
A história é a seguinte: duas irmãs, órfãs de mãe desde a infância, são o oposto uma da outra. Em comum, só o mesmo número de calçado.
A mais velha, Rose (Toni), é advogada, muito bem-sucedida, mas um "fracasso" enquanto mulher: solteira (aos 40), desleixada e que não sabe se impor nas relações pessoais, inclusive na relação com a irmã caçula, Maggie (Cameron Diaz). Essa é a personificação da mulher confiante, aquela que conquista qualquer um, que chama atenção na multidão. Em contrapartida, não se formou, não tem carreira, é demitida de todos os empregos e a irmã vive reparando as confusões que causa. Uma acha que a outra tem "a" vida boa, mas ambas desconhecem a sensação de fracasso que a outra carrega por dentro. Um fracasso parcial mas bastante significativo dentro do todo (o povo gosta de dizer que "beltrano tem auto-estima" e "cicrano não tem", mas acho que quase sempre as duas coisas se alternam dentro duma mesma pessoa).
Numa dessas pisadas de bola da personagem de Cameron, as irmãs rompem de vez. Como Maggie não tem dinheiro e com a madrasta e o pai não há chance, vai atrás da avó materna, que nunca viu mais gorda, interpretada por Shirley MacLaine (ah, se eu fosse um travesti, esse seria meu nome! haha). No começo, ela tenta fugir dos problemas se "divertindo", mas a convivência com a avó, a ausência da irmã e o conhecimento de certos fatos do passado fazem com que amadureça aos poucos.
Poder, pela primeira vez, não se preocupar com a irmã problemática e o surgimento de um namorado apaixonado fazem com que Rose se torne mais confiante em si mesma (já que após tantos fracassos na vida pessoal, ela já estava naquela fase em que se convencia de que nunca daria certo com alguém). No final, o casamento de Rose e o conhecimento de Maggie de importantes acontecimentos em torno da morte da mãe acabam unindo as duas; elas se enxergam como são e como a outra é pela primeira vez na vida, em mais de 30 anos. Nesse sentido, é muito legal a presença de espelhos por todo o filme bolada pelo Curtis Hanson (diretor). Há sempre um pedaço delas refletido, e estão sempre se olhando neles, como se tivessem se procurando.
Moral da história: relacionar-se intimamente é uma via de mão dupla, não funcionamos a parte das pessoas que compartilham da nossa intimidade. Você afeta e é afetado. É impossível achar sua humanidade sem considerar a humanidade dos outros, e vice-versa.
Orgulho e preconceito - O que eu acho interessante nesse filme é como as primeiras impressões sobre os personagens são desfeitas ao longo da história e viram o contrário ao final. A opinião inicial sobre Rose é que se trata de uma criatura medrosa, sem vida, e então a gente descobre que ela teve que assumir muita coisa ao mesmo tempo e cedo, e foi podada. A gente pensa que Maggie é mimada, irresponsável, rebelde sem causa, mas daí descobre que ela tem problemas de saúde que acabaram minando sua auto-estima - meu Deus, estou falando como a Oprah! - e o seu futuro (uma boa dose de orgulho de não querer procurar ajuda contribuiu, claro, pra isso). Não são óbvias, mas existem justificativas para os comportamentos das duas.
Eu odeio essas explicações vindas do passado que o cinema americano (e Oprah) adora sacar da manga. Se não tivesse sido na última parte, teria levantado da cadeira quando assisti, no cinema, "Retratos de uma obsessão". O roteirista veio com a seguinte explicação pro desequilíbrio do personagem de Robin Williams: ele era obcecado pela família que revelava as fotos porque sofreu abuso sexual na infância (zorra! todo doente mental tem que ter sofrido abuso, my God?!). Mas no caso de In her shoes, tudo foi feito de forma sutil, sensível.
Para entender alguém, como sugere o título do filme em inglês, é preciso "calçar os sapatos" dessa pessoa. Sapatos apertados, na visão de quem não os calça, nunca dão a (real) dimensão do quão incomodos estão. As pessoas só acreditarão na dor se estiver muito visível ou se mostrar o pé ferido. Na parte sentimental, é a mesma coisa: alguém está mal só quando apresenta provas palpáveis disso. É uma pena. Quem tem distúrbio mental, por exemplo, sofre três vezes nessa sociedade que valoriza o self made man e prega que todos podemos ser o que quisermos (desde que persigamos o padrão. vá entender uma miséria dessas...): da doença em si, do preconceito social e da frustração em ter limitações (só pra ele) palpáveis que se choca com essa máxima de que podemos ser o que quisermos, e isso depende de nós.
Como dizia a frase de introdução de um antigo programa da MTV, "Você pensa que sabe, mas não tem idéia"... Muita gente argumenta "Eu conheço fulano/a desde que estávamos no maternal, eu sei quem ele é". O tempo quer dizer muito pouco, a não ser que seja um observador sensível (nota: os egoístas sempre acham que são. é incrível, né? não, é óbvio: faz parte do egoísta sempre se ver da melhor maneira). Como nos seriados policiais, o melhor caminho para desvendar um crime é pensando com a cabeça do criminoso. Sem entrar na pele do outro, qualquer análise falará mais sobre o analista que sobre o analisado.
O ser humano tem a mania de julgar os outros segundo os seus próprios valores. Tanto é que virtudes e defeitos quase sempre serão conceitos relativos, variando conforme o olhar de cada um.
Aquele chavão de que "cada cabeça, um mundo" é verdadeiro. Uma coisa que não entra muito na minha cabeça, por exemplo, são essas mulheres (homens também, mas, infelizmente, as mulheres são a maioria) que viram namoradas, esposas, enfim, se relacionam com uns homens repugnantes só pela fama e/ou dinheiro desses (tenho um pouco de nojo das Maria Chuteira, confesso). Minha irmã sempre tenta me explicar: "Mas, Juliana, pra algumas pessoas, o dinheiro é o mais importante, ter status vem antes do amor. Tudo depende dos valores que a pessoa cultiva". Sei disso e sei também que a gente deve respeitar as escolhas pessoais dos outros, mas, confesso, continuo não entendendo essas pessoas. Isso me leva a outro questionamento: mesmo sabendo que o outro sabe que está sendo usado, é certo ter dignidade pelos dois e dar um freio na história, ou cada um que se responsabilize pelo que faz (e não faz)?
Eu penso que, geralmente, as pessoas querem coisas parecidas e passam por muitas situações similares. Mas, por outro lado, é aquilo que todo mundo sabe mas ninguém se lembra: apesar da "humanidade" em comum, não dá para padronizar a emoção e, principalmente, a reação/natureza. "Cada cabeça, um mundo". Somos uma sociedade de palpiteiros que se julgam "os" realistas e sabichões, mas verdade mesmo é que, apesar de ser necessário ter opiniões ainda que furadas, pra saber realmente sobre alguém, só estando/entrando na pele do outro.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Dia do Amigo

