Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
"Profissão Repórter" sintetiza linguagem do cinema moderno
CRÍTICO DA FOLHA
A câmera se afasta do corpo de Jack Nicholson, deitado na cama de um hotel vagabundo em um vilarejo espanhol; passa pela janela do quarto, passeia pelo pátio onde carros estão estacionados e se detém em alguns personagens, antes de retomar seu movimento lento, quase imperceptível, para então voltar ao quarto e ao corpo do ator -cujo personagem, agora, está morto.
Essa imagem, que está nos minutos finais de "Passageiro: Profissão Repórter" (1975), tornou-se uma espécie de síntese do cinema moderno -além de fetiche de muitos cinéfilos, cineastas e técnicos, que até hoje tentam desvendar seu virtuosismo técnico (a câmera, entre outra proezas, "atravessa" uma cerca sem que haja cortes).
Mas essa imagem é emblemática não só por ser um plano-seqüência virtuoso, na grande tradição inaugurada por Orson Welles, mas principalmente por conter em si as características mais importantes do cinema moderno: a imagem que incorpora o tempo (recusando o corte da montagem) e o chamado extra-campo, ou seja, aquilo que está fora do quadro.
A "informação" mais importante desse plano para a compreensão narrativa do filme está fora da imagem. É o som do tiro que mata o personagem de Nicholson. Antonioni chegou a dizer que só criou esse plano para não precisar mostrar o assassinato: "A idéia de vê-lo morrer me aborrecia".Um tiro que não se vê e que dá fim à vida "dupla" do personagem central, um repórter que, lá no começo do filme, assumiu a identidade de um traficante de armas. "Trama" que resume uma aflição presente até hoje em tantos filmes, mas que raramente encontrou expressão tão "precisa" -cuja força está, justamente, em sua imprecisão.
Sem medo do silêncio
Antonioni não tem medo do silêncio e do vazio, ou seja, das lacunas que fazem parte da nossa experiência de mundo, mas que o cinema, até então, recusava-se a enxergar.
Esse modo de ver se expressa em um trabalho de câmera genial, que nos obrigou a ver o cinema com novos olhos e transformou Antonioni em um cineasta de assinatura inconfundível, presente até em seus filmes mais recentes, como o criticado episódio do longa "Eros" ou o genial curta "O Olhar de Michelangelo".
Se Antonioni tivesse filmado apenas esse plano em toda sua vida, o fim de "Passageiro: Profissão Repórter" já teria justificado sua importância como cineasta. Mas a sua obra comporta muitas outras imagens marcantes que, de alguma forma, fazem parte do imaginário contemporâneo, como os corpos no deserto e as explosões fragmentadas de "Zabriskie Point" ou a névoa industrial que toma conta da imagem e faz desaparecer a atriz Monica Vitti em "Deserto Vermelho". Imagens que permanecem.
Famosos falam de Antonioni
Puxa, cá entre nós, Deus tá dando um fim mesmo no século XX.
Quando Dercy morrer, vou saber que realmente estamos no século XXI, e quando Dona Canô partir desse mundo, pararei de acreditar em alma imortal (viver tanto assim chega até a ser um insulto. Deus é mais!...).
ARNALDO JABOR, cineasta, em artigo na Ilustrada de 9/08/1994 "Ele é uma espécie de Albert Camus do cinema. Como ele, Antonioni teve uma revolta contra o real. Não se conformou com as convenções de Hollywood que determinavam o ritmo de nossas vidas. (...)Antonioni nos libertou de um mecanismo de defesa contra a morte, que o ritmo dos americanos inventou. A morte fica nua em Antonioni, o mistério, o suspense, o desaparecimento das pistas, a falta de motivo para a tragédia."
CARLOS REICHENBACH, cineasta "O cinema moderno perde um dos seus ícones, uma das figuras essenciais da modernidade no cinema. O cinema mundial, o cinema como arte moderna, dá um salto fenomenal com o olhar do Antonioni. Não quero atrair o olhar da dona Fatalidade, mas agora, depois das mortes de Bergman e de Antonioni, só sobrou o Godard entre os grandes do cinema moderno. Que tenha muitos anos de vida. E não me ligue amanhã para dar outra notícia desse tipo, pelo amor de Deus."
