sexta-feira, 20 de julho de 2007

Impossível de esquecer.


Hoje morreu, de falência múltipla dos órgãos, Antonio Carlos Magalhães.

Olha, eu sabia. Esse negócio de que melhorou e vai ter alta... Quem já teve algum avô/avó, alguém de certa idade, em fase terminal sabe que, quando acontece aquela melhora repentina, é sinal que o fim está muito próximo. Duro de matar, by the way. Desde que me mudei pra Bahia, há 15 anos, ouço que ACM está nas últimas.
Agora só falta Dercy.

É dispensável dizer que o cabra é/era odiado. Mas é indispensável lembrar que, se como ser humano foi um fracasso, como personalidade era raro. A mim, pelo menos, vai fazer falta. De hoje em diante serei uma órfã dos truculentos discursos de Antonio Carlos Magalhães no espaço editorial do Correio da Bahia. Nunca vou esquecer da bordoada que ele deu em Pellegrino, na eleição de 2002, tecendo elogios ao falecido pai do adversário, psiquiatra e ex-colega de faculdade, p/ depois arrematar um ácido "Casa de ferreiro, espeto de pau". Diga aí se não é de uma brutalidade fan-tás-ti-ca?! Hilário... Aliás, é dele a máxima "Fale bem dos amigos todo dia e dos inimigos, no mínimo duas vezes ao dia". Eu não consigo odiar ninguém assim; ACM odeia por pouco. O orgulho faz mal? Não necessariamente. Ele viveu 80 anos movido por isso (Não é por causa de 1 mês e pouco que não foram 80 anos... Aliás, esses caras têm o péssimo hábito de bater as botas aos 44 min do segundo tempo. Passei quase uma década à espera do centenário do Roberto Marinho, e o miserável resolveu morrer a 16 meses da data. Que %#@*!). Paixão é paixão, em todo caso é uma força poderosa. Ele tinha uma paixão "do mal" mas que serviu para que tivesse oito décadas de vida intensa. Não foi qualquer existência: construiu um nome conhecido nos quatro cantos - e mais, popularizou uma sigla -, fez parte de meio século da história, sobreviveu aos escândalos. E é o tipo de personalidade em falta hoje em dia: desbocado e que faz questão de mostrar quem manda no pedaço. Quase todos que passa(ra)m pelo Congresso são ávidos por poder e não tem ética, mas é broxante quando além da falta de caráter, vem a falta de firmeza. Em se tratando de homens da Bahia, então, um sujeito que fala grosso e firme é um tremendo diferencial (esse, com certeza, não veio do teatro! amigo, alosa, amigo!...). hehe

ACM tem dois consolos nesta etapa pós-vida: 1) ele fez valer o tempo dele na Terra; 2) o calor da Bahia e as picuinhas palacianas foram ótimos treinamentos para o clima do Inferno.
Esse não vai descansar em paz. E também não vai poder usar a minha frase de lápide ("Estou a dois passos do Paraíso/ Não sei, talvez eu fique por lá").

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