E nesta data tão fraternal, que é o 20 de julho, me aproprio das palavras do jingle de ACM para expressar a minha mágoa:


"Você se lembra de mim?
Eu nunca vi você tão só
Ó meu amor
Ó meu xodó..."

Tô mais em baixa que ACM depois do escândalo do painel... Tá foda, viu!...

Impossível de esquecer.


Hoje morreu, de falência múltipla dos órgãos, Antonio Carlos Magalhães.

Olha, eu sabia. Esse negócio de que melhorou e vai ter alta... Quem já teve algum avô/avó, alguém de certa idade, em fase terminal sabe que, quando acontece aquela melhora repentina, é sinal que o fim está muito próximo. Duro de matar, by the way. Desde que me mudei pra Bahia, há 15 anos, ouço que ACM está nas últimas.
Agora só falta Dercy.

É dispensável dizer que o cabra é/era odiado. Mas é indispensável lembrar que, se como ser humano foi um fracasso, como personalidade era raro. A mim, pelo menos, vai fazer falta. De hoje em diante serei uma órfã dos truculentos discursos de Antonio Carlos Magalhães no espaço editorial do Correio da Bahia. Nunca vou esquecer da bordoada que ele deu em Pellegrino, na eleição de 2002, tecendo elogios ao falecido pai do adversário, psiquiatra e ex-colega de faculdade, p/ depois arrematar um ácido "Casa de ferreiro, espeto de pau". Diga aí se não é de uma brutalidade fan-tás-ti-ca?! Hilário... Aliás, é dele a máxima "Fale bem dos amigos todo dia e dos inimigos, no mínimo duas vezes ao dia". Eu não consigo odiar ninguém assim; ACM odeia por pouco. O orgulho faz mal? Não necessariamente. Ele viveu 80 anos movido por isso (Não é por causa de 1 mês e pouco que não foram 80 anos... Aliás, esses caras têm o péssimo hábito de bater as botas aos 44 min do segundo tempo. Passei quase uma década à espera do centenário do Roberto Marinho, e o miserável resolveu morrer a 16 meses da data. Que %#@*!). Paixão é paixão, em todo caso é uma força poderosa. Ele tinha uma paixão "do mal" mas que serviu para que tivesse oito décadas de vida intensa. Não foi qualquer existência: construiu um nome conhecido nos quatro cantos - e mais, popularizou uma sigla -, fez parte de meio século da história, sobreviveu aos escândalos. E é o tipo de personalidade em falta hoje em dia: desbocado e que faz questão de mostrar quem manda no pedaço. Quase todos que passa(ra)m pelo Congresso são ávidos por poder e não tem ética, mas é broxante quando além da falta de caráter, vem a falta de firmeza. Em se tratando de homens da Bahia, então, um sujeito que fala grosso e firme é um tremendo diferencial (esse, com certeza, não veio do teatro! amigo, alosa, amigo!...). hehe