DOMINGOS OLIVEIRA, cineasta "O Michelangelo [Antonioni] foi o grande poeta do tédio. Ele é parte de uma geração que trouxe para a discussão cotidiana temas que não pertenciam a ela, dados culturais que mudaram as pessoas. Ele trouxe para a minha geração o tema da náusea, do tédio, foi muito importante. Era um cineasta de uma humanidade candente. É interessante observar que esses grandes cineastas estão morrendo tarde, o que parece mostrar que o bom caráter e a honestidade intelectual rendem frutos."
HECTOR BABENCO, cineasta "Não está ficando ninguém, estão indo todos os mestres, todas as grandes referências. Para mim, o Antonioni era o perfeito contraponto ao neo-realismo do [cineasta italiano Luchino] Visconti. Cresci tendo na mão esquerda o fascínio pelo Visconti e, na direita, o minimalismo, o silêncio e a profundidade existencial do Antonioni."
JÚLIO BRESSANE, cineasta Eu estive com ele algumas vezes, inclusive recebi-o em casa aqui no Brasil, fiz um filme chamado "Antonioni e Hitchcock - A Imagem em Fuga" e mostrei a ele. Estou bastante chateado. "Crônica de um Amor" (1950) e, principalmente, "A Dama sem Camélias" (1953) já antecipavam todo o cinema moderno. Foi um dos cineastas mais estudados e admirados da história, mas, apesar do esforço e de algumas tiradas de gênio, infelizmente deixou pouca influência no cinema de hoje, que teve uma queda grande de substância, vive submetido a uma grande tirania. É um dia de luto para o cinema.
NICOLAS SARKOZY, presidente da França "Antonioni foi um poeta da elegância estilística, do rigor e da pureza. Sua obra está marcada pela dificuldade das relações entre os indivíduos e o mundo. Ele acaba de se unir a Ingmar Bergman além das nuvens."
JOSÉ MANUEL BARROSO DURÃO, presidente da Comissão Européia "A morte de Michelangelo Antonioni deixa a Europa sem um de seus grandes artistas, alguém que se destacou no desenvolvimento do cinema na Europa e no mundo e cuja busca contínua por novas formas de expressão gerou obras-primas como "Blow Up" e "Zabriskie Point"."
GILLES JACOB, presidente do Festival da Cannes "Ele foi um alquimista do íntimo, o maior aquarelista do coração que o cinema moderno já conheceu."
THEO ANGELOPULOS, cineasta grego"[A morte de Antonioni e Bergman] é algo simbólico. Ambos haviam alcançado a plenitude em sua vida e em suas obras."
Adeus, Bergman (a segunda melhor coisa vinda da Suécia, depois do ABBA)!
*
Bergman fez a vida valer, por Domingos Oliveira
No futuro, as crianças cineastas aprenderão nas escolas que, entre o início do século 20 e o início do século 21, viveram três cineastas a quem nunca mais ninguém se comparou. Artistas que contaram a humanidade como aquele outro, russo, chamado Dostoiévski. Dizem que é preciso entender da vida para compreender a arte. A formulação está inversa. É preciso conhecer da arte para saber o que é a vida. A arte é o arauto. Ela conta aos homens aquilo que, confusos e torturados, eles não conseguem compreender. Devassam o intenso mistério da condição humana.
Charles Chaplin, sem dúvida, dos três é quem mais amou. Fellini atravessava com sua câmera as paredes finas do real e filmava o transcendente. Bergman talvez tenha sido menos divino, o mais humano desses três reis magos. E trouxe a alma para o cinema. Aquilo que é mais complexo no homem. O mais complexo da sua consciência. E descobriu, segundo declarou, a cor da alma: é vermelha.
O verdadeiro artista, como um Cristo, não vem ao mundo para julgá-lo e, sim, para salvá-lo. A luz que Bergman lançou sobre a cultura ocidental. A alegria e a beleza que fez chegar até nós, somente poderão ser justamente avaliadas nos confins da eternidade. Filmes como "Vergonha", "Sorrisos de uma Noite de Verão", "Gritos e Sussurros" e, particularmente, "Fanny e Alexander" (foto) não são simplesmente filmes. São "a coisa" em si.
