quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Equilibrio Distante (Simone Biles + Rebeca Andrade feat Divertidamente)

 




Quanto mais eu envelheço, mais acredito num ponto médio para a maioria das coisas. Urge que a gente trabalhe nisso, especialmente em relação as nossas dores. Não acredito em gente que não sente nada, os pseudo super bem resolvidos. Pela experiência de vida que tenho até agora, dores ocultas se manifestam de qualquer jeito, apenas migram pra outro lugar. Mas acho que a gente não deve se impressionar com as próprias dores. Eu falei impressionar e não ignorar. A gente precisa olhar pra os nossos traumas, mas não muito pra não ser devorado por eles. Equilíbrio distante? Mas acho que vale a pena tentar. 

Simone Biles e Rebeca, a meu ver, conseguiram fazer isso que estou falando. Elas sabem o que aconteceu com elas e dão nome às coisas ruins pelas quais passaram, mas não foram tomadas por isso. A dor virou um localizador, não uma morada definitiva. Sabe aquele papo esotérico de que a vítima não prospera? Pois é, ninguém está nem ai, a gente só se prejudica. Mas o caso é que é muito fácil cair nesta cilada, e ficar querendo reparação, solidariedade, etc. Porque quando você sofre injustiças, um dos pontos de dor é saber que tinha gente vendo, havia quem pudesse impedir e ninguém fez nada. E daí você fica sangrando, esperando que essas pessoas vejam e façam a devida reparação (que não virá) e passa a acreditar que não tem valor. Penso que uma coisa que atrapalha também é a falsa sensação de azar, de que as coisas ruins só acontecem com a gente. E eu acho que é esse o pulo do gato: compreender que não existe vida sem frustração, injustiça, dor, etc. Sofremos não por sermos menos merecedores das coisas boas, mas porque estar na vida é isso aí mesmo. Inclusive, uma das coisas que me incomodam em quem pertence as minorias (e aqui tenho super lugar de fala) é que as pessoas fantasiam que aqueles que não pertencem a sua minoria têm uma vida maravilhosa. Podem ter uma vida menos difícil, mas a vida é complicada pra todo mundo. Marilinha tinha razão: todo mundo vai sofrer. 

É uma pena que o que não falte no século XXI seja gatilho pra disparar a nossa ansiedade.

Por isso que gostei dos dois Divertidamente, aliás uma tradução muito ruim de "de dentro pra fora". O primeiro filme frisa que todos os sentimentos são importantes. A Alegria, que se acha a melhor, tenta de tudo, mas quem resolve a parada é a desprezadíssima Tristeza. O segundo filme deixa bem claro aos jovens que a Ansiedade é do mal (não ela, a bichinha, mas o descontrole dela). No final todos se ajustaram e aprenderam inclusive a acolher a Ansiedade (sentadinha na cadeira de massagem com direito a xícara de chá. genial! haha), mas a mensagem foi passada: a energia que flui quando se é fiel aos próprios valores ajuda muito mais do que a ansiedade de querer se precaver do futuro. A propósito, amei a associação da Ansiedade com a Inveja e com o Medo. Este último toda hora virava pra Alegria: "É, a Ansiedade saberia o que fazer". E não sabia, só armou encrenca pra pobre da Riley. São vários os caminhos, mas no fundo a demanda de todo mundo é a mesma: amor. Não adianta se acabar, se torturar, criar um personagem, competir com os outros, porque esse bem-estar é um lugar dentro da gente que construímos (lógico, o ambiente e as pessoas interferem nisso) com muita perseverança, trabalho, fé e rezando pra ter sabedoria no processo. Afinal, somos os maiores interessados em morar lá. 
 

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