ACM tem dois consolos nesta etapa pós-vida: 1) ele fez valer o tempo dele na Terra; 2) o calor da Bahia e as picuinhas palacianas foram ótimos treinamentos para o clima do Inferno.
Esse não vai descansar em paz. E também não vai poder usar a minha frase de lápide ("Estou a dois passos do Paraíso/ Não sei, talvez eu fique por lá").

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Oito normas de conduta cotidiana para o cidadão moderno - por Contardo Calligaris

Eu amo esse cara!

1. Você pode escolher entre ficar em casa ou pegar a estrada e, sem dúvida, faz e fará um pouco dos dois. Mas, quando estiver em casa, tente não sonhar com a estrada e, quando estiver na estrada, tente não lamentar o calor do lar. Vivemos de sonhos e de nostalgias: é necessário cuidar para que essa alternância não nos mantenha constantemente afastados do momento presente.
2. Quando alguém pedir esmola ou ajuda, dê (na medida de seu possível) o que está sendo pedido. Não tente moldar o desejo de quem pede, oferecendo pão e leite em vez do trocado. A humanidade dos mais desprovidos se refugia e resiste justamente na capacidade de continuar desejando o supérfluo.
3. Todos os pedidos podem ser recusados, mas devem ser, ao menos, reconhecidos. Portanto é proibido recusar sem falar.
4. Trate como íntimo só quem poderia sem riscos lhe devolver a mesma cordialidade.
5. Caso você pretenda mudar o mundo, lembre-se de que, provavelmente, você não está à altura do mundo mudado segundo seu desejo. Se pretende transformar seu parceiro ou sua parceira, lembre-se de que você, provavelmente, não está à altura do parceiro ou parceira assim transformados. Quem quer mudar as coisas facilmente esquece de contar-se entre os itens a serem mudados.
6. Qual é a melhor viagem: visitar as capitais européias num “tour” de 15 dias ou passar duas semanas numa cidade só e conhecê-la um pouco? É mais interessante manter um casamento complicado do que multiplicar as ou os amantes. O mesmo vale para os amigos e relações em geral.
7. Uma vez por semana, durante uma hora, sente-se numa esquina de sua cidade e contemple os passantes. Tente imaginar a variedade das vidas, a dignidade de todas. Se você tem filhos, faça o exercício duas vezes por semana: será de grande ajuda para aceitar que a vida deles vale a pena, mesmo se não corresponde em nada aos seus sonhos.
8. Considere como verdade absoluta que é possível ter uma vida boa e justa sem acreditar numa verdade absoluta.

Publicado originalmente no suplemento “Mais!”, da Folha de S.Paulo, de 13/10/2002.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Trocando o juramento

Esse negócio de "... até que a morte os separe. Amém", isso está pra lá de defasado.
Baseado em observações dos amores reais, proponho um novo texto:

"... Até que a falta de dentadas, puxões apaixonados, de mistério e risadas fora de hora os separe. E que assim não seja. Amém."