Quando morre um artista assim, perde-se um amigo, sem dúvida. Mas não se deve lamentar a morte de gente gloriosa. O inocente Ingmar, tão preocupado com as besteiras daquele pastor que o criou, morreu em idade aceitável. Fez os mais belos filmes, comeu as mais belas mulheres. Ou seja, realizou a maior das façanhas, que é fazer a vida valer.
domingo, 29 de julho de 2007
Músicas de Gonzaguinha que falam por mim
Eu Apenas Queria Que Você Soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida
Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
Se me der um beijo eu gosto
Se me der um tapa eu brigo
Se me der um grito não calo
Se mandar calar mais eu falo
Mas se me der a mão
Claro, aperto
Se for franco
Direto e aberto
Tô contigo amigo e não abro
Vamos ver o diabo de perto
Mas preste bem atenção, seu moço
Não engulo a fruta e o caroço
Minha vida é tutano é osso
Liberdade virou prisão
Se é mordeu e recebeu
Se é suor só o meu e o teu
Verbo eu pra mim já morreu
Quem mandava em mim nem nasceu
É viver e aprender
Vá viver e entender, malandro
Vai compreender
Vá tratar de viver
E se tentar me tolher é igual
Ao fulano de tal que taí
Se é pra ir vamos juntos
Se não é já não tô nem aqui
domingo, 22 de julho de 2007
Cláudio no Terra
Em Brasília, o auge do poder de ACM
Sexta, 20 de julho de 2007, 11h46
Claudio LealDe Salvador, especial para Terra Magazine
Eleito deputado federal em 1958, manteve laços afetivos com Juscelino, amparado nas relações deste com seu pai, Magalhães Neto, ao tempo da Constituinte de 1934. Apesar da idade - ultrapassava os 30 anos -, vinculou-se à Banda de Música da UDN (União Democrática Nacional), ala conservadora do partido que se opunha a JK, onde gorjeavam lideranças como Octávio Mangabeira e Aliomar Baleeiro. Até a eclosão do golpe, seria um deputado obscuro.
Na conversa telefônica, o ex-presidente xingou Castelo. ACM defendeu o amigo. A conversa era gravada pelo recém-criado SNI (Serviço Nacional de Informação). No relato de Elio Gaspari, em "A Ditadura Envergonhada", Castelo agradeceu a defesa e deu a entender que tivera acesso à gravação. Episódio mais representativo é o de sua
nomeação a prefeito de Salvador, em 1967. Por temer que Costa e Silva vetasse o nome de ACM, Castelo antecipou a portaria. Antes disso, tentara emparedar, sem sucesso, a candidatura do ministro da Guerra. Uma das estratégias era exigir a demissão coletiva dos ministros que pretendiam ser candidatos em 1966 - entre eles, Costa e Silva. O chefe da Casa Civil, Luiz Viana Filho, seria o primeiro a sair. Percebendo o risco da manobra, que poderia comprometer a candidatura de Viana ao governo da Bahia, ACM foi até o chefe do SNI, Golbery do Couto e Silva, em 6 de março de 1966.
Na conversa, Golbery se convenceu da vitória de Costa e Silva - o sacrifício de Luiz Viana seria desnecessário. E arrematou o papo com uma frase que ficaria famosa: "Salve-se a Bahia, f... o Brasil!". Salvou-se Viana. Permaneceu ministro e virou governador biônico. Foi sucedido por ACM, ungido pelo ditador Médici, em 1970.
Mas, localmente, ACM perderia a ascendência sobre o sucessor, Roberto Santos (1975-1979), filho do seu antigo protetor, Edgard Santos. Divergências internas na Arena, partido de sustentação da ditadura, contribuíram para o afastamento. Não reatariam. Mas a eleição indireta de Ernesto Geisel, em janeiro de 1974, retirou-o do ostracismo: ganhou a presidência da estatal Eletrobrás. Em 1978, voltou a ser governador do estado da Bahia.
