quinta-feira, 26 de setembro de 2024

O peso do passado, a leveza das pessoas maravilhosas que não conhecemos (e que não nos conhecem também)


Por culpa de Hollywood, sempre achei bacana a imagem dos amigos que se conhecem desde a infância. Eu não os tenho, mas mantenho os da adolescência em diante. Uma dessas amizades já tem 20 e poucos anos. Como é uma pessoa assídua na minha vida, que eu conheço a família, o contexto, etc, eu já consigo antecipar as cenas dos próximos capítulos, perceber quando está falando da boca pra fora e por aí vai. Não é culpa dela. Dificilmente os seres humanos são imprevisíveis. Uma amiga em comum até dá risada dos meus comentários premonitórios. Essa semana, me caiu a ficha de que pra ela, e pra todo mundo que passa por isso, deve ser um porre ter gente assim ao redor.

Explico: tem horas em que a gente enjoa da gente e quer se ver diferente e também ser vista de um outro modo pelas pessoas. Eu já reparei que essa amiga mesma vende uma versão diferente dela pras novas amizades. Eu achava infantilidade, mas vejo que tem razão de ser. E por que não? Que coisa chata deve ser essa cristalização. Também não gosto quando as pessoas me enquadram, ou dizendo algo que não sou (o mais comum), ou falando como se não pudesse mudar (tão bleh quanto). Ficcionar-se é preciso, e vamos deixar nossos velhos conhecidos em paz com isso, né? 

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