Os superpoderosos


Essa galera da foto acima é bem talentosa. Aí só está a metade da minha turminha de 2000.1; Bai, Lico, Lulu, Debs, Liu, Lisboeta, Amanda e Luciana estão ausentes.
Sabe, no final das contas, eu me orgulho das pessoas da Facom. Pobrezas de espírito à parte, não dá pra negar que é uma gente que ousa sonhar e botar seus planos em prática. Nem sempre isso os levará onde planejavam chegar, mas a vida não é feita de êxitos mas de desejos satisfeitos. Se tem uma coisa que hoje eu sei é que viver é bancar desejos. A pessoa pode ter o mundo, ser um semi-deus, mas se estiver longe daquilo que deseja (eu disse deseja, e não o que os outros esperam), tudo mais de nada valerá. Há alguns tipos de covardia que são inadimissíveis, e a de não pôr os sonhos em prática é uma delas. Aliás, nem precisa realizá-los, basta tentar, lutar para ter a consciência de que não deixou passar. Eu não falo de concretizar grandes coisas, não. Nem de "rebeldia sem causa"; sou totalmente contra a essa filosofia vazia do "faça o que seu coração mandar" (até que chegue o carro da polícia... não, é fundamental ter critério, até nas loucuras e desejos. do contrário, somos animais, no pior sentido da palavra). A paz interna vem daquela aula de dança de salão que você sempre quis fazer mas nunca teve coragem; daquela viagem ao Sul que sempre ficava pra depois; daquele projeto de terminar os estudos que tiveram de ficar pela metade na juventude; enfim, de pequenas realizações desse tipo que nos fazem menos avarentos com a gente mesmo e, obviamente, mais alegres.

Eu espero, sinceramente, que essa turma tenha muita sorte. A vida não é justa, e nem sempre é o talento que prevalece. A vida apenas é, seja lá o que for. Mas eu acho que eles vão se dar bem - já estão se dando. Tem gente aí que até se dá ao luxo de prorrogar o momento do sucesso (risos). O bacana de crescer junto - e nós estivemos no dia-a-dia uns dos outros numa fase determinante em nossos crescimentos - é que sabemos de onde o outro veio e, por mais que haja discordância, o quanto seus goals lhe custaram. Automaticamente, a via de regra, você fica satisfeito/a com as conquistas alheias, e nos melhores casos, se inspira nelas e corre atrás do seu caminho também.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Que delíííííícia!!!


Na foto, Jorge "Delícia" e eu, no forró da Pamps, na última sexta-feira. Olha só a falta de consideração: me pegaram "no pulo", atacando o bolo de chocolate (isso não se faz! humpf!).

Eu sempre tiro foto com Deli nesses eventos; faço questão. Aliás, esses não teriam metade da graça sem ele. A fama de alegre do Jorge vai tão longe que a mulherada da família do dono da empresa fica disputando quem vai sentar ao lado dele, pois já sabem que é diversão garantida. Eu tive esse privilégio na confraternização de 2006 e passei mal de tanto rir. O que é essa criatura brincando de bingo?! Era um tal de "Ui, delícia, eu tô por um para fechar a cartela!". Se Deli tivesse ganho o prêmio máximo (TV), teria sido hilário. Se tivesse tido condições, na ocasião, juro que teria dado uma roubadinha só para ver a euforia dele com o resultado (teve marmelada mesmo...). Mas fica pra próxima. E tomara que Deli ganhe alguma coisa para a gente se acabar de rir com a histeria do vencedor! Vai rolar até beijo na boca em alguém da empresa, aposto!hahaha

Tão figura quanto Deli, só o outro Jorge, que é metido a el cabrón e gosta da gaiatice. Durante os sorteios dos ferros no bingo, coitado, ele só deu fora. Veio todo gaiato perguntando quem tinha "levado ferro" e ouviu o coro respondendo "Seu filho". Outro sorteio de ferro, e veio de novo a piadinha, e mais uma vez o tiro saiu pela culatra: "Sua mulher levou ferro". hahaha Esse povo é comédia!

Por essas e outras que eu gosto deste nome, Jorge. Nunca vi um que não fosse espivitado ou inteligente!

E por falar na Pamp´s, tadinho de Pablito. Foi ver o Grêmio jogar contra o Boca Jrs. em Porto Alegre e voltou todo cabisbaixo. "Poxa, o Grêmio não merecia. A festa tava tão bonita...". Fica pra próxima, gaúcho!

Reflexão da meia-noite

Síndrome de Taty Quebra Barraco... Pois é, é assim que o Brasil se sente, há 500 anos: "Sou feio mas tô na moda".

domingo, 24 de junho de 2007

Ela é gente que faz!


Você mete o pau em Márcia e acha que ela é apenas mais uma perua oxigenada, com cara-de-pau, trabalhando na TV? Pois então prepare o seu coração para o que OFuxico.Com vai revelar.
Márcia me inspira! - e não é muita falta de referência, viu, Alosa!