Pela primeira vez, um presidente lhe faria reservas pessoais - o general João Figueiredo (1979-1985). Em entrevista ao jornalista Hélio Contreiras, Figueiredo chegou a declarar: "Nunca confiei em bajuladores como Antonio Carlos Magalhães, um dos mais vitoriosos carreiristas deste País". Havia motivos para o duro julgamento. Em 1985, derrotado na convenção do PDS, que escolheu Paulo Maluf candidato a presidente, ACM abandonou a base governista e ajudou a tecer uma coalizão da Frente Liberal com o PMDB em torno de Tancredo Neves. Venceu com Tancredo no Colégio Eleitoral. Contrariando as expectativas dos opositores, encontrou na democracia o auge do poder. Soube ler o vento.
No curto governo Fernando Collor (1990-1992), integrou a base de sustentação e ficou contra o impeachment do presidente. Em virtude desse apoio, amargou na Bahia um refluxo político. Sucessor de Collor, Itamar Franco só lhe abriu as portas do Planalto para desconstruir sua imagem de criador de dossiê. Sobraçando uma de suas pastas, marcou audiência com o presidente para denunciar os focos de corrupção no governo. Itamar liberou o acesso da imprensa e ACM encurtou a conversa. Blefava.
Como vingança, lançou ao ex-anfitrião o epíteto de "estadista de arrabalde".
A composição PSDB-PFL trouxe a aura de "eminência parda" de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Na eleição de 1994, o deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL), filho de ACM, foi indicado para ser vice de FHC. Tucanos vetaram a manobra, mas não estancaram a dependência ao PFL. O PFL de ACM. Eleito presidente do Congresso Nacional, demonstrava poder por meio do controle do Legislativo. Tinha a maior bancada pessoal, em 1998: 26 dos 39 deputados federais baianos. Não foi dos aliados mais doces para FHC, alvo de pressões e ameaças veladas.
Em seu livro de memórias, "A arte da política", o ex-presidente registra que, na crise do Banco Econômico, em 1995, quando ACM tentou salvar o grupo baiano, ficou claro o "embate entre dois mundos: um, do mandonismo local e da fidelidade à região, e outro, baseado em uma concepção racional-legal, tendo em vista os interesses gerais do País". Romperam em 2001, no rastro da briga entre ACM e Jader Barbalho.
Apesar de ter apoiado Lula, no segundo turno das eleições 2002, seu trânsito no governo petista não se aprofundou. Foi apoiado pelo PT federal no escândalo dos grampos telefônicos, na Bahia, porém logo retornou à oposição. Depois de longa troca de farpas, reuniu-se com o presidente, em abril de 2007, para um café da manhã. Outros tempos: ao fim, Lula lhe estendeu a mão para que se levantasse do sofá.
Terra Magazine
Em seu lugar

A mais velha, Rose (Toni), é advogada, muito bem-sucedida, mas um "fracasso" enquanto mulher: solteira (aos 40), desleixada e que não sabe se impor nas relações pessoais, inclusive na relação com a irmã caçula, Maggie (Cameron Diaz). Essa é a personificação da mulher confiante, aquela que conquista qualquer um, que chama atenção na multidão. Em contrapartida, não se formou, não tem carreira, é demitida de todos os empregos e a irmã vive reparando as confusões que causa. Uma acha que a outra tem "a" vida boa, mas ambas desconhecem a sensação de fracasso que a outra carrega por dentro. Um fracasso parcial mas bastante significativo dentro do todo (o povo gosta de dizer que "beltrano tem auto-estima" e "cicrano não tem", mas acho que quase sempre as duas coisas se alternam dentro duma mesma pessoa).
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Dia do Amigo
"Você se lembra de mim?
Eu nunca vi você tão só
Ó meu amor
Ó meu xodó..."
Tô mais em baixa que ACM depois do escândalo do painel... Tá foda, viu!...
Impossível de esquecer.

quarta-feira, 18 de julho de 2007
Oito normas de conduta cotidiana para o cidadão moderno - por Contardo Calligaris
1. Você pode escolher entre ficar em casa ou pegar a estrada e, sem dúvida, faz e fará um pouco dos dois. Mas, quando estiver em casa, tente não sonhar com a estrada e, quando estiver na estrada, tente não lamentar o calor do lar. Vivemos de sonhos e de nostalgias: é necessário cuidar para que essa alternância não nos mantenha constantemente afastados do momento presente.