Através dos dramas e conflitos da vida real, a apresentadora Márcia Goldschmidt voltou ao ar com o programa que a consagrou na TV. No dia 11 de junho, ela reestreou, na TV Bandeirates, o Programa Márcia, exibido diariamente às 16h30. Apesar do curto tempo, ela já disse a que vei, pois tem deixando a emissora em terceiro lugar e, em alguns momentos, até na vice-liderança.
OFuxico fez uma radiografia de Márcia que, em entrevista, conta toda a sua trajetória. De uma menina que sequer conheceu o pai e foi ser babá, Márcia passou a dona de uma bem-sucedida agência de casamentos e, por fim, uma apresentadora de sucesso na tevê. Confira:
Vinda de classe baixa, Márcia foi filha de pai desconhecido e uma empregada doméstica, cuja patroa não aceitava que ela levasse sua menina para o trabalho. Assim, Márcia foi criada pela avó materna. Aos 9 anos, após a morte da avó, ela começava a trabalhar como babá no bairro do Ipiranga, em São Paulo.
"O passado foi muito duro comigo, tive uma infância muito pobre, mas não vivo a vida pelo retrovisor", lembra a apresentadora, mesmo não gostando muito de falar sobre a infância.
Márcia não desistia de tentar mudar a sua história. Começou a juntar dinheiro e, aos vinte e poucos anos, decidiu mudar de país. Embarcou para França e buscou lá uma nova oportunidade de mudar o rumo da vida. Na França, ia concretizando o que sempre imaginou ter: uma família. Casou-se com um francês, mas o relacionamento não deu certo. Naquela época, a França lançava uma nova forma de aproximar pessoas solteiras através de agências de matrimônio. Visionária, Márcia enxergou ali uma grande oportunidade de negócio e rapidamente trouxe a idéia para o Brasil.
"Eu me espantei quando me deparei com anúncios nos principais jornais da França. Eram dezenas de anúncios e, como nunca tinha ouvido falar disso no Brasil, resolvi trazer a idéia pra cá".
Lançada no Brasil, a agência Happy End de Márcia chegou a formar centenas de casais e com a repercussão do negócio, a então empresária, era convidada a dar entrevistas nos mais diversos veículos de imprensa.
Após ser capa da Vejinha e matéria nos mais diversos jornais do país falando sobre o tema casamento agenciado, Márcia concedeu a primeira entrevista para Rosana Hermman, que espantou-se com a desenvoltura de Márcia.
Rosana, na época diretora artística da Rede Mulher, convidou-a para apresentar um programa na emissora.
"Depois que a Rosana terminou a reportagem, ela dizia que eu tinha que ir pra tevê. Eu achei estranho, mas gostei da idéia. Tempos depois, Rosana me convidou para apresentar um programa sobre relacionamento na Rede Mulher", conta Márcia.
Mas, com o sucesso da agência, ela teve que abdicar das gravações do programa televisivo, abrindo mão da carreira de apresentadora.
"A agência estava indo muito bem, não poderia deixar de lado algo que havia me dado tantas alegrias", justifica.
Mas a sorte de Márcia começou a mudar mesmo, após um anúncio no jornal. Na época, o SBT procurava uma espécie de Ricki Lake brasileira para um de seus programas.
"Foi muito louco! O SBT decidiu procurar uma apresentadora com anúncios em classificados de jornais", lembra.
A secretária de Márcia leu o anúncio e decidiu enviar uma fita, sem que a patroa soubesse.
Selecionada para um teste no SBT, 30 dias depois a então empresária recebia mais um sinal da emissora, dizendo que ela havia sido selecionada para mais um teste. Agora, de vídeo.
"Tinha muita gente fazendo testes, eram centenas de mulheres, nunca imaginei estar ali", diz Márcia.
Após uma disputa com mais de 700 candidatas, ela foi a escolhida e embarcou para os Estados Unidos para conhecer um pouco mais de Ricki Lake, famosa pelos programas que Márcia apresenta até os dias de hoje.
A ficha demorou a cair. Márcia estava na segunda emissora do país e, muito novata, ainda não sabia como reagir com a fama. Com um ano e meio de programa, repentinamente Silvio Santos a tira do ar. E, mesmo com os altos índices de audiência, a apresentadora ficou na geladeira esperando um sinal verde do patrão para voltar ao vídeo.
"Na época que estava no SBT, me senti muito desvalorizada. Não conseguia entender o motivo de estar na geladeira, após fazer um programa com tanto sucesso", explica a apresentadora.
Com a saída de Serginho Groisman do SBT, Márcia foi uma das escolhidas para apresentar o consagrado Programa Livre e o Fantasia.
"O Silvio começou a fazer os testes dele e eu fui a escolhida. No Programa Livre, fazíamos um revezamento de apresentadores. Cada dia era um".
Logo que saiu do SBT, Márcia assinou com a TV Gazeta de SP, onde ficou menos de um ano. Ela percebeu que um programa feminino não era o que gostaria de fazer.
"Eu apresentava o Mulheres, junto com o Leão Lobo, mas percebi que aquilo não tinha a minha cara. Fiquei menos de um ano por lá e pedi demissão."
Convidada pelo então diretor artístico da Band Rogério Gallo, Márcia estreou na emissora o Hora da Verdade, nos mesmos moldes do programa que ela fazia no SBT. Ela acabou sendo o maior ibope da emissora durante os quatro primeiros anos em que esteve no ar.
Afastada da tevê mais uma vez, em 2005, Márcia decidiu mudar do país e respirar novos ares. Após um ano e meio morando em Miami, ela voltou para a tevê com força total. A estréia do Programa Márcia, na Band já começou a incomodar a concorrência, conquistando bons índices de audiência.
"No programa de estréia, já conseguimos empatar e ficar em terceiro lugar", conta Márca, animada.
Em uma fase mais assumida, Márcia mudou o visual e toda a tarde lança moda. Usa corselet, uma espécie de faixa abdominal que ressalta suas curvas.
"Eu adoro corselet e a nossa diretora artística também. Pedi autorização e ela, como também gosta, autorizou", justifica.
Com direção de Rodrigo Branco - que é um grande amigo da apresentadora-, as duas primeiras semanas do Programa Márcia conseguiram elevar o Ibope da emissora em mais de 50% e já chegou a cravar o 2º lugar, por 50 minutos, perdendo no ranking apenas para Globo.
Diariamente o programa Márcia mostra dramas, histórias e conflitos de pessoas, das mais diversas classes sociais, como uma mulher que já traiu o marido mais de 40 vezes, uma miss que virou anoréxica, graças ao competitivo mundo da moda e outros do gênero.

S.A.C.

Não sou o Maguila, mas gostaria de desejar um bom São João para meus amigos pedreiros, carpinteiros, enfim, para o meu fã-clube S.A.C. (Só o Amor Constrói) e agradecer a todos os trabalhadores da construção civil que nos meus piores dias me galantearam (com a sutileza de um elefante, mas xápralá).
O que seria de nós, mulheres, sem a peãozada, hein? Essencialíssimos!

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Give a little bit...






"... Give a little bit of your love to me".


Ah, eu adoro essa música do Supertramp! Integro a tribo do meu mais-do-que-nunca-amigo de fé e irmão camarada Lisboeta, e sou altamente vulnerável a uma melodia grudenta!

Porque ainda é o Dia dos Namorados e porque adoro Drew e Jimmy (ele no Saturday Night Live, que no cinema não é lá essas coisas), além de Nick Hornby, segue a letra e cenas do filme "Febre de bola".


Give a little bit
Give a little bit of your love to me
Give a little bit
I´ll give a little bit of my love to you
There´s so much that we need to share
So send a smile and show you care

I´ll give a little bit

I´ll give a little bit of my life for you
So give a little bit
Give a little bit of your time to me
See the man with the lonely eyes
Take his hand, you´ll be surprised

Give a little bit
Give a little bit of your love to me
I´ll give a little bit of my life for you
Now´s the time that we need to share
So find yourself, were on our way back home

Going home

Dont you need to feel at home?
Oh yeah, we gotta sing

terça-feira, 12 de junho de 2007

Extra! Extra! Extra!

Nosso amigo (de agora em diante, mais do que nunca amigo) Daniel Pereira Lisboa é o mais novo ofchan tchan tchan tchan tchan do Instituto Rio Branco!
O Xixi de Macaco não faz a mínima idéia do que isso significa, mas fica muito feliz em ver mais um faconiano mandando ver por aí!