2. Quando alguém pedir esmola ou ajuda, dê (na medida de seu possível) o que está sendo pedido. Não tente moldar o desejo de quem pede, oferecendo pão e leite em vez do trocado. A humanidade dos mais desprovidos se refugia e resiste justamente na capacidade de continuar desejando o supérfluo.
3. Todos os pedidos podem ser recusados, mas devem ser, ao menos, reconhecidos. Portanto é proibido recusar sem falar.
4. Trate como íntimo só quem poderia sem riscos lhe devolver a mesma cordialidade.
5. Caso você pretenda mudar o mundo, lembre-se de que, provavelmente, você não está à altura do mundo mudado segundo seu desejo. Se pretende transformar seu parceiro ou sua parceira, lembre-se de que você, provavelmente, não está à altura do parceiro ou parceira assim transformados. Quem quer mudar as coisas facilmente esquece de contar-se entre os itens a serem mudados.
6. Qual é a melhor viagem: visitar as capitais européias num “tour” de 15 dias ou passar duas semanas numa cidade só e conhecê-la um pouco? É mais interessante manter um casamento complicado do que multiplicar as ou os amantes. O mesmo vale para os amigos e relações em geral.
7. Uma vez por semana, durante uma hora, sente-se numa esquina de sua cidade e contemple os passantes. Tente imaginar a variedade das vidas, a dignidade de todas. Se você tem filhos, faça o exercício duas vezes por semana: será de grande ajuda para aceitar que a vida deles vale a pena, mesmo se não corresponde em nada aos seus sonhos.
8. Considere como verdade absoluta que é possível ter uma vida boa e justa sem acreditar numa verdade absoluta.
Publicado originalmente no suplemento “Mais!”, da Folha de S.Paulo, de 13/10/2002.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Trocando o juramento
Baseado em observações dos amores reais, proponho um novo texto:
"... Até que a falta de dentadas, puxões apaixonados, de mistério e risadas fora de hora os separe. E que assim não seja. Amém."
Os superpoderosos

Eu espero, sinceramente, que essa turma tenha muita sorte. A vida não é justa, e nem sempre é o talento que prevalece. A vida apenas é, seja lá o que for. Mas eu acho que eles vão se dar bem - já estão se dando. Tem gente aí que até se dá ao luxo de prorrogar o momento do sucesso (risos). O bacana de crescer junto - e nós estivemos no dia-a-dia uns dos outros numa fase determinante em nossos crescimentos - é que sabemos de onde o outro veio e, por mais que haja discordância, o quanto seus goals lhe custaram. Automaticamente, a via de regra, você fica satisfeito/a com as conquistas alheias, e nos melhores casos, se inspira nelas e corre atrás do seu caminho também.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Que delíííííícia!!!

Reflexão da meia-noite
domingo, 24 de junho de 2007
Ela é gente que faz!

Márcia me inspira! - e não é muita falta de referência, viu, Alosa!
Através dos dramas e conflitos da vida real, a apresentadora Márcia Goldschmidt voltou ao ar com o programa que a consagrou na TV. No dia 11 de junho, ela reestreou, na TV Bandeirates, o Programa Márcia, exibido diariamente às 16h30. Apesar do curto tempo, ela já disse a que vei, pois tem deixando a emissora em terceiro lugar e, em alguns momentos, até na vice-liderança.
OFuxico fez uma radiografia de Márcia que, em entrevista, conta toda a sua trajetória. De uma menina que sequer conheceu o pai e foi ser babá, Márcia passou a dona de uma bem-sucedida agência de casamentos e, por fim, uma apresentadora de sucesso na tevê. Confira:
Vinda de classe baixa, Márcia foi filha de pai desconhecido e uma empregada doméstica, cuja patroa não aceitava que ela levasse sua menina para o trabalho. Assim, Márcia foi criada pela avó materna. Aos 9 anos, após a morte da avó, ela começava a trabalhar como babá no bairro do Ipiranga, em São Paulo.