Dia dos Namorados

"Drink to me only with thine eyes, and I will pledge with wine/ Or leave a kiss within the cup, and I´ll not look for wine"
("Beba para mim apenas com seus olhos, e eu me comprometerei com os meus/ Ou deixe um beijo no copo, e eu não vou querer vinho")

Dia dos Namorados... E também aniversário de casamento dos meus pais (36 anos juntos! Ave Maria!...), aniversário de Talita, a ovelhinha do exército mineiro, e o dia em que vou me reconciliar com Alosa, que cortou relações comigo desde que mandei o alosah@uol.com.br pros ares.

Alosa, "em nome do amor, vamos nos perdoar!"...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Mulher tem memória

Por Danuza Leão

VOCÊ É medrosa? E quem não é? E de que você tem medo? Bem, existem os medos básicos: de barata, de rato, de cobra, da escuridão.
Mas existem outros, nos quais quase não se pensa, mas dos quais se tem pânico -e esses são os piores.
São os medos subjetivos, quando se faz algo que não se deveria, de ser punida; por um pai imaginário, por Deus, por um alguém que não faz outra coisa a não ser olhar atentamente para tudo que você faz, para premiar ou castigar. De preferência, castigar.
Existem outros medos nos quais não se pensa mas que são permanentes: medo de ficar doente, de ficar velha e sozinha, de morrer. Quando se pensa em todos esses medos, chega a surpreender como podemos, às vezes, passar horas falando bobagem e dando risada.
Quando criança, você teve medo de seu pai? Se teve, vai passar a vida inteira tendo medo do marido e do patrão, símbolos da autoridade masculina.
E o medo da maldade? E do olho grande?
Medo tem a ver com culpa, e quem é culpada vive sempre com medo do castigo.
Existem as pessoas que não são culpadas de nada, e as que são culpadas de tudo. As primeiras passam pela vida felizes, felizes; já as outras acham que, se no lugar de terem comprado aquele batom tivessem mandado o dinheiro para os necessitados da África, teriam pelo menos feito sua parte. Como é difícil viver.
Mas é preciso não confundir o medo com a covardia, e às vezes - aliás, o tempo todo - é preciso se posicionar, sem medo. Se posicionar, no caso, é apenas organizar seus pensamentos e ter suas opiniões, o que, se para alguns é simples, para outros é quase impossível.
Por que será? Serão essas pessoas tão reprimidas que isso as impede não apenas de dar sua opinião mas até de terem uma? Ou será medo?
Existem alguns medos bem concretos: da reação daquele homem quando você anuncia que está indo embora. Com todas as conquistas que as mulheres conseguiram, nessa hora o medo é físico -afinal, os homens costumam ser agressivos, mais fortes que nós (fisicamente), e às vezes, quando feridos, passam dos limites. Outro medo é quando, já com o novo, você cruza pela primeira vez com o que foi abandonado.
Mas os homens também têm seus medos, sobretudo quando são eles que abandonam.
As mulheres - mais emocionais e menos civilizadas- são capazes de tudo, quando deixadas; mulher não esquece - nem perdoa.
Aconteceu com um casal de velhinhos - bem velhinhos mesmo - que estava visitando a filha, num domingo. Falavam sobre o passado, e num determinado momento ela perguntou - afinal, já havia tanto tempo - se ele havia tido um caso com uma determinada mulher, décadas atrás, o que na época ele negou com firmeza.
A conversa estava tão amena, a paz tão grande, com a família toda reunida, que ele disse que sim, era verdade. Ela avançou no pescoço dele e foi preciso a filha e o genro para separá-los. Apesar de já terem passado dos 80, ela passou meses sem falar com ele.
E é bom que os homens também tenham medo, pois uma mulher com raiva é muito mais perigosa do que um homem com um revólver na mão.

domingo, 10 de junho de 2007

Feira de Santana é o must!

Soteropolitana de coração e baiana não-praticante, nunca visitei lugares fora da região metropolitana de Salvador, com exceção de Mangue Seco e da Ilha de Itaparica. Claro, fazendo o trajeto Salvador-Brasília-Salvador, já dormi muitas vezes em Lençóis, Barreiras e Esplanada, mas conhecer mesmo, nada. Já visitei mais cidades em Goiás que na Bahia, acreditem.
Sábado passado, finalmente tomei vergonha na cara e fui a Feira de Santana. Minha guia foi ninguém menos que Viviane Andrade, filha e herdeira de uma das dez mais ricas e influentes famílias da cidade (uaaaaaaaau!). Paula Carzzi, quase tão estrangeira na cidade quanto moi, se juntou ao trio. Em tempo: Quase tão estrangeira porque a primeira vez que pisou na cidade foi na formatura de Vivanildo, irmão único e lendário de nossa guia Viviane. Na ocasião, a soteropolitana foi introduzida ao feirense way of making marketing, sendo surpreendida (assim como os demais formandos e suas famílias) por uma bandinha contratada pelo novo administrador de empresas para tocar o jingle do Mercadinho Serra, de propriedade da família Andrade. Vivanildo, sem sombra de dúvida, é gente que faz!
Paula e eu fomos em busca das novidades (a preços superconvidativos) da moda feirense. Sendo assim, invadimos as ruas da cidade, e fomos entrando de porta em porta, de loja em loja, em busca de boas promoções. Nossa guia não nos poupou de nenhum beco, exceto da Feiraguay, da qual ela só se lembrou - glória a Deus! - já muito tarde, quando estávamos indo embora. Demos azar, e o saldo da viagem foi, do ponto de vista material, ruim. Paula levou uma pulseira de madeira, eu comprei um par de blusas e quem saiu endividada mesmo foi quem menos queria comprar roupa: Viviane. É que era dia de forró na cidade, e 3/4 dos feirenses estavam à procura do que vestir no evento. Um fiasco para a dupla da capital. Ou quase...
Ir a Feira de Santana foi, apesar da sacola vazia, inesquecível. A seguir, um Top 5 - Porque amei Feira:

1) É fácil se sentir celebridade por lá. Segundo nossa guia, fazer qualquer coisa na cidade, sem que metade da população saiba, é impossível. Durante a ida, dentro do ônibus, ela já estava recebendo ligações da família, que munida de poderes telepáticos ou de um acordo com a Oi de instalação de um GPS secreto, havia descoberto sobre a sua chegada. Andando pelas ruas, Viviane se bateu com a tia, com a prima, com a irmã, o namorado desta e mais meia dúzia de conhecidos que, inclusive, não podiam saber do seu encontro com o ex-namorado (que ainda é atual), no início da tarde. Me senti como uma amiga de celebridade que a ajuda a esconder o affair da mídia. Muy chic, muy chic!... Pena que um flagra de Romilson Almeida e Viviane Andrade não renda capa de Contigo!, Quem Acontece ou People. Ohhhhh...
2) Tem emoções que só o povão te proporciona. A cidade, na minha primeira impressão, parece negar a máxima de Cazuza de que o tempo não pára. Isso pelo menos não se aplica de jeito nenhum a uma famosa rede feirense, a CAMYS. Rei Nelsinho, como se auto-intitula o dono do empreendimento, um senhor de uns 40 anos com ares de Sinhorizinho Malta que aparece nos cartazes espalhados pelas pilastras, vende à moda antiga. Enquanto circulávamos pela enorme loja, presenciei uma cena que nunca tinha visto ao vivo e que fez Paula Carzzi cair na gargalhada (me deixando sozinha à mercê da histeria consumista de Viviane, que, na boa, deve ter servido em alguma guerra na encarnação passada. Só isso explica a "liderança" demonstrada durante o episódio): anunciou-se uma promoção no microfone, o povão foi se juntando em torno do balaio, e quando começaram a despejar as mercadorias de R$ 9,90, via-se as peças de roupa voando por cima das cabeças, agarradas por mulheres em fúria, que não tinham a mínima idéia do que estavam se esforçando para reter, mas que, por menos de R$ 10, já achavam que compensaria o "vale-tudo".
3) A concorrência é fraca. Vivinha e demais nativos dessa cidade, peço desculpas de antemão, mas a verdade tem que ser dita: ô povo feio esse de Feira de Santana, meu Jesus Cristo! Ave Maria! Até eu, que sou de uma lucidez patológica sobre a minha pessoa, comecei a me achar gatchéénha perto do que vi nas ruas.
Por isso arrisco dizer que Vivi´s é a Paris Hilton da cidade: de família endinheirada e guapa.
4) Mini Brasília. As ruas do comércio me lembraram a W3, no Plano Piloto. Feira tem um "q" de Brasília, e só isso me fez simpatizar com ela. Exceto pelo trânsito, que é bem maluquinho. Sobre isso, me desagradou o grande número de motos. Distraída como sou, viraria "anjinho" em dois tempos se vivesse naquela cidade.
5) É fácil de ir embora. O melhor de Feira de Santana, no entanto, é que é muito fácil dar o fora de lá. Por R$ 12 e uma hora e meia de viagem, logo, logo estamos em casa. Êêê!!!...