"O passado foi muito duro comigo, tive uma infância muito pobre, mas não vivo a vida pelo retrovisor", lembra a apresentadora, mesmo não gostando muito de falar sobre a infância.
Márcia não desistia de tentar mudar a sua história. Começou a juntar dinheiro e, aos vinte e poucos anos, decidiu mudar de país. Embarcou para França e buscou lá uma nova oportunidade de mudar o rumo da vida. Na França, ia concretizando o que sempre imaginou ter: uma família. Casou-se com um francês, mas o relacionamento não deu certo. Naquela época, a França lançava uma nova forma de aproximar pessoas solteiras através de agências de matrimônio. Visionária, Márcia enxergou ali uma grande oportunidade de negócio e rapidamente trouxe a idéia para o Brasil.
"Eu me espantei quando me deparei com anúncios nos principais jornais da França. Eram dezenas de anúncios e, como nunca tinha ouvido falar disso no Brasil, resolvi trazer a idéia pra cá".
Lançada no Brasil, a agência Happy End de Márcia chegou a formar centenas de casais e com a repercussão do negócio, a então empresária, era convidada a dar entrevistas nos mais diversos veículos de imprensa.
Após ser capa da Vejinha e matéria nos mais diversos jornais do país falando sobre o tema casamento agenciado, Márcia concedeu a primeira entrevista para Rosana Hermman, que espantou-se com a desenvoltura de Márcia.
Rosana, na época diretora artística da Rede Mulher, convidou-a para apresentar um programa na emissora.
"Depois que a Rosana terminou a reportagem, ela dizia que eu tinha que ir pra tevê. Eu achei estranho, mas gostei da idéia. Tempos depois, Rosana me convidou para apresentar um programa sobre relacionamento na Rede Mulher", conta Márcia.
Mas, com o sucesso da agência, ela teve que abdicar das gravações do programa televisivo, abrindo mão da carreira de apresentadora.
"A agência estava indo muito bem, não poderia deixar de lado algo que havia me dado tantas alegrias", justifica.
Mas a sorte de Márcia começou a mudar mesmo, após um anúncio no jornal. Na época, o SBT procurava uma espécie de Ricki Lake brasileira para um de seus programas.
"Foi muito louco! O SBT decidiu procurar uma apresentadora com anúncios em classificados de jornais", lembra.
A secretária de Márcia leu o anúncio e decidiu enviar uma fita, sem que a patroa soubesse.
Selecionada para um teste no SBT, 30 dias depois a então empresária recebia mais um sinal da emissora, dizendo que ela havia sido selecionada para mais um teste. Agora, de vídeo.
"Tinha muita gente fazendo testes, eram centenas de mulheres, nunca imaginei estar ali", diz Márcia.
Após uma disputa com mais de 700 candidatas, ela foi a escolhida e embarcou para os Estados Unidos para conhecer um pouco mais de Ricki Lake, famosa pelos programas que Márcia apresenta até os dias de hoje.
A ficha demorou a cair. Márcia estava na segunda emissora do país e, muito novata, ainda não sabia como reagir com a fama. Com um ano e meio de programa, repentinamente Silvio Santos a tira do ar. E, mesmo com os altos índices de audiência, a apresentadora ficou na geladeira esperando um sinal verde do patrão para voltar ao vídeo.
"Na época que estava no SBT, me senti muito desvalorizada. Não conseguia entender o motivo de estar na geladeira, após fazer um programa com tanto sucesso", explica a apresentadora.
Com a saída de Serginho Groisman do SBT, Márcia foi uma das escolhidas para apresentar o consagrado Programa Livre e o Fantasia.
"O Silvio começou a fazer os testes dele e eu fui a escolhida. No Programa Livre, fazíamos um revezamento de apresentadores. Cada dia era um".
Logo que saiu do SBT, Márcia assinou com a TV Gazeta de SP, onde ficou menos de um ano. Ela percebeu que um programa feminino não era o que gostaria de fazer.
"Eu apresentava o Mulheres, junto com o Leão Lobo, mas percebi que aquilo não tinha a minha cara. Fiquei menos de um ano por lá e pedi demissão."
Convidada pelo então diretor artístico da Band Rogério Gallo, Márcia estreou na emissora o Hora da Verdade, nos mesmos moldes do programa que ela fazia no SBT. Ela acabou sendo o maior ibope da emissora durante os quatro primeiros anos em que esteve no ar.
Afastada da tevê mais uma vez, em 2005, Márcia decidiu mudar do país e respirar novos ares. Após um ano e meio morando em Miami, ela voltou para a tevê com força total. A estréia do Programa Márcia, na Band já começou a incomodar a concorrência, conquistando bons índices de audiência.
"No programa de estréia, já conseguimos empatar e ficar em terceiro lugar", conta Márca, animada.
Em uma fase mais assumida, Márcia mudou o visual e toda a tarde lança moda. Usa corselet, uma espécie de faixa abdominal que ressalta suas curvas.
"Eu adoro corselet e a nossa diretora artística também. Pedi autorização e ela, como também gosta, autorizou", justifica.
Com direção de Rodrigo Branco - que é um grande amigo da apresentadora-, as duas primeiras semanas do Programa Márcia conseguiram elevar o Ibope da emissora em mais de 50% e já chegou a cravar o 2º lugar, por 50 minutos, perdendo no ranking apenas para Globo.
Diariamente o programa Márcia mostra dramas, histórias e conflitos de pessoas, das mais diversas classes sociais, como uma mulher que já traiu o marido mais de 40 vezes, uma miss que virou anoréxica, graças ao competitivo mundo da moda e outros do gênero.
S.A.C.
O que seria de nós, mulheres, sem a peãozada, hein? Essencialíssimos!
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Give a little bit...



Give a little bit
Give a little bit of your love to me
Give a little bit
I´ll give a little bit of my love to you
There´s so much that we need to share
So send a smile and show you care
I´ll give a little bit
I´ll give a little bit of my life for you
So give a little bit
Give a little bit of your time to me
See the man with the lonely eyes
Take his hand, you´ll be surprised
Give a little bit
Give a little bit of your love to me
I´ll give a little bit of my life for you
Now´s the time that we need to share
So find yourself, were on our way back home
Going home
Dont you need to feel at home?
Oh yeah, we gotta sing
terça-feira, 12 de junho de 2007
Extra! Extra! Extra!
O Xixi de Macaco não faz a mínima idéia do que isso significa, mas fica muito feliz em ver mais um faconiano mandando ver por aí!
Dia dos Namorados
("Beba para mim apenas com seus olhos, e eu me comprometerei com os meus/ Ou deixe um beijo no copo, e eu não vou querer vinho")
Dia dos Namorados... E também aniversário de casamento dos meus pais (36 anos juntos! Ave Maria!...), aniversário de Talita, a ovelhinha do exército mineiro, e o dia em que vou me reconciliar com Alosa, que cortou relações comigo desde que mandei o alosah@uol.com.br pros ares.
Alosa, "em nome do amor, vamos nos perdoar!"...
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Mulher tem memória
Mas existem outros, nos quais quase não se pensa, mas dos quais se tem pânico -e esses são os piores.
São os medos subjetivos, quando se faz algo que não se deveria, de ser punida; por um pai imaginário, por Deus, por um alguém que não faz outra coisa a não ser olhar atentamente para tudo que você faz, para premiar ou castigar. De preferência, castigar.
Existem outros medos nos quais não se pensa mas que são permanentes: medo de ficar doente, de ficar velha e sozinha, de morrer. Quando se pensa em todos esses medos, chega a surpreender como podemos, às vezes, passar horas falando bobagem e dando risada.
Quando criança, você teve medo de seu pai? Se teve, vai passar a vida inteira tendo medo do marido e do patrão, símbolos da autoridade masculina.
E o medo da maldade? E do olho grande?
Medo tem a ver com culpa, e quem é culpada vive sempre com medo do castigo.
Existem as pessoas que não são culpadas de nada, e as que são culpadas de tudo. As primeiras passam pela vida felizes, felizes; já as outras acham que, se no lugar de terem comprado aquele batom tivessem mandado o dinheiro para os necessitados da África, teriam pelo menos feito sua parte. Como é difícil viver.
Mas é preciso não confundir o medo com a covardia, e às vezes - aliás, o tempo todo - é preciso se posicionar, sem medo. Se posicionar, no caso, é apenas organizar seus pensamentos e ter suas opiniões, o que, se para alguns é simples, para outros é quase impossível.
Por que será? Serão essas pessoas tão reprimidas que isso as impede não apenas de dar sua opinião mas até de terem uma? Ou será medo?
Existem alguns medos bem concretos: da reação daquele homem quando você anuncia que está indo embora. Com todas as conquistas que as mulheres conseguiram, nessa hora o medo é físico -afinal, os homens costumam ser agressivos, mais fortes que nós (fisicamente), e às vezes, quando feridos, passam dos limites. Outro medo é quando, já com o novo, você cruza pela primeira vez com o que foi abandonado.
Mas os homens também têm seus medos, sobretudo quando são eles que abandonam.
As mulheres - mais emocionais e menos civilizadas- são capazes de tudo, quando deixadas; mulher não esquece - nem perdoa.
Aconteceu com um casal de velhinhos - bem velhinhos mesmo - que estava visitando a filha, num domingo. Falavam sobre o passado, e num determinado momento ela perguntou - afinal, já havia tanto tempo - se ele havia tido um caso com uma determinada mulher, décadas atrás, o que na época ele negou com firmeza.
A conversa estava tão amena, a paz tão grande, com a família toda reunida, que ele disse que sim, era verdade. Ela avançou no pescoço dele e foi preciso a filha e o genro para separá-los. Apesar de já terem passado dos 80, ela passou meses sem falar com ele.
E é bom que os homens também tenham medo, pois uma mulher com raiva é muito mais perigosa do que um homem com um revólver na mão.
domingo, 10 de junho de 2007
Feira de Santana é o must!
2) Tem emoções que só o povão te proporciona. A cidade, na minha primeira impressão, parece negar a máxima de Cazuza de que o tempo não pára. Isso pelo menos não se aplica de jeito nenhum a uma famosa rede feirense, a CAMYS. Rei Nelsinho, como se auto-intitula o dono do empreendimento, um senhor de uns 40 anos com ares de Sinhorizinho Malta que aparece nos cartazes espalhados pelas pilastras, vende à moda antiga. Enquanto circulávamos pela enorme loja, presenciei uma cena que nunca tinha visto ao vivo e que fez Paula Carzzi cair na gargalhada (me deixando sozinha à mercê da histeria consumista de Viviane, que, na boa, deve ter servido em alguma guerra na encarnação passada. Só isso explica a "liderança" demonstrada durante o episódio): anunciou-se uma promoção no microfone, o povão foi se juntando em torno do balaio, e quando começaram a despejar as mercadorias de R$ 9,90, via-se as peças de roupa voando por cima das cabeças, agarradas por mulheres em fúria, que não tinham a mínima idéia do que estavam se esforçando para reter, mas que, por menos de R$ 10, já achavam que compensaria o "vale-tudo".
3) A concorrência é fraca. Vivinha e demais nativos dessa cidade, peço desculpas de antemão, mas a verdade tem que ser dita: ô povo feio esse de Feira de Santana, meu Jesus Cristo! Ave Maria! Até eu, que sou de uma lucidez patológica sobre a minha pessoa, comecei a me achar gatchéénha perto do que vi nas ruas.
Por isso arrisco dizer que Vivi´s é a Paris Hilton da cidade: de família endinheirada e guapa.
4) Mini Brasília. As ruas do comércio me lembraram a W3, no Plano Piloto. Feira tem um "q" de Brasília, e só isso me fez simpatizar com ela. Exceto pelo trânsito, que é bem maluquinho. Sobre isso, me desagradou o grande número de motos. Distraída como sou, viraria "anjinho" em dois tempos se vivesse naquela cidade.
5) É fácil de ir embora. O melhor de Feira de Santana, no entanto, é que é muito fácil dar o fora de lá. Por R$ 12 e uma hora e meia de viagem, logo, logo estamos em casa. Êêê!!!...